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quinta-feira, 29 de abril de 2010

MULHERES EM MARCHA!




“As mudanças climáticas afetam de maneira direta as condições de vida e de trabalho das mulheres, particularmente por sua proximidade aos elementos de vida, como a agricultura, seu contato com a água e para poder cumprir com o ciclo de cuidado da vida que lhe foi transferido como responsabilidade prioritária.

"Nosso papel na alimentação é fundamental, é um dos âmbitos mais afetados; e em todo o ciclo do plantio e de colheita, de processamento de alimentos e no espaço urbano na provisão de alimentos do dia a dia, são geradas situações de escassez e carência, tudo isso torna mais complexa a situação de trabalho das mulheres”


Magdalena León, Coordenadora da REMTE (Rede Mulheres Transformando a Economia do Equador)

Eis um evento não muito divulgado pela grande mídia mas que merece meu destaque: a Marcha Mundial das Mulheres. Afinal, quem deseja que metade do planeta tome consciência de sua própria força?

A frase acima foi proferida em um dos encontros destas mulheres guerreiras realizado em Cochabamba, na Bolívia.
O argumento é simples: boa parte das populações humanas ainda vive da agricultura de subsistência, extravismo ou outros que, em geral, é administrada pela mulher.

Isso quando a própria não é a chefe da família, o que é muito comum nos países em guerra.
Nas reportagens de países assolados por algum evento natural mais pesado, como deslizamentos ou terremotos, ou furacões. Cabem a elas por a casa em ordem toda vez.

Devolver a rotina à família. Logo elas são as primeiras a serem afetadas e as últimas a terminar de trabalhar. Por isso são as que melhor conhecem os ciclos do sol e da lua. Até porque elas os vivem em seu útero, no caso do último. Elas tem que sabe-lo para melhor se prepararem para o impacto, entrando aí a intuição.


E a intuição mais uma vez a levou por caminhos inusitados. E estes caminhos seguem em várias direções, como as Marchas mostram. Cliquem nos links e acompanhem as ideias.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

APENAS UM DEVANEIO...




Envolvido com a Deusa, liguei-me mais fortemente à terra. Envolvido com a Terra, inevitavelmente compadeço-me com as pessoas. Sou pagão por escolha, por princípio. Sendo pagão recuso o aristocrático, o mandatário e o hierárquico. Para mim foi fácil, pois já vinha de movimentos sociais de bases libertárias, anarquistas, e na Religião da Deusa sentamos em círculo para louvar Seu Nome. Ligado assim as pessoas, principalmente as mais simples, ou aquelas mais sensíveis às mudanças, liguei-me também à causa feminina, ainda que não seja mulher.


E talvez por olhar de fora eu veja coisas e tenha devaneios que as mulheres, e principalmente àquelas ligadas à Religião, não tenham visto ou ainda não verbalizaram (cara, isso era para ser um texto curto!). Agora que mulheres jovens foram colocadas no patamar de cachorras, com o apoio de muitas, devo ressaltar; agora que elas morrem mais diante das câmeras; agora que as famílias são por elas capitaneadas apesar de seu "treinamento" quando crianças não envolver comandar nada além de berços e fogões; agora que muitas instituições financeiras só negociam com a mulher na família por esta oferecer mais estabilidade na hora dos pagamentos, sinto que é hora de um novo salto.



Clube do Bolinha



Homens, quando querem decidir, ou ao menos se esconder, fazem uso de associações masculinas para conforto e proteção: clubes de caça, times de futebol e outros jogos de guerra. Não raro estas organizações oferecerem também em paralelo algum tipo de apoio emocional ou financeiro quando um de seus membros está em dificuldades. Ou ressaltam suas qualidades nos tempos de vacas gordas. Nos últimos anos, olhando para as diversas mulheres que compõem a nossa comunidade, percebo que não existe entre elas esta mesma organização de amparo. Sim, existem as instituições oficiais municipais e estaduais.

Mas falo de algo mais pessoal, profundo e cujo nome eu ainda não encontrei mas que está aqui na ponta dos dedos, pronto para sair.
Muitas delas, por várias questões, perderam suas casas e viveram ou vivem situações de risco. Isto porque um homem quando se encontra nestas se vira melhor: o mundo vive sob seu status quo. Para ele urinar na rua, por exemplo, basta parar em um poste à meia-luz, rs! Mas o mesmo não acontece no universo feminino. Muitas sequer conseguem sair sozinhas de casa pois sentem-se desprotegidas. Imagine então o que é perder o lar e ficar só? A situação se complica se há filhos.

 

O Espiritual é Político

Sabe aquela palavra que estava na ponta de meus dedos? Eles disseram no teclado "casa de apoio". Não sei bem se é este o termo, mas acredito que um lugar de passagem onde se possa receber uma refeição, uma cama e que seja gerido por mulheres já é um bom começo.

Isso passa pela quebra de um conceito de que só pode haver uma princesa e todas as outras mulheres do mundo são bruxas malvadas, madrastas sanguinárias e invejosas em geral. As mulheres têm que declarar trégua entre elas, romperem seus complexos de Cinderela e darem os braços novamente, sob a luz da Lua. Em cada cozinha uma trincheira.

E não consigo imaginar as mulheres-bruxas fora deste embate, talvez até à frente desta nova onda de feministas que agora trata os homens como parceiros na derrocada do patriarcado. Porque nós também estamos cansados disso tudo, acreditem!

Mas como disse lá no começo... sou apenas um homem e isto é só um devaneio.


Leia também algumas ideias sobre o Macho-Alfa.

E, para inspirar a luta, um vídeo da nossa amiga Amanda.





sexta-feira, 16 de abril de 2010

NOSSO PAPEL




“As mudanças climáticas afetam de maneira direta as condições de vida e de trabalho das mulheres, particularmente por sua proximidade aos elementos de vida, como a agricultura, seu contato com a água e para poder cumprir com o ciclo de cuidado da vida que lhe foi transferido como responsabilidade prioritária”
Magdalena León

Responsáveis pela manutenção do lar enquanto os homens saem para caçar, sejam alces ou máquinas pesadas, fica a cargo das mulheres a sutil dança com os ciclos do mundo. Lembro de minha mãe olhando para o céu e dizendo para mim: leva guarda-chuva filho pois vai chover. Ou das panelas areadas brilhando ao sol, refletindo sua luz nas paredes da casa. De intuir a hora em que meu irmão caçula dormia e acordava antes mesmo dele o fazê-lo. E aqui falo apenas de uma família que reside no meio urbano. 



Há os ciclos das nuvens e dos astros para as pessoas que dependem dos frutos da terra, onde saber essas coisas é a diferença entre a fartura e a fome.

Penso o quanto nossa vida se distanciou dos ciclos quando inventamos a luz elétrica ou a água encanada no mundo ocidental. A gente aperta um botão e as coisas acontecem como mágica. Mas é um mistério bem explicado, calculado e com sérios custos. Cada vez que fazemos tais coisas imprimimos uma digital no mundo. Gostaria de falar diferente, que o aquecimento global não é de nossa responsabilidade. Que o que acontece com o gelo ártico, tão longe de nós, não tem nada a ver com a gente e que podemos levar nossa vida despreocupadamente. Mas não é bem assim.

E mesmo que assim o fosse, não explicaria ações nulas em nível local, como separação de material reciclável limpo para catadores de bairro, por exemplo. Ou, com o espaço adequado, uso de material orgânico na compostagem.





Culpa ou "responsa"?

Responsabilidade, lógico! A culpa pressupõe que somos crianças diante das coisas, que não temos controle sobre nossos atos e que agimos por impulsos incontroláveis. Inverdades.
Exceto em casos patológicos, somos sabedores de nossos atos a cada passo da Caminhada. Atribuir a outros nossas faltas, ou autojulgarmos incapazes de uma ação consciente é enganar a si e a os que lucram com esta insensatez!

Claro que não peço mortificações e sacrifícios no sentido de colocar em risco saúde ou bem-estar. Mas a separação entre o sadio e o supérfluo deve ser feita. Se não por questões ecológicas, ao menos pelas econômicas. E quando se mexe com o bolso as pessoas se movem, não? Rs!

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot

domingo, 11 de abril de 2010

CAMPANHA POR NITERÓI




A pedido da amiga bruxa e blogueira Hyvi, do Santuário Wicca, deixo aqui um contato para todos os visitantes do blog para que solidarializem com as famílias atingidas pelas tempestades fluminenses.

A Ceifadora vem e colhe, isto é um fato. Reconheço com humildade a minha pequenez diante deste plano cósmico. Mas isso não impede que minimizemos a dor dos que ficaram para chorar os mortos e reconstruir a vida.

Este reiniciar começa pelo ânimo. Relembrem os momentos que mais precisaram de um apoio e esta mão surgiu na escuridão, agarrou a sua e disse "vem", levando-o à luz.

Seja agora esta mão.

Ajude.

Se não conhece nehuma pessoa ou organização, clique no link acima e saiba como.


Obrigado!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

DA TERRA SANTA



A única Terra Santa que conheço
O presidente Lula visitou a região conhecida por  cristãos, judeus e muçulmanos como Terra Santa nestes dias e deu lá suas opiniões sobre o processo de paz no Oriente Médio. Após ler esta matéria do jornal um pensamento que estalou na cabeça: poxa, aqui as culturas árabe e judaica convivem numa boa. Qual é o problema então?

O que me leva a um programa da tevê paga chamado Zonas de Guerra, onde no episódio chamado "Irã" é mostrada a vida dos judeus no país. Segundo o programa, eles tem até cadeira no parlamento! Isso em um país que vive ameaçando o estado judaico!

O que me ligou a um comercial recente onde meninos, filhos de culturas diferentes, se unem ao redor de uma paixão comum.

E de tanto trançar pensamentos eu me perguntei realmente: o que é uma terra santa?


Vamos ser simples?

Bem, a coisa pode ser simples ou complexa. Se for para complicar podemos juntar neste caldeirão questões históricas, culturais, religiosas e políticas para afirmar que ali é a terra santa porque lá caminharam determinadas figuras importantes para as culturas cristã, muçulmana e judia. Curiosamente é um pedaço de terra no meio do deserto se retirarmos todos o itens citados acima. Não é como um lugar que conhecemos bem, que onde se planta tudo dá, rs.

E mais: afirmar que um pedaço de terra é um lugar santo permite outro pensamento: que outros lugares não são sagrados. O que é algo altamente questionável. Como não ver toda esta nave azul como sagrada?

Como wiccano eu percebo a terra inteira como sacra, não somente o lugar onde moro ou certos sítios onde grandes pessoas viveram ou vivem.

É fato que um de meus sonhos de consumo de turismo sagrado é molhar meus pés no Rio Nilo. Mas sei que o Nilo vive aqui aqui também, no meu Tietê tão sofrido. Chamado de Rio Grande em língua tupi, vejo em suas águas também o reflexo do Rio Ganges, do Rio Amarelo, do Volga, do Eufrates. O sagrado está em tudo que enxergo.

Estendo o mesmo pensamento então para a terra que toca meus pés agora. Minha terra sagrada é nela onde moram meus sapatos. É nela que que faço meus rituais e saúdo o Divino.


Primos próximos
Como os fatos mostram, estas culturas não são necessariamente inimigas. São, isso sim, profundamente aparentadas pois possuem um "ancestral comum", que é Abraão!


Abraão (em hebraico: אברהם, Avraham ou ’Abhrāhām) é um personagem bíblico citado no Livro do Gênesis a partir do qual se desenvolveram três das maiores vertentes religiosas da humanidade: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Fonte Wikipedia.


Toda a questão gira em torno de governo, de fronteiras, desta invenção humana que separa amigos e famílias. As pessoas comuns desejam somente viver em paz.

Quem sabe se pensarmos acima e além de nossos governantes, percebamos os caminhos para a convivência em comum? Será presunção minha desejar que os povos irmãos que vivem ali percebam esta verdade simples? Talvez sim.

Mas se desejo, há de se realizar! Desejemos juntos nesta Terra Santa que é nosso planeta azul!

Saúde, amizade, liberdade.