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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

SABER PERDER

"O tema da fertilidade natural é mais complexo. Envolve duas figuras divinas: o deus do ano crescente (que aparece amiúde na mitologia como o Rei carvalho) e o Deus do ano Minguante (o Rei Azevinho). São gêmeos claro/escuro, cada um o outro eu do outro, rivais eternos que longamente se conquistam e se sucedem mutualmente. Competem eternamente pelo favorecimento da Grande Mãe e a cada um, no pico de seu reinado semestral, é sacrificialmente unido a ela, morre em seu amplexo e é ressuscitado a fim de completar seu reinado".

De Janet e Stewart Farrar, Oito Sabás para Bruxas


Olá a tod@s. Essa postagem nasce da releitura de um texto no blog Bruxaria Pagã, da amiga [(Säm)], sobre o tema dos reis Carvalho e Azevinho. O que me chama a atenção é o acordo de cavalheiros entre os dois para que um submeta o outro em seu devido tempo. Ter noção do tempo que nos resta e não prolongar o inevitável é uma demonstração de sabedoria.

Na vida em geral nem sempre temos/damos amostras desta sabedoria antiga. Queremos ganhar todas as discussões, todas as batalhas e permanecer sempre no trono quando somos potentes e sem compaixão. Logo temos que cobrir toda a terra com concreto, asfalto e monoculturas simplesmente porque podemos faze-lo. Nos comportamos em nossa casa ou trabalho como se fossemos os reis do mundo. Não raro soberanos antigos e modernos tentam perpetuar-se no poder divinizando-se como se isso lhes dessem vida eterna, ou tentam transmitir as boas características de seu reinado através dos laços de sangue como se qualidades humanas fossem herdadas geneticamente. Será?

Ou então deixamos que ganhem todas porque nem sempre nosso oponente é forte ou inteligente o suficiente para segurar a barra de esperar o novo ciclo. Na pior das hipóteses eles são fortes de mais para subjugarem nossa vontade mas não para trazer benefícios em seu domínio.

Mas como mostram os Reis, nada é para sempre. Reinos caem, linhagens desaparecem no sangue bárbaro e no fim só fica mesmo o caipira no campo desde os tempos imemoriais. Sábia é a pessoa que percebe que tudo é transitório.

Pela net, quando neófitos me pedem feitiço disso ou daquilo, informo que antes eles devem pedir discernimento para julgar que aquilo que querem vencer é realmente necessário. Como no judô, temos que muitas vezes nos render a esta força maior para que num futuro não muito distante possamos usa-la a nosso favor quando realmente precisarmos.

Não ganhe todas. Ganhe o que importa. Saiba discernir.

Saúde, amizade, liberdade.



quarta-feira, 28 de julho de 2010

ELEIÇÕES 2010



Olá, como vão?

Este texto teve como motivação principal um e-mail que recebi da ciberamiga Cássia Filetti. O conteúdo dele fala sobre a Manipulação Midiática e como nos protegermos dela. Elencado em 10 itens, a lista é atribuída ao linguista Noam Chomsky.

Eis os tópicos:

1- A estratégia da distração

2- Criar problemas, depois oferecer soluções

3- A estratégia da degradação

4- A estratégia do deferido

5- Dirigir-se ao público como a crianças de pouca idade

6- Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade

8- Estimular o público a ser complacente na mediocridade

9- Reforçar a revolta pela autoculpabilidade

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmos se conhecem

O conteúdo principal está hospedado no blog dela. Siga o link.


Pedido

Se eu tiver o direito de lhe pedir algo, amigo eleitor, é que faça escolhas corretas na hora de votar em seu candidato. Tenha em mente os seguintes itens:

  • Política não é partido nem eleição, mas o conjunto das relações humanas. Cada relacionamento humano é um ato político.
  • A eleição não é o fim da participação política, mas seu início.
  • Procure não votar em pessoas ou partidos, mas em propostas e/ou projetos.
  • Entre nos sites de seus candidatos/partidos.
  • Vivemos em uma democracia representativa. Ou seja, o candidato eleito representa uma ideia. Sem pressão ela não vai adiante.
  • No seu dia-a-dia, procure viver outra forma de democracia, a democracia direta. Participe das decisões em sua casa, bairro, escola, trabalho. Seja no orçamento familiar (abra seu bolso, rs!), na reunião de condomínio ou associação de bairro, seja no sindicato ou grêmio estudantil.

Abaixo segue um exemplo do que você terá que peneirar para eleger alguém com propostas &  projetos para deputado federal. Ai, tomara que o Tiririca não tenha um voto!

Leia também sobre a nossa Mátria Amada!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

NOSSO PAPEL




“As mudanças climáticas afetam de maneira direta as condições de vida e de trabalho das mulheres, particularmente por sua proximidade aos elementos de vida, como a agricultura, seu contato com a água e para poder cumprir com o ciclo de cuidado da vida que lhe foi transferido como responsabilidade prioritária”
Magdalena León

Responsáveis pela manutenção do lar enquanto os homens saem para caçar, sejam alces ou máquinas pesadas, fica a cargo das mulheres a sutil dança com os ciclos do mundo. Lembro de minha mãe olhando para o céu e dizendo para mim: leva guarda-chuva filho pois vai chover. Ou das panelas areadas brilhando ao sol, refletindo sua luz nas paredes da casa. De intuir a hora em que meu irmão caçula dormia e acordava antes mesmo dele o fazê-lo. E aqui falo apenas de uma família que reside no meio urbano. 



Há os ciclos das nuvens e dos astros para as pessoas que dependem dos frutos da terra, onde saber essas coisas é a diferença entre a fartura e a fome.

Penso o quanto nossa vida se distanciou dos ciclos quando inventamos a luz elétrica ou a água encanada no mundo ocidental. A gente aperta um botão e as coisas acontecem como mágica. Mas é um mistério bem explicado, calculado e com sérios custos. Cada vez que fazemos tais coisas imprimimos uma digital no mundo. Gostaria de falar diferente, que o aquecimento global não é de nossa responsabilidade. Que o que acontece com o gelo ártico, tão longe de nós, não tem nada a ver com a gente e que podemos levar nossa vida despreocupadamente. Mas não é bem assim.

E mesmo que assim o fosse, não explicaria ações nulas em nível local, como separação de material reciclável limpo para catadores de bairro, por exemplo. Ou, com o espaço adequado, uso de material orgânico na compostagem.





Culpa ou "responsa"?

Responsabilidade, lógico! A culpa pressupõe que somos crianças diante das coisas, que não temos controle sobre nossos atos e que agimos por impulsos incontroláveis. Inverdades.
Exceto em casos patológicos, somos sabedores de nossos atos a cada passo da Caminhada. Atribuir a outros nossas faltas, ou autojulgarmos incapazes de uma ação consciente é enganar a si e a os que lucram com esta insensatez!

Claro que não peço mortificações e sacrifícios no sentido de colocar em risco saúde ou bem-estar. Mas a separação entre o sadio e o supérfluo deve ser feita. Se não por questões ecológicas, ao menos pelas econômicas. E quando se mexe com o bolso as pessoas se movem, não? Rs!

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A MAGIA DAS PALAVRAS & AÇÕES




"Ó poderosa Mãe de todos nós, portadora de toda fertilidade, dá-nos o fruto e o cereal, rebanhos e manadas, e crianças para a tribo, para que nos seja permitido ser poderosos. Pela rosa de teu amor, desce sobre o corpo de teu servo e da sacerdotisa presente."


Trecho de Oito Sabás para Bruxas, dos Farrar

Qual é a força de suas palavras e ações? Já pensou nisso? O que você faz ou diz tem a ver com aquilo que pensa, com aquilo que é? Você é fiel a si mesmo?

Já citei aqui e torno a fazê-lo. É uma obra chamada "O Corpo Fala". Ela diz o óbvio: a fonte de todas as nossas alegrais é o equilíbrio interior. E devo acrescentar, da magia também. Veja que nós trabalhamos com Feitiços&Encantos. Ou seja, usamos as Ações&Palavras para mover nossas emoções e nossa vontade.

Isto é importante pois aquilo que fazemos e dizemos carrega o que levamos de dentro para fora. É um parto. Então temos que expor nosso melhor, aquilo que temos de mais verdadeiro, profundo e puro. Mas isso é abrir o peito ao mundo, é derrubar a carapaça de falsidades e mentiras que usamos para sobreviver em meio as pessoas, digamos, comuns.


Não é fácil


Mostrar o que somos, nossos equilíbrios e escorregadas interiores é uma afronta as pessoas. Quando criança eu assistia aos programas do tipo Namoro na Tevê e via um desfile de obviedades. Quando o apresentador pergunta o que procurava no par ideal, o perguntado respondia que queria alguém sincero e blábláblá... É lógico que ninguém quererá casar com um marginal, é evidente. Mas quem deseja a verdade nua e crua? Se uma mulher pergunta ao marido estou gorda, que resposta ele deve dar? Há, pense duas vezes!

Não raro somos assediados para nos negarmos, e afirmar esta mentira com um sorriso nos lábios, pois é preciso manter as aparências, o estático, é preciso conservar para ganhar tempo e elaborar um plano B. E é isso que mina o poder daquilo que falamos e fazemos, o fato de estarmos em profundo desacordo interno.


A fonte de todo o poder

A fonte de todo poder vem do conhecimento. O conhecimento produz a previsão do evento. A previsão do evento antecipa a ação. Quem tem conhecimento se antecipa.

O Poder Pessoal tem a ver com isso, com uma "corrente de energia" que segue por você sem bloqueios ou interrupções. Em Eletricidade isto se chama Fator de Resistência, onde todo material é capaz de conduzir corrente elétrica, mas uns melhor do que outros. Quanto menor esta capacidade, mais o material se aquece, com possibilidade de derreter e se partir com o calor gerado.

Canalizar este poder significa sermos nós mesmos. Mas isso implica na selvageria, na incompreensão do outro que se nega a ver o ciclo, o quadro todo. Implica na nossa marginalização da sociedade, na perca do
status quo.


Em outras vidas e outras terras

Mal sabe esta sociedade exclusora que nosso banimento fortalece-nos. Isso porque estamos isolados daqueles que se escondem em meio a cortinas de fumaça e véus, fazendo então nos destaquemos mais. E este mesmo banimento nos obriga a sermos mais fortes para sobreviver.

E há um dado adicional: sempre encontramos outros "segregados", mais experientes, verdadeiros mestres de si mesmos.


Uma imagem me veio à cabeça agora... de homens e mulheres caminhando para a morte. Não os pobres coitados que foram vítimas de mentiras e traições, inocentes que só faziam simpatias para curar seu gado ou dar saúde às crianças. Mas eu falo de bruxos e bruxas de verdade, que foram pegas e não negaram o que eram e por isso pagaram com a vida.

Eu penso nestas pessoas que viveram e morreram sendo o que eram... íntegras. E como isto é tão difícil hoje como foi a centenas de anos. As fogueiras mudaram, é verdade. E há lugares mais perigosos do que outros... Mas os ataques ao que somos verdadeiramente, e não só bruxos, mas pessoas também, cheias de contradições e defeitos que buscamos melhorar mas que não será do dia para a noite... ah... esses ataques continuam.

Se você quer que suas Palavras&Ações sejam fortes, precisam estar dispostos à sair da zona de conforto.

Sejam fortes!


Saúde, amizade, liberdade.


Leia também: Da Magia


S. Thot

terça-feira, 1 de setembro de 2009

DIA DO ORGULHO PAGÃO

"Por ser a Deusa manifesta em todos os seres humanos, não tentamos fugir de nossa humanidade, mas buscamos ser plenamente humanos."

A Dança Cósmica das Feiticeiras, Starhawk

O Dia do Orgulho Pagão é um evento mundial cujo o início oficial data do ano de 1997 através de Cecylyna Dewr e Dagonet Dewr, através da Liga de Esclarecimento, apesar de documentos atestarem que iniciativas como estas eram realizadas desde 1992!


O objetivo do Dia é ser um marco no ano para ações que devem acontecer com alguma periodicidade em nossas vidas, como esclarecer as pessoas sobre nossa escolha religiosa sempre que for propício faze-lo, além de dedicar um pouco de nosso tempo e esforço para o benefício da comunidade. O dia é um marco, como dito, mas as ações por ele inspiradas devem perpetuar por toda a Roda do Ano. É nosso sagrado ofício, sacro ofício, sacrifício.





É tempo de com-parti-lhar

Dedicamos uma parte do que somos para algo maior do que nós, maior do que nossos desejos corriqueiros, inspirados nos atos de nosso Antepassados ou Contemporâneos.
Então pense: como posso devolver à comunidade tudo aquilo que me foi confiado nos estudos senão sacrificando meu tempo e meu esforço? Já me disseram que para se obter fartura em casa é preciso fazer um bolo com muito amor, ainda que seja simples, e reparti-lo entre seus vizinhos.

O Dia do Orgulho Pagão tem esta característica: repartir com o outro aquilo que temos de melhor. Pense nisso. 


Saúde, Amizade, Liberdade. 




S. Thot

Ps.: segue abaixo um vídeo de como fazer um bolo de fubá cremoso, ótimo para fazer e convidar os vizinhos para um cafezinho no fim da tarde.  

quarta-feira, 15 de abril de 2009

DO DIA DA TERRA




Querem saber de uma coisa interessante e que só agora me dei conta? O Dia da Terra não deveria ter esse nome. Vejam: a vida no planeta já resistiu a todo tipo de cataclisma. Mudanças de continentes e correntes marítimas; avanço e recuo de geleiras; choques com meteoritos... E a vida segue. Ela muda, mas segue.

Talvez a questão seja toda essa, que nós tememos a mudança pois certamente, frágeis como somos, seríamos varridos da face da Terra. Haja visto aquele tsunami que alcançou tantos países do planeta, que matou tantas pessoas e mudou a face de cidades inteiras, vindo de um evento cataclísmico que nem foi dos maiores!!!

Não, não é Dia da Terra, mas sim o dia da Existência do Homem sobre a Terra. O que protegemos é nossa sobrevivência através de um modelo econômico e políticos diferentes. Um onde o planeta não seja o mesmo tempo uma gigantesca gôndola de supermercado para se extrair tudo o que se quer, nem como uma grande lixeira, que recebe nossos dejetos como se eles fosse sumir por mágica.

Pense nisso.

sábado, 31 de janeiro de 2009

DO OUTRO MUNDO





"Um Outro Mundo é Possível". Este sempre foi o tema norteador do
Fórum Social Mundial onde quer que ele aconteça. Neste ano foi novamente em Belém do Pará, no Brasil. Mais de cem mil pessoas desceram na floresta amazônica afim de trocar experiências e levar propostas para todos os cantos do mundo.

Paralelo ao Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, na Suíça, o FMS entende que a moeda de maior valor não é o ouro negro ou números constantes em uma tela de computador. As pessoas que dele participam querem algo mais que carros nas caragens.


Vêem mas não falam

No decorrer da semana busquei notícias consistentes sobre o Fórum, mas incrivelmente, na era da informação, não achei nada de relevante nos grandes meios de comunicação. Não sei porque me espantei vendo uma cobertura baseada em pequenas organizações e pessoas que de maneira individual, relatavam o que viam, ouviam e liam nas assembléias. Parece que, em tempos de internet, quem tem um PC é rei da informação.


A questão ambiental

Não nos enganemos: não se pode falar de meio-ambiente sem falar de justiça social, e vice-versa. Quem explora o humano explora o animal, o vegetal e o meio. Perceba que empresas envolvidas com escravidão também não recolhem impostos, atendem a leis ambientais e outras regras sociais.

A importância do Fórum não deve ser subestimada. A aparência caótica dá a impressão que nada sairá destas discussões, que são um bando de loucos que se vestem de maneira esquisita e que estão lá para diversão mascarada de luta social.

No entanto, temos homens de cinza devidamente organizados, crachás com foto no peito, em ambiente termicamente controlado que olham para a economia e não sabem dizer o que deu errado, como resolver e quanto tempo durará esta crise. Querem ser independentes do Estado até verem seus capitais de mentira irem para o espaço. Nesta hora recorrem aos governos como bezerros sedentos.

É preciso achar alternativas. E com rapidez.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

DO INOMINÁVEL





Existe algo dentro e fora de mim que não posso nomear. Algo que só posso sentir sem poder dar-lhe uma forma, uma voz. É o Mistério, algo a ser vivenciado antes de ser descrito ou provado.
Diante deste Inominável nos sentimos minúsculos, o que geral um nó na garganta difícil de desatar. As pernas fraquejam e o coração bate tal qual um tambor dentro do peito.

Não nego que dar-lhe um rosto familiar que possa interceder entre o Absoluto e meu sentimento de assombro.
Muitos querem provar ou não a existência do Divino, como se fosse possível. Pois não é. O Divino não existe. Talvez você imagine isto como heresia, mas eu vou explicar.


O que é existir?

A existência e sua comprovação é um saber cientifico. O ser existente é algo que vive em nosso real, que pode ser pesado, medido, saboreado, visto, ouvido, algo com que podemos nos relacionar diretamente e manter um comunicação. E o Divino não pode fazer nenhuma destas coisas. O Divino interage conosco em nível mais sutil.

É como estar apaixonado, sabe? Quem pode dizer ou provar que está apaixonado? Como medir o tamanho do amor? O amor não tem proporções e nem há ninguém que possa provar ou não sua existência. No entanto centenas de pessoas afirmam seguramente que o conhecem? Como é possível?



Experimente

Ter contato com o Divino é como o Amor: é preciso viver o momento. É preciso experienciar. Sem a experiência é impossível falar tanto de amor assim como do Divino. Só quem a vive sabe da dor e da delícia de estar imerso nestas sensações.

Para acessar o Divino não basta o conhecimento dos livros, mas também de fé. A fé nasce e mantém através dos ritos, dos sabás e esbás, da comunidade. Sem estes elementos a fé não se mantém, nem o grupo. Tudo está interligado.

Se você vive, você sabe.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

DAS CRISES




Desde o final de 2008 ouve-se e lê-
se sobre esta crise econômica que afirmam ser a pior desde a quebra da Bolsa de Valores Norte-Americana em 1929. Desempregos em massa, quebradeira de empresas e coisa e tal. Mas enquanto uns choram, outros vendem lenços. Quem lucra com esta crise, para onde foi todo este dinheiro e principalmente para nós, o que representa isto para a Terra?
 
 

Ciclos


O que os leigos e os mal-intencionados chamam de crise eu chamo de ciclo. O Capitalismo vive de ciclos. As pessoas falam de crescimento da economia. Falam como se crescer fosse a única direção possível. Sabemos como pagãos que o inverno precede o verão, que a noite precede o dia. É a verdadeira Roda da Fortuna, onde a única coisa estável é o eixo em torno do qual o mundo gira.

O mundo não está em crise, apenas o dinheiro é que mudou de mãos.


Será que a crise nas montadoras, que produzem por isso menos carros, não é benéfica do ponto de vista ecológico? Afinal, menos carros sendo construídos são menos fontes poluidoras nas cidades. Sempre existe uma janela aberta quando as portas se fecham.

O pêndulo um dia precisará recuar e é preciso preparação. Nos campos, quem não se precavia passava fome, os chamados tempos de vacas magras. Como pagãos somos treinados para perceber estes sinais, para ver os problemas e nos antecipar a eles antes de sofrer com suas consequências.


O que você acha? Esta não era uma crise anunciada? Será que se estudarmos bem os motivos pelos quais ela surgiu, assim como os antigos estudavam as estrelas para determinar quais os momentos de plantar e de colher, não saberemos suas causas e não ficaremos mais espertos para evitar ou minimizar os efeitos danosos das futuras que certamente virão?




Assumir uma posição

Assumir uma posição clara sobre estes e outros assuntos exige sim, alguma coragem. Pensamos sempre neste termo quando queremos evocar atos de heroísmo. Mas há coragem nas coisas mais simples.

Dizer que alguém está certo ou errado, por exemplo, exige coragem. Porque seremos questionados sobre nossa posição e teremos que dar um retorno. Que gerará novas perguntas e novas respostas. E cada vez nos comprometemos mais com aquilo que acreditamos.

Mostrar nossos conceitos de forma organizada e profunda é dever de todos que participam da sociedade, porém este é um direito exercido por poucos. A maioria só fica como expectador, não sendo heróis de suas vidas.

E não há tempo a perder. Vejam aí os Grandes Investidores Financeiros. Queriam submeter tudo e todos ao frio metal, diziam que o Estado atrapalha a livre economia, e os trabalhadores e as leis que os protegem perturbam o crescimento. Porém, quando seu castelo de cartas ruiu, vieram mamar nas tetas do dinheiro público. Hoje temos governos que salvam bancos seguindo a tabuada proposta pela escola econômica keynesiana (ver AQUI).



"A escola keynesiana se fundamenta no princípio de que o ciclo econômico não é auto-regulado como pensam os neoclássicos, uma vez que é determinado pelo "espírito animal" (animal spirit no original em inglês) dos empresários. É por esse motivo, e pela incapacidade do sistema capitalista conseguir empregar todos os que querem trabalhar, que Keynes defende a intervenção do Estado na economia."


Pedem para que consumamos hoje mais do que nunca para reaquecer a economia. Só que mais consumo significa que mais máquinas rasgarão a carne de Gaia. Será que não temos outra crise em construção?


O Espiritual é Político

Nossa realidade não é feita de uma massa de expectadores que aceita aquilo dito por um homem no púlpito ou palanque. Nos organizamos em círculo porque somos todos iguais nele. E isto exige coragem. Coragem porque a cada momento poderemos ser chamados para tomar uma posição no culto, no fórum, na vida.

Em círculos abertos organizados em minha cidade, sempre aparecia alguém disposto a participar, mas queriam ficar de fora, observando. Assim é fácil!!! Se der certo me divirto. Se der errado, não tenho nada a ver com isso. Tomar partido exige coragem, pois pede compromissos.

Inevitavelmente estas posturas acabam se derramando para a nossa vida cotidiana, até porque o cotidiano também influencia nossa vida espiritual. Não há dicotomias, tudo está integrado. E o sol nunca pára nas temperaturas amenas do outono e da primavera. Para nós o conforto do meio-termo nunca dura muito tempo.


Outras vantagens de ficar em cima do muro

A gente não se indispõe com ninguém, independente das besteiras que elas dizem ou fazem. Passamos por diplomáticos, mediadores. Mas isto não é diplomacia. Calar e fazer calar não é diplomacia. É tirar vantagem para si, se passando de bonzinho, fazendo o paradoxal jogo de julgar como errado aquele que expressa sua opinião em um momento que pede a opinião de todos.

Para quê um ter um cérebro se ele não serve para formular opiniões? para que opiniões se não posso defende-las com unhas e dentes enquanto acreditar nelas?

Aproveite a crise, pois ela abre portas em muitos casos. Nas crises é que se abrem as janelas.


Pensemos nisso.



Saúde, amizade, liberdade




Sergio Thot

sábado, 8 de novembro de 2008

DA LUTA




"Seu tolo! Ainda não percebeste que minha força é superior a tua?"

Palas Atena, após derrotar Ares na Guerra de Tróia, segundo Homero.


Pelo o que lutamos ou deixamos de lutar em nossa vida diária? Quando avançar e quando recuar? Estas respostas são sempre difíceis, pois há tantas variáveis como há estrelas. A luta é a chama que nos molda e tempera, assim como o fogo faz à espada.

Mas uma boa lâmina não depende de fio ou forja somente. Se seu material for corrompido, que arma teríamos?



São Apenas Negócios


Vivemos em um mundo estranho. No micro, em nosso dia-a-dia, temos que ser cordiais, negociadores. E a cada negócio, nos perdemos um pouco, nos sujamos, nos confundimos com a matéria da qual deveríamos nos apartar. E invetamos explicações para explicar o inexplicável. Explicar que nos vendemos.

No atacado nossa agressividade tem que estar a mostra, seja para conquistar mercados ou nações.
Parece que estamos sempre a serviço do outro quando não queremos, enquanto aquilo que realmente desejamos deve ficar em segundo plano.

Afinal, pelo quê vale lutar?



Morte e Vida, Severina

Em nossa sociedade pós-pós-moderna, não vale apena lutar por nada que o Mercado não sancione. A História está morta, os Sonhos estão mortos, as Utopias estão mortas. O que nos sobrou foi o Desejo e o Poder de Compra. No entanto isto não responde a anseios mais profundos e íntimos. E nos drogamos com substâncias lícitas e ilícitas para dominar este vulcão que insiste em explodir e nos expor.

E usamos máscaras há civilização e ordem, enquanto nos subterrâneos impera a Lei do Cão.
Nos campos e nas cidades somos submetidos, nos submetemos e submetemos outros por conta desta ilusão em massa.

Nos achamos sozinhos nesta parada. E achamos que a luta não vale a pena. E achamos que aquele que levanta a cabeça e diz "Vem por aqui" é louco, precisando ser isolado. E a cada negociata nosso resgate, e o resgate de nossos sonhos, fica cada vez mais caro.



De pé, De pé

No meio de tantos mártires anônimos não posso pedir que lute por algo, ainda que aquilo que se pode perder seja uma vida detestável. Mas posso pedir uma reflexão mais profunda e menos pessimista sobre o mundo e as coisas antes que as botas marchem pelas ruas.


E talvez uma pedrada no muro quando ninguém estiver olhando...


quinta-feira, 20 de março de 2008

DO PODER




Nos tempos atuais quando evocamos a palavra poder parece que dizemos um palavrão. Soa como algo ruim que queremos aplicar sobre outras pessoas. Mas seu sentido mais profundo não se refere a despotismo.


Poder tem relação com a capacidade de realização, de transformar uma coisa em outra. Poder é fazer. Mas fazer o quê? Fazer pra quê? Fazer pra quem?

O que fazer?
Junto com a palavra poder vem a reboque outra imagem na mente das pessoas. A da cidade de Brasília, nossa capital federal, com seus palácios e seu homens engravatados falando, falando, falando... Incrível como achamos que somente a voz deles possui a capacidade de realizar alguma coisa. Nas propagandas políticas sempre afirmam que fulano fez isto, que sicrana realizou aquilo.

Ora, aprofundando, quantos destes homens engravatados realmente trabalharam sol a sol na construção de uma ponte ou na limpeza de uma praça? Digo, com pás, vassouras, trenas, formões? O que estas pessoas realmente fizeram?

Do modo que falam, e alguns até acreditam assim, parece que somente a sua voz fez brotar do chão as construções como se fosse mágica, ignorando totalmente as centenas de pessoas co-adjuvantes que arrancaram a carne da Deusa o material para levantar estas edificações. Foi um trabalho em conjunto, feito em sociedade.


Se o colocássemos isolados, no canteiro virgem de obras estes homens do ar condicionado e disséssemos: FAÇA! O que ele realmente fariam?


Para que fazer?


Já se questionou o porquê de muitas coisas que existem por aí? Já prestou real atenção aos comerciais de tevê? Os de produtos alimentícios, por exemplo, vendem coisas com sabor artificial disto ou daquilo. Poxa, por que provar algo com sabor de morango se posso comprar o próprio fruto?


Os comerciais apelam para criar um desejo de ter prazer que não sabemos se queremos, e isto é um fato. E para sua realização devemos comprar, pois só assim teremos prazer. Mas a compra deveria atender primeiro as necessidades, vindo o prazer a reboque.

E mesmo quando obtemos o objeto de desejo, não a garantias da nossa satisfação. Nos comerciais o ator dirige por ruas vazias ao lado de uma bela mulher. E na vida real, o que temos?


Então fica outra pergunta: necessitamos o que queremos?

Às vezes sim, às vezes não. Mas como tudo se transforma de algo para algo, é interessante saber o porquê de certas criações para não abrirmos a Caixa de Pandora. Não dá para toda a população mundial consumir tudo aquilo que nos é mostrado na tevê. A Mãe Gaia não dá conta, gente!

Somos 6 bilhões de pessoas. 6 bi!!! É surreal achar que todo mundo pode ter iPod. Quando ficarem velhos, como descartar? E as baterias? Embalagens? Dá pra trocar todo ano? Quem promete resolver tudo isto num passe de mágica fala a verdade? Porque esta pessoa ou grupo fala assim?



Para quem fazer?

Vivemos em uma sociedade cuja a economia majoritária se baseia no capitalismo. Digo majoritária porque seria pretensão afirmar que todo mundo é capitalista. Seria como dizer que todo mundo é hétero, branco, cristão e corintiano.

Não, não somos todos capitalistas, mas boa parte ou o é, ou tenta entrar neste grupo econômico atraído pelas vantagens que ele oferece.


Quando fazemos algo, fazemos sobretudo em benefício próprio e isto não é crime. Este ato, no entanto, quando beneficia outra pessoa é algo legal. Quanto mais pessoas são beneficiadas, melhor ainda. E se este bem atinge um número maio de pessoas, durante um espaço de tempo grande, mesmo que o ato e ator iniciais tenham se extinguido, nossa, coisa é de inspiração divina!

O poder de nossa caminhada no mundo sempre deixa pegadas, a não ser que sejamos fantasmas. Cuide para que a sua passagem seja capaz de melhorar a sua vida e a do seu vizinho ao menos. Busque as reais intenções de suas ações, pesando prós e contras, indo além da satisfação dos desejos.

Somos parte da espécie mais poderosa da terra graças as ferramentas que criamos. E isto não é pouca coisa.

Afinal, quando só você goza, é estupro. E penso que Gaia se cansou disso a muito tempo.


Segue a sequência de um filme antigo que marcou a minha infância, na sessão Charles Chaplin, que passava aos domingos no canal do plim-plim, rs!


domingo, 8 de julho de 2007

DOS CÍRCULOS & COVENS






Será que basta uma química perfeita na realização dos rituais para que um círculo ou coven sobreviva? Nós acreditamos que é necessário mais do que isto.



Acreditamos que o coven ou círculo são corpos, entidades vivas dos quais seus membros são os órgãos vitais.


Se um dos elementos não está bem, o conjunto não vai bem. Então, como pode dar errado? E como fazer para dar certo? Como ter um coven forte e atuante?

Dizer que cada membro imagina seu grupo funcionando a sua maneira é certo, mas não só isto. Em um coven forte, seus membros apesar de possuírem ideias diferentes, estabelecem termos comuns, uma base de acordo para que o grupo funcione com harmonia. Como num corpo, onde os rins e o coração são órgãos diferentes, mas que trabalham juntos pela manutenção do sangue precioso.

Esta harmonia só é conseguida quando os pensamentos básicos de todos são comuns, tanto no passado como no presente e para o futuro. É o pensamento com metas comuns que mantém o coven unido.


E não importa se falamos de coven ou time de futebol, universidade ou multinacional, banda de rock ou grupo familiar: se não se sabe de onde se veio nem o que se está fazendo, dificilmente se definirá para onde se vai. É aonde o grupo naufraga.

Podemos estabelecer como base para este acordo o traçado formado por três pontos: o caráter, os princípios e os objetivos.

*O caráter:
é aquilo que o grupo vê refletido ao olhar no espelho social. É a resposta a pergunta "quem somos nós?".

*Os princípios:
é a fonte onde o grupo bebe, seus fundamentos filosóficos e a origem de todas as regras que os regem. É a resposta a pergunta "de onde viemos?".

* Os objetivos:
é aquilo que o grupo deseja em longo prazo, seu norte. É a resposta a pergunta "para onde iremos?".

Todo o agrupamento humano precisa responder com sinceridade a estas perguntas e atingir o consenso. Os que conseguem trarão dentro de si o poder de mil sóis. Isto se dá porque agem ao mesmo tempo de forma livre e coesa. Gente junta não porque foram subjugados, mas porque se amam e precisam realizar tarefas que sozinhos não conseguiriam.

São detalhes como esses que tornam os grupos poderosos!


Sugestão de Leitura:


A Dança Cósmica das Feiticeiras, de Starhawk!