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Pátria-mãe não é um termo estranho? Se a pátria é mãe, a geradora, então devia se chamar mátria, que é muito mais coerente em termos linguísticos. Só que chama-la de mátria incorreria em alguns problemas no consciente coletivo da nação. Afinal quem mais usa o errôneo termo são militares e políticos. E pátria envolve algo de bélico, de guerreiro. De patrão.
Terra Arrasada
As pátrias são organismos curiosos na geopolítica mundial. Nasceram para expandir seu território e invadir as outras pátrias. Mas uma mãe deseja que seus filhos saiam por aí para morrer em prol de desejos expansionistas de velhos decrépitos? Ela quer nutri-los e cuidar de sua vida pacata. Não se planta e colhe numa terra devastada, e são justamente os pobres, camponeses, os caipiras que primeiro perdem na ocupação. Seja pela invasão do exército inimigo, seja pela tática de "terra arrasada" que se implementa durante a fuga da guerra.
Uma mãe deseja que seus campos se cubram de flores e grãos, não de sangue dos mais jovens. Uma mãe ama os seus e os dos outros também, e divide o prato porque conhece a fome e a privação de todos os tipos.
Uma mãe deseja que seus filhos tenham orgulho sim, mas não o que nasceu da morte e da destruição. Há batalhas onde a honra pode ser evocada e que não envolvem a morte de milhares, destruição de florestas por agente laranja ou bombas inteligentes que acertam ônibus com crianças.
Todas as Mães são Uma
Uma mãe tem interesse na vida e na continuidade dela, seja na sua casa ou na alheia. Não é à toa de a Deusa dos bretões é a própria ilha, a Bretanha. Não é à toa que Ísis é o trono, a terra, a nação. E o faraó se submetia a ela se quisesse governar. Não é à toa que na obra de Ariano Suassuna "O Auto da Compadecida", Maria intercede por todos. No final, todas as mães se reconhecem. Todas as mães se tornam uma só.
Não é à toa que se coloca a mãe no meio da pátria quando esta é atacada. Pois ninguém gosta de guerra, mas quando se mexe com a Mãe todos pegam em armas. Pais adoram uma disputa. Mães preferem sentar e bater um bom papo para resolver os problemas pois só com entendimento entre as casas é possível fazer o que é realmente útil: viver.
É por causa destes fatos que não quero pátria, quero mátria.
Na mátria não lutamos pela honra, mas para que todos tenham dignidade.
Que maravilha ter um homem participando da blogagem!!Estamos muito felizes com sua contrubuição q não somente hoje, mas sempre é importante!
ResponderExcluirBjos!
PS: poderia penas acrescentar o texto da blogagem coletiva e o o link do Alma Rubra? É para as pessoas saberrem onde éa fonte disso tudo!
Bjos again!
Ah, perdi a chance. Mas espero participar de outras blogagens.
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