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sábado, 26 de junho de 2010

SELENE




Hoje foi um dia complicado no emprego. Caótico mesmo! Talvez porque fosse dia de jogo da Seleção Brasileira, que perdeu para Portugal (Como? Empatou? Jogar com Portugal em uma copa e empatar é o mesmo que perder!).

Ou talvez porque fosse Lua Cheia.


Bando Lunático

A influência da Lua sobre a Terra é profundamente conhecida aos que moram nas regiões litorâneas. E há muito as mulheres marcam ou mesmo regulam seu ciclo menstrual banhando à sua luz.

Mas contam os policiais e médicos que nas noites de Lua Cheia coisas estranhas acontecem nas cidades. Que as pessoas perdem a razão com mais facilidade, que ficam um tanto mais confusas... Lunáticas!

Será que foi isto que aconteceu hoje? Ou será que é apenas uma maneira da Lua chamar a atenção para si, nos fazendo parar por algum tempo, acalmar o coração e contempla-la?


Ciclos

Temos esta vida tão linear, apolínea, onde os dias se somam e só percebemos a diferença através de calendários e das cores de gravatas que, quando nos damos conta, já é o fim. Fim do dia, da semana, do mês, do ano, da vida.

Sem os ciclos como os da Lua, nossa vida é uma rotina.

E deve ser por isso que ela me acordou e me levou a janela para observa-la. "Ei, psiu! Vem aqui me ver", disse ela em meus sonhos.


Selene

Selene é uma Deusa antiga, antes dos olímpicos, filha de Hipérion, o Sol, e Téia, Deusa da Luz. Ela, como outras divindades lunares, é amiga dos pastores pois com sua luz noturna avisa sobre a presença de animais selvagens ou ladrões que se lançam sobre os rebanhos.

Contam os Antigos que Selene certa vez se enamorou com um deles, Endymion. Juntos tiveram muitos filhos. Mas Endymion tinha um defeito: era mortal. Para tê-lo sempre ao seu lado, Selene usou um artifício interessante, fazendo-o dormir eternamente e assim conserva-lhe a juventude e a vida. Não é lindo o amor?

E após banhar-me em sua luz e imaginar se outras pessoas também A namoraram hoje, dedico a Selene este texto na esperança dela também deixa-me dormir para que eu tenha minha beleza preservada! Rs!

Saúde, amizade, liberdade!


S. Thot.

Ps: Ah, se gostou deste, visite também outros pensamentos meus sobre a Lua.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DESCANSO






"Eu quero o silêncio das línguas cansadas...
"
Casa no Campo, Música de Zé Rodrix, conhecidíssima na voz de Elis Regina


Uma parada na caminhada agora... para pensar sobre o ano que passou e sobre as coisas que virão. Arar os campos e jogar novas sementes. É uma batalha épica esta que travamos. Épica, mas silenciosa e distante das grandes platéias. Somos o autor, ator e audiência de nossa vida.

E agora que o relógio solar atinge seu ponto mais baixo no horizonte só resta, a ele e a nós, descansar nesta cama imemorial. Pois todos estamos submetidos as regras da Vida e só nos cabe fazer o melhor com o que temos, torcendo para que o esforço encha os celeiros de nossa existência.

Os ventos do sul sopram com força e assoviam nos cantos da casa, fazendo a mesma pergunta todo ano: suas provisões durarão até a primavera? Tudo que morre é Pai, e o erguemos da Terra em nosso sustento, cortanto suas hastes, debulhando, moendo e assando. Mais uma vez é Seu sacrifício. Mas será suficiente?

Sim, espero que sim. Enquanto isso descanso junto com a terra, à espera do calor e das chuvas.

Boa noite



Sergio Thot.

 

quarta-feira, 16 de junho de 2010

NOITES FRIAS




Nesta parte do país o frio tem congelado meus ossos, seja dia seja noite. Uma brisa vinda do sul me envolve em seus braços como aquela mulher nos sonhos de Akira Kurosawa. O Samhain passou e o Solstício se aproxima. As noites caem tão rápido...


E paro um pouco na correria do dia e encaro o poente atrás da Serra da Cantareira. O céu é de um azul profundo e as poucas nuvens são douradas como leite com canela e chocolate. Hmmm, como eu desejo uma xícara fumegante de leite com chocolate! Vênus surge como de costume, brilhante, no pousar da noite.

Então tudo fica mais lento à minha volta, desimportante. Penso nos que se foram e nos que vieram. Penso nos jovens que já não são tão jovens e no hálito da Morte que senti tantas vezes. Me pergunto: quando será minha vez?

Trágico? Não diria. É uma certeza. Abrindo meu e-mail profissional leio notas de falecimento de funcionários das outras bases. De gente tão jovem, 23, 27, 30 anos... solteiros, casados, com ou sem filhos... É um fato da vida. O trem que chega é o mesmo trem da partida.


Oceano de Vida

A Deusa nos colhe do Oceano da Vida nestes receptáculos frágeis que chamamos de corpo. Quando nosso corpo finalmente se desmancha, tal&qual um copo de papel, a água volta ao Oceano, se misturando. E a Deusa faz outro destes copinhos frágeis, se abaixa e recolhe outro pouco de nós. E voltamos novamente. Parte aqui, parte ali... mas sempre voltamos. Não para pagar pecados ou algo assim, não creio nisto. A gente volta para duas coisas...


1) Para aprender e transmitir conhecimento.

2) Para nos divertimos durante o processo.

É minha esperança

Mas estamos no Inverno e está tudo seco e morto em nós. Aparentemente.

Resistamos juntos como fazem as brasas na fogueira.

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot


terça-feira, 8 de junho de 2010

SILENO É A PONTE



"Deixe que falem, hic! o que quiserem! dizia Sileno, erguendo-se do chão, amparado pelo jovem pupilo. - Sileno sabe mais, hic, que todos os sabichões da Terra."


As 100 Melhores Histórias da Mitologia, por A. S. Franchini e Carmen Seganfredo


O Sileno supracitado é tutor do jovem Dionísio, que vivia escondido da vingança de Hera. Filho da relação do marido dela (Zeus) com Sêmele, Dionísio tinha uma existência despreocupada e feliz entre ninfas e sátiros pelos bosques. Este jovem Deus não sabia que viria a ser a divindade da embriaguez espiritual conduzida pelo vinho. [Leia + AQUI].

Apesar da cultura vinícola já existir, foi somente com o Dionísio (Baco, para os romanos) que ela realmente tomou força, pois foi somente com ele que seu conhecimento saiu dos bosques e se espalhou por outras partes quando nosso Deus sai louco pelo mundo afora e é curado por Cibele. Sua peregrinação, dizem os Antigos, o levou até a Índia.

E é aqui que peço agora a sua atenção. Preciso afirmar que tudo o que pára, congela, morre se estagna! De que o conhecimento não é muito útil se está restrito a um lugar. Conhecimento é como o vento, tem que ser dinâmico, invadir todos os lugares, penetrar em todos os espaços para se fazer valer. Que valor tem um livro fechado na estante? Somos todos pontes para o Conhecimento Universal quando o transmitimos para outros. O que sabemos não é nosso para ser guardado. 

Sileno ensinou a Dionísio os Mistérios do vinho, e foi o Deus que pôs a roda para girar, por assim dizer. Se você deseja ter seu valor reconhecido, ganhe o mundo e ponha ele para girar sob seus pés. Dissemine aquilo que conhece e faz de melhor! Ou seja a ponte que une a Fonte Universal ao herói da vez, como fez Sileno. Não importa. Não importa se você é Sileno ou Dionísio.

Coloque seu conhecimento para girar.

Saúde, amizade, liberdade.



Sergio Thot.




Post Scriptum


Leia outros pensamentos meus sobre Dionísio em:


Do Macho-Alfa


Das Divindades Aristocráticas


Se quiserem conhecer um texto interessante sobre Dionísio / Baco, sugiro também visitar o blog amigo Ars Veneficia, que trata do tema greco-romano com mais profundidade. Segue um trecho do texto que fala de Baco Crucifixado:


"Embora o símbolo da cruz e o mito de um deus sacrificado também seja amplamente encontrado nas antigas culturas pré-cristãs, a imagem em especial de um deus crucificado parecia até então ser exclusivo do Cristianismo".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

DE PROFUNDIS





"As portas de Durin, Senhor de Moria. Fale, amigo, e entre."
Senhor dos Anéis, A Sociedade do Anel - J. R. R. Tolkien

As cavernas, assim como as florestas, são parte integrante do imaginário pagão, se não da humanidade, há muito tempo. Como a Caverna de Cristal, onde Merlin se refugiou, ou a entrada de Moria, na obra de Tolkien.


Ou a obra de Oscar Wilde, que inspirou o título desta blogagem. O livro De Profundis foi escrito durante o período em que Wilde esteve na prisão por sentir o amor que não ousa dizer seu nome.

Platão, em sua obra A República, usou-a como elemento fundamental para ilustrar o desejo dos homens de descobrir a verdade sobre si e sobre o mundo que os cerca: o Mito da Caverna.

Como seria a projeção das imagens

As cavernas são vistas em muitas culturas
como a saída do útero da terra, de onde a vida brota. E também são a entra dos Mundos Subterrâneos dos mortos.

Sejam naturais ou escavadas e incluindo aí os iglus, foram as nossas primeiras casas. Nelas contamos nossos sonhos, nossos mais profundos anseios. Como foram as mundialmente conhecid
as pinturas de Lascaux, na França. Ou do Vale do Tejo, em Portugal. E no Brasil, no Parque Nacional da Serra da Capivara.

A cena reproduzida ao lado é uma provável ilustração de um parto, encontrado no Parque da Serra da Capivara.

Guardadas as devidas proporções, esses ambientes são parte de nossa Terra Santa. Ao menos para aqueles que não se incomodam com a vida natural, que conseguem sobreviver longe do ar-condicionado, da luz artificial e da vida moderna.

Mas soube através de um blog amigo, o
Alta Sacerdotisa, de um projeto do governo em mudar as regras ambientais referentes ao manejo das cavernas do país para o benefício do desenvolvimento industrial.

Recomendo uma leitura do texto de nossa amiga Gaia Lil e tomar ciência do impacto que isso terá na relação que temos com a biodiversidade do planeta.

E como estou a recomendar blogs, leiam também o Universo Eco-Feminino, com a postagem sobre a celebração na gruta de Maria Madalena, na França. E aqui neste link uma matéria interessante disponibilizada pelo UOL Mais:


"A gruta de Santa Maria Madalena se tornou um lugar de peregrinação cristã conhecida.
Sao aproximadamente 1,5 km até a gruta, uma caminhada fantastica pela floresta de Sainte Baume."
 


Das profundezas a Natureza clama por ajuda.




Post scriptum

Apaixone-se vendo os vídeos do documentário feito pela BBC. São de arrepiar.