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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

BENDITO FRUTO!

Mesmo antes de nascer a vida de Mani estava em risco. Filha da união de sua mãe com o Divino, ela estava sujeita a lei dos homens e esta dizia que mulher grávida é mulher casada com homem. E aonde estava o pai? Não se sabe. A mãe de Mani chora dias e noites sob o olhar severo do pai, jurando que não fora à mata com ninguém da tribo para se deitar na relva e fazer amor. A tribo a despreza ou a evita como se tivesse uma doença contagiosa. Se afastam.

O que a Mãe, nossa Mãe, não sabe é que ela alimentará nações com o fruto de seu ventre que já vem até com nome: Mani. Tal-e-qual Demeter de Outras Terras, ela chorará muito por sua filha mas suas lágrimas serão lembradas para sempre enquanto o sacrifício Dela e de Sua Filha for por nós repassado. É da Casa de Mani que surge a farinha que minha mãe habilmente misturava com carne, legumes, caldo e temperos e comia com gosto. E eu, criança, lutando com o garfo e a faca achava aquela destreza o máximo, rs!

A batata salvou milhões na Europa (sendo que países inteiros dependiam de boas safras, como pode ser visto AQUI) e a mandioca outros milhões na África, onde até hoje é plantada tendo como a Nigéria um de seus maiores produtores.

Mas ainda estamos às portas do Equinócio do Outono e o fruto ainda não está maduro. Sejamos fortes e pacientes como Mani. Que a menina-Deusa nos ensine a suportar os encargos de ser o que somos, apesar de nossas origens! Feliz Lammas.


Ps.:

Vejam como são as coisas. Este texto se inspirou em outro blog, o Círculo de Gaia e agora a corrente segue adiante através do blog do amigo Saulo, o Empório da Bruxaria. Mas nosso amigo mineiro lapidou o pensamento em poesia. Segue um trecho. Aproveitem e leiam no original também, rs!


"Uma nova esperança,
Que a tribo iria receber,
Tão bela criança,
Fruto de um bem querer,

"Da concepção divina,
O cacique duvidava da pureza,
E em seu sonho veio à confirmação,
Tupã, do ato explicou-lhe com clareza."

S. Thot