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sábado, 13 de agosto de 2011

OS METEOROS




A chuva de
meteoros na primeira quinzena de agosto de 2009, oriundos do cometa Swift-Tuttle
me fez ter pensamentos diversos. Um deles foi lamentar morar tão perto das luzes da cidade, o que me impossibilitou de ver o fenômeno em todo seu esplendor, apesar de eu ficar na janela boa parte desta madrugada fria. Felizmente outras partes do mundo tiveram um espetáculo de nota, segundo os sites de notícia.

Outro pensamento que me ocorreu foi sobre outros objetos astrais, maiores que as ervilhas que caíram dos céus. Pensei nos cometas e nas transformações que eles causam em nosso mundo e psiquê. Um desses exemplos é o astro que caiu no próximo ao Golfo do México, na península de Iucatan. A devastação causada por este asteróide fora de proporções gigantescas, afetando toda a vida na Terra.

Ao mesmo tempo, o impacto que pode ser devastador também pode trazer elementos novos a diversidade do planeta. Há uma corrente de pesquisadores que atestam os cometas como semeadores da vida na Terra através da adição de compostos orgânicos contidos em seus núcleos. O que me sugere uma imagem interessante: o cometa como um grande espermatozóide que contribui com seu "patrimônio genético" no gigantesco "óvulo" que seria nosso planeta.

Lembrei ainda
da queda de Faetonte, filho do Sol, cujo o desejo era cavalgar no carro de seu pai e incendiou céus e terra por conta de sua inabilidade com os cavalos selvagens do Deus. Pesquisando depois descobri que há um asteróide com esse mesmo nome. Quem sabe não era nosso jovem personagem um ser celeste que caiu sobre a terra e cuja a história foi passada de pai para filho nas rodas em volta do fogo?

São nessas coisas que eu penso enquanto observo o céu noturno.


Falando em céu noturno, assista a um vídeo muito bom sobre o tema. É uma coletânea de diversas fontes amadoras que gravaram a passagem de meteoros. Gostei demais!




Notícias Meteóricas


Aproveitando o tópico aberto anos atrás, relato a vocês as novas aparições destes pequenos e interessantes corpos celestes.


Eta Aquariids


Eita, que nome é esse? Rs! Guarde este nome porque na sexta, dia 06 de maio, este será o endereço de uma chuva de meteoros. Os mais velhos devem se lembrar do cometa de Harley, que passa perto de nós a cada 76 anos. A passagem dele pelo sistema solar deixa um rastro de escombros.

Todos os anos a Terra atravessa este caminho das pedras sideral e temos a visão de corpos brilhantes no céu nas proximidades da constelação de Aquário. E daí o nome Eta Aquariids, homenageando uma das mais brilhantes estrelas desta constelação.

Por acidente, enquanto levava a esposa ao ponto nesta madrugada fria e sem lua, tive a sorte de olhar para o céu e acompanhar o galopar de um destes corpos! Será que nesta madrugada de sábado seremos brindados com mais um espetáculo?


Link da notícia AQUI. Agradeço ao Rafael Nolêto por nos lembrar em seu Twitter.




Perseidas


Soube muito em cima da hora, mas teremos nesta madrugada, 13 de agosto de 2011, outro espetáculo celeste, de acordo com a reportagem (leia AQUI). Isso porque passamos pela cauda do cometa Swifft-Tuttle:


"João Paulo Delicato, diretor do Planetário Professor Aristóteles Orsini, explica que este fenômeno acontece quando a Terra atravessa o rastro do cometa Swift-Tuttle. "Este rastro é composto por pequenas partículas do tamanho de um grão de feijão", diz ele. "As partículas, que estão a altíssimas velocidades (entre 300 e 400.000 quilômetros por hora), entram na atmosfera e se incendeiam em atrito com o ar.""

Vai lá fora ver!

terça-feira, 21 de junho de 2011

A MAIS ESCURA DAS NOITES

Olá a tod@s!


Como vão vocês na mais escura das noites?


Pensei muito na questão da noite escura conforme o sol descia ao horizonte. Passava um pouco das 17h20 em São Paulo e o manto de Nix avançava pelo céu com incrível rapidez. Mas nós moradores das cidades vivemos dias artificiais através das luzes elétricas, longe das florestas negras e criaturas da noite.


Então não temos a exata percepção da importância da data e de como o astro-rei nos é essencial. Só quem vive à maneira antiga, e os enclausurados, sabem o que é perder o sol. Imagino o desespero de Korê e de Deméter, cada uma vivendo a sua própria escuridão e desespero. Leia sobre minhas percepções de Korê/Perséfone/Prosérpina AQUI. 


Lembrei de Korê, a Deusa Raptada, na noite de ontem assistindo a um documentário que me tirou boa parte do sono. Este falava de duas meninas russas raptadas, mantidas cativas no subsolo e seviciadas por quase quatro anos em troca de comida e água. Para elas foi o mais longo dos invernos. Leia AQUI.




"Não Sou Vítima"


Mas lá nas profundezas, entre as garras da morte elas encontraram suas forças. Primeiro em si mesmas e depois uma com a outra. Desta forma enganaram seu carcereiro, pediram socorro e foram libertadas. Seu agressor preso e mandado para Sibéria. Eu pensei "Minha Deusa, ficaram marcadas para sempre". Mas qual! Tempos depois voltaram as duas, entraram no cativeiro e perceberam que o medo que sentiram fora embora. Ambas casaram e são felizes ao que parece. "Não somos vítimas. Nunca pensei em mim como vítima", exclamou uma delas.


Hoje é a noite mais escura, e/ou fria e/ou estéril do ano e ao mesmo tempo tal data é carregada de promessas. Pois foi em uma época como essa, onde um dia nossos temores parecem mais profundos, que uma Korê raptada encontrou sua força e se transformou em Perséfone. Sabe como?


Dando um sentido à sua vida. "Sou uma Deusa, filha de uma Deusa. Quero viver e ensinar a outros o que sei. Ensinar através daquilo que vi e vivi.", ela disse. E nas profundezas da terra uma luz de seu amor para nós brilhou. E foi essa luz que não só iluminou seu caminho de volta como serviu de farol para outras almas que quiseram retornar à Roda da Vida.


Nossas meninas russas fizeram seu caminho de Perséfone também, pois amaram a Vida e uma a outra na escuridão infernal e foi esta força que as levaram para luz. Foi a lição de Yule que aprendi este ano.


Também somos filhos do Deus e da Deusa. Encontre o sentido para sua vida, algo que vá além de você mesm@ e foque nisso neste ano que se inicia. A caminhada logo se iniciará. Junte suas forças!


Saúde, amizade, liberdade!


Feliz Yule.




Sergio Thot.




terça-feira, 7 de junho de 2011

"A VIDA É BREVE. A MORTE, CERTA"

Olá, como vão tod@s?

Ig. N. Sª do Rosário - Ouro Preto
No mês de maio tive contato com o Barroco mineiro através das obras expressas nas igrejas de Ouro Preto, em Minas Gerais. Pela primeira vez me aproximei de algumas obras que só via em livros didáticos da infância ou em fotos. E digo a vocês, parafraseando Belchior, que ao vivo é muito melhor! Rs!

É difícil separar o movimento artístico da religiosidade pois a Arte, queira os artístas ou não, é também uma forma de expressão de sua época e com o Barroco não foi diferente (detalhes AQUI). Nascido em um momento de cisão dos cristãos europeus, entre outras causas, seu principal pensamento era evidenciar a divisão entre os mundos material e espiritual e mostrando é claro as vantagens deste último. E nada melhor para evidenciar tais vantagens que usar as imagens da morte.


A Morte Lhe Cai Bem

A Europa na Era do Barroco tinha muitas dificuldades: convulsões políticas, econômicas e sociais, doenças e guerras ceifando vidas jovens. Numa situação onde o poder constituído precisa instaurar e manter a ordem, nada melhor que o terror e a chantagem.


Mas é preciso ser sutil com as massas, afinal, como diz a nossa Constituição, todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Isso vale para qualquer nação. Para melhor dominar esta massa, (ou seja, você) é preciso dominar seu coração, seus anseios e medos porque assim é mais barato. Quem domina se coração, te domina. E para propagar sentimentos e sensações de maneira rápida para uma multidão de analfabetos as artes são sem-igual.

Arte de Pieter Claesz


Vanitas


Tendo a morte e a danação eterna como aliadas, bastava apenas apontar as opções: a virtude ou o vício. Os artistas chamam esta dicotomia de Vanitas (detalhes AQUI), onde em uma obra é expresso o pensamento que entitula este texto:

A vida é curta. A morte, certa.

Vi estas referências na maioria das igrejas de Ouro Preto. E não é para menos, já que a cidade se firmava em um dos veios auríferos mais ricos da nação. Em um meio assim a guerra entre o vício e a virtude eram evidentes. Mas como estava expresso em uma das igrejas visitadas, bem na entrada e pintada no teto "In hoc signo vinces", ou "sob este sinal, vencerás".



Samhain


Andei muito pela cidade velha com estes pensamentos na cabeça, principalmente porque a sombra do Samhain ainda pairava sobre o mundo. Olhando para as lápides dos diversos pequenos cemitérios das cidades, vendo as datas de nascimento e morte das pessoas, imaginei que tipo de de vida tiveram.

Foi quando lembrei de Sêneca, em determinado momento do percurso, que afirmava:

"A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai".

A arte vanitas diz "lembre-se que morrerás". Já o filósofo romano afirma "lembre-se de viver". 

Confrontando estes dois pensamentos me surgiu então um terceiro: a vida pode ser curta ou longa, depende daquilo que fazemos e de nossa percepção dela. Observando a vida hoje acredito que é melhor lutar a favor da vida que contra a morte. Acredito que o inferno e o paraíso podem ser no aqui-e-agora. Acredito que se eu vier para este mundo novamente quero achar um lugar melhor que o deixado quando habita um corpo anterior. Sim, quero criar o paraíso hoje!


Deve ser por isso que a imagem de pessoas arrebanhadas marchando para o paraíso não me agrade. Nunca fui muito de ter pastor. Se o Divino chegar para por ordem na casa, quero ter a alegria de dizer que já fizemos nosso dever e que a Humanidade finalmente pode resolver seus problemas.




Princípio Positivo

A declaração que fotografei e postei ao lado, somado ao pensamento do filósofo, indicam que já que estamos vivos, façamos nosso melhor.

Declaração em um dos muros da cidade.
"O princípio positivo é isto: se desejamos dar ao mundo uma contribuição de nossos valores, daquilo que temos de melhor em nós é nisso que devemos focar. É lógico que manter o foco no objetivo requer uma postura otimista sobre as coisas. Otimista e realista, diga-se de passagem, avaliando e trabalhando com o que se tem, ao mesmo tempo que se cria alicerces para mudança e crescimento futuros."
Confira AQUI.

Será este um pensamento falho? Minha vida dirá quando chegar o final da caminhada.

Ate lá, viver e não ter a vergonha de ser feliz, ainda que o inverno perdure.

Saúde, amizade, liberdade.


terça-feira, 10 de maio de 2011

MÃE DA HUMANIDADE

Olá a tod@s.

Que maio é o mês das mães todos sabem. Mas muitos desconhecem a origem da comemoração. A data moderna foi instituída graças a um grupo de mulheres que resolveram homenagear a mãe de sua amiga, Anna Jarvis, recentemente morta. 


Amor e Comércio

A intenção de Anna Jarvis e suas amigas de institucionalizar a data em nível nacional nos Estados Unidos da América foi muito boa, mas o comércio abraçou a ideia tal qual fez com outras datas comemorativas, como o natal. Afinal, todo mundo tem mãe e quanto mais filhos ela tiver mais presentes serão comprados e mais os comerciantes lucram com isso. Isso porém a entristeceu profundamente:
 
Jarvis, segundo o obituário no New York Times, ficou magoada porque muitas pessoas mandavam para suas mães um cartão impresso. Dizia ela que "um cartão impresso não significa nada mais que você é muito preguiçoso para escrever para a mulher que fez mais por você que qualquer outra pessoa no mundo. E tortas! Você leva uma caixa para a Mãe - e então come tudo você mesmo. Um belo sentimento!". Fonte Wikipedia.

O dia de comemoração varia de país em país, conforme esta tabela AQUI, e espero que o ímpeto de consumo seja o menor dos motivos para se ver e estar com as mães. Para a minha, por exemplo, não dei nada material. Mas a levei para ver nossos parentes em Pirituba, São Paulo. Fazia anos que eles não se encontravam e creio que tanto para ela quanto para minha tia e primos foi um belo e mágico dia das Mães. Ao menos a minha mãe ligou no dia seguinte em meu celular e, com a voz embargada, me agradeceu pelo presente. Certas coisas não tem preço!


Mães do Mundo

Quero também homenagear as Mães do Mundo, que sacrificam seus filhos para possamos sustentar esta ingrata humanidade ou que lutaram com todas as forças para que o bem e a fartura prevalecessem: Réa, Ísis, Cibele, Deméter, Gaia, Mani, Fraya, Iansã, Isthar e outros milhares de nomes pelos quais é mundialmente conhecida.


No domingo, indo para a casa da minha mãe, passei pelo cemitério e vi os vendedores ambulantes com buquês de flores e os filhos órfãos entrando no último endereço de suas queridas genitoras. Agradeci à Ceifadora por ter me concedido mais um dia das Mães com a minha nesta existência e segui em frente.

É como está publicado no blog Mulheres & Deusas:

"É um estado de espírito onde vamos direto a ELA, a natureza, onde vamos além do que nos disseram ser a realidade para realmente SENTIR o que é a realidade.

Nós pagãos(ãs) nos sabemos parte DELA, sentimos em nós o Deus e a Deusa em seus movimentos.

Por isso um (a) pagão sente os ciclos da vida e os celebra, as luas cheias e novas, os trabalhos da crescente e da minguante, sabe quando o sol nasce, o meio dia, o crepúsculo que nos é porta e a noite escura,véu que nos permite atravessar as fronteiras e nos aventurarmos em outros mundos pelo SONHAR."

Viva a Grande Mãe!

Sergio Thot

Ps.: Leiam também o texto de Larissa Pucci, no blog Janela da Alma, sugerido pelo A Alta Sacerdotisa e se emocionem!

domingo, 23 de janeiro de 2011

LIBERDADE DE PRESENTE

Por esses dias visitei o Museu Afro-Brasil, que se localiza dentro do Parque do Ibirapuera. Fora a primeira vez que fazia tal viagem cultural e realmente fiquei sem palavras. Não só pelas dimensões do museu, mas também pela diversidade de nossa história enquanto povo. Apesar do título, arrisco dizer que o acervo é bastante democrático e mereceria o nome de Museu do Povo Brasileiro. Polêmicas à parte, quero comentar com vocês coisas que senti enquanto caminhava pelas galerias.

Como pessoa de etnia negra que sou, visitar o museu serviu como parte da consolidação de minha identidade cultural, pois sou filho de uma Diáspora que durou 200 anos entre várias regiões africanas e o Brasil, e que terminou se maneira irresponsável. Há uma certa dívida que não pode ser cobrada em dinheiro ou pedido oficial de desculpas. É um vazio que só Thot, Senhor do Tempo, saberá curar.


Olhando os guilhões e correntes, as gravuras, os anúncios de época de negros fugidos, fiz um link com outro grupo que sofreu perseguições por ser o que é: os bruxos. Também sou um filho desta cultura que adotei no final da década de 90 e a comparação para fim foi óbvia e inevitável.


Liberdade de Presente 

Hoje em nosso país temos a liberdade de nos expressar de maneira livre mas nem sempre foi assim. As chamas da Inquisição também aportaram nesta terra trazendo outras formas de violência, como nos fala o historiador Rainer Sousa, no Mundo Educação:

"Em vários documentos de época, possuímos o registro de algumas situações onde homens e mulheres apelavam para os saberes místicos de alguns feiticeiros. Geralmente, essa opção era ativada quando os remédios e ações litúrgicas cristãs não surtiam o esperado efeito em alguém que sofria com alguma enfermidade física ou emocional. Muitas vezes, até mesmo alguns padres eram denunciados aos seus superiores por recomendar a ação desse tipo de prática religiosa.

"Para frear esse costume, os dirigentes da Igreja fizeram o requerimento das chamadas visitações do Tribunal do Santo Oficio. Essa instituição, criada nos fins da Idade Média, tinha por função combater qualquer tipo de manifestação que representasse uma ameaça contra a hegemonia dogmática católica. Em 1591, o clérigo Heitor Furtado Mendonça foi o primeiro a estabelecer essas visitações que investigavam os casos de heresia ocorridos no Brasil."
 

Hoje o máximo da perseguição que as bruxas sofrem hoje é muitas vezes o corte da mesada da mamãe.

Em minha visita ao Museu Afro-Brasil, parei diante de correntes e enforcadores penduradas na parede. O sol da tarde iluminava o corredor enquanto crianças passavam entre risos e brincadeiras, alheias aos instrumentos de dor ali presentes. Será que será tudo isso é coisa do passado mesmo? No Brasil, talvez sim. Em alguns países as perseguições continuam, pelos mais variados motivos e meios. A escravidão também. 

As pessoas negras e as pessoas bruxas desta terra tiveram perseguidores, períodos e motivações diferentes.  Mas a dor e o medo das pessoas não são iguais a todos? Nossa liberdade é um presente dado por centenas de pessoas que viveram, soluçaram, gritaram e morreram por serem o que são. Somos gratos por isso?

Convido vocês a visitarem o Museu Afro-Brasil, se vierem a São Paulo, e responder a esta e outras perguntas.

Saúde, amizade, liberdade.

Sergio Thot. 

Ps: segue a Dispara, com Jair Rodrigues. Os mais mocinhos nem vão assistir um vídeo em preto e branco, mas tinha que colocar este material, pois a época em que ele foi gravado é embremática, haja visto a presença de políciais em cima do palco e na platéia. Em 60's, as bruxas a serem caçadas eram outras.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

PROJETO 365

Olá, pessoas!

Conheci o projeto 365 através do Blog da amiga Hazel, o Casa Claridade. A proposta do projeto é simples: contar sobre seu dia através das fotos que tira  você em seu cotidiano. Um dia, uma foto. Isso pede um olhar diferenciado da realidade, um apurado grau de percepção tanto de quem "lê" como de quem "escreve" a história.

Mas como tenho o hábito que conhecem bem de olhar para o outro lado da história, me vi com a seguinte pergunta: teria eu cacife de não me repetir nas histórias que conto dia após dia? Lutamos tanto para ter um dia rotineiro, pegando sempre o mesmo ônibus no mesmo horário com as mesmas pessoas, rumando para ambientes controlados... Haveria espaço para a magia em nosso dia-a-dia?

E como é seu dia? Acontecem 365 coisas mágicas durante seu ano? Isto é uma decisão nossa, ou é algo sobre qual não temos controle? Ou são ambas as coisas?

Não raro desejamos que nossa vida seja rotineira. Emoções a gente compra pela tevê à cabo, ou com drogas lícitas ou ilícitas.


A Vida é Uma Montanha Russa

Lembrei da época em que morava de aluguel em cima da casa de minha senhoria. O marido dela, supostamente, era cardíaco e não podia passar por grandes emoções. Nenhuma. Isso tornara minha existência na casa um tormento pois andar pelos cômodos exigia mil cuidados para não fazer nada errado, nenhum barulho.

Curiosamente tudo de errado acontecia, o que me deixava estressado e triste. Mas certo dia mudei e tudo passou. E não adiantou nada proteger o homem de sua vida , pois o senhor acabou morrendo do mesmo jeito, com o sem emoção. Ela se foi um ano depois. E a vida segue.

Nossos problemas são tão gigantes... mas são só nossos. Para o resto do mundo o dia que passou foi só mais um dia. Talvez não seja interessante levar uma vida de carrossel todo o tempo. Devemos nos divertir também nas horas da montanha russa!

Conheça o Projeto 365 e nos conte em imagens como foi o seu dia.

Saúde, amizade, liberdade




sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

TRAGÉDIA ANUNCIADA

Vocês se lembram do tsunami ocorrido em 2004 e que devastou vilas inteiras no pacífico sul? Era uma tragédia anunciada. Sabe o significado destas duas palavras? Significa que alguém sabia que algo estava errado, que haveriam mortos e feridos e que nada ou pouco foi feito para impedir o ocorrido. Países do Círculo de Fogo, região do epicentro do tremor, têm (ou deveriam ter) meios para prever tsunamis e alertar a população local. A exemplo do Japão que deu nome que hoje usamos ao fenômeno do maremoto.

Quem assistiu os telejornais nestes últimos dias viu outro tipo de tsunami: o de pedras, árvores e tijolos descendo o morro com água, lama e corpos de pessoas varrendo a região serrana do Rio de Janeiro no início deste ano. Outra tragédia anunciada segundo o geólogo Álvaro Santos (veja AQUI a reportagem). Não vai longe: o ano de 2010 iniciou-se com as mortes em Angra dos Reis, com muitos mortos. Poucos meses depois tivemos os deslizamentos em Niterói, com casas construídas sobre um lixão!


Se você juntar duas competências, a de geólogo e a de metereólogo para que façam um estudo sobre as áreas de risco de certo lugar em determinadas épocas pode-se ter um mapa relativamente preciso de onde as pessoas não devem construir habitações. Ou de onde devam sair para que não haja risco de morte. Nem que seja à força. Radical? Bem, radical é a morte e ela chega e leva.



Vesúvio

Penso por exemplo nas cidades que vivem aos pés do Vesúvio, como Nápoles. É fato que o solo ao redor de vulcões é fértil, o que atrai as populações humanas há gerações. O nosso cimento, sem o qual não haveriam tantas estruturas gigantescas, foi inventado aos pés de vulcões ao se misturar suas cinzas com outros materiais graças à engenhosidades dos romanos e povos vizinhos ainda na Antiguidade. 


Ainda hoje este material é utilizado em diversas partes de mundo na construção, como tem feito nossos vizinhos argentinos na Patagônia que usarão os recursos disponíveis para a fabricação de casas, com tijolos feitos de cinzas vulcânicas, para construir casas populares. É descobrir a oportunidade na adversidade. Veja AQUI a notícia.
Vítimas do Vesúvio, em Pompeia




Mas não preciso dizer que as pessoas que lá residem conhecem os riscos que correm nas encostas de um vulcão ativo.


Se durante séculos os moradores usaram da sorte, dos instintos ou da providência divina para se safarem da morte, hoje é possível detectar tremores e ter planos de emergência para diminuir os danos. Mas aqui falo de erupção vulcânica, algo difícil de prever.

Que o diga as populações de Pompéia e Herculano, vítimas do efeito piroclástico que desceu as encostas do Vesúvio matando centenas em minutos e soterrando a cidade por 1600 anos. O moderno governo italiano pensou adiante:

"Em 1995, o governo italiano formou uma comissão cujo objetivo é traçar um plano de emergência para o caso de o Vesúvio voltar a entrar em atividade. O principal ponto do plano é evacuar 700 mil pessoas que moram nas áreas de maior risco num período de sete dias."

Fonte: Wikipedia 





Podemos Prever Tragédias?


Em nosso país todo verão chove! E a soma de água + morro + pessoas = tragédia. Sabendo disto, considero responsáveis os institutos de pesquisa meterológicas e topográficas, órgãos da defesa civil, as secretárias da habitação de diversos governos coniventes com a ocupação destes locais e os chefes de família que colocam seus filhos nesta situação perigosa. É... apesar do pesar que sinto das mães e pais enlutados chorando diante das câmeras que aumentam o close-up para melhor registrar suas lágrimas, tenho que lembrar que muitos sabem dos riscos quando constroem suas residências nestas áreas.

Não é possível confiar em parlamentares, infelizmente. Parlamentar, como a origem da palavra mostra, é uma pessoa cuja a função é falar. Blá, blá, blá interminável que começa e termina no período eleitoral, visando apenas conquistar votos e a manutenção de poder, cargos e salários. Que prefeito terá culhões para enfrentar bairros inteiros e dizer o óbvio? De que se os habitantes permanecerem ali correrão o risco de morte e que serão desalojados?

Toda cidade possui um limite habitável determinado pelas condições que a natureza lhe impõe. Quando ultrapassamos este limite estamos por conta e risco e esta é uma informação que tem que ser dita em alto e bom tom. 

Depois que fornecermos nossa ajuda e solidariedade através de alimentos, água, produtos e higiene e limpeza é preciso sentar e conversar seriamente sobre como fazer com que no verão de 2012, afim de não iniciarmos o ano com imagens de crianças mortas emergindo da lama nos braços de bombeiros em prantos.

Certo?

S. Thot 

Ps.: na segunda semana de março o Japão foi sacudido por um dos piores abalos dos últimos anos. O terremoto, acima de 9 graus de magnitude, causou na seqüência um maremoto e, entre outros estragos materiais, a explosão de uma de suas usinas nucleares (Fukushima Daiichi). A contagem dos mortos, feridos, desaparecidos e desabrigados continua enquanto o mundo presta sua solidariedade. Há coisas que mesmo prevendo são difíceis de contornar.




ALMA NOBRE


Sempre penso que as pessoas devam ser os heróis e heroínas de suas vidas. E isso significa mergulhar na lama da vida sem ser parte dela. Tarefa difícil. Ter a alma nobre é enxergar e criar além do comum, acredito.

É tornar o lugar onde mora  uma Paris. Quem não quer morar em Paris? Eu quero! É uma cidade que me fascina, cuja a mais famosa igreja, Notre Dame data dos anos 1100! E que antes dela havia ali um templo dedicado a Júpiter construído pelos romanos conquistadores. E que antes deles os celtas provavelmente já usavam o lugar para suas cerimonias. Podem sentir o que eu falo?

Mas Roma não foi feita em um dia, nem Paris, Londres ou Lisboa. São fruto de uma construção física e psíquica em que dado momento alguém disse para si e para os outros: epa, existe algo grandioso aqui! E em mim também!

Todos estes lugares nasceram como aldeamentos vira-latas. As cidades são a soma de pessoas, de residências, de pensamentos e ações comuns. Em Londres não faz muito tempo as pessoas jogavam o conteúdo matinal do penico nas ruas. Hoje, se assistir a reportagens internacionais e reparar nas ruas verá que elas estão limpas e organizadas. É uma amostra de uma cidade que é consciente de ser uma das vitrines do mundo. Mas teve que haver o momento do estalo, da epifania, da revelação.  E neste momento foi possível vislumbrar um futuro diferente e uma capacidade de liderança do próprio destino.

Você pode dizer o mesmo de si ou do lugar onde mora? Pode afirmar com segurança que é você é uma referência positiva para outras pessoas em contraste ao modelo midiático atual? Quem é ou será a heroína de sua filha? As grandes mulheres do passado representadas por você ou alguma siliconada barraqueira do BBB 11? 

Temos a chance incrível de transformar a nós mesmos e ao lugar onde moramos. De sermos heroínas e heróis de nossa históiria. Podemos escolher que o bairro em que moramos seja um Haiti ou uma Suíça. E isso não vem do nada, não é de graça, mas passa pela organização, limpeza, estudo, trabalho. Temos uma geração inteira de jovens que detestam estudar e que não ligam as palavras trabalho à progresso.

"Mais do que criar uma extensão do Bolsa Família para a faixa até os 18 anos, como foi feito agora, a pesquisa mostra que é preciso despertar e conquistar o interesse do jovem em permanecer na escola."

 Fonte: O Globo
 


Sim, lamento ser o portador de notícias ruins, mas não é possível sustentar um país de Tiriricas. Já basta um que mal chegou no Congresso Nacional e pegou um aumento de 60 e poucos por cento  em seu salário de parlamentar enquanto a maioria dos trabalhadores levou 10 vezes menos para casa. Bem, o mal está feito e seguindo a tradição pão e circo de nosso país, as coisas ficarão como estão.

Sigamos em frente.

Não importa o quanto o corpo se suje, desde que sua alma esteja limpa. Se sujar faz bem! Rs!

Saúde, amizade, liberdade.


S. Thot 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

31 DE OUTUBRO É DIA DA DEMOCRACIA (DE NOVO!)



Pois é... estamos aí novamente, cara a cara com as urnas em todo o país. Após o primeiro turno, onde 1 milhão de Tiriricas elegeram um cidadão que  não sabe qual a função desempenhará para ganhar mais de R$15.000,00, fora benefícios. Quem votou no Tiririca não elegeu uma proposta. Nem sequer uma pessoa. Foram 1 milhão de votos (e quatro candidatos-nanicos eleitos à reboque) para uma imagem, um personagem de circo.

Não digo que sou contra o voto, que sou saudosista da Ditadura Militar no Brasil e outras sandices. Considero o sufrágio uma excelente ferramenta. Mas o processo eleitoral do brasil, apesar de ter uma estrutura excelente, cujo o simbolo é a urna eletrônica, carece de mudanças em sua base.

Temos eleições muito personalistas. Não existe um debate técnico sobre as propostas de governo, sua viabilidade e aplicabilidade. O que se vê na tevê não constrói um pensamento político sadio e estruturado. Somente divide a nação entre "nós" e "eles" em um processo que conheci em outras instâncias.

Me envolvi na política partidária em 90, graças ao movimento estudantil em minha cidade. Os grêmios, como os sindicatos e outros órgãos, eram vistos (e são) como braços dos partido e percebi o quanto é vertical, hierárquico, personalista e restritivo são os processos decisórios. Minha visão era ter o partido a serviço da entidade, e não o oposto.

Os debates internos eram marcados não pela racionalidade, mas pela emoção e, vez ou outra, meias-verdades. Com o tempo aprendi que queria eleger mais um programa de governo que uma pessoa ou grupo. Porque as pessoas passam, mas o programa e o grupo ficam. Mais de uma vez vi as massas se enfrentarem nas plenárias enquanto nos bastidores os líderes confabulavam. Fui perdendo o tesão.

Após o desgaste inevitável, deixei a política partidária em 99. Mas a vida política continua. Pois ela não se restringe ao Palácio do Planalto. Política é a soma das relações humanas no ônibus, na rua, no emprego, na cama, na cozinha, com o vizinho, com o desconhecido.

Lavar ou não a louça na pia determina naquele momento qual o tipo de relação de poder tenho em casa. Se cada ato é sagrado, cada ato também é político.


Separatismo

Estas eleições tem sido marcadas pela questão religiosa sobre assuntos civis como aborto, união civil entre pessoas homoafetivas e afins. Apesar do Estado ser laico segundo a Constituição de 1988, a população não o é. E é atrás destes votos que candidatos D. e S. correm. Como se durante quatro anos estes fossem os únicos temas a serem colocados em pauta.

Esse papo de bancada evangélica me lembrou algo. Faz uns anos que me foi sussurrado nos ouvidos uma proposta de partido pagão. Não sou a favor da setorização das pessoas. Lembra a criação de guetos, como o de Varsóvia. Sejamos cristãos ou pagãos, temos que comer, vestir, morar, nos movimentar. Um partido não deve governar para poucos nem em cima de um ou outro tema. E nem a nação se deixar levar pelo canto da sereia.

Quando as pessoas se separam, se coisificam.

Meu desejo é que num futuro próximo possamos eleger propostas viáveis para a nação em todos os campos básicos e deixemos de dividir o país em "bancadas" e "partidos". Quando aprendi que posso fazer política fora das plenárias durante o ano inteiro e não só quando entrego meu voto a uma pessoa, entendi o real valor dele. E entendi que hoje as pessoas e o modelo estão abaixo das minhas expectativas. Desde 1994 não elejo ninguém para qualquer cargo público.

Mas não quero que esta seja a tônica desta eleição, pois temos milhões de pessoas adultas que não tem responsabilidade política para se autogovernarem, e tão pouco serem coautoras da administração de uma região. Estas precisam (merecem?) os candidatos que se apresentam.

Que a Deusa tenha piedade de nós.


Saúde, amizade, liberdade.


S. Thot.

Ps.: entrou em vigor a lei da Ficha Limpa, válida já para estas eleições. Um fato curioso é que gente que tinha a ficha suja foi eleita, muitos com grande margem de votos, sendo preciso usar o poder da lei para retirar estes elementos das cadeiras do Congresso. Incrível como o povo necessita de um guia para tomar decisões corretas! E o quanto uma nação corrupta se reflete em seus parlamentares!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

03 DE OUTUBRO É DIA DA DEMOCRACIA


Se você me lê provavelmente tem lá seus 20 e poucos anos, talvez menos. Com certeza nunca conheceu o console Atari, nem viu a primeira transmissão da MTV usando um conversor ligado à televisão, talvez só tenha visto LPs em sebos e nem sabe como ligar o toca discos. Duvido até que não saiba como era a vida sem internet, celular e outros gadgets.

Se acertei então provavelmente você não sabe o significado das palavras Estado de Exceção, Ditadura Militar ou Ato Institucional. Não, não vai saber. Nem Plano Econômico, Inflação Galopante, Fiscais do Sarney, desabastecimento, moratória. Não conheceu as tabelinhas da URV, cruzado-novo, cruzado e cruzeiro, nossas antigas moedas.

Nunca sentiu o asco de ver as caras dos Presidentes, de Figueiredo à Collor nas famigeradas Semanas do Presidente que passavam aos domingos no SBT. Você sabe porque viu no livro, ou no Youtube. Mas respirar aqueles ares...Você, do ponto de vista político, nasceu em berço esplêndido.

Portanto não sabe o valor real que tem o voto. Talvez saiba porque leu, mas não teve esta vivência in loco, esta carga emocional que sedimenta a opinião. Muita coisa aconteceu e gente deu a vida para estarmos aqui hoje.

Bem, a despeito de todos os mortos e desaparecidos que fertilizaram o caminho até aqui, ainda temos personagens como Tiririca que desrespeitam o sufrágio universal, processo democrático e os eleitores. Não posso pedir que a candidatura dele  seja impugnada porque ele faz piada das eleições, participando delas, mas posso pedir que não votem no homem e em seus assemelhados só porque a piada é boa. Candidaturas de fachada fazem com que esses votos perdidos vão para as legendas dos partidos nanicos que tratam da eleição como se isso fosse um jogo. Não é.

E, falando em partidos, meu mais profundo desejo é que um dia deixemos de sermos separados em partidos e que sejamos unidos por um mesmo país. Se puder estender a utopia, até nos confraternizarmos com as outras nações deste continente como os hermanos argentinos que tem muito mais semelhanças conosco que diferenças.




Direitos & Deveres

O direito ao voto, como o direito de ser reconhecido como ser humano, é algo de profundo valor e merece um tratamento mais honroso que é dado pelas mulheres-pera da vida. 

Mas nossa responsabilidade política não termina neste domingo, mas nele se inicia, sendo seu voto útil, de protesto, branco ou nulo. Pois política não é a escolha de um candidato, mas as relações que travamos em todas as esferas da sociedade: na mesa de jantar, na cama quando amamos, no emprego, no trânsito, na fila do banco.

Na manhã de 3 de outubro, quando se levantar e preparar-se para ir a urna eletrônica, no frio de Porto Alegre ou no calor de Belém, saiba que não pisará somente em santinhos espalhados pelo chão (crime eleitoral e ambiental!), mas nos sonhos de homens e mulheres que escreveram com ferro e fogo as palavras Liberdade e Democracia nesta Mãe Gentil, Mátria Amada, Brasil.

Vote com cuidado.

Ah, leia também: Eleições 2010.

E tem mais esse, no blog amigo Mater Mundi. A urgência das palavras da autora Nana Odara falam por si só.


S. Thot.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

COMEÇAR DE NOVO



É isso aí, gente. Passados os festejos da Candelária é hora da preparação espiritual para um novo ciclo, apesar das rajadas de inverno ainda persistirem mais algumas semanas. A natureza não segue o calendário. Aliás, é o oposto, rs!

Recomeçar é sempre uma tarefa árdua, pois saímos de nosso útero quentinho para caminhar rumo ao Desconhecido. Este Útero Primordial pode ser a nossa casa, ou a escola que conhecemos, o emprego que perdemos, ou uma situação que não nos comporta mais. Ou ainda pode seu o próprio útero mesmo!

Haverão centenas de conselhos falando de como é adequado sair da tal Zona de Conforto e blá-blá-blá, mas a verdade mesmo é que todo mundo sonha somente em ficar na rede a beira da praia, na sombra, tomando água de coco.

Deixar o bem-bom justificando a frase "eu adoro desafios" só é legal quando é divertido. E quando não é, só fazemos as coisas que devemos fazer por ser estritamente necessário. Logo o estímulo ideal é a alavanca para que o Divino que mora em nós (entusiamo) ligue a chave "on/off" e nos impulsione rumo as aventuras. Somos humanos e vamos além das necessidades básicas, como diria Maslow e sua Pirâmide. Querendo ou não.


E lá vai eu falar do Herói novamente...

Creio que já estão cansados de meu papo sobre o herói, não? Mas gosto sempre de relembrar o quão importante é a ação frente ao Desconhecido. O fato é que ao sairmos do Útero, não importa o que façamos, retornaremos a Ele. É a entropia, onde tudo tende à retornar ao Caos.

Nós também! Estou lembrando vocês sobre a Brevidade da Vida e de que o relógio já está funcionando. Tic-Tac! E depois que mergulhamos no Oceano Primordial tudo o que fica são nossos feitos contados pelas gerações.

Esta é a hora de limpar as ferramentas, repassar os planos, aquecer os músculos. Lá fora nos espera a multidão que grita nosso nomes. Pode ouvir?


Boa Sorte!



sábado, 31 de julho de 2010

DAS ORIGENS




Este post nasce não em SP, mas na Bahia de todos os Santos. Minha mãe e eu fizemos uma viagem emergencial devido a problemas familiares e nosso voo chegou na sexta a tarde após uma conexão demorada em Salvador. Esta viagem teve diferentes significados para ela e para mim. A minha véinha não visitava a terra-natal fazia exatos quarenta anos! E eu consequentemente nunca tive muito contato com essa parte da parentada.


Fomos recebidos pela minha prima e o cunhado dela no aeroporto e de lá para a casa de minha tia, na periferia de Ilhéus. Enquanto atravessávamos a ponte que une a cidade ao continente (ou vice-versa?) Mãe tentava reconhecer na nova paisagem velhos rostos e formas, mas quase sem sucesso. Dispensa dizer que o encontro entre ela foi repleto de repreensões ("ficou tanto tempo sem escrever nem nos visitar" e lágrimas.

Para mim foi revelador porque tive uma overdose de trejeitos familiares, de vícios de linguagem, de hábitos. Foi curioso ver traços marcantes meus e de meus irmãos espalhados em outras pessoas, rs! Foi engraçado ver minha mãe discutir amorosamente com os irmãos dela! E me perguntei se serei assim quando ficar (mais) velho também. Como cresci longe destes laços de família achava que estava imune a este tipo de amor, mas me enganei. Apenas não fui apresentado a irmandade dos primos, ou à proteção e maus conselhos de um tio porra-louca, nem tive o amor, bolos e broncas de vó.


Meus elos com a minha ancestralidade eram curtos.
Mas agora estou reparando estes problemas, finalmente e apesar de tantos anos. De certa forma foi um presente de Candelária para mim e aceito de bom grado. E desejo a vocês caros leitor@s que reencontrem também suas raízes e as fortaleçam. E se deixem levar por outras Terras&Eras.

Abençoad@s sejam!






segunda-feira, 21 de junho de 2010

DESCANSO






"Eu quero o silêncio das línguas cansadas...
"
Casa no Campo, Música de Zé Rodrix, conhecidíssima na voz de Elis Regina


Uma parada na caminhada agora... para pensar sobre o ano que passou e sobre as coisas que virão. Arar os campos e jogar novas sementes. É uma batalha épica esta que travamos. Épica, mas silenciosa e distante das grandes platéias. Somos o autor, ator e audiência de nossa vida.

E agora que o relógio solar atinge seu ponto mais baixo no horizonte só resta, a ele e a nós, descansar nesta cama imemorial. Pois todos estamos submetidos as regras da Vida e só nos cabe fazer o melhor com o que temos, torcendo para que o esforço encha os celeiros de nossa existência.

Os ventos do sul sopram com força e assoviam nos cantos da casa, fazendo a mesma pergunta todo ano: suas provisões durarão até a primavera? Tudo que morre é Pai, e o erguemos da Terra em nosso sustento, cortanto suas hastes, debulhando, moendo e assando. Mais uma vez é Seu sacrifício. Mas será suficiente?

Sim, espero que sim. Enquanto isso descanso junto com a terra, à espera do calor e das chuvas.

Boa noite



Sergio Thot.