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sexta-feira, 4 de março de 2011

É SATURNÁLIA

O Carnaval regido pelo calendário cristão é um arremedo das festividades pagãs do mundo Antigo. Quem quiser saber da história leia AQUI. Incrível imaginar que a mesma festa romana deu origem ao rei Momo e ao Papai Noel!

Segundo a tradição, era escolhido um rei para as festividades, o senhor da bebida, do prazer que era ao final, sacrificado. Lógico, não há almoço grátis, né? O tema do sacrifício do rei para que o poder retorne ao povo é recorrente no mundo agrário. Hoje apenas destronamos nosso Momo, um ato substituto menos violento, e ele não se candidata mais.

Temos que ensinar esta técnica aos nossos governantes, como Sarney, Collor, Itamar e companhia, que não largam o osso do poder e acabam sacrificando a gente!

A história do carnaval em Portugal e no Brasil é muito interessante. Visite o site UOL Educação para saber, por exemplo, porque as escolas de samba têm esse nome AQUI.


Virgem de Carnaval

Saibam vocês que nunca saí em um bloco carnavalesco, nunca fui em um baile ou assisti a desfiles. O fato de eu gostar de rock contribui para evitar a festa, apesar de não existir, em tese, nada que possa me separar dos foliões. Quase ensaiei uma ida ao desfile da minha cidade. Afinal, temos que ter algumas experiências antes de passarmos para o Amenti, onde nada é garantido.

Mas é temos hoje o carnaval de Apolo, de avenidas artificiais e retas, com a elite nos camarotes globais, carnaval cronometrado onde tem sempre um carro quebrado ou pneu furado.

Talvez eu queira o carnaval descrito pela saudosa Elis Regina no vídeo abaixo. Um carnaval de pierrô e colombina, de confete e serpentina. Ou uma festa de sacerdotisas bacantes a gritar pelas ruas tortuosas, bêbadas de Deus.

Enfim, tenho saudades do que não vivi, rs!

Feliz Saturnália a tod@s


S. Thot

terça-feira, 13 de julho de 2010

ALMOÇO GRÁTIS?




Vocês que possuem alguma cultura já ouviram a frase "Não Existe Almoço Grátis", que foi atribuída ao economista
Milton Friedman. Penso muito nela nestes tempos de promoções disto ou daquilo. Sabe aquelas compras onde se ganha um celular? Então, não se ganha um celular. A peça em si já está paga. Seja seu valor diluído entre outros artigos da loja, seja no arrocho que se faz nos salários de quem o produz. Mas o celular não é grátis. Nada é grátis.

Com a natureza se dá o mesmo. Tudo tem um preço. Tenho lido "As Máscaras de Deus", de Joseph Campbell. É um livro fundamental para quem deseja ultrapassar as questões de Magias & Encantos, o deslumbre com o povo celta e a infantilidade que cerca a Religião da Deusa hoje.

Em determinado trecho é citado como os índios Pés Pretos receberam os ensinamentos da Dança do Búfalo, para que a caça sempre voltasse e a fome não se instalasse nas pradarias americanas. O mito é uma forma poética de passar e fixar um ensinamento importante.

Um caçador de búfalos e um economista do século XX, separados cultural, temporal e fisicamente descobrem que tudo na vida tem um preço, usando assim este conhecimento para fins específicos. No caso de nosso amigo da tribo dos Pés Pretos, para honrar aquilo que se come pois o preço pago pelo búfalo é alto.

O preço que a Vida paga para nosso sustento também o é. Logo, cada prato de comida é sagrado, mas as feiras livres parecem gritar o inverso, como a foto que ilustra este texto. E creio que nem precisava dela aí em cima pois vocês mesmos já comprovaram tais cenas.

A embalagem vazia em sua mão é sagrada! É fruto de tempo, material, energia e tecnologia! Vai jogar no chão ou lhe dará um fim digno?

Teremos em breve uma represa na bacia Amazônica, uma das maiores do mundo. O Código Florestal Brasileiro tem passado por mudanças significativas nas últimas semanas. Entre elas:

  • desobriga proprietarios de terra de recuperar parte da area nativa em "suas" propriedades;
  • dimunui a área de proteção nas margens dos rios etc.


Nós dançamos a "Dança do Búfalo" para merecermos todas estas coisas?

Pensa nisso!


Saúde, amizade, liberdade.


Ps.:

Segue um trecho do documentário sobre o tema do herói com o próprio Campbell, que veio a falecer tempos depois. A primeira vez que passou, na tv Cultura, eu não pude assistir porque era horário de novela e minha mãe não deixava! É mole?



quarta-feira, 25 de março de 2009

Movimento

Afinal o que pode representar melhor a Magia do que nosso corpo???
Mesmo parados, estamos em movimento, nosso sangue circula, nosso coração pulsa, nossas células dançam em sincronia.
Movimento é energia... energia é vida.
Por isso que a dança do ventre representa a Fertilidade Sagrada. Poi dançando estamos fazendo do nosso corpo uma fonte dessa energia e transbordando-a para o universo!
Parece simples, mas pensando nisso, vemos que sem a dança nosso mundo morrerá.
Mulheres, por favor dancem!
Dancem a vitória, dancem a tristeza, dancem para lutar, dancem para fabricar alegria. Dancem para dar a luz, dancem para morrer!
Se pararmos o que será da Magia?
O que será do Divino?
E com o suor escorrendo entre os seios poderemos sentir a vida pulsando dentro de nós junto com a Grande Mãe!
Bendita seja Gaia que dá o apoio dos nossos pés!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DO PAU-DE-FITA








No ano de 2007 a prefeitura de Guarulhos convidou uma conhecedora em Danças Circulares, Vaneri de Oliveira, para ministrar workshops aos domingos na Tenda do Bosque Maia, na região central de Guarulhos. O lugar era aberto e qualquer um poderia participar da atividade mas poucos adultos, incluindo nós do Semente, ousavam dançar em roda.

Sim, a exposição a algo que poderia ser ridículo deixava muita gente à margem. Em muitos o olho dizia sim mas o corpo não obedecia ao impulso primitivo de dançar e ser um pouco mais solto e feliz. A única expressão possível a estas pessoas era um leve sorriso de escárnio.

De minha parte reconheço que o contato com a dança faz uma ponte com outra forma de percepção de meu corpo, fazendo movimentos com as articulações que jamais se realizariam na vida cotidiana.


A dança sempre teve um papel importante no quesito conhecimento do corpo, seja do seu, do outro/a,  seja da comunidade. Bailes sempre reforçaram a solidez dos grupos, reatando os laços da comunidade. Muitas vezes possuem até um caráter utilitário, como nas construções de casas em algumas regiões do mundo. Dança-se para criar um chão de terra batida, afim de fazer o piso onde será erguida a futura residência. Não é interessante?


Quer dançar?
 

Em um Certo Beltane

Entre nós temos as danças de pau-de-fita nos dias de Beltane, em finais de outubro, trançando e destrançando sob o sol brilhante. Tenho a lembrança de uma destas danças, feitas com número ímpar de participantes, no Parque do Carmo. O ideal era que o número de celebrantes fosse par, mas seria inviável deixar alguém de fora por causa de um detalhe técnico.

E durante o trançar e destrançar nos enroscávamos e ríamos como crianças novamente! Porque rir é fundamental quando as coisas parecem dar errado. E porque ríamos de repente tudo parecia fazer sentido e entramos sem querer em um estado mental diferente. Os risos deram lugar à contemplação.

Não sei o que os outros sentiram mas eu me senti levado no tempo e no espaço e depois somente girava e girava como fazem os planetas em torno do Sol. Era a própria Dança Cósmica que reproduzíamos ali. E quando finalmente terminamos, esbaforidos e felizes, tínhamos a profunda certeza de que chegamos onde deveríamos chegar.

Para cuidar e amar o corpo, temos que reconhece-lo. Seja o corpo da Terra, seja o nosso. Então dancemos!!!