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quarta-feira, 20 de abril de 2011

A VIDA É UM PROCESSO

Olá, como vão tod@s?

Quero dividir com vocês um pensamento que tomou forma nos últimos anos graças a Roda do Ano. Vou usar o Samhain, por exemplo. Institucionalizou-se há muito tempo sua data é o 1º de Maio no Hemisfério Sul, certo? Tudo bem que correntes mais tradicionais seguirão a Roda do Norte mas não é este o cerne da questão. Falo sobre colocar toda a carga simbólica da data em um único dia.

Acredito hoje que o Samhain, assim como outras datas, são um processo. Sabe, é como li uma vez no Livro dos Farrar, Oito Sabás para Bruxas, que o reino do Inverno começa no solstício de Verão. O Samhain para mim não começa no dia 1º de Maio, mas bem antes ainda!, durante os dias de Mabon. Pois a alegria da colheita se soma a tristeza da seca e da privação. O comércio entendeu bem isso pois mal se passa o Dia das Crianças (12 de Outubro) e as lojas já preparam as decorações natalinas!

O Samhain em particular nos ensina isso durante este espaço de tempo entre a Colheita e o Solstício através da morte e do apodrecimento daquilo que não nos serve. Estes restos repousarão e se decomporão enquanto nos preparamos para os Novos Tempos. Se sobrevivermos ao inverno da alma.


Escolhas

Sendo a vida é um processo, então nossas escolhas são pré-determinadas pelo que fizemos no passado, não é mesmo? Afinal, não acostumamos a comprar as crianças com doces ou ameaças? Como reclamar quando estes adultos forem comprados para os mais diversos fins a despeito de suas próprias convicções, se é que terão alguma? Esse aprendiz de adulto já está no processo de aceitar uma prenda para cada ato de obediência sem questionamento. Acertou, ganhou um biscoito, como os cães de Pavlov.

"As primeiras experiências com os cachorros eram simples. Segurava um pedaço de pão e mostrava ao cachorro antes de dá-lo para comer. Com o tempo o cachorro passou a salivar assim que via o pedaço de pão. A salivação era uma resposta quando a comida era colocada em sua boca, uma reação natural de reflexo do sistema digestivo do animal e não envolvia aprendizagem. Pavlov designou esse reflexo de reflexo inato ou não condicionado."

Como? Não sabe quem foi Ivan Pavlov? Acredite: ele sabe quem é você. Clique AQUI.

Então a possibilidade de uma pessoa resistir às pressões da vida está condicionada nas experiências que já teve e como reagiu a elas, externa e internamente. É neste processo que estamos mergulhados. A cada dia a vida nos expõe a situações iguais e ao mesmo tempo diferentes. sempre há um temperinho a mais para modificar algo aqui ou ali, mas na média é sempre a mesma pergunta: como você sobreviverá a mais este dia?

E na sua resposta estará a semente do futuro entre todos os futuros possíveis.

Nada será como antes. Pensem nisso.

Sergio Thot




Ps.: quero dividir com vocês algumas postagens interessantes feitas por outros blogueiros.



  • Existe em nós imensa dificuldade de aceitar os ciclos e isso se deve a falta de conexão com os processos naturais...A natureza é plenamente consciente do ciclo vida-morte-vida. Aquilo que morre é matéria para aquilo que nasce...Não há culpados, não há erros, há o continuo fluir dos caminhos.... Pérola encontrada no blog da ciberamiga Gislaine Carvalho, do blog Era uma Vez. Clique AQUI. 


sexta-feira, 4 de março de 2011

É SATURNÁLIA

O Carnaval regido pelo calendário cristão é um arremedo das festividades pagãs do mundo Antigo. Quem quiser saber da história leia AQUI. Incrível imaginar que a mesma festa romana deu origem ao rei Momo e ao Papai Noel!

Segundo a tradição, era escolhido um rei para as festividades, o senhor da bebida, do prazer que era ao final, sacrificado. Lógico, não há almoço grátis, né? O tema do sacrifício do rei para que o poder retorne ao povo é recorrente no mundo agrário. Hoje apenas destronamos nosso Momo, um ato substituto menos violento, e ele não se candidata mais.

Temos que ensinar esta técnica aos nossos governantes, como Sarney, Collor, Itamar e companhia, que não largam o osso do poder e acabam sacrificando a gente!

A história do carnaval em Portugal e no Brasil é muito interessante. Visite o site UOL Educação para saber, por exemplo, porque as escolas de samba têm esse nome AQUI.


Virgem de Carnaval

Saibam vocês que nunca saí em um bloco carnavalesco, nunca fui em um baile ou assisti a desfiles. O fato de eu gostar de rock contribui para evitar a festa, apesar de não existir, em tese, nada que possa me separar dos foliões. Quase ensaiei uma ida ao desfile da minha cidade. Afinal, temos que ter algumas experiências antes de passarmos para o Amenti, onde nada é garantido.

Mas é temos hoje o carnaval de Apolo, de avenidas artificiais e retas, com a elite nos camarotes globais, carnaval cronometrado onde tem sempre um carro quebrado ou pneu furado.

Talvez eu queira o carnaval descrito pela saudosa Elis Regina no vídeo abaixo. Um carnaval de pierrô e colombina, de confete e serpentina. Ou uma festa de sacerdotisas bacantes a gritar pelas ruas tortuosas, bêbadas de Deus.

Enfim, tenho saudades do que não vivi, rs!

Feliz Saturnália a tod@s


S. Thot

terça-feira, 1 de setembro de 2009

DIA DO ORGULHO PAGÃO

"Por ser a Deusa manifesta em todos os seres humanos, não tentamos fugir de nossa humanidade, mas buscamos ser plenamente humanos."

A Dança Cósmica das Feiticeiras, Starhawk

O Dia do Orgulho Pagão é um evento mundial cujo o início oficial data do ano de 1997 através de Cecylyna Dewr e Dagonet Dewr, através da Liga de Esclarecimento, apesar de documentos atestarem que iniciativas como estas eram realizadas desde 1992!


O objetivo do Dia é ser um marco no ano para ações que devem acontecer com alguma periodicidade em nossas vidas, como esclarecer as pessoas sobre nossa escolha religiosa sempre que for propício faze-lo, além de dedicar um pouco de nosso tempo e esforço para o benefício da comunidade. O dia é um marco, como dito, mas as ações por ele inspiradas devem perpetuar por toda a Roda do Ano. É nosso sagrado ofício, sacro ofício, sacrifício.





É tempo de com-parti-lhar

Dedicamos uma parte do que somos para algo maior do que nós, maior do que nossos desejos corriqueiros, inspirados nos atos de nosso Antepassados ou Contemporâneos.
Então pense: como posso devolver à comunidade tudo aquilo que me foi confiado nos estudos senão sacrificando meu tempo e meu esforço? Já me disseram que para se obter fartura em casa é preciso fazer um bolo com muito amor, ainda que seja simples, e reparti-lo entre seus vizinhos.

O Dia do Orgulho Pagão tem esta característica: repartir com o outro aquilo que temos de melhor. Pense nisso. 


Saúde, Amizade, Liberdade. 




S. Thot

Ps.: segue abaixo um vídeo de como fazer um bolo de fubá cremoso, ótimo para fazer e convidar os vizinhos para um cafezinho no fim da tarde.  

sexta-feira, 13 de março de 2009

DA REUNIÃO



Após um longo período de reclusão temos a alegria de informar que nossos encontros periódicos voltarão a acontecer no Bosque Maia. Sempre aos domingos no Espaço Gilmar Lopes, às 14h00.

Nosso calendário, e links interessantes:

Os eventos são públicos e com autorização da prefeitura Municipal de Guarulhos. Lembrando que sempre pedimos um quilo de ração para cão ou gato aos participantes, afim de reverter a ONG de defesa animal Deixe Viver.

Menores, sempre com autorização escrita dos pais para participação. Se eles vierem, melhor ainda: é mais uma parede que se quebra!

Entrem em contato para maiores detalhes!

Saúde, amizade, liberdade!


S.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

DO INOMINÁVEL





Existe algo dentro e fora de mim que não posso nomear. Algo que só posso sentir sem poder dar-lhe uma forma, uma voz. É o Mistério, algo a ser vivenciado antes de ser descrito ou provado.
Diante deste Inominável nos sentimos minúsculos, o que geral um nó na garganta difícil de desatar. As pernas fraquejam e o coração bate tal qual um tambor dentro do peito.

Não nego que dar-lhe um rosto familiar que possa interceder entre o Absoluto e meu sentimento de assombro.
Muitos querem provar ou não a existência do Divino, como se fosse possível. Pois não é. O Divino não existe. Talvez você imagine isto como heresia, mas eu vou explicar.


O que é existir?

A existência e sua comprovação é um saber cientifico. O ser existente é algo que vive em nosso real, que pode ser pesado, medido, saboreado, visto, ouvido, algo com que podemos nos relacionar diretamente e manter um comunicação. E o Divino não pode fazer nenhuma destas coisas. O Divino interage conosco em nível mais sutil.

É como estar apaixonado, sabe? Quem pode dizer ou provar que está apaixonado? Como medir o tamanho do amor? O amor não tem proporções e nem há ninguém que possa provar ou não sua existência. No entanto centenas de pessoas afirmam seguramente que o conhecem? Como é possível?



Experimente

Ter contato com o Divino é como o Amor: é preciso viver o momento. É preciso experienciar. Sem a experiência é impossível falar tanto de amor assim como do Divino. Só quem a vive sabe da dor e da delícia de estar imerso nestas sensações.

Para acessar o Divino não basta o conhecimento dos livros, mas também de fé. A fé nasce e mantém através dos ritos, dos sabás e esbás, da comunidade. Sem estes elementos a fé não se mantém, nem o grupo. Tudo está interligado.

Se você vive, você sabe.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DO PAU-DE-FITA








No ano de 2007 a prefeitura de Guarulhos convidou uma conhecedora em Danças Circulares, Vaneri de Oliveira, para ministrar workshops aos domingos na Tenda do Bosque Maia, na região central de Guarulhos. O lugar era aberto e qualquer um poderia participar da atividade mas poucos adultos, incluindo nós do Semente, ousavam dançar em roda.

Sim, a exposição a algo que poderia ser ridículo deixava muita gente à margem. Em muitos o olho dizia sim mas o corpo não obedecia ao impulso primitivo de dançar e ser um pouco mais solto e feliz. A única expressão possível a estas pessoas era um leve sorriso de escárnio.

De minha parte reconheço que o contato com a dança faz uma ponte com outra forma de percepção de meu corpo, fazendo movimentos com as articulações que jamais se realizariam na vida cotidiana.


A dança sempre teve um papel importante no quesito conhecimento do corpo, seja do seu, do outro/a,  seja da comunidade. Bailes sempre reforçaram a solidez dos grupos, reatando os laços da comunidade. Muitas vezes possuem até um caráter utilitário, como nas construções de casas em algumas regiões do mundo. Dança-se para criar um chão de terra batida, afim de fazer o piso onde será erguida a futura residência. Não é interessante?


Quer dançar?
 

Em um Certo Beltane

Entre nós temos as danças de pau-de-fita nos dias de Beltane, em finais de outubro, trançando e destrançando sob o sol brilhante. Tenho a lembrança de uma destas danças, feitas com número ímpar de participantes, no Parque do Carmo. O ideal era que o número de celebrantes fosse par, mas seria inviável deixar alguém de fora por causa de um detalhe técnico.

E durante o trançar e destrançar nos enroscávamos e ríamos como crianças novamente! Porque rir é fundamental quando as coisas parecem dar errado. E porque ríamos de repente tudo parecia fazer sentido e entramos sem querer em um estado mental diferente. Os risos deram lugar à contemplação.

Não sei o que os outros sentiram mas eu me senti levado no tempo e no espaço e depois somente girava e girava como fazem os planetas em torno do Sol. Era a própria Dança Cósmica que reproduzíamos ali. E quando finalmente terminamos, esbaforidos e felizes, tínhamos a profunda certeza de que chegamos onde deveríamos chegar.

Para cuidar e amar o corpo, temos que reconhece-lo. Seja o corpo da Terra, seja o nosso. Então dancemos!!!


segunda-feira, 29 de outubro de 2007

DAS DIVINDADES ARISTOCRÁTICAS




Este novo foco a que me refiro baseia-se no entendimento que tenho sobre a palavra pagão: do latim
paganus (camponês, agricultor), estes Deuses são aqueles ligados à colheita, vegetais, alimento. Por extensão, também os associo aos deuses da caça e pesca, lugares selvagens, corpos celestes e ancestrais.

Em um mundo regido pelos ciclos naturais, onde a humanidade vivia com aquilo que retira da terra, Deuses mais aristocráticos e dotados de atributos mais “sofisticados” não inspiram grande devoção.



Mão na Enxada


Posso citar como exemplo Amun-Rá egípcio, cultuado nas grandes cidades pelos faraós e sacerdotes, mas que não se sobrepõe a Osíris (o rio Nilo) e Isis (seu vale inundável e fértil).

Entre os gregos temos Zeus, Hera, Áries, Hades. Apesar de poderosos, todos se renderam a Demeter em ocasião do rapto de sua filha Kore/Perséfone. Os Mistérios Eleusinos sobrevivem até hoje, segundo me consta, em agradecimento a Demeter e Perséfone, senhoras da agricultura.




É Carnaval!


Na Roma Antiga temos a Lupercália, culto ao Deus Lobo Lupercus, guardião da cidade. Fortemente ligado à fertilidade e proteção dos rebanhos, seus sacerdotes vestidos em peles de lobo açoitavam com cintas mulheres dispostas a engravidar.

Como quanto maior a área atingida maior a possibilidade de fertilidade é de se esperar que tais cultos terminassem em uma grande festa de pessoas seminuas. A data em que se comemorava a Lupercália era 02 de Fevereiro, data curiosamente próxima do nosso carnaval.

Como de hábito, afim de submeter o povo à nova religião, o cristianismo transformou o evento numa comemoração mais comportada: o Dia dos Namorados, comemorado em 14 de Fevereiro em alguns países do mundo.

Vocês conseguem ver um membro de alguma alta casta social dançando seminu pelas ruas de uma cidade? Confesso que seria interessante.




Falando em Carnaval...


Luís da Camara Cascudo, escritor brazuca, narra na obra "Antologia do Folclore Brasileiro" os acontecimento de uma "Festa de Baco em Pernambuco", comemorada depois da festa da Nossa Senhora dos Prazeres. Atenção ao Hino báquico:

"Bebamos, companheiros.
Bebamos, companheiros.
O suco da uva.
O vinho verdadeiro."

Lógico que, após tentativas das autoridades para dar um fim pacífico à festa não surtiram efeito, as forças públicas do governo, com uma "numerosa força de infantaria e cavalaria" deram um ponto final ao assunto. Afinal, somos um país cristão onde festas deste naipe não são bem vistas.

Nosso próprio carnaval, antes da pasteurização das escolas de samba e realizado em avenidas artificiais, foi vítima de perseguições mil numa época que droga pesada era lança-perfume. Deixou de ser festa popular no pleno sentido da palavra.





Coisa de Pobre


Deuses pagãos, no sentido estrito da palavra, são cultuados pelas pessoas que "ralam" no sol e na chuva. Seus cultos são melhor realizados nos campos do que em palácios cobertos de ouro. Seus sacerdotes possuem as mãos calejadas e os pés com o barro da terra que dão sustento a eles e a nação.

Um templo pagão é mais uma imagem de um campo coberto pelas espigas de milho brilhando à luz do sol do que a do Partenon esteticamente perfeito.
Pense nisso!
Sergio Thot.

Ps.: Essa coisa de mato, de casinha com varanda pede Zé Geraldo, hein minha meiga senhorita?


Sergio Thot