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quinta-feira, 28 de julho de 2011

SENTIDO DA VIDA


O Gato deu um sorriso ainda mais largo.
-"Ora vejam só! Parece que ele está gostando muito" - pensou Alice e foi em frente: - Você poderia me dizer, por gentileza, como é que eu faço pra sair daqui?
- Isso depende muito de para onde você pretende ir - disse o Gato.
- Para mim tanto faz para onde quer que seja...-respondeu Alice.
- Então, pouco importa o caminho que você tome - disse o Gato.
-...contanto que eu chegue em algum lugar...- acrescentou Alice, explicando-se melhor.
-Ah, então certamente você chegará lá se você continuar andando bastante..." - respondeu o Gato."
Alice no País das Maravilhas


Olá, como vão vocês?



A contagem para o verão já começou e é tempo de levantar desta cama macia e quentinha e encarar o mundo mais uma vez. Sabem, qualquer fundo de poço se transforma em um lar para o espírito acomodado. Boa parte das misérias humanas nascem da autopiedade, da preguiça, da paralisia.  A pedra dura, quando aquecida pelo calor do corpo, vira aposento real.  Quase escrevi "medo" aqui. mas o medo é uma constante na vida que nunca impediu ninguém de continuar. O que nos detém é a dúvida sobre que caminho seguir para não sofrermos.


No fundo do mais profundo abismo qualquer vela é um sol, e o coração Dela, que parou de bater como num soluço no Solstício de Inverno, volta a brilhar e nos chamar para um novo ciclo. "E para quê", pode você perguntar

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ACEITANDO A BENÇÃO



Olá a tod@s. Quero abrir meu coração a vocês a respeito de algo que penso a algum tempo. É sobre as bençãos e como as pessoas as recebem e percebem.

A vida é uma caixinha de Pandora e todos os dias somos expostos as mais diversas situações, algumas boas e outras ruins. São os fatos.
As coisas ruins recebemos no peito, BAM, e a guardamos com carinho. Nããããoooo caro leitor, não é erro de escrita não. Você realmente leu isto! E vou repetir: quando recebemos algo ruim, uma palavra ou gesto, nos abraçamos a ela.

O mesmo não acontece quando recebemos coisas boas. Não nos achamos dignos delas, simplesmente. Ou tentamos achar por debaixo dos elogios ou belos gestos intenções mesquinhas, sarcasmos, ironias. Se dizemos que alguém está bonito, pensa-se "ah, então antes eu estava feio!". Ou se damos algo de valor, reduzimos a questão afirmando "que não precisava se incomodar", que "o presente é caro. Imagine, com tanta gente passando fome no mundo, blá, blá, blá whiskas sachê", quando tudo que se busca é um abraço e um "obrigado". Simplesmente.

Precisa-se estar pronto para receber a benção, saber reconhece-la como tal, abrir-se. Pois quem faz algo de bom também abre o peito, expondo o coração. Os bons precisam de reconhecimento, de feedback. Há uma corrente, uma ligação, uma corrente que une as pessoas e esta ligação pede uma via de mão dupla de sentimentos positivos. Esse outro pode ser uma pessoa ou o Divino. As coisas que fazemos exigem tempo e esforço. Não existe almoço grátis. É assim na natureza e somos parte dela.

Faz-se o bem na esperança de que nosso entorno seja um lugar mais aprazível. Não faz sentido?

Bem, nos aproximamos do Equinócio de Outono, que simboliza as bençãos que recebemos pelo nosso esforço durante todo o ano. Estas bençãos também nos alimentarão durante o período das vacas magras. Estejam prontos para agradecer. Estejam prontos para receber. Acreditem, tudo o que se planta se colhe e se merece.

Saúde, amizade, liberdade.


S. Thot

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A CAMINHO DE SÃO THOMÉ DAS LETRAS



Bem, é Beltane para mim, mas a verdade é que a maré das pessoas comuns insiste no Halloween, pegando pronta as festividades do Hemisfério Norte que a esta hora vivencia os primeiros dias frios do inverno setentrional. Nosso amigos portugueses que o digam, entre outros que acompanham da Europa e América este blog.

Mas há um conselho colocado no Oito Sabás Para Bruxas, dos Farrar, que diz assim:

"As crianças esperam divertimento de Hallowe'en, e do mesmo modo (nós o descobrimos) os amigos e vizinhos esperam algo das bruxas em Hallowe'en.

Assim realize uma festa e lhes ofereça - abóboras, mascaras, trajes à fantasia, pregar peças, música prendas, tradições locais - a sorte. 

E realize seu ritual de Samhain para o coven em outra noite ".

Sendo assim, rendi-me a maré da gente comum e vou entrar de cabeça em nosso carnaval especial na cidade de São Thomé das Letras - MG, onde se poderá andar à caráter sem medo de ser feliz neste dia 31 de outubro!

Para os que seguem o Sul, Feliz Beltane.

Para os que seguem o Norte, Feliz Halloween.

S. Thot.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DESCANSO






"Eu quero o silêncio das línguas cansadas...
"
Casa no Campo, Música de Zé Rodrix, conhecidíssima na voz de Elis Regina


Uma parada na caminhada agora... para pensar sobre o ano que passou e sobre as coisas que virão. Arar os campos e jogar novas sementes. É uma batalha épica esta que travamos. Épica, mas silenciosa e distante das grandes platéias. Somos o autor, ator e audiência de nossa vida.

E agora que o relógio solar atinge seu ponto mais baixo no horizonte só resta, a ele e a nós, descansar nesta cama imemorial. Pois todos estamos submetidos as regras da Vida e só nos cabe fazer o melhor com o que temos, torcendo para que o esforço encha os celeiros de nossa existência.

Os ventos do sul sopram com força e assoviam nos cantos da casa, fazendo a mesma pergunta todo ano: suas provisões durarão até a primavera? Tudo que morre é Pai, e o erguemos da Terra em nosso sustento, cortanto suas hastes, debulhando, moendo e assando. Mais uma vez é Seu sacrifício. Mas será suficiente?

Sim, espero que sim. Enquanto isso descanso junto com a terra, à espera do calor e das chuvas.

Boa noite



Sergio Thot.

 

quarta-feira, 16 de junho de 2010

NOITES FRIAS




Nesta parte do país o frio tem congelado meus ossos, seja dia seja noite. Uma brisa vinda do sul me envolve em seus braços como aquela mulher nos sonhos de Akira Kurosawa. O Samhain passou e o Solstício se aproxima. As noites caem tão rápido...


E paro um pouco na correria do dia e encaro o poente atrás da Serra da Cantareira. O céu é de um azul profundo e as poucas nuvens são douradas como leite com canela e chocolate. Hmmm, como eu desejo uma xícara fumegante de leite com chocolate! Vênus surge como de costume, brilhante, no pousar da noite.

Então tudo fica mais lento à minha volta, desimportante. Penso nos que se foram e nos que vieram. Penso nos jovens que já não são tão jovens e no hálito da Morte que senti tantas vezes. Me pergunto: quando será minha vez?

Trágico? Não diria. É uma certeza. Abrindo meu e-mail profissional leio notas de falecimento de funcionários das outras bases. De gente tão jovem, 23, 27, 30 anos... solteiros, casados, com ou sem filhos... É um fato da vida. O trem que chega é o mesmo trem da partida.


Oceano de Vida

A Deusa nos colhe do Oceano da Vida nestes receptáculos frágeis que chamamos de corpo. Quando nosso corpo finalmente se desmancha, tal&qual um copo de papel, a água volta ao Oceano, se misturando. E a Deusa faz outro destes copinhos frágeis, se abaixa e recolhe outro pouco de nós. E voltamos novamente. Parte aqui, parte ali... mas sempre voltamos. Não para pagar pecados ou algo assim, não creio nisto. A gente volta para duas coisas...


1) Para aprender e transmitir conhecimento.

2) Para nos divertimos durante o processo.

É minha esperança

Mas estamos no Inverno e está tudo seco e morto em nós. Aparentemente.

Resistamos juntos como fazem as brasas na fogueira.

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DA CANDELÁRIA




"Estou dando a você a liberdade. Antes rompo o saco de água. Depois corto o cordão umbilical. E você está vivo por conta própria."


Do livro "Água Viva", de Clarice Lispector

Então chegou o tempo do retorno. A terra está fértil dos restos do Samhain e descansada após o Inverno. A semente que dormia agora retorna, animada pelo calor e pela umidade. Ela força a terra envolta mas ainda está na escuridão. Seu movimento em parafuso na noite do Submundo é prova de força.

Atravessamos a escassez e sobrevivemos novamente.

Neste dia rejubilamos com as Divindades, conosco e com a comunidade. E trocamos e dividimos comida e presentes. Porque a madrugada fria anuncia o sol, porque as nuvens se tornam cada vez mais pesadas, porque a fertilidade promete voltar a terra.


É tempo do regresso.


O Divino retorna da escuridão. Ele segue pelos portões e resgata suas vestes mágicas e recupera sua identidade. Mas depois de mergulhar no turbilhão renovador, no Caldeirão onde o Fim e Início se misturam, algo a mais vem com Ele.

Sua mente fervilhando. Existe agora um universo de direções. Neste terreno fértil suas ideias raízes se fixam e sugam com avidez os nutrientes do solo. É tempo de buscar a liberdade e experiências. Todas as ferramentas aguardam por este momento. Mas é preciso planejar bem!

Esteja preparado(a)!!!

Saúde, amizade, liberdade.


Ps.: E aqui estamos nós, comemorando a Candelária!

domingo, 21 de junho de 2009

DO YULE


Arquivo Pessoal


"É um mundo emaranhado de cipós, sílabas, madressilvas, cores e palavras - limiar da entrada de ancestral caverna que é o útero do mundo e dele vou nascer."


Do livro "Água Viva", de Clarice Lispector

Então chegou o tempo do descanso. Os vermes fizeram seu trabalho e tudo está desagregado. Amorfo, o solo recebe de volta os nutrientes tirados e aproveita a pausa entre as colheitas.

Nunca a fé fora tão necessária que agora. É tempo de resignação, de poupar energia, de racionamento. Exceto por um dia.

Neste dia renovamos os votos com as Divindades, conosco e com a comunidade. E trocamos e dividimos comida e presentes. Porque mesmo apesar da seca, do frio ou da fome, nossa esperança permanece, vela solitária na escuridão a iluminar o caminho.


É tempo do retorno ao Escuro.

O Divino mergulha na escuridão. Sua identidade ficou para trás e agora só resta o esquecimento, a pausa, o ponto mais baixo do pêndulo. Ele mergulha no turbilhão renovador, no Caldeirão onde o Fim e Início se misturam.

Sua mente está limpa e preparada. Existe agora um universo de possibilidades. O terreno onde elas podem nascer está fértil, pois está livre dos medos, dúvidas e ideias preconcebidas. Em breve novos planos nascerão deste terreno fértil onde a capacidade e a necessidade se encontram.

Esteja preparado(a)!!!

Saúde, amizade, liberdade.



Sergio Thot
Ps.: E aqui estamos nós, celebrando o Yule.

domingo, 26 de abril de 2009

DO SAMHAIN


"Na minha viagem aos mistérios ouço a planta carnívora que lamenta tempos imemoriais: e tenho pesadelos obscenos sob ventos doentios. Estou encantada, seduzida, arrebatada por vozes furtivas.

As inscrições cuneiformes quase ininteligíveis falam de como conceber e dão fórmulas sobre de como se alimentar da força das trevas. Falam de fêmeas nuas e rastejantes.

E o eclipse do sol causa terror secreto que no entanto anuncia um esplendor no coração. Ponho sobre os cabelos o diadema de bronze."


Do livro "Água Viva", de Clarice Lispector

Então chegou o tempo do caos. Sob a terra os talos e frutos não colhidos são devorados pelos vermes. A desordem impera nos campos. As formas se perdem, misturando à terra, ao útero.

Todos se perguntam: o que foi colhido será suficiente para os tempos que se seguem? Durará muito o período de seca? Quando éramos camponeses, este era um período de incertezas, onde só sabíamos que estávamos a mercê da Natureza a nossa volta.

Mas também era (e é) um tempo de fé, de entrega, de afirmação, de uma alegria dos corajosos que cantam em volta das fogueiras, batendo forte o pé no solo enquanto dançam para que saibam que ainda estão vivos e que lutarão para assim permanecer.


É tempo do retorno ao Escuro.


O Divino irromperá pelos portões da Noite Eterna e, a cada passo, se perderá de si mesmo, de sua identidade de seu ser, para mergulhar no turbilhão onde Fim e Início finalmente se misturam.

Então limpe sua mente das coisas passadas, olhe para dentro de sua casa e descarte o que não serve mais, finalize de uma vez suas pendências, comece a arrumar suas coisas pois estamos todos de partida.

Estamos sempre de partida para algum lugar, não?

Saúde, amizade, liberdade.

Ps.: E aqui estamos nós, celebrando o Samhain.



Saúde, amizade, liberdade.



S. Thot



sexta-feira, 13 de março de 2009

DA REUNIÃO



Após um longo período de reclusão temos a alegria de informar que nossos encontros periódicos voltarão a acontecer no Bosque Maia. Sempre aos domingos no Espaço Gilmar Lopes, às 14h00.

Nosso calendário, e links interessantes:

Os eventos são públicos e com autorização da prefeitura Municipal de Guarulhos. Lembrando que sempre pedimos um quilo de ração para cão ou gato aos participantes, afim de reverter a ONG de defesa animal Deixe Viver.

Menores, sempre com autorização escrita dos pais para participação. Se eles vierem, melhor ainda: é mais uma parede que se quebra!

Entrem em contato para maiores detalhes!

Saúde, amizade, liberdade!


S.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

DO INOMINÁVEL





Existe algo dentro e fora de mim que não posso nomear. Algo que só posso sentir sem poder dar-lhe uma forma, uma voz. É o Mistério, algo a ser vivenciado antes de ser descrito ou provado.
Diante deste Inominável nos sentimos minúsculos, o que geral um nó na garganta difícil de desatar. As pernas fraquejam e o coração bate tal qual um tambor dentro do peito.

Não nego que dar-lhe um rosto familiar que possa interceder entre o Absoluto e meu sentimento de assombro.
Muitos querem provar ou não a existência do Divino, como se fosse possível. Pois não é. O Divino não existe. Talvez você imagine isto como heresia, mas eu vou explicar.


O que é existir?

A existência e sua comprovação é um saber cientifico. O ser existente é algo que vive em nosso real, que pode ser pesado, medido, saboreado, visto, ouvido, algo com que podemos nos relacionar diretamente e manter um comunicação. E o Divino não pode fazer nenhuma destas coisas. O Divino interage conosco em nível mais sutil.

É como estar apaixonado, sabe? Quem pode dizer ou provar que está apaixonado? Como medir o tamanho do amor? O amor não tem proporções e nem há ninguém que possa provar ou não sua existência. No entanto centenas de pessoas afirmam seguramente que o conhecem? Como é possível?



Experimente

Ter contato com o Divino é como o Amor: é preciso viver o momento. É preciso experienciar. Sem a experiência é impossível falar tanto de amor assim como do Divino. Só quem a vive sabe da dor e da delícia de estar imerso nestas sensações.

Para acessar o Divino não basta o conhecimento dos livros, mas também de fé. A fé nasce e mantém através dos ritos, dos sabás e esbás, da comunidade. Sem estes elementos a fé não se mantém, nem o grupo. Tudo está interligado.

Se você vive, você sabe.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DO PAU-DE-FITA








No ano de 2007 a prefeitura de Guarulhos convidou uma conhecedora em Danças Circulares, Vaneri de Oliveira, para ministrar workshops aos domingos na Tenda do Bosque Maia, na região central de Guarulhos. O lugar era aberto e qualquer um poderia participar da atividade mas poucos adultos, incluindo nós do Semente, ousavam dançar em roda.

Sim, a exposição a algo que poderia ser ridículo deixava muita gente à margem. Em muitos o olho dizia sim mas o corpo não obedecia ao impulso primitivo de dançar e ser um pouco mais solto e feliz. A única expressão possível a estas pessoas era um leve sorriso de escárnio.

De minha parte reconheço que o contato com a dança faz uma ponte com outra forma de percepção de meu corpo, fazendo movimentos com as articulações que jamais se realizariam na vida cotidiana.


A dança sempre teve um papel importante no quesito conhecimento do corpo, seja do seu, do outro/a,  seja da comunidade. Bailes sempre reforçaram a solidez dos grupos, reatando os laços da comunidade. Muitas vezes possuem até um caráter utilitário, como nas construções de casas em algumas regiões do mundo. Dança-se para criar um chão de terra batida, afim de fazer o piso onde será erguida a futura residência. Não é interessante?


Quer dançar?
 

Em um Certo Beltane

Entre nós temos as danças de pau-de-fita nos dias de Beltane, em finais de outubro, trançando e destrançando sob o sol brilhante. Tenho a lembrança de uma destas danças, feitas com número ímpar de participantes, no Parque do Carmo. O ideal era que o número de celebrantes fosse par, mas seria inviável deixar alguém de fora por causa de um detalhe técnico.

E durante o trançar e destrançar nos enroscávamos e ríamos como crianças novamente! Porque rir é fundamental quando as coisas parecem dar errado. E porque ríamos de repente tudo parecia fazer sentido e entramos sem querer em um estado mental diferente. Os risos deram lugar à contemplação.

Não sei o que os outros sentiram mas eu me senti levado no tempo e no espaço e depois somente girava e girava como fazem os planetas em torno do Sol. Era a própria Dança Cósmica que reproduzíamos ali. E quando finalmente terminamos, esbaforidos e felizes, tínhamos a profunda certeza de que chegamos onde deveríamos chegar.

Para cuidar e amar o corpo, temos que reconhece-lo. Seja o corpo da Terra, seja o nosso. Então dancemos!!!


quarta-feira, 14 de novembro de 2007

DA CURA






Nada morre, tudo se transforma. O Espírito vaga, vindo ora cá, ora acolá, e ocupo qualquer forma que deseje. De animais, passa a corpos humanos, e de corpos para animais, mas jamais perece.


Pitágoras, Metamorfose XV.

Vez ou outra nós pagãos recebemos pedidos para confecção de rituais curativos, afim de dar cabo de doenças que atingem o corpo físico das pessoas. São netos, filhos, maridos, mães, irmãs, namoradas, amigos desejosos de ver seus entes queridos restabelecidos. E isto quando a magia pedida não se dirige ao próprio solicitante.

Muito escreve-se em livros wiccanos, em comunidades e "sites" sobre rituais e práticas de cura usando técnicas originárias desde o distante oriente e centro-europeu aos povos nativos das Américas e África: homeopatia, cromoterapia, aromaterapia, pedras quentes, acupuntura, massagens, bençãos, passes e afins. Mesmo aqueles que pouco ou nada crêem submetem-se as mãos diversas práticas afim de retomar a saúde quando todas os tratamentos tradicionais se esgotaram.


E é muito estranho falar de tratamento tradicional para métodos de cura que só têm poucas centenas de anos de existência! Durante milênios o tradional era a consulta ao mago da aldeia, à parteira e mesmo os ferreiros e outros mestres de ofícios. Os medicamentos eram menos sintéticos e a cura vinha quase que diretamente da Natureza. Aliás, falando nisto, convido vocês a passarem pelo blog Cura pela Natureza, que trata especificamente deste assunto.



Preparando o Caminho

Como religiosos, deve-se salientar que as práticas rituais de cura dentro de uma estrutura religiosa visa, principalmente, a cura interna, espiritual. Em essência, lidamos com o intangível, com aquilo que não é material e não pode ser tocado pelo bisturi ou alopatia. As doenças em seu aspecto físico são melhor curáveis, deste modo, com a medicina tradicional.

Para ilustrar, é senso comum dizer que é mais fácil e eficaz levantar uma caneta da mesa simplesmente pegando-a que juntar em torno dela dezenas de sensitivos para faze-la levitar.

Há muito a ciência alopata tem salvo vidas das doenças que hoje são de simples cura ou prevenção, como gripes ou paralisia infantil, mas que a pouco mais de cem anos ceifavam vidas independentemente de sua posição social ou dinheiro no bolso. Não há imposição de mãos que sare melhor uma perna quebrada do que o gesso, convenhamos.

Lógico, temos os milagres: impossíveis de provar, porém há centenas de relatos que ultrapassam fronteiras religiosas não podem estar errados. Mas a quantidade destes homens e mulheres santas é insuficiente para o atendimento efetivo da população humana.

Para tudo existe um limite, e nossa ciência que quase dobrou nossa expectativa de vida, unida é certo a alimentação balanceada, exercícios físico e uma boa dose de felicidade periódica não pode nos livrar das mãos da Ceifadora.

Então, não há esperança? Estamos à mercê da morte?


Esperança

Doenças psicossomáticas, de hábitos alimentares deficientes, de vidas sedentárias modernas, vícios vários em geral respondem por boa parte dos casos que chegam aos hospitais. Isto sem contar a violência em suas mais diversas formas e origens.

Mas não raro vemos ou lemos sobre líderes religiosos que, baseados em suas interpretações de textos sagrados, transmitem a idéia de o corpo (humano, animal, da Terra) é sujo, naturalmente pervertido, falho, e passível de abandono. Para os escolhidos, resta uma vida incorpórea num paraíso celeste ou terreno. Este, todavia, pasteurizado.

Quem cai na malha deste pensamento ruma assim ao sentido oposto: ao invés do auto-conhecimento, o abandono. A doença deixa de ser o aviso que algo em nosso estilo de vida está errado para tornar-se um flagelo divino, um ato vingativo.


A Roda Gira

A Wicca, através da obediência, percepção e consciência da Roda do Ano, propõe a seus membros não só a correta avaliação de seus potenciais e deficiências, vícios e necessidades, mas também sua abstenção, cura ou tratamento. Quando nos identificamos com a Divindade que morre e retorna, renovada, algo em nós "desce e retorna" também.

A Roda do Ano também nos ensina o conceito da infinitude das coisas: não a do indivíduo, mas da Vida em parcela que ele contém, e que se transmite ao outro nas mais diversas formas: numa palavra, num gesto, numa criação material, artística, conceitual, em um filho uma árvore ou livro (familiar isso, não?).

A Roda nos diz que viver não é respirar, comer, defecar, morrer, procriar apenas, mas que em maior ou menor escala estamos aqui para algo que é maior que nós. E que há um tempo para realização, um tempo para descanso e um tempo para o retorno.


Pausa

A doença nos fornece uma pausa, ainda que forçada, para esta reflexão: o que fiz até agora de minha vida? E, se sobreviver a ela, o que farei de extraordinário?

Em muitos casos a cura não depende só dos Deuses, dos remédios ou médicos. A peça principal é o doente, e dele parte a firme decisão de viver ( e para quê) ou morrer (e porquê).

Então, qual a sua decisão?

Toda vez que leio o texto acima, a música do Lulu Santos ecoa em minha cabeça! Veja se ela se encaixa!



Sergio Thot


domingo, 19 de agosto de 2007

PODER OU DEVOÇÃO





Quando as pessoas me perguntam como fazer para ingressar na Religião, a primeira pergunta que faço é: pra quê? A resposta quase invariavelmente é: para fazer magias! É muito estranho isso, essa coisa utilitarista do Divino, algo criticável também em outras formas de culto que fazem do púlpito um local de barganha entre Deuses e humanos.
Se analisarmos a religiosidade do ponto de vista cultural e histórico, veremos que nós humanos nos relacionamos com as Divindades de modos diferentes com o decorrer das eras.

E não seria diferente, pois isso se baseia no modo em que percebemos e vivemos no mundo.
Uma das provas disso está no fato de que mesmo as grandes religiões deixaram de lado muitas práticas que lhe eram corriqueiras, como holocaustos de animais em honra aos Deuses. Estamos prontos hoje, já que temos uma autonomia maior em relação a Natureza e aos elementos, para desenvolver uma relação menos infantil e mendicante com os Deuses. Então chegamos ao uso da magia e afins...


Magia: Como e Porque Usar


Li certa vez, no livro de um autor pagão que gosto muito chamado Scott Cunnighamm (Magia Natural: rituais e encantamentos da Tradição Mágica; pg. 28; Editora Gaia) que a eficácia do ato mágico depende de três fatores fundamentais:


*Necessidade


*Conhecimento


*Emoção


Nesta obra é comentado um fato interessante: desejo e necessidades não são coisas iguais, e que se deve buscar no fundo da alma sua diferenciação. "Um desejo é um capricho", pontua o autor. Até que ponto a busca (e até a confusão que se faz entre Magia e Wicca) de poder não liga-se ao puro desejo de fazer pirotecnias?


Trabalho Duro

Nesses tempos de internet, todos querem tudo na mão, né? Mas as coisas realmente importantes tem ser merecidas. Mesmo os Deuses sabem disso. Haja visto Odin, que para obter sabedoria deu em sacrifício (sacro ofício, santo trabalho) um de seus olhos. De outra feita, pendurou-se na Árvore da Criação para obter o direito às Runas.

Seja no mundo espiritual, seja no físico, não existe essa de almoço grátis. Tudo tem um valor. Tudo merece sua dose de sacrifício.



Viver em Comunidade

O objetivo da Religião é a religação do ser humano com algo que está além dele e de qualquer explicação racional. E Religião pede sacerdócio. As pessoas que buscam a Wicca, e por extensão, uma iniciação, têm que compreender esta verdade básica, que elas se preparam para viver em comunidade, e ajudas-la em suas tensões e passagens.


Afinal, quem os casará? Quem apresentará seus filhos aos Deuses quando nascerem? E quando morrer, que sacerdote dirá palavras de consolo e fortaleza a nós, que ficamos? O padre católico? O pastor protestante?


No Mundo Real


Trabalho com evangélicos, católicos e ortodoxos. Nosso convívio é muito bom, uma vez que o germe evangelizador deles morreu quando suas tentativas de me transformar em varão da igreja não surtiram efeito.
Isso porque perceberam que a paz que eles achavam que só existiam em suas agremiações religiosas estava em meu coração também.

E é este o grande lance: o encontro do equilíbrio interior. Eu simplesmente estou saciado e foi percebido que ofereciam a Água da Vida deles para quem já não tinha mais sede desta fonte.
Apesar das diferentes sendas todos buscamos esta paz. O cara em cima do palco quer algo mais, é verdade. Mas o seguidor no "chão de fábrica" só quer achar seu lugar no mundo.

Todos só queremos achar nosso lugar no mundo. Os athames, cálices, magias&encantos e mantos ornamentados são só fetiche.
O que realmente importa é imaterial. Nos buscamos o Contato. E este contato, acredito eu, se dá com o Divino que mora aí, em seu coração. É através de você que os Deuses se manifestam. Eles sussurram, dia após dia, conselhos para uma vida equilibrada. Quem quiser poderes, quem se inebria com os fetiches que os instrumentos mágicos criam, se perderá na jornada labiríntica, ficará com medo e parará na porta de igreja que achar aberta.


Vencer o Medo


Me veio a mente uma cena de Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (Tim Burton)

A Roda do Ano, pontuada pelos Sabás, nos conta a história de como o Divino através do Amor, reduz a pó o terror da Morte. Gente, isso não é pouco e vou explicar!
Imagina assim: você rala o ano inteiro no seu emprego, dá o sangue e não tem o reconhecimento merecido. Seu coração sabe que o merece e que sua empresa é capaz de faze-lo. Mas as empresas são feitas de homens e suas imperfeições. Cabe a você então dar o primeiro passo.

E aí entra o medo, principalmente o medo do desemprego por colocar pressão em um ponto tão sutil de sua carreira.
O medo nos conduz a estagnação. Agora pense como um pagão que compreende a sutileza dos ciclos. Você compreende que a morte não é o final e que pode ser vencida, que existe a promessa de Retorno.

Agora, eu te pergunto: quem vence o medo da Morte tem medo de desemprego ou de qualquer outra coisa?


Pense nisso! Abençoado Seja!
E segue a sequencia do filme do Tim, só para relembrar...


Sergio Thot.