"Toda viagem é a partir da Mãe, para a Mãe, dentro da Mãe."
Nor Hall, autor de The Moon and the Virgin
Foi na sexta série que estes fatos aconteceram. Estudava no E. E. P. G. "Glauber Rocha" à tarde, em uma sala cuja a janela se voltava para o oeste. Relógio de pulso não era coisa para todo mundo ter naquela época, e celular... bem... era 1987 e a gente nem sonhava com essas coisas.
Mas a necessidade é a Mãe das invenções e naqueles dias a nossa necessidade era descobrir quanto tempo restava para a hora do recreio. Então alguém veio com uma idéia simples: quando o sinal tocasse alguém riscava a parede onde uma sombra em particular se projetava (olha o vandalismo!). No dia seguinte, era só seguir esse referencial que saberíamos quanto tempo faltava.
O lance ficou tão bom que usamos o sistema aperfeiçoado para marcar as trocas de professores e hora da saída, usando novas marcações (gente, não façam isso na escola, hein?). Criamos nosso próprio relógio solar. Mas tudo que é bom dura pouco, diz o ditado. Com o tempo percebemos que as marcações perdiam sua capacidade de marcar as horas com exatidão. Então descobrimos na prática e sem querer os efeitos dos movimentos de rotação e translação da Terra, e como eles criam os efeitos que chamamos de Dia e Noite, Solstícios e Equinócios.
Percepção e Consciência
A percepção dos ciclos em nossa vida é algo revelador. A vida deixa de ser uma linha reta e se torna um conjunto de espirais que se entrelaçam. Há ciclos curtos como um dia de trabalho, ou longos como uma amizade de décadas. Então a vida foge da somatória de dias amorfos e é pontuada por etapas a serem alcançadas e vencidas. Nos conta a ciberamiga Layla, no blog Correndo com os Lobos:
"Não ouso lamentar por nada. Apenas me entrego ao ciclo fundamental de vida-morte-vida que rege o mundo. Caem as folhas secas, e encravam-se em meu peito, decompondo-se em matéria úmida que há de fertilizar minha carne."
A percepção dos ciclos ainda evita que caiamos no mesmo buraco uma segunda vez. A história humana é recheada de problemas pelos quais não deveríamos passar novamente. Temos muitos exemplos de guerras e catástrofes ecológicas para aprender com nossos erros e aperfeiçoar o futuro. Em nível pessoal o mesmo ocorre: se um certo tipo de pessoa não serve para se ter relacionamento, é obvio que tal padrão deva ser quebrado para seu próprio bem.
Assim diz a canção...
"São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida"
Conhecer passado para determinar o futuro.
Felicidades.
Sergio Thot.



