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sábado, 13 de agosto de 2011

OS METEOROS




A chuva de
meteoros na primeira quinzena de agosto de 2009, oriundos do cometa Swift-Tuttle
me fez ter pensamentos diversos. Um deles foi lamentar morar tão perto das luzes da cidade, o que me impossibilitou de ver o fenômeno em todo seu esplendor, apesar de eu ficar na janela boa parte desta madrugada fria. Felizmente outras partes do mundo tiveram um espetáculo de nota, segundo os sites de notícia.

Outro pensamento que me ocorreu foi sobre outros objetos astrais, maiores que as ervilhas que caíram dos céus. Pensei nos cometas e nas transformações que eles causam em nosso mundo e psiquê. Um desses exemplos é o astro que caiu no próximo ao Golfo do México, na península de Iucatan. A devastação causada por este asteróide fora de proporções gigantescas, afetando toda a vida na Terra.

Ao mesmo tempo, o impacto que pode ser devastador também pode trazer elementos novos a diversidade do planeta. Há uma corrente de pesquisadores que atestam os cometas como semeadores da vida na Terra através da adição de compostos orgânicos contidos em seus núcleos. O que me sugere uma imagem interessante: o cometa como um grande espermatozóide que contribui com seu "patrimônio genético" no gigantesco "óvulo" que seria nosso planeta.

Lembrei ainda
da queda de Faetonte, filho do Sol, cujo o desejo era cavalgar no carro de seu pai e incendiou céus e terra por conta de sua inabilidade com os cavalos selvagens do Deus. Pesquisando depois descobri que há um asteróide com esse mesmo nome. Quem sabe não era nosso jovem personagem um ser celeste que caiu sobre a terra e cuja a história foi passada de pai para filho nas rodas em volta do fogo?

São nessas coisas que eu penso enquanto observo o céu noturno.


Falando em céu noturno, assista a um vídeo muito bom sobre o tema. É uma coletânea de diversas fontes amadoras que gravaram a passagem de meteoros. Gostei demais!




Notícias Meteóricas


Aproveitando o tópico aberto anos atrás, relato a vocês as novas aparições destes pequenos e interessantes corpos celestes.


Eta Aquariids


Eita, que nome é esse? Rs! Guarde este nome porque na sexta, dia 06 de maio, este será o endereço de uma chuva de meteoros. Os mais velhos devem se lembrar do cometa de Harley, que passa perto de nós a cada 76 anos. A passagem dele pelo sistema solar deixa um rastro de escombros.

Todos os anos a Terra atravessa este caminho das pedras sideral e temos a visão de corpos brilhantes no céu nas proximidades da constelação de Aquário. E daí o nome Eta Aquariids, homenageando uma das mais brilhantes estrelas desta constelação.

Por acidente, enquanto levava a esposa ao ponto nesta madrugada fria e sem lua, tive a sorte de olhar para o céu e acompanhar o galopar de um destes corpos! Será que nesta madrugada de sábado seremos brindados com mais um espetáculo?


Link da notícia AQUI. Agradeço ao Rafael Nolêto por nos lembrar em seu Twitter.




Perseidas


Soube muito em cima da hora, mas teremos nesta madrugada, 13 de agosto de 2011, outro espetáculo celeste, de acordo com a reportagem (leia AQUI). Isso porque passamos pela cauda do cometa Swifft-Tuttle:


"João Paulo Delicato, diretor do Planetário Professor Aristóteles Orsini, explica que este fenômeno acontece quando a Terra atravessa o rastro do cometa Swift-Tuttle. "Este rastro é composto por pequenas partículas do tamanho de um grão de feijão", diz ele. "As partículas, que estão a altíssimas velocidades (entre 300 e 400.000 quilômetros por hora), entram na atmosfera e se incendeiam em atrito com o ar.""

Vai lá fora ver!

sábado, 26 de junho de 2010

SELENE




Hoje foi um dia complicado no emprego. Caótico mesmo! Talvez porque fosse dia de jogo da Seleção Brasileira, que perdeu para Portugal (Como? Empatou? Jogar com Portugal em uma copa e empatar é o mesmo que perder!).

Ou talvez porque fosse Lua Cheia.


Bando Lunático

A influência da Lua sobre a Terra é profundamente conhecida aos que moram nas regiões litorâneas. E há muito as mulheres marcam ou mesmo regulam seu ciclo menstrual banhando à sua luz.

Mas contam os policiais e médicos que nas noites de Lua Cheia coisas estranhas acontecem nas cidades. Que as pessoas perdem a razão com mais facilidade, que ficam um tanto mais confusas... Lunáticas!

Será que foi isto que aconteceu hoje? Ou será que é apenas uma maneira da Lua chamar a atenção para si, nos fazendo parar por algum tempo, acalmar o coração e contempla-la?


Ciclos

Temos esta vida tão linear, apolínea, onde os dias se somam e só percebemos a diferença através de calendários e das cores de gravatas que, quando nos damos conta, já é o fim. Fim do dia, da semana, do mês, do ano, da vida.

Sem os ciclos como os da Lua, nossa vida é uma rotina.

E deve ser por isso que ela me acordou e me levou a janela para observa-la. "Ei, psiu! Vem aqui me ver", disse ela em meus sonhos.


Selene

Selene é uma Deusa antiga, antes dos olímpicos, filha de Hipérion, o Sol, e Téia, Deusa da Luz. Ela, como outras divindades lunares, é amiga dos pastores pois com sua luz noturna avisa sobre a presença de animais selvagens ou ladrões que se lançam sobre os rebanhos.

Contam os Antigos que Selene certa vez se enamorou com um deles, Endymion. Juntos tiveram muitos filhos. Mas Endymion tinha um defeito: era mortal. Para tê-lo sempre ao seu lado, Selene usou um artifício interessante, fazendo-o dormir eternamente e assim conserva-lhe a juventude e a vida. Não é lindo o amor?

E após banhar-me em sua luz e imaginar se outras pessoas também A namoraram hoje, dedico a Selene este texto na esperança dela também deixa-me dormir para que eu tenha minha beleza preservada! Rs!

Saúde, amizade, liberdade!


S. Thot.

Ps: Ah, se gostou deste, visite também outros pensamentos meus sobre a Lua.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

DAS ESTRELAS




"Então Diana dirigiu-se aos pais do Princípio, às mães, aos espíritos que existiam antes do primeiro espírito."

Da obra Aradia, de Charles Leland

Recentemente saí fora da Grande São Paulo e seu véu de fumaça e poeira. Distante uma centena de quilômetros, pude passar um tempo um pouco mais perto do silêncio e de um ar menos fumacento. Mas a surpresa veio à noite.
Ela prometia ser nublada mas não desanimei. Meu objetivo era ver o céu noturno e limpo, pois meu último encontro com a Via Láctea fora a mais de 15 anos atrás em São Tomé das Letras, Minas Gerais.

Na ocasião foi muito engraçado, rs!
Estávamos em grupo, andando numa trilha e saindo da cidade. Era inverno e fazia um frio de lascar, com o vento cortante no rosto. Tomava cuidado para não tropeçar nas pedras nem no companheiro da frente. Num lapso, por algum motivo, olhei para o céu. Você, criatura da cidade, não faz ideia assim como eu também não fazia ideia. Eu estava acostumado somente a relances, algumas constelações. No máximo um Cruzeiro do Sul.

Mas ali a sensação que tive foi de assombro pois um rio de estrelas cruzava o céu e pude penetrar em sua escuridão até o fundo e lá ver o meu reflexo só para constatar a minha pequenez diante daquele milagre.
Por ato contínuo meus joelhos dobraram. Acredita quando eu falo pois eu sempre narro este fato a quem quiser ouvir pois eu mesmo não acredito: meus joelhos dobraram.

E se bem me lembro continuei fitando o céu, assombrado, rolando para o lado da trilha. A pessoa que vinha atrás de mim, lanterna na mão, me ofuscou perguntado "o que foi?". Eu apontei e disse "o céu". Ele olhou e também caiu no chão!
E tantos anos depois eu buscava este reencontro, sentado na varanda da casa, temendo pelo contato com cobras e aranhas reais ou imaginárias, rs! E então as nuvens foram sopradas para longe.

O céu descortinou-se para mim. "Oi" eu disse. E ficamos lá, olhando um para o outro enquanto estrelas-cadentes cruzavam o firmamento rápidas e ávidas por pessoas que lhes fizessem pedidos. De volta à Cidade Grande eu ainda fito a escuridão opaca do pó e névoa na tentativa de ter um vislumbre das estrelas que nos observam e protegem.


Guardiães

Um escritor pagão conhecido, Raven Grimassi, escreve em sua obra "Os Mistérios Wiccanos" sobre a vião dos Antigos sobre as estrelas e o culto ao Guardiães, estrelas Reais. Charles Leland (Aradia - Gospel of the Witches) mostra a crença que os Guardiães são, Deuses antes dos Deuses ou simplesmente os Antigos.

É fato que as estrelas exercem sobre nós um grande fascínio e foram de grande importância em vários capítulos da história humana seja como calendário agrícola, seja como instrumento de navegação.

  • No calendário egipcio Sírius possuia posição de destaque pois sua aparição marcava aos pagãos a hora da cheia do rio Nilo.
  • Ou a Canopus, importante estrela para navegação no hemisfério Sul. Esta estrela é parte da antiga costelação Argo Navis. A Argo Navis fora uma expedição grega de heróis que cruzara o mundo conhecido em busca de aventuras. Canopus era seu condutor.
  • A primeira costela que reconheci no céu noturno me foi mostrada pelo meu pai: o Cruzeiro do Sul. Ela faz parte de minha infância e de uma rica gama de histórias contadas por ele sobre os seres que habitavam as florestas e mares do Sul da Bahia. A importância desta constelação para o imaginário popular e as navegações é surpreendente!

Então, se tiver a oportunidade de se afastar dos centros poluídos, aproveite para sair na escuridão e se maravilhar.

Saúde, amizade e liberdade


S. Thot.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

DO CAIPIRA




É interessante ver, vez após vez, que a tradução para pagão, do latim paganus seja camponês. Ou o bom e velho caipira. Já devo ter escrito aqui e ali sobre a dicotomia que existia (existe?) entre o morador civilizado da cidade e o morador do campo. Mas sempre gosto de repetir isso porque é uma verdade fundamental.

Convesando pelo MSN com um amiga virtual, "interessada em coisas esotéricas", perguntei se ela tinha visto a Lua Cheia, esses dias. E ela disse que não, que tais eventos sempre passavam batido. Temos um povo tão mergulhado em livros e teorias que não percebem a realidade básica: o segredo salta aos nossos olhos.

Se não pudermos olhar para a Lua Cheia e nos maravilharmos, ou ver nas nuvens se choverá ou não, ou sentir no vento as mudanças de temperatura que se aproximam, não seremos paganus de verdade.
Vários sítios arqueológicos encontrados possuem entre suas construções observatórios astronômicos, onde os solstícios e equinócios eram demarcados. Isto porque o sagrado e o comum estavam entrelaçados. Era uma questão de sobrevivência. O caipira sabia dessas coisas. Ele tinha que saber pois sua vida econômica dependia destas informações.

O lance é deixar de olhar a terra como um lugar para extrair para ser o lugar onde vamos nos encaixar. Apesar de termos construído um mundo sobre a terra, essas duas partes não tem conversado muito bem. Mas estamos dando grandes passos nessa direção, vide a agricultura orgânica e dos telhados verdes. São soluções tímidas, mas toda caminhada começa com um passo pequeno.

E a questão da terra nunca foi tão discutida no país, desde as Ligas Campesinas, passando por alimentos transgênicos, até o atual MST. São coisas do campo que afetam as vidas das cidades. Afinal, contrariando a ideia das crianças um pouco mais ingênuas, a comida não vem do supermecado...

Agora é diminuir o ritmo das coisas, porque não dá para prover todo mundo de tudo que existe por aí. Esse negócio de modernidade, desta corrida louca pela última novidade... isso tá acabando com a gente! Precisamos repensar os modelos que temos e preparar o futuro que nos aguarda amanhã, quando acordarmos.


E vamos de uma modinha de viola?

domingo, 7 de dezembro de 2008

SOBRE O CÉU




Olhando para o céu, noites atrás, tive uma bela visão. No fundo escuro a Lua, Júpiter e Vênus formavam um triangulo no
fundo escuro. Você tem olhado para o céu ultimamente?

O fato de participarmos de uma Religião que exige a vivência do aqui-e-agora faz com que observemos a realidade próxima com novas perspectivas. Há uma tendência inicial de existir em um mundo de faz-de-conta, procurando dominar os ciclos naturais como nos ensinaram a fazer com tudo aquilo que está ao nosso alcance.

Observar os astros por longos anos significou a diferença entre o perigo e a segurança. Primeiramente para os astros mais próximos e evidentes, como o Sol e a Lua, pois clareavam nosso redor e alertavam com sua luz problemas e oportunidades.

Em um segundo momento percebemos seus ciclos e nos alinhamos com eles para plantar, ter ou não filhos, para viajar a noite. E, no céu, noturno, percebemos como desenhar nos céus com as estrelas. Nosso mundo nunca mais fora o mesmo.


Atualmente

O fato de não conseguirmos observar as estrelas a olho nu nos remete a conclusões tristes. A de que vivemos em um ambiente que além de nos poluir, nos cega.

Moro na periferia de minha cidade, próximo a Serra da Cantareira, e por aqui o ar é um pouco mais limpo e as luzes atrapalham menos. Mas o hábito de olhar pela janela só aumentou nos últimos anos com a Religião. Percebi o espetáculo que perco quando viajo para regiões afastadas de centros urbanos, como um passeio feito à São Tomé das Letras.

Criatura urbana que eu era, senti meus joelhos fraquejarem e se dobrarem ao chão quando olhei o firmamento e fui soterrado por milhões de estrtelas. Milhões, MILHÕES!!!

Um colega, que caminhava na mesma trilha que eu, tropeçou em mim e perguntou por que caí. Apontei para o céu, emudecido. Não pude ver as convulsões de seu rosto, mas seus joelhos também dobraram como os meus.


E você?

Caso more em alguma capital e fique impossibilitado de contemplar os céus mas ainda sim o deseja, ou queira saber mais sobre as constelações, baixe em seu PC o programa
Stellarium. Em português.

Em médio prazo pensemos nas possibilidades de reduzir a quantidade de material que está em suspensão na atmosfera. Pensou nisso?

Olhemos os céus assim como faziam nossos antepassados, de um modo ou de outro!

Saúde, amizade, liberdade.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

DO CALENDÁRIO


Este é o primeiro dia do ano-novo, um dois mil e oito novinho para fazermos o que quiser. Mas (e sempre tem um mas...), em qual calendário?

Porque temos os calendários judeu, muçulmano, chinês, juliano, gregoriano, asteca... Tem para todos os gostos. Ah, e temos também o nosso, que combina elementos solares e lunares.

Mas, e aí? De onde vem o calendário?

Origens
A medida que o ser humano emergia para o ser consciente, sua percepção o fez se intrigar com os fenômenos naturais a sua volta. Os seres nasciam e se degradavam, modificavam-se diante de nós. No alto, discos brilhantes apareciam e sumiam.
E estes eventos podiam ser acessados em sua memória, mesmo que sua presença física tenha passado.

Este acesso permitiu aos nossos antepassados descobrirem que certas coisas eram aleatórias e outras não. E o que não é aleatório possuía um ciclo, uma freqüência. Se antes ele vivia o tempo presente, agora ele poderia prever, com alguma certeza, eventos futuros. Tudo que tem um ciclo pode ser medido.

Parece pouco saber a que horas o sol nasce, mas se você pensou assim não descobriu ainda a essência da Wicca, que é maravilhar-se com as supostas pequenas coisas. Há 100.000, 200.000 anos atrás a descoberta do Pensamento e da Memória foi fundamental para que tenhamos o conforto do qual desfrutamos hoje.

A percepção do ciclo pode ter começado pequena, no cotidiano, com o mais óbvio, mais evidente ciclo conhecido que é o nascer do sol. Quantas luas cheias são necessárias para se ver nascer uma criança ou um bezerro. Depois disso passamos para pássaros e insetos que cantam em certos momentos do dia ou mudanças de vento. Nossa percepção então vai em um crescendo, reconhecendo ciclos maiores como menstruação, florescimento dos vegetais, cheias de rios, idas e vindas de bandos e manadas.

Ao mesmo tempo, pequenos ajuntamentos familiares crescem para aldeias e vilas, e toma-se conhecimento de outras localidades mais distantes. Troca-se produtos e idéias. As viagens são mais longas, os plantios e rebanhos são maiores e complexos. É preciso pensar em longo prazo e criar uma ferramenta capaz de identificar e medir este ciclo.
Se antes nossas tarefas eram medidas ao passo dos dias, com a complexidade de nossas tarefas é preciso pensar em intervalos cada vez maiores. É necessário também que esta ferramenta seja acessível, facilmente reconhecido e de maneira universal. Nasce o conceito do calendário.

Irmão Sol, Irmã Lua
Os principais calendários foram os solares e lunares, cuja combinação nem sempre exata é usada até hoje. Presume-se que o primeiro a ser usado fora o lunar, pois seu ciclo mais curto e a ausência de ferramentas para sua medição o torna mais prático. Seu período é de um mês lunar (a palavra mês tem sua origem primordial na palavra lua). Uma característica básica dos calendários lunares é o fato do dia seguinte iniciar-se ao por-do-sol, como o hebraico.

Mas a base econômica das populações era a agricultura, que exigia períodos maiores de tempo e conhecimento das épocas de plantio e colheita através da marcação das estações. Provavelmente por estes e outros motivos o calendário solar foi criado.

Isto pediu um nível intelectual mais avançado, pois a fase da Lua é facilmente reconhecível para o observador. A medição e observação solar, porém, pedia instrumentos e conhecimentos mais abstratos.

A verdade está lá fora
Se você, caro leitor, amiga leitora, observar bem o nascer e por do sol durante o ano perceberá que, apesar dele nascer no leste e se por no oeste, isto não acontece sempre nos mesmos pontos o ano inteiro. O sol faz um movimento aparente no horizonte neste período. No nosso hemisfério, este movimento o faz movimentar-se para o sul. Quando ele chega o mais próximo possível do sul, diminuindo assim a incidência de raios solares sobre nosso hemisfério, o tempo esfria e temos o Solstício de Inverno.

O problema é que é difícil e não recomendável olhar para o sol para o sol para medir este posicionamento. Mas veja só que sacada! O movimento da luz é imitada pela sombra. Então uma das possíveis primeiras ferramentas para medir as estações (e, posteriormente, as horas) foram pedras ou toras de madeira estrategicamente colocadas no solo para que, quando a sombra de uma passasse sobre a outra, marcasse o solstício.

Supõe-se ainda que os portadores destes conhecimentos fossem vistos com reverência que hoje chamaríamos de religiosa. Com a divinização destes astros, seus conhecedores acabaram realmente ganhando status de sacerdotes, de ligação entre o divino misterioso e o camponês.


O Tempo e o Vento
Os antigos pagãos tinham na medição do tempo um cuidado especial. Afinal, como caipiras, dependiam da terra, da agricultura, para sobreviver. Não raro encontramos observatórios solares, verdadeiros relógios, que medem os solstícios e equinócios. Há hora para plantar, hora para colher, ora para descansar.

Há observatórios famosos (megálitos), dólmens, menhires, círculos de pedras (Stonehenge), e outros. São construções encontrados na China, Bretanha, Ibéria, Germania e no Amapá.


O Divino, povo e o tempo
Como viu-se, além de funções práticas a marcação do tempo possui um significado mais profundo. O cálculo do tempo influi na vida das pessoas no campo religioso também. Eis uma lista de alguns calendários e os povos que os usavam:
*Hebraico - baseado no ciclo lunar, onde o mês se inicia na lua Nova; para os judeus, o mundo foi criado em 3760 a.C.
*Chinês - um dos mais antigos registrados, serviu de base para os povos circunvizinhos, sendo lunissolar; o ano chinês possui 354 dias.
*Maia - muito complexo, pois mede não só dias (vinte), meses (dezoito) e anos, mas também eras; baseado nele é previsto o início de uma nova Era em 21 de dezembro de 2012.
*Juliano e Gregoriano - seu uso está ligado hoje às áreas de influência das religiões ortodoxas (juliano) ou católicas (gregoriano), sendo este último o de uso corrente no país; a defasagem entre eles é de 13 dias.
*Islâmico - puramente lunar, tem onze dias a menos que o gregoriano; inicia-se com a fuga de Maomé para Medina.


Calendário wiccano
Nosso calendário solar divide-se em oito períodos chamados sabás. O intervalo entre cada sabá é de aproximadamente 40 dias. Existem os sabás menores, baseados em datas astronômicas, solstícios e equinócios e no calendário de comemorações pagãs européias.

Tradicionalmente nosso ano começa em Samhain, 31 de outubro no calendário gregoriano. Este é um período de limpeza interna e externa, uma preparação para o ano que se inicia. Atentem que não falamos na data como a fronteira, mas ápice de algo que já se processa. Afinal, o Litha, o reino do sol, guarda em si o início do inverno. E o inverso é certo no Yule, que carrega a promessa do verão.
O calendário lunar é composto de 13 meses, marcados pela Lua Cheia. Como era de se esperar, o calendário solar possui a primazia. Mas a importância da Lua Cheia é expressa na Carta da Deusa, um dos principais textos da Wicca:
"Sempre que vós tiverdes quaisquer necessidades, uma vez ao mês, e melhor seria quando a lua estiver cheia, então vós deveis vos reunir em algum local secreto e adorar o meu espírito, eu que sou a Rainha de todas as bruxarias."

Vivendo as datas
Observar as datas dos sabás e esbás, os rituais da Lua Cheia, nos fornecem as chaves dos Mistérios. Porque por mais que leiamos a percepção do que é realmente a Religião só se dá aí, no rito. Não é aqui que você encontrará o Divino, mas na vida.

Viva o tempo presente.


E cavalgue o Luar!



Sergio Thot