Pirro, general na Antiga Grécia, em luta com os romanos.
Por ocasião da crise que se abateu no mundo desde 2009, o governo brasileiro resolveu reduzir o IPI dos automóveis afim de aquecer a economia. Se bem que eu não vi crise nenhuma, só dinheiro mudando de mãos, mas isto é assunto para outro texto. Voltando ao tema, pensei cá com os meus botões: poxa, porque se investiu em um meio de transporte tão burro?
A foto acima ilustra bem a situação: temos 60 pessoas que são distribuídas nos mais diversos meios de transporte. Em qual deles a relação gente transportada x espaço ocupado é mais benéfica para uma cidade?
Agora adicione construção e manutenção de estradas, poluição do ar e rios envolvendo carros direta e indiretamente, qualidade de vida e outros fatores.
A Marginal Tietê, importante via da capital paulistana, sofreu melhorias consideráveis. Mas já nos primeiros dia a situação de trânsito pesado voltou ao tema dos noticiários noturnos. Parece algo sem fim. E falamos aqui dos carros rodando. Aonde eles serão estacionados?
Será que é algo a se comemorar a venda de 1,3 milhão de automóveis onde a maior parte da energia gerada é para virar calor, e o restante é para mover 90 quilos de gente dentro de uma tonelada de veículo?!
"Quando Zeus estupra Deméter, a Deusa se vê impotente e busca conforto em sua filha. Mas quando Hades, com a ajuda de Zeus, se aproxima de Korê, finalmente Deméter resiste."
Da obra O Corpo da Deusa, de Rachel Pollack
Guardo no fundo da alma o desejo de lecionar. Sempre gostei do ambiente escolar, de pesquisa e estudo, mesmo quando jovem. Meu caráter tímido favorecia a ficar em casa boa parte do dia. O que para minha mãe era ótimo, e ela me presenteava com enciclopédias, rs!Esse desejo se manteve por muito tempo e moldou muitas coisas em minha vida.
Como gosto de andar com pessoas mais cultas que eu, sempre envolvi-me com gente ligada à educação. Estimo que boa parte de minhas relações e dão com pessoas ligadas direta ou indiretamente com a arte de ensinar.Recentemente, em uma cozinha repleta de professoras, tive uma confirmação alarmante: professor é profissão de risco. O que ouvi de depoimentos sobre coisas que acontecem em salas de aula, ou o tipo de vida que levam alunos de certas escolas, me arrepiou os cabelos.
Apesar de vivermos a quase vinte anos em um regime (mais ou menos) democrático, esta liberdade cívica e seus valores não chegaram em muitos lugares, ou vieram distorcidos. Os relatos de violência que se estende a crianças de todas a idades é algo que me deixa sem palavras. E quando digo violência, não me limito as físicas. Mas psicológicas também. Não só dos pais e da sociedade em vitimar estes seres humanos em formação, mas também da omissão em não reter as violências que chegam de fora.
Então, pela primeira vez em muitos anos repensei minha escolha de vida. Apesar da minha profissão atual, manutenção, por comida na mesa, educar é minha paixão. Mas diante do quadro que se desenhou, com alunos desinteressados ou mesmo violentos, e de profissionais cansados de guerra e que são minhas principais referências... não sei.Penso nessa molecada aí, reproduzindo os erros dos mais velhos. Eu torço para que sejam capazes de quebrar o ciclo, de dar o salto, de romper com os laços do que é velho e imprestável.
Que percebam que a mudança não só é necessária como possível. A Roda da Vida na verdade não é bem uma roda. Tá mais para uma espiral, onde ora se move para frente, ora para trás. Nos tempos bons dançar; nos ruins, lutar.De minha parte... bem... Não perdi a fé ainda.
E nada como um bom desabafo para limpar o peito, não? Talvez fosse isso que elas, estas pessoas que me inspiram, precisassem. De serem ouvidas. Porque apesar de todos os problemas, ainda lutam.
Como Deméter, ainda lutam. Se elas lutam, porque desistirei? Como diria Sinatra e o Sid... it's my way! Leia aqui a tradução.
Tive uma conversa interessante com um colega xamã esses dias via MSN. Fora um de nossos primeiros contatos e o assunto-tema foi o eurocentrismo. Como ele sabe que sou wiccano achou que minha visão espiritual se baseava somente nos povos da Europa Ocidental, como os celtas e tal. Grande engano, rs!
Confesso que sim, no início possuía esta visão. Mas com o passar dos tempos & livros percebi uma mensagem sutil, inerente a cada trabalho que lia. Quando escritores do porte dos Farrardescreviam suas experiências, o falavam de sua região em particular porque era nela que eles viviam.
Eles supunham que os wiccanos de outras localidades teriam a mesma percepção, que dariam atenção aos mitos & fatos da terra de seus ancestrais. O que é óbvio, dado o fato da Religião da Deusa ser centrada na terra, a terra onde se nasce ou pelo menos onde estão descansando nossos sapatos, rs!
Tesouro escondido
Percebendo isso, e levando em conta que as divindades agrícolas de outras localidades, passo a estudar então outros povos e suas relações com o Divino. Não raro encontro paralelos interessantes. Tal busca me trouxe ao Brasil e a nossa riqueza cultural, a Câmara Cascudo e Ariano Suassuna, entre outros.
E, tal qual aconteceu na Inglaterra, o que era sacro nesta terra virou folclore, uma palavra que por estas bandas costuma reduzir tudo a conto da carochinha para crianças, ou festas em que o sentido pagão ainda existe, mas esta adormecido como as Festas Juninas.
Andando pelo mundo em busca do tesouro e o encontrei na soleira de minha porta, profundamente escondido.
“As mudanças climáticas afetam de maneira direta as condições de vida e de trabalho das mulheres, particularmente por sua proximidade aos elementos de vida, como a agricultura, seu contato com a água e para poder cumprir com o ciclo de cuidado da vida que lhe foi transferido como responsabilidade prioritária.
"Nosso papel na alimentação é fundamental, é um dos âmbitos mais afetados; e em todo o ciclo do plantio e de colheita, de processamento de alimentos e no espaço urbano na provisão de alimentos do dia a dia, são geradas situações de escassez e carência, tudo isso torna mais complexa a situação de trabalho das mulheres”
Magdalena León, Coordenadora da REMTE (Rede Mulheres Transformando a Economia do Equador)
Eis um evento não muito divulgado pela grande mídia mas que merece meu destaque: a Marcha Mundial das Mulheres. Afinal, quem deseja que metade do planeta tome consciência de sua própria força?
A frase acima foi proferida em um dos encontros destas mulheres guerreiras realizado em Cochabamba, na Bolívia.O argumento é simples: boa parte das populações humanas ainda vive da agricultura de subsistência, extravismo ou outros que, em geral, é administrada pela mulher.
Isso quando a própria não é a chefe da família, o que é muito comum nos países em guerra.Nas reportagens de países assolados por algum evento natural mais pesado, como deslizamentos ou terremotos, ou furacões. Cabem a elas por a casa em ordem toda vez.
Devolver a rotina à família. Logo elas são as primeiras a serem afetadas e as últimas a terminar de trabalhar. Por isso são as que melhor conhecem os ciclos do sol e da lua. Até porque elas os vivem em seu útero, no caso do último. Elas tem que sabe-lo para melhor se prepararem para o impacto, entrando aí a intuição.
E a intuição mais uma vez a levou por caminhos inusitados. E estes caminhos seguem em várias direções, como as Marchas mostram. Cliquem nos links e acompanhem as ideias.
Envolvido com a Deusa, liguei-me mais fortemente à terra. Envolvido com a Terra, inevitavelmente compadeço-me com as pessoas. Sou pagão por escolha, por princípio. Sendo pagão recuso o aristocrático, o mandatário e o hierárquico. Para mim foi fácil, pois já vinha de movimentos sociais de bases libertárias, anarquistas, e na Religião da Deusa sentamos em círculo para louvar Seu Nome.Ligado assim as pessoas, principalmente as mais simples, ou aquelas mais sensíveis às mudanças, liguei-me também à causa feminina, ainda que não seja mulher.
E talvez por olhar de fora eu veja coisas e tenha devaneios que as mulheres, e principalmente àquelas ligadas à Religião, não tenham visto ou ainda não verbalizaram (cara, isso era para ser um texto curto!).Agora que mulheres jovens foram colocadas no patamar de cachorras, com o apoio de muitas, devo ressaltar; agora que elas morrem mais diante das câmeras; agora que as famílias são por elas capitaneadas apesar de seu "treinamento" quando crianças não envolver comandar nada além de berços e fogões; agora que muitas instituições financeiras só negociam com a mulher na família por esta oferecer mais estabilidade na hora dos pagamentos, sinto que é hora de um novo salto.
Clube do Bolinha
Homens, quando querem decidir, ou ao menos se esconder, fazem uso de associações masculinas para conforto e proteção: clubes de caça, times de futebol e outros jogos de guerra. Não raro estas organizações oferecerem também em paralelo algum tipo de apoio emocional ou financeiro quando um de seus membros está em dificuldades. Ou ressaltam suas qualidades nos tempos de vacas gordas.Nos últimos anos, olhando para as diversas mulheres que compõem a nossa comunidade, percebo que não existe entre elas esta mesma organização de amparo. Sim, existem as instituições oficiais municipais e estaduais.
Mas falo de algo mais pessoal, profundo e cujo nome eu ainda não encontrei mas que está aqui na ponta dos dedos, pronto para sair.Muitas delas, por várias questões, perderam suas casas e viveram ou vivem situações de risco. Isto porque um homem quando se encontra nestas se vira melhor: o mundo vive sob seu status quo. Para ele urinar na rua, por exemplo, basta parar em um poste à meia-luz, rs! Mas o mesmo não acontece no universo feminino. Muitas sequer conseguem sair sozinhas de casa pois sentem-se desprotegidas. Imagine então o que é perder o lar e ficar só? A situação se complica se há filhos.
O Espiritual é Político
Sabe aquela palavra que estava na ponta de meus dedos? Eles disseram no teclado "casa de apoio". Não sei bem se é este o termo, mas acredito que um lugar de passagem onde se possa receber uma refeição, uma cama e que seja gerido por mulheres já é um bom começo.
Isso passa pela quebra de um conceito de que só pode haver uma princesa e todas as outras mulheres do mundo são bruxas malvadas, madrastas sanguinárias e invejosas em geral. As mulheres têm que declarar trégua entre elas, romperem seus complexos de Cinderela e darem os braços novamente, sob a luz da Lua. Em cada cozinha uma trincheira.
E não consigo imaginar as mulheres-bruxas fora deste embate, talvez até à frente desta nova onda de feministas que agora trata os homens como parceiros na derrocada do patriarcado. Porque nós também estamos cansados disso tudo, acreditem!
Mas como disse lá no começo... sou apenas um homem e isto é só um devaneio.