Na Espanha de Miguel de Cervantesencontramos o Cavaleiro da Triste Figura, Dom Quixote, fidalgo e leitor assíduo dos romances de cavalaria medievais. Cervantes usa o textopara criticar sua época e estas obras que ele julgava menores. Tomando para si os princípios do cavaleiro andante, nosso personagem decide sair pelo mundo a combater o mal, tendo um final melancólico. Como contraponto ao seu sonhador patrão, Sancho Pança sempre tenta chama-lo à realidade.
Nesta Terra Brasilis encontramos Macunaíma, deMario de Andrade, o nosso herói sem nenhum caráter que dispensa maiores apresentações.
Cada ser humano, povo e época decide por si o que é um herói e como reconhece-lo em meio a multidão. O que seria para você um herói hoje?
Ouvidos atentos Incrível os ensinamentos que obtemos quando nossa mente está alerta, não? A inspiração deste texto veio de um papo que tive com uma ciberamiga, aBrawen. Falávamos da novela global Eterna Magia, e o assunto descambou para o Tarot, não sei como! Antes de ser um método adivinhatório, suas lâminas contam uma história antiqüíssima. Quem as dispuser seus arcanos em uma determinada ordem verá "a caminhada da alma humana rumo o iluminação", como diria Arcano 8.
Uma estória que se inicia com o Louco, ser alheio ao seu entorno, e que termina com o Mundo, representando a perfeição, a obra completa. Mas apenas para, como a Pedra de Sísifo, como as mandalas budistas, ser desfeito e reiniciar a roda da vida ao modo do Louco.
Levanta-te e anda!
Um herói não se dá conta de suas habilidades, mas é impulsionado a isto. Geralmente é ou se sente órfão do mundo e, portanto, não possui qualquer vínculo com a velha ordem que ele certamente mudará. O impulso é externo, uma necessidade contra a qual ele não pode fugir e sobre a qual precisa sobreviver. Pela vida ele luta, buscando novas armas e alianças. Qualidades que até então desconhecia e só lhe atrapalhavam agora afloram como respostas às demandas. O conhecimento que ele acessa, porém, não é para os fracos. E nada nos é dado sem que algo seja devolvido. Então temos o trabalho sagrado, sagrado ofício, sacro ofício, sacrifício. É a transmutação, a saída da crisálida. Como Wotan/Odin, que para conseguir o conhecimento das runas, pendurou-se na Árvore da Vida por nove dias. E para beber da fonte da Sabedoria, perdeu um olho.
Se ele algum dia desejou esquecer toda esta loucura, é tarde. Este é o ponto sem retorno da alma humana, onde a meta não é mais a mera sobrevivência, mas a destruição do antigo, do arcaico, ou a dominação do caos. Nosso herói não é mais senhor de seus atos, mas ferramenta de forças que o conduz rumo ao embate final.
Uma nova dança
Então temos o choque das galáxias, forças gigantescas, do bem e do mal, que finalmente se enfrentam para fazer tremer céus e terra. Antigas regras são quebradas pois nada assim surgiu antes na realidade. Uma lufada de destruição e renovação varre o mundo de modo a deixar sua marca para sempre no imaginário popular.
Canções épicas contarão sobre feitos incríveis realizados por figuras cuja a nobreza transcenderia o comum. Obra de verdadeiros gigantes.
É aqui nosso herói também encontra seu fim.
Como ponte entre o velho e o novo ele não encontrará lugar nesta realidade virginal. Seu destino e rumo agora é ser o cruzeiro-do-sul dos que sobreviveram a hecatombe. Sobre ele serão escritas histórias, que virarão lendas, que se tornarão mitos.
Solidão
Mais uma vez, mesmo entre os grande de todas as eras, nosso herói estará só, tendo como companhia somente o próprio Ser. Suas cicatrizes serão a história viva de seus feitos impressos no corpo, pois nenhuma palavra será capaz de traduzir as coisas que leva no peito. Ser herói enfim é o papel de todos, mas poucos são os que percebem.
Leitura Recomendada No blog Insano [clique AQUI] há uma leitura interessante sobre este assunto:
"Na verdade creio que não só uma crença, mas uma necessidade, a idéia do divino na forma de homem em plena forma que se sacrifica, ressuscita a idéia do “Mito do Herói” que é de extrema importância para o desenvolvimento masculino."
Às vezes sinto nos pagãos atuais uma certa indolência, aquela coisa modorrenta que se costuma atribuir aos amigos baianos. Se tomarmos o Orkut como verdade pode-se ver o quanto o povo gosta da própria cama, não é ligado aos esportes ou qualquer atividade que lembre a ar livre.
Ora, vida sedentária não só é danosa do ponto de vista físico como retarda ou atrofia nossa porção espiritual. Lembre-se que as divindades encontram-se são imanentes, estão por toda a a parte. E não só aí no seu quarto ou sala de estar. Como ser um culto voltado à natureza se não se está em contato com ela?
Além do quê, como encontrar os outros como nós se não botamos a cara na rua?
Há um sol ou uma lua lá fora. Talvez neste momento chova ou faça frio na cidade onde está. Não importa. Seja para sentir o vento ou se arrepiar com os raios, daqui a pouco vá lá fora e cheire o ar.
Catedral é uma banda que me surpreende. Surpreenda-se também!
Afim de comentar o tema é preciso determinar antes o que é mundo, e o que é fim. Entre as classificações dadas pelo Aurélio, há uma que se encaixa no significado cotidiano: mundo é sociedade, a o tempo contemporâneo. E fim é a conclusão de algo, entre outras explicações.
Para mim, estes dois significados se complementam no pensar pagão.Mas antes, falemos sobre como a forma de pensar da religião majoritária define o Fim do Mundo. Afinal, ela nos influencia de um modo ou de outro!
O povo fala por aí que...A tradição religiosa majoritária de nosso país diz que no Princípio era o Caos. Então a Divindade criou o Céus, a Terra, vegetação, animais e humanos.
O curioso nesta história é que apesar dos registros relatarem um casal primordial e dois filhos (e um foi morto), o remanescente parte pra se casar em outra freguesia...
Epa! Então tinha mais gente no mundo? Haviam outras famílias? De onde vieram, se o relato não fala nada disso?
Ora, sem duvida o escritor falava da criação daquele mundo em especial, onde o povo compartilhava uma cultura (língua, religião, hábitos alimentares) e espaço físico comuns. Consequentemente, o final deste mundo, descrito com riqueza de detalhes alegóricos centenas de anos depois, se relaciona com o término desta cultura em especial (apesar dela, hoje, ter se disseminado pelo planeta).
Na Mesoamérica Os sacerdotes e astrônomos maias possuíam um modo peculiar para determinar o fins das eras usando o conhecimento das estrelas. Tendo Vésper (ou Vênus), como referência, afirmavam que cada período iniciava-se com o surgimento deste astro no horizonte.
Consequentemente, seu desaparecimento determinava o fim de uma era, no nosso caso, a Era do Jaguar. A cultura maia determina 22 de dezembro 2012, como o fim do mundo. Como é uma data relativamente próxima, quem viver verá.
Ragnarok Não, car@ Leitor@! Não é o jogo, mas o evento que trouxe a destruição ao Universo após uma luta mortal entre Odin e os Aesir contra Loki e os Gigantes segundo o pensamento nórdico. Um casal de humanos sobrevive ao final desta era, iniciando a repovoamento da terra (um, já li isso... )
Aqui houve um fim, mas também um reinício.
Enquanto isto, na Bretanha Os celtas não deixaram relatos sobre Divindades criadoras. Boa parte de nosso conhecimento sobre eles e a Bretanha, também identificada com a Deusa, fala somente de ocupações sucessivas de povos célticos (os cruithne, fir bolg, os lagin etc. ), e aparente despreocupação com teorias apocalípticas.
Antes mesmos dos celtas supõe-se que moravam na ilha um povo mais antigo, cujo o nome se perdera no tempo, mas a quem os romanos tiveram que enfrentar em lutas ferozes na Escócia. Como este povo de estatura pequena e de pele amarela pintava o corpo de azul, ganharam o nome latino de Pictos, ou os pintados.
Partindo deste princípio afirmaria-se, que para o povo celta, a Terra não fora criada mas sempre existiu. E sempre existirá, aguardando somente a próxima invasão.
Entre os gregos O fim dos tempos, do ponto de vista grego sobre o divino, significa substituição, sendo notadamente patriarcal. Às vezes esta troca é pacífica, onde um Deus velho é substituído por um novo, geralmente um filho ou irmão.
Por vezes é violento, mesmo quando envolve parentes próximos. Haja visto as divindades olímpicas. Gaia gera com Urano vários filhos, entre eles Rea e Cronos. Sentindo-se ameaçado, Urano os devorava. Cronos castra Urano, libera os irmãos e casa-se com Rea.
Com ela tem filhos, e com eles vem o medo de deposição. Entre os rebentos está Zeus, que derruba o pai tal qual aconteceu com Urano. Os gregos associavam cada deposição com uma era, sendo a era de Urano a de Ouro.
E conosco?
11 de agosto de 1999. Era quarta-feira, acho. Fazia um lindo dia de sol, quente e claro. O céu estava tão azul... Mas ainda sim havia um contraste nas sombras. Elas estavam mais escuras, como se algo fosse pular delas e me agarrar antes que eu chegasse no ponto de ônibus.
O motivo é que um eclipse estava marcado para aquele dia, o último do século. Nada de mais, só mais um maravilhoso evento astronômico. Porém, cruzaram este fato com profecias nostradâmicas e uma certa histeria tomou conta da sociedade ocidental. E de tando se noticiar a baboseira que aquele dia bonito não foi aproveitado em toda sua plenitude.
Quando o cometa de Halley cruzou os céus em 1910 também houve o mesmo pânico apesar de já estarmos em uma sociedade medianamente esclarecida sobre estes fenômenos.
Isto sem contar o sr Wells e sua transmissão radiofônica da invasão marciana nos E. U. A. Há sempre explicações para o fim do mundo. Então ganhei um certo ceticismo com o tema.
Fora que o termo "fim do mundo" é muito genérico. Que mundo é este que se acabará? E será segundo o calendário gregoriano, maia, juliano, judeu, chinês...
Outras preocupações Nossa divindades, notadamente pagãs, não possuem uma função administrativa como Zeus, Rá ou Odin. São Deuses e Deusas eram cultuados nos tempos antigos por trabalhadores da terra, não por governantes, sacerdotes profissionais ou guerreiros. Portanto não havia trono pelo qual batalhar nem posições a se manter pela eternidade.
Suas preocupações portanto giravam em torno da satisfação de necessidades mais imediatas, entre elas o plantar e comer, e assuntos ligados a elas. O mundo não começa ou acabava. Apenas os ciclos se interpunham, indefinidamente. Hoje não plantamos o que comemos, mas somos herdeiros culturais dos antigos pagãos, apesar de nem sempre tomarmos consciência deste fato simples.
Um aspecto interessante na Wicca é que seus membros não esperam por retornos de grandes homens ou datas específicas para transformar a Terra em um paraíso que tantos povos almejam. Se quisermos a vida boa ela nasce de nossa consciência & ação.
Eu aprendo todos os dias que sempre caminhamos na fronteira entre uma vida plena e a devastação. Tudo depende de nossa posição pessoal frente as diversas necessidades que a vida apresenta. A cada papel jogado no chão, a cada árvore derrubada, a cada ato violento impedido, um novo mundo se cria em torno de nós. Isto é uma luta diária, não uma condição eterna.
E esta luta é travada por todos, sem exceção. Basta apenas que tomemos consciência disto a cada momento e não em uma data específica, segundo alinhamentos astronômicos. Poderíamos viver na plenitude desde 2002, 1992, 1882... A questão é saber se o Universo decidirá quando isto se realizará ou se nós tomaremos as rédeas do Carro.
Como pessoas cientes dos movimentos no micro e macrocosmos, esta é uma oportunidade de aproveitar a crendice da população que há uma data específica universal para a busca da Felicidade e que o Universo marcará como um gigantesco relógio nos céus. Mas, cá entre nós, 2012 para muitos iniciou-se há muito tempo.
Reconhecemos a verdade do ciclo, da espiral, do reinício, ao invés do final abrupto e violento. O apocalipse não nos tira o sono. Ao menos, não o meu. O mundo que conheço terminará quando esta minha existência terminar. Mas após um mergulho no seio do Divino voltarei renovado, vivo em cada ser deste universo.
Só espero deixar um mundo melhor que eu encontrei para que, quando voltar, não tenha muita sujeira pra limpar.
Saúde, amizade, liberdade.
E ó, eu como os antigos egipcios, tenho mais medo de Apophis, a serpente com quem Rá luta desde a aurora dos tempo!
Era uma tarde quente do início de março. O sol ardia sobre a pele e o ar, seco enquanto descia a rua Mãe dos Homens e cruzava a avenida Salgado Filho. Ao longe eu avistava árvores e ansiava por sua proteção. Meu rumo era o Bosque Maia, afim de preparar o encontro do dia 25, um domingo.
Cruzo o portão lateral e sinto a brisa fresca que traz cheiros de madeira e outros perfumes. Lavo o rosto, pescoço e braços no bebedouro do parque. Chego a administração e converso com os responsáveis, já velhos conhecidos. Tudo ok na documentação, faltando somente a assinatura do secretário de meio-ambiente. Há tempo hábil e não me preocupo.
Por curiosidade, olho a agenda de eventos do espaço Gilmar Lopes, local de nossos encontros há alguns anos, e constato que está quase vazia. Somente o Semente Sagrada usaria o espaço em março.
Ao sair, me encaminho até lá e subo os degraus de cimento, no mesmo lugar onde concentramos, onde posicionamos nosso altar. Observo as pessoas que descansam na pequena arquibancadas, com as árvores atrás e o céu nos protegendo. Então rápidas lembranças surgem.
Lembranças de rituais passados, de pessoas que sempre vejo e outros que desaparecem nas brumas do tempo. Lembranças de calores sufocantes ou ventos gélidos, de dias de chuva ou de céu limpo. Faz tantos anos... Lembrei de meus temores em expor aquilo que fazíamos entre quatro paredes ali, para o escrutínio público. Lembro do coração acelerado e do "seja o que a Deusa quiser", quando meus argumentos não surtiam efeito. Se fosse para dançar, que dancemos todos então. É curioso ver agora que somos parte da paisagem de tempos em tempos.
Penso nos pagãos que se reuniam no mesmo dia em outros locais do mundo. Penso nos que não podiam e não podem, por doença ou incapacidades de várias ordens (e oro por eles). Penso naqueles que o faziam à noite e em segredo, enquanto eu tenho apoio de minha cidade (e oro por eles). Penso naqueles que pegarão o bastão quando já não pudermos mais. Orarão por nós?
A barca solar ruma ao horizonte, levando consigo minhas orações. Que alcancem a todos.
"Sempre que um local tenha tido orações e desejos concentrados direcionados à ele, formasse um vértice elétrico que atrai para si uma força e que se torna por um tempo um corpo coerente que pode ser utilizado pelo ser humano.
É ao redor desses corpos de força que templos, locais de culto e, posteriormente, igrejas são erguidos; são cálices que recebem um derramamento cósmico focalizado em cada local específico."
Mas, se tomarmos como exemplo as páginas da Web (e, pela Deusa, espero que se restrinjam a elas), temos uma grande massa de protopagãos ou preguiçosos ou despreparados.
Além de serem incapazes de se aproximarem de outros no mundo real, quando o fazem no virtual é para pedir Feitiços&Encantos. Desdenham assim do Divino, e dos pagãos que levam o sacerdócio à sério.
Feitiços não surgem escritos em pedras ou talhados nas cascas de árvores milenares.
São criados a partir de experiências das pessoas que deles precisam. Acreditamos então que estes são um tanto pessoais. Logo, as ferramentas que servem a alguns não se adequariam a outros.
Aproveitando Ampliando o assunto, qualquer pagão praticante, que estudou e vive sua rotina religiosa, sabe criar um feitiço. E para nós, saber faze-lo é estar habilitado a realiza-lo.
Mas se alguém não sabe criar não conhece os elementos principais de um ato mágico. E isto é temeroso.
Detestaríamos ver essas mesmas pessoas naqueles programas da madrugada, dizendo ao pastor: a Wicca desgraçou minha vida. Seja porque o ato mágico não deu certo, ou porque deu certo até demais.
Se não sabem fazer magia, não busquem receitas. Além do quê, nossa religião vai além de fazer do Divino um setor de serviços.