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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

GENTILEZA EM ATOS



Tempos atrás aconteceu pelos blogs brasileiros um evento, uma blogagem coletiva, chamando a atenção para o tema Gentileza, apoiado pelo blog Crianças Pagãs. Na época fomos chamados para exemplificar quais ações seriam ideais para uma convivência melhor com a pessoa ao nosso lado. Baseado no que li tomei algumas ações que vou relatar aqui, juntamente com os resultados.


Desejo que leiam, apreciem e principalmente digam que atos de gentileza também tiveram desde a blogagem. Num ato de gentileza da minha parte, cada comentário será anexado no topo do texto e colocarei um link que levará ao seu blog, perfil do Orkut ou Twitter conforme seu gosto! Que tal, hein?

E cada novo comentário, atualizo a data desta postagem, de modo que fique sempre visível.

Bem, vamos lá!


  • Essa aconteceu em meu trabalho: Ontem a tarde recebi um recado para ir até o setor de documentação falar com a Srª. N. Chegando lá descobri que haviam alguns documentos para serem assinados mas que, devido a existência de outros Sergios no setor, a Srª N. não sabia se era eu a pessoa. Isso a deixava com um certo mal-estar pois, como trabalhamos com manutenção, os mecânicos nem sempre são uma flor de candura. Quando descobrem que não são a pessoa chamada ficam resmungando e tal. Uma situação chata, enfim. Logo a deixei à vontade com relação a questão: se fosse eu, bem. Se não fosse, bem também. Estas coisas acontecem, oras. Percebi os ombros delas se desarmarem e relaxarem com a minha posição. Resumo da ópera: era eu mesmo a pessoa. Assinei os campos devidos e me prontifiquei a vir sem cara feia sempre que fosse falar com ela, rs.
  • "Oi Thot (quanto tempo...). Gentileza está se tornando artigo raro mais ainda existe, como nesse exemplo. Comprei uma máquina de (costura) overloque, e o senhor que veio trazer e instalar, foi um verdadeiro professor, me ensinando até o que não era da competência dele fazer. Me surpreendi tanto com a atitude e gentileza dele, que não poderia deixar de fazer a minha parte - fui gentil também! rsrs É gentileza gerando gentileza. Abraços Thot, saudades de vc...bom domingo e bom feriado. " Experiência da ciberamiga Sél, do blog Todos os Sentidos.
  • Agradecendo gentilezas: se vivemos em uma sociedade de conflito, imagina então dentro de ônibus na hora do rush? E com gente parada na porta, não raro por distração? Mas percebendo a gafe que cometia bloqueando a minha passagem, ele gentilmente cedeu espaço e tirou a mochila que atrapalhava a passagem. Lhe retribui a gentileza agradecendo com simpatia.
  • "Bem, eu também procuro elogiar pelos trabalhos que as pessoas prestam, ou meus professores quando nós surpreendem com boas apresentações das matérias de psicologia.
    É bem "Skinneriano" mas o bom comportamento, deve ser reforçado, a gentileza é um bom reforçador para se trabalhar nos dias de hoje, onde se torna cada vez mais raro." Experiência do ciberamigo Spooky, do blog  Empório da Bruxaria
  • Elogiando as pessoas: quebrei esta barreira em mim, rs! Tinha certos pudores de elogiar as pessoas pelo bom trabalho que fazem. Sempre achamos que é obrigação delas darem seu melhor mas em um mundo onde as ações ruins tem mais destaque que as boas, elogiar que faz bem seu trabalho cria algo dentro delas de sólido, e melhorou as minhas relações com colegas de trabalho, família e mesmo desconhecidos
  • Uma loja do litoral de São Paulo resolveu criar a campanha "Gentileza Muda a Gente". Nela, você comparece ao balcão e, mesmo sem comprar nada, ganha um "singelo pingente". Só que ele não será seu. A ideia é da-lo a alguém desconhecido, um lembrete de que as ações gentis devem ser uma constante em nossas vidas. Confira AQUI como participar.
  • Outra do emprego: fim de mês é o dia da "virada" do cartão de alimentação do meu trabalho. Naquele dia 30 de agosto, dado o volume de coisas para fazer, não tive tempo de almoçar. Para não chegar em casa bravo, chutar os gatos, bater na mulher, pegar uma faca e sair para rua (kkkkk), resolvi jantar no restaurante para comemorar um dia produtivo. Na fila do caixa havia outro funcionário que tinha a mesma dúvida que eu "será que caíram os créditos?". Afinal, agosto termina em 31... Cada um apresentou ao caixa seu cartão para ver o saldo. No dele, que entrara para trabalhar às 14h00 e só sairia à meia-noite, tinha dez centavos. No meu, que já estava de saída, tinha cinco reais. Não tive dúvidas nem hesitações, dando a ele meus créditos. "Fome Zero", lhe disse e rimos juntos.


    sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

    ALMA NOBRE


    Sempre penso que as pessoas devam ser os heróis e heroínas de suas vidas. E isso significa mergulhar na lama da vida sem ser parte dela. Tarefa difícil. Ter a alma nobre é enxergar e criar além do comum, acredito.

    É tornar o lugar onde mora  uma Paris. Quem não quer morar em Paris? Eu quero! É uma cidade que me fascina, cuja a mais famosa igreja, Notre Dame data dos anos 1100! E que antes dela havia ali um templo dedicado a Júpiter construído pelos romanos conquistadores. E que antes deles os celtas provavelmente já usavam o lugar para suas cerimonias. Podem sentir o que eu falo?

    Mas Roma não foi feita em um dia, nem Paris, Londres ou Lisboa. São fruto de uma construção física e psíquica em que dado momento alguém disse para si e para os outros: epa, existe algo grandioso aqui! E em mim também!

    Todos estes lugares nasceram como aldeamentos vira-latas. As cidades são a soma de pessoas, de residências, de pensamentos e ações comuns. Em Londres não faz muito tempo as pessoas jogavam o conteúdo matinal do penico nas ruas. Hoje, se assistir a reportagens internacionais e reparar nas ruas verá que elas estão limpas e organizadas. É uma amostra de uma cidade que é consciente de ser uma das vitrines do mundo. Mas teve que haver o momento do estalo, da epifania, da revelação.  E neste momento foi possível vislumbrar um futuro diferente e uma capacidade de liderança do próprio destino.

    Você pode dizer o mesmo de si ou do lugar onde mora? Pode afirmar com segurança que é você é uma referência positiva para outras pessoas em contraste ao modelo midiático atual? Quem é ou será a heroína de sua filha? As grandes mulheres do passado representadas por você ou alguma siliconada barraqueira do BBB 11

    Temos a chance incrível de transformar a nós mesmos e ao lugar onde moramos. De sermos heroínas e heróis de nossa históiria. Podemos escolher que o bairro em que moramos seja um Haiti ou uma Suíça. E isso não vem do nada, não é de graça, mas passa pela organização, limpeza, estudo, trabalho. Temos uma geração inteira de jovens que detestam estudar e que não ligam as palavras trabalho à progresso.

    "Mais do que criar uma extensão do Bolsa Família para a faixa até os 18 anos, como foi feito agora, a pesquisa mostra que é preciso despertar e conquistar o interesse do jovem em permanecer na escola."

     Fonte: O Globo
     


    Sim, lamento ser o portador de notícias ruins, mas não é possível sustentar um país de Tiriricas. Já basta um que mal chegou no Congresso Nacional e pegou um aumento de 60 e poucos por cento  em seu salário de parlamentar enquanto a maioria dos trabalhadores levou 10 vezes menos para casa. Bem, o mal está feito e seguindo a tradição pão e circo de nosso país, as coisas ficarão como estão.

    Sigamos em frente.

    Não importa o quanto o corpo se suje, desde que sua alma esteja limpa. Se sujar faz bem! Rs!

    Saúde, amizade, liberdade.


    S. Thot 

    terça-feira, 21 de dezembro de 2010

    VISÃO DO PARAÍSO


    É uma tarde fria de verão, o que é estranho levando em conta as altas temperaturas registradas nesses últimos tempos. Tarde fria porque estamos no fim do dia, ou porque choveu, ou talvez porque o vento sul sopra da Argentina. Volto para casa de bike depois de um dia de trabalho.


    Diante de mim, ao norte, a Serra da Cantareira está parindo nuvens. Quem mora perto de serras cobertas pelas florestas sabe bem o que é isso, quando as nuvens brotam das matas que as cobrem e rumam ao céu. E é poetico isso, não? Montanhas parindo nuvens... E a cena me levou a devanear.

    Lembrei de um documentário que assisti esses dias chamado A Insolência Taliban. O título é auto-explicativo. Enfim, no correr do programa o narrador, conduzido por um soldado americano, entra em uma suposta célula de treinamento de homens-bomba. Ou o que sobrou dela depois dos ataques com mísseis inteligentes. Nas paredes sem teto de um certo cômodo com marcas de tiros existem algumas pinturas. O soldado explica ao narrador que chamam aquele cômodo de Sala do Paraíso por causa das pinturas na parede. 


    Acredita-se que ali os homens-bomba e outras formas de terroristas eram doutrinados a aceitar a Outra Vida como prêmio pela sua imolação, pelo seu sacrifício, e as pinturas na parede fornecem uma ajuda, um reforço visual para estimular a imaginação das pessoas de como seria o paraíso prometido. E o que se vê nas pinturas?

    As pinturas na parede daquele cômodo cravado no deserto amarelo eram de morros suaves, cobertos de verde e com casinhas brancas ponteando aqui e ali em meio a vegetação exuberante. As visões de paraíso daqueles homens desesperados por uma vida mais feliz são a minha realidade!


    Levando em consideração o amarelo opressivo daquela paisagem deserta onde a casa e as pessoas estão imersas, morros verdejantes e nuvens carregadas de chuva são uma bela visão para um pastor ou agricultor.



    Terra de Verão


    Já para os Antigos de certas regiões das terras européias, o paraíso é Summerland, ou a Terra de Verão, uma ilha à oeste da Inglaterra também chamada de Terra das Maçãs (And yes, nós temos bananas também!). Isso sem falar na fantástica ilha de Hi-Brazil. E não é que aprendemos que nosso país era tido como uma ilha pelos antigos navegadores portugueses?

    E ali, diante do trivial, percebi que o comum para alguns é o paraíso de outros. Agradeci a Deusa pela chuva, pelo verde e pela esperança que ela nos dá. Mesmo que não percebamos em nosso dia-a-dia (nem tão) atribulado.


    E desejo que a paz chegue para regiões tão conturbadas do globo, para que as pessoas possam voltar aos seus campos e plantar e colher, sentar na soleira da porta e ver o sol cair no horizonte. São sempre os camponeses aqueles que mais sofrem com as guerras.

    Que neste solstício possamos nos encher de energia para coroar de êxito nossa vida. Assim como a coroa solar reina nos céus.

    Feliz Litha!


    Sergio Thot




    Post Scriptum


    Leia AQUI outro texto sobre as Visões do Paraíso, no blog Além do Físico.

     

    sexta-feira, 22 de outubro de 2010

    DA LUA



    "Quando necessitar de alguma coisa, uma vez ao mês, e é melhor que seja quando a Lua estiver cheia, deverão reunir-se em algum lugar secreto e adorar meu espírito; Eu que é a sou a Rainha de todos os sábios."

    Os encargos da Deusa, de Doreen Valiente



    Vocês já se perguntaram como nasceu a Lua que tanto amamos? Se não, delicie-se e surpreenda-se a representação gráfica no final do texto. Principalmente com a frase do astrônomo: a Lua é filha da Terra!

    Para os pagãos, esta frase não é vazia, mas bate profundamente. Tanto que, quando eu a ouvi pela primeira vez, meus olhos lacrimejaram. E vou até repetir: a Lua é filha da Terra




    Mas tem Caroço nesse Angu!

    Tem uma coisa que me incomoda na Lua. Não é Lua em si, mas algo que visitantes recentes lá deixaram. É uma bandeira que fincaram nela. E não foi a bandeira da ONU, entidade que já existia na época e que representa (ou tenta) uma boa parcela das nações. A bandeira que está lá hoje não representa a conquista humana, mas a conquista de uma nação, somente. Foi uma viagem para conquistar. E o próximo passo desta conquista é fazer da Lua uma base espacial para futuras missões à outros planetas, como Marte.

    Os objetivos englobam vários aspectos: científicos, militares, políticos, econômicos. O que me preocupa é a palavra "exploração". Na Terra ela nunca trouxe boas consequências em longo prazo e me pergunto o que acontecerá quando as primeiras latas de Coca-Cola começarem a voar pelo espaço. O fato da Lua ser deserta e o espaço, infinito, não implicam em espalhar por aí nosso lixo.

    Ao mesmo tempo, com a população humana crescendo e a forte demanda por materiais e energia (afinal, todo mundo quer um IPhone), não há muitas escolhas senão explorar novas fontes. De certo modo estamos de mãos atadas, presos pela nossa dependência do conforto de nossa atual tecnologia.

    Será que olharemos para a Lua, no futuro, com admiração como o fazemos hoje? Ou veremos nela somente mais um lugar distante de onde sugamos aquilo que queremos e lá depositamos os detritos?

    O uso de fontes de matéria&energia alternativas às do petróleo, somadas a decisões corajosas junto aos governos, indústria e entidades de todos mundo podem evitar catástrofes e equívocos em médio e longo prazos.


    Enquanto esta "iluminação" não chega, cabe ao cidadão comum proteger o seu maior bem, que é a capacidade de viver com dignidade usufruindo da Terra que lhe foi "emprestada".

    E que Ela baste.



    É Lua Cheia


    Já conheci pagãos que vieram perguntar para mim, via net, em que Lua estávamos. Pedi-lhes gentilmente que fossem lá fora ver. Estamos um pouco desconectados, não acha?


    Que esta Lua coroe de potência os seus intuitos mais profundos. E que o ritual mais simples seja feito noite após noite: olhar para o céu e contempla-la.


    Saúde, amizade, liberdade.




    S. Thot

    Ps.: se gostou do leu, visite um texto meu sobre como a Deusa Selene tira meu sono à noite, rs!


    Leia também uma postagem interessante sobre a Lua Violeta, fenômeno de nosso calendário, onde acontecem duas luas novas no mesmo mês. Poderá encontrar o texto no blog Bruxaria Revolucionária, clicando AQUI!




    segunda-feira, 30 de agosto de 2010

    UMIDIFICADOR NATURAL



    Olá!

    Uma grande massa de ar seco cobre boa parte do país enquanto escrevo estas mal traçadas linhas. Este evento climático leva aos hospitais todos os anos centenas de crianças e adultos nas as grandes cidades em busca de serviço médico.

    Um paliativo para isto é o uso de umidificadores de ar nos ambientes fechados. Vejo muitos ligados em farmácias e lojas a título de propaganda. Enquanto uns choram outros vendem lenços e a maior prova disso são os aumentos das vendas desses aparelhos. Mas creio que a maquininha é um tiro no pé, pois:

    • Gasta energia
    • Faz ruído
    • Aquece o ambiente
    • Tem pequeno alcance
    • Não é barato

    Não é melhor ter plantas dentro dos ambientes?

    • Usam energia solar
    • São silenciosas
    • Refrescam/estabilizam a temperatura do ambiente
    • Tem ajuste automático de umidade
    • São mais baratas
    • São mais bonitas
    • Oxigenam o ambiente enquanto houver luz

    Curioso como ninguém fala nisso. Certo, dão como alternativa por bacias com água no cômodo. Mas já dei grandes tropeços nessas peças e resolvi optar pelas plantas. Como não oferecem a solução simples de verdejar os cômodos das casas e tornar o ar mais úmido e menos nocivo?

    Para quem duvida, parto de uma premissa simples: as árvores na nossa Serra da Cantareira e Serra do Mar que umedecem e resfriam o ar a sua volta e que, com as condições certas, causam as chuvas orográficas.  A natureza sempre aponta o caminho.

    Um jardim externo também ajuda bastante, pois diminui a temperatura uma vez que a maior parte do calor do sol se transforma em vapor dágua e auxilia na fotossíntese. Concreto e cimento, por algum motivo, não realizam essas transformações, acredita? Rs!

    Há quem faça também seu pequeno jardim interno, na medida que o espaço permite. Vejam o exemplo da amiga portuguesa Hazel, do blog Casa Claridade. Leve em conta que a maioria das amigas-plantas mostradas no blog foram salvas do lixo ou foram fruto de doações. E elas agradecem, perfumando, oxigenando e umidificando seu espaço de trabalho.

    E se houver espaço na calçada, plante uma árvore nativa do Brasil nela pelos motivos já citados. Ipês são boas escolhas, já que são a árvore-símbolo do país e dão flores lindas no inverno. A pata-de-vaca também é uma opção, pois seu tamanho é ideal para ambientes urbanos e tem propriedades de cura.

    Pense nisso.
    Saúde (cof, cof), amizade, liberdade!


    sexta-feira, 16 de abril de 2010

    NOSSO PAPEL




    “As mudanças climáticas afetam de maneira direta as condições de vida e de trabalho das mulheres, particularmente por sua proximidade aos elementos de vida, como a agricultura, seu contato com a água e para poder cumprir com o ciclo de cuidado da vida que lhe foi transferido como responsabilidade prioritária”
    Magdalena León

    Responsáveis pela manutenção do lar enquanto os homens saem para caçar, sejam alces ou máquinas pesadas, fica a cargo das mulheres a sutil dança com os ciclos do mundo. Lembro de minha mãe olhando para o céu e dizendo para mim: leva guarda-chuva filho pois vai chover. Ou das panelas areadas brilhando ao sol, refletindo sua luz nas paredes da casa. De intuir a hora em que meu irmão caçula dormia e acordava antes mesmo dele o fazê-lo. E aqui falo apenas de uma família que reside no meio urbano. 



    Há os ciclos das nuvens e dos astros para as pessoas que dependem dos frutos da terra, onde saber essas coisas é a diferença entre a fartura e a fome.

    Penso o quanto nossa vida se distanciou dos ciclos quando inventamos a luz elétrica ou a água encanada no mundo ocidental. A gente aperta um botão e as coisas acontecem como mágica. Mas é um mistério bem explicado, calculado e com sérios custos. Cada vez que fazemos tais coisas imprimimos uma digital no mundo. Gostaria de falar diferente, que o aquecimento global não é de nossa responsabilidade. Que o que acontece com o gelo ártico, tão longe de nós, não tem nada a ver com a gente e que podemos levar nossa vida despreocupadamente. Mas não é bem assim.

    E mesmo que assim o fosse, não explicaria ações nulas em nível local, como separação de material reciclável limpo para catadores de bairro, por exemplo. Ou, com o espaço adequado, uso de material orgânico na compostagem.





    Culpa ou "responsa"?

    Responsabilidade, lógico! A culpa pressupõe que somos crianças diante das coisas, que não temos controle sobre nossos atos e que agimos por impulsos incontroláveis. Inverdades.
    Exceto em casos patológicos, somos sabedores de nossos atos a cada passo da Caminhada. Atribuir a outros nossas faltas, ou autojulgarmos incapazes de uma ação consciente é enganar a si e a os que lucram com esta insensatez!

    Claro que não peço mortificações e sacrifícios no sentido de colocar em risco saúde ou bem-estar. Mas a separação entre o sadio e o supérfluo deve ser feita. Se não por questões ecológicas, ao menos pelas econômicas. E quando se mexe com o bolso as pessoas se movem, não? Rs!

    Saúde, amizade, liberdade.


    Sergio Thot

    terça-feira, 2 de março de 2010

    DA BELEZA




    Os aterros sanitários que me perdoem, mas a beleza é fundamental. Digo isto pensando nas ruas de meu bairro onde pessoas depositam toda a sorte de lixo e entulho. Isso apesar dos PEV's localizados em vários pontos da cidade.

    Percebi que os locais servidores como pontos para desova de resto de obras, móveis e afins já estava degradado pelo tempo, uso ou pixações. Que um lugar abandonado é desculpa para chegar lá e depositar sua contribuição.

    Fazendo um paralelo é como encontrar uma mulher amarrada e vítima de um estupro e supor que também pode-se tirar uma lasquinha só porque o mal está feito e ninguém está vendo ou ligando.


    Acredite na beleza

    E aqui eu pego uma carona em um comercial da Boticário que trata justamente disto: da crença que a beleza é contagiante e melhora nosso cotidiano, assim como o inverso também é possível.

    Para melhor destruir o que é mais importante reduzimos tudo a coisas. Chamamos florestas, focas, baleias, mulheres, crianças, montanhas, rios de recursos, espólios de guerra, troféus. Porque ao lhes conferir beleza somos obrigados a respeitar limites e reconhecer os sacrifícios que lhes infligimos.

    Quando exposto ao que é belo, tudo que é mal se incomoda, escarnece e reaje com violência. A beleza não é um estado de espírito ou uma forma estética, mas também uma arma revolucionária.

    Então, quando for a luta, não batalhe contra o feio. Lute pelo belo.


    Sergio Thot.

    Face

    Ps.

    Tempos depois desta postagem li esse texto interessante no Blog Duplamente Venusiana sobre o Por que a Beleza tem que ser Divertida. Segue um trecho e depois clique no link acima:

    "Não é uma beleza que distancia. Pelo contrário, me vi conversando com uma travesti (que era doze vezes mais feminina do que jamais serei) sobre cores de esmaltes, na fila do supermercado.

    Começando conversas ou quebrando a tensão, quando no meio de uma reunião tensa alguém reparou nos pequenos arco-íris nos dedos e senti o clima ruim dissipando no ar."


     

    quinta-feira, 22 de outubro de 2009

    SOBRE A GENTILEZA




    Este post tem inspiração no
    Crianças Pagãs, da ciberamiga Luciana Onofre. Ela, obviamente, tem suas próprias inspirações e eu os convido a descobri-las em seu blog.
    Já que a sementinha foi em mim plantada, busquei o significado da palavra e me deparei com um sentido que difere daquilo que as pessoas pensam, daquilo que até eu pensava.
    Na blogagem anterior falei sobre gratidão e eu achava que estes são termos sinônimos. Não são. Na Gratidão nós agradecemos uma dádiva. Na Gentileza nós somos a dádiva. Somos agentes daquilo que desejamos para nós, mas visando algo além de nós mesmos.
    E é curioso escrever aqui a palavra Gentileza em maiúscula. Inconscientemente preparando terreno para citar o Profeta Gentileza, paulista de nascimento mas universal de coração que, morando na cidade do Rio de Janeiro, expressou em palavras escritas & faladas e em gestos, gentilezas.
    Gentileza no cotidiano
    Não sei se é um fato ou influência da idade, mas percebo que o ato gentil caiu entre as pessoas nos últimos anos. Como sou quieto por natureza, fico mais tempo observando as pessoas e vendo como agem umas com as outras. E me parece que a medida que os espaços e reservas diminuem, menos gentis ficam.
    Para reverter este possível quadro, eu proponho ações simples mas eficazes:

    • Em qualquer situação onde nos encontramos com pessoas um "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite" são imprescindíveis. E eu, particularmente, exijo a resposta. Ah, e olho no olho! Pegou na mão, aperte com firmeza! Se é abraço, idem!
    • Recebeu? Agradeça! Com firmeza!
    • Em uma situação de carência, compartilhe. Num ônibus cheio, por exemplo, segure uma bolsa, uma sacola, ou até dê o lugar. Com firmeza! Recentemente fiz exame de sangue e é conhecido o meu medo de agulhas em geral. Mas na sala onde eu estava havia uma criança de 12 ou treze anos que simplesmente tremia dos pés à cabeça. Compartilhei com ela uma técnica que aprendi com outra pessoa para tirar a atenção da agulha: mexer os dedos dos pés. Por algum motivo isso dá certo e meu medo diminui. Ela rio com a imagem e facilitou o trabalho da enfermeira. Rs!
    • Seja gentil com o planeta, reduzindo, reusando e reciclando seu lixo. Vá à pé sempre que possível, ou de bike, ou de ônibus.
    • Plante sua árvore, ou se já plantou, plante outra!
    • Sabe aquele seu muro pichado? Pinte! Se picharem novamente, escreva nele uma poesia.
    • Seja gentil com seu cão e leve-o para passear com guia a coleira. Seja gentil com a cidade recolhendo o cocô dele das calçadas.
    Existem outras formas e exemplos, mas eu deixo para que vocês descubram e exercitem por si mesmos.


    Ato político

    O termo firmeza que usei bastante significa que a Gentileza não pode ser apenas um fim em si mesma, mas é uma ação política. Somos homo socius, criaturas que sobrevivem graças ao contrato social que nos mantém unidos em prol de um bem comum. Logo, somos criaturas políticas. Cada ato que fazemos não é o fim em si mesmo, mas reverbera em outros, sempre. Esteja sempre cônscio disto.

    E deve se-la porque o contrário acontece: as pessoas deixam de ser gentis para demonstrar força sobre as outras, ou ao menos indiferença. A ação gentil também ter que ser firme porque a Gentileza é um recurso dos bravos, dos que abrem as carapaças e se permitem o contato com o outro, sem barreiras ou armas.


    No mais, sou grato pela gentileza em me ler, rs!

    Saúde, amizade, liberdade.
    S. Thot



    sexta-feira, 2 de outubro de 2009

    SEMENTES AO CHÃO





    "Nesta terra, em se plantando
    tudo dá"

    Carta de Achamanento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha ao El Rei

    A Carta de Achamento do Brasil é um marco para o nascimento desta nova nação. Ela oferece uma ideia que até hoje perdura entre nós: a de quê este solo é fértil em sua totalidade. E nós brasileiros gostamos de pensar que é assim, mesmo depois de 500 anos.

    Vamos ver se isso é verdade, mesmo?


    Sementes ao Chão

    Foi numa conversa dessas que a Paula me falou sobre a ideia das Sementes ao Chão. É muito simples: sabe aquelas frutas que você come e joga fora as sementes? Então... o plano é dar-lhes uma utilidade, jogando-as em terrenos baldios e outras áreas "abandonadas". E o que fazer com o que nascer? Aí já não é mais conosco, mas de quem pegar.


    É comum passarmos por goiabeiras plantadas seja lá por quem e nos servirmos de seus frutos. Tenho lembranças de ter feito isso durante boa parte de minha vida, desde criança. E esta é uma boa maneira de não só retribuir, mas também contribuir.

    Viu como é simples?

    Então, da próxima vez que comer sua jabuticaba, banana ou abacate não desperdice as sementes no ralo ou no lixo. Ofereça ao futuro alguns frutos doces e selvagens.

    Saúde, amizade, liberdade.


    S. Thot

    quinta-feira, 23 de abril de 2009

    DO CAIPIRA




    É interessante ver, vez após vez, que a tradução para pagão, do latim paganus seja camponês. Ou o bom e velho caipira. Já devo ter escrito aqui e ali sobre a dicotomia que existia (existe?) entre o morador civilizado da cidade e o morador do campo. Mas sempre gosto de repetir isso porque é uma verdade fundamental.

    Convesando pelo MSN com um amiga virtual, "interessada em coisas esotéricas", perguntei se ela tinha visto a Lua Cheia, esses dias. E ela disse que não, que tais eventos sempre passavam batido. Temos um povo tão mergulhado em livros e teorias que não percebem a realidade básica: o segredo salta aos nossos olhos.

    Se não pudermos olhar para a Lua Cheia e nos maravilharmos, ou ver nas nuvens se choverá ou não, ou sentir no vento as mudanças de temperatura que se aproximam, não seremos paganus de verdade.
    Vários sítios arqueológicos encontrados possuem entre suas construções observatórios astronômicos, onde os solstícios e equinócios eram demarcados. Isto porque o sagrado e o comum estavam entrelaçados. Era uma questão de sobrevivência. O caipira sabia dessas coisas. Ele tinha que saber pois sua vida econômica dependia destas informações.

    O lance é deixar de olhar a terra como um lugar para extrair para ser o lugar onde vamos nos encaixar. Apesar de termos construído um mundo sobre a terra, essas duas partes não tem conversado muito bem. Mas estamos dando grandes passos nessa direção, vide a agricultura orgânica e dos telhados verdes. São soluções tímidas, mas toda caminhada começa com um passo pequeno.

    E a questão da terra nunca foi tão discutida no país, desde as Ligas Campesinas, passando por alimentos transgênicos, até o atual MST. São coisas do campo que afetam as vidas das cidades. Afinal, contrariando a ideia das crianças um pouco mais ingênuas, a comida não vem do supermecado...

    Agora é diminuir o ritmo das coisas, porque não dá para prover todo mundo de tudo que existe por aí. Esse negócio de modernidade, desta corrida louca pela última novidade... isso tá acabando com a gente! Precisamos repensar os modelos que temos e preparar o futuro que nos aguarda amanhã, quando acordarmos.


    E vamos de uma modinha de viola?

    quinta-feira, 18 de setembro de 2008

    LIÇÕES DIFÍCEIS




    Conta-nos textos inspirados que a Deusa era una no universo até que um dia gerou de si mesma Outro ser semelhante a Ela, mas diferente. Seu oposto e seu complemento. Ela o recebera primeiramente como Filho e depois como Amante. A partir então da união deles então surgem todas as coisas. No tempo certo, porém, seu Outro sucumbe e morre, retornando ao Ventre Sagrado. Mas não é o fim, porém, e sim um novo começo, renovado. O que seria um erro então se torna a salvação.


    No Princípio

    A Biologia reconhece este fato descrevendo uma das formas mais simples de reprodução é a divisão de si mesmo em duas partes. O único problema desta forma de reprodução é que ela não gera variedade, ou como gosto de chamar, aprendizado. Se todos forem iguais, todo sucumbem pelo mesmo mal.

    Sem variedade só se tem a extinção. Mas então algo dá errado, e o que não programado acontece, surgindo alguem diferente. O fim chega somente para os que não se modificam. Quando esta mudança salva nossas vidas, nós a chamamos de evolução. Posteriormente inventamos o termo masculino e feminino, ele e ela. Mas biologicamente o masculino somente é um feminino diferente.


    Tecnologia

    Vivemos em uma sociedade onde dependemos profundamente de complexas máquinas. Quando pensamos em máquina, falo não só da calculadora ou do meu computador, mas de itens maiores como aviões, navios e redes elétricas.

    Nossas primeiras máquinas, como lanças, fundas, arados facas de pedra também são formas de tecnologia, das quais tudo o que possuímos hoje descendem. Estes aparelhos nos permitiram sobreviver à Natureza que sempre exigiu seu quinhão de seus filhos.

    Nossos remédios, instrumentos, máquinas e coberturas nos separaram gradativamente do mundo natural e aprendemos a criar outro meio-ambiente. Então despertamos nossa consciência, tomamos conta daquilo que chamaríamos de realidade. Apartados um pouco da Terra, apesar de para ela retornarmos e dela retirarmos nossa nutrição. E assim fazíamos com tudo a nossa volta: nossas casas, roupas e utensílios, tudo da terra nascia e para ela voltava.


    Sociedade da saciedade

    Mas a complexidade de nossa vida aumentou. E nossa separação também, afinal, nunca aceitamos o fim de nossa existência nem a dos nossos com bom grado. A morte nunca é bem vinda mesmo que inevitável. A separação do mundo veio a atender esta demanda, primeiramente: garantir uma existência mais estável e mais longa.

    E quando conseguimos atingir um certo patamar de tempo de vida, nossa busca se direcionou para a saciedade dos sentidos. A sobrevivência estava assegurada, e era hora do prazer. Prazer nas artes, na convivência com o outro, conosco e com os bens que nos rodeavam.


    Tudo que é de graça tem um preço

    Como dito, a complexidade de nossas relações só aumentou, e a demanda pela segurança de uns e o prazer de outros só acompanhou. Ao mesmo tempo, o número de pessoas no mundo nos empurra em direção às fronteiras da terra, a conquistas de novos espaços e recursos. Pressionamos cada vez mais. Seguramos pelos pulsos Aquela que nos gerou e gritamos "mais, Mais, MAIS!"

    Falamos todo dia nos jornais em "desenvolvimento". Achamos que as crises são desastres menores no caminho. Mas estamos desequilibrados, e mais agora do que nunca, porque somos muitos e nunca em nossa curta história estivemos tão distantes e violentos. Pequenos erros podem trazer grandes conseqüências devido a esta complexidade que criamos.


    Perguntas Pertinentes

    O fato que todo o desenvolvimento tem um patamar. E o que chamamos de crise é a volta do pêndulo. Cabe então a seguinte pergunta: * Demorará para percebemos que em muitos lugares do tempo e do espaço ou atingimos ou ultrapassamos os limites? * É possível aproveitar este recuo para aprendermos algo sobre nós e a Terra?

    sábado, 28 de junho de 2008

    DA ENTREGA



    "Praticar a Religião é um ato de entrega e não é à toa que falamos de fé. Nada de filosofia de vida, esta coisa indefinível que não compromete ninguém. Sem entrega, sem esta leveza na alma, não há culto, não há religião."

    Certa vez eu escrevi esta frase e quero confirma-la aqui: religião é um ato de entrega, no qual colocamos aquilo que carregamos no peito. Não são as luzes ou sacerdotes vistosos de fala fácil. É algo mais profundo e pessoal, ao mesmo tempo que é compartilhável. É uma paixão, inexplicável.

    O mesmo é possível dizer sobre o movimento ambiental: não é somente a montagem de uma ONG que torna a defesa do meio ambiente viável, mas o compromisso diário e sincero em fazer coisas simples, cotidianas.


    Lições da Mãe

    A natureza ensina melhor, aprendi com a Deusa. E a natureza diz que o melhor é fazer as coisas pelo modo mais simples. O sol não se esforça para brilhar, nem as plantas para crescer. São coisas feitas (olha que óbvio!!!) naturalmente!

    Este Fazer Melhor é algo que se realiza no cotidiano, nas ações corriqueiras, nas decisões que tomamos a cada passo, seja no trabalho, na escola, em casa.

    Então fica a nota aqui: quando quiser que algo aconteça, seja simples começando por si mesmo, pois é assim que as montanhas e florestas agem.