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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
DO SER
"Eu sou a Deusa de tudo o que vive"
Trecho d'A Carga da Deusa, de Doreen Valient
O que é Ser? Como é que eu sei que eu existo? Existir é ter participação no mundo físico, no mundo concreto, mas o Ser vai além disso. O Ser mora no campo das idéias, do abstrato. Ser é ter, mas também Ser é Fazer.
A não-percepção disso configura um obstáculo que atravessamos e que, quando alcançado, possibilita sermos os filhos maduros da Criação.
No Passado
Segundo a obra Mitos Primais, da escritora Barbara C. Sproul, a tomada da consciência é um processo doloroso, tanto física quanto intelectualmente e isso fica evidente após o estudo das mais variadas nuances culturais humanas. Em boa parte delas existe a descrição de uma gênese impecável feita por um Deus/ Deusa/ Deuses em geral bons, onde a primeira fase da raça humana vive uma pré-existência pura e perfeita. Mas algo realiza uma perturbação na ordem em determinado momento e um herói (ou vilão, dependendo de quem olha) provoca a ira Divina.
Prometeu é punido por Zeus a ter seu fígado devorado por um pássaro devido ao roubo que perpetrou quando se apossou do fogo dos raios divinos para traze-lo aos seres humanos.
Um mito muito conhecido nosso diz que o nascimento da consciência humana se deu quando o primeiro homem comeu do Fruto do Conhecimento e tornou-se mortal, ou tomou consciência de que podia morrer, algo que não se pode dizer que a maioria dos animais tenham.
Ou mito do Deus P'an Ku, venerado no sul da China, cujo o corpo sacrificado é usado para construir o universo e marca o fim da Era de Ouro da humanidade. Tudo que é morto torna-se pai, já disse alguém.
Parece que sempre que despertamos para a realidade perdemos algo. Perdemos de fato a inocência. Mas o sacrifício feito nos capacita a Ter e a Fazer coisas.
Ter
Pela primeira vez, quando despertamos do caos para a realidade, temos a possibilidade de ver o Outro, o Restante. Recuamos. E este passo para trás nos possibilita vê-lo por inteiro, nomea-lo e, ao lhe dar um nome eu acabo possuindo-o. Este sentimento de posse também se volta para nós e a primeira coisa que agarramos é a nossa lembrança, a nossa história. Possuir uma história significa que vivemos há algum tempo e a cada dia temos maior posse sobre nós mesmos.
Ter história nos confere humanidade. Quando alguém tenta nos destruir fisicamente o faz primeiramente em sua própria cabeça negando-nos nossa humanidade, nossa história. Somos coisificados, rotulados, perdemos nosso nome próprio. Então eu não sou mais o Sergio, mas sou negro, bruxo, são-paulino. E, dependendo da situação, estes rótulos bastam para que outra pessoa encontre nisso uma desculpa para me aniquilar.
Ter história garante a mim mesmo que eu existo. E, ao garantir isso, eu sei que a minha vida vale, entre outras coisas, ser defendida.
Fazer
Se o Ter corresponde ao campo do abstrato, Fazer me coloca no concreto pois eu transformo o mundo ao meu redor, o mesmo mundo que compartilho com outras pessoas. Pois eu não posso viver exclusivamente no campo virtual, mas preciso partir para o real a fim de que aquilo que eu imaginei realmente exista.
Parece óbvio isso que eu escrevi mas não o é para muita gente, principalmente nesta geração internética. No mundo pasteurizado da Web, onde não há pó, lama ou arestas cortantes, é fácil achar conforto mental. Basta navegar pela rede.
Mas o termo navegar é emprestado de uma situação real onde se ia de um ponto ao outro a fim de obter um ganho específico. Ficar ao sabor do vento não é algo recomendável quando se está em mar aberto e se tem família em terra para sustentar. Fora que o ambiente é altamente instável. Se bruxo, por exemplo.
Muitos bruxos hoje querem ficar apenas no virtual, escondidos. Mas a obtenção de conhecimento da Religião não advém só de sites e blogs, mas também da experiência no mundo real, no convívio com as pessoas e de como tudo isso nos afeta, nos toca.
Se eu não faço eu não sou. É impossível ser motorista sem dirigir regularmente, ou ser padeiro sem fazer pão, ou ser pedreiro sem construir casas. É a partir da ação sobre o mundo real que o ser que tem história se completa.
Finitude
Há um elemento que acompanha a tomada de consciência do Ser: mesmo desperto ele está sujeito as leis naturais. E é aí em que a percepção do Eu é um fardo, pois saber que existo implica em saber que um dia eu não existirei mais. O que gera angústia e o desejo profundo em retornar ao estado de não-Ser.
Afinal, para quê saber que estou vivo para descobrir logo em seguida que vou morrer? E é aí que entram todas as religiões: para oferecer à Humanidade um caminho que vá no sentido contrário ao do desespero.
Uma vez reencontrada a paz através da aceitação das regras naturais, estamos preparados para viver nossa vida de maneira completa, tendo e realizando história. Até que enfim chegue o nosso momento de mergulhar novamente no Útero da Terra.
Saúde, amizade, Liberdade
S. Thot
terça-feira, 6 de setembro de 2011
VAMOS SER FELIZES?
"Escolha ser feliz. Ou seja infeliz mas sofra calado por favor. Não incomode quem decidiu ser feliz nessa vida."Luna Peregrina
Olá, como vão?
Em uma conversa com Luna Peregrina lembrei de outras que tive anos atrás com alguns colegas de trabalho sobre a escolha de ser feliz. Para mim é possível realizar esta escolha. Loucura né? Sim, na época também me chamaram de louco e de idiota.
Mas acredito que podemos levantar da cama de manhã de uma maneira não mecânica, nos espreguiçarmos, calçar os chinelos, bater as mãos nos joelhos e fazer um pergunta interna: "quero ser feliz hoje?". Continua achando loucura? De fato, não é algo trivial para se perguntar. Mas tudo tem a ver com o Entusiamo.
Um Deus Dentro de Si
Escrevi certa vez sobre o Entusiamo (clica AQUI), esse pedaço do divino que mora em cada um de nós e nos leva adiante. É dessa loucura, desta inspiração que falo. Mas em geral não é algo que vem de fora. Como o próprio termo diz, este alimento a gente tem enfiando a colher na própria alma e se alimentando dela. Só que os efeitos são interessantes. Quanto mais se come, mas comida aparece, como o maravilhoso caldeirão Undry do Deus Dagda (Leia AQUI).
Aliás, o próprio Deus merece uma menção honrosa. Dagda, de acordo com os Farrar é uma divindade ligada aos ritos da vida e da morte e de todo conhecimento que estes dois pólos abarcam. Mas apesar de todo este poder nossa visão dele o coloca mais como um deus bem-humorado que alguém sisudo e compenetrado.
"Parece que Dagda inspira ao mesmo tempo respeito e zombaria, sendo representado como um deus grosseiro e barrigudo com roupas de camponês."
O Deus dos Magos, de Janet e Stewart Farrar
Bem, como já escrevi aqui anos atrás sobre as Divindades Aristocráticas (leia AQUI), o que esperar de um deus de camponeses, de caipiras? Que ele se vista como um caipira também. E não duvido que parte da zombaria a ele atribuída não venha de classes mais "nobres", como os guerreiros profissionais. Para quem vive no trabalho diário, o que importa são as ações de seu trabalho e a defesa dos frutos da terra. Neste ponto deuses como Dagda e Thor cumprem bem o seu papel de defensores bem-humorados dos campos um tanto tolos pela visão externa, mas extremamente amados pelos seus cultuadores.
Loucura do Mundo
Tal e qual Dagda, não dá para ser feliz e não ser louco aos olhos de todos. É preciso ter essa dose de insensatez para sobreviver ao dia, receber inspiração, olhar além daquilo que se apresenta.
É como canta o Poeta na balada do louco (Letra completa AQUI):
Dizem que sou louco
por pensar assim
Se eu sou muito louco
por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Mas apesar de tudo, do emprego, do passado, do presente e do futuro é preciso desanuviar os olhos. É preciso abrir o peito. É preciso ser louco. É preciso ser um idiota e fazer a pergunta simples.
Você quer ser feliz hoje?
Saúde, amizade, liberdade.
Sergio Thot.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
DA ORAÇÃO

Carga Da Deusa
"Ouça as palavras da Grande Mãe, que, em tempos idos, era chamada de Ártemis, Astartéia, Dione, Melusiana, Afrodite, Ceridwen, Diana, Arionrhod, Brígida e por muitos outros nomes:
"Quando necessitar de alguma coisa, uma vez no mês, e é melhor que seja quando a lua estiver cheia, deverá reunir-se em algum local secreto e adorar o meu espírito que é a rainha de todos os sábios. Você estará livre da escravidão e, como um sinal de sua liberdade, apresentar-se-á nu em seus ritos.
"Cante, festeje, dance, faça música e amor, todos em minha presença, pois meu é o êxtase do espírito e minha também é a alegria sobre a terra. Pois minha lei é a do amor para todos os seres. Meu é o segredo que abre a porta da juventude e minha é a taça do vinho da vida, que é o caldeirão de Ceridwen. que é o graal sagrado da imortalidade.
"Eu concedo a sabedoria do espírito eterno e, além da morte, dou a paz e a liberdade e o reencontro com aqueles que se foram antes. Nem tampouco exijo algum tipo de sacrifício, pois saiba, eu sou a mãe de todas as coisa e meu amor é derramado sobre a terra.
"Atente para as palavras da Deusa estelar, o pó de cujos pés abrigam-se o sol, a lua, as estrelas, os anjos, e cujo corpo envolve o Universo:
"Eu que sou a beleza da terra verde e da lua branca entre as estrela e os mistérios da água, invoco seu espírito para que desperte e venha até a mim. Pois eu sou o espírito da natureza que dá vida ao universo. De mim todas as coisa vêm e pra mim todas devem retornar.
"Que a adoração a mim esteja no coração que rejubila, pois, saiba, todos os atos de amor e prazer são meus rituais. Que haja beleza e força, poder e compaixão, honra e humildade, júbilo e reverência, dentro de você. E você que busca conhecer-me, saiba que sua procura e ânsia serão em vão, a menos que você conheça os mistérios: pois se aquilo que busca não se encontrar dentro de você, nunca o achará fora de si.
"Saiba, pois, eu estou com você desde o início dos tempos, e eu sou aquela que é alcançada ao fim do desejo."
Divinamente sussurrada nos ouvidos de Doreen Valient, é um dos mais poderosos textos sagrados da Wicca. Existem versões da Carga da Deusa, mas creio que são mais uma questão de tradução. Mas, continuando...
Porque orar?
A grande questão é saber o porque e como oramos. A oração é ou deve ser um período nosso com a Divindade, onde nós conscientemente sintonizamos nossa alma com aquilo que chamamos de divino.
É um momento nosso, de descanso da mente, onde podemos compartilhar nossas vitórias, esperanças e medos com Deuses e Deusas. Nada de celulares tocando ou gente nos interrompendo.
Nossas experiências anteriores com religião ainda são são forte na memória de alguns, é um fato. Afinal é muito mais fácil achar pagãos conhecedores do Pai Nosso de cor que a Carga da Deusa.
Para quem orar?
Em meu caso, sou extremamente afinado com a cultura egípcia. E, como pagão, sou ligado às divindades da terra, que morrem, renascem e trazem com ela a promessa de que a morte não é o final, mas uma parte desta longa espiral. Divindades agrícolas são intimamente ligadas ao tema do Retorno.
Entre as divindades da terra, aquelas que passaram pelos problemas e dores da perda, e a alegria do reencontro, descubra aquela que lhe toca. Conheça sua história, e a do seu povo, saiba como viviam e o que faziam, sua língua e cultura, suas casas, seus alimentos e hábitos.
E, ao criar sua prece sagrada, introduza nela este conhecimento, assim como uma pessoa apaixonada busca conhecer de seu parceiro seus gostos e prazeres para melhor o amar.
E depois?
Conversava eu com meu sobrinho sobre pedidos em geral. Ele me ensinou que, que se quisermos alguma coisa, temos que achar um dente-de-leão, fazer o pedido e assopra-lo com força, que o pedido se realiza. Mas o dele ainda não tinha acontecido.
- O que pediu, perguntei. E ele me deu uma lista de coisas doces e chocolates em geral. Uma criança sabe o que pede!
- Bem, eu lhe disse, agora você tem que trabalhar pelo seu pedido!
E é assim mesmo: depois do pedido feito, o lance é "correr atrás", levar esta força, esta certeza que já trazemos no peito conosco para a luta e a realização. Esperar que caia do céu não é uma atitude louvável. O mundo em que vivemos pede atitude, ação.
Certo?
Saúde, amizade, liberdade.
Sergio Thot
Notas
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Prece das Mulheres Guardiãs no dia 21 de Maio
Aproveito a oportunidade para divulgar um evento. A Prece das Mulheres Guardiãs da Terra, apoiado por várias pessoas e entidades, entre elas a ciberamiga Luciana Onofre e seu blog, o Germinando. No dia 21 de maio mulheres engajadas se reunirão em uma rede espiritual de oração para embasar no astral aquilo que já fazem no campo material. Saiba mais detalhes AQUI.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
OS OBJETIVOS DE UM RITUAL
Prosseguindo com a série de textos sobre Como Realizar um Ritual, chegamos no ápice de nossos esforços até então. Para continuar, devo dizer que somos sacerdotisas e sacerdotes. Já se escreveu neste blog sobre o assunto anos antes, porém convém relembrar.
Nosso papel é o de servir a comunidade e manter viva a chama da devoção ao Divino. Nós prestamos serviços a quem vem nos pedir apoio, seja como conselheiros, seja como curadores. O ritual possui estas características. É o lugar e o momento onde nos colocamos a disposição do outro.Nossa recompensa está justamente em sermos aquilo que treinamos para ser, e utilizar esta soma de conhecimentos mútuos para o Bem da Humanidade. Humanidade esta que é personificada na pessoa que está na sua frente. Não é diversão de fim de semana ou para os momentos em que se está sem namorado/a. Ficou claro que a iniciação ou mesmo a dedicação não é algo descartável, mas uma decisão para toda a vida? Pois é de almas que falamos, principalmente da sua.
Tomei consciência desta verdade óbvia através da leitura da obra da família Farrar, Oito Sabás para Bruxas. Na parte final do livro Janet e Stewart discorrem sobre como os sacerdotes podem servir a sua comunidade realizando rituais de Nascimento (Wiccaning), Casamento (Handfasting) e Morte (Requiem). Todo ritual tem objetivo! Esta série usa como foco a Consagração de Objetos Mágicos, mas também podem ser de:
- sociais
- iniciação
- súplica
- fertilidade
- celebração etc.
Prefiro fazer rituais de celebração, onde honro o Divino e a Roda do Ano. Logo, no sabás tenho um compromisso em deixar a chama acesa, nem que seja uma flor em uma área verde da cidade, para lembrar dos votos feitos e das graças recebidas. Poucas pessoas se aproximam da Deusa e do Deus hoje em um ritual sem ter a mão estendida pedindo alguma coisa, o que considero desrespeitoso. Se é para pedir, que seja força para vencer e discernimento para saber qual o momento ideal para avançar ou retroceder.
O resto o dia concederá.
Saúde, amizade, liberdade.
S. Thot
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
GRAÇAS AO DEUS E À DEUSA
Olá a tod@s!
Falarei à vocês hoje sobre a importância de agradecer. Sinto em meu coração que esta ação possui um paralelo muito grande com o ato de perdoar, que já comentei neste blog em outra oportunidade. Acredito ser semelhante no sentido de que esta modifica tanto a nós como o outro que é objeto de nosso agradecimento. De que maneira?
Vivemos em uma sociedade destinada ao conflito, mas também à concórdia, ao entendimento. A maior prova é que estamos aqui hoje. Em um mundo de guerras constantes não tem tempo para colocar a casa em ordem e viver com dignidade. Veja o Haiti, que é uma gigantesca favela que vive em meio a golpes de Estado e guerras civis à décadas. Isso sem contar os eventos naturais como terremotos e furacões.
Vivemos em um país relativamente estável hoje do ponto de vista econômico e político. Faz vinte anos que domamos a infração e trinta que não temos militares no poder. Em algo avançamos, apesar de bolsões de haitis existirem em paralelo com as pequenas europas brasileiras. Sigamos em frente.
E pelo que agradecer ao Deus e à Deusa? Por estar vivo e bem. Por estar vivo e não tão bem, mas com coragem de lutar para estar. Por estar vivo e sem esperança de melhora, mas grato pela aceitação do fato e tentar fazer o melhor possível com as ferramentas que lhe restam. Temos agora e sempre a possibilidade da mudança em nossos corações. Principalmente os desesperados, os sem-nada. Estes não possuem nada a perder e podem fazer as apostas mais altas.
Na Roda do Ano agradecemos ao sacrifício que o Deus faz em nossa vida todos os dias.
O sacrifício de um Deus
A Deusa é o imutável, o perene, o eixo. O Deus e sua História são a Roda do Ano. Mas quem Ele é em nossa vida? É tudo que percebemos em movimento, que é ativo e que, principalmente, retiramos do corpo da Deusa que é a terra.
Logo, toda casa, todo carro, navio, ponte ou cidade é visto por mim como o corpo do Deus. Curioso que tudo o que construímos deseja retornar ao seu estado natural, uno com a Deusa na terra. Experimente deixar algo abandonado e perceberá o abraço Dela no objeto em forma de ferrugem, oxidação, decomposição. Lógico que as leis da Física chamam isso de princípio da termodinâmica, chamar de O Abraço da Deusa é muito mais poético, rs!
E mais! O sacrifício do Deus também é o nosso. Todo dia ao sairmos para trabalhar deixamos o corpo da Deusa que é nossa família, nosso lar, nosso refúgio. Como o carro solar de Rá que cruza o céu para combater Apep, o destruidor, o caos, a fome, a pobreza, o frio, o medo. O trabalho de Rá e iluminar o dia. O nosso é fazer com que nosso dia valha a pena ser vivido.
Bem, sendo mundo que construímos, que nos protege e nos dá prazer é fruto deste sacrifício sagrado, nada mais natural é sermos gratos por ele em nossa vida diária. Dentro do Círculo Mágico não é diferente.
Dito isto, prossigamos.
Estrutura
Assim como usamos os elementos para representar os quadrantes, no altar também há objetos que representam o sacrifício do Deus em nosso cotidiano: o alimento. Apesar de muito, mais muito do que comemos ser plantado ou colhido por nós e portanto, não temos a exata percepção do que é cortar, colher, arrancar da terra, por uma questão de tradição usamos o alimento como representação do sacrifício divino.
O nome tradicional refere-se a Bolos e Vinho, mas opções são bem-vindas. Como citado no texto anterior, vinho e menores em um sabá não são a combinação mais adequada e sucos são bons opcionais. E outros tipos de alimentos podem ser recomendados. Um livro que indico como referência para comida sagrada é A Cozinha Mágica da Márcia Frazão. Veja aqui algumas receitas.
Cada convidado traz uma pequena porção feita com carinho, consciência e cuidado para o sabá afim de compartilhar com o outro as graças recebidas. Os alimentos ficam elegantemente dispostos sobre o altar. Dê preferencia a alimentos de época e da região onde se mora. Tempo e espaço são as ferramentas do bruxo. Desta forma os pratos se alinham com a época do ano em que o sabá é comemorado... e ficam mais baratos também, rs!
Conteúdo
Após o convite ao Deus e a Deusa, a Sacerdotisa, o Sacerdote e o Auxiliar posicionam-se diante do altar. A Sacerdotisa segurar a Taça e o Sacerdote com a ponta do Athame ainda molhada do vinho profere as palavras rituais, tocando suavemente os alimentos dispostos sobre a mesa, agradecendo a fartura e o sacrifício do Deus em permitir que seu corpo nos alimente e abrigue.
A Taça então é passada pelo círculo entre os celebrantes como forma de os abençoar e agradecer pela sua presença na celebração.
E está terminado esta parte.
Alguns pontos:
- A opção de vinho por suco de uva se dá no caso de restrições por parte de algum celebrante que seja menor de idade ou tenha intolerância ao álcool. Lógico que isto tem que ser levantado com antecedência.
- Acreditar em ter o Divino dentro de si é diferente de acreditar ser o próprio Divino.
Se esqueci alguma coisa, comente!
Saúde, amizade, liberdade.
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sábado, 16 de outubro de 2010
CONVITE AO CASAL DIVINO
Olá a tod@s!
Dias atrás uma ciberamiga perguntou-me quem são os Deuses. Me recostei na cadeira e pensei um pouco no assunto, pois estou tão acostumado a sentir a presença Deles que tive de "rebobinar a fita" do conhecimento para responder de maneira racional algo que se encontra no coração. Respondi-lhe que o Deus e a Deusa são nossa maneira infantil e limitada de dar ao Mistério um rosto familiar. Lógico que não sou o primeiro autor pagão a escrever isso. Gente muito mais gabaritada já discorreu páginas sobre isso. Somente simplifiquei a ideia.
Então usamos as máscaras dos deuses (peço licença ao senhor Campbell para usar o termo, rs!) afim de humanizar o Divino, de deixa-los mais próximos. Pense bem e verá que os Deuses não precisam de vestes brancas, tronos, armas ou muitos braços devido a sua onipotência. Mas isto nos aproxima Deles e nos sentimos mais parte da grande família cósmica.
Outra ideia que desejo explicar antes de iniciar o texto em si é o significado da palavra evocação e invocação, que parecem sinônimos mas não são (rimou!).
Evocação é chamar para fora. Evocamos quando não desejamos fazer parte da pessoa/grupo que chamamos. Nos meios ocultos evoca-se entidades que se materializam (por falta de termo melhor) não no círculo onde está o oficiante, mas em um círculo separado. O que me soa como uma jaula, uma prisão. Evocação é uma ordem.
Invocação é chamar para dentro. Invocamos quando desejamos que os princípios espirituais compartilhem conosco nosso espaço ou mesmo nossa consciência. Partindo desta ideia simples não uso a palavra invocar nos textos para não confundir com evocar.
Sendo assim, quando invocamos a presença do Deus e da Deusa desejamos traze-los para nossa vida de uma maneira especial. De fato, desejamos que sua luz divina brilhe em nossos corações para que possamos nos inspirar em sua jornada afim de completar a nossa.
Uso a palavra convite, que soa muito mais familiar e que resume bem o sentimento que se tem dentro do Círculo Mágico. Invocar é trazer o Divino para dentro de nós e assumir suas responsabilidades. Não é à toa que os egípcios e gregos consideravam o teatro uma obra divina e aplaudiam seus atores a fim de chamar a atenção dos Deuses! Guardadas as devisas proporções celebrar um ritual e agir teatralmente são ações muito próximas!
Sendo assim, quando invocamos a presença do Deus e da Deusa desejamos traze-los para nossa vida de uma maneira especial. De fato, desejamos que sua luz divina brilhe em nossos corações para que possamos nos inspirar em sua jornada afim de completar a nossa.
Uso a palavra convite, que soa muito mais familiar e que resume bem o sentimento que se tem dentro do Círculo Mágico. Invocar é trazer o Divino para dentro de nós e assumir suas responsabilidades. Não é à toa que os egípcios e gregos consideravam o teatro uma obra divina e aplaudiam seus atores a fim de chamar a atenção dos Deuses! Guardadas as devisas proporções celebrar um ritual e agir teatralmente são ações muito próximas!
Dúvidas sobre os conceitos, consulte AQUI.
Dito isto, prossigamos.
Estrutura
Assim como usamos os elementos para representar os quadrantes, no altar também há objetos que representam a presença do Casal Divino em nossa celebração e que representam esta polaridade feminina e masculina/dentro e fora/claro e escuro/frio e calor. São objetos que só fazem sentido quando estão juntos pois é assim também no espiritual: o Deus parte e retorna para o colo da Deusa continuamente.
Gosto de usar como símbolos a Taça e o Athame como símbolos da polaridade, onde esta posiciona-se a esquerda do altar e este a direita do mesmo. Os sacerdotes encarregados anteriormente na criação do círculo mais uma vez assumem suas posições, agora invocando a Deusa e o Deus para si através das palavras rituais adequadas.
Um jarro com vinho ou suco também será necessário.
Conteúdo
Após o convite aos Quadrantes, a Sacerdotisa, o Sacerdote e o Auxiliar posicionam-se diante do altar. A Sacerdotisa segurar a Taça e profere as palavras rituais, seguido pelo sacerdote. As palavras chamam a atenção para as qualidades e responsabilidades que o sagrado masculino e feminino assumem em nossas vidas. Finalizado este, o Auxiliar adiciona um pouco do suco ou vinho dentro da Taça e dá um passo para trás, afim de destacar os sacerdotes.
Estes viram-se um para o outro. A Sacerdotisa lhe estende a Taça enquanto este mergulha em seu interior seu Athame e palavras rituais são proferidas enfatizando que mesmo nossas qualidades não são nada quando não estão juntas e é esta união o propósito de nossas vidas. É o Grande Rito.
E está terminado esta parte.
Alguns pontos:
- A opção de vinho por suco de uva se dá no caso de restrições por parte de algum celebrante que seja menor de idade ou tenha intolerância ao álcool. Lógico que isto tem que ser levantado com antecedência.
- Acreditar em ter o Divino dentro de si é diferente de acreditar ser o próprio Divino.
Se esqueci alguma coisa, comente!
Saúde, amizade, liberdade.
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
CONVITE AOS SENHORES DOS QUADRANTES
Olá a tod@s! Continuando a série de postagens sobre a confecção de rituais, escrevo agora sobre o Convite aos Senhores dos Quadrantes. Não discorrerei muito sobre os pensamentos envolvendo-os porque Raven Grimassi escreveu sobre os principais conceitos em seu livro Mistérios Wiccanos (Ed. Gaia) de maneira brilhante.
O autor assume que há várias ideias diferentes sobre as origens, quem são os Senhores e quais os seus papéis durante o ritual. Particularmente penso neles como os Deuses-Antes-dos-Deuses, uma força mais antiga que sustenta sob seus pilares a Essência da Vida. Uma visão que se assemelha a dos Titãs gregos, deuses que surgiram no mundo grego antes dos olímpícos Zeus, Hera, Ares e outros.
Representados no ritual como Senhores de cada Quadrante, são posicionados nas posições Norte, Leste, Sul e Oeste como que pilares a sustentar a abóbada celeste.
Há uma associação direta deles com os elementos Fogo, Ar, Terra e Água. Não por acaso o pensamento mágico ocidental considera estes elementos os pilares fundamentais da construção do mundo físico. A relação Quadrante/Elemento pode respeitar a tradição (Norte-Terra; Sul-Fogo; Leste-Ar; Oeste-Água) ou se ajustar as particularidades de cada grupo conforme a região onde mora etc. Autores como Starhawk, Cunningham e os Farrar deixam em aberto esta e outras questões. Parto do princípio simples da observação de meu mundo e sob esta verdade faço as adequações necessárias.
Há uma associação direta deles com os elementos Fogo, Ar, Terra e Água. Não por acaso o pensamento mágico ocidental considera estes elementos os pilares fundamentais da construção do mundo físico. A relação Quadrante/Elemento pode respeitar a tradição (Norte-Terra; Sul-Fogo; Leste-Ar; Oeste-Água) ou se ajustar as particularidades de cada grupo conforme a região onde mora etc. Autores como Starhawk, Cunningham e os Farrar deixam em aberto esta e outras questões. Parto do princípio simples da observação de meu mundo e sob esta verdade faço as adequações necessárias.
Portanto ao Norte eu ponho o Fogo do sol; ao Sul a Terra da eterna escuridão; à Leste o lar do Oceano e a Oeste o domínio dos Ventos sobre os campos. Como é Assim é Dentro como é Fora, o universo que criamos deve refletir o exterior e vice-versa. Logo esta é a minha disposição sugerida.
Estrutura
É interessante que elementos como o Fogo já estejam acesos e a Água em seu recipiente antes do início da invocação. Esta preparação acontece momentos após a entrada de todos no círculo aberto pelos sacerdotes representantes da Deusa e Deus.
O sentido das invocações seguem o movimento do Sol, começando ao Leste e terminando no Sul.
Conteúdo
Uma forma que utilizamos para convida-los é semelhante a apresentada pela escritora Starhawk em sua obra "A Dança Cósmica das Feiticeiras", onde as características dos elementos simbolizados em cada Quadrante são proferidas. Para tanto os sacerdotes e/ou sacerdotisas responsáveis posicionam-se diante de cada um dos seus elementos e proferem as palavras rituais.
Estas palavras tem haver com cada elemento em questão, na invocação de imagens relativas aos elementos chamados. Como para o Norte quente: caatinga, sol de verão, pimenta vermelha etc. Conhecer-se e conhecer as pessoas com quem celebra, saber suas histórias e anseios, ajuda nesta questão.
Alguns pontos:
- Dependendo da situação o uso de fogo pode ficar restrito. Cabe ao grupo antecipar e decidir que posição tomar (desobedecer a ordem e se responsabilizar ou buscar correlações com cores, formas, outros itens).
Dúvidas, críticas ou sugestões, contate-me.
Saúde, amizade, liberdade.
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
LIMPEZA ESPIRITUAL DO ESPAÇO MÁGICO
Olá a todos.
Não faz muito tempo abordei aqui nestas páginas o tema Limpeza. Mas naquela ocasião o foco era a limpeza de seu espaço comum, da sua casa, seja para prevenir ou afastar energias não desejáveis. Também comentei em outra blogagem sobre como algumas religiões tratam do assunto.
Aqui o foco desta Limpeza Espiritual é para a satisfatória utilização de um espaço com o objetivo de criar e manter ali uma conexão com o Divino livre de "ruídos" energéticos. Estes ruídos são o Medo e a Dúvida.
E, porque não dizer, criar nos celebrantes um estado alterado de consciência. Cada etapa que se promove é mais uma volta nesta escada espiral rumo a este estado mental e emocional diversificados.
Esta Limpeza usa não só a voz e gestos como também elementos físicos que se seguem.
Estrutura
Em nossos rituais são dois parceiros que conduzem juntos a maior parte do ritual e aqui não é diferente. Eles representam as polaridades Deusa e Deus que estão presentes em todas as etapas da vida quando assim as reconhecemos.
Estes sacerdotes percorrem todo o perímetro interno do círculo enquanto com aspergem água salgada e fumaça de incenso. Este movimento deve seguir o movimento aparente do Sol feito no céu, iniciando e terminando no altar. Os recipientes com água salgada podem estar previamente prontos e o incenso aceso. Ou todos os elementos separados, onde uma terceira pessoa, um Auxiliar, trata de reuni-los e entrega-los ao Sacerdote e Sacerdotisa.
Particularmente prefiro a segunda opção, pois é uma representação mais fiel do Início do Universo, onde os elementos em separado são reunidos para criar Todas as Coisas.
A criação do "mundo entre mundos" se dá basicamente com música, movimento e poesia.
E o que dizer? Diga e demonstre que ali, naquele momento & lugar, será criado um espaço mágico. Diga com doçura mas também com autoridade, afastando do coração das pessoas principalmente quaisquer dúvidas ou medos, para que todos a partir daquele momento se sintonizem com o objetivo da celebração.
Doçura porque temos a perfeita noção de nossa posição diante do Universo. Somos pequenos diante desta imensidão de bilhões de estrelas na Via Láctea. Autoridade porque para que esta imensidão seja reconhecida ela necessita de nós, logo temos um valor que precisa ser assegurado.
Não precisa ser em latim ou alguma outra língua antiga e morta, mas tem que ser profundo, vindo do coração. Pode ser ainda uma adaptação de algum autor pagão, ou mesmo um trecho de algum romance, música ou poesia. O importante é que o texto evoque esta força energia dentro de todos.
Alguns pontos:
- Citei no texto acima que o giro segue o movimento aparente do Sol no céu. Em muitos livros pagãos, cujo os autores moravam ou moram no hemisfério norte, o movimento aparente do sol determinou o movimento dos ponteiros do relógio. Mas no hemisfério sul este movimento é anti-horário. Como o Sol veio antes do relógio, siga o sol.
S. Thot.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
ABERTURA DO CÍRCULO MÁGICO
Círculo Mágico é o processo emocional e mental que visa criar uma lacuna na percepção do espaço e no tempo dentro celebrante de modo que este possa sentir-se em uma realidade diferente . Usualmente outras formas de culto estabelecem um lugar físico e fixo para isto. É o que chamamos de templo.
Mas wiccanos em geral sempre que podem fazem seus rituais ao ar livre pois entendem que este é o espaço sagrado mais que perfeito para suas práticas onde o mundo natural é o seu templo. Quando solitários ou em pequenos grupos podem fazer rituais nas próprias casas como opção válida.
O Círculo Mágico também existe no físico e pode ser traçado no solo para que seja uma marcação visível, orientando assim os participantes do ritual sobre a sua localização e a dos Quadrantes, sobre os quais falarei em um texto oportuno.
Suas dimensões variam conforme o número de pessoas, dinâmica do grupo e objetivos do mesmo e podem ser traçados, desenhados com pedras, folhas, tecido, desenhado com uma vareta sobre a areia etc. Para a confecção de um círculo próximo à perfeição, um rolo de barbante e uma bússola são importantes como verá a seguir.
Estrutura
Para traçar um círculo é muito simples, bastando apenas que você encontre o eixo. O eixo é o ponto em torno do qual o mundo gira. Um ritual, como foi dito, é a representação simbólica da criação do Universo e o eixo é o ponto zero do mundo, onde tudo se equilibra. É o Omphalos.
Encontrado o local central do ritual, ponha a bússola aos seus pés e segure o carretel do barbante e peça para outra pessoa estica-lo até o tamanho desejado. Encontrado o tamanho, peça para que ela ande segurando o barbante e traça o círculo, enquanto você observa o alinhamento dele com os pontos cardeais. Peça para que a pessoa pare e marque no solo sempre que achar alinhamento dos pontos Norte, Oeste, Sul e Leste. Acredite, é mais fácil fazer do que explicar! Rs!
Considero adequado que as pessoas responsáveis pelo traçado sejam as mesmas que realizaram a celebração, exercendo os papéis de Deusa e Deus, sendo que esta fica ao centro enquanto Ele dispõe o círculo. Não deixa de ser uma alegoria correta e interessante... Uma terceira pessoa, um Auxiliar, pode ser chamada para ajudar nos trabalhos.
São também necessários sacerdotisas e sacerdotes responsáveis pelo convite ao Quadrantes. Estes devem ser escolhidos previamente, seus papéis e responsabilidades bem determinados e dúvidas eliminadas.
Os outros celebrantes, se existirem, aguardam na borda externa do Círculo até serem chamados.
Considero adequado que as pessoas responsáveis pelo traçado sejam as mesmas que realizaram a celebração, exercendo os papéis de Deusa e Deus, sendo que esta fica ao centro enquanto Ele dispõe o círculo. Não deixa de ser uma alegoria correta e interessante... Uma terceira pessoa, um Auxiliar, pode ser chamada para ajudar nos trabalhos.
São também necessários sacerdotisas e sacerdotes responsáveis pelo convite ao Quadrantes. Estes devem ser escolhidos previamente, seus papéis e responsabilidades bem determinados e dúvidas eliminadas.
Os outros celebrantes, se existirem, aguardam na borda externa do Círculo até serem chamados.
Uma vez criado este esboço é só cobri-lo com os elementos que sugeri ou outros que sua inspiração lhe sussurrar nos ouvidos.
Conteúdo
A criação do "mundo entre mundos" se dá basicamente com música e poesia. Gosto de caminhar em torno do círculo, depositando sobre o esboço traçado no chão s elementos que escolhi para enfeita-lo, sejam pétalas de rosa ou galhos secos, pedras, areia. Enquanto faz isso entoe as palavras rituais apropriadas, de modo calmo mas firme.
E o que dizer? Faça a Limpeza Espiritual do Espaço Mágico, afastando do coração&mente das pessoas quaisquer dúvidas ou medos a fim de que todos, a partir daquele momento, se sintonizem com o objetivo da celebração.
Diga aos Deuses, aos seus companheiros de culto e sobretudo a si mesmo que neste momento o véu da realidade é cortado para criar um novo espaço, destinado à magia e a celebração da vida. E que dentro dele bons sentimentos como o amor, a entrega e a coragem irão borbulhar como em um caldeirão mágico.
Diga aos Deuses, aos seus companheiros de culto e sobretudo a si mesmo que neste momento o véu da realidade é cortado para criar um novo espaço, destinado à magia e a celebração da vida. E que dentro dele bons sentimentos como o amor, a entrega e a coragem irão borbulhar como em um caldeirão mágico.
Não precisa ser em latim ou alguma outra língua antiga e morta, mas tem que ser profundo, vindo do coração Pode ser ainda uma adaptação de algum autor pagão, ou mesmo um trecho de algum romance, música ou poesia. O importante é que o texto evoque esta força energia dentro de todos.
E está pronto seu espaço sagrado.
Para trazer para dentro os celebrantes restantes, vá até o ponto mediano entre o altar e o quadrante Leste. Com sua intenção, palavras e gestos, trace uma abertura e convide os celebrantes. Na passagem do último, feche-a.
Após a entrada destes, os sacerdotes e/ou sacerdotisas responsáveis pelos Quadrantes posicionam nos quadrantes marcados os quatro elementos: terra,fogo, água e ar.
Para trazer para dentro os celebrantes restantes, vá até o ponto mediano entre o altar e o quadrante Leste. Com sua intenção, palavras e gestos, trace uma abertura e convide os celebrantes. Na passagem do último, feche-a.
Após a entrada destes, os sacerdotes e/ou sacerdotisas responsáveis pelos Quadrantes posicionam nos quadrantes marcados os quatro elementos: terra,fogo, água e ar.
Alguns Pontos
- Como fala a sacerdotisa Paula Mazali, "este é um momento seu" . Então venha despreocupada, e com tempo. Esqueça o relógio.
- Ao contrário da crença geral, o Círculo Mágico para os wiccanos é mais um caldeirão para conter energia do que uma barreira de proteção contra forças maléficas.
- Uma vez iniciado o ritual é recomendável não interromper com saídas constantes. Tira a concentração e é desrespeitoso. Vá ao banheiro com antecedência. Desligue o celular.
- Ter uma pessoa do lado de fora do ritual como um Guardião garante maior sensação de segurança em rituais públicos onde objetos pessoais são deixados fora do Círculo.
- Em caso de necessidade, abra o círculo com o dedo, evitando athames ou outros objetos. Principalmente diante de policiais armados!
Aproveitem!!!
Saúde, amizade, liberdade.
S. Thot.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
RESPIRAÇÃO E MEDITAÇÃO
"Antes, acreditava-se que a pessoa só perdia neurônios durante a vida. Agora, vemos que podem brotar em qualquer fase da vida, e determinadas atividades fazem a estrutura do cérebro mudar."
Isso significa que o cérebro adulto também é plástico, capaz de ser moldado.
No ano passado, um estudo dos mesmos pesquisadores já mostrava redução da massa cinzenta na amígdala cerebral, uma região relacionada à ansiedade e ao estresse, em pessoas que fizeram meditação por oito semanas.
Mas qualquer um que começar a meditar amanhã terá esses mesmos efeitos benéficos em algumas semanas?
"Provavelmente sim", diz a neurologista Sonia Brucki
Matéria completa no site da Folha de São Paulo, via Uol
Respirar é a primeira ação que tomamos ao sair para fora do corpo da mãe, e a última que fazemos antes de entrar no corpo da Mãe. Ela nos acompanha a todo o momento e é um importante medidor de como anda a nossa mente.
Se pararmos para observar nosso dia-a-dia, respiramos mal. Aliás, escrevi a respeito durante o período em que uma massa de ar seco cobriu a maior parte do país e que tornou o ar que alimenta a região onde moro fétido, seco e impuro. Aliado a nossa vida corrida e a perda de consciência sobre nosso o corpo o resultado é uma respiração insuficiente para as nossas necessidades mais profundas.
A respiração calma, rítmica, consciente e correta é o primeiro indicador de uma pessoa centrada e é este estado que buscamos durante a realização de um ritual. Outras formas de culto a conseguem abrindo seus rituais através de cânticos e oração. Cantando respiram rítmica e profundamente; e orando meditam sobre o objetivos que os levaram até aquele local. Conosco é similar.
A Meditação consiste em levar e manter a mente a um estado de quietude, deixando assim o terreno fértil para receber os conhecimentos que serão passados durante o ritual. A Meditação faz com que nos equilibremos, encontremos o nosso eixo, nosso Omphalos.
A Meditação consiste em levar e manter a mente a um estado de quietude, deixando assim o terreno fértil para receber os conhecimentos que serão passados durante o ritual. A Meditação faz com que nos equilibremos, encontremos o nosso eixo, nosso Omphalos.
Estrutura
Não é necessário grandes preparações para o exercício de Respiração. Os celebrantes precisam achar uma posição confortável, seja sentados ou deitados e respirar lenta e ritmicamente, a medida que eliminam quaisquer outros pensamentos.
Os celebrantes precisam fazer a respiração abdominal, através do diafragma. Oposta a esta há a respiração torácica, feita pelo peito e característica das pessoas que vivem momentos de tensão ou ansiedade. Respirando abdominalmente, ou "pela barriga". Aqui está uma boa técnica que vale a pena conferir!
Conforme as possibilidades, um aparelho sonoro com um CD contendo sons da natureza ou exercícios respiratórios pre-gravados é excelente. Estando ao ar livre melhor ainda. Um facilitador conduz a Respiração e Meditação para que esta tenha um início e fim.
Os celebrantes precisam fazer a respiração abdominal, através do diafragma. Oposta a esta há a respiração torácica, feita pelo peito e característica das pessoas que vivem momentos de tensão ou ansiedade. Respirando abdominalmente, ou "pela barriga". Aqui está uma boa técnica que vale a pena conferir!
Conforme as possibilidades, um aparelho sonoro com um CD contendo sons da natureza ou exercícios respiratórios pre-gravados é excelente. Estando ao ar livre melhor ainda. Um facilitador conduz a Respiração e Meditação para que esta tenha um início e fim.
Conteúdo
O facilitador pede para que as pessoas se disponham em círculo de maneira confortável e de olhos fechados. Com uma voz serena, ritmada e audível, induz os celebrantes a respirarem de modo calmo e correto. Entremeado a isto palavras ou frases sobre o motivo do ritual podem ser incorporadas ao exercício. Os dois ou três minutos finais devem transcorrer sem palavras.
Alguns Pontos
- Como fala a sacerdotisa Paula Mazali, "este é um momento seu" . Então venha despreocupada, e com tempo. Esqueça o relógio.
- Uma vez iniciado o ritual é recomendável não interromper com saídas constantes. Tira a concentração e é desrespeitoso. Vá ao banheiro com antecedência. Desligue o celular.
- Ter uma pessoa do lado de fora do ritual como um Guardião garante maior sensação de segurança em rituais públicos onde objetos pessoais são deixados fora do Círculo.
- Este exercício não precisa ser focado nas práticas dentro do círculo. Use-o em sua vida fora dele, também.
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
COMO REALIZAR UM RITUAL
Olá! Como vão?
Não tenho o hábito de escrever sobre a confecção de rituais, mas devido a grande procura registrada pelo tema, com o intuito de oferecer boa informação e por ser o mês das bruxas em nossa cultura ocidental (Leia uma matéria interessante sobre o tema no blog Witch Clubhouse) resolvi criar uma série de textos sobre o assunto. Sou pagão com fundamentos wiccanos e usarei esta base nos textos que se seguirão.
Uma das primeiras coisas que devo dizer é sobre comprometimento. Sem isso nada do que faça, por mais pomposo, caro ou técnico que seja, surtirá efeito. Comentei Sobre o Culto anos atrás e as palavras continuam válidas. Recomendo a leitura.
Dito isto, vamos adiante.
O que é o Ritual
Muios pagãos atuais pensam que os sabás são eventos recreativos, onde as pessoas vão para se divertir nos finais de semana quando não tem nada o que fazer ou alguém para namorar. Rituais não são recreação pura e simples, mas a re-criação de algo.Um ritual é a representação sagrada de algum evento com fins religiosos. Entre os cristãos católicos há a Santa Ceia. No nosso caso então nós representamos a criação do Universo a cada vez que realizamos o ritual. onde a abertura do círculo é a primeira aurora!
Nos nossos rituais não existe plateia, uma massa que observa. Todos os que põem os pés dentro do círculo são co-responsáveis por ele e pela realização do ritual. Somos todos sacerdotes e sacerdotisas. Até porque, tradicionalmente sempre celebramos com um número pequeno de pessoas e não haveria de ser diferente. Então somos todos atores desta peça sagrada!
O Ritual Começa Antes de Começar
Ah, é simples! Quando você decide realizar um rito solitário ou participar de um com outros celebrantes, ele se inicia dentro de você, em sua mente e coração. E, de certo modo que não posso explicar, as coisas ao seu redor começam a girar por conta desta decisão. Isto é algo que se sente e é difícil para transpor em palavras.
Um ritual precisa de alicerces fortes para ser bem-sucedido. É preciso saber coisas como
- O porque de realiza-lo (é um sabá? Um wiccaning? Rito de passagem?),
- Como realiza-lo (palavras rituais, instrumentos mágicos),
- Onde realiza-lo (cachoeira, campo aberto, clareira na mata, quintal, espaço alugado ou público),
- Com quem realiza-lo (divisão de papéis e outras responsabilidades).
Considero importante que todos os que entram no Círculo Mágico saibam o que se celebra ali naquele momento de modo que possam contribuir de maneira substancial. É aí que entra os Grupos de Estudo, assunto que tratei em outro texto.
O local deve ser relativamente plano e seguro para a prática, valendo até uma visita antecipada para avaliação. Se for espaço público, conseguir autorização é recomendável.
A divisão de papéis deve ser clara, de modo que não hajam problemas durante o ritual. Usualmente são duas as pessoas que conduzem o ritual, nos papéis de Deusa e Deus. Tais funções podem ser designadas por diversas formas: idade, conhecimento, votação, rotatividade. Não importa a forma, desde que funcione e seja de comum acordo.
E, se houverem problemas, que não se abalem! Usem a criatividade aliada ao humor. Sempre resolve!
A estrutura básica de um ritual corresponde a:
E, se houverem problemas, que não se abalem! Usem a criatividade aliada ao humor. Sempre resolve!
A estrutura básica de um ritual corresponde a:
- Exercícios de Respiração e Meditação
- Abertura do Círculo Mágico
- Limpeza Espiritual do Espaço Mágico
- Convite aos Antigos para que assistam ao ritual
- Convite às Divindades para que assistam ao ritual
- Agradecimento pelas Bençãos derramadas
- Objetivo do Ritual
- Bolos & Bebidas
- Agradecimentos Finais
- Despedidas ao Divino
- Despedidas aos Antigos
- Fechamento do Círculo Mágico
Bem, com tudo pronto passamos para o ritual em si, iniciando com Exercícios de Meditação e Respiração.
Saúde, amizade, liberdade.
S. Thot
Ps.: segue um vídeo que resume o meu desejo profundo para que chova muito na sua horta nesta Primavera. Lembra que tudo passa! Ouça alto, rs!
Ps.: segue um vídeo que resume o meu desejo profundo para que chova muito na sua horta nesta Primavera. Lembra que tudo passa! Ouça alto, rs!
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