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sábado, 19 de março de 2011

FLORIPA, ILHA DAS BRUXAS!

Fonte: Wikipedia
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Olá a tod@s! Estivemos a esposa eu recentemente na Capital de Santa Catarina e confesso que Florianópolis é de fato uma cidade muito bonita para se visitar e viver. É a união equilibrada entre o urbano e o natural e, segundo consta, possui um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano do país. Veja AQUI nosso álbum de fotos no Orkut. Aproveite e me adicione também, rs!

Um fato que me chamou a atenção é que, além de paraíso do surf, Floripa como é carinhosamente conhecida, também é chamada de Ilha das Bruxas, ou Ilha da Magia. Pelo menos foi o que nos disse a proprietária de uma loja de produtos artesanais também chamada de Ilha da Magia, rs! Ela nos conta que a fama se deu graças a ocupação feita pelos portugueses açorianos ainda entre 1700 e 1800.

"Dom João V, rei de Portugal, determinou em 1747, a transferência de 4.000 portugueses, oriundos das Ilhas de Açores e Madeira para as províncias de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.Em 1748, começaram a chegar, na Ilha de Nossa Sra. do Desterro, atual Florianópolis, em Santa Catarina, os primeiros casais e desertores. Entre esses desertores, havia algumas mulheres que foram afastadas de Portugal acusadas de feitiçaria.Assim sendo, os moradores da Ilha dos Açores trouxeram suas crenças, seus costumes, suas tradições e suas bruxas."

Fonte:Marina Guadalupe Beims Autora do livro "Wicca e Outras Tradições" 


Açores, para quem não sabe, é um conjunto de ilhas encravada próxima à costa africana e que tinha problemas de superpopulação. Dá para imaginar como eram os recursos e as dimensões da ilha para haver concorrência! Povos do mar, os açorianos se viravam como podiam, logicamente, e contavam com tudo que a Natureza dispunha, seja material ou espiritual.

Isso deixava a Inquisição de Portugal de cabelos em pé. Então, aproveitando a leva de pessoas livres que viam ao Brasil para começar nova vida, aproveitaram para convidar alguns elementos indesejáveis (bruxos, judeus, cristãos-novos) a saírem também, seja do continente seja de Açores.

"No século XVIII, os Açores já tinham um população suficientemente grande para que a Coroa portuguesa incentivasse a emigração de famílias açorianas para terras brasileiras, sobretudo para a parte meridional de então sua colónia na América do Sul." 


Fonte: Wikipedia.

Benzedura de Rita Maria
Chegando em Floripa, primeira parada para os navios vindos rumo à atual Santa Catarina, o povo ia ficando por lá e continuando a vida, inclusive a receitar seus remédios espirituais e herbáceos aos locais. Afinal, onde tem procura tem oferta. Daí a fama pegou. A placa ao lado é o registro de uma das falas das benzedeiras locais. 

Aliás, tem um local da ilha onde as bruxas foram transformadas em pedra porque fizeram festa e não convidaram o Caramunhão. Não visitei o local mas pretendo passar por lá na próxima oportunidade. Se houver algum leitor que viva ou conheça as histórias de Floripa, escreva nos comentários que eu copio aqui nesta postagem, certo? Vejam aqui e aqui outros relatos e histórias das bruxas de Floripa. Leiam também a coleção de contos de Franklin Cascaes intitulada Treze Cascaes.

Ah, uma curiosidade! A extinta tevê Manchete criou uma minissérie sobre a lenda das bruxas de Florianópolis chamada Ilha das Bruxas (veja detalhes AQUI). Curioso é que na cidade não vê muitas menções sobre isso. São Thomé das Letras assume melhor esse lado místico (e turístico). Será que os ilhéus não gostam da fama?


Mais uma: há quem diga que o formato da ilha lembra a cabeça de uma mulher velha de chapéu, ou seja, uma bruxa segundo o imaginário popular. Veja a foto de satélite acima e diga-me o que acha!

Quer outra? No Carnaval carioca de 2011 a Escola Grande Rio apresentou como tema advinha o quê? Rs! Ora, "a Encantadora Ilha das Bruxas." Veja a matéria aqui no G1. Aliás a Grande Rio foi uma das escolas vitimadas pelo incêndio que ameaçou o desfile deste ano. Imaginei o número de pessoas que devem ter falado "é... a bruxa tá solta!".


E se puderem visitar a ilha de Florianópolis, façam isso! 

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot


Ps.: segue abaixo a abertura da referida minissérie. Quem tiver mais de trinta anos lembrará!

Ps.: vendo em retrospecto, fomos para São Thomé das Letras no Beltane e para a Ilha das Bruxas em Mabon... Para onde iremos nos próximos sabás, rs!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

REI MORTO, REI POSTO

Olá a tod@s!

O fogo da mudança ameaça as terras egípcias nestes dias. Lembram do texto Saber Perder deste blog? Então... o "presidente-faraó" do Egito não sabe perder. O país vive uma crise econômica e social e o cara quer ficar lá eternamente após uma semana de choques entre forças policiais e manifestantes no Cairo! Fez às pressas uma reforminha meia-boca nomeando um policial para o cargo de vice-presidente e dissolvendo o ministério que ele mesmo nomeia. "E daí?", podem vocês pensar.

Bem, levando em conta que o atual manda-chuva do lugar era vice-presidente antes de assumir o poder a 30 anos atrás, traça-se então uma interessante linha decisória, não acham? E já vivemos uma situação parecida aqui no Brasil também.

Se Mubarak fosse pagão e a terra e seu povo empobrecessem, a decisão mais acertada que ele tomaria era sacrificar sua posição  para alguém mais capaz de tomar conta de sua mátria terra. Quando as coisas vão mal o responsável por ele é o líder.

Mas ele não casou com o Egito como faziam os reis do passado, mas o tomou e se mantém no trono graças ao exército e não por causa da sua capacidade administrativa. E para não largar o osso todos os métodos truculentos são usados, desde os mais antigos como as balas, fuzis e tanques, até algo relativamente novo que é desligar a Internet e a rede de telefonia celular! A tevê Al Jazeera já foi pro espaço!

Temo pela seguranças das pessoas que lá moram e que estão montadas em um barril de pólvora. O Egito é um importante aliado ocidental na região então poucos presidentes darão um pito no Mubarak. Se não deram um sermão no homem nos últimos 30 anos, porque o fariam agora? E o rei da Arábia Saudita (país que, entre outras coisas, proíbe as mulheres de dirigir) já demonstrou seu apoio ao "presidente-faraó". Lógico, pois a próxima cabeça a ser pedida nas ruas pode ser a dele! Lembrando que os protestos contra a corrupção e pobreza nasceram em outras nações da região, como a Tunísia. Enquanto isso, os saques aos patrimônios culturais e residências na capital já começaram.

Fica a lição para vocês sobre a vida em uma nação: os homens no poder em geral são eleitos nos braços do povo, mas sempre que podem se mantém no poder graças as baionetas dos soldados.

Que a paz e a prosperidade voltem às terras banhadas pelo Grandioso Nilo.


E para provar que um governante se apoia mais em seu exército do que na Constituição, deixo-lhes uma lição de nasceu a primeira Constituição no Brasil, contada pelo historiador Eduardo Bueno.


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Sergio Thot.


domingo, 23 de janeiro de 2011

LIBERDADE DE PRESENTE

Por esses dias visitei o Museu Afro-Brasil, que se localiza dentro do Parque do Ibirapuera. Fora a primeira vez que fazia tal viagem cultural e realmente fiquei sem palavras. Não só pelas dimensões do museu, mas também pela diversidade de nossa história enquanto povo. Apesar do título, arrisco dizer que o acervo é bastante democrático e mereceria o nome de Museu do Povo Brasileiro. Polêmicas à parte, quero comentar com vocês coisas que senti enquanto caminhava pelas galerias.

Como pessoa de etnia negra que sou, visitar o museu serviu como parte da consolidação de minha identidade cultural, pois sou filho de uma Diáspora que durou 200 anos entre várias regiões africanas e o Brasil, e que terminou se maneira irresponsável. Há uma certa dívida que não pode ser cobrada em dinheiro ou pedido oficial de desculpas. É um vazio que só Thot, Senhor do Tempo, saberá curar.


Olhando os guilhões e correntes, as gravuras, os anúncios de época de negros fugidos, fiz um link com outro grupo que sofreu perseguições por ser o que é: os bruxos. Também sou um filho desta cultura que adotei no final da década de 90 e a comparação para fim foi óbvia e inevitável.


Liberdade de Presente 

Hoje em nosso país temos a liberdade de nos expressar de maneira livre mas nem sempre foi assim. As chamas da Inquisição também aportaram nesta terra trazendo outras formas de violência, como nos fala o historiador Rainer Sousa, no Mundo Educação:

"Em vários documentos de época, possuímos o registro de algumas situações onde homens e mulheres apelavam para os saberes místicos de alguns feiticeiros. Geralmente, essa opção era ativada quando os remédios e ações litúrgicas cristãs não surtiam o esperado efeito em alguém que sofria com alguma enfermidade física ou emocional. Muitas vezes, até mesmo alguns padres eram denunciados aos seus superiores por recomendar a ação desse tipo de prática religiosa.

"Para frear esse costume, os dirigentes da Igreja fizeram o requerimento das chamadas visitações do Tribunal do Santo Oficio. Essa instituição, criada nos fins da Idade Média, tinha por função combater qualquer tipo de manifestação que representasse uma ameaça contra a hegemonia dogmática católica. Em 1591, o clérigo Heitor Furtado Mendonça foi o primeiro a estabelecer essas visitações que investigavam os casos de heresia ocorridos no Brasil."
 

Hoje o máximo da perseguição que as bruxas sofrem hoje é muitas vezes o corte da mesada da mamãe.

Em minha visita ao Museu Afro-Brasil, parei diante de correntes e enforcadores penduradas na parede. O sol da tarde iluminava o corredor enquanto crianças passavam entre risos e brincadeiras, alheias aos instrumentos de dor ali presentes. Será que será tudo isso é coisa do passado mesmo? No Brasil, talvez sim. Em alguns países as perseguições continuam, pelos mais variados motivos e meios. A escravidão também. 

As pessoas negras e as pessoas bruxas desta terra tiveram perseguidores, períodos e motivações diferentes.  Mas a dor e o medo das pessoas não são iguais a todos? Nossa liberdade é um presente dado por centenas de pessoas que viveram, soluçaram, gritaram e morreram por serem o que são. Somos gratos por isso?

Convido vocês a visitarem o Museu Afro-Brasil, se vierem a São Paulo, e responder a esta e outras perguntas.

Saúde, amizade, liberdade.

Sergio Thot. 

Ps: segue a Dispara, com Jair Rodrigues. Os mais mocinhos nem vão assistir um vídeo em preto e branco, mas tinha que colocar este material, pois a época em que ele foi gravado é embremática, haja visto a presença de políciais em cima do palco e na platéia. Em 60's, as bruxas a serem caçadas eram outras.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

ELEIÇÕES 2010



Olá, como vão?

Este texto teve como motivação principal um e-mail que recebi da ciberamiga Cássia Filetti. O conteúdo dele fala sobre a Manipulação Midiática e como nos protegermos dela. Elencado em 10 itens, a lista é atribuída ao linguista Noam Chomsky.

Eis os tópicos:

1- A estratégia da distração

2- Criar problemas, depois oferecer soluções

3- A estratégia da degradação

4- A estratégia do deferido

5- Dirigir-se ao público como a crianças de pouca idade

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade

8- Estimular o público a ser complacente na mediocridade

9- Reforçar a revolta pela autoculpabilidade

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem

O conteúdo principal está hospedado no blog dela. Siga o link.


Pedido

Se eu tiver o direito de lhe pedir algo, amigo eleitor, é que faça escolhas corretas na hora de votar em seu candidato. Tenha em mente os seguintes itens:

  • Política não é partido nem eleição, mas o conjunto das relações humanas. Cada relacionamento humano é um ato político.
  • A eleição não é o fim da participação política, mas seu início.
  • Procure não votar em pessoas ou partidos, mas em propostas e/ou projetos.
  • Entre nos sites de seus candidatos/partidos.
  • Vivemos em uma democracia representativa. Ou seja, o candidato eleito representa uma ideia. Sem pressão ela não vai adiante.
  • No seu dia-a-dia, procure viver outra forma de democracia, a democracia direta. Participe das decisões em sua casa, bairro, escola, trabalho. Seja no orçamento familiar (abra seu bolso, rs!), na reunião de condomínio ou associação de bairro, seja no sindicato ou grêmio estudantil.

Abaixo segue um exemplo do que você terá que peneirar para eleger alguém com propostas &  projetos para deputado federal. Ai, tomara que o Tiririca não tenha um voto!

Leia também sobre a nossa Mátria Amada!

sábado, 3 de julho de 2010

MAGIA NEGATIVA




Não costumo escrever muito sobre Magias &; Encantos neste blog mas aconteceu algo no MSN que só se somou a outras experiências que tive com o assunto. Um dos meus contatos certa vez disse que estava deixando a Religião da Deusa por estar sendo perseguido por Magos Negros, Liga de Bruxos ou algo assim.


Perguntei-lhe como ele tinha chegado a esta conclusão e me foi dito que soube porque "mexia" com Artes das Trevas, Magia Negra e afins com este suposto grupo. E como meu ciberamigo sabia demais precisava ser "eliminado". Bem, esta história tem para mim vários desdobramentos.


Busca de Poder

Esta pessoa iniciou contato comigo meses atrás, se bem me lembro, porque queria aprender a dominar os elementos. Por aí já vi que o interesse dele não era Magia, mas pirotecnia, exercício de poder sobre as coisas. Não é um pensamento diferente do que se faz no mundo material ao se designar uma floresta com toda sua biodiversidade como "mato". E mato é para queimar. Nosso colega não se dispôs a compreender o mundo e se harmonizar com o todo.

Em sua corrida para o sucesso ele supostamente pegou o caminho mais rápido. Como ele, conheci outros que entraram na Religião atraídos por esta falácia de dominar a Magia ao invés de dominarem a si mesmos, exercer o sacerdócio e servir a sua comunidade tão carente hoje de líderes. Não conseguindo o seu intuito e se perdendo na jornada labiríntica, saíram falando mal de minha Fé.



Ilusão


Já fui em muitos encontros de pagãos como o EAB (Encontro Anual de Bruxos), CWED (Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa), além dos próprios ESBG (Encontros Sobre Bruxaria em Guarulhos). Neles a maioria dos participantes vestia-se de preto com a intenção de repelir negatividade. Meus queridos, pela minha experiência eu lhes digo que tenho mais medo de um soco ou um tiro do que qualquer maldição a mim apontada. Porque a primeira lição que aprendi com minhas mestras e na vida em geral é discrição, não chamar a atenção, "não perturbar o lugar" como diz o texto de Rae Beth aí ao lado.

Não chamando a atenção e consequentemente despertando a inveja, cobiça ou ira das pessoas, é possível entrar e sair de ambientes sem ser notado.
Mas a primeira coisa que se faz ao ingressar na Religião é usar o pretinho básico + maquiagem carregada e outros adornos. Mas é tudo ilusão. Quem adquire bagagem suficiente nesta vida se comporta como o Arcano 9, o Ermitão: aprende mais pelo prazer em aprender e não para fazer micagens.


Evite Problemas

Então minhas crianças, não tenham ilusões de poder. Primeiro porque o poder não é seu, é compartilhado. Segundo que esta ilusão só alimenta o medo e você é forçado a dormir com o athame sob o travesseiro. Se o medo se mantém você sairá correndo para a porta da igreja mais próxima falando cobras & lagartos da Religião, uma das poucas coisas na vida que me enfurece profundamente. Aprendi que a melhor maneira de resolver problemas é evita-los. E para isto a gente observa os ciclos e os Mais Velhos. Como Mais Velho, lhes dou este conselho. E é gratis!


Declare Guerra

Mas se o medo já se instalou em seu coração, não recomendo magia protetiva. Para mim isso soa como um encastelamento. E me vem na cabeça a cena d'O Senhor dos Anéis onde os soldados se veem cercados por orcs em todas as direções e dando conta que estão é presos em sua fortaleza.

Lembra: todo castelo pode virar uma prisão.
Então vá ao campo e luta! Faça como o Leão! Não se encolha dentro de magias protetivas mas brilhe como o sol do meio dia, fazendo com que as pessoas pensem duas vezes antes de mexer contigo. Como sou adepto da simplicidade, uma oração matinal ao Divino e um cristal em seu bolso, bolsa, mochila.

Não tenha medo. Korê foi levada pela Morte para as profundezas da Terra. Mas tanto ela quanto Sua (Nossa?) Mãe lutaram contra seus próprios pavores. Deméter venceu o medo e fez o que nenhum Deus tinha feito: derrotar Zeus. E na escuridão nasce Perséfone, Rainha dos Mortos e renovadora da vida na Primavera que se avizinha. O medo só abre portas para o que você não deseja.

Tenha coragem. Em seu dia-a-dia você atravessa situações que exigem muito dela em nível material. Pense Nisso! Sei que é capaz!


Seja Abençoad@


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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A MAGIA DAS PALAVRAS & AÇÕES




"Ó poderosa Mãe de todos nós, portadora de toda fertilidade, dá-nos o fruto e o cereal, rebanhos e manadas, e crianças para a tribo, para que nos seja permitido ser poderosos. Pela rosa de teu amor, desce sobre o corpo de teu servo e da sacerdotisa presente."


Trecho de Oito Sabás para Bruxas, dos Farrar

Qual é a força de suas palavras e ações? Já pensou nisso? O que você faz ou diz tem a ver com aquilo que pensa, com aquilo que é? Você é fiel a si mesmo?

Já citei aqui e torno a fazê-lo. É uma obra chamada "O Corpo Fala". Ela diz o óbvio: a fonte de todas as nossas alegrais é o equilíbrio interior. E devo acrescentar, da magia também. Veja que nós trabalhamos com Feitiços&Encantos. Ou seja, usamos as Ações&Palavras para mover nossas emoções e nossa vontade.

Isto é importante pois aquilo que fazemos e dizemos carrega o que levamos de dentro para fora. É um parto. Então temos que expor nosso melhor, aquilo que temos de mais verdadeiro, profundo e puro. Mas isso é abrir o peito ao mundo, é derrubar a carapaça de falsidades e mentiras que usamos para sobreviver em meio as pessoas, digamos, comuns.


Não é fácil


Mostrar o que somos, nossos equilíbrios e escorregadas interiores é uma afronta as pessoas. Quando criança eu assistia aos programas do tipo Namoro na Tevê e via um desfile de obviedades. Quando o apresentador pergunta o que procurava no par ideal, o perguntado respondia que queria alguém sincero e blábláblá... É lógico que ninguém quererá casar com um marginal, é evidente. Mas quem deseja a verdade nua e crua? Se uma mulher pergunta ao marido estou gorda, que resposta ele deve dar? Há, pense duas vezes!

Não raro somos assediados para nos negarmos, e afirmar esta mentira com um sorriso nos lábios, pois é preciso manter as aparências, o estático, é preciso conservar para ganhar tempo e elaborar um plano B. E é isso que mina o poder daquilo que falamos e fazemos, o fato de estarmos em profundo desacordo interno.


A fonte de todo o poder

A fonte de todo poder vem do conhecimento. O conhecimento produz a previsão do evento. A previsão do evento antecipa a ação. Quem tem conhecimento se antecipa.

O Poder Pessoal tem a ver com isso, com uma "corrente de energia" que segue por você sem bloqueios ou interrupções. Em Eletricidade isto se chama Fator de Resistência, onde todo material é capaz de conduzir corrente elétrica, mas uns melhor do que outros. Quanto menor esta capacidade, mais o material se aquece, com possibilidade de derreter e se partir com o calor gerado.

Canalizar este poder significa sermos nós mesmos. Mas isso implica na selvageria, na incompreensão do outro que se nega a ver o ciclo, o quadro todo. Implica na nossa marginalização da sociedade, na perca do
status quo.


Em outras vidas e outras terras

Mal sabe esta sociedade exclusora que nosso banimento fortalece-nos. Isso porque estamos isolados daqueles que se escondem em meio a cortinas de fumaça e véus, fazendo então nos destaquemos mais. E este mesmo banimento nos obriga a sermos mais fortes para sobreviver.

E há um dado adicional: sempre encontramos outros "segregados", mais experientes, verdadeiros mestres de si mesmos.


Uma imagem me veio à cabeça agora... de homens e mulheres caminhando para a morte. Não os pobres coitados que foram vítimas de mentiras e traições, inocentes que só faziam simpatias para curar seu gado ou dar saúde às crianças. Mas eu falo de bruxos e bruxas de verdade, que foram pegas e não negaram o que eram e por isso pagaram com a vida.

Eu penso nestas pessoas que viveram e morreram sendo o que eram... íntegras. E como isto é tão difícil hoje como foi a centenas de anos. As fogueiras mudaram, é verdade. E há lugares mais perigosos do que outros... Mas os ataques ao que somos verdadeiramente, e não só bruxos, mas pessoas também, cheias de contradições e defeitos que buscamos melhorar mas que não será do dia para a noite... ah... esses ataques continuam.

Se você quer que suas Palavras&Ações sejam fortes, precisam estar dispostos à sair da zona de conforto.

Sejam fortes!


Saúde, amizade, liberdade.


Leia também: Da Magia


S. Thot

sábado, 25 de julho de 2009

DO ORGULHO





Moro em um bairro periférico da cidade. E nesta situação, andando pelas ruas e observando com atenção eu percebi, olhando para dentro das igrejas, que existe uma forma de culto que eu acho muito estranha.
No comecinho da noite, quando volto do trabalho, vejo as pessoas de joelhos dobrados, com as cabeças encostadas nas cadeiras. Independente da nomenclatura, é algo comum. Eu vi e me arrepiei.

Como wiccano, esta cena me é muito estranha, realmente. Certa vez uma sacerdotisa me disse: a Deusa se orgulha quando trabalho, mas se alegra quando danço. Então essas duas informações se combinaram na minha cabeça e percebi que estava arrepiado. Eu jamais seguiria uma divindade cuja exigência fosse a minha submissão.

Então fui tomado por um sentimento de gratidão enorme pelo Deus e pela Deusa em suas infinitas formas. E de orgulho também, por que não? Eles não regateiam pela minha devoção, não me fazem exigências impossíveis ou me ameaçam. O Casal Divino me abençoa a cada manhã e diz: você é responsável pelos seus atos. Seja adulto e faça boas escolhas.





Escolhas
 

Conversando com pagãos pessoalmente ou via net, pouca gente se dá conta das exigências do sacerdócio. De que há uma comunidade a ser atendida, ritos a serem cumpridos. Muitos buscam na iniciação fast-food poderes sobre-humanos. Mas não há poder, só dever. Foi assim com outros antes de mim, e é assim comigo. E deste modo eu tento seguir.

Nem sempre eu chego lá, é verdade. Mas esta mudança simples de foco, da infantilidade espiritual para a tomada das rédeas de meu destino para servir à comunidade não coloca nos Divinos Ombros toda a carga do que faço.
Logo, minha caminha sobre a terra é minha escolha. Viver assim, pensando bem, exige muita força e a cada dia o mundo me pergunta se aceito a responsabilidade. Enquanto for pagão, a resposta será sempre "sim"!


E sem precisar me sentir mal por ser simplesmente humano.

terça-feira, 14 de julho de 2009

DA ALMA





"(...)Andou por vários dias até alcançar uma gruta, no interior da qual descortinou-se uma fenda que conduzia ao reino de Plutão. Munida somente de sua coragem, Psiquê penetrou nos escuros labirintos da morada dos mortos."

Cupido e Psiquê, retirado da obra As 100 melhores Histórias da Mitologia, de Franchini e Seganfredo

Alma, ou psy·khé em grego, é uma palavra de infinitas significações. Uma delas nos sussurra que é graças a alma, por exemplo, que ficamos agitados, vivos... ou animados!

Quando temos alma, estamos vivos no pleno sentido da palavra, absorvendo e exalando ar, segundo após segundo. A respiração que sempre foi um dos indicadores que nós não passamos para o Outro Lado. Segundo o mito dos povos do Oriente Médio, a vida nos foi dada pelo sopro.

A simbologia que mais gosto é a da borboleta. Creio que existem poucos seres que retratam a metamorfose de maneira tão bela e clara. Primeiramente vemos um ser disforme, às vezes venenoso, cuja a vida é comer e defecar. O tempo passa e ele fica maior e mais voraz, mas nos acostumamos a tê-lo ali. É parte da paisagem.

Certo dia nos damos conta de que ele não só parou de comer como também não se movimenta mais. E que em torno de seu corpo uma fina camada de seda se forma. Se fora fácil esquecer de um ser que se movimentava e comia tudo em seu caminho, imagina então agora que ele sumiu, submergia em si mesmo? Passada uma leve curiosidade inicial, deixamos aquele casulo de lado e tocamos a vida.

Ah, mas é tudo ilusão. Se formos bons observadores veremos, em um dia quente e bonito de sol, que aquela coisinha de seda que estava no canto da janela se mexeu. E mais: Há algo que lá dentro luta para estirar suas asas à luz da manhã. E então elas saem de seus casulos aos milhares, seja para um passeio em seu quintal ou para atravessar um continente. E tudo para achar outras almas, assim como fez Psiquê.

Gosto de pensar que, periodicamente, somos esses seres, que nascem e renascem de tempos em tempos. Seres que romperam com atos inúteis, ciclos viciosos, pensamentos nocivos e acorrentadores, e se cederam ao novo e ao belo, finalmente. Para o mundo elas são jovens, recém-nascidas do casulo. Mas só a Deusa sabe o quanto elas caminharam dentro de si para ganhar asas!

E só a partir disso, quando finalmente emergem plenos em sua vitalidade e leves, é que vão em busca do Amor.

Pensem nisso.


domingo, 28 de junho de 2009

DO RECONHECIMENTO





"O grupo sentiu a necessidade de um líder reconhecido; ao mesmo tempo, senti a necessidade de ter meu recém-descoberto poder reconhecido. O coven confirmou-me como sacerdotisa."


Dança Cósmica das Feiticeiras - Starhawk


Acho que todos já assistiram o filme "O Náufrago", com Tom Hanks. Como o título deixa claro, o personagem em questão se acha preso em uma ilha, longe do contato humano. Para não enlouquecer, fabrica um "amigo". Eu chamo isso de Efeito Bola Wilson. A vida isolada o teria transtornado se não usasse deste recurso pois nós somos animais sociais por natureza, e precisamos do reconhecimento do outro para legitimar de tempos em tempos nossa humanidade.


Nos grupos sociais em que vivemos, como família, escola, trabalho, rua, bairro, cidade ou país, também buscamos nosso lugar e reconhecimento das qualidades que temos. Nos esforçamos para que o melhor de nós seja apontado pelos outros, isto é um fato. E quando isso não acontece apesar de todos os esforços desprendidos, nasce o vazio no peito.


"Você sabe com quem está falando?"

Em algum momento de sua vida você ouviu ou ouvirá está frase. Ela nasce de um indivíduo que possui um título. Qualquer título. E, quando alguém acredita nele comete essas gafes.

Mas a verdade é que títulos, crachás, emblemas são apenas símbolos. E qualquer bruxo que se preze sabe que símbolo não é a verdade, mas sua representação. A verdade tem um pé no real, na prática, na convivência diária.

E nada melhor para provar se o título corresponde à verdade é submeter seu portador à realidade. Não adianta esfregar na cara: tem que provar que sabe. Do contrário, é coerção, abuso, violência.



Katy de Mattos Frisvold nos escreve:


"Ofício é uma profissão, pois se observarmos a pista etimológica, encontraremos a palavra originada do latim officiu, que significa o dever, trabalho de uma pessoa. O povo é que elege a bruxa, procurando-a como a sabia, a ‘consoladora’, a que traz paz de espírito. Seja pela palavra, pelo oráculo, pelo chá servido e o recomendado, ela dá força para que a labuta diária continue apesar dos dramas humanos".


Fonte: Diablerie

O outro é nosso espelho

Nos preparemos para reconhecer no outro as qualidades que faltam em nós para que, quando o momento surgir, ele possa assumir com brilhantismo a liderança e nos guiar pela escuridão da ignorância. Reconhecer no outro a Centelha Divina que tornará aquele trecho da caminhada um pouco menos acidentado.


E nós, quando for a nossa vez de guiar e, uma vez terminada a necessidade, reconhecer o momento certo de nos recolher com humildade e certeza do dever cumprido. Isto é algo que devemos levar em todos os campos de nossas vidas.

Saúde, amizade, liberdade.


S. Thot

sábado, 9 de maio de 2009

DA PROTEÇÃO LEGAL


Já se publicou neste blog, com tema PRECONCEITO, um texto sobre o direito constitucional de reunião religiosa. Segue uma coletânea mais abrangente sobre o assunto que encontrei em outro blog sobre paganismo.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Inciso VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

Inciso VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

Inciso VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Inciso XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

Inciso XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;

Inciso XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;


Inciso XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

ANTEPROJETO DE LEI DO CÓDIGO PENAL (Cópia do DOU-I , de 25 DE MARÇO DE 1998 - Internet)



TÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E CONTRA O RESPEITO AOS
MORTOS
CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO

Ultraje a culto

Art. 226. Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; vilipendiar, publicamente, ato ou objeto de culto religioso: Pena - Detenção, de um a nove meses, ou multa. Impedimento ou perturbação de culto

Art. 227. Impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso: Pena - Detenção, de um a nove meses, ou multa.

Aumento de pena

Parágrafo único - A pena é aumentada até a metade, se o crime é praticado mediante violência ou grave ameaça, além da correspondente à violência.



Um ponto interessante é a questão do porte de armas. Temos o athame e não podemos levar a um parque público por conta da lei federal, pois athame é um punhal e este, uma arma branca. Vale uma pesquisa maior sobre esse assunto e verificar se há exceções à regra.

Saúde, Amizade, Liberdade

terça-feira, 5 de maio de 2009

DA LIDERANÇA




Afinal, o que é ser um líder? Longe das discussões acadêmicas e de todos os conceitos sobre gestão empresarial e das dinâmicas de grupo, um líder é aquele que faz o que é preciso quando ninguém mais teve a capacidade, responsabilidade ou disponibilidade para fazer.
É o que toma a frente quando todos ainda olham uns para os outros e diz "é por aqui" quando a crise chega. E sobre ele pesará a história.

Enquanto tudo dá certo, sua posição é cobiça pela ganância de uns e posta em dúvida pela fraqueza dos outros. Mas quando o caminho é o errado, todos se juntam em volta da fogueira para vê-lo queimar. Não é a melhor posição do mundo para se ficar, evidentemente. Só que há esse chamado, essa coisa interna que nos clama para fazer o que se deve fazer apesar de todos os riscos. E nós atendemos esse chamado.

Um líder luta para a realização de um sonho que é comum, um sonho do qual ele é só um protagonista. Logo sua participação é sazonal, temporária, na medida certa. Ele deseja que a atenção seja voltada para si na medida que é necessário cumprir a tarefa. É alguém assim que eu desejo um dia seguir, se a necessidade surgir.

Os líderes (chefes?) que temos hoje vão na contra-mão daquilo que se é desejado, a medida que torna seus liderados (comandados) criaturas infantilizadas do ponto de vista político. Trato aqui como política a relação entre as pessoas, algo que foge do simples ato de votar em alguém.


"Ah, deixa que alguém resolve..."

A medida que temos mais chefes que líderes perdemos a co-responsabilidade pelo ambiente social em que vivemos. Colocamos tudo nas mãos deles e choramos como crianças birrentas por um pouco de pão e circo. As crises sociais e ambientais pelas quais passamos desde sempre se originam desta dificuldade de enxergar o óbvio: apesar da existência de um líder, o problema é grande demais para um ou poucos resolverem.

Isto partindo do princípio que existe um problema. Não raro pessoas "arrumam" problemas para vender soluções.

Como sacerdotes e seres pensantes sobre a questão ambiental, é importante que sejamos líderes primeiramente de nós e de nossas vidas. E, se ou quando o momento chegar, liderar também outros que nos procuram para a solução de problemas.

Pense nisso.


Ah, e você conhece o vídeo do Primeiro Seguidor? Parece que eu não fui o único a ver o potencial de ensinamentos que ele nos traz, virando até tema de palestra.


Assista abaixo.





segunda-feira, 30 de março de 2009

DA DOMESTICAÇÃO


Não, não será da domesticação animal que tratarei aqui hoje, mas da domesticação de gente mesmo. Deve ser de conhecimento de vocês o livro "Mulheres que Correm com os Lobos", da autora Clarissa P. Éstes. Conversando sobre esta obra pelo MSN com a Lajlah Najua, eu me perguntei: haverá uma obra que atenda os homens para que eles também corram como lobos?

Acostumei-me a pensar no homem como gênero dominante sobre a Terra, mas na verdade o que temos é uma domesticação masculina também. Existem sim mulheres e homens dominantes, e homens e mulheres domesticados.

Não creio que haja opção para a Mulher Selvagem se não houver correndo com ela o Homem igualmente Selvagem. Não nos libertamos sozinhos: ou nos libertamos todos ou viveremos sempre nas sombras.


O Conhecimento

A Selvageria nos faz retornar a simplicidade das compreensões humanas, a verdade a a sinceridade de nossos pensamentos, sentimentos e corpos. Sempre ouvimos que as pessoas precisam ser francas umas com as outras. Mas o que é a Verdade senão a exposição daquilo que somos realmente? E quem quer ver o que somos realmente?

Nada mais perigoso hoje ao mundo repressor do que o buscador do YouTube. Mais de 1 bilhão de pessoas não podem teclar a palavra Tibet, sob pena de
prisão. Nada melhor para quem detém o poder que uma população bovina.

Seja na transmissão oral, seja nas prensas de Guttenberg, o Conhecimento é uma arma temida. Governos opressores sempre foram contrários que as populações tivessem acesso a duas coisas: armas e livros. Mas hoje as portas estão abertas e o saber humano nunca esteve tão acessível.

Mas veja: quem melhor conhece os caminhos da mata que um Selvagem? Cada rio para matar a sede, ou os caminhos das manadas, as estações de ficar e partir, o cheiro da chuva ao longe ou o pressentimento do inimigo. Quanto mais abrangente é nosso Conhecimento, mais Selvagens ficamos.

Há! É estranho afirmar que Conhecimento e Selvageria caminhem de mãos dadas. Será que selvageria é sinônimo de liberdade?


Reconhecimento

Não admitimos a Selvageria ainda: nem a nossa nem a do Outro(a), nem a da Terra. Não podemos mais voltar a um estado primitivo, onde vivíamos sob o efeito (maior) da Natureza. Mas ao mesmo tempo não podemos entrar em guerra com ela, seja dentro ou fora de nós. Criamos um Mundo sobre a Terra, um mundo de ação, fogo, asfalto e concreto. Mas não conseguimos sobreviver nele também, muitas vezes. Somos civilizados, rotineiros e se mudamos de rota só um pouquinho, o caos se instala, o medo se impõe.


As doenças do homem e as doenças de nosso Meio são fruto desta dicotomia, desse impasse de não podermos retornar ao nosso antigo ambiente e não conseguir viver satisfatoriamente neste que criamos.

Enquanto isso as clínicas psiquiátricas, as igrejas e balcões de bares tratam, cada um ao seu modo, com méritos e defeitos, dessas pessoas amedrontadas e incompletas por não se conhecerem, ou se negarem a se conhecer, que não querem descobrir ou liberar a criatura que mora dentro do peito.

Não é possível construir um lugar de equilíbrio com tal situação social.

Aproveite e leia também sobre o Novo Homem que surge no horizonte.

sexta-feira, 13 de março de 2009

DA REUNIÃO



Após um longo período de reclusão temos a alegria de informar que nossos encontros periódicos voltarão a acontecer no Bosque Maia. Sempre aos domingos no Espaço Gilmar Lopes, às 14h00.

Nosso calendário, e links interessantes:

Os eventos são públicos e com autorização da prefeitura Municipal de Guarulhos. Lembrando que sempre pedimos um quilo de ração para cão ou gato aos participantes, afim de reverter a ONG de defesa animal Deixe Viver.

Menores, sempre com autorização escrita dos pais para participação. Se eles vierem, melhor ainda: é mais uma parede que se quebra!

Entrem em contato para maiores detalhes!

Saúde, amizade, liberdade!


S.

sábado, 8 de novembro de 2008

DA LUTA




"Seu tolo! Ainda não percebeste que minha força é superior a tua?"

Palas Atena, após derrotar Ares na Guerra de Tróia, segundo Homero.


Pelo o que lutamos ou deixamos de lutar em nossa vida diária? Quando avançar e quando recuar? Estas respostas são sempre difíceis, pois há tantas variáveis como há estrelas. A luta é a chama que nos molda e tempera, assim como o fogo faz à espada.

Mas uma boa lâmina não depende de fio ou forja somente. Se seu material for corrompido, que arma teríamos?



São Apenas Negócios


Vivemos em um mundo estranho. No micro, em nosso dia-a-dia, temos que ser cordiais, negociadores. E a cada negócio, nos perdemos um pouco, nos sujamos, nos confundimos com a matéria da qual deveríamos nos apartar. E invetamos explicações para explicar o inexplicável. Explicar que nos vendemos.

No atacado nossa agressividade tem que estar a mostra, seja para conquistar mercados ou nações.
Parece que estamos sempre a serviço do outro quando não queremos, enquanto aquilo que realmente desejamos deve ficar em segundo plano.

Afinal, pelo quê vale lutar?



Morte e Vida, Severina

Em nossa sociedade pós-pós-moderna, não vale apena lutar por nada que o Mercado não sancione. A História está morta, os Sonhos estão mortos, as Utopias estão mortas. O que nos sobrou foi o Desejo e o Poder de Compra. No entanto isto não responde a anseios mais profundos e íntimos. E nos drogamos com substâncias lícitas e ilícitas para dominar este vulcão que insiste em explodir e nos expor.

E usamos máscaras há civilização e ordem, enquanto nos subterrâneos impera a Lei do Cão.
Nos campos e nas cidades somos submetidos, nos submetemos e submetemos outros por conta desta ilusão em massa.

Nos achamos sozinhos nesta parada. E achamos que a luta não vale a pena. E achamos que aquele que levanta a cabeça e diz "Vem por aqui" é louco, precisando ser isolado. E a cada negociata nosso resgate, e o resgate de nossos sonhos, fica cada vez mais caro.



De pé, De pé

No meio de tantos mártires anônimos não posso pedir que lute por algo, ainda que aquilo que se pode perder seja uma vida detestável. Mas posso pedir uma reflexão mais profunda e menos pessimista sobre o mundo e as coisas antes que as botas marchem pelas ruas.


E talvez uma pedrada no muro quando ninguém estiver olhando...


sábado, 25 de outubro de 2008

DIONÍSIO







É necessário estar sempre bêbado.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo,
que vos abate e vos faz pender para a terra,
é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio,
na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida,

perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,
a tudo o que canta, a tudo o que fala,
perguntai-lhes que horas são;
e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio,

hão de vos responder:
É hora de se embriagar!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas!

De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

Charles Baudelaire


Dionísio, filho de Sêmele e Zeus, é um dos Deuses preferidos dos pastores e agricultores. Os relatos gregos afirmam que, quando Hera descobriu de quem Ele descendia, enciumou-se e resolveu fazê-lo louco e vagar pelo mundo.

Curioso como são as coisas, não? O que deveria ser um castigo tornou-se sua marca.




Deus Libertador

Os Deuses olímpicos exigiam de seus cultuadores alguma forma de sacrifício, e com Dionísio não é diferente. Mas nossa devoção para com ele se dá através do maior sacro ofício de todos, que é a busca de nossa própria libertação.

O seu valor como divindade agrícola nasce quando ele ensina o cultivo das parreiras e o processamento do vinho, após ser curado pela Deusa Cibele. O vinho não é o fim em si mesmo, mas o caminho do êxtase que nos leva a uma Verdade maior. Algo que vá além da rotina, do trabalho, maternidade, estudo.

Um Deus que liber
ta as mulheres dos sutiãs, activias, OB's... Que permite que o sangue volte ao solo novamente e que o fertilize. Do vinho que reduz a razão, e que permitem ideias loucas e inspiradas brotando da aridez que é nosso dia-a-dia. Uma Verdade que nos retira daquilo que fazemos cotidianamente e nos leva àquilo que somos.

Para os campesinos, que sempre viveram submetidos ao domínio das cidades e seus Deuses de ordens e de linhas retas,
ter um Deus que morre e renasce, que é vítima de injustiças e abusos mas ainda sim mantém-se íntegro, é uma promessa.

Uma promessa de renovação, de esperança, de criatividade, de Vida. Uma promessa de Retorno sem chantagens ou ameaças. O Deus que é o marido secreto de Perséfone, também Esta que conheceu a dor e violência, o rapto e
morte, mas que retorna todo ano para os braços Deméter (Salve Grande Mãe!) para novamente reinarem sobre os grãos e frutos, grãos e frutos que somos nós.

 Não há um sacerdote entre seus cultuadores de Dionísio. Ou melhor, somos todos sacerdotes do Deus, todos responsáveis. Todos carregamos o cetro do Deus da terra. 

Hino Órfico a Dionísio:
 

"Eu clamo ao estrondoso e festivo Dionísio,
primordial, de duas naturezas, duas vezes nascido, senhor Báquico,
selvagem, inefável, secretivo, de chifre duplo, de duas formas.
 
Coberto de hera, com rosto de touro, bélico, uivante, puro,
tu tomas a carne crua, tu tens festivais trienais,
envolto em folhagem, protegido por cachos de uvas.

Eubouleus de muitos recursos, deus imortal gerado por Zeus
quando este se uniu a Perséfone em união inenarrável.

Escuta atentamente à minha voz, ó abençoado,
e com tuas amas vestidas de beleza
sopra em mim um espírito de perfeita gentileza."


Falando em vinho, para aumentar a cultura de meus leitores os brindo com a sabedoria de um enólogo das terras lusitanas!





Outras Leituras


Convido-os a conhecerem a Sociedade Dionísica, cuja a proposta é...


"...alcançar o estado de liberdade que nos coloca em contato com o divino. Nos inspiramos nas principais atribuições que nosso deus tinha na Grécia Antiga (vinho, orgia e teatro) para classificá-las em três grandes gêneros: a liberdade da mente (representada aqui pelo Álcool), a liberdade do corpo (simbolizada pelo Sexo) e a liberdade da alma (figurada pela Arte)."
Clique AQUI e descubra

Leia também um belo Hino Órfico para Bacchus no Mundo Pagão, clicando AQUI.


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

DO MACHO-ALFA




Esses dias, indo para São Paulo, me deparei com alguns membros da torcida Independente do São Paulo Futebol Clube, um time de primeira divisão em meu país. Um dos rapazes desta torcida organizada exibia uma camiseta onde o santo São Paulo, usado como símbolo da organização, estava monstruosamente representado (repito, MONSTRUOSAMENTE). Para as torcidas de futebol nos dias de hoje é visível que demonstrar habilidades no esporte ficou em segundo plano.



Anos atrás vi a mesma representação do santo levantando sua túnica e deixando as pernas livres para melhor dominar a bola. Sua face demonstrava alegria e irreverência, em contraste com a imagem forte, musculosa, sem qualquer simbolo que o relacione ao futebol. Era gritante a desproporcionalidade não só dos músculos em relação a realidade, mas até a "idade" do personagem, que é um velhinho. Me atento ao sorriso. Não um sorriso despreocupado da imagem de anos atrás, mas uma imagem ameaçadora, sádica, violenta.

Ainda temos na mente o padrão "Rambo" sobre homem, sem atentar que uma pessoa pode ser máscula ser ter que coçar o saco, falar alto e cuspir no chão. Um Ares de espada sempre ereta, pronto para luta.


Pensamentos de conquistas não são parte de um ideal pagão. Ora, quem lida com a terra não tem tempo para guerrear: ou é o arado ou a espada. No campo de batalha só se colhem corpos mutilados. Como pagãos, qual é nossa escolha mais óbvia?



É preciso paz para plantar

Ares é diferente, por exemplo, de Dionísio. Esta divindade do vegetal, do vinho e do êxtase, pouco se preocupa com as lutas, ou em "andar na calçada". Seu culto nos leva a quebrar padrões sólidos, a rever parâmetros, e a gozar um pouco a vida, nós que trabalhamos sol a sol desde o início dos tempos.

Dionísio não é um Deus da conquista, ao menos não no modo usual do termo. Nascido de uma das famosas escapadas de Zeus e, portanto, ganhador do rancor justo de Hera, por esta foi tornado louco por vingança contra o marido pulador de cerca, e vagou desvairado pelo mundo à fora.

Sob a proteção da Deusa Cibele, é curado de sua insanidade. Depois é instruído à cultivar vinhedos e de seu fruto extrair a bebida sagrada. Atravessando a Ásia, ensina o cultivo da uva (e, porque não dizer, de outros frutos também?). As imagens que se fazem deste Deus (um velho bonachão, uma criança ou um jovem sorridente) não mostram qualquer imagem de Poder Sobre, de tentativa de dominar outras pessoas ou de prazer sádico.

O Dionísio/Baco representado pelas telas de da Vinci, falando em termos sensuais, tem até a cara daqueles que levam as mulheres ao êxtase muitas e muitas vezes, e que retira daí seu próprio prazer.


Sangue Latino

Agora um exemplo próximo de como é interessante a imagem que o feminino faz dos homens. Uma amiga minha trocou de namorado. O antigo seguia o perfil "macho latino". O novo é mais sutil, delicado. Quando saíram de balada, ela estranhou que seu novo par soubesse dançar, mexer o corpo. O antigo era mais turrão e ficava de canto, fazendo pose.
No início ela confessara que estranhou, mas depois viu que as idéias que se fazem do homem quase sempre são estereotipadas. Inteligente e sensível, seu novo companheiro destoa daquilo que sempre se indicou como provedor, defensor e líder.


Sim, podemos ser machos e ainda sim, sermos fofos, rs!


Na vida diária

Vivemos em uma nação parcialmente democrática. Parcialmente porque ela ainda é representativa, e não direta como eu gostaria. Trocando em letras miúdas, elegemos pessoas que vão escolher para nós aquilo que é prioritário para nossa cidade, estado e país. E a democracia termina aí.

No ganhar da vida, no emprego, nós não escolhemos nossos líderes, coordenadores, supervisores, diretores. Vivemos em uma hierarquia, onde ouço abertamente Manda Quem Pode e Obedece Quem Tem Juízo. São herdeiros culturais de um mundo que está se deteriorando.

Apesar de nossa civilização de 10.000 anos, dos carros elétricos, do Iphone, da Internet, ainda vivemos sob a espada do macho-alfa, que detém poderes virtuais ou mesmo reais de vida ou morte sobre nós. E com nosso consentimento!!!

Isto até a sua queda inevitável, quando muitos machos-beta, submetidos, lutam como crocodilos do Nilo em busca do topo da pirâmide social. Onde ainda há regras de ascensão e queda, as coisas são suavizadas pelas leis e estatutos. Onde o Estado ou o Mercado não têm domínio, ganha quem saca primeiro e tem mais balas no tambor, como demonstram os confrontos nas favelas cariocas.

Se assim tratamos as pessoas, imaginem como tratamos a natureza da qual extraímos nosso sustento? Não raro abuso ambiental é precedido pelo abuso humano.


Um novo tempo

O masculino que submete hoje vive um momento de crise em sua base, uma vez que um número pequeno mais crescente de mulheres já não mais aceitam o sonho romântico de casar. Essas mulheres trabalham fora, possuem mais apoio jurídico e psicológico que suas mães tiveram. Muitas disputam o topo com os homens. Muitas criam sozinhas a sua prole, seja por opção ou por ausência do parceiro (divórcio, abandono, morte).

Ao mesmo tempo surge este novo tipo humano masculino, que busca as crianças da escola, trabalha em parceria horizontal com seus colegas, lava a louça e pergunta com sinceridade em casa "como foi seu dia, amor"? E não tem vergonha disso. Dionísio atende perfeitamente a este tipo homem que não precisa empunhar uma espada para persuadir as pessoas, para lidera-las.

Isto se estenderá para outras partes da vida, seja por bem ou por mal. Nossas relações, graças a facilidade de comunicação, nunca mais serão as mesmas.

Mas se for preciso ir à guerra, que eu tenha um líder que valha a pena ser seguido!


Hmmm... talvez você queira ler também algo sobre as Pressões da Vida. É um texto interessante é que complementa este aqui.


Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot.