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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

ALMA NOBRE


Sempre penso que as pessoas devam ser os heróis e heroínas de suas vidas. E isso significa mergulhar na lama da vida sem ser parte dela. Tarefa difícil. Ter a alma nobre é enxergar e criar além do comum, acredito.

É tornar o lugar onde mora  uma Paris. Quem não quer morar em Paris? Eu quero! É uma cidade que me fascina, cuja a mais famosa igreja, Notre Dame data dos anos 1100! E que antes dela havia ali um templo dedicado a Júpiter construído pelos romanos conquistadores. E que antes deles os celtas provavelmente já usavam o lugar para suas cerimonias. Podem sentir o que eu falo?

Mas Roma não foi feita em um dia, nem Paris, Londres ou Lisboa. São fruto de uma construção física e psíquica em que dado momento alguém disse para si e para os outros: epa, existe algo grandioso aqui! E em mim também!

Todos estes lugares nasceram como aldeamentos vira-latas. As cidades são a soma de pessoas, de residências, de pensamentos e ações comuns. Em Londres não faz muito tempo as pessoas jogavam o conteúdo matinal do penico nas ruas. Hoje, se assistir a reportagens internacionais e reparar nas ruas verá que elas estão limpas e organizadas. É uma amostra de uma cidade que é consciente de ser uma das vitrines do mundo. Mas teve que haver o momento do estalo, da epifania, da revelação.  E neste momento foi possível vislumbrar um futuro diferente e uma capacidade de liderança do próprio destino.

Você pode dizer o mesmo de si ou do lugar onde mora? Pode afirmar com segurança que é você é uma referência positiva para outras pessoas em contraste ao modelo midiático atual? Quem é ou será a heroína de sua filha? As grandes mulheres do passado representadas por você ou alguma siliconada barraqueira do BBB 11

Temos a chance incrível de transformar a nós mesmos e ao lugar onde moramos. De sermos heroínas e heróis de nossa históiria. Podemos escolher que o bairro em que moramos seja um Haiti ou uma Suíça. E isso não vem do nada, não é de graça, mas passa pela organização, limpeza, estudo, trabalho. Temos uma geração inteira de jovens que detestam estudar e que não ligam as palavras trabalho à progresso.

"Mais do que criar uma extensão do Bolsa Família para a faixa até os 18 anos, como foi feito agora, a pesquisa mostra que é preciso despertar e conquistar o interesse do jovem em permanecer na escola."

 Fonte: O Globo
 


Sim, lamento ser o portador de notícias ruins, mas não é possível sustentar um país de Tiriricas. Já basta um que mal chegou no Congresso Nacional e pegou um aumento de 60 e poucos por cento  em seu salário de parlamentar enquanto a maioria dos trabalhadores levou 10 vezes menos para casa. Bem, o mal está feito e seguindo a tradição pão e circo de nosso país, as coisas ficarão como estão.

Sigamos em frente.

Não importa o quanto o corpo se suje, desde que sua alma esteja limpa. Se sujar faz bem! Rs!

Saúde, amizade, liberdade.


S. Thot 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A CAMINHO DE SÃO THOMÉ DAS LETRAS



Bem, é Beltane para mim, mas a verdade é que a maré das pessoas comuns insiste no Halloween, pegando pronta as festividades do Hemisfério Norte que a esta hora vivencia os primeiros dias frios do inverno setentrional. Nosso amigos portugueses que o digam, entre outros que acompanham da Europa e América este blog.

Mas há um conselho colocado no Oito Sabás Para Bruxas, dos Farrar, que diz assim:

"As crianças esperam divertimento de Hallowe'en, e do mesmo modo (nós o descobrimos) os amigos e vizinhos esperam algo das bruxas em Hallowe'en.

Assim realize uma festa e lhes ofereça - abóboras, mascaras, trajes à fantasia, pregar peças, música prendas, tradições locais - a sorte. 

E realize seu ritual de Samhain para o coven em outra noite ".

Sendo assim, rendi-me a maré da gente comum e vou entrar de cabeça em nosso carnaval especial na cidade de São Thomé das Letras - MG, onde se poderá andar à caráter sem medo de ser feliz neste dia 31 de outubro!

Para os que seguem o Sul, Feliz Beltane.

Para os que seguem o Norte, Feliz Halloween.

S. Thot.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

OS OBJETIVOS DE UM RITUAL

Prosseguindo com a série de textos sobre Como Realizar um Ritual, chegamos no ápice de nossos esforços até então. Para continuar, devo dizer que somos sacerdotisas e sacerdotes. Já se escreveu neste blog sobre o assunto anos antes, porém convém relembrar.

Nosso papel é o de servir a comunidade e manter viva a chama da devoção ao Divino. Nós prestamos serviços a quem vem nos pedir apoio, seja como conselheiros, seja como curadores. O ritual possui estas características. É o lugar e o momento onde nos colocamos a disposição do outro.

Nossa recompensa está justamente em sermos aquilo que treinamos para ser, e utilizar esta soma de conhecimentos mútuos para o Bem da Humanidade. Humanidade esta que é  personificada na pessoa que está na sua frente. Não é diversão de fim de semana ou para os momentos em que se está sem namorado/a. Ficou claro que a iniciação ou mesmo a dedicação não é algo descartável, mas uma decisão para toda a vida? Pois é de almas que falamos, principalmente da sua.

Tomei consciência desta verdade óbvia através da leitura da obra da família Farrar, Oito Sabás para Bruxas. Na parte final do livro Janet e Stewart discorrem sobre como os sacerdotes podem servir a sua comunidade realizando rituais de Nascimento (Wiccaning), Casamento (Handfasting) e Morte (Requiem). Todo ritual tem objetivo! Esta série usa como foco a Consagração de Objetos Mágicos, mas também podem ser de:
  • sociais
  • iniciação
  • súplica
  • fertilidade
  • celebração etc.
Outras formas de ritual podem ser encontradas no livro O Guerreiro Wicca, de Kerr Cuhulain.

Prefiro fazer rituais de celebração, onde honro o Divino e a Roda do Ano. Logo, no sabás tenho um compromisso em deixar a chama acesa, nem que seja uma flor em uma área verde da cidade, para lembrar dos votos feitos e das graças recebidas. Poucas pessoas se aproximam da Deusa e do Deus hoje em um ritual sem ter a mão estendida pedindo alguma coisa, o que considero desrespeitoso. Se é para pedir, que seja força para vencer e discernimento para saber qual o momento ideal para avançar ou retroceder.

O resto o dia concederá.

Saúde, amizade, liberdade.


S. Thot

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

GRAÇAS AO DEUS E À DEUSA



Olá a tod@s!

Falarei à vocês hoje sobre a importância de agradecer. Sinto em meu coração que esta ação possui um paralelo muito grande com o ato de perdoar, que já comentei neste blog em outra oportunidade. Acredito ser semelhante no sentido de que esta modifica tanto a nós como o outro que é objeto de nosso agradecimento. De que maneira?

Vivemos em uma sociedade destinada ao conflito, mas também à concórdia, ao entendimento. A maior prova é que estamos aqui hoje. Em um mundo de guerras constantes não tem tempo para colocar a casa em ordem e viver com dignidade. Veja o Haiti, que é uma gigantesca favela que vive em meio a golpes de Estado e guerras civis à décadas. Isso sem contar os eventos naturais como terremotos e furacões.

Vivemos em um país relativamente estável hoje do ponto de vista econômico e político. Faz vinte anos que domamos a infração e trinta que não temos militares no poder. Em algo avançamos, apesar de bolsões de haitis existirem em paralelo com as pequenas europas brasileiras. Sigamos em frente.

E pelo que agradecer ao Deus e à Deusa? Por estar vivo e bem. Por estar vivo e não tão bem, mas com coragem de lutar para estar. Por estar vivo e sem esperança de melhora, mas grato pela aceitação do fato e tentar fazer o melhor possível com as ferramentas que lhe restam. Temos agora e sempre a possibilidade da mudança em nossos corações. Principalmente os desesperados, os sem-nada. Estes não possuem nada a perder e podem fazer as apostas mais altas.

Na Roda do Ano agradecemos ao sacrifício que o Deus faz em nossa vida todos os dias.


O sacrifício de um Deus

A Deusa é o imutável, o perene, o eixo. O Deus e sua História são a Roda do Ano. Mas quem Ele é em nossa vida? É tudo que percebemos em movimento, que é ativo e que, principalmente, retiramos do corpo da Deusa que é a terra. 

Logo, toda casa, todo carro, navio, ponte ou cidade é visto por mim como o corpo do Deus. Curioso que tudo o que construímos deseja retornar ao seu estado natural, uno com a Deusa na terra. Experimente deixar algo abandonado e perceberá o abraço Dela no objeto em forma de ferrugem, oxidação, decomposição. Lógico que as leis da Física chamam isso de princípio da termodinâmica, chamar de O Abraço da Deusa é muito mais poético, rs!

E mais! O sacrifício do Deus também é o nosso. Todo dia ao sairmos para trabalhar deixamos o corpo da Deusa que é nossa família, nosso lar, nosso refúgio. Como o carro solar de Rá que cruza o céu para combater Apep, o destruidor, o caos, a fome, a pobreza, o frio, o medo. O trabalho de Rá e iluminar o dia. O nosso é fazer com que nosso dia valha a pena ser vivido.

Bem, sendo mundo que construímos, que nos protege e nos dá prazer é fruto deste sacrifício sagrado, nada mais natural é sermos gratos por ele em nossa vida diária. Dentro do Círculo Mágico não é diferente.

Dito isto, prossigamos.


Estrutura

Assim como usamos os elementos para representar os quadrantes, no altar também há objetos que representam o sacrifício do Deus em nosso cotidiano: o alimento. Apesar de muito, mais muito do que comemos ser plantado ou colhido por nós e portanto, não temos a exata percepção do que é cortar, colher, arrancar da terra, por uma questão de tradição usamos o alimento como representação do sacrifício divino.

O nome tradicional refere-se a Bolos e Vinho, mas opções são bem-vindas. Como citado no texto anterior, vinho e menores em um sabá não são a combinação mais adequada e sucos são bons opcionais. E outros tipos de alimentos podem ser recomendados. Um livro que indico como referência para comida sagrada é A Cozinha Mágica da Márcia Frazão. Veja aqui algumas receitas.

Cada convidado traz uma pequena porção feita com carinho, consciência e cuidado para o sabá afim de compartilhar com o outro as graças recebidas. Os alimentos ficam elegantemente dispostos sobre o altar. Dê preferencia a alimentos de época e da região onde se mora. Tempo e espaço são as ferramentas do bruxo. Desta forma os pratos se alinham com a época do ano em que o sabá é comemorado... e ficam mais baratos também, rs!


Conteúdo

Após o convite ao Deus e a Deusa, a Sacerdotisa, o Sacerdote e o Auxiliar posicionam-se diante do altar. A Sacerdotisa segurar a Taça e o Sacerdote com a ponta do Athame ainda molhada do vinho profere as palavras rituais, tocando suavemente os alimentos dispostos sobre a mesa, agradecendo a fartura e o sacrifício do Deus em permitir que seu corpo nos alimente e abrigue.

A Taça então é passada pelo círculo entre os celebrantes como forma de os abençoar e agradecer pela sua presença na celebração.

E está terminado esta parte.


Alguns pontos:

  • A opção de vinho por suco de uva se dá no caso de restrições por parte de algum celebrante que seja menor de idade ou tenha intolerância ao álcool. Lógico que isto tem que ser levantado com antecedência.
  • Acreditar em ter o Divino dentro de si é diferente de acreditar ser o próprio Divino.
Se esqueci alguma coisa, comente!

Saúde, amizade, liberdade.

S. Thot.

sábado, 16 de outubro de 2010

CONVITE AO CASAL DIVINO



Olá a tod@s!

Dias atrás uma ciberamiga perguntou-me quem são os Deuses. Me recostei na cadeira e pensei um pouco no assunto, pois estou tão acostumado a sentir a presença Deles que tive de "rebobinar a fita" do conhecimento para responder de maneira racional algo que se encontra no coração. Respondi-lhe que o Deus e a Deusa são nossa maneira infantil e limitada de dar ao Mistério um rosto familiar. Lógico que não sou o primeiro autor pagão a escrever isso. Gente muito mais gabaritada já discorreu páginas sobre isso. Somente simplifiquei a ideia.

Então usamos as máscaras dos deuses (peço licença ao senhor Campbell para usar o termo, rs!) afim de humanizar o Divino, de deixa-los mais próximos. Pense bem e verá que os Deuses não precisam de vestes brancas, tronos, armas ou muitos braços devido a sua onipotência. Mas isto nos aproxima Deles e nos sentimos mais parte da grande família cósmica.

Outra ideia que desejo explicar antes de iniciar o texto em si é o significado da palavra evocação e invocação, que parecem sinônimos mas não são (rimou!).

Evocação é chamar para fora. Evocamos quando não desejamos fazer parte da pessoa/grupo que chamamos. Nos meios ocultos evoca-se entidades que se materializam (por falta de termo melhor) não no círculo onde está o oficiante, mas em um círculo separado. O que me soa como uma jaula, uma prisão. Evocação é uma ordem.

Invocação é chamar para dentro. Invocamos quando desejamos que os princípios espirituais compartilhem conosco nosso espaço ou mesmo nossa consciência. Partindo desta ideia simples não uso a palavra invocar nos textos para não confundir com evocar.

Sendo assim, quando invocamos a presença do Deus  e da Deusa desejamos traze-los para nossa vida de uma maneira especial. De fato, desejamos que sua luz divina brilhe em nossos corações para que possamos nos inspirar em sua jornada afim de completar a nossa.

Uso a palavra convite, que soa muito mais familiar e que resume bem o sentimento que se tem dentro do Círculo Mágico. Invocar é trazer o Divino para dentro de nós e assumir suas responsabilidades. Não é à toa que os egípcios e gregos consideravam o teatro uma obra divina e aplaudiam seus atores a fim de chamar a atenção dos Deuses! Guardadas as devisas proporções celebrar um ritual e agir teatralmente são ações muito próximas!

Dúvidas sobre os conceitos, consulte AQUI.

Dito isto, prossigamos.


Estrutura

Assim como usamos os elementos para representar os quadrantes, no altar também há objetos que representam a presença do Casal Divino em nossa celebração e que representam esta polaridade feminina e masculina/dentro e fora/claro e escuro/frio e calor. São objetos que só fazem sentido quando estão juntos pois é assim também no espiritual: o Deus parte e retorna para o colo da Deusa continuamente.

Gosto de usar como símbolos a Taça e o Athame como símbolos da polaridade, onde esta posiciona-se a esquerda do altar e este a direita do mesmo. Os sacerdotes encarregados anteriormente na criação do círculo mais uma vez assumem suas posições, agora invocando a Deusa e o Deus para si através das palavras rituais adequadas.

Um jarro com vinho ou suco também será necessário.


Conteúdo

Após o convite aos Quadrantes, a Sacerdotisa, o Sacerdote e o Auxiliar posicionam-se diante do altar. A Sacerdotisa segurar a Taça e profere as palavras rituais, seguido pelo sacerdote. As palavras chamam a atenção para as qualidades e responsabilidades que o sagrado masculino e feminino assumem em nossas vidas. Finalizado este, o Auxiliar adiciona um pouco do suco ou vinho dentro da Taça e dá um passo para trás, afim de destacar os sacerdotes.

Estes viram-se um para o outro. A Sacerdotisa lhe estende a Taça enquanto este mergulha em seu interior seu Athame e palavras rituais são proferidas enfatizando que mesmo nossas qualidades não são nada quando não estão juntas e é esta união o propósito de nossas vidas. É o Grande Rito.

E está terminado esta parte.


Alguns pontos:

  • A opção de vinho por suco de uva se dá no caso de restrições por parte de algum celebrante que seja menor de idade ou tenha intolerância ao álcool. Lógico que isto tem que ser levantado com antecedência.
  • Acreditar em ter o Divino dentro de si é diferente de acreditar ser o próprio Divino.
Se esqueci alguma coisa, comente!

Saúde, amizade, liberdade.

S. Thot.





quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CONVITE AOS SENHORES DOS QUADRANTES



Olá a tod@s! Continuando a série de postagens sobre a confecção de rituais, escrevo agora sobre o Convite aos Senhores dos Quadrantes. Não discorrerei muito sobre os pensamentos envolvendo-os porque Raven Grimassi escreveu sobre os principais conceitos em seu livro Mistérios Wiccanos (Ed. Gaia) de maneira brilhante.

O autor assume que há várias ideias diferentes sobre as origens, quem são os Senhores e quais os seus papéis durante o ritual. Particularmente penso neles como os Deuses-Antes-dos-Deuses, uma força mais antiga que sustenta sob seus pilares a Essência da Vida. Uma visão que se assemelha a dos Titãs gregos, deuses que surgiram no mundo grego antes dos olímpícos Zeus, Hera, Ares e outros.

Representados no ritual como Senhores de cada Quadrante, são posicionados nas posições Norte, Leste, Sul e Oeste como que pilares a sustentar a abóbada celeste.

Há uma associação direta deles com os elementos Fogo, Ar, Terra e Água. Não por acaso o pensamento mágico ocidental considera estes elementos os pilares fundamentais da construção do mundo físico. A relação Quadrante/Elemento  pode respeitar a tradição (Norte-Terra; Sul-Fogo; Leste-Ar; Oeste-Água) ou se ajustar as particularidades de cada grupo conforme a região onde mora etc. Autores como Starhawk, Cunningham e os Farrar deixam em aberto esta e outras questões. Parto do princípio simples da observação de meu mundo e sob esta verdade faço as adequações necessárias.

Portanto ao Norte eu ponho o Fogo do sol; ao Sul a Terra da eterna escuridão; à Leste o lar do Oceano e a Oeste o domínio dos Ventos sobre os campos. Como é Assim é Dentro como é Fora, o universo que criamos deve refletir o exterior e vice-versa. Logo esta é a minha disposição sugerida.


Estrutura

É interessante que elementos como o Fogo já estejam acesos e a Água em seu recipiente antes do início da invocação. Esta preparação acontece momentos após a entrada de todos no círculo aberto pelos sacerdotes representantes da Deusa e Deus.

O sentido das invocações seguem o movimento do Sol, começando ao Leste e terminando no Sul.


Conteúdo

Uma forma que utilizamos para convida-los é semelhante a apresentada pela escritora Starhawk em sua obra "A Dança Cósmica das Feiticeiras", onde as características dos elementos simbolizados em cada Quadrante são proferidas. Para tanto os sacerdotes e/ou sacerdotisas responsáveis posicionam-se diante de cada um dos seus elementos e proferem as palavras rituais.

Estas palavras tem haver com cada elemento em questão, na invocação de imagens relativas aos elementos chamados. Como para o Norte quente: caatinga, sol de verão, pimenta vermelha etc. Conhecer-se e conhecer as pessoas com quem celebra, saber suas histórias e anseios, ajuda nesta questão.


Alguns pontos:

  • Dependendo da situação o uso de fogo pode ficar restrito. Cabe ao grupo antecipar e decidir que posição tomar (desobedecer a ordem e se responsabilizar ou buscar correlações com cores, formas, outros itens). 
Dúvidas, críticas ou sugestões, contate-me.

Saúde, amizade, liberdade.



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terça-feira, 12 de outubro de 2010

LIMPEZA ESPIRITUAL DO ESPAÇO MÁGICO



Olá a todos.

Não faz muito tempo abordei aqui nestas páginas o tema Limpeza. Mas naquela ocasião o foco era a limpeza de seu espaço comum, da sua casa, seja para prevenir ou afastar energias não desejáveis. Também comentei em outra blogagem sobre como algumas religiões tratam do assunto.

Aqui o foco desta Limpeza Espiritual é para a satisfatória utilização de um espaço com o objetivo de criar e manter ali uma conexão com o Divino livre de "ruídos" energéticos. Estes ruídos são o Medo e a Dúvida.

E, porque não dizer, criar nos celebrantes um estado alterado de consciência. Cada etapa que se promove é mais uma volta nesta escada espiral rumo a este estado mental e emocional diversificados.

Esta Limpeza usa não só a voz e gestos como também elementos físicos que se seguem.


Estrutura

Em nossos rituais são dois parceiros que conduzem juntos a maior parte do ritual e aqui não é diferente. Eles representam as polaridades Deusa e Deus que estão presentes em todas as etapas da vida quando assim as reconhecemos.

Estes sacerdotes percorrem todo o perímetro interno do círculo enquanto com aspergem água salgada e fumaça de incenso. Este movimento deve seguir o movimento aparente do Sol feito no céu, iniciando e terminando no altar. Os recipientes com água salgada podem estar previamente prontos e o incenso aceso. Ou todos os elementos separados, onde uma terceira pessoa, um Auxiliar, trata de reuni-los e entrega-los ao Sacerdote e Sacerdotisa.

Particularmente prefiro a segunda opção, pois é uma representação mais fiel do Início do Universo, onde os elementos em separado são reunidos para criar Todas as Coisas.

A criação do "mundo entre mundos" se dá basicamente com música, movimento e poesia.

E o que dizer? Diga e demonstre que ali, naquele momento & lugar, será criado um espaço mágico. Diga com doçura mas também com autoridade, afastando do coração das pessoas principalmente quaisquer dúvidas ou medos, para que todos a partir daquele momento se sintonizem com o objetivo da celebração.

Doçura porque temos a perfeita noção de nossa posição diante do Universo. Somos pequenos diante desta imensidão de bilhões de estrelas na Via Láctea. Autoridade porque para que esta imensidão seja reconhecida ela necessita de nós, logo temos um valor que precisa ser assegurado.

Não precisa ser em latim ou alguma outra língua antiga e morta, mas tem que ser profundo, vindo do coração. Pode ser ainda uma adaptação de algum autor pagão, ou mesmo um trecho de algum romance, música ou poesia. O importante é que o texto evoque esta força energia dentro de todos.


Alguns pontos:

  • Citei no texto acima que o giro segue o movimento aparente do Sol no céu. Em muitos livros pagãos, cujo os autores moravam ou moram no hemisfério norte, o movimento aparente do sol determinou o movimento dos ponteiros do relógio. Mas no hemisfério sul este movimento é anti-horário. Como o Sol veio antes do relógio, siga o sol. 
Que a paz encontre o coração de vocês.

S. Thot.


    sexta-feira, 8 de outubro de 2010

    ABERTURA DO CÍRCULO MÁGICO



    Círculo Mágico é o processo emocional e mental que visa criar uma lacuna na percepção do espaço e no tempo dentro celebrante de modo que este possa sentir-se em uma realidade diferente . Usualmente outras formas de culto estabelecem um lugar físico e fixo para isto. É o que chamamos de templo.

    Mas wiccanos em geral sempre que podem fazem seus rituais ao ar livre pois entendem que este é o espaço sagrado mais que perfeito para suas práticas onde o mundo natural é o seu templo. Quando solitários ou em pequenos grupos podem fazer rituais nas próprias casas como opção válida.

    O Círculo Mágico também existe no físico e pode ser traçado no solo para que seja uma marcação visível, orientando assim os participantes do ritual sobre a sua localização e a dos Quadrantes, sobre os quais falarei em um texto oportuno.

    Suas dimensões variam conforme o número de pessoas, dinâmica do grupo e objetivos do mesmo e podem ser traçados, desenhados com pedras, folhas, tecido, desenhado com uma vareta sobre a areia etc. Para a confecção de um círculo próximo à perfeição, um rolo de barbante e uma bússola  são importantes como verá a seguir.


    Estrutura

    Para traçar um círculo é muito simples, bastando apenas que você encontre o eixo. O eixo é o ponto em torno do qual o mundo gira. Um ritual, como foi dito, é a representação simbólica da criação do Universo e o eixo é o ponto zero do mundo, onde tudo se equilibra. É o Omphalos.

    Encontrado o local central do ritual, ponha a bússola aos seus pés e segure o carretel do barbante e peça para outra pessoa estica-lo até o tamanho desejado. Encontrado o tamanho, peça para que ela ande segurando o barbante e traça o círculo, enquanto você observa o alinhamento dele com os pontos cardeais. Peça para que a pessoa pare e marque no solo sempre que achar alinhamento dos pontos Norte, Oeste, Sul e Leste. Acredite, é mais fácil fazer do que explicar! Rs!

    Considero adequado que as pessoas responsáveis pelo traçado sejam as mesmas que realizaram a celebração, exercendo os papéis de Deusa e Deus, sendo que esta fica ao centro enquanto Ele dispõe o círculo. Não deixa de ser uma alegoria correta e interessante... Uma terceira pessoa, um Auxiliar, pode ser chamada para ajudar nos trabalhos.

    São também necessários sacerdotisas e sacerdotes responsáveis pelo convite ao Quadrantes. Estes devem ser escolhidos previamente, seus papéis e responsabilidades bem determinados e dúvidas eliminadas. 



    Os outros celebrantes, se existirem, aguardam na borda externa do Círculo até serem chamados.

    Uma vez criado este esboço é só cobri-lo com os elementos que sugeri ou outros que sua inspiração lhe sussurrar nos ouvidos.


    Conteúdo

    A criação do "mundo entre mundos" se dá basicamente com música e poesia. Gosto de caminhar em torno do círculo, depositando sobre o esboço traçado no chão s elementos que escolhi para enfeita-lo, sejam pétalas de rosa ou galhos secos, pedras, areia. Enquanto faz isso entoe as palavras rituais apropriadas, de modo calmo mas firme.

    E o que dizer? Faça a Limpeza Espiritual do Espaço Mágico, afastando do coração&mente das pessoas quaisquer dúvidas ou medos a fim de que todos, a partir daquele momento, se sintonizem com o objetivo da celebração. 

    Diga aos Deuses, aos seus companheiros de culto e sobretudo a si mesmo que neste momento o véu da realidade é cortado para criar um novo espaço, destinado à magia e a celebração da vida. E que dentro dele bons sentimentos como o amor, a entrega e a coragem irão borbulhar como em um caldeirão mágico.

    Não precisa ser em latim ou alguma outra língua antiga e morta, mas tem que ser profundo, vindo do coração Pode ser ainda uma adaptação de algum autor pagão, ou mesmo um trecho de algum romance, música ou poesia. O importante é que o texto evoque esta força energia dentro de todos.

    E está pronto seu espaço sagrado.

    Para trazer para dentro os celebrantes restantes, vá até o ponto mediano entre o altar e o quadrante Leste. Com sua intenção, palavras e gestos, trace uma abertura e convide os celebrantes. Na passagem do último, feche-a.

    Após a entrada destes, os sacerdotes e/ou sacerdotisas responsáveis pelos Quadrantes posicionam nos quadrantes marcados os quatro elementos: terra,fogo, água e ar.


    Alguns Pontos

    • Como fala a sacerdotisa Paula Mazali, "este é um momento seu" . Então venha despreocupada, e com tempo. Esqueça o relógio.
    • Ao contrário da crença geral, o Círculo Mágico para os wiccanos é mais um caldeirão para conter energia do que uma barreira de proteção contra forças maléficas.
    • Uma vez iniciado o ritual é recomendável não interromper com saídas constantes. Tira a concentração e é desrespeitoso. Vá ao banheiro com antecedência. Desligue o celular.
    • Ter uma pessoa do lado de fora do ritual como um Guardião garante maior sensação de segurança em rituais públicos onde objetos pessoais são deixados fora do Círculo.
    • Em caso de necessidade, abra o círculo com o dedo, evitando athames ou outros objetos. Principalmente diante de policiais armados! 
    Ah, sim! Abaixo segue um trecho da animação Fantasia sobre a criação do Universo. Sem dúvida seus criadores estavam à frente de seu tempo!


    Aproveitem!!!


    Saúde, amizade, liberdade.




    S. Thot.

    quarta-feira, 6 de outubro de 2010

    RESPIRAÇÃO E MEDITAÇÃO



    "Antes, acreditava-se que a pessoa só perdia neurônios durante a vida. Agora, vemos que podem brotar em qualquer fase da vida, e determinadas atividades fazem a estrutura do cérebro mudar." 

    Isso significa que o cérebro adulto também é plástico, capaz de ser moldado.
    No ano passado, um estudo dos mesmos pesquisadores já mostrava redução da massa cinzenta na amígdala cerebral, uma região relacionada à ansiedade e ao estresse, em pessoas que fizeram meditação por oito semanas. 

    Mas qualquer um que começar a meditar amanhã terá esses mesmos efeitos benéficos em algumas semanas? 

    "Provavelmente sim", diz a neurologista Sonia Brucki

    Matéria completa no site da Folha de São Paulo, via Uol


    Respirar é a primeira ação que tomamos ao sair para fora do corpo da mãe, e a última que fazemos antes de entrar no corpo da Mãe. Ela nos acompanha a todo o momento e é um importante medidor de como anda a nossa mente.

    Se pararmos para observar nosso dia-a-dia, respiramos mal. Aliás, escrevi a respeito durante o período em que uma massa de ar seco cobriu a maior parte do país e que tornou o ar que alimenta a região onde moro fétido, seco e impuro. Aliado a nossa vida corrida e a perda de consciência sobre nosso o corpo o resultado é uma respiração insuficiente para as nossas necessidades mais profundas.

    A respiração calma, rítmica, consciente e correta é o primeiro indicador de uma pessoa centrada e é este estado que buscamos durante a realização de um ritual. Outras formas de culto a conseguem abrindo seus rituais através de cânticos e oração. Cantando respiram rítmica e profundamente; e orando meditam sobre o objetivos que os levaram até aquele local. Conosco é similar.

    A Meditação consiste em levar e manter a mente a um estado de quietude, deixando assim o terreno fértil para receber os conhecimentos que serão passados durante o ritual. A Meditação faz com que nos equilibremos, encontremos o nosso eixo, nosso Omphalos.



    Estrutura

    Não é necessário grandes preparações para o exercício de Respiração. Os celebrantes precisam achar uma posição confortável, seja sentados ou deitados e respirar lenta e ritmicamente, a medida que eliminam quaisquer outros pensamentos.

    Os celebrantes precisam fazer a respiração abdominal, através do diafragma. Oposta a esta há a respiração torácica, feita pelo peito e característica das pessoas que vivem momentos de tensão ou ansiedade. Respirando abdominalmente, ou "pela barriga". Aqui está uma boa técnica que vale a pena conferir!

    Conforme as possibilidades, um aparelho sonoro com um CD contendo sons da natureza ou exercícios respiratórios pre-gravados é excelente. Estando ao ar livre melhor ainda. Um facilitador conduz a Respiração e Meditação para que esta tenha um início e fim.



    Conteúdo

    O facilitador pede para que as pessoas se disponham em círculo de maneira confortável e de olhos fechados. Com uma voz serena, ritmada e audível, induz os celebrantes a respirarem de modo calmo e correto. Entremeado a isto palavras ou frases sobre o motivo do ritual podem ser incorporadas ao exercício. Os dois ou três minutos finais devem transcorrer sem palavras.


    Alguns Pontos

    • Como fala a sacerdotisa Paula Mazali, "este é um momento seu" . Então venha despreocupada, e com tempo. Esqueça o relógio.
    • Uma vez iniciado o ritual é recomendável não interromper com saídas constantes. Tira a concentração e é desrespeitoso. Vá ao banheiro com antecedência. Desligue o celular.
    • Ter uma pessoa do lado de fora do ritual como um Guardião garante maior sensação de segurança em rituais públicos onde objetos pessoais são deixados fora do Círculo.
    • Este exercício não precisa ser focado nas práticas dentro do círculo. Use-o em sua vida fora dele, também.
    .

    terça-feira, 5 de outubro de 2010

    COMO REALIZAR UM RITUAL


    Olá! Como vão?

    Não tenho o hábito de escrever sobre a confecção de rituais, mas devido a grande procura registrada pelo tema, com o intuito de oferecer boa informação e por ser o mês das bruxas em nossa cultura ocidental (Leia uma matéria interessante sobre o tema no blog Witch Clubhouse) resolvi criar uma série de textos sobre o assunto. Sou pagão com fundamentos wiccanos e usarei esta base nos textos que se seguirão.

    Uma das primeiras coisas que devo dizer é sobre comprometimento. Sem isso nada do que faça, por mais pomposo, caro ou técnico que seja, surtirá efeito. Comentei Sobre o Culto anos atrás e as palavras continuam válidas. Recomendo a leitura.

    Dito isto, vamos adiante.


    O que é o Ritual

    Muios pagãos atuais pensam que os sabás são eventos recreativos, onde as pessoas vão para se divertir nos finais de semana quando não tem nada o que fazer ou alguém para namorar. Rituais não são recreação pura e simples, mas a re-criação de algo.

    Um ritual é a representação sagrada de algum evento com fins religiosos. Entre os cristãos católicos há a Santa Ceia. No nosso caso então nós representamos a criação do Universo a cada vez que realizamos o ritual. onde a abertura do círculo é a primeira aurora!

    Nos nossos rituais não existe plateia, uma massa que observa. Todos os que põem os pés dentro do círculo são co-responsáveis por ele e pela realização do ritual. Somos todos sacerdotes e sacerdotisas. Até porque, tradicionalmente sempre celebramos com um número pequeno de pessoas e não haveria de ser diferente. Então somos todos atores desta peça sagrada!


    O Ritual Começa Antes de Começar

    Ah, é simples! Quando você decide realizar um rito solitário ou participar de um com outros celebrantes, ele se inicia dentro de você, em sua mente e coração. E, de certo modo que não posso explicar, as coisas ao seu redor começam a girar por conta desta decisão. Isto é algo que se sente e é difícil para transpor em palavras.

    Um ritual precisa de alicerces fortes para ser bem-sucedido. É preciso saber coisas como
    • O porque de realiza-lo (é um sabá? Um wiccaning? Rito de passagem?),
    • Como realiza-lo (palavras rituais, instrumentos mágicos),
    • Onde realiza-lo (cachoeira, campo aberto, clareira na mata, quintal, espaço alugado ou público),
    • Com quem realiza-lo (divisão de papéis e outras responsabilidades).
    Considero importante que todos os que entram no Círculo Mágico saibam o que se celebra ali naquele momento de modo que possam contribuir de maneira substancial. É aí que entra os Grupos de Estudo, assunto que tratei em outro texto.

    O local deve ser relativamente plano e seguro para a prática, valendo até uma visita antecipada para avaliação. Se for espaço público, conseguir autorização é recomendável.

    A divisão de papéis deve ser clara, de modo que não hajam problemas durante o ritual. Usualmente são duas as pessoas que conduzem o ritual, nos papéis de Deusa e Deus. Tais funções podem ser designadas por diversas formas: idade, conhecimento, votação, rotatividade. Não importa a forma, desde que funcione e seja de comum acordo.

    E, se houverem problemas, que não se abalem! Usem a criatividade aliada ao humor. Sempre resolve!

    A estrutura básica de um ritual corresponde a:

    Bem, com tudo pronto passamos para o ritual em si, iniciando com Exercícios de Meditação e Respiração.

    Saúde, amizade, liberdade.

    S. Thot

    Ps.: segue um vídeo que resume o meu desejo profundo para que chova muito na sua horta nesta Primavera. Lembra que tudo passa! Ouça alto, rs!

    terça-feira, 10 de agosto de 2010

    CONSAGRANDO OBJETOS MÁGICOS

    Em complemento da postagem A Arte de Manejar o Pêndulo, escrevo sobre a Consagração de Objetos Mágicos. Mas antes vamos à conceitualização.


    O que é Consagração?

    Consagração é tornar algo ou alguém sagrado. É retirar um objeto, animal ou pessoa do estado mundano e oferecer seus serviços ao Divino. Tenho para mim que, se quero tornar algo sagrado, eu e minha vida também têm que sê-lo. É sobretudo a minha crença e a minha autoridade no agir e falar que tornam algo ou alguém sagrados. Percebe isso?


    O que é Limpeza?

    Limpeza é discriminação, é fazer o julgamento do que serve e do que não serve em nossa vida e descartar, separar o que não presta de modo eficaz.


    O que são Objetos Mágicos?

    São objetos limpos e consagrados que usamos em rituais e práticas de cunho espiritual. Podem ser bastões (cajados), punhais (espadas), cálices (caldeirões), pratos, pêndulos, castiçais, livros, pequenas mesas, incensários, vestes etc. Não só a consagração torna algo mágico, mas também (e principalmente) o uso constante do objeto; e a nossa crença de que um pouco da Essência Divina mora nele através de nossa manipulação.


    No blog Além do Físico, o ciberamigo Hudson oferece os conceitos básicos dos Objetos Mágicos. Sugiro uma visita.




    A Ferramenta no Imaginário


    Os Objetos Mágicos de hoje nada mais são que ferramentas que usamos para nos contactar com o Divino. Desde o início dos tempos usamos de objetos para nossa sobrevivência física e intelectual. Primeiro para afastar os animais, promover segurança e conforto, como as pontas de flecha do povo Clóvis. Depois, para invocar e simbolizar autoridade sobre os homens, e até nos defender deles.


    Mesmo os Deuses são representados usando ferramentas, como o martelo de Thor das terras do Norte e Hermes com seu caduceu. Sobre o caduceu e sua simbologia, mais uma vez recomendo o blog Além do Físico, do ciberamigo Hudson.

    Os Deuses "modernos" também não abrem mão delas, como provam Batman e seu cinto de utilidades, e Capitão América com seu escudo. Para escrever este texto eu uso diversas ferramentas, como um sistema operacional e um computador ligado a internet.


    As ferramentas que sustentam nossa vida também podem nos dar grandes dores de cabeça se mal usadas.


    Quem Avisa Amigo É

    Toda ferramenta possui um manual de uso e no mundo mágico isso não é diferente. Vejam o vídeo do Aprendiz de Feiticeiro que postei aí embaixo. É uma alegoria do que pode acontecer quando usamos nossas ferramentas de maneira inconsequente. Conheço algumas pessoas que ficam fascinadas com as tais "brincadeiras do copo" e abrem portas que não conseguem mais fechar sem ajuda.


    Crer é essencial para um ritual de consagração funcionar. Se você tem dúvidas no ritual, terá dúvidas no uso de seu instrumento. Não adianta duvidar. Se é para fazer, decida-se e faça. Se chegou até esta linha com dúvidas, esqueça. Feche a página e procure outra coisa. Não é para você a informação que vem abaixo.

    Ainda aqui? Certo. Se está decido, tudo bem. Então continuemos.


    O Ritual

    O ritual começa antes do ritual, costuma-se dizer. Sabe por que? Porque quando você imagina, coloca tudo para funcionar dentro de você. A busca de informação, a procura dos instrumentos, a escolha do local, sua limpeza, a visualização do ritual... O Universo já iniciou seu giro para lhe auxiliar em seu intento se sua vontade for forte.

    Bem, todo o processo que vou lhe explicar dura cerca de 30 dias. Ah, pensou que seria fácil, um fast magic? Hahahahahahahahaha! Lamento! Esses dias serão divididos em quatro partes seguindo as lunações:

    • Lua nova: fase de descanso e ponderação sobre o que você fará. Exercícios de respiração e meditação são aconselháveis.
    • Lua crescente: elaboração do ritual, busca dos utensílios que serão consagrados, escolha do lugar a ser usado e realização de alguma preparação prévia como limpeza física.
    • Lua cheia: realização do ritual em si.
    • Lua minguante: data final para a eliminação de quaisquer resíduos do ritual e para registro dos acontecimentos caso tenha um Livro das Sombras. Nesta fase sonhos incomuns podem acontecer. Preste atenção neles!


    Os passos principais de um ritual são:

    A Limpeza Ritual varia conforme o material do qual é feito o objeto. Se são instrumentos de madeira por exemplo, pode-se usar defumação com varetas de incensos com propriedades purificadoras, como o beijoim.

    Sente-se diante de um incenso aceso e segure o objeto acima da fumaça que dele é expelida. Mentalize que juntamente com a fumaça ascendem também energias indesejáveis que por ventura estariam no seu instrumento. Peça ao Divino, seja com palavras criadas antecipadamente ou nascidas do momento que interceda ao seu favor. 


    A Consagração pode ser feita apresentando os objetos aos Deuses, pedindo-lhes que derramem sobre ele suas bençãos. Faça um voto de usa-lo corretamente e dar-lhe um fim honrado se o momento chegar. Saiba e sinta que neste momento a peça que tem nas mãos possui uma ligação íntima com você e que esta relação só aumentará à medida que ambos trabalharem juntos. 

    Se trabalha em coven, peça aos demais membros do grupo que individualmente, ofereçam preces e boas-vindas ao item, seja com palavras previamente ensaiadas ou nascidas do momento.

    Uma vez seguindo estes passos, considere seu Objeto Mágico consagrado.


    Perceba que tão incluí textos sobre o como conduzir suas falas. Não acredito em "receitas de bolo", em modelo prontos onde o celebrante somente copia e cola a ideia. Então eu deixo para que você preencha esta lacunas com sua sensibilidade.


    Leia também um excelente texto no blog Santuário Wicca, da ciberamiga  Hyvi, sobre o mesmo tema clicando AQUI.


    A partir de outubro, aproveitando a maré mágica do mês das bruxas, farei uma série de textos sobre o assunto. Siga o link.

    Dúvidas, comente!


    Saúde, amizade, liberdade.

    Sergio Thot.



    Ps.: um assunto pouco comentado é o descarte de objetos consagrados, algo infelizmente comum entre alguns pagãos que, por motivos diversos, estão deixando a fé.


    Recorro a história do Rei Arthur, no momento em que ele já não podia mais empunhar sua Excalibur. Sob suas ordens, ele pediu que a mágica espada fosse devolvida a Senhora do Lago. Um fim honrado a um instrumento que serviu ao seu propósito, não acha?


    Usando este exemplo, e após uma limpeza energética de seu instrumento, minhas propostas são:


    • presentear outro pagão com o/os itens
    • enterra-los, queima-los ou devolve-los à água em um território que considere consagrado
    Lógico que a segunda opção passa por diversas questões ambientais. Portanto vale calcular o tamanho de sua pegada ecológica para tomar a melhor decisão. E espero que tome decisões mais acertadas na sua vida na próxima vez antes de adquirir qualquer coisa.