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terça-feira, 13 de julho de 2010

ALMOÇO GRÁTIS?




Vocês que possuem alguma cultura já ouviram a frase "Não Existe Almoço Grátis", que foi atribuída ao economista
Milton Friedman. Penso muito nela nestes tempos de promoções disto ou daquilo. Sabe aquelas compras onde se ganha um celular? Então, não se ganha um celular. A peça em si já está paga. Seja seu valor diluído entre outros artigos da loja, seja no arrocho que se faz nos salários de quem o produz. Mas o celular não é grátis. Nada é grátis.

Com a natureza se dá o mesmo. Tudo tem um preço. Tenho lido "As Máscaras de Deus", de Joseph Campbell. É um livro fundamental para quem deseja ultrapassar as questões de Magias & Encantos, o deslumbre com o povo celta e a infantilidade que cerca a Religião da Deusa hoje.

Em determinado trecho é citado como os índios Pés Pretos receberam os ensinamentos da Dança do Búfalo, para que a caça sempre voltasse e a fome não se instalasse nas pradarias americanas. O mito é uma forma poética de passar e fixar um ensinamento importante.

Um caçador de búfalos e um economista do século XX, separados cultural, temporal e fisicamente descobrem que tudo na vida tem um preço, usando assim este conhecimento para fins específicos. No caso de nosso amigo da tribo dos Pés Pretos, para honrar aquilo que se come pois o preço pago pelo búfalo é alto.

O preço que a Vida paga para nosso sustento também o é. Logo, cada prato de comida é sagrado, mas as feiras livres parecem gritar o inverso, como a foto que ilustra este texto. E creio que nem precisava dela aí em cima pois vocês mesmos já comprovaram tais cenas.

A embalagem vazia em sua mão é sagrada! É fruto de tempo, material, energia e tecnologia! Vai jogar no chão ou lhe dará um fim digno?

Teremos em breve uma represa na bacia Amazônica, uma das maiores do mundo. O Código Florestal Brasileiro tem passado por mudanças significativas nas últimas semanas. Entre elas:

  • desobriga proprietarios de terra de recuperar parte da area nativa em "suas" propriedades;
  • dimunui a área de proteção nas margens dos rios etc.


Nós dançamos a "Dança do Búfalo" para merecermos todas estas coisas?

Pensa nisso!


Saúde, amizade, liberdade.


Ps.:

Segue um trecho do documentário sobre o tema do herói com o próprio Campbell, que veio a falecer tempos depois. A primeira vez que passou, na tv Cultura, eu não pude assistir porque era horário de novela e minha mãe não deixava! É mole?



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

AS ÁGUAS




As chuvas têm castigado a cidade nas últimas semanas. Ruas transformam-se em rios e rios em marés de barro e lixo. São águas furiosas que arrastam e engolem tudo que bobear em sua frente. São águas que rugem nas jaulas de concreto no estrangulamento que chamamos de urbanização.

E não raro populações inteiras constroem suas casas na boca desta cobra grande alimentada pelas chuvas de verão, mudanças climáticas e La Niña. Nossa modernidade supostamente poderosa pára diante desta fera que ajudamos a nos devorar.

A construção do Mundo sobre a Terra, a submissão de Gaia aos nossos caprichos tem três grandes vilões nas cidades:


Impermeabilização

Todo mundo quer viver perto da natureza mas ninguém quer pisar o pé na lama. Então a solução mais fácil e burra já criada foi cobrir enormes extensões de terra com concreto e asfalto. A terra fica com sede de chuva, e as águas não tem para onde correr senão para as ruas. Aí entra o segundo vilão


Lixo

Já compro briga com desconhecidos que fazem das ruas depósitos de lixo. Esse material todo, nas chuvas, entope as bocas-de-lobo e fazem das ruas rios temporários. Essas águas entram nas casas, levam carros e mais lixo que só agrava ainda mais o problema.

No bairro onde moro a situação é de dar úlcera nervosa. Apesar da coleta da prefeitura e dos Postos de Entrega Voluntária (PEV's), existe essa discrepância entre o consumo e o descarte. Na hora de comprar nossa realidade se equipara àquela passada na tevê, mas o lixo é jogado para trás numa atitude infantil e displicente.


Assoreamento

As prefeituras gastam tempo, dinheiro e mão-de-obra para retirar toda a sorte de materiais depositados no leito dos rios. O cidadão comum acredita que tudo se resolve num passe de mágica mais ou menos assim: eu tenho um sofá velho, empurro ele no córrego e ele desaparece.

Ou ao desmatar suas margens, permitindo que a água das chuvas eroda o solo nu e carregue para as margens os sedimentos. Quem passa pelos córregos das grandes cidades pode ver tais efeitos. No Jardim Nova Portugal, a ponte que liga a Avenida Jamil João Zarif com o aeroporto está ameaçada por conta das forças das águas que devoram as margens do Rio Baquirivu.

É uma das maiores causas de morte de rios.



Resgate

Um resgate daquilo que é realmente importante deve ser feito. Nos meios urbanos córrego é sinônimo de água suja, depósito de lixo e doença. Terra é sujeira. Folha é sujeira. Essa terra que chamamos de suja é a matéria-prima do que somos. Somos este pó e esta lama que tudo reveste. Dela viemos e para ela voltaremos apesar de toda ilusão criada sobre este mundo artificial, acarpetado, cimentado e tecnológico.

Logo a salvação do Corpo Maior é o planeta depende primeiro da salvação do corpo menor, que é nossa própria humanidade.

Gostaria de dizer isto de uma maneira que pudesse sentir nos ossos e no sangue.

Sinta isso.

E enquanto sente, ouça Águas de Março na doce voz de Elis Regina!


terça-feira, 10 de março de 2009

DA CONSERVAÇÃO SUSTENTÁVEL




Duas palavras muito usadas ultimamente no meio ambientalista são
Desenvolvimento Sustentável. Quando leio a palavra desenvolvimento, subentendo que é algo que avança, que cresce.

Certa vez, em uma palestra sobre este tema em Guarulhos, o palestrante abriu a palavra para o público e eu lhe fiz esta pergunta:

Qual é o limite do desenvolvimento para a cidade de Guarulhos?

Perguntei pois tudo tem um limite. Vivemos em um mundo de regras regidas pela Física, Geografia, Meteorologia, Matemática. Tomemos como exemplo a água potável.

Pela regra, quanto mais pessoas maior a demanda de recursos naturais. No entanto, quanto mais pessoas, maior é a área ocupada em uma cidade. Em Guarulhos, isto se traduz em subir os morros, avançar pelas matas e mananciais, diminuindo a oferta deste líquido tão precioso a uma população crescente. Que mágica fará nossos governantes para tirar água da pedra? O Rio de Janeiro já dá as suas cabeçadas nesta questão, ganhando as manchetes dos jornais.

Talvez seja esta a hora de repensar este modelo de sustentabilidade, de admitir que em alguns lugares o limite chegou, ou até foi ultrapassado. O problema é saber quem terá coragem de suportar o ônus político desta decisão.

Quem poderá dizer "segundo estudos mais recentes, nossa cidade não comporta mais pessoas de modo a lhes dar uma vida digna"? Isto é algo difícil de se fazer, pois significa segurar em si uma seqüência de decisões erradas cometidas a décadas.

Dizer que se precisa de muita coragem é, no mínimo, ser modesto.

Ou será que devemos esperar que alguém nos diga esta verdade inconveniente? Até que ponto o Desenvolvimento Sustentável não é uma saída paliativa?

Haverá meios de subsistência para as gerações futuras? Você terá filhos? Em que condições de moradia, saneamento, emprego, segurança ele viverão? Ah, vai contar com a sorte, é? Deus proverá?


Pensemos nisso.

sábado, 15 de novembro de 2008

DOS DRAGÕES





Os dragões, cobras aladas e outros répteis gigantes fazem parte do imaginário popular de quase todos os povos do planeta. Não raro associam-se à forças naturais indomáveis como vulcões, rios, tempestades.
São o caos natural primordial, como Tiamat, a grande serpente Apep, a Serpente de Adão e Eva, Macha Pacha, o dragão sem nome de São Jorge.


Discute-se ainda como povos de todas as partes do globo possuem visões semelhantes sobre estes grandes répteis. Talvez seja pela observação de fósseis de dinossauros. Não me surpreenderia. Diz a lenda que a palavra mamute é de origem asiática, provavelmente chinesa, para descrever esses animais que se pensava serem castores gigantes!


No Brasil também tem Dragão
E não falo dos Dragões da Independência, a guarda real  criada por D. João e que acompanhava D. Pedro I , testemunhando a Declaração da Independência do Brasil em 1822 e que ainda guarda o chefe do governo executivo desta nação.

Nosso dragão é a Cobra Grande, a serpente de Fogo, o Boitatá. Reza a lenda que esta entidade vaga pelas matas e é impiedosa contra caçadores cruéis, que caçam por prazer e não fome. Sua ira também se volta para os que promovem incêndios criminosos. Cruzar com ela devia ser o maior terror dos antigos povos que andavam pelas florestas.


 
Rios Serpenteantes
 
Os rios sempre invocaram imagens de serpentes, com muita propriedade aliás. Suas margens sinuosas são um convite para a contemplação e fascínio ao mesmo tempo que chegar com imprudência pode causar terríveis acidentes. Um rio que conheço e atendia estas características antes de ser sufocado em suas próprias margens é o nosso Rio Grande, o Tietê.

Dias atrás, enquanto observava o conserto de minha bike na oficina, travei conversa com um antigo morador da cidade. Ele me contou das pescarias nas várzeas do rio nos anos 50 e como ele era fértil. "Peixe agora", me confidenciou, "só da cidade de Salto pra cima". Pena.

Vendo fotos antigas do Tietê que recebia provas de regatas e outros esportes, me pergunto onde foi a vida dele, se entre suas atuais margens de concreto, onde o nome de seus córregos vem escritos próximos buracos de onde jorram uma água fétida e escura, resiste ainda alguma vida.

Esta gigantesca serpente acorrentada, que cruza nosso estado e roça com seu corpo imenso Guarulhos e outras cidades, este rio estará morto pelo São Jorge do progresso?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

DO CUIDAR




Quem ama, cuida. Um ditado simples repetido exaustivamente pela minha mãe quando eu largava meus brinquedos em algum lugar e eles desapareciam. Ou mudavam de dono! Rs! O mesmo pensamento se aplica ao mundo que nos cerca.


Bem-vindo a São Paulo

Nos dias mais secos, quem trafega pela Aírton Senna sente o cheiro que nosso descuido deixou no maior rio paulista, aquele que ajudou a desenhar os limites de nosso estado. O Rio Tietê no inverno é um esgoto. Com o baixo volume dágua devido a seca, os dejetos industriais e residenciais tomam contam do leito.

Nessas horas sinto vergonha quando trafego pela rodovia, vindo do Aeroporto Congonhas, com pessoas vindas de outras cidades, estados ou países. É uma prova que não fizemos nossa lição de casa ambiental.

Um olhar atento em suas margens, já em Sampa, é um tapa na cara: um furo no concreto de onde escorre uma água escura tem escrito em cima: córrego Fulano de Tal. Quem mora por aqui se acostumou a pensar em córregos como um esgoto à céu aberto. Ledo engano: córrego, regato, riacho... são sinônimos de vida natural, de água limpa com peixes nela. E um dia voltarão a sê-lo. Duvida?


Amor aos pedaços

Para cuidar é preciso amar. Amar a nós mesmos, aos nossos, aos outros. Amar nosso quarto, nossa casa, nossa rua, nossa quadra.

Não digo amar a cidade ou ao planeta porque para muitos uma cidade ou a Terra são porções muito grandes para se conceber como reais. Fiquemos então no palpável, certo?

Consegue amar sua quadra? Ótimo! Isto será uma garantia de que pelo menos, na sua quadra, você não fará a desova daquele sofá velho. Ame seu bairro (vamos lá, dê só mais esta esticadinha em sua imaginação!). Ame e cuide então deste pedaço do planeta Terra onde você mora!

Já é uma vitória, não? RS!

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

DAS CHUVAS


A semana passada foi de frio e chuva aqui em Guarulhos. Tremi de frio às portas do Solstício de Verão.

E agradeci a cada gota que caia, ainda que seja ácida. Ainda que não possa mais bebe-la do seio da nuvem assim como fazia meu avô. Do seio!


Agradeço pela grama e pela árvore alta. Ainda que hajam poucas árvores, e a grama seja proibida. Proibida!

Agradeci em nomes dos que umedeciam o ar dos quartos com toalhas estendidas, em nome das flores secas nas praças e pombas sedentas. Ainda que seja poucas as flores e doentes as pombas. Pombas!


Agradeci em nome da represa de terra rachada e pelo agricultor ansioso. Ainda que o nível caia ano a ano, e que o transgênico coloque um código de acesso em cada semente. Semente!

Agradeci em nome do rio. Rio domesticado, cercado de concreto, mas ainda vivo. Que ruge, que ruge (pois há um dragão em cada leito)! Concreto!


Agradeço ao Divino pelas bençãos dos céus. Ainda que sejam sob luta. Luta!


Que o equilíbrio perdure. Que dure enquanto canta o trovão. Que cantemos!

Que Assim Seja!



Sabem o que rima com chuva?

Cordel do Fogo Encantado!


quarta-feira, 22 de agosto de 2007

TUDO FLUI


O Rio Nilo, nascido das chuvas periódicas em pleno coração africano e que ruma ao norte, para o Mediterrâneo, testemunhou o surgimento do primeiro Grande Império da História humana. Identificado pelos egípcios como Osíris, o rio Nilo desafiava o deserto em suas cheias anuais. O deserto era visto pelos lavradores como a personificação de Set, seu irmão e rival. As margens que naturalmente se inundam eram dedicadas a Ísis, a Grande Mãe. Poderoso, Osíris também fecunda Neftis, a faixa de terra que suas águas não alcançariam naturalmente, mas que se beneficiam com os canais de irrigação construídos por esta engenhosa nação. Não é exagero afirmar que sem o Nilo não haveria o Egito nem do passado e nem do presente.

Nos tempos atuais, o Nilo sofre com a poluição e obras realizadas em seu leito. Nos anos 60 iniciaram-se as obras da represa de Assuã, cujo lago entre outros problemas pôs em risco importantes relíquias arqueológicas, além de sua eficiência estar aquém das expectativas. Chamam isso de progresso. Será?



E na Terra Brasilis?


Olhando com atenção, há em nossa região paulista um rio cuja as dimensões modestas em comparação ao majestoso rio africano, mas que não eclipsam sua importância. O nosso Rio Tietê, correndo contra o Atlântico desde a Serra do Mar, alavancou as entradas e bandeiras sertão a dentro. Mas centenas de anos antes, servia aos povos autoctones desta terra como via transporte e ligação. Observando o mapa do estado, não é exagero que o rio corta quase que simetricamente, ou antes, o Rio Tietê é a régua, o compasso e esquadro que desenhou o mapa do Estado de São Paulo.

Sinuoso próximo à capital até os primeiros viviam livres da cidade que ajudaria a parir. Hoje São Paulo o espreme em apolíneas retas de concreto, escuro e mal-cheiroso. Chamamos isso de progresso. Será?




Reduzindo ainda mais as proporções mas não a importância do assunto, encontramos em nossa cidade o Rio Baquirivu-Guaçu. Nascido em uma cidade vizinha (Arujá), e que cruza a cidade rumo ao Tietê. Como outros rios de nossa cidade, até os anos 50 o Baquirivu possuía a águas limpas e não raro, férteis em vida.

Com a forte urbanização da cidade e a construção do Aeroporto Internacional de Guarulhos a partir dos anos 80, a ocupação intensificou-se de maneira assustadora. Ao atravessar suas margens usando a ponte da Camargo diariamente, constato que além dos poluentes diluídos (esgotos não tratados de indústrias, comércio e residências), o descaso de seus filhos faz com que sacos de lixo, garrafas PET, animais mortos e até móveis inteiros bóiem em suas águas, nos períodos de seca ou chuvas.

Assoreado pelas construções irregulares nos bairros vizinhos e ameaçado pela ampliação do aeroporto, o Baquirivú pede socorro. Chamamos isso de progresso. Será?

Em 22 de abril tivemos o Dia da Terra (curiosamente também é o dia que os antigos povos dedicavam a Isthar). Menos a comemorar e mais para determinar quais são nossas responsabilidades com o local em que vivemos, amamos, lutamos, rimos, choramos. Um dia para refletir para algo além de nosso umbigo.

Precisamos nos lembrar do era bom, sem perder aquilo que já temos.






Como canta Louis Armstrong:

Rio da Lua,
Mais largo que uma milha
Eu o atravessarei
Com elegância,algum dia
Oh, seu ilusionista,
Seu partidor de corações
Onde quer que você vá
Eu irei

Sim, isto é um convite. Você vem?


Sergio Thot


quarta-feira, 4 de julho de 2007

EQUILÍBRIO E AÇÃO





A cena é comum: rios já sufocados pelo concreto e pelo esgoto de casas, comércio e fábricas, uma pessoa jogando seu saco plástico de lixo nele. Longas ruas e poucas árvores ardendo ao sol tropical. Pessoas adultas e bem-educadas lavando suas calçadas ou carros com mangueiras e usando água potável. Falam para mim que o problema é cultural, mas eu discordo. Cultura da preservação do meio ambiente todos temos. O que nos falta é a aplicação daquilo que é aprendido.


Perto de minha casa existe uma viela chamada Alagoinha. Vez após vez a prefeitura recolhe de lá toneladas de lixo e entulho e vez após vez a população local emporcalha o lugar com mais sujeira, apesar das leis municipais que proíbem essa prática, da existência do Ponto de Entrega Voluntária (PEV) mantido pela prefeitura e do bom senso de não se jogar animais mortos e lixo ôrganico por onde passam crianças em idade escolar.


"Em Guarulhos, a multa é de R$ 600 por metro cúbico de entulho despejado. Quando o volume de lixo é maior que dois metros cúbicos, o valor da multa dobra: cada metro, passa a equivaler a R$ 1.200. Além disso, os caminhões que são utilizados na operação são apreendidos pela Guarda Ambiental e os motoristas, assim como os responsáveis pela contratação do serviço são presos.


Fonte: Site da Cidade de Guarulhos



Se você, como nós, é sensível a relação que a humanidade tem com a Mãe Terra, já sentiu a impotência de presenciar tais fatos e não poder fazer muito. Apesar de nossa separação do lixo, do reuso que fazemos dos materiais e da redução de embalagens que nos comprometemos a fazer, das campanhas pessoais, públicas e governamentais, dos alertas de secretarias e ministérios, das escolas e do supremo grito vindo da consciência, tais ações não parecem repercutir muito nas pessoas comuns.


Existe por exemplo a campanha Limpa Brasil que...


"pretende-se disseminar uma consciência ambiental para que as cidades sejam limpas e se mantenham limpas. Assim, o primeiro passo é despertar o interesse das pessoas e organizações para que a realidade da sua cidade possa ser mudada de fato, conquistando-as em prol de um objetivo comum: limpar as cidades e mudar a atitude da população."


Visite o site por AQUI



E a perspectiva mostra que as mudanças serão lentas. Mas porque?






Está desperto?



Um livro conhecido por mestres nas artes cênicas, chamado "O Corpo Fala (Pierre Well&Roland Tompakow)" oferece algumas indicações. É material interessante e por vezes divertido, recomendável para quem inicia a busca do autoconhecimento através da linguagem corporal.



Afirmando que o ser humano é divido em três partes distintas e inter-relacionadas, os autores usam a analogia da Esfinge, distinguindo a Mente, os Sentimentos e os Instintos como Águia, Leão e Boi respectivamente. O corpo nos fala constantemente através destes três personagens, porém nós não os ouvimos.


E mais: eles também não se ouvem constantemente, entretidos em numa batalha dentro de nós onde a perda de um dos bichos se reflete em doenças de origem psíquica, as chamadas doenças psicossomáticas. O reequilíbrio, segundo os autores,só é conquistado através da interpretação e convivência com estes três bichos, tendo o Eu, já desperto, como seu condutor.



O livro chama este fio condutor por um nome bem simples: Amor.



Sabemos que o equilíbrio pessoal não é uma das virtudes humanas mais comuns. Se as pessoas não conseguem manter a "ecologia" interna, como manter a externa? Como respeitar o corpo exterior se seu corpo interior vive em dicotomia constante? Como amar o que está fora de nós, se não amamos aquilo que somos?



Bem, não dá para esperar que a humanidade dê este salto rumo ao amor próprio para que, a partir disso, passe a amar as coisas ao seu redor, não é?

O fato é que nós e o resto da raça humana fazemos a coisa por interesses em alguns casos. 


Há quem economize água ou recicle lixo por questões econômicas (para obter renda ou não gasta-la futilmente) ou educacionais (campanhas em fábricas, escolas etc). Não há garantias em longo prazo de quê continuarão contribuindo com o equilíbrio do planeta.






O que fazer?



O ideal que buscamos precisa ser duradouro. Portanto o trabalho que está a caminho pede que identifiquemos o desequilíbrio em nós, no outro e no corpo social em que pertencemos. Um projeto ecológico sério não se baseia somente em propaganda, mas em ações práticas e viáveis, que possuam a cara das pessoas envolvidas. Nós, por exemplo, podemos inserir a questão dentro da magia ritual. Como wiccano ver a natureza como o corpo da Deusa me é muito natural. Portanto é natural meu engajamento nesta luta.



Quantos encantamentos e feitiços não podem ser feitos através do plantio de ervas e árvores nativas? Não possui o Deus o Seu aspecto vegetal? Muitas árvores no Norte possuem finalidades mágicas e/ ou religiosas, e a Ele são identificadas. São locais de culto, onde a Terra, o Céu e o Submundo se encontram. Aqui em nosso hemisfério pode ocorrer o mesmo.



Magias poderosas podem nascem do ato de observar as mudas nascendo de sementeiras na Candelária, plantadas em vasos simples na Primavera, transplantadas para seu lugar definitivo no Beltane, cuidadas nas chuvas de Verão, observadas no Lammas, ver ser seus frutos amadurecerem no Mabon, as folhas amarelarem no Samhain e a vida hibernar em nosso seco e brilhante Inverno. Ato mágico que não se reserva a pedidos simples, mas a coisas que pedem tempo e longa, longa paciência.


Nota: encontrei anos depois de escrever este trecho uma ideia semelhante vinda de um padre de Goiás que ao invés de ministrar orações para as doenças e aflições espirituais dos fiéis, estes são incentivados a plantar árvores! Veja a notícia AQUI.



A Roda do Ano indo e voltando, onde nossas vidas se confundem, onde temos a impressão que ela sempre esteve lá a nos observar, repleta de sombra, seiva, frescor, frutos, amor, magia.



E existe a ação localizada, pontual. Conhecidos ou estranhos, ao ver atitudes não-ecológicas, avalie as possibilidades e faça a abordagem. Não vale apenas querer a mudança se não se luta por ela..






Busque apoio

  • A Secretaria do Meio-Ambiente de muitas cidades fornecem  mudas de árvores nativas e cursos periodicamente.
  • Há centros de formação para pessoas que queira montar ONGs de reciclagem.
  • Professores são receptivos a realizações de palestras nas escolas por parte de especialistas e interessados no assunto.
  • Faça a separação e destinação do seu lixo como forma de dar o exemplo.
  • Dependendo do contexto, aborde pessoas cuja as atitudes não se alinham com esta forma de pensamento ecológica.
  • Colabore com as diversas campanhas existentes como a Limpa Brasil. Clique AQUI!
Permita, enfim, que a Deusa te guie. Ela dirá o que fazer. Leia também este texto com Soluções de simples aplicação.



E faça somente o que sua mão alcança. São as centenas de pequenas ações que constroem o mundo em que vivemos, lembre-se disso!




Fiquem em Paz, Abençoados(as) Sejam.


Sergio Thot.






Post scriptum



Um vídeo legal sobre compostagem.