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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

PENSAMENTO & MEMÓRIA

Olá à tod@s.


Munin e Hugin falando das novidades!
Quero falar hoje deste mensageiro moderno, promotor de revoluções em todos os campos, que é a comunicação virtual. Através dela, tal e qual Odin, sabemos das coisas que se passam ao redor do globo, bastando apenas fazer a pergunta certa. Cada um de nós possui seu próprio Munin e Hugin! Vejam por exemplo a Primavera Árabe, que derruba governos e desestabiliza ditaduras como fortes ventos do deserto fazem com tudo aquilo que está solto ou podre. Esses mesmos ventos levam sua força ao interior da Europa e da Ásia. Quiçá cheguem aqui também! Em Campinas os vereadores votaram por aumentar o próprio salário em 126%!

Sempre tive necessidade de registrar pensamentos. Tenho desde 1997 os Livros da Tribo. Um olhar leigo os chamariam de simples agendas, mas seu conteúdo repleto de poesia e inconformismo leva valores libertários aos seus seletos colecionadores. Salvo algumas edições, ou um dos mais antigos deles, acredito.





Pensamento & Memória


O registro das coisas que penso e fiz me permite olhar para o passado, olhar para mim e dizer "aceitei aqui, mas errei ali". Logo, quando escrevo hoje, lá ou mesmo aqui, mando uma carta para o futuro, para o Sergio que virá, e sabe-se quem mais depois de mim que lerá as coisas que se passam em meu coração.

A invenção da escrita determina o grau de avanço de uma sociedade. Afinal, de onde você acha que surgiu o termo pré-história? Costumamos associar essas civilizações aos povos das cavernas, mas na verdade é o período da existência humana em que a linguagem não é organizada e documentada. Não que a tradição oral não tenha valor, mas sim que sem a gravação na pedra, no couro, no papiro, no barro, no papel, CD-ROM, HD ou outro meio que venha a surgir, não passaremos nossos acertos e erros para as gerações futuras e, mais importante ainda, para nós mesmos. Pensem, por exemplo, nas perdas inestimáveis proporcionadas pela Destruição da Biblioteca de Alexandria, o farol do Mundo Antigo.

Atual Biblioteca de Alexandria


Ou como a Europa caiu na Idade das Trevas, vulgo Idade Média, após o fim do Império Romano e de todo o conhecimento acumulado pelos povos do Mediterrâneo. Os gregos e romanos sabiam a importância, por exemplo, da água na saúde das cidades e suas populações. Tanto que possuíam até uma Deusa dedicada a limpeza: Hígiapara os romanos, e de onde deriva a palavra higiene. Este valor simples se perdeu em poucos séculos (em parte graças ao obscurantismo dos religiosos da época que insistiam em negar todo o conhecimento vindo do Paganismo, mesmo os de cunho prático) e as cidades medievais se tornaram o centro de todo o tipo de doença.




Soltem os Corvos!


Dentro de uma desses meus Livros da Tribo, semanas atrás, encontrei uma foto tirada a 10 anos atrás. Sem maiores pretensões a postei no Facebook, o que gerou uma onda de saudades que certamente estava contida em vários corações de meus amigos e reencontros pipocaram aqui e ali, para falar de passado, presente e futuro. De certa forma esta foto voou nas asas destes corvos sagrados cibernéticos internet à fora e gosto de pensar assim. Gosto de pensar em Odin como um dos patronos da comunicação universal.


Amad@s, soltem também seus corvos e ouçam as vozes do Mundo!


É isso!


Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot




Ps.: para ilustrar com som o valor de seu pensamento, uma divertida animação sobre as ideias do Eterno Raul e sua linha de Metrô 743, rs!





segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

QUANDO TUDO DÁ ERRADO

Olá à tod@s!


Boa parte de meus escritos aqui partem de um pressuposto simples: de que tudo dará certo no final, bastando apenas seguir o plano. Tento assim levar algo de positivos aos que me leem. Mas também já afirmei nestas linhas que somos apenas um ponto nesta imensa trama da vida. Que somos sujeitos à forças maiores que nós e que em geral é mais inteligente e menos desgastante aprender sobre os ciclos destas forças para melhore tirar proveito. Foi este conhecimento que nos fez deixar de coletar raízes selvagens nos campos para semeá-los de acordo com os ciclos das estações.


Mas há tempos em que o tecido da realidade se rasga. E aí é a fome, discórdia, ameaça, luta, racionamento, desconfiança! E o endurecimento do coração frente a novas muralhas que é preciso atravessar de peito fechado e olhos voltados para a sobrevivência pura e simples. Os sonhos são abandonados ao campo precocemente estéril, no mesmo campo onde espadas são desembainhadas.


Pois é. Nem tudo dá certo na vida, por melhores que sejam nossas intenções, apesar de todo planejamento e esforço desprendidos, todo o suor e lágrimas. Às vezes não dá certo mesmo porque o momento de semear era anterior ou não daquela Lua Cheia. As pessoas que vivem da terra o sabem muito bem, certamente melhor que eu, que mesmo com todas as previsões possíveis basta uma praga, uma doença, granizo, água de mais ou de menos, qualquer coisa fora do contexto, para que tudo desande. Observatórios onde sacerdotes-astrônomos seguiam o curso das estrelas são tão velhos quanto a agricultura em grande escala.


Esses homens sabiam que determinadas posições daqueles pontos de luz no céu indicavam a vinda das chuvas, assim como os pescadores conhecem as marés. Os sacerdotes egípcios sabiam ler as palavras de Sírus no céu e sabiam o fluxo do Nilo. Os gregos também dominavam esta nobre arte.


Sírius era conhecida no antigo Egito como Spodet (do grego: Sothis), e está registrada nos registros astronômicos mais antigos. Durante o Médio Império, os egípcios tomaram como base de seu calendário o nascer helíaco de Sírus, ou seja, o dia em que ele torna-se visível pouco antes do nascer do Sol e estando suficientemente afastado do brilho dele. Este evento ocorria antes da inundação anual do rio Nilo e do solstício de verão, após estar ausente do céu por setenta dias. O hieróglifo para Sothis é uma estrela e um triângulo. Sothis era relacionada com a deusa Ísis, enquanto o período de setenta dias com a passagem de Ísis e Osíris pelo tuat, o submundo egípcio. Ver mais AQUI.


Nós também, mesmo não mais plantando e colhendo diretamente os frutos da terra, ainda semeamos e colhemos nossos sonhos e realizações e estes devem ser guardados das pragas que nos rodeiam: ódio, inveja, intolerância, discriminações de todos os tipos.


E mesmo que nosso campo dos sonhos seja devastado e tudo aquilo que alimenta o espírito tenha sido destruído, não se rendam. Só tenham mais cuidado.


Saúde, amizade, liberdade




Sergio Thot.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O "GRANDE" DISCURSO

Olá à tod@s Peço que assistam com cuidado o vídeo abaixo. Entenda o porquê da controvérsia envolvendo este deputado federal pelo Partido "Progressista" lendo AQUI. Observem o ódio embutido, escondido atrás do terno e da gravata do "cidadão de bem". São sempre "gente de bem", né? Sempre pregando pela família e os valores morais.


Curioso. O estopim da ditadura no Brasil começou com uma Marcha pela Família (Leia + AQUI). Gente marchando sempre me dá medo. Ninguém dança. Todos marcham.


Percebe-se que não existe qualquer argumentação nos gritos emitidos por este ser. Ele apenas vocifera e tenta ganhar no grito, assim como um dia ele ganhou já discussão com arma na mão. Segue o perfil do ser AQUI. Só há ódio em seu "discurso", e desinformação. Triste é que ele foi eleito diversas vezes e ajuda eleger outros que possuem o mesmo perfil, com votos de milhares de "bolsonarinhos" espalhados por este país, talvez os mesmos eleitores que votaram no Tiririca. 


O perfil deste ser é o mesmo de outros perseguidores em todas as épocas. Hoje estão na tribuna democrática porque lhes é muito conveniente, mas em outros tempos, habitam os porões, masmorras e florestas de todas as terras e todas as épocas, onde somente sua vociferação era ouvida, acusatória. E qualquer um que esboçasse a mínima defesa a favor da vítima ou do processo era com ela sacrificada.


A democracia representativa brasileira, que não é das melhores mas é nossa, gozada por aqueles que hoje tem 25 anos ou menos, não foi gratuita. Foi vencida na luta contra seres deste naipe que, durante várias gerações, tem tentado ditar suas ordens através da violência ou de fato, ou de palavras. 


"A acusada era conhecida por tomar banho"
Recado aos que acreditam na educação, no diálogo e nos direitos civis: existem muitos "bolsonarinhos" por aí. São quase invisíveis, aparecendo apenas em atos esporádicos de violência física ou verbal. Esses dão mais medo. Se o Bolsonaro é a voz, os bolsonarinhos são os braços.


Fala-se que Hitler matou tantos judeus. Na verdade milhares de alemães mais ou menos anônimos fizeram isso. São destes tentáculos que tenho medo.


Não é jogando ovos em um politico que serão vencidos. O político é um representante de um pensamento coletivo, uma hidra com tantas cabeças que, para ser vencida deve-se conquistar corações e mentes em todas as frentes, em cada vez que a ignorância se manifesta: na fila do mercado, no ônibus, na rua, no cinema, em casa.


É trabalho de formiguinha! Comecemos já!


Sergio Thot!




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

FÉ CEGA, ATHAME AMOLADO

Olá, como vão?

Quero dividir com vocês os pensamentos surgidos de um evento triste ocorrido esta semana com a Consorte. Voltando do trabalho, num dia quente de Beltane, em pé no ônibus, um cidadão se oferece para segurar-lhe a bolsa. O que não sabia é que minutos atrás ela havia se tornado mais um alvo numa cidade de vítimas. Quando entrou no ônibus e guardou seu aparelho em um compartimento da bolsa, a ação foi marcada pelo meliante, o mesmo que se ofereceu para segurar a bolsa e cobrila distcretamente com uma revista enquanto sorrateiramente abria o bolsinho lateral.

A questão não é o valor do aparelho, que era baratinho, mas a audácia, cara de pau, e a sensação de vácuo que fica nessas horas. Pois fica. Depois vem o ódio e a desconfiança.


Invasores

Quando pequeno fui ensinado a desconfiar das pessoas. Ao atingir a adolescência resolvi matar isso em mim e me jogar mais no mundo. Não que não tema, mas isso faz com que me relacione facilmente com os outros sem desconfiar que qualquer desconhecido seja um marginal em potencial. Adquiri com o tempo e experiência uma certa fé na humanidade, por saber que as pessoas são... apenas pessoas. Que existem os essencialmente bons, os essencialmente maus, mas que ambos os grupos são formados por um número pequeno de indivíduos. O restante, como você e eu, é bom o mau conforme a oportunidade, como diria Erich Fromm.

Quando esta oportunidade não existe, o crime e a violência são desnecessárias, conforme nos aponta Rachel Pollack em seu livro O Corpo da Deusa (que não canso de citar, rs!) quando fala das antigas sociedades aparentemente pacíficas.

Deidade encontrada em Çatal Hüyük
"A cidade neolítica de escavada próximo à Çatal Hüyük, em Anatólia, na Turquia (em geral chamada simplesmente de Çatal Hüyük), é uma das cidades mais antigas do mundo, datando de 7250-6150 a.C. O arqueólogo James Mellaart encontrou 800 anos de habitação contínua. Nem uma vez o registro arqueológico mostra sinais de um saque ou de um massacre. Nenhum em 800 anos".

Uma corrente de historiados e arqueólogos, como Marija Gimbutas, acredita que uma sociedade femeo-centrada tenha existido na região que conhecemos hoje como Oriente Médio, estendendo-se até a Europa Oriental, e que era essencialmente pacífica e agrícola, sendo submetida por povos indo-europeus vindo do leste. Esta ideia é chamada de Hipótese Kurgan.


"Gimbutas acreditava que as expansões da cultura Kurgan foram uma série de invasões essencialmente militares e hostis, onde uma nova cultura guerreira se impôs sobre as culturas pacíficas e matriarcais da "Europa Antiga", substituindo-as por uma sociedade guerreira patriarcal, um processo visível no surgimento de povoações fortificadas e nos túmulos de líderes guerreiros."

Então temos o caipira cuidando de sua terra e plantação tendo que, do dia para a noite, defende-la do ataque de grupos empenhados em consumir o suor de seu rosto. Devemos lembrar que uma parte considerável da história humana baseia-se no resultado direto do campo, numa vida em que as reservas alimentares não duravam muito. Saber quando plantar e quando colher era questão de vida ou morte para populações inteiras. Saiba mais sobre os invasores indo-europeus AQUI.


A Ocasião Faz o Ladrão

Voltando ao assunto, acreditamos que o meliante era apenas uma pessoa comum que viu a oportunidade e aproveitou, por conta de uma baixa de seus conceitos éticos e morais e da oportunidade que se apresentou, tentadora. Temos momentos assim, acredito, onde o pior de nós aflora mas que não aquilo que somos essencialmente.


Ou então este pensamento é meu lado Pollyana falando, rs!

Crendo nisto, vivo a vida de modo a não criar tais oportunidades para que as ações ruins não nasçam na mente e coração das pessoas, e penso que todos devamos fazer o mesmo, seja em nível individual ou social. E que também devemos nos preparar psico e fisicamente para situações onde se exige que entremos em conflito com o outro na busca de nossa segurança e de quem queremos bem.

Estas são coisas a se pensar com profundidade na realidade em que vivemos.

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A CAMA DE PROCUSTO

Olá, como vão vocês?


Os que tem a idade de 20 anos ou um pouco mais talvez não lembrem do período em que o Brasil e muitos países da América Latina recebiam visitas das comissões do FMI, vindas para sugerir (impor) restrições ao modo com que conduzíamos a política econômica, para o desespero da oposição da época. Greves, manifestações de quebra-quebra nas ruas, braço de ferro no Parlamento. Aquela situação me lembrava um evento vivido nas brumas do tempo pelo povo grego nas mãos de Procusto, o gigante.




A Cama de Procusto


Procusto era um cara legal, que só tinha o problema de matar as pessoas por diversão sádica. Aproveitando-se de sua força, ele obrigava viajantes incautos que passavam em suas terras a visitarem sua casa e deitarem na cama que ele preparava especialmente para a ocasião. Até aí nada de mais, só que se sobrasse alguma parte do corpo do visitante para fora, ele cortava. E se, ao contrário disso, o corpo do viajante fosse pequeno e sobrasse espaço neste literal leito de morte, ele esticava-lhe os membros até arranca-los. Era dura a vida em Elêusis. Leia + AQUI.


Se correr o bicho pega?
A crise na Europa protagonizada pela atual Grécia e as regras impostas pela União Europeia e FMI me lembaram esse episódio. Parece que o povo grego está deitado na cama de Procusto, onde as contas nunca fecham. Desejo sorte e discernimento na terra de Homero. Leia + AQUI.


E a nós também, porque não!? Nossas vidas também são cheias destas situações insólitas onde se correr o bicho pega. Em troca de alguma segurança e conforto nos submetemos a provas que chegam no limite de nossas forças, muitas vezes por motivos que escapam da razão lógica, onde vamos colher alguma coisas, mas a nossa produção é endereçada mais para os outros do que para nós mesmos.


Se correr o bicho pega? Então se ficarmos a gente luta, combinado?

Saúde, amizade, liberdade!

Sergio Thot