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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

POSSE DOS CORPOS



Olá à tod@s

Sabem, não existe contrato no mundo que possa validar, ao meu ver, a posse de pessoas ou grupos sobre outras pessoas, grupos ou terras. Porque tanto o ser humano quanto a Nave-Gaia pertencem a todos, a ninguém e a si mesmos! Este é um pensamento complexo, não?

A ideia nasceu anos atrás, através dos desdobramentos e ligações que tive com com outras ideias. Foi no final do anos 90, após conhecer o pensamento libertário e as lutas campesinas do MST. O primeiro pede a liberdade do ser humano e o segundo a liberdade da terra.



Não Sou de Ninguém


Clique na foto! De Sebastião Salgado.

Libertar o ser humano é antes de mais nada aceita-lo em sua plenitude e não segmenta-lo segundo o próprio gosto. Porque fazemos isso continuamente. Nos coisificamos a nós e ao próximo. A coisificação vem através dos títulos que damos ou recebemos: corintiano, bicha, negro, solteiro, homem, mulher, trabalhador, peão, assaltante, paraíba, baiano, galinha, puta, corno, estudante, comunista, honesto, alto, manco, magrelo, gordo, casado, idiota, caxias, banguela...

O fato é que meu corpo, minha identidade, meus sentimentos, minha inteligência, minha força de transformação do mundo são meus. Meus até o dia em que Hades finalmente chegar e me levar. Mas será a mim e somente a mim que ele levará no meu leito de morte.

Sou em mim meu próprio mundo. E você também! Você é seu próprio universo e há coisas que só fazem sentido aí dentro! Juntos apenas dividimos, compartilhamos um tempo e espaço. As relações humanas são apenas convites para almoçar, jantar, ir ao cinema, dividir o trabalho. Mas são 6 bilhões de realidades diferentes.

Impossível falar de mim sem falar de como me relaciono com o outro. Se você não sabe quem é e seu próprio valor no mundo, corre o risco de ser coisificado.


O Seu Corpo é Valioso

Quando classificamos alguém buscamos reduzi-lo a alguma coisa para que este possa caber em nosso bolso e assim possui-lo. Deste modo tiramos das pessoas a identidade, assim como os senhores de escravos das Américas faziam com os seres humanos por eles comprados na África para o trabalho. Conforme a descrição do livro "A História Concisa do Brasil", de Boris Fausto:

"O critério discriminatório se referia essencialmente a pessoa. mais profundo do que ele, existia um corte separando pessoas de não-pessoas, ou seja, gente livre de escravos, considerados juridicamente como coisa." Pg. 31

Ou seja: para o Estado da época, com a benção da Igreja católica, a pessoa negra era uma coisa. Foram precisos 300 anos para se provar que uma pessoa negra fosse considerada humana. Lhe pergunto: deve uma pessoa esperar a decisão da Justiça ou dos autoproclamados representantes de Deus para se posicionar como figura humana e adquirir a posse de sua individualidade?.

Ainda hoje o pensamento cristão majoritário, com a omissão do Estado, tenta possuir o corpo das pessoas e negar-lhes direitos civis básicos, baseados em critérios duvidosos, por conta da orientação afetiva das pessoas. Em suma: a Igreja decide a quem devemos amar e como. Isso abre brechas para todo o tipo de barbaridades:


  • Pai teve orelha parcialmente arrancada por abraçar filho: o fato se deu na cidade de São João da Boa Vista. Um pai andava abraçado a seu filho e um grupo os espancou achando que fossem gays. Leia AQUI. Lembra aquela história recente de um índio que foi queimado vivo porque achavam que fosse mendigo.


Além da Muralha, os Bárbaros

Ontem e hoje os muros são construídos para delimitar os espaços das pessoas, justificado ou não. Como fez a minha vizinha que ergueu uma fileira de blocos sobre nosso muro comum sem meu consentimento. Para dar o acabamento final na obra ela teve que vir até a minha casa e explicar que a construção não se baseava em qualquer forma de desconfiança da parte deles. Mentira descarada, obviamente. Mas deixei passar. É sempre o medo que levanta muros.

Numa escala maior, os impérios sempre se valeram destas construções para deter o corpo do outro. Veja o exemplo da Muralha de Adriano, imperador romano que construiu um muro gigantesco afim de colocar do outro lado os bárbaros do norte da Bretanha (leia AQUI).  É como varrer a areia da praia. Posso citar outras?

Nossa última vergonha humanitária é o muro que Israel constrói para aprisionar os palestinos da Cisjordânia (veja AQUI). Creio que será uma das maiores penitenciárias do planeta e entra no rol dos Muros da Vergonha. Tudo isso por causa da terra.


A Posse da Terra

As lutas pelo campo que me foram narradas pela militância do MST me deram a seguinte perspectiva: de quanta terra preciso para viver? Pois existem empresas e/ou pessoas que possuem uma fome terrível por espaço e são donas de regiões maiores que minha cidade. O nome disso é latifúndio. A prática de dominar as grandes extensões pela força - das armas ou das moedas - é antiga. Os reis achavam que o país onde estava seu castelo é uma espécie de quintal, sendo as pessoas meros joguetes. Quem já não leu nos contos de fadas: "Filho, um dia tudo isto será seu"?

Existem também os muros invisíveis, as fronteiras desenhadas em mapas-mundi. Todo estudante do ensino básico se acostumou a ver aquela colcha de retalhos colorida e achando tudo normal. Mas em muitos casos as fronteiras separam territórios sem respeitar os traços culturais de cada região.

As guerras mundiais retalharam continentes inteiros ao bel-prazer das nações americana e europeias, como prova o Congresso de Berlim. Qualquer mapa-mundi atual lembra uma colcha de retalhos. Mas o pagão, o camponês que da terra vive não se importa com estas coisas, desejando apenas sossego para plantar e colher, sem ter que se mudar diante do avanço das tropas, sejam elas amigas ou inimigas.



Fronteiras só no mapa-mundi!
Do Alto Somos Todos Iguais


A Mãe-Terra não tem fronteiras quando vista do espaço. Mas inventamos tantas maneiras de construir muros e tantas desculpas para mante-los. E no final é sempre o medo que prevalece, pois temos sempre que por a cara para fora.

A conclusão a qual cheguei é que não podemos libertar o corpo da Terra se não podemos libertar o corpo das pessoas. Que não é possível libertar o corpo do outro sem também libertar a si mesmo. E não podemos libertar as pessoas sem libertar a Terra também! Pois não adianta trancarmos em nossos mini-feudos ou em grandes latifúndios. Somos homo socius e uma hora temos que por a cabeça fora do buraco.

Se puder pedir algo a vocês, caros leitores, é o seguinte: libertem os corpos! O seu, o meu, o da Terra. Pois a posse é uma ilusão e só cria tensão entre as pessoas porque sempre haverá um senhor e um escravo. Não confunda posse com amor. Isso é um erro trágico.


Ame seu corpo e passe a amar o corpo do outro também em toda a sua plenitude.

Saúde, amizade, liberdade!

S. Thot


domingo, 22 de agosto de 2010

OCUPE SEU LUGAR NO ESPAÇO



Tive a ideia deste texto assistindo ao History Channel sobre Matéria Escura e Energia Escura. No vídeo os cientistas comentavam sobre estes elementos que sustentam e movimentam o Universo, mas que pouco ou nada conhecemos. Aparentemente a Matéria Escura é o esqueleto que mantém as galáxias coesas.

Ao que parece, a natureza não gosta de espaços vazios, sempre ocupando-os com algo. Em nosso planeta são poucas as regiões que não comportam Vida, mesmo na sua forma mais rudimentar. Não sei se vocês se maravilham com essas coisas. Eu sim.

Durante alguns meses, com supervisão especializada, ministrei aulas em um cursinho pré-vestibular comunitário no bairro dos Pimentas, em Guarulhos. Era a minha forma de "ocupar espaço" na vida das pessoas. Queria oferecer aulas de História, mas como não havia vaga, perguntaram se não assumiria Biologia com ênfase no mundo mundo vegetal. Aceitei. E é curioso os caminhos que o Divino nos leva, não? Gostei muito da experiência.

Uma das coisas que aprendi é que nosso corpo não é nosso. Outros seres descobrem nichos, espaços, possibilidades de se associarem ou parasitarem corpos complexos. Descobri que sou um universo para os mais incríveis tipos de seres. Estes ainda são casa ou alimento para outros menores ainda!

Também aprendi que somos como as cebolas e que possuímos camadas (hmmm isso me lembrou um diálogo de desenho animado, rs!). Essas camadas, esses nossos Eus desafiam as leis da física e ocupam o mesmo corpo. São os ecos do passado que nos acompanham pela vida e, quiçá, além dela. Precisamos ser bons com a pessoa de hoje pois ela estará conosco sempre.

Todos ocupam seu espaço e desempenham um papel na Rede da Vida se percebermos a coisa de um ponto de vista mais funcional. Ou tudo é o que é, e os seres (sejam bactérias, sejam galáxias) apenas cuidam da própria sobrevivência e isso ou ajuda ou atrapalha os demais.

Olhando por este ângulo sinto que a Vida nos convida a tomar nosso lugar. E pede para que não demoremos pois é como dizem por aí: a fila anda e a catraca gira.

Voltando para casa e olhando para as luzes de um ponto elevado e a Lua Cheia subindo no horizonte, me perguntei qual é o meu espaço à ocupar no Universo.

Abaixo, o vídeo que inspirou este texto estranho. Espero que se surpreendam também.

Saúde, amizade, liberdade.

terça-feira, 2 de março de 2010

DA BELEZA




Os aterros sanitários que me perdoem, mas a beleza é fundamental. Digo isto pensando nas ruas de meu bairro onde pessoas depositam toda a sorte de lixo e entulho. Isso apesar dos PEV's localizados em vários pontos da cidade.

Percebi que os locais servidores como pontos para desova de resto de obras, móveis e afins já estava degradado pelo tempo, uso ou pixações. Que um lugar abandonado é desculpa para chegar lá e depositar sua contribuição.

Fazendo um paralelo é como encontrar uma mulher amarrada e vítima de um estupro e supor que também pode-se tirar uma lasquinha só porque o mal está feito e ninguém está vendo ou ligando.


Acredite na beleza

E aqui eu pego uma carona em um comercial da Boticário que trata justamente disto: da crença que a beleza é contagiante e melhora nosso cotidiano, assim como o inverso também é possível.

Para melhor destruir o que é mais importante reduzimos tudo a coisas. Chamamos florestas, focas, baleias, mulheres, crianças, montanhas, rios de recursos, espólios de guerra, troféus. Porque ao lhes conferir beleza somos obrigados a respeitar limites e reconhecer os sacrifícios que lhes infligimos.

Quando exposto ao que é belo, tudo que é mal se incomoda, escarnece e reaje com violência. A beleza não é um estado de espírito ou uma forma estética, mas também uma arma revolucionária.

Então, quando for a luta, não batalhe contra o feio. Lute pelo belo.


Sergio Thot.

Face

Ps.

Tempos depois desta postagem li esse texto interessante no Blog Duplamente Venusiana sobre o Por que a Beleza tem que ser Divertida. Segue um trecho e depois clique no link acima:

"Não é uma beleza que distancia. Pelo contrário, me vi conversando com uma travesti (que era doze vezes mais feminina do que jamais serei) sobre cores de esmaltes, na fila do supermercado.

Começando conversas ou quebrando a tensão, quando no meio de uma reunião tensa alguém reparou nos pequenos arco-íris nos dedos e senti o clima ruim dissipando no ar."


 

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

DO CORPO DE GAIA



Perceber é tornar consciência do mundo através dos cinco (ou seis) sentidos. Não é só: também significa raciocinar sobre o que se sente. E estar vivo é reagir diante do que se sente.

Estar vivo é respirar? É pensar? É comunicar? É sentir? É tudo isso? Será mais?


Hipótese Gaia

A Hipótese Gaia, de James Loverlock e Lyn Margolis pressupõe que a Terra é uma entidade viva e que reage a nossas atividades. Mas como pode um bloco de ferro e silício como nosso planeta seria vivo? Responde-se esta pergunta com outra: como criaturas de base química carbono como nós podem ser vivas? Para os seres que vivem dentro de e sobre nós, somos criaturas vivas?

Em seu livro "Gaia: A New Look at Life on Earth", Loverlock e equipe usam como parâmetro uma característica encontrada tanto no planeta quanto nos seres vivos.

Mesmo diante de mudanças externas causadas como por exemplo variação na quantidade de energia solar durante milhares de anos, a atmosfera se “esforça” para manter suas condições básicas. Dispensa dizer que tais condições servem de suporte a vida na superfície da biosfera.


Fragilidade

A vida é por princípio frágil e valiosa. Se usarmos estes valores para definir o que é vivo e inerte, nosso espectro se reduz consideravelmente. Larvas, ervas daninhas, insetos, animais pequenos e grandes, e mesmo homens perdem sua característica vital... quando nos é conveniente.

Mesmo a racional ciência está impregnada dos valores culturais, morais, éticos e financeiros de seus pesquisadores e sociedades.
Principalmente quando o alvo da pesquisa não oferece respostas fáceis.

Sem dúvida a Hipótese Gaia é sustentada por pessoas simpáticas a idéia, mesmo que seus dados ainda sejam inconclusivos.
Talvez sejam guiadas por uma forma particular de percepção, afirmando que a vida e consciência podem se manifestar de varias formas.

Se confirmada, pode iniciar uma mudança na forma em que olhamos os seres: não só como indivíduos, mas membros, passageiros de um gigantesco corpo chamado Gaia, que por sua vez faz parte de uma imensa família chama Sistema Solar, que por sua vez...

Se confirmada, pode iniciar uma mudança na forma em que olhamos os seres: não só como indivíduos, mas membros, passageiros de um gigantesco corpo chamado Gaia, que por sua vez faz parte de uma imensa família chama Sistema Solar, que por sua vez, faz parte de uma imensa família chamada Via Lactea, que por sua vez...


O Inverso Também é Verdadeiro!

E se as cidades são os ajuntamentos dos neurônios desta Grande Consciência chamada Gaia? Seríamos cada um de nós seus "neurônios"? E, se sim, que tipo de sinapses conduzimos em nosso dia-a-dia até o fim da existência?

Rs, são pensamentos assim que embalam minhas sextas-feiras...

E Viva a Grande Mãe!


Segue uma canção-homenagem, interpretada por Caetano, e que me remete aos velhos programas da Tevê Cultura... Quem tem mais de 30 anos vai lembrar!!!


sexta-feira, 31 de agosto de 2007

BORBOLETAS E MACHADOS


Há uma linha de raciocínio interessante ligando um inseto ao Sagrada Feminino na Ilha de Creta, exposto no livro "O Corpo da Deusa" de Rachel Pollack (Ed. Rosa dos Tempos). Mas antes de tratarmos deste assunto, necessita-se pousar o olhar sobre o conceito do símbolo e do objeto para continuarmos.


Um dos prováveis abismos que separa o homo sapiens das outras espécies é sua capacidade abstrativa, de imaginar algo que ainda não existe. Esta qualidade nos capacita a prever situações perigosas ou vantajosas à 300.000 anos, e nos oferece subsídios para criar em nossa mente e depois no mundo material, toda a sorte de coisas, de residências a ferramentas, pontes, carros, aviões, naves espaciais.


E também arte.


E o que é arte?


Entendo como Arte toda a obra humana que vai além do princípio utilitarista, do mero servir para um propósito concreto, e que nos dá um conjunto de sensações diferentes daquilo que o uso do objeto propunha inicialmente.


Veja AQUI outras definições do que é a arte.



A arte no Neolítico

No período que os historiadores chamam de neolítico, o sapiens viveu o auge da explosão criativa humana, notadamente na Europa e Oriente Próximo. Ora, arte não tem definição precisa, mas é algo que faço em meu tempo livre (isso quando não possui função devocional ou laboral), onde reproduzo no físico algo que só a mente abstrata consegue abarcar.

É comum pensarmos nestas pessoas como seres rudes e incultos, mas locais como Lascaux, na França, provam que a arte não só lhe era familiar como também necessária. Nas cavernas francesas encontramos representações de animais de até quatro metros de altura! Para realizar tais obras, comparáveis ao meu ver as obras da Capela Sistina de Michelangelo, estas pessoas tinham que construir andaimes, dominar técnicas de pintura e ter senso estético apurado. Tinha que dispor de tempo e energia para buscar materiais, escolher o tema e a melhor superfície para pinta-la, e fazer o trabalho. 

E a construção do símbolo é um componente principal da criação artística.


O Machado Duplo

E então entramos no tema principal do texto, que é a criação artística dos machados duplos cretenses. Podemos pensar neles como meros instrumentos de corte para trabalho ou mesmo em um eficaz instrumento de guerra dos tempos anteriores ao uso da pólvora, mas seu aspecto simbólico neste caso soa mais forte.


Onde hoje é a ilha de Creta fora o berço de uma grande civilização ocidental. Antes da invasão e/ou absorção pelos povos indo-europeus caçadores, supõe-se que viviam na região um povo adorador do Sagrada Feminino. Registros arqueológicos apontam que o local vivia em relativa prosperidade e era, de modo geral, pacífica devido a ausência de construções de defesa.

Comerciantes, mantinham contato com povos próximos no próprio Peloponeso e na Sicília. Sua cultura cai com a ocupação dos aqueus e a posterior invasão e/ou absorção dórica. Sua principal cidade fora Knossos.

Em diversos pontos da ilha encontraram-se machados duplos, mas ao contrário do senso comum, não há evidências mostrando que fossem armas de guerra. Aparentemente eram objetos dedicados a Deusas locais. Chamavam-se labrys. Ora, a palavra labrys, segundo a autora Rachel Pollack está relacionado a 'labia' ou lábios da vulva.

Nestes machados duplos, variáveis em tamanho, encontramos gravados imagens de borboletas que também se assemelham aos genitais femininos.

As Borboletas

Curiosamente a raiz grega para a palavra borboleta remete a palavra 'alma', ou psyche. Psiquê, para os gregos, foi uma Deusa que rumou ao submundo (inferno, inconsciente), local presidido por Hades e principalmente Perséfone. Esta Deusa (segundo Pollack, 'aquela que luta na escuridão') fora raptada por Hades com a permissão de Zeus, mas encontrou na situação seu próprio poder.

E não emergem as borboletas da morte quando saem de suas crisálidas?


Conexões

Deméter, senhora das plantas selvagens e mãe de Perséfone, só tomou conhecimento do rapto (ninguém tinha coragem de contar-lhe temendo a ira de Zeus) por intermédio de Hecate, senhora da Lua.

Observem a sutil conexão entre todos estas grandiosas Deusas! Não busquem entender, mas sentir. Leiam as histórias, procurem imaginar seus papéis segundo as mulheres modernas e suas lutas diárias. Aprendam com elas sobre seus mistérios e símbolos. E aqui retornamos ao princípio, como na espiral.

O símbolo é altamente plástico, como vimos. É preciso vivê-lo para compreende-lo. Apenas lhe apresentei as peças do quebra-cabeças cuja a imagem muda conforme o observador, a cultura e o tempo.

À propósito hoje, por exemplo, o
labrys é um símbolo feminista. E o athame deixou de ser um mero punhal e é parte integrante de muitos rituais pagãos.

Maravilhoso, não?

Perguntem sempre, pesquisem mais, vivam a Religião!

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot (siga-me no Facebook!)

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

OMPHALOS - UMBIGO DO MUNDO





Façamos um experimento você e eu.

Com o dedo indicador localize seu umbigo e toque-o. Sabia que ele está localizado próximo ao nosso centro de gravidade, o local onde corpo encontra o equilíbrio com a gravidade, esta força que nos mantém aterrados no planeta? Os conhecedores das artes marciais como o judô sabem disto muito bem. O umbigo é o alvo, ponto de apoio da alavanca que pode nos levar ao chão quando aplicada a força necessária nesta parte de nosso corpo.

Pelo mesmo umbigo recebemos o alimento precioso no sangue de nossas mães nas primeiras fases da vida durante nove meses. E pesquisando me deparei com uma coisa que eu ignorava totalmente, um verdadeiro milagre! Deveria haver um combate de células brancas no útero entre a mãe e seu filhote, pois os corpos do filho e da mãe possuem sistemas imunológicos diferentes. No entanto o milagre reside no fato deles coexistirem em harmonia por quase um ano! Ligados pelo cordão umbilical, ambos os corpos convivem até o momento de nascimento. Saiba como o milagre acontece neste artigo da revista Ciência Hoje.


Cortando o Cordão

Quando nascemos para o mundo o cordão é cortado para que uma vida surja, representando que agora somos uma pessoa independente, separada de nossa mãe, e que estamos por conta própria. A cicatriz que temos na barriga é um sinal que tivemos mãe, que não nascemos de chocadeira, rs! Na psicanálise, autores como Erich Fromm usam a analogia do umbigo para discorrer sobre a ligação simbiótica, fanatismo religioso e nacionalismo. Um termo popular sobre a obtenção da independência fala justamente sobre "cortar o cordão" que nos liga a situações negativas.


Se olharmos a nação, a cultura, o povo como uma grande Mãe nosso umbigo, essa cicatriz que carregamos por toda a vida, é a saudade, palavra que não tem tradução em muitas línguas mas que expressa a sensação de separação do corpo, seja a vila, cidade ou nação que nos nutriu e acolheu. É essa cicatriz na alma, algo que levamos em nossas aventuras mundo à fora e que inspiraram poetas-aventureiros como Luís de Camões:

"Ó gente que a natura / Vizinha fez de meu paterno ninho,
Que destino tão grande ou que ventura / Vos trouxe acometerdes tal caminho?
Não é sem causa, não, oculta e escura, / Vir do longínquo Tejo e ignoto Minho,
Por mares nunca doutro lenho arados, / A Reinos tão remotos e apartados."

 



Umbigo do Mundo


O conceito de Umbigo do Mundo, de Onfalos é antiquíssimo e, para nós que absorvemos os costumes ocidentais, o mais famoso é o de Delfos, na Antiga Grécia. 

O antigo povo grego que enxergava-se como uma nação apesar de se dividirem em cidades-estado, assim como um corpo se divide em órgãos diferentes mas que vivem em uma realidade comum. Esta noção de nascimento coletivo que a cultura grega dá a si mesma, este local onde o corpo da nação conectava-se ao corpo divino e faz um povo se considera filho dos Deuses, este lugar de nascimento, este cordão que liga o secular ao divino  tinha (e tem) um nome. Chama-se Delfos, uma cidade grega que atravessou os séculos.

A história do lugar inicia-se nas brumas do tempo, onde os Deuses lutavam em batalhas titânicas pelo poder. 


Cronos tinha o hábito ruim de devorar seus filhos afim de se perpetuar no trono sobre os Titãs e toda a criação. Réia, a Deusa-Mãe, cansou-se disto. Enganou o Deus dando-lhe uma pedra para este comer e criou seu filho Zeus escondido. Quando a criança cresceu, destronou o Pai, salvou seus irmãos e fundou a cidade com a pedra expelida pelo Deus deposto.


Delfos para os gregos era o centro Universal por causa da importância histórica e mitológica que tinha para seu povo já que ali fora palco de uma luta de Titãs!

 Assim nasceu uma nova classe de Deuses, os Olímpicos, e a cidade de Delfos, fundada pelo próprio Zeus.


O Oráculo 

A derrota dos Titãs ecoou também no mundo humano. Na região de Delfos existia um templo dedicado a Píton, a Grande Serpente da era dos Titãs. Nela as sacerdotisas sentadas sobre os vapores imanados do útero de Gaia realizavam previsões para quem as pedisse.

Com a derrota de Cronos, Zeus incorpora o Oráculo ao seu domínio, permitindo que Apolo matasse Píton e se apossasse do templo. Apesar do novo templo ainda utilizar das sacerdotisas, as Pítias, para as profecias na era apolínea, curiosamente as mulheres gregas não podiam consulta-las.
  

O poder do Oráculo de Delfos sobre o imaginário grego era tão grande que, para conquistar o coração da população, precisava-se conquistar o Oráculo. No local realizavam-se profecias sobre pessoas e nações, e mesmo gentes de outras terras (até inimigos dos gregos) recorriam aos seus serviços. De lá, supõe-se, saiu a famosa frase "Conhece-te a Ti Mesmo".

A cidade moderna de Delfos ainda existe, mas o templo encontra-se em ruínas após as idas e vindas de exércitos e religiões. Porém os que sabem sua história podem sentir o poder que emana daquelas rochas. Se um dia você visitar a Grécia, escreva uma prece por mim e coloque-a sob uma pedra para que Gaia saiba que mesmo não sendo gregos nós ainda a lembramos e reverenciamos.


O Centro de meu Mundo!

Acho o pensamento de ter minha cidade como centro do Universo muito interessante, assim como Delfos foi para o povo grego antigo. Além de partir de um pressuposto lógico: se olho ao redor, tenho a percepção de que o mundo gira ao meu redor. É aqui onde sou alguém fora do útero familiar.

Quando cuido da minha cidade, lugar onde moro, onde tenho meus amores, minhas frustrações, minhas alegrias, onde bebo, como respiro, estudo, trabalho, moro e durmo, cuido também do Universo, pois minha cidade, minha casa, meu corpo é parte dele. De onde retirar força senão do meu local de poder?

Quanto mais conheço, mais amo e sinto sua importância, pois o limite citadino determina também o limite de minha segurança e bem-estar, pois fora da cidade encontrava-se o deserto e floresta, berço de mistérios. Não sentimos um certo desconforto ainda hoje quando saímos para um lugar desconhecido?

Do mesmo modo que o conhecer a mim mesmo revela também o quanto sou parecido e diferente do outro, e de como somos únicos na Criação.

Conhecimento: conhecer nosso corpo, nosso passado, nossa cidade, nosso irmão, nossa irmã, nossos Deuses... O que nos retorna ao tema central, que é o nosso centro, nosso umbigo. Nós nos conhecemos?

Onde é o Umbigo de seu Mundo?

Pense nisso


Post Scriptum:

Leia também um escrito da amiga blogueira d'além mar, Hazel, e seu respirar pelo umbigo.



Sergio Thot

quarta-feira, 4 de julho de 2007

EQUILÍBRIO E AÇÃO





A cena é comum: rios já sufocados pelo concreto e pelo esgoto de casas, comércio e fábricas, uma pessoa jogando seu saco plástico de lixo nele. Longas ruas e poucas árvores ardendo ao sol tropical. Pessoas adultas e bem-educadas lavando suas calçadas ou carros com mangueiras e usando água potável. Falam para mim que o problema é cultural, mas eu discordo. Cultura da preservação do meio ambiente todos temos. O que nos falta é a aplicação daquilo que é aprendido.


Perto de minha casa existe uma viela chamada Alagoinha. Vez após vez a prefeitura recolhe de lá toneladas de lixo e entulho e vez após vez a população local emporcalha o lugar com mais sujeira, apesar das leis municipais que proíbem essa prática, da existência do Ponto de Entrega Voluntária (PEV) mantido pela prefeitura e do bom senso de não se jogar animais mortos e lixo ôrganico por onde passam crianças em idade escolar.


"Em Guarulhos, a multa é de R$ 600 por metro cúbico de entulho despejado. Quando o volume de lixo é maior que dois metros cúbicos, o valor da multa dobra: cada metro, passa a equivaler a R$ 1.200. Além disso, os caminhões que são utilizados na operação são apreendidos pela Guarda Ambiental e os motoristas, assim como os responsáveis pela contratação do serviço são presos.


Fonte: Site da Cidade de Guarulhos



Se você, como nós, é sensível a relação que a humanidade tem com a Mãe Terra, já sentiu a impotência de presenciar tais fatos e não poder fazer muito. Apesar de nossa separação do lixo, do reuso que fazemos dos materiais e da redução de embalagens que nos comprometemos a fazer, das campanhas pessoais, públicas e governamentais, dos alertas de secretarias e ministérios, das escolas e do supremo grito vindo da consciência, tais ações não parecem repercutir muito nas pessoas comuns.


Existe por exemplo a campanha Limpa Brasil que...


"pretende-se disseminar uma consciência ambiental para que as cidades sejam limpas e se mantenham limpas. Assim, o primeiro passo é despertar o interesse das pessoas e organizações para que a realidade da sua cidade possa ser mudada de fato, conquistando-as em prol de um objetivo comum: limpar as cidades e mudar a atitude da população."


Visite o site por AQUI



E a perspectiva mostra que as mudanças serão lentas. Mas porque?






Está desperto?



Um livro conhecido por mestres nas artes cênicas, chamado "O Corpo Fala (Pierre Well&Roland Tompakow)" oferece algumas indicações. É material interessante e por vezes divertido, recomendável para quem inicia a busca do autoconhecimento através da linguagem corporal.



Afirmando que o ser humano é divido em três partes distintas e inter-relacionadas, os autores usam a analogia da Esfinge, distinguindo a Mente, os Sentimentos e os Instintos como Águia, Leão e Boi respectivamente. O corpo nos fala constantemente através destes três personagens, porém nós não os ouvimos.


E mais: eles também não se ouvem constantemente, entretidos em numa batalha dentro de nós onde a perda de um dos bichos se reflete em doenças de origem psíquica, as chamadas doenças psicossomáticas. O reequilíbrio, segundo os autores,só é conquistado através da interpretação e convivência com estes três bichos, tendo o Eu, já desperto, como seu condutor.



O livro chama este fio condutor por um nome bem simples: Amor.



Sabemos que o equilíbrio pessoal não é uma das virtudes humanas mais comuns. Se as pessoas não conseguem manter a "ecologia" interna, como manter a externa? Como respeitar o corpo exterior se seu corpo interior vive em dicotomia constante? Como amar o que está fora de nós, se não amamos aquilo que somos?



Bem, não dá para esperar que a humanidade dê este salto rumo ao amor próprio para que, a partir disso, passe a amar as coisas ao seu redor, não é?

O fato é que nós e o resto da raça humana fazemos a coisa por interesses em alguns casos. 


Há quem economize água ou recicle lixo por questões econômicas (para obter renda ou não gasta-la futilmente) ou educacionais (campanhas em fábricas, escolas etc). Não há garantias em longo prazo de quê continuarão contribuindo com o equilíbrio do planeta.






O que fazer?



O ideal que buscamos precisa ser duradouro. Portanto o trabalho que está a caminho pede que identifiquemos o desequilíbrio em nós, no outro e no corpo social em que pertencemos. Um projeto ecológico sério não se baseia somente em propaganda, mas em ações práticas e viáveis, que possuam a cara das pessoas envolvidas. Nós, por exemplo, podemos inserir a questão dentro da magia ritual. Como wiccano ver a natureza como o corpo da Deusa me é muito natural. Portanto é natural meu engajamento nesta luta.



Quantos encantamentos e feitiços não podem ser feitos através do plantio de ervas e árvores nativas? Não possui o Deus o Seu aspecto vegetal? Muitas árvores no Norte possuem finalidades mágicas e/ ou religiosas, e a Ele são identificadas. São locais de culto, onde a Terra, o Céu e o Submundo se encontram. Aqui em nosso hemisfério pode ocorrer o mesmo.



Magias poderosas podem nascem do ato de observar as mudas nascendo de sementeiras na Candelária, plantadas em vasos simples na Primavera, transplantadas para seu lugar definitivo no Beltane, cuidadas nas chuvas de Verão, observadas no Lammas, ver ser seus frutos amadurecerem no Mabon, as folhas amarelarem no Samhain e a vida hibernar em nosso seco e brilhante Inverno. Ato mágico que não se reserva a pedidos simples, mas a coisas que pedem tempo e longa, longa paciência.


Nota: encontrei anos depois de escrever este trecho uma ideia semelhante vinda de um padre de Goiás que ao invés de ministrar orações para as doenças e aflições espirituais dos fiéis, estes são incentivados a plantar árvores! Veja a notícia AQUI.



A Roda do Ano indo e voltando, onde nossas vidas se confundem, onde temos a impressão que ela sempre esteve lá a nos observar, repleta de sombra, seiva, frescor, frutos, amor, magia.



E existe a ação localizada, pontual. Conhecidos ou estranhos, ao ver atitudes não-ecológicas, avalie as possibilidades e faça a abordagem. Não vale apenas querer a mudança se não se luta por ela..






Busque apoio

  • A Secretaria do Meio-Ambiente de muitas cidades fornecem  mudas de árvores nativas e cursos periodicamente.
  • Há centros de formação para pessoas que queira montar ONGs de reciclagem.
  • Professores são receptivos a realizações de palestras nas escolas por parte de especialistas e interessados no assunto.
  • Faça a separação e destinação do seu lixo como forma de dar o exemplo.
  • Dependendo do contexto, aborde pessoas cuja as atitudes não se alinham com esta forma de pensamento ecológica.
  • Colabore com as diversas campanhas existentes como a Limpa Brasil. Clique AQUI!
Permita, enfim, que a Deusa te guie. Ela dirá o que fazer. Leia também este texto com Soluções de simples aplicação.



E faça somente o que sua mão alcança. São as centenas de pequenas ações que constroem o mundo em que vivemos, lembre-se disso!




Fiquem em Paz, Abençoados(as) Sejam.


Sergio Thot.






Post scriptum



Um vídeo legal sobre compostagem.


domingo, 1 de julho de 2007

PODE A DEUSA TER UM CORPO?




Recentemente, em um de nossos grupos de estudo relemos o livro chamado "O Corpo da Deusa", da escritora e ativista norte-americana Rachel Pollack. A obra trata da Deusa não como Ela fosse alguém distante de nós ou uma abstração intelectual, mas como uma Divindade que emerge em nosso mundo físico e com a qual podemos interagir através de nossos sentidos, bastando apenas ativar nossa percepção e nos colocarmos no lugar certo. Rachel nos mostra como os Antigos reconheciam o corpo da Deusa em seu cotidiano, imersa na paisagem.



"Se aceitarmos que essa imagem da paisagem natural incorpora a Deusa, isso vai requerer antes de tudo um ser humano para percebê-la e homenageá-la."


Rachel Pollack


 
A autora, através do cruzamento de dados de cientistas e artistas, traça um panorama do culto ao feminino desde o paleolítico até os dias atuais, passando pelas civilizações clássicas. Seu trabalho não é conclusivo como ela mesma aponta, pois as lacunas dentro daquilo que chamamos de história oficial são grandes. E esta história é escrita na maioria das vezes de modo parcial (quando não, mentirosa) e feita pelos vencedores que contam a sua versão dos fatos. Mas a leitura abre a mente para possibilidades interessantes.

Olhando para a nossa cidade hoje e lembrando da Teoria de Gaia, creio ser este uma obra de leitura obrigatória para wiccanos em geral. Não há no livro meditações ou encantamentos, mas seu conteúdo oferece reflexões e possibilidades.



Alinhamentos naturais

Rachel mostra, por exemplo, como templos cretenses, na atual Grécia, se alinhavam com os aspectos naturais ao redor, onde palácios eram construídos diante de formações montanhosas que lembram a silhueta de uma mulher gigantesca deitada.


Ou fala dos montes artificiais como Newgrange, pinturas gigantescas em cavernas de Lascaux e outros monumentos e obras que nos intrigam até hoje. Correntes místicas brasileiras consideram a cidade mineira de São Thomé das Letras o Útero da Terra. Outro "umbigo da Terra" é a cidade inca de Cuzco.


Aliás, o nome cuzco significa "umbigo" em quíchua (veja AQUI). Interessante, não? A cidade inca de Machu Pichu possui diversos monumentos que reproduzem em seu desenho as montanhas sagradas dos incas.


Pico do Itacolomi. Arquivo pessoal. Clique para ampliar.
Minha experiência pessoal com os alinhamentos e montanhas se deu em uma viagem feita a Ouro Preto. Logo na entrada da cidade, nas proximidades da rodoviária, ve-se o Pico do Itacolomi, localizado no parque de mesmo nome, em Minas Gerais. Para mim o pico lembra o rosto humano visto deitado, de perfil. Para os moradores autóctones da região, é uma mãe acompanhada de seu curumim.

Então o interesse cresceu a partir do momento em que vimos a possibilidade da Divindade emergir no mundo físico, deixando assim o campo abstrato das ideias. E esse mundo físico como foi em Atenas também é aqui, Guarulhos, onde moramos ou sua cidade, onde quer que você more.



Como ver o Deus e a Deusa no Mundo

Sim, é possível enxergar o Divino no mundo. Não como gostaríamos que fossem, mas como eles são de fato. É o que aprende a ver quando nos submetemos à Roda do Ano. Enxergamos com os outros sentidos além da visão e estes sinais não são traduzidos pela nossa razão, mas pelo emocional. O contato com o Divino se dá com o coração primeiramente! É preciso sentir antes de pensar. E vemos que este está em todas as suas formas naturais e do modo com que nos relacionamos com elas. Foi assim conosco.

Passamos a perceber a cidade não mais como um lugar para morar e trabalhar, mas em lugar onde nós possamos viver com alegria e sacralidade. Um corpo gigantesco do qual nós somos parte, entidades vivas e pulsantes, junto com as máquinas, prédios, ruas, rios, carros, postes, avenidas.

Esta sensação cresce a cada ritual aberto, pois retiramos o conceito da Divindade do livro e o inserimos em um tempo e espaço. As celebrações no Bosque Maia nos fazem adquirir uma sensação de omphalos, de centro do mundo, assim como Delfos era para a Grécia. A cada ritual realizado, mais forte é a sensação. Aliás, já comentei sobre o Umbigo do Mundo em outro texto. Convido à leitura.


Muitas vezes, quando queremos falar com o Deus ou a Deusa, temos que calar a voz para ouvir sua resposta.


Bosque Maia


Sim, pode parecer estranho que um lugar tão prosaico possa ganhar tamanha estatura. Mas o que torna as pessoas e coisas especiais são o tempo e esforço que dedicamos a elas. E o Bosque Maia, com seu pequeno córrego, sua gruta à Deusa desconhecida, o anfiteatro onde representamos os dramas Divinos da vida do amor e da morte, árvores, sons do vento e de crianças brincando, as lembranças do incenso subindo aos céus... são elementos que formam um belo quadro em nossas mentes.

E, quando estamos entre mundos, sabemos que o fazemos com outros, em outras terras e outros tempos.

Sim, é somente o Bosque Maia. Mas é o lugar onde todos nos encontramos. Sim é somente Guarulhos. Mas também é o mundo todo, pois é um pedaço do universo onde estão os nossos pés! 







Recently, in one of our study groups re-read the book called "TheBody of theGoddess,"by American activist Rachel Pollack. The work deals with the Goddess as She was not someone far away from us or an intellectual abstraction, but as a deity who emerges in our physical world and with which we interact through our senses, if only our perception and in turn put in place. Rachel shows us how the ancients recognized the body of the Goddess in their daily lives immersed in the landscape.

"
If we accept that this image of the natural landscape embodies the Goddess, this will require first and foremost a human being toperceive it and honor it."

Rachel Pollack


The author, through the intersection of data from scientists and artists, provides an overview of the cult of the feminine from the Paleolithic to the present day, through the classical civilizations. His work is not conclusive as she points out, as the gaps in what we call the official story are great. And this History is mostly written in a partial (if not false) and made ​​by the winners who tell their version of events. But reading opens the mind to interesting possibilities.

Looking at our city today and remembering the Gaia theory, I believe that this is a must-read book for Wiccans in general. There are no spells or meditations in the book, but its contents and possibilities offers reflections.

Natural alignment

Rachel shows, for example, astemples Cretanin present-day Greece, aligned themselves with the natural aspects around, where palaces were built on the mountain formations that resemble the silhouette of a gigantic woman lying down.

Or speak toartificial Newgrangehills,gigantic cave paintings of Lascaux and other monuments and works that intrigue us today. Current Brazilian mystical consider the mining town of São Thomé das Letrasthe Womb ofEarth.Another "navel of the Earth" is the Inca city of Cuzco.

Incidentally, the name Cuzco means "navel" in Quechua (see HERE).Interesting, no? The Inca city of Machu Picchu has several monuments which reproduce in your drawing the sacred mountains of the Incas.

My personal experience with the alignments and the mountains took on a trip to Ouro Preto. At the entrance of the city, near the road to see the Itacolomi Peak, located in the park of the same name, in Minas Gerais. For me the peak resembles the human face seen lying in profile. For the indigenous inhabitants of the region, is a mother with her ​​Indian boy.



Then the interest grew from the moment we saw the possibility of Divinity emerge in the physical world, thus leaving the field of abstract ideas. And this physical world as it was in Athens is also here, Guarulhos, where we live or your city, wherever you live.








How to see God and Goddess in the World



Yes, you can see the Divine in the world. Not as we would like to, but as they really are. It learns what to do when we submit to the Wheel of the Year we see with the other senses besides vision and these signs are not translated by our reason, but by emotion. Contact with the Divine is with your heart first! You must feel before they think. And we see that this is in all its natural forms and the way we relate to them. We were like that.

We realize the city not as a place to live and work, but where we can live with joy and sacredness. A gigantic body of which we are part of living entities and throbbing, along with the machines, buildings, streets, rivers cars, poles, avenues.


This feeling grows every ritual open as we remove the concept of divinity of the book and put it in a time and space. The celebrations in the Bosque Maia make us gain a sense of omphalos,the center of the world, as well as Delphi was for Greece. Every ritual performed, the stronger the feeling. It has already commented on the navel of the world elsewhere. I invite you to read.

Often when we talk to God or the Goddess, we have to silence the voice to hear your answer.


Bosque Maia

Yes, it may seem strange that a place as prosaic can gain such stature. But what makes people and special things are time and effort we devote to them. And the Bosque Maia, with its small stream, its unknown cave of the Goddess, the amphitheater where we represent the divine drama of life and death of love, trees, wind and sounds of children playing, the memories of incense rising to heaven .. . are elements that form a beautiful picture in our minds.

And when we are between worlds, we do know with others in other lands and other times.

Yes, it is only the Bosque Maia. But it is where we all live. Yes it is only Guarulhos. But it is also the world as it is a piece of the universe where our feet are!