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domingo, 14 de agosto de 2011

DIA DO PAI







Olá a tod@s!


Quero dividir uns pensamentos com vocês nascido neste do dia dos Pais, comemorado aqui no Brasil no segundo domingo de agosto. A data muda de país para país, sendo comemorado no 3º domingo de junho nos EUA, e em março em Portugal (veja AQUI). A data nasceu da gratidão de uma filha, Sonora Luise (veja AQUI), ao amor de seu pai que a criou quando a mãe faleceu prematuramente:


"Foi seu pai quem fez todos os sacrifícios e foi, aos olhos de sua filha, corajoso, altruísta e amoroso. O pai de Sonora nasceu em junho, então ela escolheu fazer a primeira comemoração do dia dos pais no dia 19 de junho de 1910, em Spokane, Washington."


Um destes pensamentos evoca o meu próprio pai, falecido a 20 e tantos anos e de quem lembro continuamente, mais agora nestes últimos anos uma vez que a idade se aproxima e as prioridades em minha vida mudam de eixo. Meu pai não fora um exemplo para a classe, mas era meu. As brigas com minha mãe sacudiam a família e nos levavam a divisões internas até hoje inconciliáveis. Sua morte prematura (tinha pouco mais de 40 anos), marcou minha adolescência ao apresentar pela primeira vez a face fria da morte. Devido a isto guardo com carinho os momentos que vivemos e tiro das lembranças exemplos edificantes. 


Com esta bagagem observo a questão de ser pai hoje, a começar pelo Grande Pai Celestial.


Através do contato que tive com o paganismo wiccano, aprendi que em termos divinos, também sou um filho da Mãe, rs! O receituário cristão diz que somos filhos das ordens que um Pai distante deu à criação, permeados de teste improváveis, punições descabidas e sacrifícios duvidosos dos filhos para pagamentos de dívidas onde o credor é ele mesmo. neste ponto concordo com um grande autor pagão, que diz:


"Está na hora de todos os conceitos religiosos humanos procurarem alcançar a maré de mudanças, devolvendo ao Deus divorciado a consorte que foi banida."


O Deus dos Magos, de Stewart Farrar



Na Terra somos filhos de uma reprodução sexuada e precisamos psiquicamente de um casal para nos dar um suporte adequado: de um lado o Rigor e do outro a Ternura. A nossa vida é a eterna construção e manutenção da ponte que une estes dois pólos. Rigor demais nos leva a aridez dos desertos, e Ternura demais à estagnação dos pântanos. Quem fica para criar a prole tem a difícil tarefa de reunir estas duas qualidades e são poucas as pessoas ou Divindades que conseguem tal feito.


Ao mesmo tempo, manter uma existência à dois onde literalmente se dorme com o inimigo também não é nada salutar para a família. Principalmente quando a guerra se estende aos filhos, obrigando-os a escolher um dos lados. O divórcio deve se restringir ao marido e esposa, mas ninguém se divorcia dos filhos, que são um contrato inviolável que só deve ser quebrado com a morte. Afinal, ninguém pede para nascer. Mas o que vejo são mães e pais, principalmente jovens, insatisfeitos com o casamento e fazendo isto repercutir no seio da família e criando uma geração perdida de desajustados. Ou de pais que simplesmente abandonam tudo como se a Sociedade ou o Estado devessem assumir suas responsabilidades.


Também quero falar sobre a luta entre as feministas e o patriarcado, dizendo que o sustentáculo deste sistema de poder do Pai Supremo não se faz só de homens poderosos, mas também de mulheres acéfalas que repercutem os dogmas reinantes para seus filhos e filhas. E que há muitos homens que lutam com elas ombro a ombro não pelo predomínio de um ou outro gênero, mas sim do equilíbrio e da polaridade. Estes homens merecem atenção, respeito e apoio pois são massacrados não só pelos machos-alfa contra qual lutam, mas também pelo desprezo sofrido pelas mulheres por sua sensibilidade.


Uma parte de nós deseja a mudança também, pois cabem poucos no topo da pirâmide patriarcal. Mas isto representa o sacrifício de velhos valores em troca de um mundo que nos é desconhecido. Contudo, para que esta nova família dê certo, para que tenhamos filhos que não queiram derrubar os pais, para que a Comunidade seja brindada com uma geração nascida no amor e respeito, este passo precisa ser dado.


Neste dia dos Pais, abrace seu velho, seja ele um Gandhi ou um Stálin. Caso esteja longe, ligue, mande carta, email, torpedo. Se ele já atravessou o rio, acenda-lhe uma velha, brinde a ele com um copo de cerveja espumante, deposite uma flor em seu lugar preferido ou ao menos lembre das coisas boas que fizeram juntos. No Dia dos Pais quero dizer ao meu, onde quer que esteja, que estou fazendo meu melhor e tentando ser feliz ao mesmo tempo. O Deus sabe o quão difícil isto é algumas vezes.


Saúde, amizade liberdade.


Sergio Thot




Post Scriptum


Há um texto interessante sobre pai e filhos no blog Manhê... abaixa o som. Clique AQUI e reflita.


Deixo vocês com uma prece de Janis Joplin ao Grande Pai, pois se os pais ganham presentes em um dia de agosto, tem que dá-los nos outros 364 dias do ano, rs!

domingo, 22 de maio de 2011

GENTE DIFERENCIADA



Olá a tod@s! Como vão?

Quero comentar dois assuntos cujo os temas são diferentes mas partem de uma origem comum que é o medo do outro. São eles o reconhecimento do Superior Tribunal de Justiça para a união estável entre pessoas do mesmo sexo (leia AQUI a notícia) e o mal-estar causado por alguns moradores do bairro de Higienópolis, em São Paulo, por conta da construção de uma estação de metrô no bairro (leia AQUI a notícia)


O que é família?

Tenho um sobrinho que é filho do primeiro casamento da minha ex-cunhada. Apesar do casal não mais dividir o mesmo teto, o moleque e eu ainda nos chamamos de tio e sobrinho. E isto é ponto pacífico. O amor não deve ser medido pela genética ou pela quantidade de melanina na pele das pessoas. O amor é algo a mais, que não é mensurável. Os valores que ainda norteiam a família hoje são orientadas para se acumular bens. É por isso que é tão importante saber de quem é a criança. É uma sagrada instituição voltada para o acúmulo de capital. Ou para manter a honra do macho-alfa.

A Wikipedia dá uma boa dica a este respeito:

"Existem também famílias com uma estrutura de pais únicos ou monoparental, tratando-se de uma variação da estrutura nuclear tradicional devido a fenómenos sociais, como o divórcio, óbito, abandono de lar, ilegitimidade ou adopção de crianças por uma só pessoa.
A família ampliada ou extensa (também dita consanguínea) é uma estrutura mais ampla, que consiste na família nuclear, mais os parentes directos ou colaterais, existindo uma extensão das relações entre pais e filhos para avós, pais e netos.
Para além destas estruturas, existem também as denominadas de famílias alternativas, sendo elas as famílias comunitárias e as famílias homossexuais."

Fonte Wikipedia, verbete Família.

E dada as notícias que vejo ultimamente (leia AQUI), não sei se o exemplo dos casais heteroafetivos (que palavrão) podem ser tidos como exemplos a serem seguidos. Espero que estas decisões não sejam tomadas em púlpitos de igrejas ou tribunais. A família é sagrada por conta dos laços de amor que possui. É o amor que sacraliza a palavra escrita e nunca o inverso.

Muitas pessoas confundem direito civil com casamento religioso. Os desavisados acham que se a lei que estende os benefícios do matrimônio ao casais homo fará com que gays entrem de mãos dadas na igreja. Não é disto que se fala, mas sim de conceder cidadania a este tipo de núcleo familiar. Gosto da explicação dada no blog Rascunhos de um Pagão:

"
Os casais homo e hetero são diferentes, sem dúvida, mas à luz da lei e da justiça não pode, não deve, nem há diferenciação, pois em um Estado legítimo de direito, onde a todos [e não apenas para priviliegiados] são garantidos a proteção da lei e da justiça, não cabe nem a discriminação, nem a intolerância, nem o preconceito, por gênero, por raça ou por opção sexual."


O que é Gente Diferenciada?

Também ficou a incógnita no ar. Parece que o metrô atrai tudo o que é ruim para seu entorno: mendigos, drogados e essa tal gente diferenciada. Não entendi bem o que essa tal gente diferenciada. Parece que são pessoas que não se encaixam no status quo das novelas globais: o mendigo, o negro, a prostituta, a mãe solteira, o bêbado, o moleque de rua. Bem, todos estes elementos existem na cidade. A questão é se podemos erguer guetos, bunkers, e nos escondermos neles ou se podemos aceitar a verdade dos fatos e reagir a eles tal qual fez o Bonsonaro, que tornou pública sua homofobia (leia AQUI). Bons inimigos são aqueles que se podem reconhecer à distância.

Li em algum lugar que quando as pessoas viajam a Paris ou Nova Iorque comentam o metrô destas cidades abrangem vários bairros, sua extensão é grande etc. Pois é: quando a chance surge em terras de Pindorama as pessoas não-diferenciadas oferecem resistência. Curioso isso!

Enquanto isso, na minha cidade a gente deseja a anos uma estação de trem para integrar Guarulhos a malha da CPTM. O projeto da linha Jade já existe e os governos aguardam pela última hora antes da Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil para iniciarem as obras. Uns com tanto e não querem.Outros sem nada e precisando. Mas será o Benedito?


Resumo da Ópera

Bem, como faço parte desta turma da Gente Diferenciada, temo um pouco pelo futuro. É verdade que a net tem feito uma revolução nas coisas. Afinal nada mais está oculto neste tempos. Esses dias um colega meu de trabalho comentava sobre os "bichas que se beijam em público". Até 40 anos atrás seriam os casais multirraciais. Creio que esse tsunami de informação anda pegando muita gente de surpresa e não deu tempo para digerir tudo. Disse ao meu colega: "O fato é que todas essas pessoas diferenciadas, com suas crenças, preferências, aparências e atitudes sempre estiveram por aí. Só que agora estamos prestando mais atenção."

Sim, desde o início dos tempos, viemos para ficar e temperar a realidade.

Saúde, amizade, liberdade.

Sergio Thot.


Notas

Soube pelo blog A Era Da Filha (clique AQUI)

Na sessão de ontem, Garotinho já havia sugerido a ameaça: "Hoje em dia, o governo tem medo de convocar o Palocci. Temos de sair daqui e dizer que, caso o ministro da Educação não retire esse material de circulação, todos os deputados católicos e evangélicos vão assinar um documento para trazer o Palocci à Câmara”, afirmou à Agência Câmara.

Legal né o toma-lá-dá-cá da política... Vai aprendendo que sem participação política não existe nova sociedade. Incrível como eles usam a palavra família, como se os casais héteros fossem exemplos de sociedade. No telejornal que assistia ontem (26/05) após a notícia da derrota do kit anti-homofobia, o âncora anunciava a notícia de que um homem matou e enterrou a esposa no piso da própria casa, forjando depois seu desaparecimento, e na sequência o caso do jornalista Pimenta Neves, que matou a namorada e está preso junto com o Nardoni, o pai hétero que matou a filha, e o animal que matou a menina Eloá. Olha a galera!

O amor não tem gênero.

 Me segue no Twitter? Não? Então clica AQUI!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

SOBRE A MULHER QUE EXISTE EM NÓS



Já pincelei antes sobre o feminino dentro dos homens aqui neste blog, mas acho que raramente falei sobre como este aflora no mundo cotidiano e suas implicações na sociedade.

Nos últimos meses duas situações chamaram a minha atenção sobre a feminização do lugar onde vivo: a postura crossdresser do cartunista Laerte e a eleição de Dilma Roussef.

Tomei conhecimento da ruptura do Laerte com a moda masculina através de uma entrevista na revista Bravo! Confesso que nas primeiras linhas fiquei um tanto chocado. Mas depois a ideia pareceu-me lógica: ele decidiu se vestir de mulher mas o cartunista que conheço e gosto continua lá. Então o que é que tem?

Ontem à noite na tevê Cultura assisti a uma entrevista dele no Metrópolis e até esqueci que aquela senhora é um homem travestido. Tem um personagem dele chamado Hugo, que nascera no caderno Informática de um grande jornal do país mas tomou novos rumos, dando sinais do desejo de seu criador em mudar também o guarda-roupa.

Talvez a questão seja menos o fato de usar ou não saias, mas o como a libido dos muito-machos é despertada e confundida, pois somos condicionados a não experimentar coisas fora de nossa zona de conforto afetivo-sexual. O resto é tabu. Laerte pôs o assunto na pauta do dia.

A Dilma Presidenta é outro assunto. Durante as semanas de campanha pelo rádio, televisão e internet nem me ocorreu pensar que ela é a nossa primeira presidenta! Uma presidenta! O som da palavra é até estranho, não acham?

Há alguns anos atrás isso seria um marco (e talvez até o seja pela ótica de muitas pessoas neste e em outros países), mas acredito que chegamos (cheguei?) em um período da vida onde, diante desta verdade simples, surge a pergunta e porque não? Sem dúvida são novos tempos! Tempos onde tivemos duas candidatas com sérias possibilidades de vitória e isso não se tornou uma guerra dos sexos!!

Bem, agora que o gênero do governante desta nação aflorou em minha percepção, meu mais profundo desejo é que  o matrismo, como dizem as blogueiras Nana Odara do Mater Mundi, e Gaia Lil, do A Alta Sacerdotisa, inspire a presidenta Dilma pelos próximos quatro anos e que tenhamos ,com a ajuda da Deusa e desta população, o Brasil que precisamos.

Que Assim Seja!

E tenho que escrever uma molecagem: teremos primeiro-damo?

sábado, 24 de julho de 2010

E FOI DADA A LARGADA!






Assisti a um documentário do Discovery neste sábado chamado A Grande Corrida da Vida (The Great Sperm Race, no original), e fiquei fascinado com que vi. A vida da gente começou dura antes mesmo de nascermos. Sem trocadilhos! Rs!


O filme traz para a escala humana todas as dificuldades pelas quais passam milhões de células reprodutivas rumo a concepção. Ambiente inóspitos, grandes distâncias e inimigos terríveis cercam os espermatozoidezinhos a cada etapa da corrida. Curioso isso, uma vez que a natureza em nosso hemisfério começa sua corrida também, já que a Candelária se aproxima.

Uma das cenas que mais me chamou a atenção foi a luta que é travada contra as células de defesa já dentro do corpo da mulher. Afinal, como é explicado no vídeo, a priori, os espermatozóides são corpos estranhos, e os leucócitos não difereciam amigos de inimigos. No final do programa levantei e fui a janela. Se fumasse acenderia um cigarro para melhor pensar sobre o assunto.


O Grande Vencedor

Sou o resultado de uma série de escolhas feitas por uma única célula. Talvez não a mais forte, mas certamente a mais sortuda.
Poderia eu ter nascido com outro corpo? Teria então outra personalidade? Teria outro carma? Teria outra vida? Faria escolhas diferentes? São 250 milhões de possibilidades! 250 milhões de outros caminhos!


Aviso aos navegantes

Você, como eu, também é o vencedor desta Grande Corrida da Vida. Então meus parabéns campeão! Mas olha, ninguém te avisou mais isso aqui tá mais para corrida de revezamento! Rs! Então te prepara que aí vem outra volta!

Boa sorte!



quinta-feira, 22 de abril de 2010

APENAS UM DEVANEIO...




Envolvido com a Deusa, liguei-me mais fortemente à terra. Envolvido com a Terra, inevitavelmente compadeço-me com as pessoas. Sou pagão por escolha, por princípio. Sendo pagão recuso o aristocrático, o mandatário e o hierárquico. Para mim foi fácil, pois já vinha de movimentos sociais de bases libertárias, anarquistas, e na Religião da Deusa sentamos em círculo para louvar Seu Nome. Ligado assim as pessoas, principalmente as mais simples, ou aquelas mais sensíveis às mudanças, liguei-me também à causa feminina, ainda que não seja mulher.


E talvez por olhar de fora eu veja coisas e tenha devaneios que as mulheres, e principalmente àquelas ligadas à Religião, não tenham visto ou ainda não verbalizaram (cara, isso era para ser um texto curto!). Agora que mulheres jovens foram colocadas no patamar de cachorras, com o apoio de muitas, devo ressaltar; agora que elas morrem mais diante das câmeras; agora que as famílias são por elas capitaneadas apesar de seu "treinamento" quando crianças não envolver comandar nada além de berços e fogões; agora que muitas instituições financeiras só negociam com a mulher na família por esta oferecer mais estabilidade na hora dos pagamentos, sinto que é hora de um novo salto.



Clube do Bolinha



Homens, quando querem decidir, ou ao menos se esconder, fazem uso de associações masculinas para conforto e proteção: clubes de caça, times de futebol e outros jogos de guerra. Não raro estas organizações oferecerem também em paralelo algum tipo de apoio emocional ou financeiro quando um de seus membros está em dificuldades. Ou ressaltam suas qualidades nos tempos de vacas gordas. Nos últimos anos, olhando para as diversas mulheres que compõem a nossa comunidade, percebo que não existe entre elas esta mesma organização de amparo. Sim, existem as instituições oficiais municipais e estaduais.

Mas falo de algo mais pessoal, profundo e cujo nome eu ainda não encontrei mas que está aqui na ponta dos dedos, pronto para sair.
Muitas delas, por várias questões, perderam suas casas e viveram ou vivem situações de risco. Isto porque um homem quando se encontra nestas se vira melhor: o mundo vive sob seu status quo. Para ele urinar na rua, por exemplo, basta parar em um poste à meia-luz, rs! Mas o mesmo não acontece no universo feminino. Muitas sequer conseguem sair sozinhas de casa pois sentem-se desprotegidas. Imagine então o que é perder o lar e ficar só? A situação se complica se há filhos.

 

O Espiritual é Político

Sabe aquela palavra que estava na ponta de meus dedos? Eles disseram no teclado "casa de apoio". Não sei bem se é este o termo, mas acredito que um lugar de passagem onde se possa receber uma refeição, uma cama e que seja gerido por mulheres já é um bom começo.

Isso passa pela quebra de um conceito de que só pode haver uma princesa e todas as outras mulheres do mundo são bruxas malvadas, madrastas sanguinárias e invejosas em geral. As mulheres têm que declarar trégua entre elas, romperem seus complexos de Cinderela e darem os braços novamente, sob a luz da Lua. Em cada cozinha uma trincheira.

E não consigo imaginar as mulheres-bruxas fora deste embate, talvez até à frente desta nova onda de feministas que agora trata os homens como parceiros na derrocada do patriarcado. Porque nós também estamos cansados disso tudo, acreditem!

Mas como disse lá no começo... sou apenas um homem e isto é só um devaneio.


Leia também algumas ideias sobre o Macho-Alfa.

E, para inspirar a luta, um vídeo da nossa amiga Amanda.





segunda-feira, 30 de março de 2009

DA DOMESTICAÇÃO


Não, não será da domesticação animal que tratarei aqui hoje, mas da domesticação de gente mesmo. Deve ser de conhecimento de vocês o livro "Mulheres que Correm com os Lobos", da autora Clarissa P. Éstes. Conversando sobre esta obra pelo MSN com a Lajlah Najua, eu me perguntei: haverá uma obra que atenda os homens para que eles também corram como lobos?

Acostumei-me a pensar no homem como gênero dominante sobre a Terra, mas na verdade o que temos é uma domesticação masculina também. Existem sim mulheres e homens dominantes, e homens e mulheres domesticados.

Não creio que haja opção para a Mulher Selvagem se não houver correndo com ela o Homem igualmente Selvagem. Não nos libertamos sozinhos: ou nos libertamos todos ou viveremos sempre nas sombras.


O Conhecimento

A Selvageria nos faz retornar a simplicidade das compreensões humanas, a verdade a a sinceridade de nossos pensamentos, sentimentos e corpos. Sempre ouvimos que as pessoas precisam ser francas umas com as outras. Mas o que é a Verdade senão a exposição daquilo que somos realmente? E quem quer ver o que somos realmente?

Nada mais perigoso hoje ao mundo repressor do que o buscador do YouTube. Mais de 1 bilhão de pessoas não podem teclar a palavra Tibet, sob pena de
prisão. Nada melhor para quem detém o poder que uma população bovina.

Seja na transmissão oral, seja nas prensas de Guttenberg, o Conhecimento é uma arma temida. Governos opressores sempre foram contrários que as populações tivessem acesso a duas coisas: armas e livros. Mas hoje as portas estão abertas e o saber humano nunca esteve tão acessível.

Mas veja: quem melhor conhece os caminhos da mata que um Selvagem? Cada rio para matar a sede, ou os caminhos das manadas, as estações de ficar e partir, o cheiro da chuva ao longe ou o pressentimento do inimigo. Quanto mais abrangente é nosso Conhecimento, mais Selvagens ficamos.

Há! É estranho afirmar que Conhecimento e Selvageria caminhem de mãos dadas. Será que selvageria é sinônimo de liberdade?


Reconhecimento

Não admitimos a Selvageria ainda: nem a nossa nem a do Outro(a), nem a da Terra. Não podemos mais voltar a um estado primitivo, onde vivíamos sob o efeito (maior) da Natureza. Mas ao mesmo tempo não podemos entrar em guerra com ela, seja dentro ou fora de nós. Criamos um Mundo sobre a Terra, um mundo de ação, fogo, asfalto e concreto. Mas não conseguimos sobreviver nele também, muitas vezes. Somos civilizados, rotineiros e se mudamos de rota só um pouquinho, o caos se instala, o medo se impõe.


As doenças do homem e as doenças de nosso Meio são fruto desta dicotomia, desse impasse de não podermos retornar ao nosso antigo ambiente e não conseguir viver satisfatoriamente neste que criamos.

Enquanto isso as clínicas psiquiátricas, as igrejas e balcões de bares tratam, cada um ao seu modo, com méritos e defeitos, dessas pessoas amedrontadas e incompletas por não se conhecerem, ou se negarem a se conhecer, que não querem descobrir ou liberar a criatura que mora dentro do peito.

Não é possível construir um lugar de equilíbrio com tal situação social.

Aproveite e leia também sobre o Novo Homem que surge no horizonte.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

DO MACHO-ALFA




Esses dias, indo para São Paulo, me deparei com alguns membros da torcida Independente do São Paulo Futebol Clube, um time de primeira divisão em meu país. Um dos rapazes desta torcida organizada exibia uma camiseta onde o santo São Paulo, usado como símbolo da organização, estava monstruosamente representado (repito, MONSTRUOSAMENTE). Para as torcidas de futebol nos dias de hoje é visível que demonstrar habilidades no esporte ficou em segundo plano.



Anos atrás vi a mesma representação do santo levantando sua túnica e deixando as pernas livres para melhor dominar a bola. Sua face demonstrava alegria e irreverência, em contraste com a imagem forte, musculosa, sem qualquer simbolo que o relacione ao futebol. Era gritante a desproporcionalidade não só dos músculos em relação a realidade, mas até a "idade" do personagem, que é um velhinho. Me atento ao sorriso. Não um sorriso despreocupado da imagem de anos atrás, mas uma imagem ameaçadora, sádica, violenta.

Ainda temos na mente o padrão "Rambo" sobre homem, sem atentar que uma pessoa pode ser máscula ser ter que coçar o saco, falar alto e cuspir no chão. Um Ares de espada sempre ereta, pronto para luta.


Pensamentos de conquistas não são parte de um ideal pagão. Ora, quem lida com a terra não tem tempo para guerrear: ou é o arado ou a espada. No campo de batalha só se colhem corpos mutilados. Como pagãos, qual é nossa escolha mais óbvia?



É preciso paz para plantar

Ares é diferente, por exemplo, de Dionísio. Esta divindade do vegetal, do vinho e do êxtase, pouco se preocupa com as lutas, ou em "andar na calçada". Seu culto nos leva a quebrar padrões sólidos, a rever parâmetros, e a gozar um pouco a vida, nós que trabalhamos sol a sol desde o início dos tempos.

Dionísio não é um Deus da conquista, ao menos não no modo usual do termo. Nascido de uma das famosas escapadas de Zeus e, portanto, ganhador do rancor justo de Hera, por esta foi tornado louco por vingança contra o marido pulador de cerca, e vagou desvairado pelo mundo à fora.

Sob a proteção da Deusa Cibele, é curado de sua insanidade. Depois é instruído à cultivar vinhedos e de seu fruto extrair a bebida sagrada. Atravessando a Ásia, ensina o cultivo da uva (e, porque não dizer, de outros frutos também?). As imagens que se fazem deste Deus (um velho bonachão, uma criança ou um jovem sorridente) não mostram qualquer imagem de Poder Sobre, de tentativa de dominar outras pessoas ou de prazer sádico.

O Dionísio/Baco representado pelas telas de da Vinci, falando em termos sensuais, tem até a cara daqueles que levam as mulheres ao êxtase muitas e muitas vezes, e que retira daí seu próprio prazer.


Sangue Latino

Agora um exemplo próximo de como é interessante a imagem que o feminino faz dos homens. Uma amiga minha trocou de namorado. O antigo seguia o perfil "macho latino". O novo é mais sutil, delicado. Quando saíram de balada, ela estranhou que seu novo par soubesse dançar, mexer o corpo. O antigo era mais turrão e ficava de canto, fazendo pose.
No início ela confessara que estranhou, mas depois viu que as idéias que se fazem do homem quase sempre são estereotipadas. Inteligente e sensível, seu novo companheiro destoa daquilo que sempre se indicou como provedor, defensor e líder.


Sim, podemos ser machos e ainda sim, sermos fofos, rs!


Na vida diária

Vivemos em uma nação parcialmente democrática. Parcialmente porque ela ainda é representativa, e não direta como eu gostaria. Trocando em letras miúdas, elegemos pessoas que vão escolher para nós aquilo que é prioritário para nossa cidade, estado e país. E a democracia termina aí.

No ganhar da vida, no emprego, nós não escolhemos nossos líderes, coordenadores, supervisores, diretores. Vivemos em uma hierarquia, onde ouço abertamente Manda Quem Pode e Obedece Quem Tem Juízo. São herdeiros culturais de um mundo que está se deteriorando.

Apesar de nossa civilização de 10.000 anos, dos carros elétricos, do Iphone, da Internet, ainda vivemos sob a espada do macho-alfa, que detém poderes virtuais ou mesmo reais de vida ou morte sobre nós. E com nosso consentimento!!!

Isto até a sua queda inevitável, quando muitos machos-beta, submetidos, lutam como crocodilos do Nilo em busca do topo da pirâmide social. Onde ainda há regras de ascensão e queda, as coisas são suavizadas pelas leis e estatutos. Onde o Estado ou o Mercado não têm domínio, ganha quem saca primeiro e tem mais balas no tambor, como demonstram os confrontos nas favelas cariocas.

Se assim tratamos as pessoas, imaginem como tratamos a natureza da qual extraímos nosso sustento? Não raro abuso ambiental é precedido pelo abuso humano.


Um novo tempo

O masculino que submete hoje vive um momento de crise em sua base, uma vez que um número pequeno mais crescente de mulheres já não mais aceitam o sonho romântico de casar. Essas mulheres trabalham fora, possuem mais apoio jurídico e psicológico que suas mães tiveram. Muitas disputam o topo com os homens. Muitas criam sozinhas a sua prole, seja por opção ou por ausência do parceiro (divórcio, abandono, morte).

Ao mesmo tempo surge este novo tipo humano masculino, que busca as crianças da escola, trabalha em parceria horizontal com seus colegas, lava a louça e pergunta com sinceridade em casa "como foi seu dia, amor"? E não tem vergonha disso. Dionísio atende perfeitamente a este tipo homem que não precisa empunhar uma espada para persuadir as pessoas, para lidera-las.

Isto se estenderá para outras partes da vida, seja por bem ou por mal. Nossas relações, graças a facilidade de comunicação, nunca mais serão as mesmas.

Mas se for preciso ir à guerra, que eu tenha um líder que valha a pena ser seguido!


Hmmm... talvez você queira ler também algo sobre as Pressões da Vida. É um texto interessante é que complementa este aqui.


Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot. 



quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

DO AMOR





Não é raro encontrar nas comunidades do Orkut pedidos para criação de Feitiços & Encantos com finalidades amorosas. São pessoas que ainda não tiveram o fruto de sua paixão nas mãos, ou estes bateu asas e voou devido um vacilo. Gente que afirma vender a alma para ter seu amor novamente, a ponto de sacrificar o livre-arbítrio do par em nome do amor.

Você faria, diante destes fatos, um feitiço de amor para esta pessoa?

 

Gaiola dourada
Você lerá isto de muitos pagãos e pagãs responsáveis, mas me encontro na obrigação de dizê-lo assim mesmo.

De minha parte a resposta é não. Sabe porque?

Apesar do solicitante não pensar na liberdade do outro,  eu penso. E creio que a "vítima" também. Se somos incapazes de deixar alguém livre, o que se busca não é amor, mas posse do corpo. Controlar seus passos, o que diz e a quem diz. Posse é não levar em conta os sentimentos do outro na tentativa de escraviza-lo.

As palavras de amor são doces, mas os pensamentos e atos atrás de algumas delas...


 

Você ama?
Ame a quem te ama! Não perca seu tempo e, sobretudo, não envolva sua liberdade nisso. Ao aprisionar alguém, a gente também se aprisiona. Porque todo prisioneiro precisa de um guarda para sua cela. A criação de um ato mágico é algo muito complexo. Pois enrola-se também nesta teia outras pessoas que não tem nada a ver com o peixe. São aquelas que, sensibilizadas com sua lamúria condição, lhe transmitirão seus conhecimentos sobre Encantos & Magias.

É muita responsabilidade!

 

E, por falar nisso
Nosso culto tem entre suas Palavras Sagradas que "somos livres em nossos rituais". E, acredito, esta liberdade deva se estender a outros aspectos de nossa vida: trabalho, escola, vida a dois, família.

Deduzo ainda que alguém que faça tal pedido não seja pagão, não só pelos motivos expostos acima, mas por ser também é incapaz de criar um ritual simples. Que pagão não sabe elaborar um ato mágico?

Quem ama, liberta
Se ele/ela se foi, talvez não tenha sido a opressão o motivo que levou seu par embora? Quem gosta de viver numa prisão dourada? Mesmo com beleza, barras são sempre barras.

Quem ama deve libertar. E, se depois de liberto seu par voltar, isto é amor de verdade. 



Saúde, amizade, liberdade.

Sergio Thot.





quarta-feira, 31 de outubro de 2007

DO NOVO HOMEM






Nos últimos grupos pagãos em que trabalhei, a presença feminina era maciça. Nada mais natural uma vez que a Religião da Deusa é um atrativo muito poderoso para o feminino existem em cada um de nós, tenhamos nós os cromossomos XX ou XY. Tal descoberta e as experiências dela decorrentes, ajudou-me a desenvolver em mim o valor do "outro".

Por existir um número maior de mulheres na Religião em geral e nos grupos em que celebrei em particular, as funções dentro dos rituais não podiam ser divididas em papéis masculinos para homens ou femininos para mulheres porque o número de pessoas nem sempre era o ideal para tal prática. Passamos então a ver o outro gênero com novos olhos através do resgate do masculino ou feminino dentro de nós.


E já que é Assim na Terra como no Céu, esta visão ampliada das coisas acertadamente transborda também para a realidade comum. A genitália ou a visão social deixa de ter papel preponderante sobre aquilo que somos realmente

Nossos Papéis no Cotidiano


Somos uma sociedade em luta, uma sociedade de conflitos. Um deles se refere aos papéis que homens e mulheres precisam desenvolver na sociedade, a começar na celula mater, a família. O homem tem deixado de ser a cabeça da casa em muitas cidades do Brasil. Seja porque morram mais cedo, seja porque se divorciam/abandonam as famílias.

Em minha própria família isso foi uma realidade. Minhas duas avós e minha mãe ficaram viúvas cedo e tiveram que gerir sozinhas as suas casas. Há campanhas governamentais que focam diretamente na saúde do homem que, como sei muito bem, não gosta de médico. Tem até um vídeo sobre o assunto.


Muitos banco populares têm feito empréstimos somente às mulheres porque costumam ser mais contantes nos pagamentos, além de serem os "homens da casa", por assim dizer. Há uma experiência muito boa em Bangladesh sobre o assunto.
 
Um novo papel cria-se agora na sociedade, de maneira lenta e gradual! Nós homens estamos um tanto perdidos, onde temos que ser dóceis no mundo privado, porém agressivos cá fora neste capitalismo selvagem. Ser capazes de dar conta da troca de uma fralda, mas também de combater na selva de pedra. Só que em quem nos espelharemos? Somos uma das primeiras gerações a se encontrarem com esta nova realidade. Se não há modelos confiáveis, como podemos cultivar a nosso novos papéis se vivemos em cercados?



Mulheres sem dono

Incrível como os conceitos mudam com o tempo, espaço e povo. O conceito de mulher virgem é um exemplo disso. As mulheres eram virgens não porque nunca tenha se deitado com um homem, mas porque não pertenciam a nenhum.

Num sentido mais profundo, é uma mulher que está ao nosso lado porque o deseja, não por medo do "mundo lá fora", ou piedade, ou interesses. Essa mulher é alguém que nos chama para segurar o alfinete da fralda, mas que também empunha a espada e escudo, com a pele pintada pra guerra e diz: vamos nessa!

Então é isto! Mulheres capazes do manejo da espada ao lado de homens capazes de fazer mamadeiras, todos em igualdade de condições, livres para assumir posições conforme as coisas acontecem, apoiando assim uns aos outros!

Isto, lógico, pede um novo homem também! Um que não se intimide com essa mulher forte e senhora de si.



Ah, este post sobre mulheres fortes merece um som do Ministro!

Ps:

Um texto interessante: Do Macho-Alfa