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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O "GRANDE" DISCURSO

Olá à tod@s Peço que assistam com cuidado o vídeo abaixo. Entenda o porquê da controvérsia envolvendo este deputado federal pelo Partido "Progressista" lendo AQUI. Observem o ódio embutido, escondido atrás do terno e da gravata do "cidadão de bem". São sempre "gente de bem", né? Sempre pregando pela família e os valores morais.


Curioso. O estopim da ditadura no Brasil começou com uma Marcha pela Família (Leia + AQUI). Gente marchando sempre me dá medo. Ninguém dança. Todos marcham.


Percebe-se que não existe qualquer argumentação nos gritos emitidos por este ser. Ele apenas vocifera e tenta ganhar no grito, assim como um dia ele ganhou já discussão com arma na mão. Segue o perfil do ser AQUI. Só há ódio em seu "discurso", e desinformação. Triste é que ele foi eleito diversas vezes e ajuda eleger outros que possuem o mesmo perfil, com votos de milhares de "bolsonarinhos" espalhados por este país, talvez os mesmos eleitores que votaram no Tiririca. 


O perfil deste ser é o mesmo de outros perseguidores em todas as épocas. Hoje estão na tribuna democrática porque lhes é muito conveniente, mas em outros tempos, habitam os porões, masmorras e florestas de todas as terras e todas as épocas, onde somente sua vociferação era ouvida, acusatória. E qualquer um que esboçasse a mínima defesa a favor da vítima ou do processo era com ela sacrificada.


A democracia representativa brasileira, que não é das melhores mas é nossa, gozada por aqueles que hoje tem 25 anos ou menos, não foi gratuita. Foi vencida na luta contra seres deste naipe que, durante várias gerações, tem tentado ditar suas ordens através da violência ou de fato, ou de palavras. 


"A acusada era conhecida por tomar banho"
Recado aos que acreditam na educação, no diálogo e nos direitos civis: existem muitos "bolsonarinhos" por aí. São quase invisíveis, aparecendo apenas em atos esporádicos de violência física ou verbal. Esses dão mais medo. Se o Bolsonaro é a voz, os bolsonarinhos são os braços.


Fala-se que Hitler matou tantos judeus. Na verdade milhares de alemães mais ou menos anônimos fizeram isso. São destes tentáculos que tenho medo.


Não é jogando ovos em um politico que serão vencidos. O político é um representante de um pensamento coletivo, uma hidra com tantas cabeças que, para ser vencida deve-se conquistar corações e mentes em todas as frentes, em cada vez que a ignorância se manifesta: na fila do mercado, no ônibus, na rua, no cinema, em casa.


É trabalho de formiguinha! Comecemos já!


Sergio Thot!




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

FÉ CEGA, ATHAME AMOLADO

Olá, como vão?

Quero dividir com vocês os pensamentos surgidos de um evento triste ocorrido esta semana com a Consorte. Voltando do trabalho, num dia quente de Beltane, em pé no ônibus, um cidadão se oferece para segurar-lhe a bolsa. O que não sabia é que minutos atrás ela havia se tornado mais um alvo numa cidade de vítimas. Quando entrou no ônibus e guardou seu aparelho em um compartimento da bolsa, a ação foi marcada pelo meliante, o mesmo que se ofereceu para segurar a bolsa e cobrila distcretamente com uma revista enquanto sorrateiramente abria o bolsinho lateral.

A questão não é o valor do aparelho, que era baratinho, mas a audácia, cara de pau, e a sensação de vácuo que fica nessas horas. Pois fica. Depois vem o ódio e a desconfiança.


Invasores

Quando pequeno fui ensinado a desconfiar das pessoas. Ao atingir a adolescência resolvi matar isso em mim e me jogar mais no mundo. Não que não tema, mas isso faz com que me relacione facilmente com os outros sem desconfiar que qualquer desconhecido seja um marginal em potencial. Adquiri com o tempo e experiência uma certa fé na humanidade, por saber que as pessoas são... apenas pessoas. Que existem os essencialmente bons, os essencialmente maus, mas que ambos os grupos são formados por um número pequeno de indivíduos. O restante, como você e eu, é bom o mau conforme a oportunidade, como diria Erich Fromm.

Quando esta oportunidade não existe, o crime e a violência são desnecessárias, conforme nos aponta Rachel Pollack em seu livro O Corpo da Deusa (que não canso de citar, rs!) quando fala das antigas sociedades aparentemente pacíficas.

Deidade encontrada em Çatal Hüyük
"A cidade neolítica de escavada próximo à Çatal Hüyük, em Anatólia, na Turquia (em geral chamada simplesmente de Çatal Hüyük), é uma das cidades mais antigas do mundo, datando de 7250-6150 a.C. O arqueólogo James Mellaart encontrou 800 anos de habitação contínua. Nem uma vez o registro arqueológico mostra sinais de um saque ou de um massacre. Nenhum em 800 anos".

Uma corrente de historiados e arqueólogos, como Marija Gimbutas, acredita que uma sociedade femeo-centrada tenha existido na região que conhecemos hoje como Oriente Médio, estendendo-se até a Europa Oriental, e que era essencialmente pacífica e agrícola, sendo submetida por povos indo-europeus vindo do leste. Esta ideia é chamada de Hipótese Kurgan.


"Gimbutas acreditava que as expansões da cultura Kurgan foram uma série de invasões essencialmente militares e hostis, onde uma nova cultura guerreira se impôs sobre as culturas pacíficas e matriarcais da "Europa Antiga", substituindo-as por uma sociedade guerreira patriarcal, um processo visível no surgimento de povoações fortificadas e nos túmulos de líderes guerreiros."

Então temos o caipira cuidando de sua terra e plantação tendo que, do dia para a noite, defende-la do ataque de grupos empenhados em consumir o suor de seu rosto. Devemos lembrar que uma parte considerável da história humana baseia-se no resultado direto do campo, numa vida em que as reservas alimentares não duravam muito. Saber quando plantar e quando colher era questão de vida ou morte para populações inteiras. Saiba mais sobre os invasores indo-europeus AQUI.


A Ocasião Faz o Ladrão

Voltando ao assunto, acreditamos que o meliante era apenas uma pessoa comum que viu a oportunidade e aproveitou, por conta de uma baixa de seus conceitos éticos e morais e da oportunidade que se apresentou, tentadora. Temos momentos assim, acredito, onde o pior de nós aflora mas que não aquilo que somos essencialmente.


Ou então este pensamento é meu lado Pollyana falando, rs!

Crendo nisto, vivo a vida de modo a não criar tais oportunidades para que as ações ruins não nasçam na mente e coração das pessoas, e penso que todos devamos fazer o mesmo, seja em nível individual ou social. E que também devemos nos preparar psico e fisicamente para situações onde se exige que entremos em conflito com o outro na busca de nossa segurança e de quem queremos bem.

Estas são coisas a se pensar com profundidade na realidade em que vivemos.

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A CAMA DE PROCUSTO

Olá, como vão vocês?


Os que tem a idade de 20 anos ou um pouco mais talvez não lembrem do período em que o Brasil e muitos países da América Latina recebiam visitas das comissões do FMI, vindas para sugerir (impor) restrições ao modo com que conduzíamos a política econômica, para o desespero da oposição da época. Greves, manifestações de quebra-quebra nas ruas, braço de ferro no Parlamento. Aquela situação me lembrava um evento vivido nas brumas do tempo pelo povo grego nas mãos de Procusto, o gigante.




A Cama de Procusto


Procusto era um cara legal, que só tinha o problema de matar as pessoas por diversão sádica. Aproveitando-se de sua força, ele obrigava viajantes incautos que passavam em suas terras a visitarem sua casa e deitarem na cama que ele preparava especialmente para a ocasião. Até aí nada de mais, só que se sobrasse alguma parte do corpo do visitante para fora, ele cortava. E se, ao contrário disso, o corpo do viajante fosse pequeno e sobrasse espaço neste literal leito de morte, ele esticava-lhe os membros até arranca-los. Era dura a vida em Elêusis. Leia + AQUI.


Se correr o bicho pega?
A crise na Europa protagonizada pela atual Grécia e as regras impostas pela União Europeia e FMI me lembaram esse episódio. Parece que o povo grego está deitado na cama de Procusto, onde as contas nunca fecham. Desejo sorte e discernimento na terra de Homero. Leia + AQUI.


E a nós também, porque não!? Nossas vidas também são cheias destas situações insólitas onde se correr o bicho pega. Em troca de alguma segurança e conforto nos submetemos a provas que chegam no limite de nossas forças, muitas vezes por motivos que escapam da razão lógica, onde vamos colher alguma coisas, mas a nossa produção é endereçada mais para os outros do que para nós mesmos.


Se correr o bicho pega? Então se ficarmos a gente luta, combinado?

Saúde, amizade, liberdade!

Sergio Thot



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

ALÉM DAS GOSTOSURAS & TRAVESSURAS

Olá, como vão tod@s?


No próximo final de semana acontece uma festa não-oficial aqui no condomínio: o Halloween. Dizem que o início dos festejos começou com as escolas de inglês que, acertadamente, trazem não só a língua da Terra da Rainha para cá, mas também seus costumes e cultura na medida do possível, o que inclui os festejos e datas comemorativas. Como o Brasil, dizem, adora uma festa, não demorou para a data transbordar para as ruas, para o ódio dos observadores de Sacis do SoSaci.


Aliás, vai ter festa em São Luís do Paraitinga e a 9º Festa do Saci:


"São Luiz do Paraitinga convive nesta semana com as atividades festivas da ‘9ª Festa do Saci e seus Amigos’, que teve início no dia 25 e segue até dia 30 de outubro. O dia 31 de outubro é conhecido no Brasil como o ‘Dia Nacional do Saci’, uma forma de preservar as raízes do folclore nacional, contra a invasão de festas estrangeiras tipo ‘Halloween’." Leia a matéria AQUI.


Pena que é uma festa do "contra". Tantos anos para promover a figura do Saci, desde Monteiro Lobato, Câmara Cascudo e outros, e só o fizeram hoje para servir de contra-ponto ao Halloween...




Beltane ou Samhain?


Apesar de ser Beltane para mim e para muitos outros que rodam pelo Sul, fica difícil não deixar-me envolver com o clima, principalmente com as crianças batendo na porta pedindo doces, rs! Sendo assim, lá vou eu comprar algumas guloseimas para as festas das próximas noites!


E vocês? Como lidarão com os parentes e amigos comentando sobre o Dia das Bruxas?


Para os Brux@s de meu Brasil e países lusófonos, feliz Beltane ou Samhain. E para s pessoas comuns, não abusem nos doces, hein? Rs!


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

POSSE DOS CORPOS



Olá à tod@s

Sabem, não existe contrato no mundo que possa validar, ao meu ver, a posse de pessoas ou grupos sobre outras pessoas, grupos ou terras. Porque tanto o ser humano quanto a Nave-Gaia pertencem a todos, a ninguém e a si mesmos! Este é um pensamento complexo, não?

A ideia nasceu anos atrás, através dos desdobramentos e ligações que tive com com outras ideias. Foi no final do anos 90, após conhecer o pensamento libertário e as lutas campesinas do MST. O primeiro pede a liberdade do ser humano e o segundo a liberdade da terra.



Não Sou de Ninguém


Clique na foto! De Sebastião Salgado.

Libertar o ser humano é antes de mais nada aceita-lo em sua plenitude e não segmenta-lo segundo o próprio gosto. Porque fazemos isso continuamente. Nos coisificamos a nós e ao próximo. A coisificação vem através dos títulos que damos ou recebemos: corintiano, bicha, negro, solteiro, homem, mulher, trabalhador, peão, assaltante, paraíba, baiano, galinha, puta, corno, estudante, comunista, honesto, alto, manco, magrelo, gordo, casado, idiota, caxias, banguela...

O fato é que meu corpo, minha identidade, meus sentimentos, minha inteligência, minha força de transformação do mundo são meus. Meus até o dia em que Hades finalmente chegar e me levar. Mas será a mim e somente a mim que ele levará no meu leito de morte.

Sou em mim meu próprio mundo. E você também! Você é seu próprio universo e há coisas que só fazem sentido aí dentro! Juntos apenas dividimos, compartilhamos um tempo e espaço. As relações humanas são apenas convites para almoçar, jantar, ir ao cinema, dividir o trabalho. Mas são 6 bilhões de realidades diferentes.

Impossível falar de mim sem falar de como me relaciono com o outro. Se você não sabe quem é e seu próprio valor no mundo, corre o risco de ser coisificado.


O Seu Corpo é Valioso

Quando classificamos alguém buscamos reduzi-lo a alguma coisa para que este possa caber em nosso bolso e assim possui-lo. Deste modo tiramos das pessoas a identidade, assim como os senhores de escravos das Américas faziam com os seres humanos por eles comprados na África para o trabalho. Conforme a descrição do livro "A História Concisa do Brasil", de Boris Fausto:

"O critério discriminatório se referia essencialmente a pessoa. mais profundo do que ele, existia um corte separando pessoas de não-pessoas, ou seja, gente livre de escravos, considerados juridicamente como coisa." Pg. 31

Ou seja: para o Estado da época, com a benção da Igreja católica, a pessoa negra era uma coisa. Foram precisos 300 anos para se provar que uma pessoa negra fosse considerada humana. Lhe pergunto: deve uma pessoa esperar a decisão da Justiça ou dos autoproclamados representantes de Deus para se posicionar como figura humana e adquirir a posse de sua individualidade?.

Ainda hoje o pensamento cristão majoritário, com a omissão do Estado, tenta possuir o corpo das pessoas e negar-lhes direitos civis básicos, baseados em critérios duvidosos, por conta da orientação afetiva das pessoas. Em suma: a Igreja decide a quem devemos amar e como. Isso abre brechas para todo o tipo de barbaridades:


  • Pai teve orelha parcialmente arrancada por abraçar filho: o fato se deu na cidade de São João da Boa Vista. Um pai andava abraçado a seu filho e um grupo os espancou achando que fossem gays. Leia AQUI. Lembra aquela história recente de um índio que foi queimado vivo porque achavam que fosse mendigo.


Além da Muralha, os Bárbaros

Ontem e hoje os muros são construídos para delimitar os espaços das pessoas, justificado ou não. Como fez a minha vizinha que ergueu uma fileira de blocos sobre nosso muro comum sem meu consentimento. Para dar o acabamento final na obra ela teve que vir até a minha casa e explicar que a construção não se baseava em qualquer forma de desconfiança da parte deles. Mentira descarada, obviamente. Mas deixei passar. É sempre o medo que levanta muros.

Numa escala maior, os impérios sempre se valeram destas construções para deter o corpo do outro. Veja o exemplo da Muralha de Adriano, imperador romano que construiu um muro gigantesco afim de colocar do outro lado os bárbaros do norte da Bretanha (leia AQUI).  É como varrer a areia da praia. Posso citar outras?

Nossa última vergonha humanitária é o muro que Israel constrói para aprisionar os palestinos da Cisjordânia (veja AQUI). Creio que será uma das maiores penitenciárias do planeta e entra no rol dos Muros da Vergonha. Tudo isso por causa da terra.


A Posse da Terra

As lutas pelo campo que me foram narradas pela militância do MST me deram a seguinte perspectiva: de quanta terra preciso para viver? Pois existem empresas e/ou pessoas que possuem uma fome terrível por espaço e são donas de regiões maiores que minha cidade. O nome disso é latifúndio. A prática de dominar as grandes extensões pela força - das armas ou das moedas - é antiga. Os reis achavam que o país onde estava seu castelo é uma espécie de quintal, sendo as pessoas meros joguetes. Quem já não leu nos contos de fadas: "Filho, um dia tudo isto será seu"?

Existem também os muros invisíveis, as fronteiras desenhadas em mapas-mundi. Todo estudante do ensino básico se acostumou a ver aquela colcha de retalhos colorida e achando tudo normal. Mas em muitos casos as fronteiras separam territórios sem respeitar os traços culturais de cada região.

As guerras mundiais retalharam continentes inteiros ao bel-prazer das nações americana e europeias, como prova o Congresso de Berlim. Qualquer mapa-mundi atual lembra uma colcha de retalhos. Mas o pagão, o camponês que da terra vive não se importa com estas coisas, desejando apenas sossego para plantar e colher, sem ter que se mudar diante do avanço das tropas, sejam elas amigas ou inimigas.



Fronteiras só no mapa-mundi!
Do Alto Somos Todos Iguais


A Mãe-Terra não tem fronteiras quando vista do espaço. Mas inventamos tantas maneiras de construir muros e tantas desculpas para mante-los. E no final é sempre o medo que prevalece, pois temos sempre que por a cara para fora.

A conclusão a qual cheguei é que não podemos libertar o corpo da Terra se não podemos libertar o corpo das pessoas. Que não é possível libertar o corpo do outro sem também libertar a si mesmo. E não podemos libertar as pessoas sem libertar a Terra também! Pois não adianta trancarmos em nossos mini-feudos ou em grandes latifúndios. Somos homo socius e uma hora temos que por a cabeça fora do buraco.

Se puder pedir algo a vocês, caros leitores, é o seguinte: libertem os corpos! O seu, o meu, o da Terra. Pois a posse é uma ilusão e só cria tensão entre as pessoas porque sempre haverá um senhor e um escravo. Não confunda posse com amor. Isso é um erro trágico.


Ame seu corpo e passe a amar o corpo do outro também em toda a sua plenitude.

Saúde, amizade, liberdade!

S. Thot