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domingo, 12 de junho de 2011

ÍBICUS

"Tomai a minha causa, grous, já que nenhuma voz, além da vossa respondeu ao meu grito."


Íbicus ensaguentado, clamando por justiça
O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch


Olá a tod@s, como vão?


Quero abrir meu coração a vocês diante das notícias referentes aos ambientalistas mortos no Pará [1], que defendem a floresta com o próprio sangue. Mas especificamente sobre o porquê de coisas como estas acontecerem em uma nação que tem a pachorra de querer sediar eventos mundiais importantes como a Copa e as Olimpíadas, mas que não consegue controlar seu próprio território. Pessoas como José e Maria  não fazem a defesa da floresta porque é cool ser ambientalista. Defendem sobretudo seu sustento imediato, porque suas vidas dependem disso.


Senhoras e senhores, existe uma lista de pessoas marcadas para morrer[2]. Podem imaginar isso? Eu não posso. Houve uma reportagem de um grande canal de televisão alertando para a existência de tal lista. Milhões de pessoas viram, no entanto as forças constituídas não deram a menor bola. Era preciso que houvessem corpos. Os corpos existem. E agora?


Para entender porque foram morto é preciso entender o que é extrativismo.




José e Maria


José e Maria viviam a mais de 20 anos em uma área verde preservada na cidade paraense de Nova Ipixuna. Com outras famílias viviam da coleta de frutos da castanheira-do-pará e óleos vegetais. Ou seja, não era interessante a derrubada da floresta, mas seu manejo. No Brasil existem as chamadas reservas extrativistas, que tem a finalidade de prover recursos de subsistência às suas populações e ao mesmo tempo, mantém a floresta através do uso sustentável[3].


A questão é que a própria castanheira, assim como outras espécies da região, possuem um preço quando cortadas e vendidas para o mercado interno e/ou externo. Como árvores deste porte levam décadas para atingir a idade adulta, derruba-las é danoso em muitos aspectos, pois é deixar famílias ao deus-dará. A derrubada da floresta implica em abrir grandes extensões de área que são ocupadas para o plantio de monoculturas do agronegócio, como a soja, visando a fabricação de ração para o gado europeu e a pecuária nacional.


O lucro, como a história do capitalismo prova, não pode ser detido em nome do assim chamado "mato". Mato é para queimar. As pessoas também, se entram na frente. Existe uma lista de pessoas marcadas por estes verdadeiros Comensais da Morte.


A queda da floresta também envolve a desertificação da floresta, com a ocorrência de secas no Amazonas somadas a outras questões climáticas complexas[4]. Pode imaginar o Rio Amazonas sofrendo com a seca? Por isso temos esta luta de titãs entre o agronegócio e os ambientalistas regada a sangue. Durante o governo anterior o palco da luta mudou para os ministérios, vocês lembram? Os quebra-paus civilizados entre Marina Silva e Dilma Rousseff e suas pastas do Meio Ambiente e Desenvolvimento?[5]


E mais uma vez temos morte na mata. Foi quando lembrei de Íbicus.




Íbicus


Poeta grego, seguia sozinho pela estrada rumo a Cidade dede Corinto, onde jogos e apresentações o aguardavam. No meio do caminho fora surpreendido por ladrões que o feriram de morte. Era um poeta e não um guerreiro. Ensanguentado, clamou por justiça mas exceto os bandidos que gozaram dele, nenhum ser humano ouviu suas preces.


Caído e só, lágrimas escorreram das faces. Quem lhe daria um enterro digno antes que as feras da floresta reclamassem seu corpo frio? Sua alma não teria paz e vagaria entre os mundo. Enquanto a vida se esvaia dele e os mal-feitores contavam seu butim, um grupo de pássaros chamados grous cruzou o céus. Eles responderam ao chamado! Já não estava mais sozinho e assim o poeta Íbicus morreu, olhando para o céu. Leia sobre a história de Íbicus no Google Books clicando AQUI.




Clamor às Erínias


Neste momento, enquanto eu escrevo ou enquanto você lê, outras pessoas sangram por acreditarem em algo que é maior que elas mesmas. Seja no asfalto, ou num chão de folhas ou nas areias de uma terra distante. Que as mãos frias das Erínias alcancem seus algozes e que não tenham paz até que justiça seja feita.


Que Assim Seja. Que Assim se Faça!




Sergio Thot.

terça-feira, 10 de maio de 2011

NOTÍCIAS VERDES

Olá à tod@s.

Esta será uma postagem permanente sobre notícias de cunho ambiental relevantes. Espero que apreciem.


Bauru entra na luta contra as sacolinhas

Notícia dada pelo blog Bruxa do Leste, da ciberamiga Izaura Vecchi.


"E em Bauru, está na Câmara Municipal, um projeto de Lei onde PROÍBE o uso de sacolas plásticas por Supermercados na cidade. Coisas de um prefeito jovem, audacioso, ligado ao Meio Ambiente. Parabéns prefeito Rodrigo Agostinho!"

A questão é que não há mal sem bem nem bem sem mal, como já aprendi no mundo pagão. As sacolinhas não surgem do nada mas são produzidas por pessoas em fábricas. Com os pedidos sendo recusados, as fábricas fecham e as pessoas são dispensadas. É uma medida acertada de um lado e impopular do outro.

Lendo a respeito, acertadamente o prefeito de Bauru tentou evitar que o peso da lei baixasse sobre o assunto e trouxe a discussão para diversos órgãos ligados ao comércio e produção na cidade, segundo o jornal Fala Cidade (Leia AQUI)

"
A redução na produção das sacolinhas, causada por cancelamentos de pedidos de clientes supermercadistas, provocaram demissões nas fábricas do ramo. Na Polimáquinas, empresa de Bauru que faz o corte e solda das sacolinhas, houve recentemente a demissão de18 funcionários de um total de 146 empregados." Fonte Jornal da Cidade de Bauru.

Eco-asfalto - São Paulo (capital)

A prefeitura de São Paulo resolveu transformar os restos dos edifícios demolidos São Vito e Mercúrio, no centro da cidade, em "asfalto ecológico". As subprefeituras do Butantã, São Miguel Paulista e da Freguesia do Ó recebem a pavimentação especial que as unidades de Parelheiros e Ermelino Matarazzo já receberam.


Com investimento de cerca de R$ 2 milhões, a iniciativa contribui para minimizar o impacto ecológico que os restos da demolição podem produzir ao meio ambiente, quando não recebem destinação correta. O novo material será utilizado para asfaltar 19 mil m² de vias, em uma extensão de 2,6 km.

Os resíduos das construções serão utilizados em duas das camadas que compõem o pavimento. A sub-base do asfalto, formada por pequenos pedregulhos, será composta por restos de construções em geral. Sobre esta camada será acrescentada mais uma, composta por restos de fresagem de ruas que estão recebendo recapeamento. A economia será de até 40% em relação ao asfalto convencional.

As subprefeituras contempladas, segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, foram definidas devido ao cronograma de pavimentação e características físicas para pavimentação.

Fonte: Terra


Ilhas Verdes - Guarulhos


Guarulhos ganha destaque em publicação internacional após um ano da aprovação da lei que regula o programa de combate ao aquecimento global Ilhas Verdes, criado em 2008. Inédito no Brasil e no mundo, o programa completará um ano em vigor como legislação municipal na próxima terça-feira (24).


A iniciativa consiste na redução das ilhas de calor urbanas por intermédio da proteção e recuperação das florestas e do plantio de milhares de árvores. A ação foi divulgada em revista da Unesco, veiculada na América Latina, na Espanha e no Chile. O artigo fala sobre a conservação da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo, ecossistema do qual Guarulhos faz parte, e mostra novas formas de integração entre as esferas públicas e privadas para a recuperação dos ecossistemas.


“A preservação das florestas urbanas está diretamente ligada à provisão dos recursos naturais e à regulação dos processos térmicos”, afirma Antonio Manoel dos Santos Oliveira, coordenador do Laboratório de Geoprocessamento do Mestrado em Análise Geoambiental da Universidade Guarulhos. “Entre os benefícios das florestas podemos citar o fornecimento de água, alimento, ervas medicinais e lenha, além do controle do clima, da purificação do ar e da absorção das águas das chuvas, que reduzem as erosões, deslizamentos e alagamentos”, declara Oliveira.


“A consolidação da lei municipal é uma forma inovadora de orientar a arborização não só por critérios aparentes, mas pelo excesso de calor”, disse o diretor-geral do Instituto Florestal, Rodrigo Victor.  “O reconhecimento internacional é importante, já que a ação é um dos maiores exemplos práticos de política pública que utiliza o serviço ambiental de regulação climática para aumentar o bem-estar da população”, garante Victor.


“O Ilhas Verdes se transformou em lei e agora se consolida como exemplo de experiência ambiental bem-sucedida no cenário mundial”, comemora Fábio Vieira, criador do programa e diretor da Secretaria de Meio Ambiente de Guarulhos.


Fonte: PMG


Link: Guarulhos Online





Imposto Verde - Guarulhos

"Com a aprovação da Lei Municipal nº 6.793/2010 (nova legislação do IPTU) pela Câmara Municipal, ocorreu uma ampliação de isenções em especial visando à proteção do Meio Ambiente – IPTU VERDE, com a concessão de desconto de até no máximo 20% no valor do IPTU anual devido pelo período de 5 anos - a partir de 2012 para o contribuinte que ingressar com o pedido durante este ano (2011) - para os imóveis edificados que adotem duas ou mais das medidas a seguir:
Telhado verde no antigo prédio do Banespa - SP
  • Sistema de captação da água de chuva;
  • Sistema de reuso de água;
  • Sistema de aquecimento hidráulico solar;
  • Sistema de aquecimento elétrico solar;
  • Construções com material sustentável;
  • Utilização de energia passiva;
  • Sistema de utilização de energia eólica;
  • Instalação de Telhado Verde;
  • Separação de resíduos sólidos.
"Além disso, há outros descontos ambientais que a Prefeitura irá conceder para imóveis edificados horizontais que possuírem em frente uma ou mais árvores. Para os imóveis edificados horizontais e para os condomínios horizontais ou verticais, que possuírem áreas de seu terreno efetivamente permeáveis, com cobertura vegetal."


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

VÁ DE GALINHA!

Geralmente vou de bike até o trabalho (Aeroporto Internacional de Guarulhos - 6km), mas por conta das aulas de inglês que frequento em alguns dias da semana no centro da cidade e a extensão do trajeto, acabo pegando ônibus. Eis que surge na rodovia Helio Smith, na volta da aula do dia, o outdooor bem-humorado da campanha Vá de Galinha realizada pelo SOS Mata Atlântica. Clique na imagem ao lado para maiores detalhes.

A campanha ironiza a demora na construção da sfamosas linhas de trem que ligarão a cidade e o aeroporto a malha ferroviária da capital. São elas as linhas 13 - Jade e o Expresso Aeroporto. Tomara que 13 seja nosso número de sorte. Veja aqui o projeto do Trem de Guarulhos/Expresso Aeroporto em PDF.

Bem, se observar o ritmo das obras das linhas dos trens prometidos ao Aeroporto de Guarulhos, o maior do país e que receberá uma população-monstro para a Copa e as Olimpíadas, parece-me que vão faltar galinhas.


Navegar é preciso

Viajei para Porto Alegre em novembro e fiquei bestificado. Não só pelo belíssimo centro histórico da capital gaúcha que visitei pelo city tour, mas pelo fato de que havia uma estação de trem bem na porta do aeroporto que leva a população não só no eixo norte-sul da cidade, mas também para as cidades vizinhas!

Guarulhos, com uma população um pouco menor e estrategicamente colocada entre três grandes rodovias (Dutra, Trabalhadores e Fernão Dias), mais o aeroporto, está à mercê de ônibus lotados na hora do rush e de corridas de R$100,00 de táxi até capital. Somos governados pelo motor à combustão.

Haja visto a solução do governo federal na gestão anterior para a última crise econômica: reduzir o IPI e produzir mais carros! Tá certo! Nos comerciais os veículos trafegam gostosos em ruas vazias e sem buracos. Mas ao vivo... ao vivo é muito pior.

Quando tirar seu bibi-fonfon da garagem de manhã e fazer aquela rápida ida à padaria, experimenta trocar seu possante por uma galinha. Quem sabe não é melhor!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

RESPIRE PROFUNDAMENTE



Olá, como vão?


Saindo do trabalho me deparei com um fenômeno climático muito comum na área metropolitana paulistana: a inversão térmica. Ocorrendo principalmente em dias frios, sua característica marcante é a alta concentração de poluentes logo acima das cidades. É associada as ilhas de calor, fazendo com que uma cobertura de fumaça e poeira recubra a cidade. Certo, e daí?


Bem, no retorno à casa pensei sobre meditações que realizamos usando a respiração. Foi através delas que percebi como respirava mal durante meu dia. Não possuía uma respiração profunda, mas feita com pequenos "goles" de ar de cada vez. Porém, como respirar de forma adequada diante da qualidade de ar que temos? Quem tem doenças respiratórias como rinite, sinusite ou asma sofre nesta época do ano.Como fazer exercícios, ou ioga diante deste quadro desesperador?


Se não percebeu como você respira, perceba agora. E se mora em algum centro urbano, inale o ar profundamente e reflita no que sentiu.


Para Conhecer, é Preciso Viajar

Viajei para Minas Gerais meses atrás e me maravilhei em poder ver o horizonte! Sem fumaça! Ao retornar à capital tive nojo de respirar. A respiração profunda que instintivamente adquiri em meu passeio ficou na cidade mineira de São Thomé das Letras. Às vezes é preciso ir longe para se enxergar melhor.

Lembrei destes fatos hoje, após sentir não só a fumaça costumeira como também o cheiro de queimada. É que nesta época do ano tem sempre um espírito de porco que contribui com a poluição botando fogo em tudo que encontra: sofás, madeira velha, pneus.


A fumaça é levada pelo ar pesado às áreas mais baixas da cidade forma uma névoa fina e azulada. Nos dias seguintes ao passar no Hospital Municipal de Urgências vejo as mães entrando e saindo com crianças em crise respiratória. Pela Deusa, será que ninguém liga os pontos?



Continue a Luta

Não pedirei a você, leitor costumeiro, para fazer sua parte. Se está aqui me lendo até esta linha, você já possui alguma forma de consciência & ação ecológica. Isto é mais um desabafo de alguém que não consegue respirar.


Dispensa dizer que o corpo da cidade está doente, pois seus "pulmões", que são as árvores e arbustos em geral são escassos em muitos bairros, já qu m² = R$. Talvez seja a hora de aplicar nas calçadas, terrenos abandonados e afins algumas táticas de guerrilha e ocupação.



Estou de mal-humor. Tomara que as chuvas da Primavera cheguem logo.



Notas:


Acompanhe no site do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) a qualidade do ar na região onde mora clicando AQUI.

Saúde (cof, cof), amizade, liberdade.

terça-feira, 13 de julho de 2010

ALMOÇO GRÁTIS?




Vocês que possuem alguma cultura já ouviram a frase "Não Existe Almoço Grátis", que foi atribuída ao economista
Milton Friedman. Penso muito nela nestes tempos de promoções disto ou daquilo. Sabe aquelas compras onde se ganha um celular? Então, não se ganha um celular. A peça em si já está paga. Seja seu valor diluído entre outros artigos da loja, seja no arrocho que se faz nos salários de quem o produz. Mas o celular não é grátis. Nada é grátis.

Com a natureza se dá o mesmo. Tudo tem um preço. Tenho lido "As Máscaras de Deus", de Joseph Campbell. É um livro fundamental para quem deseja ultrapassar as questões de Magias & Encantos, o deslumbre com o povo celta e a infantilidade que cerca a Religião da Deusa hoje.

Em determinado trecho é citado como os índios Pés Pretos receberam os ensinamentos da Dança do Búfalo, para que a caça sempre voltasse e a fome não se instalasse nas pradarias americanas. O mito é uma forma poética de passar e fixar um ensinamento importante.

Um caçador de búfalos e um economista do século XX, separados cultural, temporal e fisicamente descobrem que tudo na vida tem um preço, usando assim este conhecimento para fins específicos. No caso de nosso amigo da tribo dos Pés Pretos, para honrar aquilo que se come pois o preço pago pelo búfalo é alto.

O preço que a Vida paga para nosso sustento também o é. Logo, cada prato de comida é sagrado, mas as feiras livres parecem gritar o inverso, como a foto que ilustra este texto. E creio que nem precisava dela aí em cima pois vocês mesmos já comprovaram tais cenas.

A embalagem vazia em sua mão é sagrada! É fruto de tempo, material, energia e tecnologia! Vai jogar no chão ou lhe dará um fim digno?

Teremos em breve uma represa na bacia Amazônica, uma das maiores do mundo. O Código Florestal Brasileiro tem passado por mudanças significativas nas últimas semanas. Entre elas:

  • desobriga proprietarios de terra de recuperar parte da area nativa em "suas" propriedades;
  • dimunui a área de proteção nas margens dos rios etc.


Nós dançamos a "Dança do Búfalo" para merecermos todas estas coisas?

Pensa nisso!


Saúde, amizade, liberdade.


Ps.:

Segue um trecho do documentário sobre o tema do herói com o próprio Campbell, que veio a falecer tempos depois. A primeira vez que passou, na tv Cultura, eu não pude assistir porque era horário de novela e minha mãe não deixava! É mole?



quarta-feira, 2 de junho de 2010

DE PROFUNDIS





"As portas de Durin, Senhor de Moria. Fale, amigo, e entre."
Senhor dos Anéis, A Sociedade do Anel - J. R. R. Tolkien

As cavernas, assim como as florestas, são parte integrante do imaginário pagão, se não da humanidade, há muito tempo. Como a Caverna de Cristal, onde Merlin se refugiou, ou a entrada de Moria, na obra de Tolkien.


Ou a obra de Oscar Wilde, que inspirou o título desta blogagem. O livro De Profundis foi escrito durante o período em que Wilde esteve na prisão por sentir o amor que não ousa dizer seu nome.

Platão, em sua obra A República, usou-a como elemento fundamental para ilustrar o desejo dos homens de descobrir a verdade sobre si e sobre o mundo que os cerca: o Mito da Caverna.

Como seria a projeção das imagens

As cavernas são vistas em muitas culturas
como a saída do útero da terra, de onde a vida brota. E também são a entra dos Mundos Subterrâneos dos mortos.

Sejam naturais ou escavadas e incluindo aí os iglus, foram as nossas primeiras casas. Nelas contamos nossos sonhos, nossos mais profundos anseios. Como foram as mundialmente conhecid
as pinturas de Lascaux, na França. Ou do Vale do Tejo, em Portugal. E no Brasil, no Parque Nacional da Serra da Capivara.

A cena reproduzida ao lado é uma provável ilustração de um parto, encontrado no Parque da Serra da Capivara.

Guardadas as devidas proporções, esses ambientes são parte de nossa Terra Santa. Ao menos para aqueles que não se incomodam com a vida natural, que conseguem sobreviver longe do ar-condicionado, da luz artificial e da vida moderna.

Mas soube através de um blog amigo, o
Alta Sacerdotisa, de um projeto do governo em mudar as regras ambientais referentes ao manejo das cavernas do país para o benefício do desenvolvimento industrial.

Recomendo uma leitura do texto de nossa amiga Gaia Lil e tomar ciência do impacto que isso terá na relação que temos com a biodiversidade do planeta.

E como estou a recomendar blogs, leiam também o Universo Eco-Feminino, com a postagem sobre a celebração na gruta de Maria Madalena, na França. E aqui neste link uma matéria interessante disponibilizada pelo UOL Mais:


"A gruta de Santa Maria Madalena se tornou um lugar de peregrinação cristã conhecida.
Sao aproximadamente 1,5 km até a gruta, uma caminhada fantastica pela floresta de Sainte Baume."
 


Das profundezas a Natureza clama por ajuda.




Post scriptum

Apaixone-se vendo os vídeos do documentário feito pela BBC. São de arrepiar.






quinta-feira, 27 de maio de 2010

VITÓRIA DE PIRRO


"Mais uma vitória dessas, e estarei perdido."

Pirro, general na Antiga Grécia, em luta com os romanos.



Por ocasião da crise que se abateu no mundo desde 2009, o governo brasileiro resolveu reduzir o IPI dos automóveis afim de aquecer a economia. Se bem que eu não vi crise nenhuma, só dinheiro mudando de mãos, mas isto é assunto para outro texto. Voltando ao tema, pensei cá com os meus botões: poxa, porque se investiu em um meio de transporte tão burro?

A foto acima ilustra bem a situação: temos 60 pessoas que são distribuídas nos mais diversos meios de transporte. Em qual deles a relação gente transportada x espaço ocupado é mais benéfica para uma cidade?

Agora adicione construção e manutenção de estradas, poluição do ar e rios envolvendo carros direta e indiretamente, qualidade de vida e outros fatores.

A Marginal Tietê, importante via da capital paulistana, sofreu melhorias consideráveis. Mas já nos primeiros dia a situação de trânsito pesado voltou ao tema dos noticiários noturnos. Parece algo sem fim. E falamos aqui dos carros rodando. Aonde eles serão estacionados?

Será que é algo a se comemorar a venda de 1,3 milhão de automóveis onde a maior parte da energia gerada é para virar calor, e o restante é para mover 90 quilos de gente dentro de uma tonelada de veículo?!

Certas vitórias têm de gosto de fumaça.


Saúde, amizade, liberdade.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

NOSSO PAPEL




“As mudanças climáticas afetam de maneira direta as condições de vida e de trabalho das mulheres, particularmente por sua proximidade aos elementos de vida, como a agricultura, seu contato com a água e para poder cumprir com o ciclo de cuidado da vida que lhe foi transferido como responsabilidade prioritária”
Magdalena León

Responsáveis pela manutenção do lar enquanto os homens saem para caçar, sejam alces ou máquinas pesadas, fica a cargo das mulheres a sutil dança com os ciclos do mundo. Lembro de minha mãe olhando para o céu e dizendo para mim: leva guarda-chuva filho pois vai chover. Ou das panelas areadas brilhando ao sol, refletindo sua luz nas paredes da casa. De intuir a hora em que meu irmão caçula dormia e acordava antes mesmo dele o fazê-lo. E aqui falo apenas de uma família que reside no meio urbano. 



Há os ciclos das nuvens e dos astros para as pessoas que dependem dos frutos da terra, onde saber essas coisas é a diferença entre a fartura e a fome.

Penso o quanto nossa vida se distanciou dos ciclos quando inventamos a luz elétrica ou a água encanada no mundo ocidental. A gente aperta um botão e as coisas acontecem como mágica. Mas é um mistério bem explicado, calculado e com sérios custos. Cada vez que fazemos tais coisas imprimimos uma digital no mundo. Gostaria de falar diferente, que o aquecimento global não é de nossa responsabilidade. Que o que acontece com o gelo ártico, tão longe de nós, não tem nada a ver com a gente e que podemos levar nossa vida despreocupadamente. Mas não é bem assim.

E mesmo que assim o fosse, não explicaria ações nulas em nível local, como separação de material reciclável limpo para catadores de bairro, por exemplo. Ou, com o espaço adequado, uso de material orgânico na compostagem.





Culpa ou "responsa"?

Responsabilidade, lógico! A culpa pressupõe que somos crianças diante das coisas, que não temos controle sobre nossos atos e que agimos por impulsos incontroláveis. Inverdades.
Exceto em casos patológicos, somos sabedores de nossos atos a cada passo da Caminhada. Atribuir a outros nossas faltas, ou autojulgarmos incapazes de uma ação consciente é enganar a si e a os que lucram com esta insensatez!

Claro que não peço mortificações e sacrifícios no sentido de colocar em risco saúde ou bem-estar. Mas a separação entre o sadio e o supérfluo deve ser feita. Se não por questões ecológicas, ao menos pelas econômicas. E quando se mexe com o bolso as pessoas se movem, não? Rs!

Saúde, amizade, liberdade.


Sergio Thot

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

AS ÁGUAS




As chuvas têm castigado a cidade nas últimas semanas. Ruas transformam-se em rios e rios em marés de barro e lixo. São águas furiosas que arrastam e engolem tudo que bobear em sua frente. São águas que rugem nas jaulas de concreto no estrangulamento que chamamos de urbanização.

E não raro populações inteiras constroem suas casas na boca desta cobra grande alimentada pelas chuvas de verão, mudanças climáticas e La Niña. Nossa modernidade supostamente poderosa pára diante desta fera que ajudamos a nos devorar.

A construção do Mundo sobre a Terra, a submissão de Gaia aos nossos caprichos tem três grandes vilões nas cidades:


Impermeabilização

Todo mundo quer viver perto da natureza mas ninguém quer pisar o pé na lama. Então a solução mais fácil e burra já criada foi cobrir enormes extensões de terra com concreto e asfalto. A terra fica com sede de chuva, e as águas não tem para onde correr senão para as ruas. Aí entra o segundo vilão


Lixo

Já compro briga com desconhecidos que fazem das ruas depósitos de lixo. Esse material todo, nas chuvas, entope as bocas-de-lobo e fazem das ruas rios temporários. Essas águas entram nas casas, levam carros e mais lixo que só agrava ainda mais o problema.

No bairro onde moro a situação é de dar úlcera nervosa. Apesar da coleta da prefeitura e dos Postos de Entrega Voluntária (PEV's), existe essa discrepância entre o consumo e o descarte. Na hora de comprar nossa realidade se equipara àquela passada na tevê, mas o lixo é jogado para trás numa atitude infantil e displicente.


Assoreamento

As prefeituras gastam tempo, dinheiro e mão-de-obra para retirar toda a sorte de materiais depositados no leito dos rios. O cidadão comum acredita que tudo se resolve num passe de mágica mais ou menos assim: eu tenho um sofá velho, empurro ele no córrego e ele desaparece.

Ou ao desmatar suas margens, permitindo que a água das chuvas eroda o solo nu e carregue para as margens os sedimentos. Quem passa pelos córregos das grandes cidades pode ver tais efeitos. No Jardim Nova Portugal, a ponte que liga a Avenida Jamil João Zarif com o aeroporto está ameaçada por conta das forças das águas que devoram as margens do Rio Baquirivu.

É uma das maiores causas de morte de rios.



Resgate

Um resgate daquilo que é realmente importante deve ser feito. Nos meios urbanos córrego é sinônimo de água suja, depósito de lixo e doença. Terra é sujeira. Folha é sujeira. Essa terra que chamamos de suja é a matéria-prima do que somos. Somos este pó e esta lama que tudo reveste. Dela viemos e para ela voltaremos apesar de toda ilusão criada sobre este mundo artificial, acarpetado, cimentado e tecnológico.

Logo a salvação do Corpo Maior é o planeta depende primeiro da salvação do corpo menor, que é nossa própria humanidade.

Gostaria de dizer isto de uma maneira que pudesse sentir nos ossos e no sangue.

Sinta isso.

E enquanto sente, ouça Águas de Março na doce voz de Elis Regina!


domingo, 8 de novembro de 2009

AGORA É SOBRE GENTE LESA



Gente Lesa foi uma série de curtíssima duração sobre uma família classe média carioca vivendo em torno da responsabilidade social. Passava no canal pago GNT e lamento não ter durado.

As sacadas da trama eram muito boas, como vocês podem ver AQUI e AQUI. Só depois da postagem sobre o Gentileza é que entendi o duplo sentido do nome do programa. Isto é cultura pop! Mas o que me leva a escrever tem a ver com a série em si em com as reflexões que ela me deu sobre a questão ambiental.

Basicamente a série diz: sustentabilidade não é fácil. Um dos bordões do programa era "pobre recicla por necessidade". E não é verdade? O exército de catadores de papelão nas ruas que o digam! Apesar do serviço importantíssimo que realizam, são vistos como páreas pois lidam com materiais que tornamos e chamamos de lixo. Mas limpo e seco ele vira somente uma embalagem vazia!

Acho que já até já falei aqui mas não custa nada recordar. Afinal, temos que abrir mão de pequenos confortos, sonhos e prazeres para ao menos diminuir esta corrida louca rumo ao abismo. vejo no local onde moro que, apesar de toda a campanha que é feita sobre reciclar e tal, apesar dos tambores com as cores e palavras "papel","plástico" e "vidro e metal" escritas em tamanho gigante, há quem não se incomode e mistura o reciclável com orgânico e transforma tudo em lixo!

É muito mais confortável, admito, consumir e jogar fora. Só que isso está se tornando insustentável. É essencial diferenciar o que é conforto e o que é necessidade, e esta linha não é clara para alguns, como a série Gente Lesa e meu dia-a-dia mostram.

E para você? O que é conforto e o que é necessidade?







quarta-feira, 15 de abril de 2009

DO DIA DA TERRA




Querem saber de uma coisa interessante e que só agora me dei conta? O Dia da Terra não deveria ter esse nome. Vejam: a vida no planeta já resistiu a todo tipo de cataclisma. Mudanças de continentes e correntes marítimas; avanço e recuo de geleiras; choques com meteoritos... E a vida segue. Ela muda, mas segue.

Talvez a questão seja toda essa, que nós tememos a mudança pois certamente, frágeis como somos, seríamos varridos da face da Terra. Haja visto aquele tsunami que alcançou tantos países do planeta, que matou tantas pessoas e mudou a face de cidades inteiras, vindo de um evento cataclísmico que nem foi dos maiores!!!

Não, não é Dia da Terra, mas sim o dia da Existência do Homem sobre a Terra. O que protegemos é nossa sobrevivência através de um modelo econômico e políticos diferentes. Um onde o planeta não seja o mesmo tempo uma gigantesca gôndola de supermercado para se extrair tudo o que se quer, nem como uma grande lixeira, que recebe nossos dejetos como se eles fosse sumir por mágica.

Pense nisso.

terça-feira, 10 de março de 2009

DA CONSERVAÇÃO SUSTENTÁVEL




Duas palavras muito usadas ultimamente no meio ambientalista são
Desenvolvimento Sustentável. Quando leio a palavra desenvolvimento, subentendo que é algo que avança, que cresce.

Certa vez, em uma palestra sobre este tema em Guarulhos, o palestrante abriu a palavra para o público e eu lhe fiz esta pergunta:

Qual é o limite do desenvolvimento para a cidade de Guarulhos?

Perguntei pois tudo tem um limite. Vivemos em um mundo de regras regidas pela Física, Geografia, Meteorologia, Matemática. Tomemos como exemplo a água potável.

Pela regra, quanto mais pessoas maior a demanda de recursos naturais. No entanto, quanto mais pessoas, maior é a área ocupada em uma cidade. Em Guarulhos, isto se traduz em subir os morros, avançar pelas matas e mananciais, diminuindo a oferta deste líquido tão precioso a uma população crescente. Que mágica fará nossos governantes para tirar água da pedra? O Rio de Janeiro já dá as suas cabeçadas nesta questão, ganhando as manchetes dos jornais.

Talvez seja esta a hora de repensar este modelo de sustentabilidade, de admitir que em alguns lugares o limite chegou, ou até foi ultrapassado. O problema é saber quem terá coragem de suportar o ônus político desta decisão.

Quem poderá dizer "segundo estudos mais recentes, nossa cidade não comporta mais pessoas de modo a lhes dar uma vida digna"? Isto é algo difícil de se fazer, pois significa segurar em si uma seqüência de decisões erradas cometidas a décadas.

Dizer que se precisa de muita coragem é, no mínimo, ser modesto.

Ou será que devemos esperar que alguém nos diga esta verdade inconveniente? Até que ponto o Desenvolvimento Sustentável não é uma saída paliativa?

Haverá meios de subsistência para as gerações futuras? Você terá filhos? Em que condições de moradia, saneamento, emprego, segurança ele viverão? Ah, vai contar com a sorte, é? Deus proverá?


Pensemos nisso.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

VETO ÀS SACOLAS BIODEGRADÁVEIS?

O Governador José Serra vetou tempos atrás um projeto que proibia a circulação de sacolinhas de mercado, ou restringia seu uso às biodegradáveis. Em seu entender, isto não compete ao Estado julgar mas a União, além de interferir em atividade privada e necessitar avaliações quanto ao impacto econômico, entre outros motivos.

O autor do projeto de Lei 534/07, o então deputado Sebastião Almeida afirma que leis semelhantes já foram aprovadas, como em São Francisco (E.U.A.), e que o veto cortou qualquer possibilidade de discussão sobre o assunto.

Quando Almeida elegeu-se prefeito em Guarulhos aproveitou a idéia para criar uma lei municipal, a exemplo de outras cidades do país por entender que cabe aos municípios promover políticas locais para solucionar o problema de seus dejetos. Concordo.


Segundo o blog Bruxa do Leste, iniciativa idêntica fora toma pelo também prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho. Veja AQUI o comentário no blog da amiga Isaura Vecchi.

Minha relação com sacolinhas de mercado tenta ser mínima, já que nas compras uso mochila escolar comum para transporte das minhas compras. Lembro que, quando criança, nós tínhamos uma sacola não-descartável, que ficava em um gancho atrás da porta, para estas finalidades. Minha mãe e eu a usávamos sempre, seja em mercado, seja em feiras livres. Grandes redes de mercados já vendem as ecobags e restringem o uso das sacolinhas de mercado. Já é um avanço.

Com um tempo de vida de 100 anos quando exposta à Natureza, as sacolinhas de material não-biodegradável são um risco em potencial que só aumentam com o descaso da população que não sabe consumir, criar e descartar seu lixo. Já as biodegradáveis possuem um tempo menor de decomposição quando expostas à natureza:

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Além do aditivo que fragiliza as moléculas do plástico comum, feito com polietileno ou polipropileno, a rEs Brasil traz para o Brasil resinas de amido feitas principalmente de mandioca, milho ou batata (não transgênicas), que resultam em um plástico 100% orgânico. O filme resultante se deteriora pela ação de microorganismos em contato com o solo, em contato com resíduos orgânicos e em ambientes de compostagem e de aterros sanitários, os chamados
lixões, em um período de 40 a 120 dias, se transformando em um composto orgânico que pode ser usado como humus na adubação.
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Fonte: recicláveis.com.br

Existem muitos fatores envolvidos na produção industrial em geral. Um dos primeiro argumentos que se faz contra qualquer lei ambiental é que ela atrapalha o desenvolvimento, gera custos e (palavrão!!!) causa desemprego. Quando esta última palavra é citada pode-se ouvir o burburinho "na geral". São questões sensíveis. Tenho um amigo que faz estamparia (silk-screen) em sacolinhas plásticas e já tivemos produtivas conversas a este respeito.


Creio que, independente da existência ou não de uma Lei, deve imperar o bom-senso. Que se reduza a zero o consumo de sacolinhas, apesar dos pesares. Ou teremos mais problemas no futuro enquanto sociedade.


Saúde, amizade, liberdade.

S. Thot.


sábado, 31 de janeiro de 2009

DO OUTRO MUNDO





"Um Outro Mundo é Possível". Este sempre foi o tema norteador do
Fórum Social Mundial onde quer que ele aconteça. Neste ano foi novamente em Belém do Pará, no Brasil. Mais de cem mil pessoas desceram na floresta amazônica afim de trocar experiências e levar propostas para todos os cantos do mundo.

Paralelo ao Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, na Suíça, o FMS entende que a moeda de maior valor não é o ouro negro ou números constantes em uma tela de computador. As pessoas que dele participam querem algo mais que carros nas caragens.


Vêem mas não falam

No decorrer da semana busquei notícias consistentes sobre o Fórum, mas incrivelmente, na era da informação, não achei nada de relevante nos grandes meios de comunicação. Não sei porque me espantei vendo uma cobertura baseada em pequenas organizações e pessoas que de maneira individual, relatavam o que viam, ouviam e liam nas assembléias. Parece que, em tempos de internet, quem tem um PC é rei da informação.


A questão ambiental

Não nos enganemos: não se pode falar de meio-ambiente sem falar de justiça social, e vice-versa. Quem explora o humano explora o animal, o vegetal e o meio. Perceba que empresas envolvidas com escravidão também não recolhem impostos, atendem a leis ambientais e outras regras sociais.

A importância do Fórum não deve ser subestimada. A aparência caótica dá a impressão que nada sairá destas discussões, que são um bando de loucos que se vestem de maneira esquisita e que estão lá para diversão mascarada de luta social.

No entanto, temos homens de cinza devidamente organizados, crachás com foto no peito, em ambiente termicamente controlado que olham para a economia e não sabem dizer o que deu errado, como resolver e quanto tempo durará esta crise. Querem ser independentes do Estado até verem seus capitais de mentira irem para o espaço. Nesta hora recorrem aos governos como bezerros sedentos.

É preciso achar alternativas. E com rapidez.

sábado, 15 de novembro de 2008

DOS DRAGÕES





Os dragões, cobras aladas e outros répteis gigantes fazem parte do imaginário popular de quase todos os povos do planeta. Não raro associam-se à forças naturais indomáveis como vulcões, rios, tempestades.
São o caos natural primordial, como Tiamat, a grande serpente Apep, a Serpente de Adão e Eva, Macha Pacha, o dragão sem nome de São Jorge.


Discute-se ainda como povos de todas as partes do globo possuem visões semelhantes sobre estes grandes répteis. Talvez seja pela observação de fósseis de dinossauros. Não me surpreenderia. Diz a lenda que a palavra mamute é de origem asiática, provavelmente chinesa, para descrever esses animais que se pensava serem castores gigantes!


No Brasil também tem Dragão
E não falo dos Dragões da Independência, a guarda real  criada por D. João e que acompanhava D. Pedro I , testemunhando a Declaração da Independência do Brasil em 1822 e que ainda guarda o chefe do governo executivo desta nação.

Nosso dragão é a Cobra Grande, a serpente de Fogo, o Boitatá. Reza a lenda que esta entidade vaga pelas matas e é impiedosa contra caçadores cruéis, que caçam por prazer e não fome. Sua ira também se volta para os que promovem incêndios criminosos. Cruzar com ela devia ser o maior terror dos antigos povos que andavam pelas florestas.


 
Rios Serpenteantes
 
Os rios sempre invocaram imagens de serpentes, com muita propriedade aliás. Suas margens sinuosas são um convite para a contemplação e fascínio ao mesmo tempo que chegar com imprudência pode causar terríveis acidentes. Um rio que conheço e atendia estas características antes de ser sufocado em suas próprias margens é o nosso Rio Grande, o Tietê.

Dias atrás, enquanto observava o conserto de minha bike na oficina, travei conversa com um antigo morador da cidade. Ele me contou das pescarias nas várzeas do rio nos anos 50 e como ele era fértil. "Peixe agora", me confidenciou, "só da cidade de Salto pra cima". Pena.

Vendo fotos antigas do Tietê que recebia provas de regatas e outros esportes, me pergunto onde foi a vida dele, se entre suas atuais margens de concreto, onde o nome de seus córregos vem escritos próximos buracos de onde jorram uma água fétida e escura, resiste ainda alguma vida.

Esta gigantesca serpente acorrentada, que cruza nosso estado e roça com seu corpo imenso Guarulhos e outras cidades, este rio estará morto pelo São Jorge do progresso?

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DO PAU-DE-FITA








No ano de 2007 a prefeitura de Guarulhos convidou uma conhecedora em Danças Circulares, Vaneri de Oliveira, para ministrar workshops aos domingos na Tenda do Bosque Maia, na região central de Guarulhos. O lugar era aberto e qualquer um poderia participar da atividade mas poucos adultos, incluindo nós do Semente, ousavam dançar em roda.

Sim, a exposição a algo que poderia ser ridículo deixava muita gente à margem. Em muitos o olho dizia sim mas o corpo não obedecia ao impulso primitivo de dançar e ser um pouco mais solto e feliz. A única expressão possível a estas pessoas era um leve sorriso de escárnio.

De minha parte reconheço que o contato com a dança faz uma ponte com outra forma de percepção de meu corpo, fazendo movimentos com as articulações que jamais se realizariam na vida cotidiana.


A dança sempre teve um papel importante no quesito conhecimento do corpo, seja do seu, do outro/a,  seja da comunidade. Bailes sempre reforçaram a solidez dos grupos, reatando os laços da comunidade. Muitas vezes possuem até um caráter utilitário, como nas construções de casas em algumas regiões do mundo. Dança-se para criar um chão de terra batida, afim de fazer o piso onde será erguida a futura residência. Não é interessante?


Quer dançar?
 

Em um Certo Beltane

Entre nós temos as danças de pau-de-fita nos dias de Beltane, em finais de outubro, trançando e destrançando sob o sol brilhante. Tenho a lembrança de uma destas danças, feitas com número ímpar de participantes, no Parque do Carmo. O ideal era que o número de celebrantes fosse par, mas seria inviável deixar alguém de fora por causa de um detalhe técnico.

E durante o trançar e destrançar nos enroscávamos e ríamos como crianças novamente! Porque rir é fundamental quando as coisas parecem dar errado. E porque ríamos de repente tudo parecia fazer sentido e entramos sem querer em um estado mental diferente. Os risos deram lugar à contemplação.

Não sei o que os outros sentiram mas eu me senti levado no tempo e no espaço e depois somente girava e girava como fazem os planetas em torno do Sol. Era a própria Dança Cósmica que reproduzíamos ali. E quando finalmente terminamos, esbaforidos e felizes, tínhamos a profunda certeza de que chegamos onde deveríamos chegar.

Para cuidar e amar o corpo, temos que reconhece-lo. Seja o corpo da Terra, seja o nosso. Então dancemos!!!