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terça-feira, 6 de setembro de 2011

VAMOS SER FELIZES?





"Escolha ser feliz. Ou seja infeliz mas sofra calado por favor. Não incomode quem decidiu ser feliz nessa vida."


Luna Peregrina


Olá, como vão?


Em uma conversa com Luna Peregrina lembrei de outras que tive anos atrás com alguns colegas de trabalho sobre a escolha de ser feliz. Para mim é possível realizar esta escolha. Loucura né? Sim, na época também me chamaram de louco e de idiota.


Mas acredito que podemos levantar da cama de manhã de uma maneira não mecânica, nos espreguiçarmos, calçar os chinelos, bater as mãos nos joelhos e fazer um pergunta interna: "quero ser feliz hoje?". Continua achando loucura? De fato, não é algo trivial para se perguntar. Mas tudo tem a ver com o Entusiamo.




Um Deus Dentro de Si


Escrevi certa vez sobre o Entusiamo (clica AQUI), esse pedaço do divino que mora em cada um de nós e nos leva adiante. É dessa loucura, desta inspiração que falo. Mas em geral não é algo que vem de fora. Como o próprio termo diz, este alimento a gente tem enfiando a colher na própria alma e se alimentando dela. Só que os efeitos são interessantes. Quanto mais se come, mas comida aparece, como o maravilhoso caldeirão Undry do Deus Dagda (Leia AQUI).


Aliás, o próprio Deus merece uma menção honrosa. Dagda, de acordo com os Farrar é uma divindade ligada aos ritos da vida e da morte e de todo conhecimento que estes dois pólos abarcam. Mas apesar de todo este poder nossa visão dele o coloca mais como um deus bem-humorado que alguém sisudo e compenetrado.


"Parece que Dagda inspira ao mesmo tempo respeito e zombaria, sendo representado como um deus grosseiro e barrigudo com roupas de camponês."
O Deus dos Magos, de Janet e Stewart Farrar


Bem, como já escrevi aqui anos atrás sobre as Divindades Aristocráticas (leia AQUI), o que esperar de um deus de camponeses, de caipiras? Que ele se vista como um caipira também. E não duvido que parte da zombaria a ele atribuída não venha de classes mais "nobres", como os guerreiros profissionais. Para quem vive no trabalho diário, o que importa são as ações de seu trabalho e a defesa dos frutos da terra. Neste ponto deuses como Dagda e Thor cumprem bem o seu papel de defensores bem-humorados dos campos um tanto tolos pela visão externa, mas extremamente amados pelos seus cultuadores.




Loucura do Mundo


Tal e qual Dagda, não dá para ser feliz e não ser louco aos olhos de todos. É preciso ter essa dose de insensatez para sobreviver ao dia, receber inspiração, olhar além daquilo que se apresenta.


É como canta o Poeta na balada do louco (Letra completa AQUI):


Dizem que sou louco
por pensar assim
Se eu sou muito louco
por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz


Mas apesar de tudo, do emprego, do passado, do presente e do futuro é preciso desanuviar os olhos. É preciso abrir o peito. É preciso ser louco. É preciso ser um idiota e fazer a pergunta simples.


Você quer ser feliz hoje?


Saúde, amizade, liberdade.




Sergio Thot.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

GENTILEZA EM ATOS



Tempos atrás aconteceu pelos blogs brasileiros um evento, uma blogagem coletiva, chamando a atenção para o tema Gentileza, apoiado pelo blog Crianças Pagãs. Na época fomos chamados para exemplificar quais ações seriam ideais para uma convivência melhor com a pessoa ao nosso lado. Baseado no que li tomei algumas ações que vou relatar aqui, juntamente com os resultados.


Desejo que leiam, apreciem e principalmente digam que atos de gentileza também tiveram desde a blogagem. Num ato de gentileza da minha parte, cada comentário será anexado no topo do texto e colocarei um link que levará ao seu blog, perfil do Orkut ou Twitter conforme seu gosto! Que tal, hein?

E cada novo comentário, atualizo a data desta postagem, de modo que fique sempre visível.

Bem, vamos lá!


  • Essa aconteceu em meu trabalho: Ontem a tarde recebi um recado para ir até o setor de documentação falar com a Srª. N. Chegando lá descobri que haviam alguns documentos para serem assinados mas que, devido a existência de outros Sergios no setor, a Srª N. não sabia se era eu a pessoa. Isso a deixava com um certo mal-estar pois, como trabalhamos com manutenção, os mecânicos nem sempre são uma flor de candura. Quando descobrem que não são a pessoa chamada ficam resmungando e tal. Uma situação chata, enfim. Logo a deixei à vontade com relação a questão: se fosse eu, bem. Se não fosse, bem também. Estas coisas acontecem, oras. Percebi os ombros delas se desarmarem e relaxarem com a minha posição. Resumo da ópera: era eu mesmo a pessoa. Assinei os campos devidos e me prontifiquei a vir sem cara feia sempre que fosse falar com ela, rs.
  • "Oi Thot (quanto tempo...). Gentileza está se tornando artigo raro mais ainda existe, como nesse exemplo. Comprei uma máquina de (costura) overloque, e o senhor que veio trazer e instalar, foi um verdadeiro professor, me ensinando até o que não era da competência dele fazer. Me surpreendi tanto com a atitude e gentileza dele, que não poderia deixar de fazer a minha parte - fui gentil também! rsrs É gentileza gerando gentileza. Abraços Thot, saudades de vc...bom domingo e bom feriado. " Experiência da ciberamiga Sél, do blog Todos os Sentidos.
  • Agradecendo gentilezas: se vivemos em uma sociedade de conflito, imagina então dentro de ônibus na hora do rush? E com gente parada na porta, não raro por distração? Mas percebendo a gafe que cometia bloqueando a minha passagem, ele gentilmente cedeu espaço e tirou a mochila que atrapalhava a passagem. Lhe retribui a gentileza agradecendo com simpatia.
  • "Bem, eu também procuro elogiar pelos trabalhos que as pessoas prestam, ou meus professores quando nós surpreendem com boas apresentações das matérias de psicologia.
    É bem "Skinneriano" mas o bom comportamento, deve ser reforçado, a gentileza é um bom reforçador para se trabalhar nos dias de hoje, onde se torna cada vez mais raro." Experiência do ciberamigo Spooky, do blog  Empório da Bruxaria
  • Elogiando as pessoas: quebrei esta barreira em mim, rs! Tinha certos pudores de elogiar as pessoas pelo bom trabalho que fazem. Sempre achamos que é obrigação delas darem seu melhor mas em um mundo onde as ações ruins tem mais destaque que as boas, elogiar que faz bem seu trabalho cria algo dentro delas de sólido, e melhorou as minhas relações com colegas de trabalho, família e mesmo desconhecidos
  • Uma loja do litoral de São Paulo resolveu criar a campanha "Gentileza Muda a Gente". Nela, você comparece ao balcão e, mesmo sem comprar nada, ganha um "singelo pingente". Só que ele não será seu. A ideia é da-lo a alguém desconhecido, um lembrete de que as ações gentis devem ser uma constante em nossas vidas. Confira AQUI como participar.
  • Outra do emprego: fim de mês é o dia da "virada" do cartão de alimentação do meu trabalho. Naquele dia 30 de agosto, dado o volume de coisas para fazer, não tive tempo de almoçar. Para não chegar em casa bravo, chutar os gatos, bater na mulher, pegar uma faca e sair para rua (kkkkk), resolvi jantar no restaurante para comemorar um dia produtivo. Na fila do caixa havia outro funcionário que tinha a mesma dúvida que eu "será que caíram os créditos?". Afinal, agosto termina em 31... Cada um apresentou ao caixa seu cartão para ver o saldo. No dele, que entrara para trabalhar às 14h00 e só sairia à meia-noite, tinha dez centavos. No meu, que já estava de saída, tinha cinco reais. Não tive dúvidas nem hesitações, dando a ele meus créditos. "Fome Zero", lhe disse e rimos juntos.


    quinta-feira, 18 de agosto de 2011

    AS PERGUNTAS DE MAAT









    Olá a tod@s!


    Neste momento o Brasil inteiro está indignado com um assassinato. Uma pessoa muito influente na vida de todos nós recebe vários tiros à queima-roupa. Gostaria de dizer à vocês que a indignação refere-se ao assassinato da jovem juíza Patrícia Acioli mas não é assim que a banda toca nesta nação. Nas redes sociais, nos jornais, nos botequins e salões de beleza as pessoas querem saber quem matou Norma [leia + AQUI]. Maat, Deusa da Justiça segundo o pensamento egípcio, se pergunta: o que há com este povo?


    A juíza Acioli foi morta quando chegava em casa, segundo reportagens, por causa da sua mão pesada em condenar policiais militares envolvidos com crime organizado. Seu nome estava em uma lista de jurados de morte e esta tragédia, como tantas outras que se abatem sobre o Brasil, era anunciada. A Deusa pergunta: ninguém se importa com este fato?


    Seus familiares temem que o processo role na Justiça por anos e precisam fazer protestos frequentes perante as autoridades para que a lei seja cumprida. Nesses protestos vão poucas pessoas pelo que pude apurar nas imagens de televisão e acredito que a população que passa por eles, ignorante do assunto, se pergunte o que fazem aquelas pessoas de negro, amordaçadas e sentadas no chão. A crença egípcia diz que estamos mortos não quando os olhos se fecham mas quando somos esquecidos. Os parentes de Patrícia não permitirão que seu legado desapareça nas areias do tempo. A Deusa pergunta: a lei não deveria ser cumprida independente das pressões que se fazem sobre ela?


    Eu acredito que quando exercemos nossa profissão com amor e dedicação, ela passa de um simples ganha-pão e adquire contornos de sacerdócio. De certa forma a morte de Patrícia foi a morte de uma sacerdotisa da Justiça que ela jurou amar e defender para o bem da sociedade. A Deusa pergunta:  você ainda quer saber sobre a "morte" de um personagem ficcional?


    Também acredito que não só o executor matou a juíza, mas toda a população corrupta que financia atividades ilegais e mortes, por extensão. Só há crime porque há lucro para financia-lo, conforme explica Rodrigo Pimentel [leia AQUI]. A Deusa pergunta: por quanto tempo mais vamos cuidar do ovo de Apep antes que ele finalmente ecloda e engula o Sol?


    Que Maat tenha nossa corajosa juíza em seus braços emplumados, que a nação brasileira acorde de seu torpor televisivo e que a mão pesada da Justiça chegue em seus algozes.


    Que Assim Seja. Que Assim se Faça.


    Sergio Thot

    terça-feira, 21 de junho de 2011

    A MAIS ESCURA DAS NOITES

    Olá a tod@s!


    Como vão vocês na mais escura das noites?


    Pensei muito na questão da noite escura conforme o sol descia ao horizonte. Passava um pouco das 17h20 em São Paulo e o manto de Nix avançava pelo céu com incrível rapidez. Mas nós moradores das cidades vivemos dias artificiais através das luzes elétricas, longe das florestas negras e criaturas da noite.


    Então não temos a exata percepção da importância da data e de como o astro-rei nos é essencial. Só quem vive à maneira antiga, e os enclausurados, sabem o que é perder o sol. Imagino o desespero de Korê e de Deméter, cada uma vivendo a sua própria escuridão e desespero. Leia sobre minhas percepções de Korê/Perséfone/Prosérpina AQUI. 


    Lembrei de Korê, a Deusa Raptada, na noite de ontem assistindo a um documentário que me tirou boa parte do sono. Este falava de duas meninas russas raptadas, mantidas cativas no subsolo e seviciadas por quase quatro anos em troca de comida e água. Para elas foi o mais longo dos invernos. Leia AQUI.




    "Não Sou Vítima"


    Mas lá nas profundezas, entre as garras da morte elas encontraram suas forças. Primeiro em si mesmas e depois uma com a outra. Desta forma enganaram seu carcereiro, pediram socorro e foram libertadas. Seu agressor preso e mandado para Sibéria. Eu pensei "Minha Deusa, ficaram marcadas para sempre". Mas qual! Tempos depois voltaram as duas, entraram no cativeiro e perceberam que o medo que sentiram fora embora. Ambas casaram e são felizes ao que parece. "Não somos vítimas. Nunca pensei em mim como vítima", exclamou uma delas.


    Hoje é a noite mais escura, e/ou fria e/ou estéril do ano e ao mesmo tempo tal data é carregada de promessas. Pois foi em uma época como essa, onde um dia nossos temores parecem mais profundos, que uma Korê raptada encontrou sua força e se transformou em Perséfone. Sabe como?


    Dando um sentido à sua vida. "Sou uma Deusa, filha de uma Deusa. Quero viver e ensinar a outros o que sei. Ensinar através daquilo que vi e vivi.", ela disse. E nas profundezas da terra uma luz de seu amor para nós brilhou. E foi essa luz que não só iluminou seu caminho de volta como serviu de farol para outras almas que quiseram retornar à Roda da Vida.


    Nossas meninas russas fizeram seu caminho de Perséfone também, pois amaram a Vida e uma a outra na escuridão infernal e foi esta força que as levaram para luz. Foi a lição de Yule que aprendi este ano.


    Também somos filhos do Deus e da Deusa. Encontre o sentido para sua vida, algo que vá além de você mesm@ e foque nisso neste ano que se inicia. A caminhada logo se iniciará. Junte suas forças!


    Saúde, amizade, liberdade!


    Feliz Yule.




    Sergio Thot.




    domingo, 12 de junho de 2011

    ÍBICUS

    "Tomai a minha causa, grous, já que nenhuma voz, além da vossa respondeu ao meu grito."


    Íbicus ensaguentado, clamando por justiça
    O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch


    Olá a tod@s, como vão?


    Quero abrir meu coração a vocês diante das notícias referentes aos ambientalistas mortos no Pará [1], que defendem a floresta com o próprio sangue. Mas especificamente sobre o porquê de coisas como estas acontecerem em uma nação que tem a pachorra de querer sediar eventos mundiais importantes como a Copa e as Olimpíadas, mas que não consegue controlar seu próprio território. Pessoas como José e Maria  não fazem a defesa da floresta porque é cool ser ambientalista. Defendem sobretudo seu sustento imediato, porque suas vidas dependem disso.


    Senhoras e senhores, existe uma lista de pessoas marcadas para morrer[2]. Podem imaginar isso? Eu não posso. Houve uma reportagem de um grande canal de televisão alertando para a existência de tal lista. Milhões de pessoas viram, no entanto as forças constituídas não deram a menor bola. Era preciso que houvessem corpos. Os corpos existem. E agora?


    Para entender porque foram morto é preciso entender o que é extrativismo.




    José e Maria


    José e Maria viviam a mais de 20 anos em uma área verde preservada na cidade paraense de Nova Ipixuna. Com outras famílias viviam da coleta de frutos da castanheira-do-pará e óleos vegetais. Ou seja, não era interessante a derrubada da floresta, mas seu manejo. No Brasil existem as chamadas reservas extrativistas, que tem a finalidade de prover recursos de subsistência às suas populações e ao mesmo tempo, mantém a floresta através do uso sustentável[3].


    A questão é que a própria castanheira, assim como outras espécies da região, possuem um preço quando cortadas e vendidas para o mercado interno e/ou externo. Como árvores deste porte levam décadas para atingir a idade adulta, derruba-las é danoso em muitos aspectos, pois é deixar famílias ao deus-dará. A derrubada da floresta implica em abrir grandes extensões de área que são ocupadas para o plantio de monoculturas do agronegócio, como a soja, visando a fabricação de ração para o gado europeu e a pecuária nacional.


    O lucro, como a história do capitalismo prova, não pode ser detido em nome do assim chamado "mato". Mato é para queimar. As pessoas também, se entram na frente. Existe uma lista de pessoas marcadas por estes verdadeiros Comensais da Morte.


    A queda da floresta também envolve a desertificação da floresta, com a ocorrência de secas no Amazonas somadas a outras questões climáticas complexas[4]. Pode imaginar o Rio Amazonas sofrendo com a seca? Por isso temos esta luta de titãs entre o agronegócio e os ambientalistas regada a sangue. Durante o governo anterior o palco da luta mudou para os ministérios, vocês lembram? Os quebra-paus civilizados entre Marina Silva e Dilma Rousseff e suas pastas do Meio Ambiente e Desenvolvimento?[5]


    E mais uma vez temos morte na mata. Foi quando lembrei de Íbicus.




    Íbicus


    Poeta grego, seguia sozinho pela estrada rumo a Cidade dede Corinto, onde jogos e apresentações o aguardavam. No meio do caminho fora surpreendido por ladrões que o feriram de morte. Era um poeta e não um guerreiro. Ensanguentado, clamou por justiça mas exceto os bandidos que gozaram dele, nenhum ser humano ouviu suas preces.


    Caído e só, lágrimas escorreram das faces. Quem lhe daria um enterro digno antes que as feras da floresta reclamassem seu corpo frio? Sua alma não teria paz e vagaria entre os mundo. Enquanto a vida se esvaia dele e os mal-feitores contavam seu butim, um grupo de pássaros chamados grous cruzou o céus. Eles responderam ao chamado! Já não estava mais sozinho e assim o poeta Íbicus morreu, olhando para o céu. Leia sobre a história de Íbicus no Google Books clicando AQUI.




    Clamor às Erínias


    Neste momento, enquanto eu escrevo ou enquanto você lê, outras pessoas sangram por acreditarem em algo que é maior que elas mesmas. Seja no asfalto, ou num chão de folhas ou nas areias de uma terra distante. Que as mãos frias das Erínias alcancem seus algozes e que não tenham paz até que justiça seja feita.


    Que Assim Seja. Que Assim se Faça!




    Sergio Thot.

    sexta-feira, 8 de abril de 2011

    GOSTO AMARGO

    Olá a tod@s.

    Não pensava que sentiria o mesmo gosto na boca novamente, mas o fato é que a vida é cíclica, não? As coisas sempre voltam e voltam. Falo sobre a manhã desta quinta, 7, onde um homem entrou numa escola para matar crianças e jovens aparentemente a esmo. A última vez que senti tal gosto foi em 11 de setembro de 2001. Talvez muitos dos que estão a ler lembrem de onde estavam e o que faziam exatamente naquele dia. Como no dia do massacre do Realengo, era uma manhã clara de sol aqui em casa e eu me preparava para trabalhar. Minha esposa liga a tevê e descobre a tragédia.

    A primeira coisa que pensei quando vi as reportagens é que tal ato vil fora cometido por amor a uma das alunas. Tem-se matado muito por amor nesses dias aí, haja visto um caso local que ganhou as manchetes do Brasil, o caso Mércia. Como todos que tomaram conhecimento do massacre do Realengo, esperávamos por respostas. Mas até então fomos trabalhar, o Brasil e eu, sem qualquer explicação e com este gosto ruim na boca.


    A carta

    Faz poucos minutos que li o conteúdo da suposta carta onde o assassino explicaria suas motivações para atirar em crianças e não vi nenhuma. Apesar de falarem que seus alvos eram aleatórios, disparar contra um número quase absoluto de meninas revela para mim um traço de misoginia (explicação AQUI).Ou a proporção de meninos na escola é minúscula. Eis um trecho:

    “Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão". Leia o conteúdo completo AQUI.

    Incrível como as pessoas classificam o sexo como algo mais impuro que o assassinato de crianças ou de adultos.Que mente teria sido esta?

    A suposta carta não esclarece nada. Ficaram mais perguntas que respostas. O blog Arauto da Consciência dá nome aos bois: crime de ódio misógino (veja AQUI). De fato, tudo indica que é.


    E agora?

    Agora é o vazio para quem fica, porque quem se vai já resolveu esta questão. Para quem fica resta viver dia a dia com a pergunta que não tem resposta: porque nós? Não se sabe. A figura humana tenta achar respostas mas o fato que muito do que nos acontece não tem explicação.

    Ouvi nas reportagens muito "Graças a Deus meu filho se salvou", como se o Divino escolhesse quem vive e quem morre imerso numa poça de sangue. Mas a escolha é sempre nossa. Espero que todas as pessoas envolvidas direta ou indiretamente com o massacre do Realengo façam mais que vestir branco e pedir paz em passeata. A paz agora é inútil. Já vivemos em paz por muito tempo.

    Uma paz falsa, uma paz armada, uma paz de ranger os dentes, uma paz que olha para trás a cada cinco segundos para nos certificar que não somos seguidos. Desta paz estou saturado.

    Agora é tempo de turbulência. Tempo de agitação. Tempo de descobrir como as pessoas conseguem armas. Tempo de sacudir o mundo destes negociadores da morte e dizer-lhes: a guerra chegou à sua porta. Também temos que levar a guerra à porta dos que votam em tiriricas e bolsonaros. Dos que falam "isso não é meu problema" ou "cada um no seu quadrado". Seremos pentelhos. Seremos inconvenientes. Seremos chatos. Muito pai choroso hoje olhava a violência pela tela da tevê assim como um boi olha o mundo pela cerca antes de seu filho tombar morto. Se vive no mundo é seu problema. Sempre é. Porque a morte sempre chega e leva.

    Levaremos a guerra à porta destas pessoas e tiraremos a paz deles, também. Pois esta paz bovina, esta paz de abatedouro que leva um por por um, um dia pega a gente.

    "Eu vejo o futuro repetir o passado
    Eu vejo um museu de grandes novidades
    O tempo não pára", já dizia o Poeta.

    Fiquem em guerra.

    sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

    YES, WE CAN!

    Olá a tod@s.

    É o fim da agonia política no Egito após a renúncia do ditador-faraó Mubarak que ficara 30 anos poder cumprindo seu dever cívico, que era juntar em contas no exterior uma quantia equivalente à  R$50 bilhões, em estimativas modestas. Mas, como dito no texto "Rei Morto, Rei Posto", um líder pode subir ao poder nos braços do povo mas só fica lá com apoio das baionetas. Sem o exército para lhe dar suporte, o maior ditador é apenas um homem megalomaníaco sozinho em uma sala grande. Uma vez retirado o apoio dos militares, não há governante que resista no trono. De certo modo todo poder emana das Forças Armadas e em nome de seu povo é exercido.

    Como em todos os países, é justamente o povo que mais sofre as conseqüências de seus governos, principalmente aquelas pessoas que tiram o sustento da terra. Governos mais ou menos ditatoriais  transformam as pessoas em recursos humanos, em estatísticas e estimativas. Sistemas econômicos estatais ou liberais fazem o mesmo, tanto que a maior preocupação das nações era saber se a Bolsa de Valores iria subir ou descer, como ficaria a cotação do barril do petróleo, a administração do Canal de Suez...

    Pouco ou nada se falou no estado de emergência vivido pelo povo egípcio fazia 30 anos. É como estar em estado de guerra permanente. O medo é uma importante arma dos governos, sejam eles mais ou menos ditatoriais. Pode-se acostumar a este estilo de vida e achar que "é assim que Deus quer" desde que não se saiba como é o mundo lá fora.


    Janela para o Mundo

    Queima de livros da Alemanha Nazista
    Neste ponto a Internet é para o século XXI o que Gutemberg foi para a sua época. O inventor alemão deu o primeiro passo para a popularização do livro, esta arma contra a estupidez e a barbárie. O conhecimento sempre foi uma arma contra ditadores. Os merlins da Bretanha eram homens perigosos porque seriam o depósito vivo do conhecimento de um povo. A Revolução Cultural chinesa teve como ação icônica a queima de livros proibidos. As bruxas foram para as mesmas fogueiras e até hoje em sua homenagem chamamos nossos livros que contém experiências pessoais dentro da Religião de Livro das Sombras, pois tinham que ficar escondidos. Se hoje os cristãos protestantes até doam bíblias, os primeiros anos após o nascimento da ICAR foram marcados por cultos falados em uma língua desconhecida a maioria das pessoas e em certas fases da história de proibição de tradução para a língua nacional.

    No entanto o caminho do compartilhamento de informação só segue adiante, para o bem e para o mal. Pode-se represar um rio por muito tempo, mas não para sempre.Temos acesso hoje a informação de qualidade mas, sem uma linha-mestra, sem objetivo é só entulho. E há o conteúdo que visa somente a diversão vazia, ou deturpada de maiores valores, como um chiclete. Os egípcios souberam fazer bom uso dos  veículos e espero que outros povos façam o mesmo.

    Porque nós podemos.

    Saúde, amizade e liberdade ao Egito e a todas as nações.


    S. Thot


    terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

    BENDITO FRUTO!

    Mesmo antes de nascer a vida de Mani estava em risco. Filha da união de sua mãe com o Divino, ela estava sujeita a lei dos homens e esta dizia que mulher grávida é mulher casada com homem. E aonde estava o pai? Não se sabe. A mãe de Mani chora dias e noites sob o olhar severo do pai, jurando que não fora à mata com ninguém da tribo para se deitar na relva e fazer amor. A tribo a despreza ou a evita como se tivesse uma doença contagiosa. Se afastam.

    O que a Mãe, nossa Mãe, não sabe é que ela alimentará nações com o fruto de seu ventre que já vem até com nome: Mani. Tal-e-qual Demeter de Outras Terras, ela chorará muito por sua filha mas suas lágrimas serão lembradas para sempre enquanto o sacrifício Dela e de Sua Filha for por nós repassado. É da Casa de Mani que surge a farinha que minha mãe habilmente misturava com carne, legumes, caldo e temperos e comia com gosto. E eu, criança, lutando com o garfo e a faca achava aquela destreza o máximo, rs!

    A batata salvou milhões na Europa (sendo que países inteiros dependiam de boas safras, como pode ser visto AQUI) e a mandioca outros milhões na África, onde até hoje é plantada tendo como a Nigéria um de seus maiores produtores.

    Mas ainda estamos às portas do Equinócio do Outono e o fruto ainda não está maduro. Sejamos fortes e pacientes como Mani. Que a menina-Deusa nos ensine a suportar os encargos de ser o que somos, apesar de nossas origens! Feliz Lammas.


    Ps.:

    Vejam como são as coisas. Este texto se inspirou em outro blog, o Círculo de Gaia e agora a corrente segue adiante através do blog do amigo Saulo, o Empório da Bruxaria. Mas nosso amigo mineiro lapidou o pensamento em poesia. Segue um trecho. Aproveitem e leiam no original também, rs!


    "Uma nova esperança,
    Que a tribo iria receber,
    Tão bela criança,
    Fruto de um bem querer,

    "Da concepção divina,
    O cacique duvidava da pureza,
    E em seu sonho veio à confirmação,
    Tupã, do ato explicou-lhe com clareza."

    S. Thot

    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

    REI MORTO, REI POSTO

    Olá a tod@s!

    O fogo da mudança ameaça as terras egípcias nestes dias. Lembram do texto Saber Perder deste blog? Então... o "presidente-faraó" do Egito não sabe perder. O país vive uma crise econômica e social e o cara quer ficar lá eternamente após uma semana de choques entre forças policiais e manifestantes no Cairo! Fez às pressas uma reforminha meia-boca nomeando um policial para o cargo de vice-presidente e dissolvendo o ministério que ele mesmo nomeia. "E daí?", podem vocês pensar.

    Bem, levando em conta que o atual manda-chuva do lugar era vice-presidente antes de assumir o poder a 30 anos atrás, traça-se então uma interessante linha decisória, não acham? E já vivemos uma situação parecida aqui no Brasil também.

    Se Mubarak fosse pagão e a terra e seu povo empobrecessem, a decisão mais acertada que ele tomaria era sacrificar sua posição  para alguém mais capaz de tomar conta de sua mátria terra. Quando as coisas vão mal o responsável por ele é o líder.

    Mas ele não casou com o Egito como faziam os reis do passado, mas o tomou e se mantém no trono graças ao exército e não por causa da sua capacidade administrativa. E para não largar o osso todos os métodos truculentos são usados, desde os mais antigos como as balas, fuzis e tanques, até algo relativamente novo que é desligar a Internet e a rede de telefonia celular! A tevê Al Jazeera já foi pro espaço!

    Temo pela seguranças das pessoas que lá moram e que estão montadas em um barril de pólvora. O Egito é um importante aliado ocidental na região então poucos presidentes darão um pito no Mubarak. Se não deram um sermão no homem nos últimos 30 anos, porque o fariam agora? E o rei da Arábia Saudita (país que, entre outras coisas, proíbe as mulheres de dirigir) já demonstrou seu apoio ao "presidente-faraó". Lógico, pois a próxima cabeça a ser pedida nas ruas pode ser a dele! Lembrando que os protestos contra a corrupção e pobreza nasceram em outras nações da região, como a Tunísia. Enquanto isso, os saques aos patrimônios culturais e residências na capital já começaram.

    Fica a lição para vocês sobre a vida em uma nação: os homens no poder em geral são eleitos nos braços do povo, mas sempre que podem se mantém no poder graças as baionetas dos soldados.

    Que a paz e a prosperidade voltem às terras banhadas pelo Grandioso Nilo.


    E para provar que um governante se apoia mais em seu exército do que na Constituição, deixo-lhes uma lição de nasceu a primeira Constituição no Brasil, contada pelo historiador Eduardo Bueno.


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    Sergio Thot.


    quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

    1º CIRANDA DAS MULHERES SÁBIAS - SÃO PAULO

    Bom dia, pessoas.

    Por enquanto só vim repassar um convite feito pelo blog, Dea Mater, com apoio até o momento dos blogs Germinando, Universo Eco-Feminino e do Stregheria Pratica. Segue o conteúdo.

    Saúde, amizade, liberdade

    S. Thot


    O Projeto CMS é mais uma iniciativa que visa reunir mulheres de todas as idades e culturas para uma roda de trocas não só de experiências, mas de pensamentos e anseios dentro do "ser mulher" ontem e hoje.

    O que eu, como mulher, preciso nos dias de hoje? Quais as mudanças que eu vi no decorrer da vida?
    O que aprendi ou o que desejo aprender com mulheres como eu?

    Vamos trocar histórias, experiências, visões e muito mais nesse encontro de mulheres sábias!

    Dia 5 de Fevereiro de 2010 (sábado), às 14h30
    Parque Ibirapuera, na entrada da Oca - Portão 1 e 2
    No caso de chuva, essa entrada ficará mais fácil para encontrarmos local coberto.
    Que tal levarmos comes e bebes para um lanchinho?

    Contato: rfpetropolis@hotmail.com (Rachel)
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    domingo, 23 de janeiro de 2011

    LIBERDADE DE PRESENTE

    Por esses dias visitei o Museu Afro-Brasil, que se localiza dentro do Parque do Ibirapuera. Fora a primeira vez que fazia tal viagem cultural e realmente fiquei sem palavras. Não só pelas dimensões do museu, mas também pela diversidade de nossa história enquanto povo. Apesar do título, arrisco dizer que o acervo é bastante democrático e mereceria o nome de Museu do Povo Brasileiro. Polêmicas à parte, quero comentar com vocês coisas que senti enquanto caminhava pelas galerias.

    Como pessoa de etnia negra que sou, visitar o museu serviu como parte da consolidação de minha identidade cultural, pois sou filho de uma Diáspora que durou 200 anos entre várias regiões africanas e o Brasil, e que terminou se maneira irresponsável. Há uma certa dívida que não pode ser cobrada em dinheiro ou pedido oficial de desculpas. É um vazio que só Thot, Senhor do Tempo, saberá curar.


    Olhando os guilhões e correntes, as gravuras, os anúncios de época de negros fugidos, fiz um link com outro grupo que sofreu perseguições por ser o que é: os bruxos. Também sou um filho desta cultura que adotei no final da década de 90 e a comparação para fim foi óbvia e inevitável.


    Liberdade de Presente 

    Hoje em nosso país temos a liberdade de nos expressar de maneira livre mas nem sempre foi assim. As chamas da Inquisição também aportaram nesta terra trazendo outras formas de violência, como nos fala o historiador Rainer Sousa, no Mundo Educação:

    "Em vários documentos de época, possuímos o registro de algumas situações onde homens e mulheres apelavam para os saberes místicos de alguns feiticeiros. Geralmente, essa opção era ativada quando os remédios e ações litúrgicas cristãs não surtiam o esperado efeito em alguém que sofria com alguma enfermidade física ou emocional. Muitas vezes, até mesmo alguns padres eram denunciados aos seus superiores por recomendar a ação desse tipo de prática religiosa.

    "Para frear esse costume, os dirigentes da Igreja fizeram o requerimento das chamadas visitações do Tribunal do Santo Oficio. Essa instituição, criada nos fins da Idade Média, tinha por função combater qualquer tipo de manifestação que representasse uma ameaça contra a hegemonia dogmática católica. Em 1591, o clérigo Heitor Furtado Mendonça foi o primeiro a estabelecer essas visitações que investigavam os casos de heresia ocorridos no Brasil."
     

    Hoje o máximo da perseguição que as bruxas sofrem hoje é muitas vezes o corte da mesada da mamãe.

    Em minha visita ao Museu Afro-Brasil, parei diante de correntes e enforcadores penduradas na parede. O sol da tarde iluminava o corredor enquanto crianças passavam entre risos e brincadeiras, alheias aos instrumentos de dor ali presentes. Será que será tudo isso é coisa do passado mesmo? No Brasil, talvez sim. Em alguns países as perseguições continuam, pelos mais variados motivos e meios. A escravidão também. 

    As pessoas negras e as pessoas bruxas desta terra tiveram perseguidores, períodos e motivações diferentes.  Mas a dor e o medo das pessoas não são iguais a todos? Nossa liberdade é um presente dado por centenas de pessoas que viveram, soluçaram, gritaram e morreram por serem o que são. Somos gratos por isso?

    Convido vocês a visitarem o Museu Afro-Brasil, se vierem a São Paulo, e responder a esta e outras perguntas.

    Saúde, amizade, liberdade.

    Sergio Thot. 

    Ps: segue a Dispara, com Jair Rodrigues. Os mais mocinhos nem vão assistir um vídeo em preto e branco, mas tinha que colocar este material, pois a época em que ele foi gravado é embremática, haja visto a presença de políciais em cima do palco e na platéia. Em 60's, as bruxas a serem caçadas eram outras.

    sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

    ALMA NOBRE


    Sempre penso que as pessoas devam ser os heróis e heroínas de suas vidas. E isso significa mergulhar na lama da vida sem ser parte dela. Tarefa difícil. Ter a alma nobre é enxergar e criar além do comum, acredito.

    É tornar o lugar onde mora  uma Paris. Quem não quer morar em Paris? Eu quero! É uma cidade que me fascina, cuja a mais famosa igreja, Notre Dame data dos anos 1100! E que antes dela havia ali um templo dedicado a Júpiter construído pelos romanos conquistadores. E que antes deles os celtas provavelmente já usavam o lugar para suas cerimonias. Podem sentir o que eu falo?

    Mas Roma não foi feita em um dia, nem Paris, Londres ou Lisboa. São fruto de uma construção física e psíquica em que dado momento alguém disse para si e para os outros: epa, existe algo grandioso aqui! E em mim também!

    Todos estes lugares nasceram como aldeamentos vira-latas. As cidades são a soma de pessoas, de residências, de pensamentos e ações comuns. Em Londres não faz muito tempo as pessoas jogavam o conteúdo matinal do penico nas ruas. Hoje, se assistir a reportagens internacionais e reparar nas ruas verá que elas estão limpas e organizadas. É uma amostra de uma cidade que é consciente de ser uma das vitrines do mundo. Mas teve que haver o momento do estalo, da epifania, da revelação.  E neste momento foi possível vislumbrar um futuro diferente e uma capacidade de liderança do próprio destino.

    Você pode dizer o mesmo de si ou do lugar onde mora? Pode afirmar com segurança que é você é uma referência positiva para outras pessoas em contraste ao modelo midiático atual? Quem é ou será a heroína de sua filha? As grandes mulheres do passado representadas por você ou alguma siliconada barraqueira do BBB 11? 

    Temos a chance incrível de transformar a nós mesmos e ao lugar onde moramos. De sermos heroínas e heróis de nossa históiria. Podemos escolher que o bairro em que moramos seja um Haiti ou uma Suíça. E isso não vem do nada, não é de graça, mas passa pela organização, limpeza, estudo, trabalho. Temos uma geração inteira de jovens que detestam estudar e que não ligam as palavras trabalho à progresso.

    "Mais do que criar uma extensão do Bolsa Família para a faixa até os 18 anos, como foi feito agora, a pesquisa mostra que é preciso despertar e conquistar o interesse do jovem em permanecer na escola."

     Fonte: O Globo
     


    Sim, lamento ser o portador de notícias ruins, mas não é possível sustentar um país de Tiriricas. Já basta um que mal chegou no Congresso Nacional e pegou um aumento de 60 e poucos por cento  em seu salário de parlamentar enquanto a maioria dos trabalhadores levou 10 vezes menos para casa. Bem, o mal está feito e seguindo a tradição pão e circo de nosso país, as coisas ficarão como estão.

    Sigamos em frente.

    Não importa o quanto o corpo se suje, desde que sua alma esteja limpa. Se sujar faz bem! Rs!

    Saúde, amizade, liberdade.


    S. Thot 

    quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

    DA ANTIGA EUROPA AO MORRO CARIOCA


    "A ausência de evidência de violência no período neolítico é tão completa que chega a ser quase inacreditável. Nos locais em que os escavadores encontraram sepultamentos em massa, seja de grandes comunidades ou de pequenos grupos durante um longo período de tempo, virtualmente nenhum dos corpos mostra qualquer sinal de morte violenta. (...)

    "A evidência da não-violência vai além das mortes individuais. A cidade neolítica  escavada próximo à Çatal Hüyük, em Anatólia, na Turquia (em geral chamada simplesmente de Çatal Hüyük), é uma das cidades mais antigas do mundo, datando de 7250-6150 a. C. O arqueólogo James Melaart encontrou evidência de 800 anos de habitação contínua. Nenhuma vez o registro arqueológico mostra sinais de um saque ou de um massacre - nenhum em 800 anos."

    Da obra O Corpo da Deusa, de Rachel Pollack

    Não é de hoje que as pessoas simples, que mourejam sob o sol sofrem na mão de hordas violentas. Segundo várias pesquisas uma civilização não violenta residia no chamado Crescente Fértil durante o período neolítico em uma área que ia dos atuais Iraque até o Egito, passando pelo litoral mediterrâneo. Saiba mais sobre a milenar cidade clicando AQUI.

    Composta por fazendeiros (Pagãos? Camponeses?) foram os grandes inventores da humanidade pois a vida fixa na terra permitia a reflexão sobre as questões práticas da existência. Quando temos segurança em todos os aspectos de nossa vida ganhamos tempo ocioso. Com este tempo pensamos em modos práticos de melhorar o que já está bom: o cálculo, a escrita, a agricultura e suas ferramentas, a metalurgia, a cura. Sabe o que acontece? Mais tecnologia, mais segurança e conforto. Então surgem mais pessoas e as aldeias viram cidades.

    Neste berço esplêndido supõe-se floresceu uma religião matrifocal, se não matriarcal, dirigida à terra e a sua manutenção. Há quem sustente que no neolítico vivemos o período da Religião da Deusa.

    Mas como tudo que bom só dura algumas centenas de anos, tribos do norte, os chamados indo-europeus, ocuparam pela coerção estas regiões e se estabeleceram em definitivo. Era o fim da paz na terra entre os povos de boa vontade. Como a vida é cíclica, a gente sempre vê as coisas acontecerem de novo e de novo.


    Ocupe seu lugar no espaço

    Tal-qual os povos invasores da Antiga Europa, durante décadas assistimos os morros cariocas e as favelas paulistas serem tomadas por um novo tipo de conquistador no espaço deixado pelo Estado. Lembre-se que a natureza detesta espaços vazios e que se há um vácuo de poder ele TEM que ser ocupado, seja pelo poder do Estado, a organização do cidadão ou a ação criminal.
    Seja no Complexo do Alemão, na praça perto de sua casa, aquele terreno baldio ou casa abandonada, o espaço nunca fica vago por muito tempo. Então cabe a uma destas três forças (O Estado, o cidadão ou o crime) a ocuparem, sendo que só duas delas possuem o monopólio da violência. A guerra de ocupação que testemunhamos pela tevê ou mesmo ao vivo (Deusa, se compadeça destas pessoas) é uma amostra do que acontece quando a organização popular deixa seu mundo à deus-dará.

    Que Têmis restabeleça a ordem quando as Erínias cumprirem seu papel. Caso queira fazer um pedido especial a elas, vou lhe dar um combustível emocional.

    sexta-feira, 24 de setembro de 2010

    NINGUÉM SE METE COM O LEÃO

    Leão vermelho do calor do meio-dia
    Ser flamejante, Quentura de verão

    Invocação do Quadrante Sul, retirado d'A Dança Cósmica das Feiticeiras, de Starhawk.

    Olá a todos!

    Vivemos em uma sociedade de conflito. Ao mesmo tempo que nossa sobrevivência ao longo de milhares de anos se deu graças ao de fato de sermos homo socius, pelas nossas diferenças e objetivos muitas vezes lutamos uns contra os outros pelos mais diversos motivos. Às vezes a batalha é sutil, mas nem sempre.

    À medida que o ano avança e os obstáculos se alinham, nossa força e fé são testadas continuamente. É comum que nos primeiros embates nos recolhamos com temor instintivamente, tanto para poupar energia quanto para evitar feridas, seja no corpo ou na alma. Mas é fato também que isto faz com que cedamos espaço precioso, duramente conquistado.

    Gostaria de dizer que é possível atravessar a vida em brancas nuvens de paz e tranquilidade, mas seria um engodo. Há muito o que fazer nesta terra e não dá para deixar para depois. A cada manhã o mundo nos pergunta como será nosso dia. Não só nos eventuais grandes feitos, que podem fazer nosso rosto aparacer no jornal da noite, mas também nas coisas simples da vida. No copo que sujou e se será lavado por você, se você recolherá o lixo ou deixará a outro, se dará bom dia ao motorista do ônibus com vontade de dar bom dia.

    Cada dia é uma batalha contra o medo, a preguiça, a descrença, o desânimo.


    Regra de Ouro do Leão

    Toda manhã, quando o sol nasce, ele pergunta ao leão como perguntou a você: e aí, como vai ser seu dia? E o gatão não tem escolha. Usa as armas que tem para tentar ver o entardecer. A vida é dura e a expectativa de vida deles é curta. Concordaria até que viveriam mais em jaulas, mas não é para isso que os leões são feitos, não acha?

    Nas savanas africanas o leão se impõe pela presença graças aos seus ancestrais que derramaram o sangue na terra para inserir no coração de cada ser a lembrança primordial de seu rugido e do significado de sua juba. Afinal a segurança da família depende da sua capacidade de mante-la à salvo dos perigos.

    Mas é fato que o felino hoje também tem sua própria voz e que precisa renovar esta lembrança. Que o leão que conhecemos hoje é um ser aperfeiçoado, lapidado pela Deusa Sekhmet para distribuir bençãos ou castigos. Para que nossa voz seja ouvida nossos atos falam por nós. Como o leão, temos que ser moldados pelo fogo da batalha pela vida.

    Como o leão vermelho do meio dia, que nossa presença encha os ambientes e os corações de todos avisando que somos belos e civilizados, mas temos garras e não somos bobos.

    Que Assim Seja.


    S. Thot.

    Ps.: talvez goste de ler também sobre a Domesticação de pessoas.