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domingo, 7 de dezembro de 2008

SOBRE O CÉU




Olhando para o céu, noites atrás, tive uma bela visão. No fundo escuro a Lua, Júpiter e Vênus formavam um triangulo no
fundo escuro. Você tem olhado para o céu ultimamente?

O fato de participarmos de uma Religião que exige a vivência do aqui-e-agora faz com que observemos a realidade próxima com novas perspectivas. Há uma tendência inicial de existir em um mundo de faz-de-conta, procurando dominar os ciclos naturais como nos ensinaram a fazer com tudo aquilo que está ao nosso alcance.

Observar os astros por longos anos significou a diferença entre o perigo e a segurança. Primeiramente para os astros mais próximos e evidentes, como o Sol e a Lua, pois clareavam nosso redor e alertavam com sua luz problemas e oportunidades.

Em um segundo momento percebemos seus ciclos e nos alinhamos com eles para plantar, ter ou não filhos, para viajar a noite. E, no céu, noturno, percebemos como desenhar nos céus com as estrelas. Nosso mundo nunca mais fora o mesmo.


Atualmente

O fato de não conseguirmos observar as estrelas a olho nu nos remete a conclusões tristes. A de que vivemos em um ambiente que além de nos poluir, nos cega.

Moro na periferia de minha cidade, próximo a Serra da Cantareira, e por aqui o ar é um pouco mais limpo e as luzes atrapalham menos. Mas o hábito de olhar pela janela só aumentou nos últimos anos com a Religião. Percebi o espetáculo que perco quando viajo para regiões afastadas de centros urbanos, como um passeio feito à São Tomé das Letras.

Criatura urbana que eu era, senti meus joelhos fraquejarem e se dobrarem ao chão quando olhei o firmamento e fui soterrado por milhões de estrtelas. Milhões, MILHÕES!!!

Um colega, que caminhava na mesma trilha que eu, tropeçou em mim e perguntou por que caí. Apontei para o céu, emudecido. Não pude ver as convulsões de seu rosto, mas seus joelhos também dobraram como os meus.


E você?

Caso more em alguma capital e fique impossibilitado de contemplar os céus mas ainda sim o deseja, ou queira saber mais sobre as constelações, baixe em seu PC o programa
Stellarium. Em português.

Em médio prazo pensemos nas possibilidades de reduzir a quantidade de material que está em suspensão na atmosfera. Pensou nisso?

Olhemos os céus assim como faziam nossos antepassados, de um modo ou de outro!

Saúde, amizade, liberdade.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

DA COMUNIDADE




Religião é sobretudo viver em comunidade. É através do encontro do Deus que mora em você que descubro a minha própria humanidade. O conhecimento que a Wicca acumulou durante todos estes anos, por exemplo, não nasceu de pessoas morando em cavernas, isoladas, mas daqueles que se juntaram em grupos e mergulharam em suas sociedades nas décadas de 50 a 90. E este conhecimento ainda está em construção.Se não vivemos em comunidade, qual será nosso destino e o da Wicca?


Questão difícil tenho que concordar, uma vez que há um movimento que diz que o Divino deve nos servir, como se fossemo crianças choronas. Há uma geração enorme de pagãos que reduz a religião a um balcão de pedidos pessoais, traduzindo a Wicca como um mero conjunto de Magias & Encantos. Ora, Religião é sacerdócio, e o sacerdócio é o oposto de pedir. É doar-se.

A busca espiritual é solitária em parte. Digo em parte porque toda a nossa vida é solitária a partir do princípio de que toda a dor, alegria, ódio ou desespero são nosso, que nos é impossível dividi-las com alguém. Tanto que, quando morremos, o fazemos sozinhos, mesmo que estejamos cercados de pessoas queridas ou estranhas. O Caminho da Vida é um caminho solitário.


Diagrama de Venn

No entanto, como seres sociais sempre buscamos companhia. O fato de termos nosso mundo particular, nossas buscas como indivíduos não nos impedem de casarmos, termos filhos, amigos, colegas de trabalho, times de futebol para bater uma pelada no fim-de-semana. Caminho da Vida é um grande Diagrama de Venn, rs! A matemática explicando as relações humanas!

Triqueta
Somos seres sociais em diversos aspectos de nossa vida, apesar de caminharmos sozinhos. Mesmo aqui e agora, buscamos este contato ainda que mal e tortamente. Afinal, um ritual wiccano no Second Life não chega perto de um ritual "na real". Um símbolo que resume bem esta quase separação é a triqueta. Estamos separados nas pontas, porém sempre nos unimos naquilo que nos é mais básico.

Eu senti um pouco deste senso de comunidade no Encontro dos 10 anos. É muito legal ver que os avatares do Orkut existem, são de carne e osso com seus corações batendo no peito. Apesar da minha, da sua e de outras caminhadas, é inegável que companheiros de viagem tornam-la mais enriquecedora.

Fica até mais difícil ter posições mais ríspidas com alguém que se conheceu pessoalmente, hão de convir.

É diferente quando estamos face a face com o outro. Ele existe, é uma pessoa. Eu senti. É um pagão como eu. Trinta e cinco mil pessoas estão adicionadas a maior comunidade pagão no Orkut, mas são números. O que conta realmente é o encontro, o beijo e o abraço. É isto que considero importante numa caminha espiritual. Não é assim que fazemos a tantos séculos? Sentirmos uns aos outros?

E quanto mais sentidos estiverem sendo usados, melhor. Visão, audição, olfato, tato, sabor. Rs!


Uma Experiência Pessoal

Em 1997 eu era do corpo diretor de um espaço cultural em minha cidade, Guarulhos. Sempre organizávamos palestras dos mais diversos temas. Nas reuniões periódicas, uma amiga sugeriu como tema do mês seguinte O Sagrada Feminino.

Fui encarregado de trazer os dois palestrantes de São Paulo, pois eles pouco conheciam a região. São eles os sacerdotes Vagner Périco e Claudia Hauy. Não fora uma palestra usual, pois poucas vezes tivemos lotação esgotada. Tanto que eles voltaram a cidade mais duas vezes em um espaço de um ano.

Nesta primeira palestra conheci não só estes dois grandes bruxos, como também três bruxas de minha cidade. Aliás, estou casado com uma delas a nove anos! Somos os padrinhos mágicos da filha de uma delas.

Ainda nos "10 Anos de Bruxaria" reencontrei o Vagner. Em retrospectiva, com minha esposa, minha comadre e afilhada, um nó nasceu em minha garganta. Percebi o quanto a Bruxaria estava inserida em meu cotidiano.

Nós em Guarulhos ainda nos reunimos magicamente a anos, e desde 2003, fazemos o Encontro Sobre Bruxaria em Guarulhos, sempre com o apoio da prefeitura municipal que nos cede um anfiteatro para nos reunirmos.

Longe destas pessoas minha busca espiritual seria pobre, pois poucos livros conseguem traduzir o prazer que é a comunhão entre os pares.

Lógico, nem tudo é paz e amor. Já tivemos brigas titânicas. Com gritos, lágrimas e o escambau. Mas há este laço, isto que nos une. Talvez porque sabemos que somos poucos e raros e então temos que cuidar uns dos outros. Afinal, quando eu morrer, quem fará os ritos fúnebres?

Concordo que sou fruto de um outro tempo. Quando tinha 15, 18, 25 anos, manter contato com outras pessoas em tempo real sem sair de casa era algo fora de meus padrões.

Hoje é possível faze-lo com 31.000 pessoas, dentro de certas limitações, é claro. Mas como disse, sou fruto de outro tempo, em que uma abraço vale mais do que o número 31.000 na tela de LCD do computador.

Já disseram que a caminhada espiritual é solitária. No entanto, isto foi dito para outras pessoas ouvirem. Nada mais natural: por mais ilógico que pareça, precisamos do outro para afirmar nossa própria existência, afirmar ao outro que não precisamos dele para seguir nosso caminho. E do Divino dentro deste outro, talvez a única resposta que temos em nossas preces noturnas.


Saúde, amizade, liberdade


Sergio Thot.

sábado, 22 de novembro de 2008

DA PRESSÃO


Quando estamos em uma situação de grande emoção, nosso corpo libera um hormônio chamado cortisol. Já assistiram "Velozes e Furiosos"? Quando os corredores querem dar um "gás", injetam no combustível um aditivo para fazer a máquina voar pelas ruas. Então, o cortisol é a nossa "nitro". Ele é jogado no sangue para que o corpo nos dê respostas rápidas baseadas na emoção que vivemos. Isto é estresse.


Bater ou correr

Agora veja bem, a gente costuma culpar o corpo por tudo que ocorre, sem lembrar que fazemos parte de um organismo bem maior chamado sociedade. E nela vivemos de maneira refrear nossas emoções, seja por uma questão de civilidade (porque pisaram no nosso pé no ônibus), seja por coação (porque nosso chefe chega gritando, estando ele certo ou não).

Normalmente numa situação dessas a gente expressa uma reação condizente (negociação, luta ou fuga). Mas na maioria das vezes nos calamos por medo de alguma violência, seja verbal, física, social.

Queremos várias coisas, não fazemos nenhuma. É a angústia batendo, e ela abre a porta para o estresse de forma ruim.

Nossa sobrevivência até aqui se deu pelo estresse. Graças a ele a gente não caía das árvores, pressentíamos os perigos e lutávamos quando era para lutar, ou fugíamos quando era para fugir.


Ai, que dor de cabeça!

Nós maquiamos nosso estresse no cotidiano com diversos métodos. Somos moldados não a agir racionalmente, a buscar o diálogo, mas a não reagir a agressões, ou ministrar drogas para ocultar seus sinais. O horário nobre, aquele onde o peão chega cansado da lida, está cheio de maracujinas, dorils, activas. E quem garante que não é nosso estilo de vida que tanto defendemos que justamente está nos matando?



Mudar só sua vida?

Creio que os membros religiosos wiccanos devem orar à noite, agradecendo as proteções e pedindo forças para a manhã seguinte. Mas muito do que precisamos não depende só da gente. Vivemos em sociedade, e esse ela está doente, adoecemos junto. O estresse negativo, aquele que nos trava, causa doença e tal, vem destes desequilíbrios: o interno e o externo.
Acredito que uma vida espiritual ativa é benéfica para ajudar as pessoas não só nos períodos de estresse negativo, mas também no reconhecimento das coisas boas que acontecem e que nem sempre chegamos a agradecer ao Divino.
O melhor é buscar dentro de nós a solução se dentro este alinhamento, esta concórdia. É preciso diagnosticar aonde e como fazer esta cura, primeiro em nós, depois neste imenso corpo que é nossa sociedade. É, eu sei... tarefa das grandes.

Pensemos nisso.


Saúde, amizade, liberdade.

sábado, 15 de novembro de 2008

DOS DRAGÕES





Os dragões, cobras aladas e outros répteis gigantes fazem parte do imaginário popular de quase todos os povos do planeta. Não raro associam-se à forças naturais indomáveis como vulcões, rios, tempestades.
São o caos natural primordial, como Tiamat, a grande serpente Apep, a Serpente de Adão e Eva, Macha Pacha, o dragão sem nome de São Jorge.


Discute-se ainda como povos de todas as partes do globo possuem visões semelhantes sobre estes grandes répteis. Talvez seja pela observação de fósseis de dinossauros. Não me surpreenderia. Diz a lenda que a palavra mamute é de origem asiática, provavelmente chinesa, para descrever esses animais que se pensava serem castores gigantes!


No Brasil também tem Dragão
E não falo dos Dragões da Independência, a guarda real  criada por D. João e que acompanhava D. Pedro I , testemunhando a Declaração da Independência do Brasil em 1822 e que ainda guarda o chefe do governo executivo desta nação.

Nosso dragão é a Cobra Grande, a serpente de Fogo, o Boitatá. Reza a lenda que esta entidade vaga pelas matas e é impiedosa contra caçadores cruéis, que caçam por prazer e não fome. Sua ira também se volta para os que promovem incêndios criminosos. Cruzar com ela devia ser o maior terror dos antigos povos que andavam pelas florestas.


 
Rios Serpenteantes
 
Os rios sempre invocaram imagens de serpentes, com muita propriedade aliás. Suas margens sinuosas são um convite para a contemplação e fascínio ao mesmo tempo que chegar com imprudência pode causar terríveis acidentes. Um rio que conheço e atendia estas características antes de ser sufocado em suas próprias margens é o nosso Rio Grande, o Tietê.

Dias atrás, enquanto observava o conserto de minha bike na oficina, travei conversa com um antigo morador da cidade. Ele me contou das pescarias nas várzeas do rio nos anos 50 e como ele era fértil. "Peixe agora", me confidenciou, "só da cidade de Salto pra cima". Pena.

Vendo fotos antigas do Tietê que recebia provas de regatas e outros esportes, me pergunto onde foi a vida dele, se entre suas atuais margens de concreto, onde o nome de seus córregos vem escritos próximos buracos de onde jorram uma água fétida e escura, resiste ainda alguma vida.

Esta gigantesca serpente acorrentada, que cruza nosso estado e roça com seu corpo imenso Guarulhos e outras cidades, este rio estará morto pelo São Jorge do progresso?

sábado, 8 de novembro de 2008

DA LUTA




"Seu tolo! Ainda não percebeste que minha força é superior a tua?"

Palas Atena, após derrotar Ares na Guerra de Tróia, segundo Homero.


Pelo o que lutamos ou deixamos de lutar em nossa vida diária? Quando avançar e quando recuar? Estas respostas são sempre difíceis, pois há tantas variáveis como há estrelas. A luta é a chama que nos molda e tempera, assim como o fogo faz à espada.

Mas uma boa lâmina não depende de fio ou forja somente. Se seu material for corrompido, que arma teríamos?



São Apenas Negócios


Vivemos em um mundo estranho. No micro, em nosso dia-a-dia, temos que ser cordiais, negociadores. E a cada negócio, nos perdemos um pouco, nos sujamos, nos confundimos com a matéria da qual deveríamos nos apartar. E invetamos explicações para explicar o inexplicável. Explicar que nos vendemos.

No atacado nossa agressividade tem que estar a mostra, seja para conquistar mercados ou nações.
Parece que estamos sempre a serviço do outro quando não queremos, enquanto aquilo que realmente desejamos deve ficar em segundo plano.

Afinal, pelo quê vale lutar?



Morte e Vida, Severina

Em nossa sociedade pós-pós-moderna, não vale apena lutar por nada que o Mercado não sancione. A História está morta, os Sonhos estão mortos, as Utopias estão mortas. O que nos sobrou foi o Desejo e o Poder de Compra. No entanto isto não responde a anseios mais profundos e íntimos. E nos drogamos com substâncias lícitas e ilícitas para dominar este vulcão que insiste em explodir e nos expor.

E usamos máscaras há civilização e ordem, enquanto nos subterrâneos impera a Lei do Cão.
Nos campos e nas cidades somos submetidos, nos submetemos e submetemos outros por conta desta ilusão em massa.

Nos achamos sozinhos nesta parada. E achamos que a luta não vale a pena. E achamos que aquele que levanta a cabeça e diz "Vem por aqui" é louco, precisando ser isolado. E a cada negociata nosso resgate, e o resgate de nossos sonhos, fica cada vez mais caro.



De pé, De pé

No meio de tantos mártires anônimos não posso pedir que lute por algo, ainda que aquilo que se pode perder seja uma vida detestável. Mas posso pedir uma reflexão mais profunda e menos pessimista sobre o mundo e as coisas antes que as botas marchem pelas ruas.


E talvez uma pedrada no muro quando ninguém estiver olhando...


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DO PAU-DE-FITA








No ano de 2007 a prefeitura de Guarulhos convidou uma conhecedora em Danças Circulares, Vaneri de Oliveira, para ministrar workshops aos domingos na Tenda do Bosque Maia, na região central de Guarulhos. O lugar era aberto e qualquer um poderia participar da atividade mas poucos adultos, incluindo nós do Semente, ousavam dançar em roda.

Sim, a exposição a algo que poderia ser ridículo deixava muita gente à margem. Em muitos o olho dizia sim mas o corpo não obedecia ao impulso primitivo de dançar e ser um pouco mais solto e feliz. A única expressão possível a estas pessoas era um leve sorriso de escárnio.

De minha parte reconheço que o contato com a dança faz uma ponte com outra forma de percepção de meu corpo, fazendo movimentos com as articulações que jamais se realizariam na vida cotidiana.


A dança sempre teve um papel importante no quesito conhecimento do corpo, seja do seu, do outro/a,  seja da comunidade. Bailes sempre reforçaram a solidez dos grupos, reatando os laços da comunidade. Muitas vezes possuem até um caráter utilitário, como nas construções de casas em algumas regiões do mundo. Dança-se para criar um chão de terra batida, afim de fazer o piso onde será erguida a futura residência. Não é interessante?


Quer dançar?
 

Em um Certo Beltane

Entre nós temos as danças de pau-de-fita nos dias de Beltane, em finais de outubro, trançando e destrançando sob o sol brilhante. Tenho a lembrança de uma destas danças, feitas com número ímpar de participantes, no Parque do Carmo. O ideal era que o número de celebrantes fosse par, mas seria inviável deixar alguém de fora por causa de um detalhe técnico.

E durante o trançar e destrançar nos enroscávamos e ríamos como crianças novamente! Porque rir é fundamental quando as coisas parecem dar errado. E porque ríamos de repente tudo parecia fazer sentido e entramos sem querer em um estado mental diferente. Os risos deram lugar à contemplação.

Não sei o que os outros sentiram mas eu me senti levado no tempo e no espaço e depois somente girava e girava como fazem os planetas em torno do Sol. Era a própria Dança Cósmica que reproduzíamos ali. E quando finalmente terminamos, esbaforidos e felizes, tínhamos a profunda certeza de que chegamos onde deveríamos chegar.

Para cuidar e amar o corpo, temos que reconhece-lo. Seja o corpo da Terra, seja o nosso. Então dancemos!!!


sábado, 25 de outubro de 2008

DIONÍSIO







É necessário estar sempre bêbado.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo,
que vos abate e vos faz pender para a terra,
é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio,
na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida,

perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,
a tudo o que canta, a tudo o que fala,
perguntai-lhes que horas são;
e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio,

hão de vos responder:
É hora de se embriagar!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas!

De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

Charles Baudelaire


Dionísio, filho de Sêmele e Zeus, é um dos Deuses preferidos dos pastores e agricultores. Os relatos gregos afirmam que, quando Hera descobriu de quem Ele descendia, enciumou-se e resolveu fazê-lo louco e vagar pelo mundo.

Curioso como são as coisas, não? O que deveria ser um castigo tornou-se sua marca.




Deus Libertador

Os Deuses olímpicos exigiam de seus cultuadores alguma forma de sacrifício, e com Dionísio não é diferente. Mas nossa devoção para com ele se dá através do maior sacro ofício de todos, que é a busca de nossa própria libertação.

O seu valor como divindade agrícola nasce quando ele ensina o cultivo das parreiras e o processamento do vinho, após ser curado pela Deusa Cibele. O vinho não é o fim em si mesmo, mas o caminho do êxtase que nos leva a uma Verdade maior. Algo que vá além da rotina, do trabalho, maternidade, estudo.

Um Deus que liber
ta as mulheres dos sutiãs, activias, OB's... Que permite que o sangue volte ao solo novamente e que o fertilize. Do vinho que reduz a razão, e que permitem ideias loucas e inspiradas brotando da aridez que é nosso dia-a-dia. Uma Verdade que nos retira daquilo que fazemos cotidianamente e nos leva àquilo que somos.

Para os campesinos, que sempre viveram submetidos ao domínio das cidades e seus Deuses de ordens e de linhas retas,
ter um Deus que morre e renasce, que é vítima de injustiças e abusos mas ainda sim mantém-se íntegro, é uma promessa.

Uma promessa de renovação, de esperança, de criatividade, de Vida. Uma promessa de Retorno sem chantagens ou ameaças. O Deus que é o marido secreto de Perséfone, também Esta que conheceu a dor e violência, o rapto e
morte, mas que retorna todo ano para os braços Deméter (Salve Grande Mãe!) para novamente reinarem sobre os grãos e frutos, grãos e frutos que somos nós.

 Não há um sacerdote entre seus cultuadores de Dionísio. Ou melhor, somos todos sacerdotes do Deus, todos responsáveis. Todos carregamos o cetro do Deus da terra. 

Hino Órfico a Dionísio:
 

"Eu clamo ao estrondoso e festivo Dionísio,
primordial, de duas naturezas, duas vezes nascido, senhor Báquico,
selvagem, inefável, secretivo, de chifre duplo, de duas formas.
 
Coberto de hera, com rosto de touro, bélico, uivante, puro,
tu tomas a carne crua, tu tens festivais trienais,
envolto em folhagem, protegido por cachos de uvas.

Eubouleus de muitos recursos, deus imortal gerado por Zeus
quando este se uniu a Perséfone em união inenarrável.

Escuta atentamente à minha voz, ó abençoado,
e com tuas amas vestidas de beleza
sopra em mim um espírito de perfeita gentileza."


Falando em vinho, para aumentar a cultura de meus leitores os brindo com a sabedoria de um enólogo das terras lusitanas!





Outras Leituras


Convido-os a conhecerem a Sociedade Dionísica, cuja a proposta é...


"...alcançar o estado de liberdade que nos coloca em contato com o divino. Nos inspiramos nas principais atribuições que nosso deus tinha na Grécia Antiga (vinho, orgia e teatro) para classificá-las em três grandes gêneros: a liberdade da mente (representada aqui pelo Álcool), a liberdade do corpo (simbolizada pelo Sexo) e a liberdade da alma (figurada pela Arte)."
Clique AQUI e descubra

Leia também um belo Hino Órfico para Bacchus no Mundo Pagão, clicando AQUI.


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

5º Encontro Sobre Bruxaria em Guarulhos





5º Encontro anual Sobre Bruxaria em Guarulhos

Sábado, 20 de dezembro de 2008.


Das 12h às 18h



Astrologia, Curas Naturais, Dança E muito mais!!!


Investimento: 1 kg de ração para cães ou gatos
Seu auxílio é importante para esta causa
Contribua!



Destinada à ONG Deixe Viver


Tel.: 3436.5399 Cel.: 8878.2839 (Claro) c/Sergio [clique AQUI] 


Cel.: 8553.2423 (Tim) 8027.9574 (Oi) c/ Paula


Local: Centro de Educação Ambiental do Bosque Maia
Av.: Papa João Paulo XXIII, 218


Compareça!!!


Realização Grupo Semente Sagrada [clique AQUI]

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

DO MACHO-ALFA




Esses dias, indo para São Paulo, me deparei com alguns membros da torcida Independente do São Paulo Futebol Clube, um time de primeira divisão em meu país. Um dos rapazes desta torcida organizada exibia uma camiseta onde o santo São Paulo, usado como símbolo da organização, estava monstruosamente representado (repito, MONSTRUOSAMENTE). Para as torcidas de futebol nos dias de hoje é visível que demonstrar habilidades no esporte ficou em segundo plano.



Anos atrás vi a mesma representação do santo levantando sua túnica e deixando as pernas livres para melhor dominar a bola. Sua face demonstrava alegria e irreverência, em contraste com a imagem forte, musculosa, sem qualquer simbolo que o relacione ao futebol. Era gritante a desproporcionalidade não só dos músculos em relação a realidade, mas até a "idade" do personagem, que é um velhinho. Me atento ao sorriso. Não um sorriso despreocupado da imagem de anos atrás, mas uma imagem ameaçadora, sádica, violenta.

Ainda temos na mente o padrão "Rambo" sobre homem, sem atentar que uma pessoa pode ser máscula ser ter que coçar o saco, falar alto e cuspir no chão. Um Ares de espada sempre ereta, pronto para luta.


Pensamentos de conquistas não são parte de um ideal pagão. Ora, quem lida com a terra não tem tempo para guerrear: ou é o arado ou a espada. No campo de batalha só se colhem corpos mutilados. Como pagãos, qual é nossa escolha mais óbvia?



É preciso paz para plantar

Ares é diferente, por exemplo, de Dionísio. Esta divindade do vegetal, do vinho e do êxtase, pouco se preocupa com as lutas, ou em "andar na calçada". Seu culto nos leva a quebrar padrões sólidos, a rever parâmetros, e a gozar um pouco a vida, nós que trabalhamos sol a sol desde o início dos tempos.

Dionísio não é um Deus da conquista, ao menos não no modo usual do termo. Nascido de uma das famosas escapadas de Zeus e, portanto, ganhador do rancor justo de Hera, por esta foi tornado louco por vingança contra o marido pulador de cerca, e vagou desvairado pelo mundo à fora.

Sob a proteção da Deusa Cibele, é curado de sua insanidade. Depois é instruído à cultivar vinhedos e de seu fruto extrair a bebida sagrada. Atravessando a Ásia, ensina o cultivo da uva (e, porque não dizer, de outros frutos também?). As imagens que se fazem deste Deus (um velho bonachão, uma criança ou um jovem sorridente) não mostram qualquer imagem de Poder Sobre, de tentativa de dominar outras pessoas ou de prazer sádico.

O Dionísio/Baco representado pelas telas de da Vinci, falando em termos sensuais, tem até a cara daqueles que levam as mulheres ao êxtase muitas e muitas vezes, e que retira daí seu próprio prazer.


Sangue Latino

Agora um exemplo próximo de como é interessante a imagem que o feminino faz dos homens. Uma amiga minha trocou de namorado. O antigo seguia o perfil "macho latino". O novo é mais sutil, delicado. Quando saíram de balada, ela estranhou que seu novo par soubesse dançar, mexer o corpo. O antigo era mais turrão e ficava de canto, fazendo pose.
No início ela confessara que estranhou, mas depois viu que as idéias que se fazem do homem quase sempre são estereotipadas. Inteligente e sensível, seu novo companheiro destoa daquilo que sempre se indicou como provedor, defensor e líder.


Sim, podemos ser machos e ainda sim, sermos fofos, rs!


Na vida diária

Vivemos em uma nação parcialmente democrática. Parcialmente porque ela ainda é representativa, e não direta como eu gostaria. Trocando em letras miúdas, elegemos pessoas que vão escolher para nós aquilo que é prioritário para nossa cidade, estado e país. E a democracia termina aí.

No ganhar da vida, no emprego, nós não escolhemos nossos líderes, coordenadores, supervisores, diretores. Vivemos em uma hierarquia, onde ouço abertamente Manda Quem Pode e Obedece Quem Tem Juízo. São herdeiros culturais de um mundo que está se deteriorando.

Apesar de nossa civilização de 10.000 anos, dos carros elétricos, do Iphone, da Internet, ainda vivemos sob a espada do macho-alfa, que detém poderes virtuais ou mesmo reais de vida ou morte sobre nós. E com nosso consentimento!!!

Isto até a sua queda inevitável, quando muitos machos-beta, submetidos, lutam como crocodilos do Nilo em busca do topo da pirâmide social. Onde ainda há regras de ascensão e queda, as coisas são suavizadas pelas leis e estatutos. Onde o Estado ou o Mercado não têm domínio, ganha quem saca primeiro e tem mais balas no tambor, como demonstram os confrontos nas favelas cariocas.

Se assim tratamos as pessoas, imaginem como tratamos a natureza da qual extraímos nosso sustento? Não raro abuso ambiental é precedido pelo abuso humano.


Um novo tempo

O masculino que submete hoje vive um momento de crise em sua base, uma vez que um número pequeno mais crescente de mulheres já não mais aceitam o sonho romântico de casar. Essas mulheres trabalham fora, possuem mais apoio jurídico e psicológico que suas mães tiveram. Muitas disputam o topo com os homens. Muitas criam sozinhas a sua prole, seja por opção ou por ausência do parceiro (divórcio, abandono, morte).

Ao mesmo tempo surge este novo tipo humano masculino, que busca as crianças da escola, trabalha em parceria horizontal com seus colegas, lava a louça e pergunta com sinceridade em casa "como foi seu dia, amor"? E não tem vergonha disso. Dionísio atende perfeitamente a este tipo homem que não precisa empunhar uma espada para persuadir as pessoas, para lidera-las.

Isto se estenderá para outras partes da vida, seja por bem ou por mal. Nossas relações, graças a facilidade de comunicação, nunca mais serão as mesmas.

Mas se for preciso ir à guerra, que eu tenha um líder que valha a pena ser seguido!


Hmmm... talvez você queira ler também algo sobre as Pressões da Vida. É um texto interessante é que complementa este aqui.


Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot. 



sábado, 11 de outubro de 2008

DA CASA VIVA







"Se a Terra é nossa Mãe, então uma caverna torna-se uma imagem do seu útero e um lugar para se entrar em Seu corpo real."
Rachel Pollack


Seu corpo, sua casa

Ah, falar sobre nossa primeira casa é falar sobre o nosso corpo. Concordo que é objeto de especulação a existência de alma ou não, e não vou tratar disto aqui. Mas hão de concordar
que existe algo além da máquina humana, que existe um Eu que a opera, que dirige seus passos.

Eu SEI que não sou somente carne e ossos e sangue. Que existe algo além disto, que mora aqui dentro. Eu VIVO neste corpo e através dele interajo com o mundo exterior, sendo não só minha casa como meu veículo de transporte e locomoção, entre outros atributos.


Bem, sendo minha primeira casa, só levo para dentro dela quem eu quero, certo? Como pagão, creio também que minha casa também é meu templo, morada do Divino, o que só aumenta a respon
sabilidade do que entra e sai dela. Física, mental e emocionalmente falando, é preciso ser assim para manter a saúde em todos os aspectos.

Como você trata esta primeira camada de residência?


Ya-bada-badoo!!!


A citação no início deste texto, da autora e sacerdotisa pagã Rachel Pollack, me faz pensar sobre as primeiras moradias.

A nossa segunda camada de residência é a nossa casa propriamente dita, seja ela de pedra, concreto ou madeira. Como somos animais sem pelos e demasiado sensíveis a variações de temperatura ter uma proteção contra frio e chuva que vá além das roupas e fundamental.

Mas ainda não dispúnhamos das ferramentas para construir esses bens duráveis, ou nem sempre ficávamos muito tempo em um lugar para justificar tal construção. O que fazer?


Cavernas Modernas

Já pensou naquilo que sua casa é? Nunca a imaginou como uma caverna de alta tecnologia, artificial mas ainda sim com todos os elementos básicos de uma gruta, principalmente no Brasil, que usamos material vindo das profundezas da terra na confecção do cimento e concreto?
No princípio contávamos somente com as formações naturais, que não são lá muito comuns.

O que fazer então quando não se tem uma caverna natural à mão? Constrói-se uma! De argila, couro ou gelo.

Cavávamos o solo e erguemos do corpo da Mãe nossas primeiras edificações, Filhas de sua própria carne.
Lógico que são apenas especulações, pois vestígios destas primeiras habitações são virtualmente impossíveis de descobrir, uma vez que as casas dissolviam-se com as atividades climáticas. Da Mãe veio, para a Mãe retorna.

Mas o Brasil moderno conserva ainda construções que herdaram esta forma de engenharia habitacional. Para quem mora na capital paulista, visite o Museu de Arte Sacra, na Zona Norte de Sampa. P
arte da igreja foi erguida com barro e madeira e foi conservada para visitação.

Nossas casas hoje carecem desta harmonização com o meio porque esta entropia não é vantajosa para nós que desejamos uma vida mais estável. Reconstruir partes da casa feitas em barro não são tarefas que possam ser feitas em curtos espaços de tempo, uma vez que tempo é o que menos temos. Nossas casas modernas são pouco ecológicas seja na sua construção ou manutenção.

Logo, nossa segurança e conforto dependem do sacrifício do Corpo da Deusa em nosso favor. Respeitemos isto.



Casa na Árvore ou a Árvore como Casa?

Tendo o processo evolucionário proposto por Darwin como base e através de estudos de fósseis além de outras evidências, é possível dizer que nas regiões tropicais os primeiros hominídeos viveram boa parte de sua existência em árvores até 3-4 milhões de anos.

Longe dos perigos do solo, a única questão a ser resolvida durante a noite é se manterem juntos e equilibrados nas copas das árvores. Hmmm... será que vem daí aqueles pesadelos de quedas infinitas? Uma defesa inconsciente do nosso corpo para que não caiamos na boca do predador enquanto dormimos?

Atualmente quando a madeira da árvore não é usada como matéria-prima na construção de casas, lhes servem de suporte como as tradicionais casas-da-árvore. São as casas ditas alternativas que sempre geram olhares diferenciados de admiração e espanto.

E esta segunda camada de residencia, a morada de seu corpo, como é tratada?


Sua casa mora aonde?


Como boa parte da população de nosso país mora na zona urbana, é provável sua casa esteja situada dentro de uma cidade. A cidade é a casa de sua casa, já percebeu isso? Se sim, já parou para prestar atenção nela? Suas ruas, árvores e praças, comércio, pessoas, vizinhos, animais? Nos sons da manhã e da noite? Nos cheiros que ele deixa no ar? E no modo como ela pulsa em diferentes horas do dia? Onde fica seu coração? Onde as decisões são tomadas? Onde as pessoas estudam ou trabalham? Como o lixo é recolhido e eliminado? E o esgoto?

Depois que os celulares popularizaram as câmeras, ficou mais fácil o registro das coisas. Então meu exercício atualmente é fotografar as ruas próximas de casa. E acho incrível como a câmera muda a perspectiva de algo que faz parte de meu cotidiano há tanto tempo. A fotografia nos força a olhar o objeto de outro ângulo. O próprio fotógrafo, na busca do inusitado, tenta achar esta novidade.

Experimente redescobrir seu bairro, e verá as surpresas que encontrará.
Então o corpo que é o bairro saltará aos olhos!!!


Minha cidade é meu País

Preste atenção: como queremos afirmar que alguém participa da vida social e política da nação, dizemos que esta pessoa é cidadã. Ora, é um termo para morador das cidades. E de fato: a célula mais definível de um agrupação cultural e político é a cidade. Para um migrante, o voltar a terra natal não é o estado de origem, mas sua cidade, onde ele é algo mais que um número. As cidades são as células deste corpo chamado Nação.

Volta então o sentimento de lar, família, de pertencer a algum lugar. É aonde crescem nossos filhos e estão enterrados nossos ancestrais. É inevitável: o que acontece em sua cidade, acontece com você. E o que acontece contigo ocorre em seu país. A sua história e a História estão coligadas.

A cidade não precisa ser um lugar de anônimos apressados e sem vida. A existência de praças e parque nas regiões centrais garantem que sua população possa parar e aproveitar a experiência que é viver em coletivo.


Novas Visões sobre o Corpo-Cidade

Uma forma de repensar o espaço das cidades, por exemplo, está na fazenda urbana, uma idéia antiga que toma corpo graças a crescente população x espaço para plantio. Eis uma forma de repensar o lugar onde se vive.
Defenda então a cidade. Participe de sua vida, sinta sua respiração, seus movimentos. Seja uno com ela. Pois é neste templo gigantesco em que mora o Divino.

Outra, mais voltada para a guerrilha de jardim: a ocupação dos terronos baldios por plantas comestíveis. Essa idéia foi da Paula e é muito simples. Sabe todas aquelas sementes que você jogava fora quando comia maçã, pera ou maracujá? Então, ao invés de po-las no lixo, jogue-as no terreno baldio ou margem de córrego mais próximo. Ou eles servirão de alimento para pássaros e insetos ou brotarão e darão origem a plantas.

A nossa casa é aqui e agora, aonde a gente está!

Segue um som muito gostoso do Arnaldo Antunes, para ilustrar a idéia.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

DAS LEIS DE MERCADO




Uma notinha sobre o Capitalismo...

Capitalista é aquele que possui meios de produção a fim de obter lucro. Se você não possui estes meios, é mero consumidor ou objeto de consumo. Quando se trabalha para alguém não é capitalista!

O Capitalismo visa lucro. Não, lucro não rima com sustentabilidade. Não há grandes lucros observando as conseqüências sociais e ambientais quando se trata de extração ou transformação de matérias-primas em produtos acabados.

Para o Capital não importa se a matéria-prima vem de uma fonte sustentável, nem se importa para onde é vendido, como é usado etc. O que importa é lucrar.


Sangue

Posso citar como exemplo doméstico o embate que se dá nas áreas amazônicas a décadas, que ganhou força no século passado com o assassinato de Chico Mendes.

Um exemplo mais gritante foi transformado em filme tempos atrás: Diamantes de Sangue. A história gira sobre a forma com que as pedras preciosas deixam Serra Leoa, um país africano.


Os Diamantes são Eternas Fontes de Problemas

Apesar de ser um país capitalista e rico em jazidas de diamantes, sua população é pobre. Explorada pelo conquistador europeu, após a independência sofreu com guerras internas financiadas pela indústria de diamantes. Não que a De Beers seja a sucursal do inferno sobre a terra. Esta apenas não se importava de onde viam as pedras: do exército ou governos corruptos, ou de forças rebeldes. O que importava era o lucro fácil.

Somente quando suas "operações" começaram a serem ligadas com mutilações de crianças, devastação do meio-ambiente e estupros em massa, é que, por altruísmo ou temer que sua imagem fosse tingida de vermelho, resolveram criar certificações de origem e outros mecanismos.

Após a morte de Chico Mendes e a insistente divulgação dos detalhes de sua execução, no Brasil começou-se a criar iguais caminhos para que a madeira oriunda da mata nativa tivesse algum controle desde a sua extração até o consumidor final.

O Mercado é amoral. Se preciso, e quando ninguém olha, apóia guerra, a escravidão, a destruição e a morte pois só pensa em curto prazo. Demos grandes passos, mas muito falta a ser feito e são grandes os inimigos.

Capitalismo não é sinônimo de liberdade pois sua aplicação pressupõe hierarquia e coerção. Haja visto que o pensamento neoliberal deseja que o dinheiro circule pelo mundo, enquanto restringe a circulação de pessoas que desejam rumar para outros países e ganhar seu sustento.


Comemoração consciente

O comércio sempre inventa ou se aproveita de datas comemorativas para colocar em nossos corações que amar é presentear. Sempre que for fazer suas compras, porém, observe bem o que e como está comprando. Um pouco de crítica e discernimento nestas horas só fazem bem a você e ao planeta.


terça-feira, 30 de setembro de 2008

DO MICRO AO MACRO





Durante os anos de 2007 e 2008 eu participei de um programa de voluntariado do Educafro em Guarulhos. O Educafro tem como missão realizar a inclusão da população afro-descendente. Sob orientação, eu ministrava aulas de Biologia com enfase no mundo vegetal. No início do curso era abordado a questão dos vírus, bactérias, protozoários e outros seres microscópicos, DNA, RNA, mitocôndrias..


Endossimbiose


Palavrão, né? Rs! Esse eu (re) aprendi durante as aulas, através da observação de diversos organismos e as formas com que se organizam para viver me dei conta de como nós somos parecidos com eles. E que não somos aquilo que pensamos realmente.

Por exemplo, a célula vegetal, a menor porção de uma planta que ainda mantém suas características básicas. Ela é formada por outros subsistemas menores. Alguns deles, desconfia-se, tem vida própria e passam a viver dentro célula para partilhar vantagens.

Conosco é a mesma coisa. Nosso corpo é uma colônia onde habita a nossa consciência. Somos o universo de milhões de seres vivos que vivem agem sem a nossa interferência consciente.


Ora, um recuo maior, as células se especializam e formam órgãos completos, como coração, rins, pele. Estes sistemas também funcionam sem nossa interferência direta. Afinal, ninguém compassa o ritmo do coração, ou a quantidade de oxigênio que deve entrar nos pulmões. Estes órgãos formam sistemas maiores (reprodutor, respiratório, digestivo).

A combinação destes sistemas formam as coisas vivas. É assim no micro no macro.


E não pára por aí

Cada indivíduo não é um indivíduo, mas um sócio. Isolados, não teríamos as conquistas que usufruímos hoje. Afinal, a água tratada que chega com pressão em nossas torneiras, vinda de grandes distâncias, não é mágica. Um conjunto de células sociais organiza, monitora e age para que isto aconteça. Também somos parte de um grande corpo que é nossa cidade.

Unidos pelos mais diversos motivos e com os mais diversos objetivos, é verdade. Mas ainda sim somos um corpo. As diversas formas de vida deste planeta estão buscando este entendimento. Cooperar é sempre menos desgastante que lutar. Para sobrevivermos como espécie em algum momento temos que tomar esta decisão. Todas as invenções que tornam nossa vida mais segura e confortável são o resultado destas conexões entre o passado e o presente através das mais diferentes culturas.

A questão é sob que moldes permanecermos juntos para o futuro, já que isto me parece inevitável: sob a coação ou sob o livre-acordo.


Pense nisso.



Sergio Thot


domingo, 21 de setembro de 2008

DA EXPERIÊNCIA




Quando temos uma experiência religiosa, mística, emocional, é algo de cunho extremamente pessoal e que ninguém poderá explicar com exatidão. Isto porque explicar, medir, qualificar compete a ciência e não religião.

A religião trata de credo, de fé (credo quia absurdum est) e portanto sua experiência só pode ser explicada por você mesmo e pelos símbolos que você absorveu ao longo de sua vida. Diferentemente de fenômeno, algo observável por terceiros (num sentido muuuito sucinto!) e, portanto, ciência: fenômenos biológicos, químicos, físicos...


Exemplificando

Uma flor é definida como sendo parte de uma planta e que se destina à reprodução sexual. Sabe-se disso pois é possível observar o fenômeno vez após vez nos jardins, através de pássaros e flores; pode-se arrancar as pétalas e órgãos internos, corta-los e observa-los.

Dois botânicos, mesmo separados por quilômetros de distância, concordarão plenamente se analisassem duas plantas da mesma espécie e nomeassem suas partes principais.

Mas a experiência de se sentir o perfume dela e daí arrancar símbolos internos (há flores que me lembram encontros românticos como rosas, flores que me lembram despedidas em funerais, como crisântemos...) é de cunho totalmente pessoal. Isto não é classificável em livros, ou possível de se explicar. Faz parte da bagagem, social, cultural e histórica de cada indivíduo.


Dificuldades

Eis dos motivos pelos quais falar de ambientalismo para alguém é tão difícil. Para nós ver a natureza como um todo, e nós parte deste todo, é muito fácil pois sentimos isto. Nem todos estão abertos ainda para sentir este amor ainda.

Amar é liberdade e conhecimento. Mas estas são duas palavras em desuso. Atualmente temos a libertinagem e a técnica, e ambos são insípidos, áridos, vazios. Libertar é ter e não dominar, enquanto conhecer é envolver-se, conhecer a si e ao outro também.

E quem ousa olhar nos olhos de alguém e ver neles o reflexo de seu rosto?


Empatia

É bom repetir: só se luta com todas as forças por algo que se ama. Sem esta ligação, esta empatia pelo Todo, sem o amor que se sente ao olhar o mundo natural e ver nele a face do divino, não se tem uma defesa ambiental marcante. Faz-se porque alguém mandou, e só se faz enquanto esta ordem externa se manter forte.

Isto tem que nascer do tambor que bate em seu peito. O coração da Terra tem que bater com o coração da gente. O coração da gente tem que fazer eco com o da Terra.

O coração da Terra é sua cidade, seu bairro, quadra, rua, casa, quarto. É a cadeira onde está agora.

Viva esta experiência constantemente!!!


Saúde, amizade, liberdade

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

LIÇÕES DIFÍCEIS




Conta-nos textos inspirados que a Deusa era una no universo até que um dia gerou de si mesma Outro ser semelhante a Ela, mas diferente. Seu oposto e seu complemento. Ela o recebera primeiramente como Filho e depois como Amante. A partir então da união deles então surgem todas as coisas. No tempo certo, porém, seu Outro sucumbe e morre, retornando ao Ventre Sagrado. Mas não é o fim, porém, e sim um novo começo, renovado. O que seria um erro então se torna a salvação.


No Princípio

A Biologia reconhece este fato descrevendo uma das formas mais simples de reprodução é a divisão de si mesmo em duas partes. O único problema desta forma de reprodução é que ela não gera variedade, ou como gosto de chamar, aprendizado. Se todos forem iguais, todo sucumbem pelo mesmo mal.

Sem variedade só se tem a extinção. Mas então algo dá errado, e o que não programado acontece, surgindo alguem diferente. O fim chega somente para os que não se modificam. Quando esta mudança salva nossas vidas, nós a chamamos de evolução. Posteriormente inventamos o termo masculino e feminino, ele e ela. Mas biologicamente o masculino somente é um feminino diferente.


Tecnologia

Vivemos em uma sociedade onde dependemos profundamente de complexas máquinas. Quando pensamos em máquina, falo não só da calculadora ou do meu computador, mas de itens maiores como aviões, navios e redes elétricas.

Nossas primeiras máquinas, como lanças, fundas, arados facas de pedra também são formas de tecnologia, das quais tudo o que possuímos hoje descendem. Estes aparelhos nos permitiram sobreviver à Natureza que sempre exigiu seu quinhão de seus filhos.

Nossos remédios, instrumentos, máquinas e coberturas nos separaram gradativamente do mundo natural e aprendemos a criar outro meio-ambiente. Então despertamos nossa consciência, tomamos conta daquilo que chamaríamos de realidade. Apartados um pouco da Terra, apesar de para ela retornarmos e dela retirarmos nossa nutrição. E assim fazíamos com tudo a nossa volta: nossas casas, roupas e utensílios, tudo da terra nascia e para ela voltava.


Sociedade da saciedade

Mas a complexidade de nossa vida aumentou. E nossa separação também, afinal, nunca aceitamos o fim de nossa existência nem a dos nossos com bom grado. A morte nunca é bem vinda mesmo que inevitável. A separação do mundo veio a atender esta demanda, primeiramente: garantir uma existência mais estável e mais longa.

E quando conseguimos atingir um certo patamar de tempo de vida, nossa busca se direcionou para a saciedade dos sentidos. A sobrevivência estava assegurada, e era hora do prazer. Prazer nas artes, na convivência com o outro, conosco e com os bens que nos rodeavam.


Tudo que é de graça tem um preço

Como dito, a complexidade de nossas relações só aumentou, e a demanda pela segurança de uns e o prazer de outros só acompanhou. Ao mesmo tempo, o número de pessoas no mundo nos empurra em direção às fronteiras da terra, a conquistas de novos espaços e recursos. Pressionamos cada vez mais. Seguramos pelos pulsos Aquela que nos gerou e gritamos "mais, Mais, MAIS!"

Falamos todo dia nos jornais em "desenvolvimento". Achamos que as crises são desastres menores no caminho. Mas estamos desequilibrados, e mais agora do que nunca, porque somos muitos e nunca em nossa curta história estivemos tão distantes e violentos. Pequenos erros podem trazer grandes conseqüências devido a esta complexidade que criamos.


Perguntas Pertinentes

O fato que todo o desenvolvimento tem um patamar. E o que chamamos de crise é a volta do pêndulo. Cabe então a seguinte pergunta: * Demorará para percebemos que em muitos lugares do tempo e do espaço ou atingimos ou ultrapassamos os limites? * É possível aproveitar este recuo para aprendermos algo sobre nós e a Terra?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

DO CUIDAR




Quem ama, cuida. Um ditado simples repetido exaustivamente pela minha mãe quando eu largava meus brinquedos em algum lugar e eles desapareciam. Ou mudavam de dono! Rs! O mesmo pensamento se aplica ao mundo que nos cerca.


Bem-vindo a São Paulo

Nos dias mais secos, quem trafega pela Aírton Senna sente o cheiro que nosso descuido deixou no maior rio paulista, aquele que ajudou a desenhar os limites de nosso estado. O Rio Tietê no inverno é um esgoto. Com o baixo volume dágua devido a seca, os dejetos industriais e residenciais tomam contam do leito.

Nessas horas sinto vergonha quando trafego pela rodovia, vindo do Aeroporto Congonhas, com pessoas vindas de outras cidades, estados ou países. É uma prova que não fizemos nossa lição de casa ambiental.

Um olhar atento em suas margens, já em Sampa, é um tapa na cara: um furo no concreto de onde escorre uma água escura tem escrito em cima: córrego Fulano de Tal. Quem mora por aqui se acostumou a pensar em córregos como um esgoto à céu aberto. Ledo engano: córrego, regato, riacho... são sinônimos de vida natural, de água limpa com peixes nela. E um dia voltarão a sê-lo. Duvida?


Amor aos pedaços

Para cuidar é preciso amar. Amar a nós mesmos, aos nossos, aos outros. Amar nosso quarto, nossa casa, nossa rua, nossa quadra.

Não digo amar a cidade ou ao planeta porque para muitos uma cidade ou a Terra são porções muito grandes para se conceber como reais. Fiquemos então no palpável, certo?

Consegue amar sua quadra? Ótimo! Isto será uma garantia de que pelo menos, na sua quadra, você não fará a desova daquele sofá velho. Ame seu bairro (vamos lá, dê só mais esta esticadinha em sua imaginação!). Ame e cuide então deste pedaço do planeta Terra onde você mora!

Já é uma vitória, não? RS!

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot.

sábado, 28 de junho de 2008

DA ENTREGA



"Praticar a Religião é um ato de entrega e não é à toa que falamos de fé. Nada de filosofia de vida, esta coisa indefinível que não compromete ninguém. Sem entrega, sem esta leveza na alma, não há culto, não há religião."

Certa vez eu escrevi esta frase e quero confirma-la aqui: religião é um ato de entrega, no qual colocamos aquilo que carregamos no peito. Não são as luzes ou sacerdotes vistosos de fala fácil. É algo mais profundo e pessoal, ao mesmo tempo que é compartilhável. É uma paixão, inexplicável.

O mesmo é possível dizer sobre o movimento ambiental: não é somente a montagem de uma ONG que torna a defesa do meio ambiente viável, mas o compromisso diário e sincero em fazer coisas simples, cotidianas.


Lições da Mãe

A natureza ensina melhor, aprendi com a Deusa. E a natureza diz que o melhor é fazer as coisas pelo modo mais simples. O sol não se esforça para brilhar, nem as plantas para crescer. São coisas feitas (olha que óbvio!!!) naturalmente!

Este Fazer Melhor é algo que se realiza no cotidiano, nas ações corriqueiras, nas decisões que tomamos a cada passo, seja no trabalho, na escola, em casa.

Então fica a nota aqui: quando quiser que algo aconteça, seja simples começando por si mesmo, pois é assim que as montanhas e florestas agem.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

REATAR OS FIOS



Construir é difícil, reconstruir também.

Para construir muitas vezes necessita-se criar algo que nunca existiu antes, sem qualquer base ou experiência comprovada de que dará certo. Sendo novo, poucos nos dão crédito, sendo preciso provar a cada passo para viemos.


Reconstruir é refazer o novo com o entulho do velho. Quando nós dominamos o processo é uma maravilha, mas quando se é vítima de uma catástrofe, reconstruir não só é uma necessidade, mas um sacrifício pois temos que lidar com a dor no processo.

Reconstruir é levantar e continuar enquanto a platéia ainda está com a respiração presa.

Reatar os fios da teia como faz a aranha a cada chuva.



Para acompanhar, uma música que é uma
obra de engenharia.

sábado, 31 de maio de 2008

DA ÁRVORE DA VIDA




Já assistiram "
Sonhos", do cineasta Akira Kurosawa? Compostos de vários episódios, a obra c
onta de forma onírica os medos, anseios e alegrias de pessoas comuns em situações extraordinárias.

No episódio "Jardim das Pessegueiras" nos é apresentada a importância que esta árvore tem para a cultura japonesa pelos olhos de uma criança. Assista com áudio original, pois os diálogos só "funcionam" através da inconfundível entonação da língua nativa.


Pensando e repensando: se no Japão o pessegueiro assume esta força no inconsciente da nação, qual é a árvore que nos traduz enquanto povo? E como é isto para outras nações?


No Início

Não podemos começar este texto sem citar uma das mais fortes culturas presentes no imagin
ário popular brasileiro baseado na religiosidade judaico-cristã. Entre os judeus atuais há o costume de plantar árvores por conta de uma regra milenar.

Segundo este preceito, quando nasce um m
enino os parentes plantam um cedro; e se vem ao mundo uma menina, um cipreste. Quando dois jovens adultos se casam, os ramos destas árvores são cortados e usados para a construção de um hupá (ao lado). Este hábito ainda se mantém.

Em seus
textos sagrados há também diversas restrições quanto ao uso e manuseio de árvores.


"A Sabedoria nasce da mente pura"

Nos contam os textos budi
stas que o princípe Sidarta, cansado da vida palaciana, saiu para dar um passeio, logo ele que nunca deixara aqueles muros. Através do contato que teve com a velhice, pobreza e morte expostas nas ruas de seu reino, percebera que a vida era diferente daquilo que conhecia e inquietou-se.

Mas ao se deparar com a paz de um eremita que meditava percebera que era possível encontra-la para si. Sidarta resolveu deixar sua esposa e filho e buscar tal quietude para sua alma. Viveu anos na floresta e, encostado em uma figueira, finalmente encontrara sua Revela
ção.


Visita dos Antigos

As nações do Oiapoque são protegidas pelos Karuãna, os Antigos, que visitam este mundo graças ao Turé, mastro que liga Nosso Mundo ao Outro. Quando as chuvas escasseiam, uma reunião é realizada envolta deste mastro.

Os Karuãna, andando entre os vivos, bebem do caxiri e confabulam com os pajés durante a comemoração que se dá entre todos os membros do povo. Estas festas tem como objetivo a obtenção de favores e a defesa contra outros Karuãna desejosos de lhes fazer maldades.


Pensamento e Memória


Poucas árvores tiveram tamanho destaque e importância para o Divino como Yggdrasil, a árvore que ligava vários mundos segundo os povos norte-europeus. Seus frutos curavam doenças, suas folhas revertiam a morte. As raízes, t
ronco e galhos sustentavam reinos divinos dos vikings.

E não foi à toa que Loki, para derrotar Odin e os Aesir, entre outras coisas, tratou de derrubar este maravilhoso ecossistema, que acabou consumido pelas chamas do Ragnarok, assim como o resto do universo. Mas das cinzas do velho mundo e das raízes desta grande árvore a vida renasce.


Símbolos

Quem nunca se extasiou ao passar pelas ruas da cidade, com o chão forrado de flores amarelas que não estavam ali a poucos dias? É assim em frente de casa, por exemplo. Muitos perceberam que falo do ipê, que já foi a árvore-símbolo do país.

Não raro pensamos que estão mort
as, pois sua aparência ressequida e geralmente sem folhas induzem a tal julgamento. Mas em uma explosão de cor, enfeitam a bem-aventurada calçada que as recebe. Oriunda do cerrado, além de resistente ela se adéqua facilmente ao ritmo da cidade, pois suas raízes não quebram calçadas. Além de lindas, as cascas segundo a sabedoria do povo, possuem propriedades curativas.

Não se pode deixar de falar, logicamente, da árvore que nos empresta seu nome, o pau-brasil. No Bosque Maia, na nossa cidade, existe um exemplar desta espécie que, durante décadas, ajudou a criar riquezas devido a sua
madeira resistente e a brasileína, um tipo de pigmentação.

Há uma controvérsia envolvendo estas duas grandes árvores nacionais e sobre qual delas deve ser o símbolo nacional definitivo. Confesso que neste pódio, ambas dividem o primeiro lugar!!!

Não só nosso país possui nome de árvores. Bairros paulistanos como Cambuci e Pinheiros também possuem esta honra e lutam para que mais destas árvores vivam entre a população.


E você?

Quantas árvores existem na sua rua? Sabia que elas ajudam a refrescar o ambiente graças a evaporação realizada pelas folhas no verão, e a umidificar o ar no inverno? Que a secretaria do Meio-Ambiente de sua cidade possui mudas e cursos gratuitos na área?

Vamos fazer parte desta teia?

Ah, segue um vídeo muito bom, som de infância, com Liu e Léu, chamado O Ipê e o Prisioneiro. Se tiver preconceito contra o som da terra, vença-o e assista!