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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

POSSE DOS CORPOS



Olá à tod@s

Sabem, não existe contrato no mundo que possa validar, ao meu ver, a posse de pessoas ou grupos sobre outras pessoas, grupos ou terras. Porque tanto o ser humano quanto a Nave-Gaia pertencem a todos, a ninguém e a si mesmos! Este é um pensamento complexo, não?

A ideia nasceu anos atrás, através dos desdobramentos e ligações que tive com com outras ideias. Foi no final do anos 90, após conhecer o pensamento libertário e as lutas campesinas do MST. O primeiro pede a liberdade do ser humano e o segundo a liberdade da terra.



Não Sou de Ninguém


Clique na foto! De Sebastião Salgado.

Libertar o ser humano é antes de mais nada aceita-lo em sua plenitude e não segmenta-lo segundo o próprio gosto. Porque fazemos isso continuamente. Nos coisificamos a nós e ao próximo. A coisificação vem através dos títulos que damos ou recebemos: corintiano, bicha, negro, solteiro, homem, mulher, trabalhador, peão, assaltante, paraíba, baiano, galinha, puta, corno, estudante, comunista, honesto, alto, manco, magrelo, gordo, casado, idiota, caxias, banguela...

O fato é que meu corpo, minha identidade, meus sentimentos, minha inteligência, minha força de transformação do mundo são meus. Meus até o dia em que Hades finalmente chegar e me levar. Mas será a mim e somente a mim que ele levará no meu leito de morte.

Sou em mim meu próprio mundo. E você também! Você é seu próprio universo e há coisas que só fazem sentido aí dentro! Juntos apenas dividimos, compartilhamos um tempo e espaço. As relações humanas são apenas convites para almoçar, jantar, ir ao cinema, dividir o trabalho. Mas são 6 bilhões de realidades diferentes.

Impossível falar de mim sem falar de como me relaciono com o outro. Se você não sabe quem é e seu próprio valor no mundo, corre o risco de ser coisificado.


O Seu Corpo é Valioso

Quando classificamos alguém buscamos reduzi-lo a alguma coisa para que este possa caber em nosso bolso e assim possui-lo. Deste modo tiramos das pessoas a identidade, assim como os senhores de escravos das Américas faziam com os seres humanos por eles comprados na África para o trabalho. Conforme a descrição do livro "A História Concisa do Brasil", de Boris Fausto:

"O critério discriminatório se referia essencialmente a pessoa. mais profundo do que ele, existia um corte separando pessoas de não-pessoas, ou seja, gente livre de escravos, considerados juridicamente como coisa." Pg. 31

Ou seja: para o Estado da época, com a benção da Igreja católica, a pessoa negra era uma coisa. Foram precisos 300 anos para se provar que uma pessoa negra fosse considerada humana. Lhe pergunto: deve uma pessoa esperar a decisão da Justiça ou dos autoproclamados representantes de Deus para se posicionar como figura humana e adquirir a posse de sua individualidade?.

Ainda hoje o pensamento cristão majoritário, com a omissão do Estado, tenta possuir o corpo das pessoas e negar-lhes direitos civis básicos, baseados em critérios duvidosos, por conta da orientação afetiva das pessoas. Em suma: a Igreja decide a quem devemos amar e como. Isso abre brechas para todo o tipo de barbaridades:


  • Pai teve orelha parcialmente arrancada por abraçar filho: o fato se deu na cidade de São João da Boa Vista. Um pai andava abraçado a seu filho e um grupo os espancou achando que fossem gays. Leia AQUI. Lembra aquela história recente de um índio que foi queimado vivo porque achavam que fosse mendigo.


Além da Muralha, os Bárbaros

Ontem e hoje os muros são construídos para delimitar os espaços das pessoas, justificado ou não. Como fez a minha vizinha que ergueu uma fileira de blocos sobre nosso muro comum sem meu consentimento. Para dar o acabamento final na obra ela teve que vir até a minha casa e explicar que a construção não se baseava em qualquer forma de desconfiança da parte deles. Mentira descarada, obviamente. Mas deixei passar. É sempre o medo que levanta muros.

Numa escala maior, os impérios sempre se valeram destas construções para deter o corpo do outro. Veja o exemplo da Muralha de Adriano, imperador romano que construiu um muro gigantesco afim de colocar do outro lado os bárbaros do norte da Bretanha (leia AQUI).  É como varrer a areia da praia. Posso citar outras?

Nossa última vergonha humanitária é o muro que Israel constrói para aprisionar os palestinos da Cisjordânia (veja AQUI). Creio que será uma das maiores penitenciárias do planeta e entra no rol dos Muros da Vergonha. Tudo isso por causa da terra.


A Posse da Terra

As lutas pelo campo que me foram narradas pela militância do MST me deram a seguinte perspectiva: de quanta terra preciso para viver? Pois existem empresas e/ou pessoas que possuem uma fome terrível por espaço e são donas de regiões maiores que minha cidade. O nome disso é latifúndio. A prática de dominar as grandes extensões pela força - das armas ou das moedas - é antiga. Os reis achavam que o país onde estava seu castelo é uma espécie de quintal, sendo as pessoas meros joguetes. Quem já não leu nos contos de fadas: "Filho, um dia tudo isto será seu"?

Existem também os muros invisíveis, as fronteiras desenhadas em mapas-mundi. Todo estudante do ensino básico se acostumou a ver aquela colcha de retalhos colorida e achando tudo normal. Mas em muitos casos as fronteiras separam territórios sem respeitar os traços culturais de cada região.

As guerras mundiais retalharam continentes inteiros ao bel-prazer das nações americana e europeias, como prova o Congresso de Berlim. Qualquer mapa-mundi atual lembra uma colcha de retalhos. Mas o pagão, o camponês que da terra vive não se importa com estas coisas, desejando apenas sossego para plantar e colher, sem ter que se mudar diante do avanço das tropas, sejam elas amigas ou inimigas.



Fronteiras só no mapa-mundi!
Do Alto Somos Todos Iguais


A Mãe-Terra não tem fronteiras quando vista do espaço. Mas inventamos tantas maneiras de construir muros e tantas desculpas para mante-los. E no final é sempre o medo que prevalece, pois temos sempre que por a cara para fora.

A conclusão a qual cheguei é que não podemos libertar o corpo da Terra se não podemos libertar o corpo das pessoas. Que não é possível libertar o corpo do outro sem também libertar a si mesmo. E não podemos libertar as pessoas sem libertar a Terra também! Pois não adianta trancarmos em nossos mini-feudos ou em grandes latifúndios. Somos homo socius e uma hora temos que por a cabeça fora do buraco.

Se puder pedir algo a vocês, caros leitores, é o seguinte: libertem os corpos! O seu, o meu, o da Terra. Pois a posse é uma ilusão e só cria tensão entre as pessoas porque sempre haverá um senhor e um escravo. Não confunda posse com amor. Isso é um erro trágico.


Ame seu corpo e passe a amar o corpo do outro também em toda a sua plenitude.

Saúde, amizade, liberdade!

S. Thot


domingo, 22 de maio de 2011

GENTE DIFERENCIADA



Olá a tod@s! Como vão?

Quero comentar dois assuntos cujo os temas são diferentes mas partem de uma origem comum que é o medo do outro. São eles o reconhecimento do Superior Tribunal de Justiça para a união estável entre pessoas do mesmo sexo (leia AQUI a notícia) e o mal-estar causado por alguns moradores do bairro de Higienópolis, em São Paulo, por conta da construção de uma estação de metrô no bairro (leia AQUI a notícia)


O que é família?

Tenho um sobrinho que é filho do primeiro casamento da minha ex-cunhada. Apesar do casal não mais dividir o mesmo teto, o moleque e eu ainda nos chamamos de tio e sobrinho. E isto é ponto pacífico. O amor não deve ser medido pela genética ou pela quantidade de melanina na pele das pessoas. O amor é algo a mais, que não é mensurável. Os valores que ainda norteiam a família hoje são orientadas para se acumular bens. É por isso que é tão importante saber de quem é a criança. É uma sagrada instituição voltada para o acúmulo de capital. Ou para manter a honra do macho-alfa.

A Wikipedia dá uma boa dica a este respeito:

"Existem também famílias com uma estrutura de pais únicos ou monoparental, tratando-se de uma variação da estrutura nuclear tradicional devido a fenómenos sociais, como o divórcio, óbito, abandono de lar, ilegitimidade ou adopção de crianças por uma só pessoa.
A família ampliada ou extensa (também dita consanguínea) é uma estrutura mais ampla, que consiste na família nuclear, mais os parentes directos ou colaterais, existindo uma extensão das relações entre pais e filhos para avós, pais e netos.
Para além destas estruturas, existem também as denominadas de famílias alternativas, sendo elas as famílias comunitárias e as famílias homossexuais."

Fonte Wikipedia, verbete Família.

E dada as notícias que vejo ultimamente (leia AQUI), não sei se o exemplo dos casais heteroafetivos (que palavrão) podem ser tidos como exemplos a serem seguidos. Espero que estas decisões não sejam tomadas em púlpitos de igrejas ou tribunais. A família é sagrada por conta dos laços de amor que possui. É o amor que sacraliza a palavra escrita e nunca o inverso.

Muitas pessoas confundem direito civil com casamento religioso. Os desavisados acham que se a lei que estende os benefícios do matrimônio ao casais homo fará com que gays entrem de mãos dadas na igreja. Não é disto que se fala, mas sim de conceder cidadania a este tipo de núcleo familiar. Gosto da explicação dada no blog Rascunhos de um Pagão:

"
Os casais homo e hetero são diferentes, sem dúvida, mas à luz da lei e da justiça não pode, não deve, nem há diferenciação, pois em um Estado legítimo de direito, onde a todos [e não apenas para priviliegiados] são garantidos a proteção da lei e da justiça, não cabe nem a discriminação, nem a intolerância, nem o preconceito, por gênero, por raça ou por opção sexual."


O que é Gente Diferenciada?

Também ficou a incógnita no ar. Parece que o metrô atrai tudo o que é ruim para seu entorno: mendigos, drogados e essa tal gente diferenciada. Não entendi bem o que essa tal gente diferenciada. Parece que são pessoas que não se encaixam no status quo das novelas globais: o mendigo, o negro, a prostituta, a mãe solteira, o bêbado, o moleque de rua. Bem, todos estes elementos existem na cidade. A questão é se podemos erguer guetos, bunkers, e nos escondermos neles ou se podemos aceitar a verdade dos fatos e reagir a eles tal qual fez o Bonsonaro, que tornou pública sua homofobia (leia AQUI). Bons inimigos são aqueles que se podem reconhecer à distância.

Li em algum lugar que quando as pessoas viajam a Paris ou Nova Iorque comentam o metrô destas cidades abrangem vários bairros, sua extensão é grande etc. Pois é: quando a chance surge em terras de Pindorama as pessoas não-diferenciadas oferecem resistência. Curioso isso!

Enquanto isso, na minha cidade a gente deseja a anos uma estação de trem para integrar Guarulhos a malha da CPTM. O projeto da linha Jade já existe e os governos aguardam pela última hora antes da Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil para iniciarem as obras. Uns com tanto e não querem.Outros sem nada e precisando. Mas será o Benedito?


Resumo da Ópera

Bem, como faço parte desta turma da Gente Diferenciada, temo um pouco pelo futuro. É verdade que a net tem feito uma revolução nas coisas. Afinal nada mais está oculto neste tempos. Esses dias um colega meu de trabalho comentava sobre os "bichas que se beijam em público". Até 40 anos atrás seriam os casais multirraciais. Creio que esse tsunami de informação anda pegando muita gente de surpresa e não deu tempo para digerir tudo. Disse ao meu colega: "O fato é que todas essas pessoas diferenciadas, com suas crenças, preferências, aparências e atitudes sempre estiveram por aí. Só que agora estamos prestando mais atenção."

Sim, desde o início dos tempos, viemos para ficar e temperar a realidade.

Saúde, amizade, liberdade.

Sergio Thot.


Notas

Soube pelo blog A Era Da Filha (clique AQUI)

Na sessão de ontem, Garotinho já havia sugerido a ameaça: "Hoje em dia, o governo tem medo de convocar o Palocci. Temos de sair daqui e dizer que, caso o ministro da Educação não retire esse material de circulação, todos os deputados católicos e evangélicos vão assinar um documento para trazer o Palocci à Câmara”, afirmou à Agência Câmara.

Legal né o toma-lá-dá-cá da política... Vai aprendendo que sem participação política não existe nova sociedade. Incrível como eles usam a palavra família, como se os casais héteros fossem exemplos de sociedade. No telejornal que assistia ontem (26/05) após a notícia da derrota do kit anti-homofobia, o âncora anunciava a notícia de que um homem matou e enterrou a esposa no piso da própria casa, forjando depois seu desaparecimento, e na sequência o caso do jornalista Pimenta Neves, que matou a namorada e está preso junto com o Nardoni, o pai hétero que matou a filha, e o animal que matou a menina Eloá. Olha a galera!

O amor não tem gênero.

 Me segue no Twitter? Não? Então clica AQUI!

terça-feira, 10 de maio de 2011

MÃE DA HUMANIDADE

Olá a tod@s.

Que maio é o mês das mães todos sabem. Mas muitos desconhecem a origem da comemoração. A data moderna foi instituída graças a um grupo de mulheres que resolveram homenagear a mãe de sua amiga, Anna Jarvis, recentemente morta. 


Amor e Comércio

A intenção de Anna Jarvis e suas amigas de institucionalizar a data em nível nacional nos Estados Unidos da América foi muito boa, mas o comércio abraçou a ideia tal qual fez com outras datas comemorativas, como o natal. Afinal, todo mundo tem mãe e quanto mais filhos ela tiver mais presentes serão comprados e mais os comerciantes lucram com isso. Isso porém a entristeceu profundamente:
 
Jarvis, segundo o obituário no New York Times, ficou magoada porque muitas pessoas mandavam para suas mães um cartão impresso. Dizia ela que "um cartão impresso não significa nada mais que você é muito preguiçoso para escrever para a mulher que fez mais por você que qualquer outra pessoa no mundo. E tortas! Você leva uma caixa para a Mãe - e então come tudo você mesmo. Um belo sentimento!". Fonte Wikipedia.

O dia de comemoração varia de país em país, conforme esta tabela AQUI, e espero que o ímpeto de consumo seja o menor dos motivos para se ver e estar com as mães. Para a minha, por exemplo, não dei nada material. Mas a levei para ver nossos parentes em Pirituba, São Paulo. Fazia anos que eles não se encontravam e creio que tanto para ela quanto para minha tia e primos foi um belo e mágico dia das Mães. Ao menos a minha mãe ligou no dia seguinte em meu celular e, com a voz embargada, me agradeceu pelo presente. Certas coisas não tem preço!


Mães do Mundo

Quero também homenagear as Mães do Mundo, que sacrificam seus filhos para possamos sustentar esta ingrata humanidade ou que lutaram com todas as forças para que o bem e a fartura prevalecessem: Réa, Ísis, Cibele, Deméter, Gaia, Mani, Fraya, Iansã, Isthar e outros milhares de nomes pelos quais é mundialmente conhecida.


No domingo, indo para a casa da minha mãe, passei pelo cemitério e vi os vendedores ambulantes com buquês de flores e os filhos órfãos entrando no último endereço de suas queridas genitoras. Agradeci à Ceifadora por ter me concedido mais um dia das Mães com a minha nesta existência e segui em frente.

É como está publicado no blog Mulheres & Deusas:

"É um estado de espírito onde vamos direto a ELA, a natureza, onde vamos além do que nos disseram ser a realidade para realmente SENTIR o que é a realidade.

Nós pagãos(ãs) nos sabemos parte DELA, sentimos em nós o Deus e a Deusa em seus movimentos.

Por isso um (a) pagão sente os ciclos da vida e os celebra, as luas cheias e novas, os trabalhos da crescente e da minguante, sabe quando o sol nasce, o meio dia, o crepúsculo que nos é porta e a noite escura,véu que nos permite atravessar as fronteiras e nos aventurarmos em outros mundos pelo SONHAR."

Viva a Grande Mãe!

Sergio Thot

Ps.: Leiam também o texto de Larissa Pucci, no blog Janela da Alma, sugerido pelo A Alta Sacerdotisa e se emocionem!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ACEITANDO A BENÇÃO



Olá a tod@s. Quero abrir meu coração a vocês a respeito de algo que penso a algum tempo. É sobre as bençãos e como as pessoas as recebem e percebem.

A vida é uma caixinha de Pandora e todos os dias somos expostos as mais diversas situações, algumas boas e outras ruins. São os fatos.
As coisas ruins recebemos no peito, BAM, e a guardamos com carinho. Nããããoooo caro leitor, não é erro de escrita não. Você realmente leu isto! E vou repetir: quando recebemos algo ruim, uma palavra ou gesto, nos abraçamos a ela.

O mesmo não acontece quando recebemos coisas boas. Não nos achamos dignos delas, simplesmente. Ou tentamos achar por debaixo dos elogios ou belos gestos intenções mesquinhas, sarcasmos, ironias. Se dizemos que alguém está bonito, pensa-se "ah, então antes eu estava feio!". Ou se damos algo de valor, reduzimos a questão afirmando "que não precisava se incomodar", que "o presente é caro. Imagine, com tanta gente passando fome no mundo, blá, blá, blá whiskas sachê", quando tudo que se busca é um abraço e um "obrigado". Simplesmente.

Precisa-se estar pronto para receber a benção, saber reconhece-la como tal, abrir-se. Pois quem faz algo de bom também abre o peito, expondo o coração. Os bons precisam de reconhecimento, de feedback. Há uma corrente, uma ligação, uma corrente que une as pessoas e esta ligação pede uma via de mão dupla de sentimentos positivos. Esse outro pode ser uma pessoa ou o Divino. As coisas que fazemos exigem tempo e esforço. Não existe almoço grátis. É assim na natureza e somos parte dela.

Faz-se o bem na esperança de que nosso entorno seja um lugar mais aprazível. Não faz sentido?

Bem, nos aproximamos do Equinócio de Outono, que simboliza as bençãos que recebemos pelo nosso esforço durante todo o ano. Estas bençãos também nos alimentarão durante o período das vacas magras. Estejam prontos para agradecer. Estejam prontos para receber. Acreditem, tudo o que se planta se colhe e se merece.

Saúde, amizade, liberdade.


S. Thot

sábado, 31 de julho de 2010

DAS ORIGENS




Este post nasce não em SP, mas na Bahia de todos os Santos. Minha mãe e eu fizemos uma viagem emergencial devido a problemas familiares e nosso voo chegou na sexta a tarde após uma conexão demorada em Salvador. Esta viagem teve diferentes significados para ela e para mim. A minha véinha não visitava a terra-natal fazia exatos quarenta anos! E eu consequentemente nunca tive muito contato com essa parte da parentada.


Fomos recebidos pela minha prima e o cunhado dela no aeroporto e de lá para a casa de minha tia, na periferia de Ilhéus. Enquanto atravessávamos a ponte que une a cidade ao continente (ou vice-versa?) Mãe tentava reconhecer na nova paisagem velhos rostos e formas, mas quase sem sucesso. Dispensa dizer que o encontro entre ela foi repleto de repreensões ("ficou tanto tempo sem escrever nem nos visitar" e lágrimas.

Para mim foi revelador porque tive uma overdose de trejeitos familiares, de vícios de linguagem, de hábitos. Foi curioso ver traços marcantes meus e de meus irmãos espalhados em outras pessoas, rs! Foi engraçado ver minha mãe discutir amorosamente com os irmãos dela! E me perguntei se serei assim quando ficar (mais) velho também. Como cresci longe destes laços de família achava que estava imune a este tipo de amor, mas me enganei. Apenas não fui apresentado a irmandade dos primos, ou à proteção e maus conselhos de um tio porra-louca, nem tive o amor, bolos e broncas de vó.


Meus elos com a minha ancestralidade eram curtos.
Mas agora estou reparando estes problemas, finalmente e apesar de tantos anos. De certa forma foi um presente de Candelária para mim e aceito de bom grado. E desejo a vocês caros leitor@s que reencontrem também suas raízes e as fortaleçam. E se deixem levar por outras Terras&Eras.

Abençoad@s sejam!






domingo, 25 de julho de 2010

QUEM É O HERÓI DE SEU FILHO?




Há algumas semanas atrás, assistindo ao Fantástico deparei-me com os desdobramentos do caso Bruno, ex-goleiro do time de futebol do Flamengo, envolvido no desaparecimento de Eliza Samudio. A repercussão do caso afetou outros setores do esporte, como o próprio time que perdeu o investimento e o craque. E os torcedores que perderam seu grande ídolo.

Lojas especializadas não conseguem vender mais camisas com o número do jogador.
Em certo momento da reportagem, um garoto de 13, 14 anos diz ao reporter que não tem mais o goleiro como herói. Isso com o pai dele do lado.

Daí pensei cá com meus botões: o herói desta criança não deveria ser o pai dele?



Pai, o que é um Herói?


Esse é o título de um texto que li quando era criança (logo, faz muito tempo! rs!). O pai em questão, migrante das lavouras secas nordestinas, não tinha uma palavra imediata para dar ao seu filho. Mal sabiam que tinha um presente!

Tia May diria que um herói nos inspira a ser melhor do que somos. Tio Ben, que é alguem poderoso mas com responsabilidades. Penso em Hércules e em Ulisses. Penso em Buzz Lightyear e no Xerife Wood.

Se não assistiram a cinessérie do Toy Story, assistam! É uma lição de amizade, de nunca abandonar nem desistir! Sempre choro, seja nas vezes que vi em casa ou nesses dias quando vi no cinema. Como eu, saíram cantando "Amigo Estou Aqui".


Penso também em meu pai, principalmente agora que chega agosto e o Dia dos Pais. Preparo uma viagem para levar a minha mãe até a terra-natal deles. Ele nunca teve a oportunidade de voltar. Ela não vê os irmãos a quase quarenta anos.

De certo modo é um encontro com as figuras míticas de meu passado infantil, conhecer o lugar de onde vieram e meu próprio passado. Meu pai era pedreiro e trabalhou em grandes obras na cidade de Ilhéus e a promessa de minha mãe é levar-me até elas como quem diz: um pedaço dele é parte do concreto da cidade. Entre nós, pagãos, fala-se muito de ancestralidade e tal. Lembrem que a ponte entre os ancestrais e você são seus pais.



Você foi meu Herói, meu Bandido

Se puder pedir algo a vocês que são pais é que sejam heróis de seus filhos antes que algum indivíduo com menor caráter o seja. Se puder pedir algo aos filhos é que vejam nos seus pais o Casal Divino e os respeitem, ainda que nem sempre isto seja fácil.


Sejam todos abençoados!


Ah, segue abaixo um grande encontro. Fábio Jr. e Fiuk cantando juntos. Depois que assistir, vai lá dá um abraço, um telefonema ou acende uma vela pro véio que ele merece!


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CULTURA DE PAZ






Como costumo escrever aqui, nossa sociedade é marcada por conflitos. Seja no nível pessoal e familiar até em questões internacionais, pois não raro duas pessoas ou grupos desejam/necessitam da mesma coisa e esta se encontra em escassez.


No entanto há outro tipo de conflito. Aquele onde não há nada em disputa e onde o germe do mal fincou suas raízes. E uso a palavra maldade aqui com muito cuidado, pois não costumo dividir as pessoas assim. Considero que as ações são más, e não as pessoas. Pessoas são simplesmente pessoas. A imagem acima é um exemplo disto.


A omissão dos bons

A foto é icônica. Um homem detendo por alguns minutos a marcha de tanques de fabricação russa que rumavam para a Praça da Paz Celestial, em Pequim. Isto aconteceu em 1989 e acredito que alguns de meus leitores nem eram nascidos nesta época. Vocês sabiam que hoje o governo chinês não permite que os seus cidadãos pesquisem sobre isto na internet? E que o Google é omisso, senão permissiva, com esta restrição?

Eis um gigantesco exemplo de como a omissão diante de uma ação maléfica também caracteriza maldade.



Toda a maldade é um roubo

Toda maldade é um roubo porque esta toma de nós alguma coisas, material ou não: equilíbrio, paz de espírito, sono, apetite, saciedade, liberdade, amor, inocência. Quando defrontados com ela perdemos tudo aquilo que julgamos ser o melhor da humanidade e nos tornamos algo sem nome ou propósito.

Toda maldade toma algo de muito valor para dele se aproveitar pouco. O fato de ser tomado caracteriza este tipo de desperdício. Quando jovem tentaram tomar minha auto-estima por conta da minha cor de pele e tipo de cabelo, o que só consegui resgatar ao longo dos anos, da tomada de ação & consciência. O que queriam disso tudo? Rir um pouco. Tanto por nada.


O que fazer?

Cultura de paz não é a cultura do deixa pra lá. Se assim fosse já viveríamos nela, uma vez que o "isso não é meu problema" é o pensamento presente. Não, não são necessárias ações cinematográficas, grandiosas, para se mudar o presente.

Bastam apenas seguir alguns passos simples.


Acorde

Acordar é questionar. Para realizar maioria de nossas tarefas cotidianas nos induzimos a um estado de sono vigiado. Nossa vida rotineira faz com que prestemos atenção somente na tarefa a ser realizada, o que acaba se ampliando para outros aspectos da vida. Então nem sempre percebemos o mal que estamos fazendo a nós ou a outros por conta disto.


Sinta

Sentir é compartilhar. Coloquei o sentir antes do pensar porque nossa mente racional acertadamente busca manter nossa integridade individual ante a segurança do outro. Por isso pouca gente se joga na frente de um carro para salvar uma criança do atropelamento. Mas é justamente este abandono do conforto e da segurança que caracteriza os loucos e o heróis. E a Deusa sabe o quanto é fina a linha que divindade um do outro.


Reflita

Refletir é solucionar. Eis a linha que divide os loucos dos heróis. Os heróis têm um plano de ação baseado em suas experiências de vida, as pessoas que podem lhe ajudar e os recursos disponíveis. Como fez Ísis, que soube sobre a morte de seu marido e não ficou muito tempo chorando. Levantou-se e foi a luta, resgatando seu corpo que fora dividido e espalho, unindo-o e, através das artes de Thot, devolvendo-lhe a vida.


Aja

A palavra fala por si mesma. As pessoas que fazem ações más não se deterão para executa-las, não se engane. Elas, quando cientes do valor negativo de seus atos, ainda assim dispõem-se a faze-los. Já romperam diversas barreiras culturais e éticas. Até mesmo legais.

As pessoas que fazem ações más não se detem. As pessoas disposta a fazer o bem também têm que possuir a mesma disposição.


Lembra: cultura de paz não é passividade. E que demonizar o outro nunca é boa idéia. Afinal, como canta o Poeta "Mas quem se importa? MAS QUEM SE IMPORTA?! EU ME IMPORTO!!! EU ME IMPORTO!!! PELA PAZ, PELA PAZ, PELA PAZ EM TODO O MUNDO!!!



Sergio Thot





domingo, 8 de março de 2009

DOS ANCESTRAIS

Centro de Guarulhos - Rua Dom Pedro


Por esses tempos eu penso em montar a árvore genealógica de minha família. Talvez coletar histórias que eu lembro somente de cabeça, contadas quando criança e que hoje me pergunto se são verdadeiras ou não.


Em parte porque minha família é migrante, nossas raízes próximas não são desta cidade. Meus parentes não tem nome de bairro ou rua aqui. E sempre ouvi de meu pai, hoje falecido, de uma terra onde brota leite e mel. Sua cidade-natal. Sou um guarulhense por documento e esforço.


Parece que Guarulhos é uma grande cidade de migrantes. Quando se vai ao centro da cidade não se diz "vou ao centro da cidade". Mas se fala "vou à Guarulhos". Somos uma cidade partida em muitos aspectos. Até pouco tempo um movimento separatista visava dividir a cidade em duas administrações por causa do pólo industrial que vicejava até o final dos anos 80. Mas as indústrias se foram e com ela o ímpeto que os separatistas tinham em se jogar sobre os impostos que cobrariam das fábricas.A menos de 60 anos boa parte da cidade era composta de chácaras. Muitos bairros ou ruas hoje têm o nome dos antigos proprietários das terras.

 
E de repente... BUM!!! Lotes são criados, ruas e avenidas são abertas e a cidade vai subindo e descendo morros. Pessoas de cidades paulistas e de outros estados enchem os espaços ao redor das fábricas com casas e favelas. Em 1972 estava entre eles a minha família.

 
Meu pai e um dos meus irmãos nunca poderão retornar à sua amada cidade, palco de meus sonhos infantis, cheias de criaturas mágicas como fantasmas e lobisomens. Minha mãe sempre adia a viagem inventando pretextos diversos, logo hoje que eu posso leva-la de avião! Rs! E preciso dela, pois é minha ponte com este passado que está em mim e ainda não conheço. Esses ancestrais, minha família, que me trouxeram até aqui e para quem eu carrego em nosso nome e nosso sangue como legado para o futuro.

 
E seus ancestrais, aonde estão?

Sergio Thot

Post scriptum


Anos depois de criar este li no blog Stregheria Pratica uma mensagem que complementa este pensamento:


"Mas no dia a dia, fora desses festivais ou exceções, o meu culto aos ancestrais, minha devoção a eles, se dá com comidinhas oferecidas, um café, uma cantiga relembrada. Uma velinha ou um incenso gostoso, e uma sensação quase infantil de poder pedir colo para a avó. Sempre que tem um evento importante na família, que alguém nasceu, morreu, fez aniversário, se formou, arranjou namorado, casou, parar ali para lembra-los, acender uma vela, ou dividir um cupcake, para que eles façam parte daquele momento."


Veja o restante neste link.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

DO NOVO HOMEM






Nos últimos grupos pagãos em que trabalhei, a presença feminina era maciça. Nada mais natural uma vez que a Religião da Deusa é um atrativo muito poderoso para o feminino existem em cada um de nós, tenhamos nós os cromossomos XX ou XY. Tal descoberta e as experiências dela decorrentes, ajudou-me a desenvolver em mim o valor do "outro".

Por existir um número maior de mulheres na Religião em geral e nos grupos em que celebrei em particular, as funções dentro dos rituais não podiam ser divididas em papéis masculinos para homens ou femininos para mulheres porque o número de pessoas nem sempre era o ideal para tal prática. Passamos então a ver o outro gênero com novos olhos através do resgate do masculino ou feminino dentro de nós.


E já que é Assim na Terra como no Céu, esta visão ampliada das coisas acertadamente transborda também para a realidade comum. A genitália ou a visão social deixa de ter papel preponderante sobre aquilo que somos realmente

Nossos Papéis no Cotidiano


Somos uma sociedade em luta, uma sociedade de conflitos. Um deles se refere aos papéis que homens e mulheres precisam desenvolver na sociedade, a começar na celula mater, a família. O homem tem deixado de ser a cabeça da casa em muitas cidades do Brasil. Seja porque morram mais cedo, seja porque se divorciam/abandonam as famílias.

Em minha própria família isso foi uma realidade. Minhas duas avós e minha mãe ficaram viúvas cedo e tiveram que gerir sozinhas as suas casas. Há campanhas governamentais que focam diretamente na saúde do homem que, como sei muito bem, não gosta de médico. Tem até um vídeo sobre o assunto.


Muitos banco populares têm feito empréstimos somente às mulheres porque costumam ser mais contantes nos pagamentos, além de serem os "homens da casa", por assim dizer. Há uma experiência muito boa em Bangladesh sobre o assunto.
 
Um novo papel cria-se agora na sociedade, de maneira lenta e gradual! Nós homens estamos um tanto perdidos, onde temos que ser dóceis no mundo privado, porém agressivos cá fora neste capitalismo selvagem. Ser capazes de dar conta da troca de uma fralda, mas também de combater na selva de pedra. Só que em quem nos espelharemos? Somos uma das primeiras gerações a se encontrarem com esta nova realidade. Se não há modelos confiáveis, como podemos cultivar a nosso novos papéis se vivemos em cercados?



Mulheres sem dono

Incrível como os conceitos mudam com o tempo, espaço e povo. O conceito de mulher virgem é um exemplo disso. As mulheres eram virgens não porque nunca tenha se deitado com um homem, mas porque não pertenciam a nenhum.

Num sentido mais profundo, é uma mulher que está ao nosso lado porque o deseja, não por medo do "mundo lá fora", ou piedade, ou interesses. Essa mulher é alguém que nos chama para segurar o alfinete da fralda, mas que também empunha a espada e escudo, com a pele pintada pra guerra e diz: vamos nessa!

Então é isto! Mulheres capazes do manejo da espada ao lado de homens capazes de fazer mamadeiras, todos em igualdade de condições, livres para assumir posições conforme as coisas acontecem, apoiando assim uns aos outros!

Isto, lógico, pede um novo homem também! Um que não se intimide com essa mulher forte e senhora de si.



Ah, este post sobre mulheres fortes merece um som do Ministro!

Ps:

Um texto interessante: Do Macho-Alfa