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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
DO SER
"Eu sou a Deusa de tudo o que vive"
Trecho d'A Carga da Deusa, de Doreen Valient
O que é Ser? Como é que eu sei que eu existo? Existir é ter participação no mundo físico, no mundo concreto, mas o Ser vai além disso. O Ser mora no campo das idéias, do abstrato. Ser é ter, mas também Ser é Fazer.
A não-percepção disso configura um obstáculo que atravessamos e que, quando alcançado, possibilita sermos os filhos maduros da Criação.
No Passado
Segundo a obra Mitos Primais, da escritora Barbara C. Sproul, a tomada da consciência é um processo doloroso, tanto física quanto intelectualmente e isso fica evidente após o estudo das mais variadas nuances culturais humanas. Em boa parte delas existe a descrição de uma gênese impecável feita por um Deus/ Deusa/ Deuses em geral bons, onde a primeira fase da raça humana vive uma pré-existência pura e perfeita. Mas algo realiza uma perturbação na ordem em determinado momento e um herói (ou vilão, dependendo de quem olha) provoca a ira Divina.
Prometeu é punido por Zeus a ter seu fígado devorado por um pássaro devido ao roubo que perpetrou quando se apossou do fogo dos raios divinos para traze-lo aos seres humanos.
Um mito muito conhecido nosso diz que o nascimento da consciência humana se deu quando o primeiro homem comeu do Fruto do Conhecimento e tornou-se mortal, ou tomou consciência de que podia morrer, algo que não se pode dizer que a maioria dos animais tenham.
Ou mito do Deus P'an Ku, venerado no sul da China, cujo o corpo sacrificado é usado para construir o universo e marca o fim da Era de Ouro da humanidade. Tudo que é morto torna-se pai, já disse alguém.
Parece que sempre que despertamos para a realidade perdemos algo. Perdemos de fato a inocência. Mas o sacrifício feito nos capacita a Ter e a Fazer coisas.
Ter
Pela primeira vez, quando despertamos do caos para a realidade, temos a possibilidade de ver o Outro, o Restante. Recuamos. E este passo para trás nos possibilita vê-lo por inteiro, nomea-lo e, ao lhe dar um nome eu acabo possuindo-o. Este sentimento de posse também se volta para nós e a primeira coisa que agarramos é a nossa lembrança, a nossa história. Possuir uma história significa que vivemos há algum tempo e a cada dia temos maior posse sobre nós mesmos.
Ter história nos confere humanidade. Quando alguém tenta nos destruir fisicamente o faz primeiramente em sua própria cabeça negando-nos nossa humanidade, nossa história. Somos coisificados, rotulados, perdemos nosso nome próprio. Então eu não sou mais o Sergio, mas sou negro, bruxo, são-paulino. E, dependendo da situação, estes rótulos bastam para que outra pessoa encontre nisso uma desculpa para me aniquilar.
Ter história garante a mim mesmo que eu existo. E, ao garantir isso, eu sei que a minha vida vale, entre outras coisas, ser defendida.
Fazer
Se o Ter corresponde ao campo do abstrato, Fazer me coloca no concreto pois eu transformo o mundo ao meu redor, o mesmo mundo que compartilho com outras pessoas. Pois eu não posso viver exclusivamente no campo virtual, mas preciso partir para o real a fim de que aquilo que eu imaginei realmente exista.
Parece óbvio isso que eu escrevi mas não o é para muita gente, principalmente nesta geração internética. No mundo pasteurizado da Web, onde não há pó, lama ou arestas cortantes, é fácil achar conforto mental. Basta navegar pela rede.
Mas o termo navegar é emprestado de uma situação real onde se ia de um ponto ao outro a fim de obter um ganho específico. Ficar ao sabor do vento não é algo recomendável quando se está em mar aberto e se tem família em terra para sustentar. Fora que o ambiente é altamente instável. Se bruxo, por exemplo.
Muitos bruxos hoje querem ficar apenas no virtual, escondidos. Mas a obtenção de conhecimento da Religião não advém só de sites e blogs, mas também da experiência no mundo real, no convívio com as pessoas e de como tudo isso nos afeta, nos toca.
Se eu não faço eu não sou. É impossível ser motorista sem dirigir regularmente, ou ser padeiro sem fazer pão, ou ser pedreiro sem construir casas. É a partir da ação sobre o mundo real que o ser que tem história se completa.
Finitude
Há um elemento que acompanha a tomada de consciência do Ser: mesmo desperto ele está sujeito as leis naturais. E é aí em que a percepção do Eu é um fardo, pois saber que existo implica em saber que um dia eu não existirei mais. O que gera angústia e o desejo profundo em retornar ao estado de não-Ser.
Afinal, para quê saber que estou vivo para descobrir logo em seguida que vou morrer? E é aí que entram todas as religiões: para oferecer à Humanidade um caminho que vá no sentido contrário ao do desespero.
Uma vez reencontrada a paz através da aceitação das regras naturais, estamos preparados para viver nossa vida de maneira completa, tendo e realizando história. Até que enfim chegue o nosso momento de mergulhar novamente no Útero da Terra.
Saúde, amizade, Liberdade
S. Thot
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
AS PERGUNTAS DE MAAT
Olá a tod@s!
Neste momento o Brasil inteiro está indignado com um assassinato. Uma pessoa muito influente na vida de todos nós recebe vários tiros à queima-roupa. Gostaria de dizer à vocês que a indignação refere-se ao assassinato da jovem juíza Patrícia Acioli mas não é assim que a banda toca nesta nação. Nas redes sociais, nos jornais, nos botequins e salões de beleza as pessoas querem saber quem matou Norma [leia + AQUI]. Maat, Deusa da Justiça segundo o pensamento egípcio, se pergunta: o que há com este povo?
A juíza Acioli foi morta quando chegava em casa, segundo reportagens, por causa da sua mão pesada em condenar policiais militares envolvidos com crime organizado. Seu nome estava em uma lista de jurados de morte e esta tragédia, como tantas outras que se abatem sobre o Brasil, era anunciada. A Deusa pergunta: ninguém se importa com este fato?
Seus familiares temem que o processo role na Justiça por anos e precisam fazer protestos frequentes perante as autoridades para que a lei seja cumprida. Nesses protestos vão poucas pessoas pelo que pude apurar nas imagens de televisão e acredito que a população que passa por eles, ignorante do assunto, se pergunte o que fazem aquelas pessoas de negro, amordaçadas e sentadas no chão. A crença egípcia diz que estamos mortos não quando os olhos se fecham mas quando somos esquecidos. Os parentes de Patrícia não permitirão que seu legado desapareça nas areias do tempo. A Deusa pergunta: a lei não deveria ser cumprida independente das pressões que se fazem sobre ela?
Eu acredito que quando exercemos nossa profissão com amor e dedicação, ela passa de um simples ganha-pão e adquire contornos de sacerdócio. De certa forma a morte de Patrícia foi a morte de uma sacerdotisa da Justiça que ela jurou amar e defender para o bem da sociedade. A Deusa pergunta: você ainda quer saber sobre a "morte" de um personagem ficcional?
Também acredito que não só o executor matou a juíza, mas toda a população corrupta que financia atividades ilegais e mortes, por extensão. Só há crime porque há lucro para financia-lo, conforme explica Rodrigo Pimentel [leia AQUI]. A Deusa pergunta: por quanto tempo mais vamos cuidar do ovo de Apep antes que ele finalmente ecloda e engula o Sol?
Que Maat tenha nossa corajosa juíza em seus braços emplumados, que a nação brasileira acorde de seu torpor televisivo e que a mão pesada da Justiça chegue em seus algozes.
Que Assim Seja. Que Assim se Faça.
Sergio Thot
terça-feira, 21 de junho de 2011
A MAIS ESCURA DAS NOITES
Olá a tod@s!
Como vão vocês na mais escura das noites?
Pensei muito na questão da noite escura conforme o sol descia ao horizonte. Passava um pouco das 17h20 em São Paulo e o manto de Nix avançava pelo céu com incrível rapidez. Mas nós moradores das cidades vivemos dias artificiais através das luzes elétricas, longe das florestas negras e criaturas da noite.
Então não temos a exata percepção da importância da data e de como o astro-rei nos é essencial. Só quem vive à maneira antiga, e os enclausurados, sabem o que é perder o sol. Imagino o desespero de Korê e de Deméter, cada uma vivendo a sua própria escuridão e desespero. Leia sobre minhas percepções de Korê/Perséfone/Prosérpina AQUI.
Lembrei de Korê, a Deusa Raptada, na noite de ontem assistindo a um documentário que me tirou boa parte do sono. Este falava de duas meninas russas raptadas, mantidas cativas no subsolo e seviciadas por quase quatro anos em troca de comida e água. Para elas foi o mais longo dos invernos. Leia AQUI.
"Não Sou Vítima"
Mas lá nas profundezas, entre as garras da morte elas encontraram suas forças. Primeiro em si mesmas e depois uma com a outra. Desta forma enganaram seu carcereiro, pediram socorro e foram libertadas. Seu agressor preso e mandado para Sibéria. Eu pensei "Minha Deusa, ficaram marcadas para sempre". Mas qual! Tempos depois voltaram as duas, entraram no cativeiro e perceberam que o medo que sentiram fora embora. Ambas casaram e são felizes ao que parece. "Não somos vítimas. Nunca pensei em mim como vítima", exclamou uma delas.
Hoje é a noite mais escura, e/ou fria e/ou estéril do ano e ao mesmo tempo tal data é carregada de promessas. Pois foi em uma época como essa, onde um dia nossos temores parecem mais profundos, que uma Korê raptada encontrou sua força e se transformou em Perséfone. Sabe como?
Dando um sentido à sua vida. "Sou uma Deusa, filha de uma Deusa. Quero viver e ensinar a outros o que sei. Ensinar através daquilo que vi e vivi.", ela disse. E nas profundezas da terra uma luz de seu amor para nós brilhou. E foi essa luz que não só iluminou seu caminho de volta como serviu de farol para outras almas que quiseram retornar à Roda da Vida.
Nossas meninas russas fizeram seu caminho de Perséfone também, pois amaram a Vida e uma a outra na escuridão infernal e foi esta força que as levaram para luz. Foi a lição de Yule que aprendi este ano.
Também somos filhos do Deus e da Deusa. Encontre o sentido para sua vida, algo que vá além de você mesm@ e foque nisso neste ano que se inicia. A caminhada logo se iniciará. Junte suas forças!
Saúde, amizade, liberdade!
Feliz Yule.
Sergio Thot.
Como vão vocês na mais escura das noites?
Pensei muito na questão da noite escura conforme o sol descia ao horizonte. Passava um pouco das 17h20 em São Paulo e o manto de Nix avançava pelo céu com incrível rapidez. Mas nós moradores das cidades vivemos dias artificiais através das luzes elétricas, longe das florestas negras e criaturas da noite.Então não temos a exata percepção da importância da data e de como o astro-rei nos é essencial. Só quem vive à maneira antiga, e os enclausurados, sabem o que é perder o sol. Imagino o desespero de Korê e de Deméter, cada uma vivendo a sua própria escuridão e desespero. Leia sobre minhas percepções de Korê/Perséfone/Prosérpina AQUI.
Lembrei de Korê, a Deusa Raptada, na noite de ontem assistindo a um documentário que me tirou boa parte do sono. Este falava de duas meninas russas raptadas, mantidas cativas no subsolo e seviciadas por quase quatro anos em troca de comida e água. Para elas foi o mais longo dos invernos. Leia AQUI.
"Não Sou Vítima"
Mas lá nas profundezas, entre as garras da morte elas encontraram suas forças. Primeiro em si mesmas e depois uma com a outra. Desta forma enganaram seu carcereiro, pediram socorro e foram libertadas. Seu agressor preso e mandado para Sibéria. Eu pensei "Minha Deusa, ficaram marcadas para sempre". Mas qual! Tempos depois voltaram as duas, entraram no cativeiro e perceberam que o medo que sentiram fora embora. Ambas casaram e são felizes ao que parece. "Não somos vítimas. Nunca pensei em mim como vítima", exclamou uma delas.
Hoje é a noite mais escura, e/ou fria e/ou estéril do ano e ao mesmo tempo tal data é carregada de promessas. Pois foi em uma época como essa, onde um dia nossos temores parecem mais profundos, que uma Korê raptada encontrou sua força e se transformou em Perséfone. Sabe como?
Dando um sentido à sua vida. "Sou uma Deusa, filha de uma Deusa. Quero viver e ensinar a outros o que sei. Ensinar através daquilo que vi e vivi.", ela disse. E nas profundezas da terra uma luz de seu amor para nós brilhou. E foi essa luz que não só iluminou seu caminho de volta como serviu de farol para outras almas que quiseram retornar à Roda da Vida.
Nossas meninas russas fizeram seu caminho de Perséfone também, pois amaram a Vida e uma a outra na escuridão infernal e foi esta força que as levaram para luz. Foi a lição de Yule que aprendi este ano.
Também somos filhos do Deus e da Deusa. Encontre o sentido para sua vida, algo que vá além de você mesm@ e foque nisso neste ano que se inicia. A caminhada logo se iniciará. Junte suas forças!
Saúde, amizade, liberdade!
Feliz Yule.
Sergio Thot.
domingo, 12 de junho de 2011
ÍBICUS
"Tomai a minha causa, grous, já que nenhuma voz, além da vossa respondeu ao meu grito."
Íbicus ensaguentado, clamando por justiça
O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch
Olá a tod@s, como vão?
Quero abrir meu coração a vocês diante das notícias referentes aos ambientalistas mortos no Pará [1], que defendem a floresta com o próprio sangue. Mas especificamente sobre o porquê de coisas como estas acontecerem em uma nação que tem a pachorra de querer sediar eventos mundiais importantes como a Copa e as Olimpíadas, mas que não consegue controlar seu próprio território. Pessoas como José e Maria não fazem a defesa da floresta porque é cool ser ambientalista. Defendem sobretudo seu sustento imediato, porque suas vidas dependem disso.
Senhoras e senhores, existe uma lista de pessoas marcadas para morrer[2]. Podem imaginar isso? Eu não posso. Houve uma reportagem de um grande canal de televisão alertando para a existência de tal lista. Milhões de pessoas viram, no entanto as forças constituídas não deram a menor bola. Era preciso que houvessem corpos. Os corpos existem. E agora?
Para entender porque foram morto é preciso entender o que é extrativismo.
José e Maria
José e Maria viviam a mais de 20 anos em uma área verde preservada na cidade paraense de Nova Ipixuna. Com outras famílias viviam da coleta de frutos da castanheira-do-pará e óleos vegetais. Ou seja, não era interessante a derrubada da floresta, mas seu manejo. No Brasil existem as chamadas reservas extrativistas, que tem a finalidade de prover recursos de subsistência às suas populações e ao mesmo tempo, mantém a floresta através do uso sustentável[3].
A questão é que a própria castanheira, assim como outras espécies da região, possuem um preço quando cortadas e vendidas para o mercado interno e/ou externo. Como árvores deste porte levam décadas para atingir a idade adulta, derruba-las é danoso em muitos aspectos, pois é deixar famílias ao deus-dará. A derrubada da floresta implica em abrir grandes extensões de área que são ocupadas para o plantio de monoculturas do agronegócio, como a soja, visando a fabricação de ração para o gado europeu e a pecuária nacional.
O lucro, como a história do capitalismo prova, não pode ser detido em nome do assim chamado "mato". Mato é para queimar. As pessoas também, se entram na frente. Existe uma lista de pessoas marcadas por estes verdadeiros Comensais da Morte.
A queda da floresta também envolve a desertificação da floresta, com a ocorrência de secas no Amazonas somadas a outras questões climáticas complexas[4]. Pode imaginar o Rio Amazonas sofrendo com a seca? Por isso temos esta luta de titãs entre o agronegócio e os ambientalistas regada a sangue. Durante o governo anterior o palco da luta mudou para os ministérios, vocês lembram? Os quebra-paus civilizados entre Marina Silva e Dilma Rousseff e suas pastas do Meio Ambiente e Desenvolvimento?[5]
E mais uma vez temos morte na mata. Foi quando lembrei de Íbicus.
Íbicus
Poeta grego, seguia sozinho pela estrada rumo a Cidade dede Corinto, onde jogos e apresentações o aguardavam. No meio do caminho fora surpreendido por ladrões que o feriram de morte. Era um poeta e não um guerreiro. Ensanguentado, clamou por justiça mas exceto os bandidos que gozaram dele, nenhum ser humano ouviu suas preces.
Caído e só, lágrimas escorreram das faces. Quem lhe daria um enterro digno antes que as feras da floresta reclamassem seu corpo frio? Sua alma não teria paz e vagaria entre os mundo. Enquanto a vida se esvaia dele e os mal-feitores contavam seu butim, um grupo de pássaros chamados grous cruzou o céus. Eles responderam ao chamado! Já não estava mais sozinho e assim o poeta Íbicus morreu, olhando para o céu. Leia sobre a história de Íbicus no Google Books clicando AQUI.
Clamor às Erínias
Neste momento, enquanto eu escrevo ou enquanto você lê, outras pessoas sangram por acreditarem em algo que é maior que elas mesmas. Seja no asfalto, ou num chão de folhas ou nas areias de uma terra distante. Que as mãos frias das Erínias alcancem seus algozes e que não tenham paz até que justiça seja feita.
Que Assim Seja. Que Assim se Faça!
Sergio Thot.
Íbicus ensaguentado, clamando por justiça
O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch
Olá a tod@s, como vão?
Quero abrir meu coração a vocês diante das notícias referentes aos ambientalistas mortos no Pará [1], que defendem a floresta com o próprio sangue. Mas especificamente sobre o porquê de coisas como estas acontecerem em uma nação que tem a pachorra de querer sediar eventos mundiais importantes como a Copa e as Olimpíadas, mas que não consegue controlar seu próprio território. Pessoas como José e Maria não fazem a defesa da floresta porque é cool ser ambientalista. Defendem sobretudo seu sustento imediato, porque suas vidas dependem disso.
Senhoras e senhores, existe uma lista de pessoas marcadas para morrer[2]. Podem imaginar isso? Eu não posso. Houve uma reportagem de um grande canal de televisão alertando para a existência de tal lista. Milhões de pessoas viram, no entanto as forças constituídas não deram a menor bola. Era preciso que houvessem corpos. Os corpos existem. E agora?
Para entender porque foram morto é preciso entender o que é extrativismo.
José e Maria
José e Maria viviam a mais de 20 anos em uma área verde preservada na cidade paraense de Nova Ipixuna. Com outras famílias viviam da coleta de frutos da castanheira-do-pará e óleos vegetais. Ou seja, não era interessante a derrubada da floresta, mas seu manejo. No Brasil existem as chamadas reservas extrativistas, que tem a finalidade de prover recursos de subsistência às suas populações e ao mesmo tempo, mantém a floresta através do uso sustentável[3].
A questão é que a própria castanheira, assim como outras espécies da região, possuem um preço quando cortadas e vendidas para o mercado interno e/ou externo. Como árvores deste porte levam décadas para atingir a idade adulta, derruba-las é danoso em muitos aspectos, pois é deixar famílias ao deus-dará. A derrubada da floresta implica em abrir grandes extensões de área que são ocupadas para o plantio de monoculturas do agronegócio, como a soja, visando a fabricação de ração para o gado europeu e a pecuária nacional.
O lucro, como a história do capitalismo prova, não pode ser detido em nome do assim chamado "mato". Mato é para queimar. As pessoas também, se entram na frente. Existe uma lista de pessoas marcadas por estes verdadeiros Comensais da Morte.
A queda da floresta também envolve a desertificação da floresta, com a ocorrência de secas no Amazonas somadas a outras questões climáticas complexas[4]. Pode imaginar o Rio Amazonas sofrendo com a seca? Por isso temos esta luta de titãs entre o agronegócio e os ambientalistas regada a sangue. Durante o governo anterior o palco da luta mudou para os ministérios, vocês lembram? Os quebra-paus civilizados entre Marina Silva e Dilma Rousseff e suas pastas do Meio Ambiente e Desenvolvimento?[5]
E mais uma vez temos morte na mata. Foi quando lembrei de Íbicus.
Íbicus
Poeta grego, seguia sozinho pela estrada rumo a Cidade dede Corinto, onde jogos e apresentações o aguardavam. No meio do caminho fora surpreendido por ladrões que o feriram de morte. Era um poeta e não um guerreiro. Ensanguentado, clamou por justiça mas exceto os bandidos que gozaram dele, nenhum ser humano ouviu suas preces.
Caído e só, lágrimas escorreram das faces. Quem lhe daria um enterro digno antes que as feras da floresta reclamassem seu corpo frio? Sua alma não teria paz e vagaria entre os mundo. Enquanto a vida se esvaia dele e os mal-feitores contavam seu butim, um grupo de pássaros chamados grous cruzou o céus. Eles responderam ao chamado! Já não estava mais sozinho e assim o poeta Íbicus morreu, olhando para o céu. Leia sobre a história de Íbicus no Google Books clicando AQUI.
Clamor às Erínias
Neste momento, enquanto eu escrevo ou enquanto você lê, outras pessoas sangram por acreditarem em algo que é maior que elas mesmas. Seja no asfalto, ou num chão de folhas ou nas areias de uma terra distante. Que as mãos frias das Erínias alcancem seus algozes e que não tenham paz até que justiça seja feita.
Que Assim Seja. Que Assim se Faça!
Sergio Thot.
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terça-feira, 7 de junho de 2011
"A VIDA É BREVE. A MORTE, CERTA"
Olá, como vão tod@s?
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| Ig. N. Sª do Rosário - Ouro Preto |
No mês de maio tive contato com o Barroco mineiro através das obras expressas nas igrejas de Ouro Preto, em Minas Gerais. Pela primeira vez me aproximei de algumas obras que só via em livros didáticos da infância ou em fotos. E digo a vocês, parafraseando Belchior, que ao vivo é muito melhor! Rs!
É difícil separar o movimento artístico da religiosidade pois a Arte, queira os artístas ou não, é também uma forma de expressão de sua época e com o Barroco não foi diferente (detalhes AQUI). Nascido em um momento de cisão dos cristãos europeus, entre outras causas, seu principal pensamento era evidenciar a divisão entre os mundos material e espiritual e mostrando é claro as vantagens deste último. E nada melhor para evidenciar tais vantagens que usar as imagens da morte.
A Morte Lhe Cai Bem
A Europa na Era do Barroco tinha muitas dificuldades: convulsões políticas, econômicas e sociais, doenças e guerras ceifando vidas jovens. Numa situação onde o poder constituído precisa instaurar e manter a ordem, nada melhor que o terror e a chantagem.
Mas é preciso ser sutil com as massas, afinal, como diz a nossa Constituição, todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Isso vale para qualquer nação. Para melhor dominar esta massa, (ou seja, você) é preciso dominar seu coração, seus anseios e medos porque assim é mais barato. Quem domina se coração, te domina. E para propagar sentimentos e sensações de maneira rápida para uma multidão de analfabetos as artes são sem-igual.
Mas é preciso ser sutil com as massas, afinal, como diz a nossa Constituição, todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Isso vale para qualquer nação. Para melhor dominar esta massa, (ou seja, você) é preciso dominar seu coração, seus anseios e medos porque assim é mais barato. Quem domina se coração, te domina. E para propagar sentimentos e sensações de maneira rápida para uma multidão de analfabetos as artes são sem-igual.
| Arte de Pieter Claesz |
Vanitas
Tendo a morte e a danação eterna como aliadas, bastava apenas apontar as opções: a virtude ou o vício. Os artistas chamam esta dicotomia de Vanitas (detalhes AQUI), onde em uma obra é expresso o pensamento que entitula este texto:
A vida é curta. A morte, certa.
Vi estas referências na maioria das igrejas de Ouro Preto. E não é para menos, já que a cidade se firmava em um dos veios auríferos mais ricos da nação. Em um meio assim a guerra entre o vício e a virtude eram evidentes. Mas como estava expresso em uma das igrejas visitadas, bem na entrada e pintada no teto "In hoc signo vinces", ou "sob este sinal, vencerás".
Samhain
Andei muito pela cidade velha com estes pensamentos na cabeça, principalmente porque a sombra do Samhain ainda pairava sobre o mundo. Olhando para as lápides dos diversos pequenos cemitérios das cidades, vendo as datas de nascimento e morte das pessoas, imaginei que tipo de de vida tiveram.
Foi quando lembrei de Sêneca, em determinado momento do percurso, que afirmava:
"A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai".
A arte vanitas diz "lembre-se que morrerás". Já o filósofo romano afirma "lembre-se de viver".
Confrontando estes dois pensamentos me surgiu então um terceiro: a vida pode ser curta ou longa, depende daquilo que fazemos e de nossa percepção dela. Observando a vida hoje acredito que é melhor lutar a favor da vida que contra a morte. Acredito que o inferno e o paraíso podem ser no aqui-e-agora. Acredito que se eu vier para este mundo novamente quero achar um lugar melhor que o deixado quando habita um corpo anterior. Sim, quero criar o paraíso hoje!
Deve ser por isso que a imagem de pessoas arrebanhadas marchando para o paraíso não me agrade. Nunca fui muito de ter pastor. Se o Divino chegar para por ordem na casa, quero ter a alegria de dizer que já fizemos nosso dever e que a Humanidade finalmente pode resolver seus problemas.
Princípio Positivo
Deve ser por isso que a imagem de pessoas arrebanhadas marchando para o paraíso não me agrade. Nunca fui muito de ter pastor. Se o Divino chegar para por ordem na casa, quero ter a alegria de dizer que já fizemos nosso dever e que a Humanidade finalmente pode resolver seus problemas.
Princípio Positivo
A declaração que fotografei e postei ao lado, somado ao pensamento do filósofo, indicam que já que estamos vivos, façamos nosso melhor.
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| Declaração em um dos muros da cidade. |
Confira AQUI.
Será este um pensamento falho? Minha vida dirá quando chegar o final da caminhada.
Ate lá, viver e não ter a vergonha de ser feliz, ainda que o inverno perdure.
Saúde, amizade, liberdade.
sábado, 30 de abril de 2011
DA CIVILIZAÇÃO
Olá, como vão?
Quero dividir com vocês um medo antigo que tenho: o de zumbis. Também tenho medo de fantasmas orientais com aqueles cabelos negros e escorridos, mas isso é outra história. Minha questão com os zumbis é mais concreta, por incrível que pareça! E tomei total percepção dela quando assisti a produção americana Madrugada dos Mortos e, nestes últimos tempos a série da Fox, Walking Dead.Madrugada dos Mortos é um filme que me dá pesadelos sempre que assisto. Neles, tenho a difícil tarefa de optar entre salvar os que estão próximos de mim ou atravessar a cidade infestada de zumbis para buscar outras pessoas queridas. O medo que sinto durante o sono é de me fazer suar sob o endredon.
É estranho ter medo disso agora depois de adulto. Vejo este tipo de filme desde moleque em obras com Re-animator, a Hora dos Mortos Vivos e outras do gênero, lá pelos anos 80, mas nunca tive pesadelos antes. Então porque isso agora? Bem, talvez seja menos pelos temores de zumbis povoando a Terra, e mais pelos seres humanos que restarem para sobreviver a esta nova realidade. Além das decisões que teria de tomar em situações como essas.
As artes sempre foram conhecidas por sintetizar em imagens e formas o pior e o melhor da Humanidade. Com o cinema, nossa 7ª, Arte não é diferente. Pode-se entender como zumbi o indivíduo que perdeu a noção de si e do outro, onde só importa a saciedade do mais primal dos instintos: comer. E o mais estranho é que ele nem é o personagem ruim da história, voltando aos filmes e séries que tratam do assunto, e talvez por conta disto mesmo. Se o zumbi mata é para sobreviver. O pior mesmo ainda está por vir.
Nestes filmes o conceito padrão do bonzinho e vilão é subvertido. Entre eles nasce o oportunismo diante das situações impostas pelo colapso das instituições. Hoje temos leis e as forças policiais para dar uma regulada a fim de que as coisas não se baguncem demais. Como seria se elas deixassem de existir? Não é preciso muito para esta civilidade se deteriorar e as pessoas se tratarem como animais. É assim no metrô ou trem em hora de rush.
Dê um passo para trás quando estiver entre grandes ajuntamentos humanos e observe o rosto das pessoas. Imagine: com a queda das instituições por conta de uma pane energética ou de comunicações por exemplo, por quanto tempo as pessoas ficariam calmas? Qual seria nosso papel diante deste terrível mundo novo?
Talvez não precisemos ser zumbis comedores de carne fresca para derrubar a civilização. Basta uma SARS atingindo em cheio o globo para que as ruas virem praças de guerra. O que farão as pessoas quando a comida estragar na geladeira e a água faltar nas torneiras? Não sei se tenho mais medo dos mortos que de certos vivos. E não sou o único a pensar na possibilidade de um apocalipse zumbi, como mostra o fluxograma no Blog Sedentário (veja AQUI).
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| Do blog Vida Ordinária |
Dê um passo para trás quando estiver entre grandes ajuntamentos humanos e observe o rosto das pessoas. Imagine: com a queda das instituições por conta de uma pane energética ou de comunicações por exemplo, por quanto tempo as pessoas ficariam calmas? Qual seria nosso papel diante deste terrível mundo novo?
Talvez não precisemos ser zumbis comedores de carne fresca para derrubar a civilização. Basta uma SARS atingindo em cheio o globo para que as ruas virem praças de guerra. O que farão as pessoas quando a comida estragar na geladeira e a água faltar nas torneiras? Não sei se tenho mais medo dos mortos que de certos vivos. E não sou o único a pensar na possibilidade de um apocalipse zumbi, como mostra o fluxograma no Blog Sedentário (veja AQUI).
É nesse tipo de coisa que penso vez ou outra quando cai a noite.
Neste Samhain, quando o véu que separa este de outros mundos está mais tênue do que nunca e você receber seus Antepassados em sonhos e preces, reserve um momento para estes pensamentos.
Saúde, amizade, liberdade.
Post Scriptum
Tem outra modalidade de zumbi "bombando" por aí, que é o zumbi do crack. Certas ruas das grandes cidades, como São Paulo, são tomadas por hordas de pessoas que estão no limiar da vida devido o uso da droga.
Post Scriptum
Tem outra modalidade de zumbi "bombando" por aí, que é o zumbi do crack. Certas ruas das grandes cidades, como São Paulo, são tomadas por hordas de pessoas que estão no limiar da vida devido o uso da droga.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
A VIDA É UM PROCESSO
Olá, como vão tod@s?
Quero dividir com vocês um pensamento que tomou forma nos últimos anos graças a Roda do Ano. Vou usar o Samhain, por exemplo. Institucionalizou-se há muito tempo sua data é o 1º de Maio no Hemisfério Sul, certo? Tudo bem que correntes mais tradicionais seguirão a Roda do Norte mas não é este o cerne da questão. Falo sobre colocar toda a carga simbólica da data em um único dia.
Acredito hoje que o Samhain, assim como outras datas, são um processo. Sabe, é como li uma vez no Livro dos Farrar, Oito Sabás para Bruxas, que o reino do Inverno começa no solstício de Verão. O Samhain para mim não começa no dia 1º de Maio, mas bem antes ainda!, durante os dias de Mabon. Pois a alegria da colheita se soma a tristeza da seca e da privação. O comércio entendeu bem isso pois mal se passa o Dia das Crianças (12 de Outubro) e as lojas já preparam as decorações natalinas!
O Samhain em particular nos ensina isso durante este espaço de tempo entre a Colheita e o Solstício através da morte e do apodrecimento daquilo que não nos serve. Estes restos repousarão e se decomporão enquanto nos preparamos para os Novos Tempos. Se sobrevivermos ao inverno da alma.
Escolhas
Sendo a vida é um processo, então nossas escolhas são pré-determinadas pelo que fizemos no passado, não é mesmo? Afinal, não acostumamos a comprar as crianças com doces ou ameaças? Como reclamar quando estes adultos forem comprados para os mais diversos fins a despeito de suas próprias convicções, se é que terão alguma? Esse aprendiz de adulto já está no processo de aceitar uma prenda para cada ato de obediência sem questionamento. Acertou, ganhou um biscoito, como os cães de Pavlov.
"As primeiras experiências com os cachorros eram simples. Segurava um pedaço de pão e mostrava ao cachorro antes de dá-lo para comer. Com o tempo o cachorro passou a salivar assim que via o pedaço de pão. A salivação era uma resposta quando a comida era colocada em sua boca, uma reação natural de reflexo do sistema digestivo do animal e não envolvia aprendizagem. Pavlov designou esse reflexo de reflexo inato ou não condicionado."
Como? Não sabe quem foi Ivan Pavlov? Acredite: ele sabe quem é você. Clique AQUI.
Então a possibilidade de uma pessoa resistir às pressões da vida está condicionada nas experiências que já teve e como reagiu a elas, externa e internamente. É neste processo que estamos mergulhados. A cada dia a vida nos expõe a situações iguais e ao mesmo tempo diferentes. sempre há um temperinho a mais para modificar algo aqui ou ali, mas na média é sempre a mesma pergunta: como você sobreviverá a mais este dia?
E na sua resposta estará a semente do futuro entre todos os futuros possíveis.
Nada será como antes. Pensem nisso.
Ps.: quero dividir com vocês algumas postagens interessantes feitas por outros blogueiros.
- Existe em nós imensa dificuldade de aceitar os ciclos e isso se deve a falta de conexão com os processos naturais...A natureza é plenamente consciente do ciclo vida-morte-vida. Aquilo que morre é matéria para aquilo que nasce...Não há culpados, não há erros, há o continuo fluir dos caminhos.... Pérola encontrada no blog da ciberamiga Gislaine Carvalho, do blog Era uma Vez. Clique AQUI.
sábado, 16 de abril de 2011
DESGOVERNO
Olá a tod@s.
Vim tratar de um tema recorrente em minhas postagens, principalmente nesta época do ano em que, simbolicamente, o reino do Senhor do Desgoverno toma força com a chegada do inverno. Vim falar do caos.
Caos é tudo aquilo que não estava previsto na nossa vida por achar que o plano que estabelecemos depende só de nós. Bem, não depende. Somos parte desta teia de forças naturais que, sem aviso, muda nossa vida. Muitas vezes para sempre.
Um colega de trabalho acidentou-se feio estes dias. Não vi, apesar de ter sido próximo de onde estava. Mas pude perceber a gravidade do problema através do choro das pessoas presentes. Imaginem mecânicos, gente naturalmente dura e agressiva, com lágrimas e desespero nos olhos diante da imagem do amigo ensangüentado?
Talvez toda a nossa vida seja caótica e pertence ao espírito humano encontrar a ordem das coisas. Então inventamos a Religião e as Ciências para tentar colocar tudo em mandamentos ou tabelas periódicas. Mas coisas deste naipe acontecem e somos lembrados de que material somos feitos.
A Vida é Risco
Existe aqui um problema. O caos em si não é ruim, pois por este caminho encontramos situações e pessoas que jamais entrariam em nossas vidas se seguíssemos pela estrada segura. É o atalho pela floresta que nos conduz rapidamente para a casa da vovó e para a boca do lobo.
A Vida é Risco
Existe aqui um problema. O caos em si não é ruim, pois por este caminho encontramos situações e pessoas que jamais entrariam em nossas vidas se seguíssemos pela estrada segura. É o atalho pela floresta que nos conduz rapidamente para a casa da vovó e para a boca do lobo.
O caos, a dor, a morte se servem para alguma coisa é para isto: ensinar aos sobreviventes que a experiência humana deve ser vivida em sua plenitude. Que possamos atravessar juntos mais este inverno e que a primavera nos encontre fortes.
Que possamos rir do inverno anterior enquanto atravessamos este. Que nossas reservas dos bons dias sejam suficientes para atravessar os dias ruins que se seguirão. Pois sempre existem dias bons e ruins já que a vida é cíclica.
Mas não tenham medo.
Saúde, amizade, liberdade.
Sergio Thot
sexta-feira, 8 de abril de 2011
GOSTO AMARGO
Olá a tod@s.
Não pensava que sentiria o mesmo gosto na boca novamente, mas o fato é que a vida é cíclica, não? As coisas sempre voltam e voltam. Falo sobre a manhã desta quinta, 7, onde um homem entrou numa escola para matar crianças e jovens aparentemente a esmo. A última vez que senti tal gosto foi em 11 de setembro de 2001. Talvez muitos dos que estão a ler lembrem de onde estavam e o que faziam exatamente naquele dia. Como no dia do massacre do Realengo, era uma manhã clara de sol aqui em casa e eu me preparava para trabalhar. Minha esposa liga a tevê e descobre a tragédia.
A primeira coisa que pensei quando vi as reportagens é que tal ato vil fora cometido por amor a uma das alunas. Tem-se matado muito por amor nesses dias aí, haja visto um caso local que ganhou as manchetes do Brasil, o caso Mércia. Como todos que tomaram conhecimento do massacre do Realengo, esperávamos por respostas. Mas até então fomos trabalhar, o Brasil e eu, sem qualquer explicação e com este gosto ruim na boca.
A carta
Faz poucos minutos que li o conteúdo da suposta carta onde o assassino explicaria suas motivações para atirar em crianças e não vi nenhuma. Apesar de falarem que seus alvos eram aleatórios, disparar contra um número quase absoluto de meninas revela para mim um traço de misoginia (explicação AQUI).Ou a proporção de meninos na escola é minúscula. Eis um trecho:
“Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão". Leia o conteúdo completo AQUI.
Incrível como as pessoas classificam o sexo como algo mais impuro que o assassinato de crianças ou de adultos.Que mente teria sido esta?
A suposta carta não esclarece nada. Ficaram mais perguntas que respostas. O blog Arauto da Consciência dá nome aos bois: crime de ódio misógino (veja AQUI). De fato, tudo indica que é.
E agora?
Agora é o vazio para quem fica, porque quem se vai já resolveu esta questão. Para quem fica resta viver dia a dia com a pergunta que não tem resposta: porque nós? Não se sabe. A figura humana tenta achar respostas mas o fato que muito do que nos acontece não tem explicação.
Ouvi nas reportagens muito "Graças a Deus meu filho se salvou", como se o Divino escolhesse quem vive e quem morre imerso numa poça de sangue. Mas a escolha é sempre nossa. Espero que todas as pessoas envolvidas direta ou indiretamente com o massacre do Realengo façam mais que vestir branco e pedir paz em passeata. A paz agora é inútil. Já vivemos em paz por muito tempo.
Uma paz falsa, uma paz armada, uma paz de ranger os dentes, uma paz que olha para trás a cada cinco segundos para nos certificar que não somos seguidos. Desta paz estou saturado.
Agora é tempo de turbulência. Tempo de agitação. Tempo de descobrir como as pessoas conseguem armas. Tempo de sacudir o mundo destes negociadores da morte e dizer-lhes: a guerra chegou à sua porta. Também temos que levar a guerra à porta dos que votam em tiriricas e bolsonaros. Dos que falam "isso não é meu problema" ou "cada um no seu quadrado". Seremos pentelhos. Seremos inconvenientes. Seremos chatos. Muito pai choroso hoje olhava a violência pela tela da tevê assim como um boi olha o mundo pela cerca antes de seu filho tombar morto. Se vive no mundo é seu problema. Sempre é. Porque a morte sempre chega e leva.
Levaremos a guerra à porta destas pessoas e tiraremos a paz deles, também. Pois esta paz bovina, esta paz de abatedouro que leva um por por um, um dia pega a gente.
"Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára", já dizia o Poeta.
Fiquem em guerra.
quinta-feira, 10 de março de 2011
CAÇA AS BRUXAS NA NIGÉRIA... NÃO VAMOS FAZER NADA??
A suposta necessidade de ir à um templo, é apenas a forma dos pastores exercerem o seu sacerdócio imaginário, pelo qual são bem pagos. Não há nenhuma outra necessidade real de cristãos se encontrarem lá, senão essa... Se você admite que é correto diante de Deus que uma pessoa receba sustento sem trabalhar, certamente você já está pronto a aceitar qualquer outra coisa que inventarem, por mais diabólica que seja.
*extraido do Blog Verdades Especiais
domingo, 20 de dezembro de 2009
Atual Inquisição - Matem as Bruxas!
Pastores de igrejas evangélicas na Nigéria estão acusando crianças de serem bruxas, levando ao abuso, e a crueldade indescritíveis, as crianças inocentes.
Elas estão sendo abandonadas pelos pais para morrerem, isso quando não são mortas, espancadas, queimadas, envenenadas, enterradas vivas, amarradas a árvores, entre outras crueldades.
Estima-se que cerca de 5.000 crianças foram abandonadas desde 1998, e que de cada 5 crianças abandonadas, uma acaba morrendo, e as que sobrevivem ficam em estado de choque.
Os pastores que promovem tais crueldades fazem parte das denominações evangélicas, justamente os que se dizem missionários, e recebem dinheiro para estarem lá.
Pastores estes que dizem que as crianças estão enfeitiçadas, e eles prometem fazer um exorcismo para curar as bruxas mediante pagamento, que pode custar de 3 a 4 meses de trabalho (o salário mínimo na Nigéria é equivalente a US$ 42,80 ). Como a grande maioria das pessoas não podem pagar, elas preferem abandonar ou se livrar das crianças, ou utilizam outros métodos para tentar “curá-las”.
De fato, é uma grande inquisição que está ocorrendo na Nigéria.Onde estão os missionários que ganham uma grana preta na América e na Europa pregando a teologia da prosperidade?
Totalmente, os “pastores” no mundo inteiro se tornaram lobos perversos e gananciosos, mais do que nunca foram!
Qualquer bruxo pagão estará em situação infinitamente mais confortável no Juízo do que essa pastorada do diabo!
Quando o paganismo atual (cristianismo) se soma ao materialismo, o resultado é esse: Prega-se o medo a fim de arrancar até as unhas das pessoas!
Até a Idade média ainda era sofisticada perto do que está acontecendo agora. Aqui, neste caso, no entanto, a situação é muito mais grave; infinitamente mais maligna;
Posto que não apenas os “pastores” induzam o povo a entregar seus filhos à morte, como também se ofereçam para resolver o problema desde que esses pais pobres e miseráveis paguem pela libertação.
Pague ou Morra!
Matéria Oficial:
A estação chuvosa é longa e Delta do Níger é exuberante e úmido.
Esta margem sul da África Ocidental, onde são bombeadas da Nigéria a riqueza do petróleo e gás, é ignorado milhões de seus povos mais pobres
No estado delta, na pequena e agitada de Akwa Ibom, a tensão e a pobreza emitiu uma oportunidade para um fenômeno novo e terrível, que está levando ao abuso e assassinato de centenas, talvez milhares, de crianças.
E isso está sendo feito em nome do cristianismo.
Quase todo mundo vai para a igreja aqui.
Quase todo mundo vai para a igreja aqui.
Dirigindo pela cidade de esit Eket, a sinais de transito enferrujados, lonas penduradas entre as árvores e cartazes sobre pedregulhos, a anunciar igrejas, com três ou quatro nomes diferentes, na beira do caminho
Atrás das portas pintados, pastores espertos ganham a vida com 'libertações' - exorcismos - para as pessoas assoladas por feitiçaria, algo que é visto para causar qualquer coisa, de divórcio, doença, acidente ou perda de empregos.
Com tantas igrejas, é um mercado competitivo para os padrões locais.
Mas uma situação de exploração tem crescido agora em algo muito mais sinistra, com pregadores que estão voltando suas atenções para as crianças - nomeando-as como bruxas.
Mas uma situação de exploração tem crescido agora em algo muito mais sinistra, com pregadores que estão voltando suas atenções para as crianças - nomeando-as como bruxas.
Em um estado enlouquecido de terror, os pais e aldeias inteiras, atacam as crianças. Elas são queimadas, envenenadas, cortadas, acorrentados a árvores, enterrados vivas, ou simplesmente espancadas e expulsas para a morte no mato.
Alguns possuem os pais com montantes necessários para pagar por uma libertação - o valor de três ou quatro meses de salário médio - Apesar disso, o pastor vai explicar que a bruxa poderia voltar e uma segunda libertação será necessário. Mesmo que o pai quer manter a criança protegida, seus vizinhos podem atacá-la na rua.
Este não é apenas um número reduzido de casos. Isso está se tornando comum.
Alguns possuem os pais com montantes necessários para pagar por uma libertação - o valor de três ou quatro meses de salário médio - Apesar disso, o pastor vai explicar que a bruxa poderia voltar e uma segunda libertação será necessário. Mesmo que o pai quer manter a criança protegida, seus vizinhos podem atacá-la na rua.
Este não é apenas um número reduzido de casos. Isso está se tornando comum.
Em Esit Eket, no meio das ruas esburacadas, é um barraco recheadas de concreto para vigas, com cerca de beliches dentro. Aqui, as crianças vão para a cama como galinhas, as vítimas do sono dos pastores cristãos e as suas horas de duração e serviços noturnos. Repudiadas e abandonadas, estas são as crianças de uma comunidade inteira, que acredita fervorosamente que são bruxas.
Sam Ikpe-Itauma é uma das poucas pessoas nesta área que não acredita que os evangélicos "profetas" estão a pregar. Ele abriu sua casa para alguns sem-abrigo que encontrou, e agora, ele tenta o seu melhor, para conseguir cuidar de 131 delas.
Os vizinhos não estavam felizes comigo e me dizem " você está apoiando as bruxas".
Sam Ikpe-Itauma é uma das poucas pessoas nesta área que não acredita que os evangélicos "profetas" estão a pregar. Ele abriu sua casa para alguns sem-abrigo que encontrou, e agora, ele tenta o seu melhor, para conseguir cuidar de 131 delas.
Os vizinhos não estavam felizes comigo e me dizem " você está apoiando as bruxas".
Este projeto foi um acidente, eu vi crianças sendo abandonadas e que era muito preocupante. Eu comecei com três, então cada dia é aumentado até 15, então tivemos que abrir este novo local.
Para cada cinco crianças talvez nós vemos nas ruas, nós acreditamos que um foi morto, embora pudesse ser mais, por que os vizinhos "fecham os olhos" quando uma criança-bruxa desaparece.
É bom que temos esse abrigo, mas ele está sob ataque constante.
É bom que temos esse abrigo, mas ele está sob ataque constante.
E, enquanto ele fala dois aldeões caminhada passado, no final do pátio, puxando a roupa sobre os seus olhos, para esconder as "bruxas" de sua visão.
Elizabeth, a mulher de Ikpe-Itauma, atua como enfermeira para as crianças feridas e que têm chamado este lugar dos Direitos da Criança e Rede de Reabilitação, um grande nome para um pequeno refúgio.
Elizabeth, a mulher de Ikpe-Itauma, atua como enfermeira para as crianças feridas e que têm chamado este lugar dos Direitos da Criança e Rede de Reabilitação, um grande nome para um pequeno refúgio.
Foi encontrado o apoio de uma instituição de caridade correndo de uma escola na área, Stepping Stones Nigéria, que está tentando ajudar com dinheiro para alimentar as crianças, mas os números estão transformando tudo aqui em um grande desafio.
Marry Sudnad, 10 anos, faz caretas quando seu cabelo é puxado para as linhas de milho por Agnes, 11 anos, mas o couro cabeludo apenas acima de sua testa é careca é empolado. Marry conta sua história rápida, no idioma local, olhando fixamente para o chão.
Meu irmão mais novo morreu. O pastor disse à minha mãe, que foi porque eu era uma bruxa. Três homens chegaram à minha casa. Eu não sabia quem eram estes homens. Minha mãe saiu de casa. E estes homens me pegaram. Eles me bateram.
Ela empurra seus punhos sob o queixo para mostrar como seu pai estava, estendido de bruços no chão da cabana, à observando ser espancada. Após o ocorrido, houve uma visita à igreja para "uma libertação".
Um dia depois, houve uma caminhada no mato com a sua mãe. Eles escolheram as bagas venenosas 'isinma" que foram metidos goela abaixo de Marry. Se isso não à matá-la, advertiu a mãe dela, então seria uma suspensão feita de arame farpado. E finalmente, a mãe jogou água fervente e soda cáustica sobre sua cabeça e corpo dela, e seu pai deixou sua filha gritando no meio de um campo.
Um dia depois, houve uma caminhada no mato com a sua mãe. Eles escolheram as bagas venenosas 'isinma" que foram metidos goela abaixo de Marry. Se isso não à matá-la, advertiu a mãe dela, então seria uma suspensão feita de arame farpado. E finalmente, a mãe jogou água fervente e soda cáustica sobre sua cabeça e corpo dela, e seu pai deixou sua filha gritando no meio de um campo.
Andando dentro e fora da consciência, ela ficou perto da casa por um longo tempo antes de finalmente ir embora. Mary tinha sete anos. Ela diz que ainda não se sente segura. Ela diz: "Minha mãe não me ama." E, finalmente, uma lágrima listras no seu rosto bonito.
Gerry foi escolhido por uma 'profetisa' em uma noite de oração, e taxada como uma bruxa. Sua mãe a amaldiçoou, seu pai puxou a gasolina do tanque da moto dele, e cuspiu-a sobre o rosto de oito anos de idade. Com bolhas faciais, Gerry é tão visível como o trauma em seus olhos embaciados. Ele pede a todos os adultos que ele vê, se eles vão levá-lo para casa para seus pais: "Não é deles, é a profetisa, estou com medo dela."
Nwaeka é de cerca de 16 anos. Ela senta-se na lama com seus olhos revirados, arranhando-se com seus braços finos. As outras crianças são surpreendentemente pacientes com ela. O ferimento na cabeça com um prego enfiado está se curando e parece estar bem.
Etido, também de 9 anos, tinha unhas quebradas e toda a coroa da cabeça moída. Sua difícil dizer o dano que já foi feito.
Udo, agora com 12 anos, foi espancado e abandonado por sua mãe. Ele quase perdeu o braço depois de aldeões, encontrá-lo à procura de alimentos na beira da estrada, viam-no como uma bruxa e tentaram cortá-lo com facões.
Magrose tem sete anos. Sua mãe cavou um buraco, e tentaram enterrá-la viva.
Magrose tem sete anos. Sua mãe cavou um buraco, e tentaram enterrá-la viva.
Michael foi encontrado por um agricultor, jogado num fosso, morrendo de fome e incapaz de estar de pé com as pernas, que havia sido açoitadas.
Ekemini Abia tem a aparência de alguém em um profundo estado de choque. Ambos os tornozelos são circundados com feridas horríveis e ela se move em um dolorosamente. Chamada de bruxa, seu pai e os anciãos da igreja a amarraram em uma árvore, cortando-lhe a corda até o osso, e deixou a menina de 13 anos, sozinha lá por mais de uma semana.
Há grupos de irmãos, tais como Prince (4 anos) e Rita (9 anos). Rita disse à sua mãe que ela tinha sonhado com uma linda festa, onde havia muito para comer e beber. A crença é que uma bruxa voa para a caverna de noite enquanto o corpo dorme - o tão doce sonho de Rita foi uma prova bastante: Ela era uma bruxa e porque ela tinha comida compartilhada com seu irmão no sonho, ambos foram abandonados.
Há grupos de irmãos, tais como Prince (4 anos) e Rita (9 anos). Rita disse à sua mãe que ela tinha sonhado com uma linda festa, onde havia muito para comer e beber. A crença é que uma bruxa voa para a caverna de noite enquanto o corpo dorme - o tão doce sonho de Rita foi uma prova bastante: Ela era uma bruxa e porque ela tinha comida compartilhada com seu irmão no sonho, ambos foram abandonados.
Victoria, atrevido e divertido, de quatro anos, e sua irmã de Helen de sete anos, uma menina pouco serena. Deixada por seus pais no interior de um barraco, as meninas não se atreveu a mover de onde tinham sido abandonados e comia folhas e grama.
O mais novo aqui é um bebê. As meninas mais velhas tomá-lo, e Ikpe-Itauma chamou-a de Amélia, o nome de sua avó.
O mais novo aqui é um bebê. As meninas mais velhas tomá-lo, e Ikpe-Itauma chamou-a de Amélia, o nome de sua avó.
Ele estima que cerca de 5.000 crianças foram abandonadas nesta área desde 1998 e diz que muitos corpos apareceram no rio ou na floresta.Muitos nunca mais são encontradas.
Quanto mais crianças, o pastor declara bruxas, o mais famoso que ele recebe e quanto mais dinheiro ele pode fazer. Os pais são convidados para dar tanto dinheiro, que eles ter de pagar em prestações ou talvez vender sua propriedade. Isso não é o que as igrejas deveriam fazer, ele diz.
Apesar das antigas crenças tribais em feiticeiros já não são tão profundamente arraigadas na memória das pessoas, e embora tivesse havido nativos cristãos na Nigéria desde o século 19, são missionários americanos e escocêses pntecostais dos últimos 50 anos, que moldaram essas crenças fanáticas.
O pastor Joe Ita é o pregador numa igreja em Eket
Baseamos a nossa fé na Bíblia, somos conduzidos pelo Espírito Santo e temos um programa de expor a religião falsa e feitiçaria
De voz leve e em seu terno e gravata inteligente, sua igreja está sendo pintada e ele pede desculpas por ter de se sentar fora, perto de seu reluzente Audi novo para falar.
Há quase 60 filiais da igreja dele em todo o Delta do Níger. Ele foi iniciado por uma mulher local, Helen Ukpabio, cuja casa luxuosa e branco caro Humvee são muito admirados na cidade de Calabar, onde ela vive. Muitas pessoas nesta área dão crédito popular à DVDs evangélicos, que ela produz e com atores, para ajudar a espalhar a crença de bruxa infantil.
Ita nega cobrança de exorcismos, mas reconhece sua congregação é pobre e tem que trabalhar duro para tirar as doações até a igreja espera.
Ita nega cobrança de exorcismos, mas reconhece sua congregação é pobre e tem que trabalhar duro para tirar as doações até a igreja espera.
Para dar mais do que você pode pagar é abençoada. Nós somos os únicos que realmente conhecem os segredos das bruxas. Os pais não vêm aqui com a intenção de abandonar seus filhos, mas quando uma criança é uma bruxa, então você tem a dizer "o que é que tem? Não é seu filho." Os pais vêm até nós quando vêem as manifestações. Mas o segredo é que, mesmo se você abandonar o seu filho, a maldição ainda está em cima de você, mesmo se você matar o seu filho a maldição permanece. Então você tem que vir aqui para ser entregue posteriormente, bem como"ele explica pacientemente.
Nós sabemos como eles funcionam. A bruxa vai colocar um feitiço no sutiã de sua mãe e a mãe vai ter câncer de mama. Mas não podemos atribuir todas as coisas para as bruxas, elas trabalham em inclinações também, então não criam o HIV, mas se você é promíscua, então a bruxa lhe dará o HIV.
Nós sabemos como eles funcionam. A bruxa vai colocar um feitiço no sutiã de sua mãe e a mãe vai ter câncer de mama. Mas não podemos atribuir todas as coisas para as bruxas, elas trabalham em inclinações também, então não criam o HIV, mas se você é promíscua, então a bruxa lhe dará o HIV.
Quando entardece, ele apresenta uma pilha de DVDs Ukpabio's. Engano pensar que eles são um presente, estou firmemente à corrigir.
Mais tarde naquela noite, em outra parte da cidade, à meia-noite, a umidade do dia é selada dentro da igreja sem janelas e o toque de tambores juntamente com os gritos do pregador encharcado de suor. 'Não às bruxas, òh Senhor ", ele grita para o microfone. "Como este se aproxima a hora, salvar-nos, ó Senhor!"
Sua congregação dança, as palmas das mãos no alto, as mulheres se contorcer e gritar em línguas. Um grupo avança à pastorear cinco filhos, um bebê, e se ajoelham no chão de concreto e o pastor vem entre eles, apertando as mãos sobre a cabeça de cada criança - por sua vez elas tentam se esconder nas saias das mulheres.
Esta é a noite de libertação na Igreja, e enquanto o serviço vai continuar por algumas horas, o evento principal - para o qual os pais vão ter pagar em dinheiro - é longo.
Andando a pé de noite, os tambores e o canto de outras igrejas soam como tais cenas são repetidas em toda a vila.
É difícil encontrar pessoas para falar contra a brutalidade. a lider tribal Joe Inuaesiet, é uma delas.
Andando a pé de noite, os tambores e o canto de outras igrejas soam como tais cenas são repetidas em toda a vila.
É difícil encontrar pessoas para falar contra a brutalidade. a lider tribal Joe Inuaesiet, é uma delas.
Ela não só fala contra as "igrejas caça-níqueis", mas que também fez o impensável, e levou uma "bruxa" para sua própria casa.
A sobrinha da lider tribal, Mbet, foi declarada uma bruxa quando ela tinha oito anos. Sua mãe, Ekaete, fê-la beber azeite, e em seguida, as bagas de veneno, e depois, convidou os homens locais para bater nela com paus. O pastor acorrentou-à uma árvore, mas ela foi escapou quando a sua mãe não conseguiu encontrar o dinheiro para uma libertação. Mbet fugiram. Mbet, agora com 11 anos, diz que não viu a mulher, pois, acrescentando: "Minha mãe é uma mãe má."
Nossa equipe rastreou a mãe de Mbet em sua barraca de roupas na estrada, onde ela brincava nervosamente com seu telefone celular, e nos contou como a sua filha (atravez da suposta bruxaria) havia dado a ela o que soava muito parecido com todos os sintomas de malária.
Nossa equipe rastreou a mãe de Mbet em sua barraca de roupas na estrada, onde ela brincava nervosamente com seu telefone celular, e nos contou como a sua filha (atravez da suposta bruxaria) havia dado a ela o que soava muito parecido com todos os sintomas de malária.
Eu tinha o calor interno, diz ela, indicando seu estômago. Foi a minha filha que tinha causado isso, ela inflamou toda a água do meu corpo. Eu não podia fazer nada. Era teimoso, muito teimoso. Mas e se a filha morreu no mato? Ela deu as costas: Isso é vontade de Deus. É nas mãos de Deus.
Chefe Victor não tem tempo para sua irmã Hoje, quando uma criança torna-se teimoso, então todos os chama de bruxas. Mas é geralmente a partir dos 10 anos para baixo, eu nunca vi ninguém tentar jogar um homem adulto na rua. Essa criança se torna um incômodo, por isso eles dão à um cachorro um mau nome, e eles podem pendurá-lo.
É preocupante porque nenhuma família é intocável. Mas é a ganância dos pastores, a condução em torno de Mercedes, que faz com que eles escolham os mais vulneráveis.
Em uma aldeia próxima a equipe de reportagem se deparou com gêmeos de 5 anos de idade, Itohowo e Kufre. Eles estão jogados em torno do barraco, perto da sua mãe, mas estão obviamente desnutridos e em trapos sujos.
Chefe Victor não tem tempo para sua irmã Hoje, quando uma criança torna-se teimoso, então todos os chama de bruxas. Mas é geralmente a partir dos 10 anos para baixo, eu nunca vi ninguém tentar jogar um homem adulto na rua. Essa criança se torna um incômodo, por isso eles dão à um cachorro um mau nome, e eles podem pendurá-lo.
É preocupante porque nenhuma família é intocável. Mas é a ganância dos pastores, a condução em torno de Mercedes, que faz com que eles escolham os mais vulneráveis.
Em uma aldeia próxima a equipe de reportagem se deparou com gêmeos de 5 anos de idade, Itohowo e Kufre. Eles estão jogados em torno do barraco, perto da sua mãe, mas estão obviamente desnutridos e em trapos sujos.
Aproximando-se dos meninos, traz uma multidão de moradores que estão em volta e uma mensagem: "Leve-os para longe de nós, elas são bruxas. Tome-los antes que eles matem todos nós. " As "bruxas".
A mulher que deu à luz a estas maltrapílhos, desculpando-se, está um pouco distante da multidão, de braços cruzados.
A mulher que deu à luz a estas maltrapílhos, desculpando-se, está um pouco distante da multidão, de braços cruzados.
Iambong Etim Otoyo não tem intenção de assumir qualquer responsabilidade pelos seus filhos. "Eles são bruxas", diz ela com firmeza e vai embora.
E ao anoitecer, há 133 crianças amontoadas na casa de concreto, em Esit Eket.
E ao anoitecer, há 133 crianças amontoadas na casa de concreto, em Esit Eket.
Ps.: Indaga-se sobre o que podemos fazer. Talvez não deixa que as chamas do fanatismo consumam nossa terra. Prestem atenção aos sinais de fumaça como mostrado no vídeo abaixo. Primeiro, queima-se livros e quebram-se estátuas. Depois são carne e ossos. Vigiemos!
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