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terça-feira, 10 de maio de 2011

NOTÍCIAS VERDES

Olá à tod@s.

Esta será uma postagem permanente sobre notícias de cunho ambiental relevantes. Espero que apreciem.


Bauru entra na luta contra as sacolinhas

Notícia dada pelo blog Bruxa do Leste, da ciberamiga Izaura Vecchi.


"E em Bauru, está na Câmara Municipal, um projeto de Lei onde PROÍBE o uso de sacolas plásticas por Supermercados na cidade. Coisas de um prefeito jovem, audacioso, ligado ao Meio Ambiente. Parabéns prefeito Rodrigo Agostinho!"

A questão é que não há mal sem bem nem bem sem mal, como já aprendi no mundo pagão. As sacolinhas não surgem do nada mas são produzidas por pessoas em fábricas. Com os pedidos sendo recusados, as fábricas fecham e as pessoas são dispensadas. É uma medida acertada de um lado e impopular do outro.

Lendo a respeito, acertadamente o prefeito de Bauru tentou evitar que o peso da lei baixasse sobre o assunto e trouxe a discussão para diversos órgãos ligados ao comércio e produção na cidade, segundo o jornal Fala Cidade (Leia AQUI)

"
A redução na produção das sacolinhas, causada por cancelamentos de pedidos de clientes supermercadistas, provocaram demissões nas fábricas do ramo. Na Polimáquinas, empresa de Bauru que faz o corte e solda das sacolinhas, houve recentemente a demissão de18 funcionários de um total de 146 empregados." Fonte Jornal da Cidade de Bauru.

Eco-asfalto - São Paulo (capital)

A prefeitura de São Paulo resolveu transformar os restos dos edifícios demolidos São Vito e Mercúrio, no centro da cidade, em "asfalto ecológico". As subprefeituras do Butantã, São Miguel Paulista e da Freguesia do Ó recebem a pavimentação especial que as unidades de Parelheiros e Ermelino Matarazzo já receberam.


Com investimento de cerca de R$ 2 milhões, a iniciativa contribui para minimizar o impacto ecológico que os restos da demolição podem produzir ao meio ambiente, quando não recebem destinação correta. O novo material será utilizado para asfaltar 19 mil m² de vias, em uma extensão de 2,6 km.

Os resíduos das construções serão utilizados em duas das camadas que compõem o pavimento. A sub-base do asfalto, formada por pequenos pedregulhos, será composta por restos de construções em geral. Sobre esta camada será acrescentada mais uma, composta por restos de fresagem de ruas que estão recebendo recapeamento. A economia será de até 40% em relação ao asfalto convencional.

As subprefeituras contempladas, segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, foram definidas devido ao cronograma de pavimentação e características físicas para pavimentação.

Fonte: Terra


Ilhas Verdes - Guarulhos


Guarulhos ganha destaque em publicação internacional após um ano da aprovação da lei que regula o programa de combate ao aquecimento global Ilhas Verdes, criado em 2008. Inédito no Brasil e no mundo, o programa completará um ano em vigor como legislação municipal na próxima terça-feira (24).


A iniciativa consiste na redução das ilhas de calor urbanas por intermédio da proteção e recuperação das florestas e do plantio de milhares de árvores. A ação foi divulgada em revista da Unesco, veiculada na América Latina, na Espanha e no Chile. O artigo fala sobre a conservação da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo, ecossistema do qual Guarulhos faz parte, e mostra novas formas de integração entre as esferas públicas e privadas para a recuperação dos ecossistemas.


“A preservação das florestas urbanas está diretamente ligada à provisão dos recursos naturais e à regulação dos processos térmicos”, afirma Antonio Manoel dos Santos Oliveira, coordenador do Laboratório de Geoprocessamento do Mestrado em Análise Geoambiental da Universidade Guarulhos. “Entre os benefícios das florestas podemos citar o fornecimento de água, alimento, ervas medicinais e lenha, além do controle do clima, da purificação do ar e da absorção das águas das chuvas, que reduzem as erosões, deslizamentos e alagamentos”, declara Oliveira.


“A consolidação da lei municipal é uma forma inovadora de orientar a arborização não só por critérios aparentes, mas pelo excesso de calor”, disse o diretor-geral do Instituto Florestal, Rodrigo Victor.  “O reconhecimento internacional é importante, já que a ação é um dos maiores exemplos práticos de política pública que utiliza o serviço ambiental de regulação climática para aumentar o bem-estar da população”, garante Victor.


“O Ilhas Verdes se transformou em lei e agora se consolida como exemplo de experiência ambiental bem-sucedida no cenário mundial”, comemora Fábio Vieira, criador do programa e diretor da Secretaria de Meio Ambiente de Guarulhos.


Fonte: PMG


Link: Guarulhos Online





Imposto Verde - Guarulhos

"Com a aprovação da Lei Municipal nº 6.793/2010 (nova legislação do IPTU) pela Câmara Municipal, ocorreu uma ampliação de isenções em especial visando à proteção do Meio Ambiente – IPTU VERDE, com a concessão de desconto de até no máximo 20% no valor do IPTU anual devido pelo período de 5 anos - a partir de 2012 para o contribuinte que ingressar com o pedido durante este ano (2011) - para os imóveis edificados que adotem duas ou mais das medidas a seguir:
Telhado verde no antigo prédio do Banespa - SP
  • Sistema de captação da água de chuva;
  • Sistema de reuso de água;
  • Sistema de aquecimento hidráulico solar;
  • Sistema de aquecimento elétrico solar;
  • Construções com material sustentável;
  • Utilização de energia passiva;
  • Sistema de utilização de energia eólica;
  • Instalação de Telhado Verde;
  • Separação de resíduos sólidos.
"Além disso, há outros descontos ambientais que a Prefeitura irá conceder para imóveis edificados horizontais que possuírem em frente uma ou mais árvores. Para os imóveis edificados horizontais e para os condomínios horizontais ou verticais, que possuírem áreas de seu terreno efetivamente permeáveis, com cobertura vegetal."


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

DEUSES & MADONAS




Olá à tod@s!

Tive o prazer de visitar o MASP (Museu de Arte de São Paulo) nesta semana. O fato é que fazia um curso de uma semana em Congonhas referente ao meu atual emprego na aviação civil e este termina no final da tarde, quando tem chovido diluvianamente na capital paulista. Some este fato à hora do rush na cidade que tem a maior frota de carros do país, e que querem sair todos da garagem ao mesmo tempo! Ninguém merece ficar em busão fechado, em pé, ouvindo funk daquela molecada que não compra fone de ouvido, e com janelas fechadas por conta da chuva que cai lá fora! Então decidi dar um tempo pra cabeça e adquirir cultura nessas horas críticas.

Peguei o metrô e parti para a Avenida Paulista, uma das "praias" paulistanas, título dividido com o Parque do Ibirapuera. As primeiras gotas já caíam pesadas enquanto o céu adquiria vários tons de cinza quando atravessei o Vão Livre do museu. Ingresso na mão, carpe diem!

Dispensa dizer que é gratificante contatar obras que até então só via através de reproduções. Digam o que quiserem, mas ao vivo é muito melhor, como conta Belchior. Destaque para as exposições Deuses & Madonas. Uma coletânea interessante de representações da Virgem Cristã sobre a ótica de diversos artistas, além de pinturas enaltecendo temas pagãos. Destaque para a obra de Nicolas Poussin, “Himeneu Travestido Assistindo uma Dança em Honra a Príapo”, que está acima.


Segundo os Antigos, Himineu vestiu-se de mulher para espionar sua noiva que participava das festividades ao Deus Príapo. Suponho que o quadro retrata o momento exato em que ele participa das festividades, quando cai diante da estátua do Deus. Digo isso porque é a única pessoa que não está dançando na imagem, rs!

Aliás, a disfunção chamada priapismo nasceu do nome Dele, o que considero ofensivo pois este Deus não era um ser doente. Ter esta ereção enorme é que faz dele o Deus da fertilidade. Mas a nossa cultura, que teme o sexo mais que a violência, tratou de domesticar seus atributos.


Sobre o Culto ao Pênis na Antiguidade, leia o texto introdutório no Conselho de Bruxaria Tradicional, clicando AQUI.

Saibam que o MASP restaurou a pintura após a castração de Príapo feita pelos espanhóis católicos que tremeram diante da visão de ereção tão potente. O quadro fora adquirido em 1953 mas só recentemente pode ser visto em toda a sua glória.

Vou colocar o antes, o depois e não me venham com moralismos caducos, hein? Se tá no museu pode vir para o blog também. E aqui o link da notícia sobre a restauração.

Recomendo a visita.

Serviço:
Av. Paulista, 1.578, 3251-5644, metrô Trianon-MASP.
Das 11h/18h (5ª, 11h/20h; fecha 2ª).
R$15,00

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

BENDITO FRUTO!

Mesmo antes de nascer a vida de Mani estava em risco. Filha da união de sua mãe com o Divino, ela estava sujeita a lei dos homens e esta dizia que mulher grávida é mulher casada com homem. E aonde estava o pai? Não se sabe. A mãe de Mani chora dias e noites sob o olhar severo do pai, jurando que não fora à mata com ninguém da tribo para se deitar na relva e fazer amor. A tribo a despreza ou a evita como se tivesse uma doença contagiosa. Se afastam.

O que a Mãe, nossa Mãe, não sabe é que ela alimentará nações com o fruto de seu ventre que já vem até com nome: Mani. Tal-e-qual Demeter de Outras Terras, ela chorará muito por sua filha mas suas lágrimas serão lembradas para sempre enquanto o sacrifício Dela e de Sua Filha for por nós repassado. É da Casa de Mani que surge a farinha que minha mãe habilmente misturava com carne, legumes, caldo e temperos e comia com gosto. E eu, criança, lutando com o garfo e a faca achava aquela destreza o máximo, rs!

A batata salvou milhões na Europa (sendo que países inteiros dependiam de boas safras, como pode ser visto AQUI) e a mandioca outros milhões na África, onde até hoje é plantada tendo como a Nigéria um de seus maiores produtores.

Mas ainda estamos às portas do Equinócio do Outono e o fruto ainda não está maduro. Sejamos fortes e pacientes como Mani. Que a menina-Deusa nos ensine a suportar os encargos de ser o que somos, apesar de nossas origens! Feliz Lammas.


Ps.:

Vejam como são as coisas. Este texto se inspirou em outro blog, o Círculo de Gaia e agora a corrente segue adiante através do blog do amigo Saulo, o Empório da Bruxaria. Mas nosso amigo mineiro lapidou o pensamento em poesia. Segue um trecho. Aproveitem e leiam no original também, rs!


"Uma nova esperança,
Que a tribo iria receber,
Tão bela criança,
Fruto de um bem querer,

"Da concepção divina,
O cacique duvidava da pureza,
E em seu sonho veio à confirmação,
Tupã, do ato explicou-lhe com clareza."

S. Thot

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A CAMINHO DE SÃO THOMÉ DAS LETRAS



Bem, é Beltane para mim, mas a verdade é que a maré das pessoas comuns insiste no Halloween, pegando pronta as festividades do Hemisfério Norte que a esta hora vivencia os primeiros dias frios do inverno setentrional. Nosso amigos portugueses que o digam, entre outros que acompanham da Europa e América este blog.

Mas há um conselho colocado no Oito Sabás Para Bruxas, dos Farrar, que diz assim:

"As crianças esperam divertimento de Hallowe'en, e do mesmo modo (nós o descobrimos) os amigos e vizinhos esperam algo das bruxas em Hallowe'en.

Assim realize uma festa e lhes ofereça - abóboras, mascaras, trajes à fantasia, pregar peças, música prendas, tradições locais - a sorte. 

E realize seu ritual de Samhain para o coven em outra noite ".

Sendo assim, rendi-me a maré da gente comum e vou entrar de cabeça em nosso carnaval especial na cidade de São Thomé das Letras - MG, onde se poderá andar à caráter sem medo de ser feliz neste dia 31 de outubro!

Para os que seguem o Sul, Feliz Beltane.

Para os que seguem o Norte, Feliz Halloween.

S. Thot.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

NOITES FRIAS




Nesta parte do país o frio tem congelado meus ossos, seja dia seja noite. Uma brisa vinda do sul me envolve em seus braços como aquela mulher nos sonhos de Akira Kurosawa. O Samhain passou e o Solstício se aproxima. As noites caem tão rápido...


E paro um pouco na correria do dia e encaro o poente atrás da Serra da Cantareira. O céu é de um azul profundo e as poucas nuvens são douradas como leite com canela e chocolate. Hmmm, como eu desejo uma xícara fumegante de leite com chocolate! Vênus surge como de costume, brilhante, no pousar da noite.

Então tudo fica mais lento à minha volta, desimportante. Penso nos que se foram e nos que vieram. Penso nos jovens que já não são tão jovens e no hálito da Morte que senti tantas vezes. Me pergunto: quando será minha vez?

Trágico? Não diria. É uma certeza. Abrindo meu e-mail profissional leio notas de falecimento de funcionários das outras bases. De gente tão jovem, 23, 27, 30 anos... solteiros, casados, com ou sem filhos... É um fato da vida. O trem que chega é o mesmo trem da partida.


Oceano de Vida

A Deusa nos colhe do Oceano da Vida nestes receptáculos frágeis que chamamos de corpo. Quando nosso corpo finalmente se desmancha, tal&qual um copo de papel, a água volta ao Oceano, se misturando. E a Deusa faz outro destes copinhos frágeis, se abaixa e recolhe outro pouco de nós. E voltamos novamente. Parte aqui, parte ali... mas sempre voltamos. Não para pagar pecados ou algo assim, não creio nisto. A gente volta para duas coisas...


1) Para aprender e transmitir conhecimento.

2) Para nos divertimos durante o processo.

É minha esperança

Mas estamos no Inverno e está tudo seco e morto em nós. Aparentemente.

Resistamos juntos como fazem as brasas na fogueira.

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot


sexta-feira, 16 de abril de 2010

NOSSO PAPEL




“As mudanças climáticas afetam de maneira direta as condições de vida e de trabalho das mulheres, particularmente por sua proximidade aos elementos de vida, como a agricultura, seu contato com a água e para poder cumprir com o ciclo de cuidado da vida que lhe foi transferido como responsabilidade prioritária”
Magdalena León

Responsáveis pela manutenção do lar enquanto os homens saem para caçar, sejam alces ou máquinas pesadas, fica a cargo das mulheres a sutil dança com os ciclos do mundo. Lembro de minha mãe olhando para o céu e dizendo para mim: leva guarda-chuva filho pois vai chover. Ou das panelas areadas brilhando ao sol, refletindo sua luz nas paredes da casa. De intuir a hora em que meu irmão caçula dormia e acordava antes mesmo dele o fazê-lo. E aqui falo apenas de uma família que reside no meio urbano. 



Há os ciclos das nuvens e dos astros para as pessoas que dependem dos frutos da terra, onde saber essas coisas é a diferença entre a fartura e a fome.

Penso o quanto nossa vida se distanciou dos ciclos quando inventamos a luz elétrica ou a água encanada no mundo ocidental. A gente aperta um botão e as coisas acontecem como mágica. Mas é um mistério bem explicado, calculado e com sérios custos. Cada vez que fazemos tais coisas imprimimos uma digital no mundo. Gostaria de falar diferente, que o aquecimento global não é de nossa responsabilidade. Que o que acontece com o gelo ártico, tão longe de nós, não tem nada a ver com a gente e que podemos levar nossa vida despreocupadamente. Mas não é bem assim.

E mesmo que assim o fosse, não explicaria ações nulas em nível local, como separação de material reciclável limpo para catadores de bairro, por exemplo. Ou, com o espaço adequado, uso de material orgânico na compostagem.





Culpa ou "responsa"?

Responsabilidade, lógico! A culpa pressupõe que somos crianças diante das coisas, que não temos controle sobre nossos atos e que agimos por impulsos incontroláveis. Inverdades.
Exceto em casos patológicos, somos sabedores de nossos atos a cada passo da Caminhada. Atribuir a outros nossas faltas, ou autojulgarmos incapazes de uma ação consciente é enganar a si e a os que lucram com esta insensatez!

Claro que não peço mortificações e sacrifícios no sentido de colocar em risco saúde ou bem-estar. Mas a separação entre o sadio e o supérfluo deve ser feita. Se não por questões ecológicas, ao menos pelas econômicas. E quando se mexe com o bolso as pessoas se movem, não? Rs!

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

AS ÁGUAS




As chuvas têm castigado a cidade nas últimas semanas. Ruas transformam-se em rios e rios em marés de barro e lixo. São águas furiosas que arrastam e engolem tudo que bobear em sua frente. São águas que rugem nas jaulas de concreto no estrangulamento que chamamos de urbanização.

E não raro populações inteiras constroem suas casas na boca desta cobra grande alimentada pelas chuvas de verão, mudanças climáticas e La Niña. Nossa modernidade supostamente poderosa pára diante desta fera que ajudamos a nos devorar.

A construção do Mundo sobre a Terra, a submissão de Gaia aos nossos caprichos tem três grandes vilões nas cidades:


Impermeabilização

Todo mundo quer viver perto da natureza mas ninguém quer pisar o pé na lama. Então a solução mais fácil e burra já criada foi cobrir enormes extensões de terra com concreto e asfalto. A terra fica com sede de chuva, e as águas não tem para onde correr senão para as ruas. Aí entra o segundo vilão


Lixo

Já compro briga com desconhecidos que fazem das ruas depósitos de lixo. Esse material todo, nas chuvas, entope as bocas-de-lobo e fazem das ruas rios temporários. Essas águas entram nas casas, levam carros e mais lixo que só agrava ainda mais o problema.

No bairro onde moro a situação é de dar úlcera nervosa. Apesar da coleta da prefeitura e dos Postos de Entrega Voluntária (PEV's), existe essa discrepância entre o consumo e o descarte. Na hora de comprar nossa realidade se equipara àquela passada na tevê, mas o lixo é jogado para trás numa atitude infantil e displicente.


Assoreamento

As prefeituras gastam tempo, dinheiro e mão-de-obra para retirar toda a sorte de materiais depositados no leito dos rios. O cidadão comum acredita que tudo se resolve num passe de mágica mais ou menos assim: eu tenho um sofá velho, empurro ele no córrego e ele desaparece.

Ou ao desmatar suas margens, permitindo que a água das chuvas eroda o solo nu e carregue para as margens os sedimentos. Quem passa pelos córregos das grandes cidades pode ver tais efeitos. No Jardim Nova Portugal, a ponte que liga a Avenida Jamil João Zarif com o aeroporto está ameaçada por conta das forças das águas que devoram as margens do Rio Baquirivu.

É uma das maiores causas de morte de rios.



Resgate

Um resgate daquilo que é realmente importante deve ser feito. Nos meios urbanos córrego é sinônimo de água suja, depósito de lixo e doença. Terra é sujeira. Folha é sujeira. Essa terra que chamamos de suja é a matéria-prima do que somos. Somos este pó e esta lama que tudo reveste. Dela viemos e para ela voltaremos apesar de toda ilusão criada sobre este mundo artificial, acarpetado, cimentado e tecnológico.

Logo a salvação do Corpo Maior é o planeta depende primeiro da salvação do corpo menor, que é nossa própria humanidade.

Gostaria de dizer isto de uma maneira que pudesse sentir nos ossos e no sangue.

Sinta isso.

E enquanto sente, ouça Águas de Março na doce voz de Elis Regina!


quarta-feira, 29 de julho de 2009

DO TEMPLO




"Em todos os lugares em que vemos o corpo da Deusa como uma forma de paisagem natural, precisamos do ponto de visão adequado."

O Corpo da Deusa, de Raquel Pollack


Sou wiccano. E como tal respeito o costume de não possuir um templo físico e fixo para a realização de meus rituais, apesar de usar os cômodos de minha casa para cultos domésticos, e o Bosque Maia, um bosque em nossa cidade,  para rituais públicos.

O fato de não possuir um templo para encontros em grupo transforma cada sabá em um evento verdadeiramente complexo e com algumas restrições. Ao usar espaço público estamos limitados às regras colocadas pelos administradores.

Mas aprecio o grau de liberdade que gozamos. Afinal, findo o ritual não temos que nos responsabilizar por um espaço que ficaria ocioso a maior parte do tempo. É só levantar acampamento e partir.

Fora que é extremamente coerente que uma religião tão ligada a terra e ao mundo natural realize seus rituais cercada por ela! Lembro de um ritual realizado na Mata Atlântica, com o cheiro da floresta, o murmurar de um riacho próximo, canto de cigarras, o vento nos galhos. Lembro da intensidade, da força que nos envolvia.

Percebi ali que não precisava de elementos simbólicos para representar aquilo que saltava ao nossos olhos. Será então que a receita mora na simplicidade?


Segurança & Privacidade

Conversando com a amiga Ludy sobre este assunto, ela me apontou uma solução interessante...

"Poderia ser somente as paredes e a porta.. Sem teto, sem pisos.. Mesmo por que acho que preservaria mais a privacidade dos rituais ali realizados... Sem precisar tirar nada e ter que guardar ou ficar mudando de lugar a cada ritual que venha a ser feito...

Poxa... e não é que é uma ideia original, essa? Vejam só que ela contempla tanto os que preferem um ritual mais reservado, longe de olhares curiosos ou coisa pior, e mantém o contato com os elementos como o sol, o vento, o calor ou frio, o dia ou a noite. Ainda é possível acender pequenas fogueiras, já que não há teto para restringir fumaça! Pode-se pensar em uma cobertura de vinhas, para nos proteger do sol mais forte no Meio de Verão

São bons pensamentos para se degustar, não?


Saúde, amizade, liberdade!

terça-feira, 10 de março de 2009

DA CONSERVAÇÃO SUSTENTÁVEL




Duas palavras muito usadas ultimamente no meio ambientalista são
Desenvolvimento Sustentável. Quando leio a palavra desenvolvimento, subentendo que é algo que avança, que cresce.

Certa vez, em uma palestra sobre este tema em Guarulhos, o palestrante abriu a palavra para o público e eu lhe fiz esta pergunta:

Qual é o limite do desenvolvimento para a cidade de Guarulhos?

Perguntei pois tudo tem um limite. Vivemos em um mundo de regras regidas pela Física, Geografia, Meteorologia, Matemática. Tomemos como exemplo a água potável.

Pela regra, quanto mais pessoas maior a demanda de recursos naturais. No entanto, quanto mais pessoas, maior é a área ocupada em uma cidade. Em Guarulhos, isto se traduz em subir os morros, avançar pelas matas e mananciais, diminuindo a oferta deste líquido tão precioso a uma população crescente. Que mágica fará nossos governantes para tirar água da pedra? O Rio de Janeiro já dá as suas cabeçadas nesta questão, ganhando as manchetes dos jornais.

Talvez seja esta a hora de repensar este modelo de sustentabilidade, de admitir que em alguns lugares o limite chegou, ou até foi ultrapassado. O problema é saber quem terá coragem de suportar o ônus político desta decisão.

Quem poderá dizer "segundo estudos mais recentes, nossa cidade não comporta mais pessoas de modo a lhes dar uma vida digna"? Isto é algo difícil de se fazer, pois significa segurar em si uma seqüência de decisões erradas cometidas a décadas.

Dizer que se precisa de muita coragem é, no mínimo, ser modesto.

Ou será que devemos esperar que alguém nos diga esta verdade inconveniente? Até que ponto o Desenvolvimento Sustentável não é uma saída paliativa?

Haverá meios de subsistência para as gerações futuras? Você terá filhos? Em que condições de moradia, saneamento, emprego, segurança ele viverão? Ah, vai contar com a sorte, é? Deus proverá?


Pensemos nisso.

sábado, 31 de janeiro de 2009

DO OUTRO MUNDO





"Um Outro Mundo é Possível". Este sempre foi o tema norteador do
Fórum Social Mundial onde quer que ele aconteça. Neste ano foi novamente em Belém do Pará, no Brasil. Mais de cem mil pessoas desceram na floresta amazônica afim de trocar experiências e levar propostas para todos os cantos do mundo.

Paralelo ao Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, na Suíça, o FMS entende que a moeda de maior valor não é o ouro negro ou números constantes em uma tela de computador. As pessoas que dele participam querem algo mais que carros nas caragens.


Vêem mas não falam

No decorrer da semana busquei notícias consistentes sobre o Fórum, mas incrivelmente, na era da informação, não achei nada de relevante nos grandes meios de comunicação. Não sei porque me espantei vendo uma cobertura baseada em pequenas organizações e pessoas que de maneira individual, relatavam o que viam, ouviam e liam nas assembléias. Parece que, em tempos de internet, quem tem um PC é rei da informação.


A questão ambiental

Não nos enganemos: não se pode falar de meio-ambiente sem falar de justiça social, e vice-versa. Quem explora o humano explora o animal, o vegetal e o meio. Perceba que empresas envolvidas com escravidão também não recolhem impostos, atendem a leis ambientais e outras regras sociais.

A importância do Fórum não deve ser subestimada. A aparência caótica dá a impressão que nada sairá destas discussões, que são um bando de loucos que se vestem de maneira esquisita e que estão lá para diversão mascarada de luta social.

No entanto, temos homens de cinza devidamente organizados, crachás com foto no peito, em ambiente termicamente controlado que olham para a economia e não sabem dizer o que deu errado, como resolver e quanto tempo durará esta crise. Querem ser independentes do Estado até verem seus capitais de mentira irem para o espaço. Nesta hora recorrem aos governos como bezerros sedentos.

É preciso achar alternativas. E com rapidez.

sábado, 11 de outubro de 2008

DA CASA VIVA







"Se a Terra é nossa Mãe, então uma caverna torna-se uma imagem do seu útero e um lugar para se entrar em Seu corpo real."
Rachel Pollack


Seu corpo, sua casa

Ah, falar sobre nossa primeira casa é falar sobre o nosso corpo. Concordo que é objeto de especulação a existência de alma ou não, e não vou tratar disto aqui. Mas hão de concordar
que existe algo além da máquina humana, que existe um Eu que a opera, que dirige seus passos.

Eu SEI que não sou somente carne e ossos e sangue. Que existe algo além disto, que mora aqui dentro. Eu VIVO neste corpo e através dele interajo com o mundo exterior, sendo não só minha casa como meu veículo de transporte e locomoção, entre outros atributos.


Bem, sendo minha primeira casa, só levo para dentro dela quem eu quero, certo? Como pagão, creio também que minha casa também é meu templo, morada do Divino, o que só aumenta a respon
sabilidade do que entra e sai dela. Física, mental e emocionalmente falando, é preciso ser assim para manter a saúde em todos os aspectos.

Como você trata esta primeira camada de residência?


Ya-bada-badoo!!!


A citação no início deste texto, da autora e sacerdotisa pagã Rachel Pollack, me faz pensar sobre as primeiras moradias.

A nossa segunda camada de residência é a nossa casa propriamente dita, seja ela de pedra, concreto ou madeira. Como somos animais sem pelos e demasiado sensíveis a variações de temperatura ter uma proteção contra frio e chuva que vá além das roupas e fundamental.

Mas ainda não dispúnhamos das ferramentas para construir esses bens duráveis, ou nem sempre ficávamos muito tempo em um lugar para justificar tal construção. O que fazer?


Cavernas Modernas

Já pensou naquilo que sua casa é? Nunca a imaginou como uma caverna de alta tecnologia, artificial mas ainda sim com todos os elementos básicos de uma gruta, principalmente no Brasil, que usamos material vindo das profundezas da terra na confecção do cimento e concreto?
No princípio contávamos somente com as formações naturais, que não são lá muito comuns.

O que fazer então quando não se tem uma caverna natural à mão? Constrói-se uma! De argila, couro ou gelo.

Cavávamos o solo e erguemos do corpo da Mãe nossas primeiras edificações, Filhas de sua própria carne.
Lógico que são apenas especulações, pois vestígios destas primeiras habitações são virtualmente impossíveis de descobrir, uma vez que as casas dissolviam-se com as atividades climáticas. Da Mãe veio, para a Mãe retorna.

Mas o Brasil moderno conserva ainda construções que herdaram esta forma de engenharia habitacional. Para quem mora na capital paulista, visite o Museu de Arte Sacra, na Zona Norte de Sampa. P
arte da igreja foi erguida com barro e madeira e foi conservada para visitação.

Nossas casas hoje carecem desta harmonização com o meio porque esta entropia não é vantajosa para nós que desejamos uma vida mais estável. Reconstruir partes da casa feitas em barro não são tarefas que possam ser feitas em curtos espaços de tempo, uma vez que tempo é o que menos temos. Nossas casas modernas são pouco ecológicas seja na sua construção ou manutenção.

Logo, nossa segurança e conforto dependem do sacrifício do Corpo da Deusa em nosso favor. Respeitemos isto.



Casa na Árvore ou a Árvore como Casa?

Tendo o processo evolucionário proposto por Darwin como base e através de estudos de fósseis além de outras evidências, é possível dizer que nas regiões tropicais os primeiros hominídeos viveram boa parte de sua existência em árvores até 3-4 milhões de anos.

Longe dos perigos do solo, a única questão a ser resolvida durante a noite é se manterem juntos e equilibrados nas copas das árvores. Hmmm... será que vem daí aqueles pesadelos de quedas infinitas? Uma defesa inconsciente do nosso corpo para que não caiamos na boca do predador enquanto dormimos?

Atualmente quando a madeira da árvore não é usada como matéria-prima na construção de casas, lhes servem de suporte como as tradicionais casas-da-árvore. São as casas ditas alternativas que sempre geram olhares diferenciados de admiração e espanto.

E esta segunda camada de residencia, a morada de seu corpo, como é tratada?


Sua casa mora aonde?


Como boa parte da população de nosso país mora na zona urbana, é provável sua casa esteja situada dentro de uma cidade. A cidade é a casa de sua casa, já percebeu isso? Se sim, já parou para prestar atenção nela? Suas ruas, árvores e praças, comércio, pessoas, vizinhos, animais? Nos sons da manhã e da noite? Nos cheiros que ele deixa no ar? E no modo como ela pulsa em diferentes horas do dia? Onde fica seu coração? Onde as decisões são tomadas? Onde as pessoas estudam ou trabalham? Como o lixo é recolhido e eliminado? E o esgoto?

Depois que os celulares popularizaram as câmeras, ficou mais fácil o registro das coisas. Então meu exercício atualmente é fotografar as ruas próximas de casa. E acho incrível como a câmera muda a perspectiva de algo que faz parte de meu cotidiano há tanto tempo. A fotografia nos força a olhar o objeto de outro ângulo. O próprio fotógrafo, na busca do inusitado, tenta achar esta novidade.

Experimente redescobrir seu bairro, e verá as surpresas que encontrará.
Então o corpo que é o bairro saltará aos olhos!!!


Minha cidade é meu País

Preste atenção: como queremos afirmar que alguém participa da vida social e política da nação, dizemos que esta pessoa é cidadã. Ora, é um termo para morador das cidades. E de fato: a célula mais definível de um agrupação cultural e político é a cidade. Para um migrante, o voltar a terra natal não é o estado de origem, mas sua cidade, onde ele é algo mais que um número. As cidades são as células deste corpo chamado Nação.

Volta então o sentimento de lar, família, de pertencer a algum lugar. É aonde crescem nossos filhos e estão enterrados nossos ancestrais. É inevitável: o que acontece em sua cidade, acontece com você. E o que acontece contigo ocorre em seu país. A sua história e a História estão coligadas.

A cidade não precisa ser um lugar de anônimos apressados e sem vida. A existência de praças e parque nas regiões centrais garantem que sua população possa parar e aproveitar a experiência que é viver em coletivo.


Novas Visões sobre o Corpo-Cidade

Uma forma de repensar o espaço das cidades, por exemplo, está na fazenda urbana, uma idéia antiga que toma corpo graças a crescente população x espaço para plantio. Eis uma forma de repensar o lugar onde se vive.
Defenda então a cidade. Participe de sua vida, sinta sua respiração, seus movimentos. Seja uno com ela. Pois é neste templo gigantesco em que mora o Divino.

Outra, mais voltada para a guerrilha de jardim: a ocupação dos terronos baldios por plantas comestíveis. Essa idéia foi da Paula e é muito simples. Sabe todas aquelas sementes que você jogava fora quando comia maçã, pera ou maracujá? Então, ao invés de po-las no lixo, jogue-as no terreno baldio ou margem de córrego mais próximo. Ou eles servirão de alimento para pássaros e insetos ou brotarão e darão origem a plantas.

A nossa casa é aqui e agora, aonde a gente está!

Segue um som muito gostoso do Arnaldo Antunes, para ilustrar a idéia.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

DO MICRO AO MACRO





Durante os anos de 2007 e 2008 eu participei de um programa de voluntariado do Educafro em Guarulhos. O Educafro tem como missão realizar a inclusão da população afro-descendente. Sob orientação, eu ministrava aulas de Biologia com enfase no mundo vegetal. No início do curso era abordado a questão dos vírus, bactérias, protozoários e outros seres microscópicos, DNA, RNA, mitocôndrias..


Endossimbiose


Palavrão, né? Rs! Esse eu (re) aprendi durante as aulas, através da observação de diversos organismos e as formas com que se organizam para viver me dei conta de como nós somos parecidos com eles. E que não somos aquilo que pensamos realmente.

Por exemplo, a célula vegetal, a menor porção de uma planta que ainda mantém suas características básicas. Ela é formada por outros subsistemas menores. Alguns deles, desconfia-se, tem vida própria e passam a viver dentro célula para partilhar vantagens.

Conosco é a mesma coisa. Nosso corpo é uma colônia onde habita a nossa consciência. Somos o universo de milhões de seres vivos que vivem agem sem a nossa interferência consciente.


Ora, um recuo maior, as células se especializam e formam órgãos completos, como coração, rins, pele. Estes sistemas também funcionam sem nossa interferência direta. Afinal, ninguém compassa o ritmo do coração, ou a quantidade de oxigênio que deve entrar nos pulmões. Estes órgãos formam sistemas maiores (reprodutor, respiratório, digestivo).

A combinação destes sistemas formam as coisas vivas. É assim no micro no macro.


E não pára por aí

Cada indivíduo não é um indivíduo, mas um sócio. Isolados, não teríamos as conquistas que usufruímos hoje. Afinal, a água tratada que chega com pressão em nossas torneiras, vinda de grandes distâncias, não é mágica. Um conjunto de células sociais organiza, monitora e age para que isto aconteça. Também somos parte de um grande corpo que é nossa cidade.

Unidos pelos mais diversos motivos e com os mais diversos objetivos, é verdade. Mas ainda sim somos um corpo. As diversas formas de vida deste planeta estão buscando este entendimento. Cooperar é sempre menos desgastante que lutar. Para sobrevivermos como espécie em algum momento temos que tomar esta decisão. Todas as invenções que tornam nossa vida mais segura e confortável são o resultado destas conexões entre o passado e o presente através das mais diferentes culturas.

A questão é sob que moldes permanecermos juntos para o futuro, já que isto me parece inevitável: sob a coação ou sob o livre-acordo.


Pense nisso.



Sergio Thot


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

LIÇÕES DIFÍCEIS




Conta-nos textos inspirados que a Deusa era una no universo até que um dia gerou de si mesma Outro ser semelhante a Ela, mas diferente. Seu oposto e seu complemento. Ela o recebera primeiramente como Filho e depois como Amante. A partir então da união deles então surgem todas as coisas. No tempo certo, porém, seu Outro sucumbe e morre, retornando ao Ventre Sagrado. Mas não é o fim, porém, e sim um novo começo, renovado. O que seria um erro então se torna a salvação.


No Princípio

A Biologia reconhece este fato descrevendo uma das formas mais simples de reprodução é a divisão de si mesmo em duas partes. O único problema desta forma de reprodução é que ela não gera variedade, ou como gosto de chamar, aprendizado. Se todos forem iguais, todo sucumbem pelo mesmo mal.

Sem variedade só se tem a extinção. Mas então algo dá errado, e o que não programado acontece, surgindo alguem diferente. O fim chega somente para os que não se modificam. Quando esta mudança salva nossas vidas, nós a chamamos de evolução. Posteriormente inventamos o termo masculino e feminino, ele e ela. Mas biologicamente o masculino somente é um feminino diferente.


Tecnologia

Vivemos em uma sociedade onde dependemos profundamente de complexas máquinas. Quando pensamos em máquina, falo não só da calculadora ou do meu computador, mas de itens maiores como aviões, navios e redes elétricas.

Nossas primeiras máquinas, como lanças, fundas, arados facas de pedra também são formas de tecnologia, das quais tudo o que possuímos hoje descendem. Estes aparelhos nos permitiram sobreviver à Natureza que sempre exigiu seu quinhão de seus filhos.

Nossos remédios, instrumentos, máquinas e coberturas nos separaram gradativamente do mundo natural e aprendemos a criar outro meio-ambiente. Então despertamos nossa consciência, tomamos conta daquilo que chamaríamos de realidade. Apartados um pouco da Terra, apesar de para ela retornarmos e dela retirarmos nossa nutrição. E assim fazíamos com tudo a nossa volta: nossas casas, roupas e utensílios, tudo da terra nascia e para ela voltava.


Sociedade da saciedade

Mas a complexidade de nossa vida aumentou. E nossa separação também, afinal, nunca aceitamos o fim de nossa existência nem a dos nossos com bom grado. A morte nunca é bem vinda mesmo que inevitável. A separação do mundo veio a atender esta demanda, primeiramente: garantir uma existência mais estável e mais longa.

E quando conseguimos atingir um certo patamar de tempo de vida, nossa busca se direcionou para a saciedade dos sentidos. A sobrevivência estava assegurada, e era hora do prazer. Prazer nas artes, na convivência com o outro, conosco e com os bens que nos rodeavam.


Tudo que é de graça tem um preço

Como dito, a complexidade de nossas relações só aumentou, e a demanda pela segurança de uns e o prazer de outros só acompanhou. Ao mesmo tempo, o número de pessoas no mundo nos empurra em direção às fronteiras da terra, a conquistas de novos espaços e recursos. Pressionamos cada vez mais. Seguramos pelos pulsos Aquela que nos gerou e gritamos "mais, Mais, MAIS!"

Falamos todo dia nos jornais em "desenvolvimento". Achamos que as crises são desastres menores no caminho. Mas estamos desequilibrados, e mais agora do que nunca, porque somos muitos e nunca em nossa curta história estivemos tão distantes e violentos. Pequenos erros podem trazer grandes conseqüências devido a esta complexidade que criamos.


Perguntas Pertinentes

O fato que todo o desenvolvimento tem um patamar. E o que chamamos de crise é a volta do pêndulo. Cabe então a seguinte pergunta: * Demorará para percebemos que em muitos lugares do tempo e do espaço ou atingimos ou ultrapassamos os limites? * É possível aproveitar este recuo para aprendermos algo sobre nós e a Terra?

domingo, 6 de abril de 2008

DAS RELAÇÕES



Vivemos em um ambiente controlado que chamamos de civilização. Este meio se sustenta graças a diversos artificialismos, dando-nos condições de segurança e bem-estar e através disso podemos ter uma relação pacífica entre nossos pares. Olhe a sua volta. Você não deveria ter água, mas tem. O sol provavelmente já se pôs, ou escondeu-se atrás de algum obstáculo, porém num clique você tem sua estrela particular.

Esta realidade de concreto, aço e vidro permite que vivamos separados o suficiente para não matarmos uns aos outros como leões presos em uma jaula pequena. Nossa cela atual tem nuances de labirinto, onde os sentidos são iludidos. Quando cai o pano não raro viramos feras, ou ovelhas.

Mas quando falta energia em sua casa e a tevê se desliga, ou quando o semáforo pisca no amarelo naquele cruzamento e é preciso decidir se damos passagem ou forçamos a nossa, como é sua interação? Como você se relaciona com o outro em uma situação de conflito?

Quando o controle, o verniz social é retirado o que sobra de você? É capaz de manter os laços humanos ou eles se rompem na primeira tensão?

A terra e o mundo

Nosso relacionamento moderno muitas vezes usa interfaces, como blogues e sites de relacionamentos. Na vida real, no contato direto,usamos outra forma de manter nosso conforto e sobrevivência: política.



Política não é aquela coisa feia e sem paixão que muita gente faz nas urnas, ou poucas gentes fazem nos palácios de governo. Política é a relação entre você e o outro. Com este outro podemos nos relacionar como senhor e escravo, ou como iguais. Depende da situação e das armas escolhidas.

Há uma dicotomia entre nós e o natural que insistimos em manter, que é possível identificar como o mundo e a terra. Olhe ao seu redor e veja que há muito não estamos imersos no natural. Cobrimos porções de terra com o nosso mundo, usando o asfalto e concreto como fronteira, como isolante.

Sem esta barreira certamente passaríamos por uns apuros, pois nos sujeitaríamos a viver imersos na condição natural. Mas ao mesmo tempo alteramos tanto o horizonte da cidade que as neblinas que apareciam durante o inverno se foram, deixando o ar seco e as crianças propensas a todo tipo de problemas respiratórios. Os mananciais que abastecem a nossa e outras cidades estão sob ataque. A qualidade de vida se deteriora.



Nossa relação com as pessoas têm se deteriorado a olhos vistos. E imagine: se uma pessoa não liga para a sorte de outra, prestará atenção aquilo que acontece ao seu bairro, cidade, nação ou planeta?

 
Resta questionar

*Até onde deve ir o desenvolvimento em nossa cidade?

*Como medir isto?

*Como ter uma relação sustentável com a terra sob o asfalto?

*Como reconhecer e reverter situações de calamidade ambiental?

*Que administrador público terá peito de propor e executar estas mudanças?

*Qual é o seu e o meu papel nisto?

Pensemos.


Saúde, amizade, liberdade.

segunda-feira, 3 de março de 2008

DOS LOCAIS SAGRADOS



Lago do Bosque Maia, em Guarulhos

Na Itália, à beira de um antigo vulcão, existe uma cidade. Próximo a esta cidade um bosque, e neste bosque um lago. O nome da cidade, do bosque e do lago é um só:
Nemi.

Seriam uma cidade, um bosque e um lago comuns se não fosse a fonte de estórias e histórias. Reis-pescadores, cálices sagrados, heróis mascarados...

Pode parecer viagem, mas quando caminho pela trilha sinuosa em torno das árvores e deparo com o pequeno lago aqui no Bosque Maia aqui em minha cidade, e vejo o sol da tarde refletido em suas águas enquanto aguardo o povo para as celebrações, não sinto inveja dos italianos.

Sagrado é o lugar onde vivemos e comemoramos com os Deuses e amigos. Sim, é preciso dividir o espaço com crianças, apresentações artísticas, curiosos passantes e casais de namorados. Mas, enfim, este é o preço da vida moderna dos bruxos, rs!



Saúde, amizade, liberdade




Sergio Thot.

domingo, 7 de outubro de 2007

MOVA-SE


Às vezes sinto nos pagãos atuais uma certa indolência, aquela coisa modorrenta que se costuma atribuir aos amigos baianos. Se tomarmos o Orkut como verdade pode-se ver o quanto o povo gosta da própria cama, não é ligado aos esportes ou qualquer atividade que lembre a ar livre.

Ora, vida sedentária não só é danosa do ponto de vista físico como retarda ou atrofia nossa porção espiritual. Lembre-se que as divindades encontram-se são imanentes, estão por toda a a parte. E não só aí no seu quarto ou sala de estar. Como ser um culto voltado à natureza se não se está em contato com ela?

Além do quê, como encontrar os outros como nós se não botamos a cara na rua?

Há um sol ou uma lua lá fora. Talvez neste momento chova ou faça frio na cidade onde está. Não importa. Seja para sentir o vento ou se arrepiar com os raios, daqui a pouco vá lá fora e cheire o ar.

Catedral é uma banda que me surpreende. Surpreenda-se também!


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

SOLUÇÕES SIMPLES

Apresento aqui soluções simples para usar em seu cotidiano afim de minimizar o impacto de nossa pegada na Terra. Sei o quanto é chato falar sobre isso, pois se fosse legal todo mundo faria. Mas a solução só vem do empenho de cada pessoa consciente.

Perceba que uno em vários textos dos tópicos os conceitos espiritual e o político. Natural, pois eles são indissociáveis no ser humano, apesar da separação que faz na mente das pessoas. Muitos enxergam o mundo como um lugar sujo ou ilusório, não me responsabilizando por ele.

Para o pagão a realidade une o material e o espiritual, sendo a matéria reflexo do espírito e vice-versa. Logo é natural que tenhamos posições politico-ecológicas associadas a nossa espiritualidade.

Grato por
ler e por agir.



Guerrilha urbana

C-calma! As armas aqui não são perigosas. Nem brancas são! São verdes mesmo, rs! Nunca pensou em fazer uma bomba, mas de sementes? É! Aprenda aqui a fazer uma bomba de sementes para plantar em terrenos baldios e outras áreas abandonadas dentro das cidades. Clique na imagem e aprenda a fazer.

Magia com árvores
Quando realizamos algum ato mágico usamos uma muda de árvore como foco de nossos feitiços.


Sendo nativa de nossa região, as plantamos naqueles "quadrados" de terra existentes nas calçadas da cidade, nos certificando antes que sua espécie não seja muito grande.

Senão ela criaria mais transtornos que benefícios.


Lixo nos bolsos!

Quem não se rende a uma balinha no fim da tarde, voltando para casa? Mas não existe coletores de lixo em todos os postes (fora os vândalos que destroem os poucos!).
O jeito é por no bolso até a próximo botequim e jogar na lixeira deles.

Tem a questão dos lixos úmidos, como cascas e miolos de frutas, por exemplo. No meu caso, como ando muito com mochila, deposito em uma sacolinhas dessas de mercado, e vamos que vamos!

E em caso de não se ter um lugar para colocar o lixo? Bem, a minha escolha é "se não posso descartar nã
o posso produzir". É duro mas se as usinas atômicas seguissem este preceito, não teríamos lixo radioativo jogado no fundo dos oceanos.

No coração da cidade!

Jogar óleo n
o ralo da cozinha é um crime do qual não tomamos consciência. Sabia que cada parte dele contamina 1 milhão de partes de água? Fora isso, a gordura se acumula nos canos de sua casa, tal qual uma artéria do corpo humano. Resultado? Entupimento!


Mesmo em tubulações maiores o problema se apresenta. A gordura adere as paredes e detritos formando uma grossa camada que estreita os encanamentos dos tuneis sob as cidades. Pensando na cidade como um corpo vivo, isso equivale a um adulto com problemas causados por alimentação gordura!s

A verdade é que o consumo de frituras devem ser evitado sempre que possível, dando atenção para aliementos cozidos, assados ou grelhados. Mas se seu prazer é uma batatinha frita tipo "palito" vez ou outra, vai uma dica: Coloque o óleo usado em uma garrafa pet e descarte-a no lixo comum. Acredite: terá um impacto menor que jogar o óleo no esgoto.

Uma solução melhor é enviar o recurso para usinas que o transformarão em biocombustível. Se mora na capital, olhe com carinho para esta opção.


Refil
Produtos como perfumes itens alimentícios (achocolatados, café solúvel) possuem embalagens econômicas, menos refinadas, só para distribuição do produto em si: são os refis. Uma empresa que investe neste sentido é a Natura, onde o preço do refil é inferior ao da embalagem padrão. Lógico! Afinal, o que importa é o conteúdo! Além disso, a empresa apoia diversos projetos ambientais e sociais, como o Movimento Natura.

Os superm
ercados vendem vários produtos à granel (principalmente grãos e farináceos) ao invés das embalagens de isopor que são difíceis de reciclar.

O impacto ambiental no uso de refis também é um pouco menor.



Pilhas e baterias
Pilhas e
baterias levam em sua composição metais pesados. Shopping Centers, prédios públicos e outros locais recebem pilhas usadas para descarte. Clique AQUI para composição de pilhas e AQUI para as baterias usadas em automóveis.

Baterias podem ser levadas nas lojas autorizadas pelo fabricante. Lojas como a Claro e TIM contam com este serviço.
Os Bancos Real e Santander possuem coletores especiais para pilhas e baterias identificados com o logo que aparece ao lado.


Falando em sacolas de mercado

Quantas sacolas de mercado sua família consome ao mês? Sim, tá certo que nós a reutilizamos depois nos cestos de lixo. Mas depois elas seguem para o aterro e lá levam séculos para se decomporem. Isso quando o" cabra" simplesmente não o joga no córrego mais próximo! Do córrego para o rio e deste para o mar.

No oceano a sacolinha de seu supermercado favorito é confundido com águas-vivas por outros animais marinhos como tartarugas. Águas-vivas são parte da alimentação destes répteis e ao tentarem come-las você pode imaginar o estrago que é. Clique na imagem para obter mais informações sobre o assunto.

Que tal respeitar o dia de coleta do seu lixo para evitar que este por engano seja levado pelas chuvas até as galerias subterrâneas, córregos e rios? Ou optar por outros meios melhores para o transporte de suas pequenas compras, como mochilas ou sacolas "permanentes"? Minha ecobag é minha mochila mesmo, rs!

A questão do transporte de itens do mercado está atrelada a necessidade de nos programarmos melhor, também. Eu tenho uma mochila escolar só para isto, evitando assim a sacolinha plástica. Durante um determinado período em casa anotamos aquilo que precisamos do mercado.

Com a lista na mão e a mochila nas costas fazemos as compras. Sem esta organização, sempre passaríamos pelo mercado e seríamos forçados a usar as sacolinhas, só para não trazer os itens nas mãos. Não só é bom para o planeta como evita o consumo por impulsividade, ruim para o bolso.


Caixa Treta Pak
A tecnologia treta pak, famosa pelas caixas de leite longa-vida, possui certas dificuldades para reciclagem, devido a complexa composição de seu material. No entanto o fabricante disponibilizou um site onde há endereços de recicladores especializados no produto. Digite seu endereço e veja o local mais próximo de sua casa ou trabalho.

Ou simplesmente optar pelo leite em saquinho como nos velhos tempos. De reciclagem mais simples, e que é aceito pelos catadores de papel desde que esteja razoavelmente limpo.

Lavar roupa todo dia?
Existe a necessidade de se manter o ambiente limpo: casa, roupas, utensílios domésticos... O mercado nos oferece uma miríade de produtos com os mais diversos usos e cheiros. Pena que boa parte não seja biodegradável.

Uma solução ecológica está na produção caseira de sabão, usando óleo vegetal usado, ou comprando de quem já faz. Existem muitas fórmulas para fazer sabão, mas busquei uma que não usasse banha animal, afim de não ofender pessoas sensíveis a matança.

E dê preferência por lavar a maior quantidade possível de roupa de uma vez, afim de economizar no bolso e nos recursos. Se der, reutilize a água para lavagem de áreas de serviço como calçadas, garagem e similares.

Ratatouille
Já assistiram esta animação da Disney-Pixar? Fala de um ratinho chamado Remy que deseja aprender a cozinhar e ser um grande chef. Comprei o dvd e assisto sempre. O que nos interessa aqui é o pano de fundo da história, sobre o fato dos ratos ficarem próximos dos humanos devido a abundância de comida disponível.

Se você avaliar bem o que se come, será que tudo que está no prato ou panela é consumido ou desce para o ralo? Na vida real, infelizmente, ratos são associados a diversas doenças desde a Idade Média. As grandes cidades vivem sob a sombra de doenças transmissíveis por ratos principalmente durante as enchentes.

Para se manter a população dos ratos sob controle venenos só não bastam. O consumo consciente não só economiza no seu bolso como evita que material orgânico polua o ambiente ou sirva de alimento para roedores indesejáveis no seu esgoto... ou cozinha.

Compostagem
Uma solução simples para os lixos úmidos de sua cozinha! A ainda dá para reverter naquele jardim que você nunca começa. Só não vale ter nojo de minhoca!






Carregador de celular solar
Já existe à venda carregadores de aparelhos celulares alimentados por energia solar ou qualquer luz disponível.

Os preços são razoáveis (R$50) e o design interessante. Ideal para usar em casa, escritório ou carro. Com a opção de carregamento convencional via rede de energia elétrica em caso de ausência de luz no ambiente.

O link para a reportagem completa está AQUI.