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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"O GRANDE PÃ MORREU!"

"Não quero saber se esta árvore é ou não amada pela Deusa. Fosse ela a própria Deusa e eu a abateria se se interpusesse em meu caminho."
Palavras de Erisíchton, antes de abater o carvalho dedicado à Ceres

Retirado d'O Livro de Ouro da Mitologia - Thomas Bulfinch

A primeira menção que li sobre a queda do Espinheiro em Glastonbury foi através da coluna Blogs Amigos, que mostra as últimas postagens de blogs com assuntos correlacionados a este. Quando li o título da postagem do amigo Rafael Noleto, pensei: não vou ler isso senão vou me chatear.

Mas o assunto era por demais relevante! Dias depois o blog Rascunhos de um Pagão, do amigo Roberto Quintas faz uma análise do mesmo assunto. Aí tive que ler ambos e realmente! O assunto me azedou a alma. Sugiro que sigam os links caso não tenham tido acesso a esta informação.


"O Grande Pã Morreu!"

Diz a lenda que no limiar do paganismo da Europa antiga, uma voz misteriosa fez ouvir gritando à plenos pulmões "O Grande Pã Morreu!" e que esta anunciaria o nascimento de um culto cujo os sacerdotes não admitiriam outras formas de espiritualidade. E assim se fez.

Leia mais sobre o assunto no blog "A Era da Filha", da autora Priscila Paixão.

De certo modo, a queda do Espinheiro de Glastonbury possui a mesma carga simbólica nos tempos atuais para as pessoas que o visitavam. Falo aqui de simbolismo porque o ato se deu às portas do solstício de inverno, o que não é pouca coisa.

Centenas de pessoas visitarão nesta época do ano sítios como Glastonbury, Stonehenge e outros para celebrar o nascimento do sol. Quem cometeu a ação o fez de caso pensado, não é possível!

O amigo Rafael chama o fato de vandalismo e acho que ele foi muito comedido. Vandalismo seria alguém escrever no tronco da árvore "John ama Mary". Somando todas as evidências chamo isso de terrorismo.


Budas no Afeganistão e a Gruta do Bosque Maia

Muitos não se lembram mas em 2001 a humanidade viu a estupidez vencer o valor histórico no Afeganistão. Sob a desculpa de ser uma "religião pagã", os governantes da época explodiram duas estátuas gigantes do Buda, datadas de 1.500 anos! É como se dinamitassem a Esfinge no Egito, ou o Vale dos Reis!

Minha cidade também possui seus radicais. Dentro do Bosque Maia existe uma gruta artificial sobre a qual depositávamos flores e velas após os nossos sabás públicos. Se era dedicada a alguma Divindade específica não sabíamos. Mas sempre que voltávamos lá alguns dias depois víamos que as velas eram derrubadas e as flores pisadas. Pequenos nichos onde devotos depositavam suas estátuas e velas também eram vandalizados. Infelizmente temos um longo caminho a percorrer neste sentido.


E agora?

Vamos chorar? Vamos! Depois vamos enxugar as lágrimas e plantar uma nova árvore nas proximidades da antiga. Que ela testemunhe centenas de solstícios como sua antecessora e que daqui a mil anos, dois mil anos as pessoas amarrem ao seu redor fitinhas coloridas e brincarão no vento como pipas.

E que nasçam centenas delas! Saiamos as ruas para plantar em cada espaço nossa árvore sagrada. Se o propósito era derrubar um símbolo o terrorista se lascou. Ele criou milhares! E que a fúria de Ceres o encontre, pois não dá pra ser bonzinho o tempo todo. Pã deve correr pelos bosques novamente, seja em Roma ou em turismo no Brasil, junto com Curupira, Saci, Boitatá e outros companheiros.

Este é meu profundo desejo.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DA CANDELÁRIA




"Estou dando a você a liberdade. Antes rompo o saco de água. Depois corto o cordão umbilical. E você está vivo por conta própria."


Do livro "Água Viva", de Clarice Lispector

Então chegou o tempo do retorno. A terra está fértil dos restos do Samhain e descansada após o Inverno. A semente que dormia agora retorna, animada pelo calor e pela umidade. Ela força a terra envolta mas ainda está na escuridão. Seu movimento em parafuso na noite do Submundo é prova de força.

Atravessamos a escassez e sobrevivemos novamente.

Neste dia rejubilamos com as Divindades, conosco e com a comunidade. E trocamos e dividimos comida e presentes. Porque a madrugada fria anuncia o sol, porque as nuvens se tornam cada vez mais pesadas, porque a fertilidade promete voltar a terra.


É tempo do regresso.


O Divino retorna da escuridão. Ele segue pelos portões e resgata suas vestes mágicas e recupera sua identidade. Mas depois de mergulhar no turbilhão renovador, no Caldeirão onde o Fim e Início se misturam, algo a mais vem com Ele.

Sua mente fervilhando. Existe agora um universo de direções. Neste terreno fértil suas ideias raízes se fixam e sugam com avidez os nutrientes do solo. É tempo de buscar a liberdade e experiências. Todas as ferramentas aguardam por este momento. Mas é preciso planejar bem!

Esteja preparado(a)!!!

Saúde, amizade, liberdade.


Ps.: E aqui estamos nós, comemorando a Candelária!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

DO TEMPLO




"Em todos os lugares em que vemos o corpo da Deusa como uma forma de paisagem natural, precisamos do ponto de visão adequado."

O Corpo da Deusa, de Raquel Pollack


Sou wiccano. E como tal respeito o costume de não possuir um templo físico e fixo para a realização de meus rituais, apesar de usar os cômodos de minha casa para cultos domésticos, e o Bosque Maia, um bosque em nossa cidade,  para rituais públicos.

O fato de não possuir um templo para encontros em grupo transforma cada sabá em um evento verdadeiramente complexo e com algumas restrições. Ao usar espaço público estamos limitados às regras colocadas pelos administradores.

Mas aprecio o grau de liberdade que gozamos. Afinal, findo o ritual não temos que nos responsabilizar por um espaço que ficaria ocioso a maior parte do tempo. É só levantar acampamento e partir.

Fora que é extremamente coerente que uma religião tão ligada a terra e ao mundo natural realize seus rituais cercada por ela! Lembro de um ritual realizado na Mata Atlântica, com o cheiro da floresta, o murmurar de um riacho próximo, canto de cigarras, o vento nos galhos. Lembro da intensidade, da força que nos envolvia.

Percebi ali que não precisava de elementos simbólicos para representar aquilo que saltava ao nossos olhos. Será então que a receita mora na simplicidade?


Segurança & Privacidade

Conversando com a amiga Ludy sobre este assunto, ela me apontou uma solução interessante...

"Poderia ser somente as paredes e a porta.. Sem teto, sem pisos.. Mesmo por que acho que preservaria mais a privacidade dos rituais ali realizados... Sem precisar tirar nada e ter que guardar ou ficar mudando de lugar a cada ritual que venha a ser feito...

Poxa... e não é que é uma ideia original, essa? Vejam só que ela contempla tanto os que preferem um ritual mais reservado, longe de olhares curiosos ou coisa pior, e mantém o contato com os elementos como o sol, o vento, o calor ou frio, o dia ou a noite. Ainda é possível acender pequenas fogueiras, já que não há teto para restringir fumaça! Pode-se pensar em uma cobertura de vinhas, para nos proteger do sol mais forte no Meio de Verão

São bons pensamentos para se degustar, não?


Saúde, amizade, liberdade!

domingo, 21 de junho de 2009

DO YULE


Arquivo Pessoal


"É um mundo emaranhado de cipós, sílabas, madressilvas, cores e palavras - limiar da entrada de ancestral caverna que é o útero do mundo e dele vou nascer."


Do livro "Água Viva", de Clarice Lispector

Então chegou o tempo do descanso. Os vermes fizeram seu trabalho e tudo está desagregado. Amorfo, o solo recebe de volta os nutrientes tirados e aproveita a pausa entre as colheitas.

Nunca a fé fora tão necessária que agora. É tempo de resignação, de poupar energia, de racionamento. Exceto por um dia.

Neste dia renovamos os votos com as Divindades, conosco e com a comunidade. E trocamos e dividimos comida e presentes. Porque mesmo apesar da seca, do frio ou da fome, nossa esperança permanece, vela solitária na escuridão a iluminar o caminho.


É tempo do retorno ao Escuro.

O Divino mergulha na escuridão. Sua identidade ficou para trás e agora só resta o esquecimento, a pausa, o ponto mais baixo do pêndulo. Ele mergulha no turbilhão renovador, no Caldeirão onde o Fim e Início se misturam.

Sua mente está limpa e preparada. Existe agora um universo de possibilidades. O terreno onde elas podem nascer está fértil, pois está livre dos medos, dúvidas e ideias preconcebidas. Em breve novos planos nascerão deste terreno fértil onde a capacidade e a necessidade se encontram.

Esteja preparado(a)!!!

Saúde, amizade, liberdade.



Sergio Thot
Ps.: E aqui estamos nós, celebrando o Yule.

sábado, 16 de maio de 2009

DA CIDADE LIMPA




Estudando ou passeando na capital paulista cheguei a acompanhar com outros olhos a evolução da lei
Cidade Limpa, que ocorre na gestão Kassab. Visualmente falando eu gostei do resultado final, pois havia um certo clima de guerra aberta entre os setores responsáveis pela divulgação de produtos e serviços e a população da cidade.

Aliás, o clima de guerra continua. Afinal, muita gente ganhava dinheiro com isso, desde empresários a trabalhadores do setor e que foram contrários à lei. Estas são questões que devem ser levadas em conta.
Eu penso nisso e em outras coisas toda vez que cruzo a Av. Tiradentes com a Paulo Faccini e me deparo com aquele luminoso enorme e piscante na rua. Me pergunto se ele dá um toque de modernidade à Guarulhos ou se a empobrece visualmente.

Ainda nesta questão visual, tem também as pixações espalhadas na cidade. No Bosque Maia, em uma de minhas visitas, topei com a Guarda Municipal dando um pito em três adolescentes que estavam pichando uma das paredes do prédio administrativo. Insolitamente, usavam grama e seu corante natural para isso! Tenho na memória palavras de ordem que vi em muros de fábricas, chamando à greve por salários e direitos. Hoje a pixação perdeu este caráter de comunicação universal para se tornar instrumento de autopromoção, e destinado a um público restrito. Podia ser diferente.

Mais árvores, arbustos e flores também não fariam mal a ninguém, junto com cercas-vivas e outros adornos. Fora questões como normatização das calçadas (temos ônibus adaptados mas como as pessoas levam as cadeiras de rodas até eles?), lixo nas ruas e córregos (cara, tem gente que não se importa de jogar tudo no chão!!!), desrespeito as leis de zoneamento dos bairros...

E mesmo a lei por si não é suficiente para melhorar o visu das coisas, pois o que outdoor esconde atrás de si é uma caixa funcional de cimento e não uma obra de arte. Ao menos ajuda a perceber o quanto São Paulo carece de construções que seja não só seguras e funcionais, mas também belas de se viver e trabalhar.

Voltando a Guarulhos... nossa cidade é conhecida mundialmente através do aeroporto, temos três grandes rodovias lhe dando acesso e é mais populosa que muitas capitais.
Mas ela precisa ter antes um coração para ter um rosto, algo que nos una e nos faça varrer as ruas para alimentar este sentimento de amor pela terra onde nascemos, ou decidimos morar e criar nossos filhos. Ela só precisa de uma população à sua altura, pois dos governantes só podemos esperar que nos espelhem. Em documentários eu vejo outras cidades como Paris e Roma, Tóquio e Nova Iorque, e sinto nelas uma identidade que falta a Guarulhos.

Pensemos nisso.

sábado, 9 de maio de 2009

DA PROTEÇÃO LEGAL


Já se publicou neste blog, com tema PRECONCEITO, um texto sobre o direito constitucional de reunião religiosa. Segue uma coletânea mais abrangente sobre o assunto que encontrei em outro blog sobre paganismo.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Inciso VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

Inciso VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;

Inciso VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Inciso XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

Inciso XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;

Inciso XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;


Inciso XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

ANTEPROJETO DE LEI DO CÓDIGO PENAL (Cópia do DOU-I , de 25 DE MARÇO DE 1998 - Internet)



TÍTULO V
DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO E CONTRA O RESPEITO AOS
MORTOS
CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA O SENTIMENTO RELIGIOSO

Ultraje a culto

Art. 226. Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; vilipendiar, publicamente, ato ou objeto de culto religioso: Pena - Detenção, de um a nove meses, ou multa. Impedimento ou perturbação de culto

Art. 227. Impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso: Pena - Detenção, de um a nove meses, ou multa.

Aumento de pena

Parágrafo único - A pena é aumentada até a metade, se o crime é praticado mediante violência ou grave ameaça, além da correspondente à violência.



Um ponto interessante é a questão do porte de armas. Temos o athame e não podemos levar a um parque público por conta da lei federal, pois athame é um punhal e este, uma arma branca. Vale uma pesquisa maior sobre esse assunto e verificar se há exceções à regra.

Saúde, Amizade, Liberdade

domingo, 26 de abril de 2009

DO SAMHAIN


"Na minha viagem aos mistérios ouço a planta carnívora que lamenta tempos imemoriais: e tenho pesadelos obscenos sob ventos doentios. Estou encantada, seduzida, arrebatada por vozes furtivas.

As inscrições cuneiformes quase ininteligíveis falam de como conceber e dão fórmulas sobre de como se alimentar da força das trevas. Falam de fêmeas nuas e rastejantes.

E o eclipse do sol causa terror secreto que no entanto anuncia um esplendor no coração. Ponho sobre os cabelos o diadema de bronze."


Do livro "Água Viva", de Clarice Lispector

Então chegou o tempo do caos. Sob a terra os talos e frutos não colhidos são devorados pelos vermes. A desordem impera nos campos. As formas se perdem, misturando à terra, ao útero.

Todos se perguntam: o que foi colhido será suficiente para os tempos que se seguem? Durará muito o período de seca? Quando éramos camponeses, este era um período de incertezas, onde só sabíamos que estávamos a mercê da Natureza a nossa volta.

Mas também era (e é) um tempo de fé, de entrega, de afirmação, de uma alegria dos corajosos que cantam em volta das fogueiras, batendo forte o pé no solo enquanto dançam para que saibam que ainda estão vivos e que lutarão para assim permanecer.


É tempo do retorno ao Escuro.


O Divino irromperá pelos portões da Noite Eterna e, a cada passo, se perderá de si mesmo, de sua identidade de seu ser, para mergulhar no turbilhão onde Fim e Início finalmente se misturam.

Então limpe sua mente das coisas passadas, olhe para dentro de sua casa e descarte o que não serve mais, finalize de uma vez suas pendências, comece a arrumar suas coisas pois estamos todos de partida.

Estamos sempre de partida para algum lugar, não?

Saúde, amizade, liberdade.

Ps.: E aqui estamos nós, celebrando o Samhain.



Saúde, amizade, liberdade.



S. Thot



sexta-feira, 13 de março de 2009

DA REUNIÃO



Após um longo período de reclusão temos a alegria de informar que nossos encontros periódicos voltarão a acontecer no Bosque Maia. Sempre aos domingos no Espaço Gilmar Lopes, às 14h00.

Nosso calendário, e links interessantes:

Os eventos são públicos e com autorização da prefeitura Municipal de Guarulhos. Lembrando que sempre pedimos um quilo de ração para cão ou gato aos participantes, afim de reverter a ONG de defesa animal Deixe Viver.

Menores, sempre com autorização escrita dos pais para participação. Se eles vierem, melhor ainda: é mais uma parede que se quebra!

Entrem em contato para maiores detalhes!

Saúde, amizade, liberdade!


S.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DO PAU-DE-FITA








No ano de 2007 a prefeitura de Guarulhos convidou uma conhecedora em Danças Circulares, Vaneri de Oliveira, para ministrar workshops aos domingos na Tenda do Bosque Maia, na região central de Guarulhos. O lugar era aberto e qualquer um poderia participar da atividade mas poucos adultos, incluindo nós do Semente, ousavam dançar em roda.

Sim, a exposição a algo que poderia ser ridículo deixava muita gente à margem. Em muitos o olho dizia sim mas o corpo não obedecia ao impulso primitivo de dançar e ser um pouco mais solto e feliz. A única expressão possível a estas pessoas era um leve sorriso de escárnio.

De minha parte reconheço que o contato com a dança faz uma ponte com outra forma de percepção de meu corpo, fazendo movimentos com as articulações que jamais se realizariam na vida cotidiana.


A dança sempre teve um papel importante no quesito conhecimento do corpo, seja do seu, do outro/a,  seja da comunidade. Bailes sempre reforçaram a solidez dos grupos, reatando os laços da comunidade. Muitas vezes possuem até um caráter utilitário, como nas construções de casas em algumas regiões do mundo. Dança-se para criar um chão de terra batida, afim de fazer o piso onde será erguida a futura residência. Não é interessante?


Quer dançar?
 

Em um Certo Beltane

Entre nós temos as danças de pau-de-fita nos dias de Beltane, em finais de outubro, trançando e destrançando sob o sol brilhante. Tenho a lembrança de uma destas danças, feitas com número ímpar de participantes, no Parque do Carmo. O ideal era que o número de celebrantes fosse par, mas seria inviável deixar alguém de fora por causa de um detalhe técnico.

E durante o trançar e destrançar nos enroscávamos e ríamos como crianças novamente! Porque rir é fundamental quando as coisas parecem dar errado. E porque ríamos de repente tudo parecia fazer sentido e entramos sem querer em um estado mental diferente. Os risos deram lugar à contemplação.

Não sei o que os outros sentiram mas eu me senti levado no tempo e no espaço e depois somente girava e girava como fazem os planetas em torno do Sol. Era a própria Dança Cósmica que reproduzíamos ali. E quando finalmente terminamos, esbaforidos e felizes, tínhamos a profunda certeza de que chegamos onde deveríamos chegar.

Para cuidar e amar o corpo, temos que reconhece-lo. Seja o corpo da Terra, seja o nosso. Então dancemos!!!


sábado, 31 de maio de 2008

DA ÁRVORE DA VIDA




Já assistiram "
Sonhos", do cineasta Akira Kurosawa? Compostos de vários episódios, a obra c
onta de forma onírica os medos, anseios e alegrias de pessoas comuns em situações extraordinárias.

No episódio "Jardim das Pessegueiras" nos é apresentada a importância que esta árvore tem para a cultura japonesa pelos olhos de uma criança. Assista com áudio original, pois os diálogos só "funcionam" através da inconfundível entonação da língua nativa.


Pensando e repensando: se no Japão o pessegueiro assume esta força no inconsciente da nação, qual é a árvore que nos traduz enquanto povo? E como é isto para outras nações?


No Início

Não podemos começar este texto sem citar uma das mais fortes culturas presentes no imagin
ário popular brasileiro baseado na religiosidade judaico-cristã. Entre os judeus atuais há o costume de plantar árvores por conta de uma regra milenar.

Segundo este preceito, quando nasce um m
enino os parentes plantam um cedro; e se vem ao mundo uma menina, um cipreste. Quando dois jovens adultos se casam, os ramos destas árvores são cortados e usados para a construção de um hupá (ao lado). Este hábito ainda se mantém.

Em seus
textos sagrados há também diversas restrições quanto ao uso e manuseio de árvores.


"A Sabedoria nasce da mente pura"

Nos contam os textos budi
stas que o princípe Sidarta, cansado da vida palaciana, saiu para dar um passeio, logo ele que nunca deixara aqueles muros. Através do contato que teve com a velhice, pobreza e morte expostas nas ruas de seu reino, percebera que a vida era diferente daquilo que conhecia e inquietou-se.

Mas ao se deparar com a paz de um eremita que meditava percebera que era possível encontra-la para si. Sidarta resolveu deixar sua esposa e filho e buscar tal quietude para sua alma. Viveu anos na floresta e, encostado em uma figueira, finalmente encontrara sua Revela
ção.


Visita dos Antigos

As nações do Oiapoque são protegidas pelos Karuãna, os Antigos, que visitam este mundo graças ao Turé, mastro que liga Nosso Mundo ao Outro. Quando as chuvas escasseiam, uma reunião é realizada envolta deste mastro.

Os Karuãna, andando entre os vivos, bebem do caxiri e confabulam com os pajés durante a comemoração que se dá entre todos os membros do povo. Estas festas tem como objetivo a obtenção de favores e a defesa contra outros Karuãna desejosos de lhes fazer maldades.


Pensamento e Memória


Poucas árvores tiveram tamanho destaque e importância para o Divino como Yggdrasil, a árvore que ligava vários mundos segundo os povos norte-europeus. Seus frutos curavam doenças, suas folhas revertiam a morte. As raízes, t
ronco e galhos sustentavam reinos divinos dos vikings.

E não foi à toa que Loki, para derrotar Odin e os Aesir, entre outras coisas, tratou de derrubar este maravilhoso ecossistema, que acabou consumido pelas chamas do Ragnarok, assim como o resto do universo. Mas das cinzas do velho mundo e das raízes desta grande árvore a vida renasce.


Símbolos

Quem nunca se extasiou ao passar pelas ruas da cidade, com o chão forrado de flores amarelas que não estavam ali a poucos dias? É assim em frente de casa, por exemplo. Muitos perceberam que falo do ipê, que já foi a árvore-símbolo do país.

Não raro pensamos que estão mort
as, pois sua aparência ressequida e geralmente sem folhas induzem a tal julgamento. Mas em uma explosão de cor, enfeitam a bem-aventurada calçada que as recebe. Oriunda do cerrado, além de resistente ela se adéqua facilmente ao ritmo da cidade, pois suas raízes não quebram calçadas. Além de lindas, as cascas segundo a sabedoria do povo, possuem propriedades curativas.

Não se pode deixar de falar, logicamente, da árvore que nos empresta seu nome, o pau-brasil. No Bosque Maia, na nossa cidade, existe um exemplar desta espécie que, durante décadas, ajudou a criar riquezas devido a sua
madeira resistente e a brasileína, um tipo de pigmentação.

Há uma controvérsia envolvendo estas duas grandes árvores nacionais e sobre qual delas deve ser o símbolo nacional definitivo. Confesso que neste pódio, ambas dividem o primeiro lugar!!!

Não só nosso país possui nome de árvores. Bairros paulistanos como Cambuci e Pinheiros também possuem esta honra e lutam para que mais destas árvores vivam entre a população.


E você?

Quantas árvores existem na sua rua? Sabia que elas ajudam a refrescar o ambiente graças a evaporação realizada pelas folhas no verão, e a umidificar o ar no inverno? Que a secretaria do Meio-Ambiente de sua cidade possui mudas e cursos gratuitos na área?

Vamos fazer parte desta teia?

Ah, segue um vídeo muito bom, som de infância, com Liu e Léu, chamado O Ipê e o Prisioneiro. Se tiver preconceito contra o som da terra, vença-o e assista!






segunda-feira, 3 de março de 2008

DOS LOCAIS SAGRADOS



Lago do Bosque Maia, em Guarulhos

Na Itália, à beira de um antigo vulcão, existe uma cidade. Próximo a esta cidade um bosque, e neste bosque um lago. O nome da cidade, do bosque e do lago é um só:
Nemi.

Seriam uma cidade, um bosque e um lago comuns se não fosse a fonte de estórias e histórias. Reis-pescadores, cálices sagrados, heróis mascarados...

Pode parecer viagem, mas quando caminho pela trilha sinuosa em torno das árvores e deparo com o pequeno lago aqui no Bosque Maia aqui em minha cidade, e vejo o sol da tarde refletido em suas águas enquanto aguardo o povo para as celebrações, não sinto inveja dos italianos.

Sagrado é o lugar onde vivemos e comemoramos com os Deuses e amigos. Sim, é preciso dividir o espaço com crianças, apresentações artísticas, curiosos passantes e casais de namorados. Mas, enfim, este é o preço da vida moderna dos bruxos, rs!



Saúde, amizade, liberdade




Sergio Thot.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

DO ENCONTRO



Despertem, despertem todos
e ouçam a voz do chamado da Deusa
Alegrem-se! Alegrem-se!
e deixem que nossa bela Mãe Terra
seja preenchida pela magia, pelo amor e pelo júbilo.
Que haja bebida.
Que haja música.
Celebrem alegremente a noite inteira!

Gerina Dunwich




O Grupo Semente Sagrada convida todos a participarem do 4º Encontro Sobre Bruxaria em Guarulhos.

Nosso Encontro ocorrerá no dia 16/12/2007, domingo, das 10:00 às 17:00 hs.
O local é o Centro de Educação Ambiental do Bosque Maia, na Avenida Papa João XXIII 218, no Parque Renato Maia.

Será um excelente dia para participar de atividades, palestras e conhecer novos amigos!!!
SEJAM BEM VINDOS!!!

10h00 Abertura
Anne, Brawen, Thot

10h15 Elaboração de Magias e Encantos
Gisele Recco

11h00 Cristais: a cura pelas mãos de Gaia
Demerson Venditti


12h00 Almoço


13h15 Uso e Construção de Instrumentos Musicais Sagrados
Cibele Pagani

14h00 Confecção e Origem do Livro das Sombras
Paula Mazali

15h00 Dança do ventre: Uma Arte Dedicada à Deusa
Natalia Angel

16h00 Predição: Tarô: o uso Mágico das Lâminas
Claudia Hauy


16h45 Encerramento



Inscrições e informações conosco pelo e-mail sementesagrada@yahoo.com.br

No telefone
(11) 3436.53.99 / S. Thot

Aguardamos sua presença.

Sejam Tod@s Abençoad@s!!!

Grupo Semente Sagrada

Colabore com a ONG guarulhense Deixe Viver de apoio aos animais, com 01 kg de alimento para cão ou gato.

Apoio:
Prefeitura Municipal de Guarulhos - Secretaria de Meio-Ambiente


...E o legal dos Grandes Encontros é que sempre se faz festa!

Que Diana, a caçadora dos bosques, uma das senhoras da Lua, derrame sobre nós suas bençãos.

Saúde, amizade, liberdade.





Sergio Thot

sábado, 20 de outubro de 2007

BELTANE

De Cecília Meirelles

"A VIDA só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... — mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a VIDA só é possível
reinventada."


O Grupo Semente Sagrada lhe convida a participar de mais esta celebração.

Época de fazer alianças, juntar amigos, misturar a massa, ver pronta a obra.

O calor nos agita, com o Sol alto no céu, trazido pela carruagem dourada e seus cavalos selvagens! Na terra as plantas recebem suas primeiras chuvas, ainda tímidas.

No espiritual, Aqueles que se Foram Antes vivem suas primeiras aventuras em sua nova existência. Demeter e Perséfone encontram-se novamente e muitas são suas lágrimas de felicidade. Tantas que lavam a terra da aridez da solidão.

O fim não é real, mas a oportunidade de um novo começo, um melhor começo.

Para celebrar e render culto nós os convidamos novamente!

Não esqueçam de trazer um prato de doce ou salgado, um tecido para sentar, o cartão de pedidos e um item de seu ato mágico.

Usem uma peça da roupa nas cores Laranja, Verde ou Amarela para nos harmonizarmos com o período.

Bosque Maia - Espaço Gilmar Lopes

Domingo, 28 de outubro de 2007.
14h00

Encontro sob a Tenda do Bosque 15 minutos antes!!!

SEJAM BEM VINDOS!!!

Anne, Branwen, e S. Thot - Grupo Semente Sagrada
Visite nossa página no Orkut!

Este é um clássico da MPB, na voz da Gal, para cantar debaixo de chuva!

sábado, 22 de setembro de 2007

DO RITUAL PÚBLICO

Por S. Thot

Era uma tarde quente do início de março. O sol ardia sobre a pele e o ar, seco enquanto descia a rua Mãe dos Homens e cruzava a avenida Salgado Filho. Ao longe eu avistava árvores e ansiava por sua proteção. Meu rumo era o Bosque Maia, afim de preparar o encontro do dia 25, um domingo.

Cruzo o portão lateral e sinto a brisa fresca que traz cheiros de madeira e outros perfumes. Lavo o rosto, pescoço e braços no bebedouro do parque. Chego a administração e converso com os responsáveis, já velhos conhecidos. Tudo ok na documentação, faltando somente a assinatura do secretário de meio-ambiente. Há tempo hábil e não me preocupo.

Por curiosidade, olho a agenda de eventos do espaço Gilmar Lopes, local de nossos encontros há alguns anos, e constato que está quase vazia. Somente o Semente Sagrada usaria o espaço em março.

Ao sair, me encaminho até lá e subo os degraus de cimento, no mesmo lugar onde concentramos, onde posicionamos nosso altar. Observo as pessoas que descansam na pequena arquibancadas, com as árvores atrás e o céu nos protegendo. Então rápidas lembranças surgem.

Lembranças de rituais passados, de pessoas que sempre vejo e outros que desaparecem nas brumas do tempo. Lembranças de calores sufocantes ou ventos gélidos, de dias de chuva ou de céu limpo. Faz tantos anos... Lembrei de meus temores em expor aquilo que fazíamos entre quatro paredes ali, para o escrutínio público. Lembro do coração acelerado e do "seja o que a Deusa quiser", quando meus argumentos não surtiam efeito. Se fosse para dançar, que dancemos todos então. É curioso ver agora que somos parte da paisagem de tempos em tempos.

Penso nos pagãos que se reuniam no mesmo dia em outros locais do mundo. Penso nos que não podiam e não podem, por doença ou incapacidades de várias ordens (e oro por eles). Penso naqueles que o faziam à noite e em segredo, enquanto eu tenho apoio de minha cidade (e oro por eles). Penso naqueles que pegarão o bastão quando já não pudermos mais. Orarão por nós?

A barca solar ruma ao horizonte, levando consigo minhas orações. Que alcancem a todos.

"Sempre que um local tenha tido orações e desejos concentrados direcionados à ele, formasse um vértice elétrico que atrai para si uma força e que se torna por um tempo um corpo coerente que pode ser utilizado pelo ser humano.

É ao redor desses corpos de força que templos, locais de culto e, posteriormente, igrejas são erguidos; são cálices que recebem um derramamento cósmico focalizado em cada local específico."

Dion Fortune,
Aspectos do Ocultismo

sábado, 1 de setembro de 2007

EQUINÓCIO DE PRIMAVERA



De Shakespeare

"O tempo é muito lento para os que esperam,
muito rápido para os que têm medo,
muito longo para os que lamentam,
muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade".


O Grupo Semente Sagrada lhe convida a participar de mais esta celebração.

Época de expor planos, traçar metas, de transformar sonhos em metas É hora de dar ao corpo&mente&espírito trabalhos e amores novos!


O tempo de devanear passou. O Sol desponta no horizonte, trazido pela Aurora de róseos dedos! No útero da terra a semente fixa suas raízes na terra, enquanto ruas folhas rompem a terra rumo ao céu.

No espiritual, Aqueles que se Foram Antes recebem as bençãos de Perséfone e assumem seus lugares nesta dança cósmica. Demeter mais uma vez receberá sua Filha, e com elas o calor do sol e as chuvas de verão trarão vitalidade a terra.

O fim não é real, mas a oportunidade de um novo começo, um melhor começo.

Para celebrar e render culto nós os convidamos novamente!

Não esqueçam de trazer um prato de doce ou salgado.

Usem uma peça da roupa nas cores Vermelha, Laranja ou Amarela para nos harmonizarmos com o período.

Bosque Maia - Espaço Gilmar Lopes

Domingo, 23 de Setembro de 2007.
14h00

Encontro sob a Tenda do Bosque 15 minutos antes!!!

Gosta de Milton Nascimento? Experimente!

Anne, Bramwen, e S. Thot - Grupo Semente Sagrada


quarta-feira, 4 de julho de 2007

EQUILÍBRIO E AÇÃO





A cena é comum: rios já sufocados pelo concreto e pelo esgoto de casas, comércio e fábricas, uma pessoa jogando seu saco plástico de lixo nele. Longas ruas e poucas árvores ardendo ao sol tropical. Pessoas adultas e bem-educadas lavando suas calçadas ou carros com mangueiras e usando água potável. Falam para mim que o problema é cultural, mas eu discordo. Cultura da preservação do meio ambiente todos temos. O que nos falta é a aplicação daquilo que é aprendido.


Perto de minha casa existe uma viela chamada Alagoinha. Vez após vez a prefeitura recolhe de lá toneladas de lixo e entulho e vez após vez a população local emporcalha o lugar com mais sujeira, apesar das leis municipais que proíbem essa prática, da existência do Ponto de Entrega Voluntária (PEV) mantido pela prefeitura e do bom senso de não se jogar animais mortos e lixo ôrganico por onde passam crianças em idade escolar.


"Em Guarulhos, a multa é de R$ 600 por metro cúbico de entulho despejado. Quando o volume de lixo é maior que dois metros cúbicos, o valor da multa dobra: cada metro, passa a equivaler a R$ 1.200. Além disso, os caminhões que são utilizados na operação são apreendidos pela Guarda Ambiental e os motoristas, assim como os responsáveis pela contratação do serviço são presos.


Fonte: Site da Cidade de Guarulhos



Se você, como nós, é sensível a relação que a humanidade tem com a Mãe Terra, já sentiu a impotência de presenciar tais fatos e não poder fazer muito. Apesar de nossa separação do lixo, do reuso que fazemos dos materiais e da redução de embalagens que nos comprometemos a fazer, das campanhas pessoais, públicas e governamentais, dos alertas de secretarias e ministérios, das escolas e do supremo grito vindo da consciência, tais ações não parecem repercutir muito nas pessoas comuns.


Existe por exemplo a campanha Limpa Brasil que...


"pretende-se disseminar uma consciência ambiental para que as cidades sejam limpas e se mantenham limpas. Assim, o primeiro passo é despertar o interesse das pessoas e organizações para que a realidade da sua cidade possa ser mudada de fato, conquistando-as em prol de um objetivo comum: limpar as cidades e mudar a atitude da população."


Visite o site por AQUI



E a perspectiva mostra que as mudanças serão lentas. Mas porque?






Está desperto?



Um livro conhecido por mestres nas artes cênicas, chamado "O Corpo Fala (Pierre Well&Roland Tompakow)" oferece algumas indicações. É material interessante e por vezes divertido, recomendável para quem inicia a busca do autoconhecimento através da linguagem corporal.



Afirmando que o ser humano é divido em três partes distintas e inter-relacionadas, os autores usam a analogia da Esfinge, distinguindo a Mente, os Sentimentos e os Instintos como Águia, Leão e Boi respectivamente. O corpo nos fala constantemente através destes três personagens, porém nós não os ouvimos.


E mais: eles também não se ouvem constantemente, entretidos em numa batalha dentro de nós onde a perda de um dos bichos se reflete em doenças de origem psíquica, as chamadas doenças psicossomáticas. O reequilíbrio, segundo os autores,só é conquistado através da interpretação e convivência com estes três bichos, tendo o Eu, já desperto, como seu condutor.



O livro chama este fio condutor por um nome bem simples: Amor.



Sabemos que o equilíbrio pessoal não é uma das virtudes humanas mais comuns. Se as pessoas não conseguem manter a "ecologia" interna, como manter a externa? Como respeitar o corpo exterior se seu corpo interior vive em dicotomia constante? Como amar o que está fora de nós, se não amamos aquilo que somos?



Bem, não dá para esperar que a humanidade dê este salto rumo ao amor próprio para que, a partir disso, passe a amar as coisas ao seu redor, não é?

O fato é que nós e o resto da raça humana fazemos a coisa por interesses em alguns casos. 


Há quem economize água ou recicle lixo por questões econômicas (para obter renda ou não gasta-la futilmente) ou educacionais (campanhas em fábricas, escolas etc). Não há garantias em longo prazo de quê continuarão contribuindo com o equilíbrio do planeta.






O que fazer?



O ideal que buscamos precisa ser duradouro. Portanto o trabalho que está a caminho pede que identifiquemos o desequilíbrio em nós, no outro e no corpo social em que pertencemos. Um projeto ecológico sério não se baseia somente em propaganda, mas em ações práticas e viáveis, que possuam a cara das pessoas envolvidas. Nós, por exemplo, podemos inserir a questão dentro da magia ritual. Como wiccano ver a natureza como o corpo da Deusa me é muito natural. Portanto é natural meu engajamento nesta luta.



Quantos encantamentos e feitiços não podem ser feitos através do plantio de ervas e árvores nativas? Não possui o Deus o Seu aspecto vegetal? Muitas árvores no Norte possuem finalidades mágicas e/ ou religiosas, e a Ele são identificadas. São locais de culto, onde a Terra, o Céu e o Submundo se encontram. Aqui em nosso hemisfério pode ocorrer o mesmo.



Magias poderosas podem nascem do ato de observar as mudas nascendo de sementeiras na Candelária, plantadas em vasos simples na Primavera, transplantadas para seu lugar definitivo no Beltane, cuidadas nas chuvas de Verão, observadas no Lammas, ver ser seus frutos amadurecerem no Mabon, as folhas amarelarem no Samhain e a vida hibernar em nosso seco e brilhante Inverno. Ato mágico que não se reserva a pedidos simples, mas a coisas que pedem tempo e longa, longa paciência.


Nota: encontrei anos depois de escrever este trecho uma ideia semelhante vinda de um padre de Goiás que ao invés de ministrar orações para as doenças e aflições espirituais dos fiéis, estes são incentivados a plantar árvores! Veja a notícia AQUI.



A Roda do Ano indo e voltando, onde nossas vidas se confundem, onde temos a impressão que ela sempre esteve lá a nos observar, repleta de sombra, seiva, frescor, frutos, amor, magia.



E existe a ação localizada, pontual. Conhecidos ou estranhos, ao ver atitudes não-ecológicas, avalie as possibilidades e faça a abordagem. Não vale apenas querer a mudança se não se luta por ela..






Busque apoio

  • A Secretaria do Meio-Ambiente de muitas cidades fornecem  mudas de árvores nativas e cursos periodicamente.
  • Há centros de formação para pessoas que queira montar ONGs de reciclagem.
  • Professores são receptivos a realizações de palestras nas escolas por parte de especialistas e interessados no assunto.
  • Faça a separação e destinação do seu lixo como forma de dar o exemplo.
  • Dependendo do contexto, aborde pessoas cuja as atitudes não se alinham com esta forma de pensamento ecológica.
  • Colabore com as diversas campanhas existentes como a Limpa Brasil. Clique AQUI!
Permita, enfim, que a Deusa te guie. Ela dirá o que fazer. Leia também este texto com Soluções de simples aplicação.



E faça somente o que sua mão alcança. São as centenas de pequenas ações que constroem o mundo em que vivemos, lembre-se disso!




Fiquem em Paz, Abençoados(as) Sejam.


Sergio Thot.






Post scriptum



Um vídeo legal sobre compostagem.