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terça-feira, 6 de setembro de 2011

VAMOS SER FELIZES?





"Escolha ser feliz. Ou seja infeliz mas sofra calado por favor. Não incomode quem decidiu ser feliz nessa vida."


Luna Peregrina


Olá, como vão?


Em uma conversa com Luna Peregrina lembrei de outras que tive anos atrás com alguns colegas de trabalho sobre a escolha de ser feliz. Para mim é possível realizar esta escolha. Loucura né? Sim, na época também me chamaram de louco e de idiota.


Mas acredito que podemos levantar da cama de manhã de uma maneira não mecânica, nos espreguiçarmos, calçar os chinelos, bater as mãos nos joelhos e fazer um pergunta interna: "quero ser feliz hoje?". Continua achando loucura? De fato, não é algo trivial para se perguntar. Mas tudo tem a ver com o Entusiamo.




Um Deus Dentro de Si


Escrevi certa vez sobre o Entusiamo (clica AQUI), esse pedaço do divino que mora em cada um de nós e nos leva adiante. É dessa loucura, desta inspiração que falo. Mas em geral não é algo que vem de fora. Como o próprio termo diz, este alimento a gente tem enfiando a colher na própria alma e se alimentando dela. Só que os efeitos são interessantes. Quanto mais se come, mas comida aparece, como o maravilhoso caldeirão Undry do Deus Dagda (Leia AQUI).


Aliás, o próprio Deus merece uma menção honrosa. Dagda, de acordo com os Farrar é uma divindade ligada aos ritos da vida e da morte e de todo conhecimento que estes dois pólos abarcam. Mas apesar de todo este poder nossa visão dele o coloca mais como um deus bem-humorado que alguém sisudo e compenetrado.


"Parece que Dagda inspira ao mesmo tempo respeito e zombaria, sendo representado como um deus grosseiro e barrigudo com roupas de camponês."
O Deus dos Magos, de Janet e Stewart Farrar


Bem, como já escrevi aqui anos atrás sobre as Divindades Aristocráticas (leia AQUI), o que esperar de um deus de camponeses, de caipiras? Que ele se vista como um caipira também. E não duvido que parte da zombaria a ele atribuída não venha de classes mais "nobres", como os guerreiros profissionais. Para quem vive no trabalho diário, o que importa são as ações de seu trabalho e a defesa dos frutos da terra. Neste ponto deuses como Dagda e Thor cumprem bem o seu papel de defensores bem-humorados dos campos um tanto tolos pela visão externa, mas extremamente amados pelos seus cultuadores.




Loucura do Mundo


Tal e qual Dagda, não dá para ser feliz e não ser louco aos olhos de todos. É preciso ter essa dose de insensatez para sobreviver ao dia, receber inspiração, olhar além daquilo que se apresenta.


É como canta o Poeta na balada do louco (Letra completa AQUI):


Dizem que sou louco
por pensar assim
Se eu sou muito louco
por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz


Mas apesar de tudo, do emprego, do passado, do presente e do futuro é preciso desanuviar os olhos. É preciso abrir o peito. É preciso ser louco. É preciso ser um idiota e fazer a pergunta simples.


Você quer ser feliz hoje?


Saúde, amizade, liberdade.




Sergio Thot.

sexta-feira, 4 de março de 2011

VALOR IMATERIAL

Boa noite à tod@s.

Conversava eu com uma ciberamiga, a Eloá Cossa, uma artista de Mauá (cidade da Grande SP) sobre nossas cidades e como elas carecem de coisas essenciais. Confira AQUI os trabalhos dela.

 Como eu, ela se preocupa com as relações sociais travadas na celula-mater da civilização, o ajuntamento humano primordial que é a cidade. Pensem bem: o que seríamos nós sem as cidades? Somente nelas podemos reunir as melhores cabeças e braços para conseguir o mínimo de segurança e conforto necessários. O contrário disso é a barbárie. Bem, parece que há um deserto nascendo no meio das cidades e nele nasce o caos, como aquele buraco negro no centro de nossa galáxia.

De certo modo isto se dá pela coisificação das pessoas. Na coisificação as pessoas perdem valor e ganham um preço. Imagine: se as coisas já são descartáveis, imagine o que se fará com as pessoas? A cada ano nascem centenas de humanos que serão auxiliares disto, meio-oficiais daquilo, prontas para concorrer com quem tem ainda que comer mas que já são velhas, desgastadas, descartáveis. E como nascem muitos, outros muitos podem morrer. Viram estatística.

A violência tem causado medo há muito tempo. As ditaduras que estão balançando no Oriente Médio são sustentadas por ele há décadas. O medo nos paralisa e nos isola das outras pessoas. Ao nos isolarmos nos aproximamos das máquinas, dos gadgets, dos iPads.

Ou dos templos. Daqueles que prometem o paraíso em troca do rancor e da obediência. Barganha-se a vida pelo medo e os fiéis de amar o Divino para negociar com Ele.


Para Certas Coisas Existem Cartões de Crédito. Para Certas Pessoas... Também!

As pessoas não deviam ter preço. E para resistir a isso proponho um conceito já usado pelo capitalismo: agregação de valor e é muito simples: quanto mais conteúdo você tiver, mais valor terá. É um valor imaterial e, fazendo um jogo de palavras, incalculável. E o que é o imaterial?

São as capacidades que fazem as pessoas melhores que robôs como lealdade, amor, desprendimento, fé, misericórdia, liberdade, cultura... que outras virtudes humanas pode-se elencar aqui? A chamada Crise Mundial que supostamente atingiu vários países nos últimos anos se deu por questões econômicas, de fato. Mas é fato também que ela aconteceu porque alguém gastou mais do que devia (ganância) e não cumpriu a regra simples da matemática que não gastar mais do que se tem para não ficar no negativo. Crise é negativa.

Na coisificação tudo é comprável e as pessoas passam a ser recursos com braços, pernas, computadores e buracos com diversas tabelas de preço. Meninos e meninas, temos que parar de produzir peças para este grande moedor de carne econômico e fazer das que existem algo mais do que recursos. Já basta a natureza como recurso explorável

Lógico que não proponho a destruição das máquinas altamente tecnológicas como fizeram os luddites no século 19, mas convém o equilíbrio.

Para tod@s,

Saúde, amizade, liberdade.


S. Thot.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

YES, WE CAN!

Olá a tod@s.

É o fim da agonia política no Egito após a renúncia do ditador-faraó Mubarak que ficara 30 anos poder cumprindo seu dever cívico, que era juntar em contas no exterior uma quantia equivalente à  R$50 bilhões, em estimativas modestas. Mas, como dito no texto "Rei Morto, Rei Posto", um líder pode subir ao poder nos braços do povo mas só fica lá com apoio das baionetas. Sem o exército para lhe dar suporte, o maior ditador é apenas um homem megalomaníaco sozinho em uma sala grande. Uma vez retirado o apoio dos militares, não há governante que resista no trono. De certo modo todo poder emana das Forças Armadas e em nome de seu povo é exercido.

Como em todos os países, é justamente o povo que mais sofre as conseqüências de seus governos, principalmente aquelas pessoas que tiram o sustento da terra. Governos mais ou menos ditatoriais  transformam as pessoas em recursos humanos, em estatísticas e estimativas. Sistemas econômicos estatais ou liberais fazem o mesmo, tanto que a maior preocupação das nações era saber se a Bolsa de Valores iria subir ou descer, como ficaria a cotação do barril do petróleo, a administração do Canal de Suez...

Pouco ou nada se falou no estado de emergência vivido pelo povo egípcio fazia 30 anos. É como estar em estado de guerra permanente. O medo é uma importante arma dos governos, sejam eles mais ou menos ditatoriais. Pode-se acostumar a este estilo de vida e achar que "é assim que Deus quer" desde que não se saiba como é o mundo lá fora.


Janela para o Mundo

Queima de livros da Alemanha Nazista
Neste ponto a Internet é para o século XXI o que Gutemberg foi para a sua época. O inventor alemão deu o primeiro passo para a popularização do livro, esta arma contra a estupidez e a barbárie. O conhecimento sempre foi uma arma contra ditadores. Os merlins da Bretanha eram homens perigosos porque seriam o depósito vivo do conhecimento de um povo. A Revolução Cultural chinesa teve como ação icônica a queima de livros proibidos. As bruxas foram para as mesmas fogueiras e até hoje em sua homenagem chamamos nossos livros que contém experiências pessoais dentro da Religião de Livro das Sombras, pois tinham que ficar escondidos. Se hoje os cristãos protestantes até doam bíblias, os primeiros anos após o nascimento da ICAR foram marcados por cultos falados em uma língua desconhecida a maioria das pessoas e em certas fases da história de proibição de tradução para a língua nacional.

No entanto o caminho do compartilhamento de informação só segue adiante, para o bem e para o mal. Pode-se represar um rio por muito tempo, mas não para sempre.Temos acesso hoje a informação de qualidade mas, sem uma linha-mestra, sem objetivo é só entulho. E há o conteúdo que visa somente a diversão vazia, ou deturpada de maiores valores, como um chiclete. Os egípcios souberam fazer bom uso dos  veículos e espero que outros povos façam o mesmo.

Porque nós podemos.

Saúde, amizade e liberdade ao Egito e a todas as nações.


S. Thot


sábado, 3 de julho de 2010

MAGIA NEGATIVA




Não costumo escrever muito sobre Magias &; Encantos neste blog mas aconteceu algo no MSN que só se somou a outras experiências que tive com o assunto. Um dos meus contatos certa vez disse que estava deixando a Religião da Deusa por estar sendo perseguido por Magos Negros, Liga de Bruxos ou algo assim.


Perguntei-lhe como ele tinha chegado a esta conclusão e me foi dito que soube porque "mexia" com Artes das Trevas, Magia Negra e afins com este suposto grupo. E como meu ciberamigo sabia demais precisava ser "eliminado". Bem, esta história tem para mim vários desdobramentos.


Busca de Poder

Esta pessoa iniciou contato comigo meses atrás, se bem me lembro, porque queria aprender a dominar os elementos. Por aí já vi que o interesse dele não era Magia, mas pirotecnia, exercício de poder sobre as coisas. Não é um pensamento diferente do que se faz no mundo material ao se designar uma floresta com toda sua biodiversidade como "mato". E mato é para queimar. Nosso colega não se dispôs a compreender o mundo e se harmonizar com o todo.

Em sua corrida para o sucesso ele supostamente pegou o caminho mais rápido. Como ele, conheci outros que entraram na Religião atraídos por esta falácia de dominar a Magia ao invés de dominarem a si mesmos, exercer o sacerdócio e servir a sua comunidade tão carente hoje de líderes. Não conseguindo o seu intuito e se perdendo na jornada labiríntica, saíram falando mal de minha Fé.



Ilusão


Já fui em muitos encontros de pagãos como o EAB (Encontro Anual de Bruxos), CWED (Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa), além dos próprios ESBG (Encontros Sobre Bruxaria em Guarulhos). Neles a maioria dos participantes vestia-se de preto com a intenção de repelir negatividade. Meus queridos, pela minha experiência eu lhes digo que tenho mais medo de um soco ou um tiro do que qualquer maldição a mim apontada. Porque a primeira lição que aprendi com minhas mestras e na vida em geral é discrição, não chamar a atenção, "não perturbar o lugar" como diz o texto de Rae Beth aí ao lado.

Não chamando a atenção e consequentemente despertando a inveja, cobiça ou ira das pessoas, é possível entrar e sair de ambientes sem ser notado.
Mas a primeira coisa que se faz ao ingressar na Religião é usar o pretinho básico + maquiagem carregada e outros adornos. Mas é tudo ilusão. Quem adquire bagagem suficiente nesta vida se comporta como o Arcano 9, o Ermitão: aprende mais pelo prazer em aprender e não para fazer micagens.


Evite Problemas

Então minhas crianças, não tenham ilusões de poder. Primeiro porque o poder não é seu, é compartilhado. Segundo que esta ilusão só alimenta o medo e você é forçado a dormir com o athame sob o travesseiro. Se o medo se mantém você sairá correndo para a porta da igreja mais próxima falando cobras & lagartos da Religião, uma das poucas coisas na vida que me enfurece profundamente. Aprendi que a melhor maneira de resolver problemas é evita-los. E para isto a gente observa os ciclos e os Mais Velhos. Como Mais Velho, lhes dou este conselho. E é gratis!


Declare Guerra

Mas se o medo já se instalou em seu coração, não recomendo magia protetiva. Para mim isso soa como um encastelamento. E me vem na cabeça a cena d'O Senhor dos Anéis onde os soldados se veem cercados por orcs em todas as direções e dando conta que estão é presos em sua fortaleza.

Lembra: todo castelo pode virar uma prisão.
Então vá ao campo e luta! Faça como o Leão! Não se encolha dentro de magias protetivas mas brilhe como o sol do meio dia, fazendo com que as pessoas pensem duas vezes antes de mexer contigo. Como sou adepto da simplicidade, uma oração matinal ao Divino e um cristal em seu bolso, bolsa, mochila.

Não tenha medo. Korê foi levada pela Morte para as profundezas da Terra. Mas tanto ela quanto Sua (Nossa?) Mãe lutaram contra seus próprios pavores. Deméter venceu o medo e fez o que nenhum Deus tinha feito: derrotar Zeus. E na escuridão nasce Perséfone, Rainha dos Mortos e renovadora da vida na Primavera que se avizinha. O medo só abre portas para o que você não deseja.

Tenha coragem. Em seu dia-a-dia você atravessa situações que exigem muito dela em nível material. Pense Nisso! Sei que é capaz!


Seja Abençoad@


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domingo, 28 de junho de 2009

DO RECONHECIMENTO





"O grupo sentiu a necessidade de um líder reconhecido; ao mesmo tempo, senti a necessidade de ter meu recém-descoberto poder reconhecido. O coven confirmou-me como sacerdotisa."


Dança Cósmica das Feiticeiras - Starhawk


Acho que todos já assistiram o filme "O Náufrago", com Tom Hanks. Como o título deixa claro, o personagem em questão se acha preso em uma ilha, longe do contato humano. Para não enlouquecer, fabrica um "amigo". Eu chamo isso de Efeito Bola Wilson. A vida isolada o teria transtornado se não usasse deste recurso pois nós somos animais sociais por natureza, e precisamos do reconhecimento do outro para legitimar de tempos em tempos nossa humanidade.


Nos grupos sociais em que vivemos, como família, escola, trabalho, rua, bairro, cidade ou país, também buscamos nosso lugar e reconhecimento das qualidades que temos. Nos esforçamos para que o melhor de nós seja apontado pelos outros, isto é um fato. E quando isso não acontece apesar de todos os esforços desprendidos, nasce o vazio no peito.


"Você sabe com quem está falando?"

Em algum momento de sua vida você ouviu ou ouvirá está frase. Ela nasce de um indivíduo que possui um título. Qualquer título. E, quando alguém acredita nele comete essas gafes.

Mas a verdade é que títulos, crachás, emblemas são apenas símbolos. E qualquer bruxo que se preze sabe que símbolo não é a verdade, mas sua representação. A verdade tem um pé no real, na prática, na convivência diária.

E nada melhor para provar se o título corresponde à verdade é submeter seu portador à realidade. Não adianta esfregar na cara: tem que provar que sabe. Do contrário, é coerção, abuso, violência.



Katy de Mattos Frisvold nos escreve:


"Ofício é uma profissão, pois se observarmos a pista etimológica, encontraremos a palavra originada do latim officiu, que significa o dever, trabalho de uma pessoa. O povo é que elege a bruxa, procurando-a como a sabia, a ‘consoladora’, a que traz paz de espírito. Seja pela palavra, pelo oráculo, pelo chá servido e o recomendado, ela dá força para que a labuta diária continue apesar dos dramas humanos".


Fonte: Diablerie

O outro é nosso espelho

Nos preparemos para reconhecer no outro as qualidades que faltam em nós para que, quando o momento surgir, ele possa assumir com brilhantismo a liderança e nos guiar pela escuridão da ignorância. Reconhecer no outro a Centelha Divina que tornará aquele trecho da caminhada um pouco menos acidentado.


E nós, quando for a nossa vez de guiar e, uma vez terminada a necessidade, reconhecer o momento certo de nos recolher com humildade e certeza do dever cumprido. Isto é algo que devemos levar em todos os campos de nossas vidas.

Saúde, amizade, liberdade.


S. Thot

domingo, 13 de janeiro de 2008

DA LIBERDADE





O que é liberdade? Todos a desejam, e os comerciais de tevê nos prometem todas as formas possíveis de libertação, assim como as grandes religiões e todas as formas de governo inventadas pela espécie humana. Mas o que ela realmente significa?

Liberdade é a capacidade efetiva de satisfazer nossas necessidades. Vou repetir o que escrevi e quero que preste atenção:

Liberdade é a capacidade efetiva de satisfazer nossas necessidades. Isso é tão importante que mereceu até grifar as palavras-chave!

Quanto mais necessidades satisfazemos, mais livres somos. E do que necessitamos?

Segundo Abraham Maslow, nossas necessidades podem ser organizadas de forma hierárquica visando assim a auto-realização. Chamam esta teoria de hierarquia de necessidades.

Então libertador, estendendo o significado, é tudo aquilo que nos capacita a realizar nossas necessidades afim de nos auto realizarmos. Parece bom, não?

E já que somos livres para realizar nossos anseios mais profundos, temos que descobrir quais são eles, afinal. Isto pede que nos ergamos de nossa condição de nada-ser.


O Nada

O nada é aquilo que não existia antes de tomarmos consciência de sua existência. "No princípio era o nada", lembra disso? Para que possamos dar um olhar para o "todo" em nossa volta temos que olhar primeiro para nós, nos reconhecermos como sujeitos, observadores, seres pensantes e atuantes. A partir disso podemos olhar o outro e dizer "Eu Sou"


Olhar

Projetos em escolas públicas tem como objetivo despertar o olhar das crianças sobre seu cotidiano e as coisas que a rodeavam. Para isto usaram de um conceito da ótica, uma lata e filme fotográfico. Chamado de Lata Mágica, em Recife, devolveu o olhar a quem estava cego para as coisas.

Com a liberdade é igual, pois somos levados a não mais seguir amorficamente a correnteza, mas nos erguemos dela e fazer discriminações, separações, escolhas. A liberdade, paradoxalmente, nos prende ao regime das escolhas. Decidir significa não ter mais o poder de não decidir mais.

É... bem complexo.


Quanto a nós

Acredite quando eu digo que isto também se aplica a nós. Na nossa vida diária somos sempre convocados a dar nossa opinião ou apoio as mais diversas questões. Deixamos de ser observadores amórficos e somos colocados sob os holofotes, com todos os olhares voltados para nós. Quando isto acontecer, é melhor estar preparado para dar sua opinião e sua participação.

Saúde, amizade, liberdade.

sábado, 4 de agosto de 2007

DA MAGIA





Magia é um ato deliberado ou não que produz resultados usando instrumentos como odores, cores, formas, símbolos, gestos, palavras escritas e/ ou faladas, etc.

Atente para o fato de que ela, quando feita com intenção exige de seu executor diversas qualidades. São elas capacidade, disponibilidade e responsabilidade. Isso por ser longa e trabalhosa a obtenção de conhecimento mas também porque confeccionar um ato mágico exige esforço físico e vontade férrea. Vamos enumerar as qualidades.

Capacidade, pois necessita de concentração e conhecimento mágicos.

Disponibilidade, pois pede regularidade e local propício para execução.

Responsabilidade, pois uma vez iniciado, os rituais seguem até o fim.


Sim, rituais! Como wiccano, acredito na magia dentro de um contexto religioso. Aliás, a medida que fui entrando cada vez mais dentro dos ciclos do Sol e da Lua, percebi que em muitos casos podemos nos antecipar aos fatos através da leitura dos sinais que a vida nos dá e assumindo assim a responsabilidade de nossas vidas.



Sendo assim, para quê criar magia para obter emprego se aprendo a olhar o cenário político e econômico de meu país e enxergar as tendências para o futuro e me posicionar nele quando as coisas acontecem? Para um observador desatento parecerá mágica, como um dia pareceu para mim também. Mas na verdade é pura observação e ação sobre o que vi adiante.

Voltando a mágica, não se preocupe com a instrumentação: o corpo, vontade, terra de jardim, sementes, além de alguns elementos simples como papel e caneta, bastam quando se é um bruxo.

Aliás, simplicidade é a palavra-chave. A base desta magia consiste no uso de coisas de nosso cotidiano. Isso transforma nossa rotina, pois alteramos a nossa percepção, além de trazer para o sagrado coisas de nosso dia-a-dia, nos conscientizando.

Isso o torna mágico como deve ser.
Como mostra Uau Disnei, não há caminhos fáceis para o verdadeiro poder.


Saúde, amizade, liberdade




Sergio Thot.


sábado, 28 de julho de 2007

OS TRÊS MAIORES AMIGOS DO GRUPO DE ESTUDOS




Para entender o que é um grupo de estudos, precisamos antes compreender o que é um corpo. Um indivíduo, a grosso modo, é a menor porção de uma consciência. O corpo e sua consciência, porém, são feitos de corpos menores e consciências menores.

Afinal, quando pessoas de diferentes idades, locais de nascimento, famílias, sexos e opções sexuais diferentes decidem compartilhar ideias, tempo e ações juntas, algo terceiro acontece.

Você, por exemplo, não é este corpo. Você não enxerga com os olhos, ou ouve com os tímpanos. O que define quem você é, como reconhece e como se relacionar com o mundo, em essência, é sua consciência. É a consciência que determina sairmos de um estado "inanimado" para um animado.

Quando estamos separados de nossos órgãos internos e das sensações de nosso corpo, estamos inanimados, inconscientes. Onde está seu pé esquerdo agora? E o direito? Você tinha consciência de sua postura na cadeira até esse momento? De certa maneira, estávamos inconscientes.

Em nível grupal, algo parecido acontece. Primeiramente estamos "desmembrados". Somos partes que se encaixam, porém separados por muitos fatores, totalmente ignorantes uns dos outros. Mas uma força nos faz emergir. Uma série de motivos e possibilidades que nos dá esta visão mínima do "eu, pagão". E, como geralmente somos/nos sentimos incompletos, buscamos a companhia de outros/as que sejam afinados conosco, como as cordas de um violão.

A comunicação moderna nos possibilita um feito surpreendente: nos conversarmos em tempo real com pessoas distantes, seja pelo tempo, seja pela ignorância de que elas existam, mesmo que morem na rua de trás ou na cidade vizinha. Mas saber que elas existem não basta para muitos, nem vê-los em uma foto: precisamos de seu toque e do som de sua voz fora de uma caixa de som. Então decidimos nos encontrar.

Quando o encontro é marcado e todos comparecemos, é como o amor. Primeiro nos reconhecemos, nos medidos para saber onde nos encaixarmos. Nos testamos, como as crianças testam os pais até descobrirem o que os zanga e os alegra. Cada abraço e cada beijo são calculados. Mas isto dura pouco, pois nossas afinidades nos unem e as máscaras caem por terra. Então é a alegria do encontro e a descoberta que nem sempre o parentesco é fruto do sangue.

Com o passar dos tempos &  encontros, as relações se assentam e os grupos de afinidades se formam dentro deste corpo, assim como órgãos dentro dos corpos se unem para desempenhar funções comuns. Mas estes pequenos grupos precisam de um fio condutor, um regente para a orquestra. E a orquestra precisa de um porquê para existir.

Portanto, acreditando nisso, escrevemos sobre os três grandes amigos de um grupo de estudos, o que determina seu porquê. Espero que gostem do texto e que seja válido.


Disponibilidade

Um dos motivos pelos quais as pessoas não se juntam é a disponibilidade de se reunirem todas em um mesmo lugar, numa mesma data e hora e por um número x de tempo. Coisas como trabalho, escola, família, namorada/o são motivos para a ausência nas reuniões.

Bem, o tempo deve ser bem pensado, pois a primeira etapa de um grupo de estudos é a definição de dia, horário e locais para reunião. E estes devem ser respeitados. Se um membro falha, o grupo sofre, pois nos reunimos em círculo e a corrente não pode ser quebrada. Dias e ou horários diferentes podem ser pensados, com se formássemos turmas dentro de uma escola. Sei um dos motivos implícitos é o contato humano, vermos uns aos outros, mas o motivo, o objetivo primal do grupo de estudos... é estudar!


Capacidade

Não tem jeito: são necessárias informações se quisermos dar continuidade a um grupo de estudos. É preciso descobrir o cada um sabe e tem em sua biblioteca. Os temas podem ser por assunto (oráculos, signos, panteões) ou por livros.

Pessoalmente considero o estudo feito a partir dos livros mais abrangente, pois diversas opiniões podem ser feitas a partir de um mesmo capítulo. Afinal, nem todo mundo pensa igual. E o inverso poderia acontecer: todos concordarem em um ponto e descobrirem que aquilo que pensam está em harmonia com o grupo.


Para isso, seria necessário que todos tivessem acesso a informação, seja pela distribuição de xerox ou cópias digitadas, seja pela compra do livro por todos. Em um grupo grande, o mesmo livro pode ser comprado por todos diretamente da editora e ter assim seu valor abatido. Enquanto estudam aquela obra, podem juntar dinheiro e passar a escolher o próximo título.

Sites também são importantes fontes de informação.



Responsabilidade

Aqui a linha traça sua espiral, se sobrepondo ao primeiro tópico. Se não nos responsabilizamos pelo grupo, ele definha e morre. O grupo não é o número de pessoas que estão nele, nem as pessoas que o deixaram, mas aqueles que se reúnem para estudar e dividir informações. Isto eu aprendi isso no Orkut, onde "comunas" têm milhares de pessoas, mas elas ficam lá, olhando, e não participam das conversas. As "comunas" são movimentadas mesmo pelos gatos-pingados que trocam ideias sobre a vida e o mundo, que não chegam a 5% do total.

Ao formar um grupo, qualquer grupo, seja de estudos, para coven, empresa, grêmio estudantil, infelizmente não contaremos com o apoio da "grande massa". Não foque sua atenção aí: mantenha a porta aberta, mas não os obrigue a entrar. Eles o farão na hora certa. Preste atenção nos que ficaram e precisam de você. Esse é o grupo de estudos. São estas pessoas que são a fonte de sua força.

Que assim seja!