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sábado, 4 de setembro de 2010

ORDEM NA VIDA



Olá, gente!

Sabem, conversando com alguns amigos e amigas percebi uma coisa interessante. As vidas dessas pessoas estão entrando nos eixos, seja através de um novo emprego, ou compra da casa própria ou através da posse de algum outro bem mais durável. As vidas destas pessoas, como o mundo ao nosso redor, deixam finalmente a aridez do Inverno e embarcam na Primavera e suas promessas.

Mas a Primavera é isso, é a Promessa do Fruto. As flores estão aí mas elas são tão frágeis! Ainda tem muito chão pela frente e é preciso manter a mão firme no sonho. Empregos novos se sustentam através de envolvimento. Casas novas necessitam de reformas e ajustes. A vida não vem pronta, mas precisa ser trabalhada sol a sol.


Apolo

Falando em Sol, impossível não citar Apolo e sua luz que esclarece tudo, senhor da Razão e das estradas romanas que inspiraram o nascimento de cidades que ainda brilham em nossa civilização.

A manutenção do sonho do qual nascerá o fruto depende justamente desta clareza que o Deus nos oferece. Será através desta visão acertada que venceremos os obstáculos. Muitos problemas, aliás, nascidos de nossos próprios pontos obscuros. Receber as bençãos e não estar preparado para elas é desperdício. Minha experiência diz isso, sabem? Já perdi boas oportunidades simplesmente porque a chance apareceu e eu não estava preparado. Não cometam este erro.


Tire a tralha

Não é à toa que a Primavera é a época da limpeza, de dar embora o que não serve. Temos que correr leves, ter as ferramentas à mão para o momento certo. Velhos valores e amores já não nos cabem mais. A filha de Deméter que desceu ao Hades não é a mesma que sobe.

Então ponha ordem na sua vida. Abra cada porta de garagem, quarto, guarda-roupa. Cada gaveta, pasta, mochila, bolsa e carteira e se pergunte: isto ainda me serve? É uma boa recordação? É o tipo de coisa que quero ver em minha biografia? Se a resposta for não, limpe o item energeticamente, zerando-o de sua energia pessoal, e DOE! E se não for mais usável, RECICLE! Muitos lugares recebem todos os tipos de itens em bom estado como doação.

O Mercatudo das Casas André Luiz é um bom exemplo disso há anos. Conheci o lugar através de meu antigo emprego, onde consertava e vendia máquinas de escrever. Não raro encontrava lá máquinas em razoável estado de conservação que precisavam apenas de uma reforma para voltarem aos dedos dos poetas da cidade. É uma excelente opção para descartar os itens que já não lhe servem mais, mas que podem ser úteis a outras pessoas. E ainda ganhar um dinheiro!

Se vai doar ou comprar, entre em contato.

Ps: Comentei em outro texto sobre a Limpeza como elemento corretivo do ponto de visto energético. Para se combater energias negativas em um ambiente, nada como começar pela Limpeza Física: arrume, pinte, limpe!


Plutão recomenda prudência

Falando em vida financeira, e a grana? Quanto você ganha? Quanto deve? Quanto tem no banco? Gasta mais do que ganha? Com o que? Vale a pena? Dá para gastar menos ou ganhar mais? Pense! Ponha as coisas em dia. Mago é aquele que já está no lugar quando a oportunidade aparece.

Plutão, que guarda em seu reino os grandes tesouros da terra, recomenda que você seja senhor e senhora de suas riquezas, e não outras pessoas. Parece óbvio dizer isso mas países inteiros não dominam suas próprias reservas naturais. Coloque rédeas em sua carteira.

Aliás, recomendo uma leitura interessante no blog Dinheiro Consciente. Título auto-explicativo, rs!

O novo só se estabelece quando o velho finalmente vai embora!

Recicle sua vida!


Saúde, amizade, liberdade.



sábado, 3 de julho de 2010

MAGIA NEGATIVA




Não costumo escrever muito sobre Magias &; Encantos neste blog mas aconteceu algo no MSN que só se somou a outras experiências que tive com o assunto. Um dos meus contatos certa vez disse que estava deixando a Religião da Deusa por estar sendo perseguido por Magos Negros, Liga de Bruxos ou algo assim.


Perguntei-lhe como ele tinha chegado a esta conclusão e me foi dito que soube porque "mexia" com Artes das Trevas, Magia Negra e afins com este suposto grupo. E como meu ciberamigo sabia demais precisava ser "eliminado". Bem, esta história tem para mim vários desdobramentos.


Busca de Poder

Esta pessoa iniciou contato comigo meses atrás, se bem me lembro, porque queria aprender a dominar os elementos. Por aí já vi que o interesse dele não era Magia, mas pirotecnia, exercício de poder sobre as coisas. Não é um pensamento diferente do que se faz no mundo material ao se designar uma floresta com toda sua biodiversidade como "mato". E mato é para queimar. Nosso colega não se dispôs a compreender o mundo e se harmonizar com o todo.

Em sua corrida para o sucesso ele supostamente pegou o caminho mais rápido. Como ele, conheci outros que entraram na Religião atraídos por esta falácia de dominar a Magia ao invés de dominarem a si mesmos, exercer o sacerdócio e servir a sua comunidade tão carente hoje de líderes. Não conseguindo o seu intuito e se perdendo na jornada labiríntica, saíram falando mal de minha Fé.



Ilusão


Já fui em muitos encontros de pagãos como o EAB (Encontro Anual de Bruxos), CWED (Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa), além dos próprios ESBG (Encontros Sobre Bruxaria em Guarulhos). Neles a maioria dos participantes vestia-se de preto com a intenção de repelir negatividade. Meus queridos, pela minha experiência eu lhes digo que tenho mais medo de um soco ou um tiro do que qualquer maldição a mim apontada. Porque a primeira lição que aprendi com minhas mestras e na vida em geral é discrição, não chamar a atenção, "não perturbar o lugar" como diz o texto de Rae Beth aí ao lado.

Não chamando a atenção e consequentemente despertando a inveja, cobiça ou ira das pessoas, é possível entrar e sair de ambientes sem ser notado.
Mas a primeira coisa que se faz ao ingressar na Religião é usar o pretinho básico + maquiagem carregada e outros adornos. Mas é tudo ilusão. Quem adquire bagagem suficiente nesta vida se comporta como o Arcano 9, o Ermitão: aprende mais pelo prazer em aprender e não para fazer micagens.


Evite Problemas

Então minhas crianças, não tenham ilusões de poder. Primeiro porque o poder não é seu, é compartilhado. Segundo que esta ilusão só alimenta o medo e você é forçado a dormir com o athame sob o travesseiro. Se o medo se mantém você sairá correndo para a porta da igreja mais próxima falando cobras & lagartos da Religião, uma das poucas coisas na vida que me enfurece profundamente. Aprendi que a melhor maneira de resolver problemas é evita-los. E para isto a gente observa os ciclos e os Mais Velhos. Como Mais Velho, lhes dou este conselho. E é gratis!


Declare Guerra

Mas se o medo já se instalou em seu coração, não recomendo magia protetiva. Para mim isso soa como um encastelamento. E me vem na cabeça a cena d'O Senhor dos Anéis onde os soldados se veem cercados por orcs em todas as direções e dando conta que estão é presos em sua fortaleza.

Lembra: todo castelo pode virar uma prisão.
Então vá ao campo e luta! Faça como o Leão! Não se encolha dentro de magias protetivas mas brilhe como o sol do meio dia, fazendo com que as pessoas pensem duas vezes antes de mexer contigo. Como sou adepto da simplicidade, uma oração matinal ao Divino e um cristal em seu bolso, bolsa, mochila.

Não tenha medo. Korê foi levada pela Morte para as profundezas da Terra. Mas tanto ela quanto Sua (Nossa?) Mãe lutaram contra seus próprios pavores. Deméter venceu o medo e fez o que nenhum Deus tinha feito: derrotar Zeus. E na escuridão nasce Perséfone, Rainha dos Mortos e renovadora da vida na Primavera que se avizinha. O medo só abre portas para o que você não deseja.

Tenha coragem. Em seu dia-a-dia você atravessa situações que exigem muito dela em nível material. Pense Nisso! Sei que é capaz!


Seja Abençoad@


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sábado, 22 de agosto de 2009

DA LIMPEZA


Algumas pessoas me perguntam como realizar uma limpeza energética em suas casas. Não raro estas questões envolvem uma presença espiritual não desejada no ambiente. A primeira pergunta que eu faço é: tem bagunça? Se há bagunça no ambiente físico, por que não haveria no espiritual?

Sempre, em todos os campos de nossa vida, mesmo a espiritual, devemos lidar com a Razão & Sensibilidade para a solução de dificuldades. E até mesmo para evita-las.


Então vamos usar primeiro da Razão para solucionar o problema.



Coisas velhas

Parto primeiro do mundo físico antes de lidar com o espiritual. Então eu verifico como é a casa das pessoas em questão. Se é desorganizada, com móveis velhos/quebrados/sem uso, recomendo trocar ou reformar ou mesmo dar embora.


Ambiente caótico

Roupas pelo chão? Pia cheia de louça? Dê um jeito de manter tudo arrumado. Cada coisa em seu lugar, um lugar para cada coisa. Isso vale para coisas menores como carteiras, bolsas, mochilas. Nada de bagunça em lugar nenhum.


Mais luz!!!!

Ambientes escuros, cantos cegos, cores opacas nas paredes... Deve-se fazer o máximo para trazer luz e alegria ao ambiente com cores quentes e claras. Luminárias, abajures, pintura nas paredes ajudam bastante. Quadros com motivos alegres dão um toque especial.


Chega de mofo!

Entramos agora em coisas mais estruturais. Se há mofo então o ambiente não é ventilado ou iluminado o suficiente, e se deve buscar soluções para isso. A casa, tal qual o planeta, é um ambiente vivo para um pagão e assim deve ser tratado. A casa não pode ser insalubre pois tanto ela quanto seus ocupantes ficam doentes.

Telhas transparentes, exaustores de teto, resolução de vazamentos e infiltrações e outras soluções mais invasivas devem ser pensadas.


Limpeza pura e simples

Como quase sempre não conheço a casa e os ocupantes, quando eu chego nesta parte talvez eu fale o óbvio, mas limpeza pesada semanalmente (dependendo do número de ocupantes) e uma limpeza superficial diária não são exageros.


Lembrando que tudo isso não deve ser feito só porque é preciso. Necessita-se também que a pessoa faça ou participe destas ações com intenção, visualizando a solução deste problema mais profundo, desejando a vitória da harmonia. Sem intenção, sem fé, pode não funcionar.


Somado a tudo isso entra uma intervenção da Sensibilidade.


Você é o autor e ator


Pergunte-se: será que eu deixei a porta aberta? Como é a minha vida? É saudável? O que entra e sai de minha boca são bençãos ou maldições? Eu tenho uma perspectiva boa da realidade? Meus alimentos físicos, mentais, culturais, emocionais, religiosos me nutrem ou me minam? Qual é o meu papel nisso?

Não raro é o ocupante e não a casa o motivo da desarmonia. Nós a trazemos e a mantemos graças a pensamentos & ações nocivas. Identificar e eliminar de vez estes "focos de incêndio espiritual" é de uma urgência absurda.


Como é sua vida?

Se compararmos a presença como uma visita que demorou demais, nós demos até aqui todos os sinais de que nossas vidas devem trilhar direções separadas. Mas se a questão persiste, pedimos uma intervenção mais incisiva do Divino em um ritual apropriado. E sinto que ninguém melhor para interceder por nós que Perséfone (Salve, minha Senhora!), Rainha do Submundo.


Chame pelo Divino

Pede-se a Ela que leve consigo esta presença para o Outro Lado e que lá ela siga seu caminho. Que na casa já não há mais espaço e que a presença já se torna perturbadora. Presenteie a Deusa com seus objetos e frutos preferidos. Ore a Ela para que Seu manto cubra a casa, protegendo-a. E que quando o retirar, que leve consigo tudo o que não for de Nosso Mundo.



Chame sua Comunidade

Criou-se um mito, uma ideia errônea de que o caminho wiccano é solitário. Como pode existir uma religião de gente solitária se religião é religare? Religião se vive em comunidade e comunidade é para ajudar e se ajudar quando a coisa aperta.

Se não tiver forças para combater sozinho uma ameaça, convide sua comunidade para ajudar. Faça de sua casa um lugar sagrado, de devoção, de Amor e de Paz. Aproveita a chance e restabeleça laços rompidos com outros membros do lar. Perdoe e aceite o perdão. Solidifique os vínculos com a família e amigos. Espalhe a harmonia e peça ajuda para a Deusa nisso.


Ela atenderá! Que Assim Seja!

Um endereço interessante para se obter receitas de saúde do lar é o Casa Claridade. Eu recomendo a visita.


Outro blogue interessante é o Além do Físico. O texto em si fala de algo que esqueci de mencionar aqui: é melhor prevenir do que remediar.


Sergio Thot

sexta-feira, 26 de junho de 2009

DA LUZ




Da parte grossa do ovo quebrado,
Ergeu-se o excelso arco do céu, E então da gema, a parte de cima, O brilho ardente do Sol tornou-se.(...) Kalevala: A Terra dos Heróis - Tradução de W.F. Kirby.



Desde a primeira ferramenta criada pelo homem, a soma de conhecimento chamada de tecnologia facilitou-nos a vida. Quando queremos que um ambiente se ilumine, basta tocar em um interruptor. Se falta energia, temos hoje o recurso de acender um fósforo ou isqueiro e queimar parafina industrializada.

Imagina a vida de quem vivia somente com a luz das estrelas e da Lua enquanto o sol rumava para outras terras? Tal como a água, para nós é fácil ter o que precisamos. Basta um clique e está tudo a mão. No entanto, quando em outros tempos e outras terras, quando éramos camponeses, os perigos reais e irreais se escondiam no farfalhar das folhas na floresta, na boca dos lobos-guarás e das corujas.

Faltou luz em casa devido as chuvas de Inverno. Mas velas são abundantes aqui e não ficamos totalmente às escuras. E confesso que foi até interessante jantar sob seu brilho tênue. O andar pela casa à noite foi uma experiência interessante. É um espaço conhecido mas as novas sombras mudaram as perspectivas de espaços e objetos. O fato me trouxe lembranças de uma caminhada às escuras na Mata Atlântica, tempos atrás.

Acampando com amigos durante um feriado prolongado, e retornando a minha barraca após um passeio solitário no fim da tarde, senti o medo ancestral. Acostumado com as facilidades urbanas, com os postes com luzes e faróis dos carros velozes, a escuridão me engoliu em cheio. A trilha era conhecida durante o dia, mas a noite a Lua prega peças.

Onde eu pensava ver buracos eram montes. E aonde eu buscava firmeza da terra eu tropeçava. O vento brincava ao meu redor e tinha a nítida impressão que me seguiam dentro da mata, de ambos os lados do caminho. Eu parava para escutar e firmar a visão, mas só via o prateado das folhas próximas.

É lógico que o coração baterá forte e a garganta apertará nestas horas. Com as lanternas e fogueiras a cinco minutos de caminhada ainda, tudo era estranho e hostil. Tão pouco tempo em uma calçada iluminada é besteira, mas ali foi uma eternidade. Não é à toa que a Iniciação em vários círculos mágicos envolvem a restrição de sentidos como a visão.

Nossa Psiquê fica totalmente vulnerável e aberta a qualquer experiência que ocorra a nossa volta. Se há algo de racional em nós, diante do desconhecido, esse algo é o primeiro a correr!!! É o mergulho da Deusa nos domínios de Perséfone.

De volta a segurança do fogo e tomando minha sopa, debaixo do cobertor, achei tudo engraçado, logicamente. Ri por dentro e e esqueci o assunto em meio a outras conversas. O tempo passa. E a experiência somente renasceu com a falta da luz em casa e a busca das velas e fósforos, diante do medo ancestral da Escuridão.

Distraídos pelas luzes da cidade e pela fogueira moderna em forma de televisão, não temos tempo suficiente para confrontar-nos conosco e nossos medos. De certo modo vivemos como as mariposas que se batem nas lâmpadas.

Até que a Realidade vem e apaga a luz.


Para você, caro leitor, um som da MPB que simboliza o casamento da luz do Sol com as profundezas da Terra...



Sergio Thot

quinta-feira, 18 de junho de 2009

DA VIOLÊNCIA




A questão da violência está implícita na sociedade moderna, que a admite, aceita e alimenta. Mas, como defini-la? O Minidicionário Aurélio define a violência como um ato oposto à justiça. E Justiça é dar cada um aquilo que é seu por direito. Vendo por este ângulo, ações justas tentam reparar, abrandar, restituir atitudes violentas. Temos então um diálogo entre estas duas forças, estas duas ações que moldam a humanidade.

No
Wikipedia observei um aprofundamento interessante e que merece ser estudado. Falo sobre isso após assistir um documentário sobre o Paquistão no Discovery. Confesso que andar pelas suas ruas, ainda que virtualmente, me deu novos olhos sobre o povo e me lembrou que nação, pequenos grupos e governo são elementos diferentes dentro da mesma equação.

O que nos foi mostrado foi a vida de gente comum, longe dos estereótipos que acostumamos a ver em filmes e reportagens feitas de alto de hotéis.
Mas o ponto em questão, a violência que vi e da qual quero falar não vem da guerra em grandes proporções e seus mísseis inteligentes. Em dado momento a reportagem nos leva a conhecer um salão de beleza. Chicoso, se eu ligasse a tevê naquele momento eu diria que aquele ambiente podia ser Paris ou Milão. Mas os olhos grandes e penetrantes das mulheres não negam: estamos no oriente.

O diferencial do
salão está no atendimento que faz a um tipo especial de mulher. Quando as vi fazendo escovas e tinturas, voltei meus olhos com horror e dor. Eu vi algo que já sabia, mas que a pasteurização da notícia não nos deixa enxergar. Duas, três, quatro dentre centenas de mulheres em todo o país, com o rosto derretido por ácido. Um soluço nasceu e brotou no meu peito, talvez uma lembrança do tempo em que fui, seqüestrado, queimado e chicoteado e morto no decorrer das eras. Essa lembrança corre no sangue e ali, diante daquela mulher presa em seu próprio país e agora em seu próprio corpo desfigurado, eu chorei.

Chorei por ela e por mim, por hoje e por ontem. E pelo caminho que ainda temos que enfrentar até que ações assim sejam eliminadas.
O crime destas mulheres foi ter uma opinião discordante. E um ato de violência lhes foi imputado. Mas não há ato de justiça capaz de reverter o processo, ou seja, devolver-lhes o rosto e a vida roubadas. É um crime sem justiça. Talvez com punição ou ato de vingança, mas não haverá justiça. Sempre comento sobre o corpo, e que como é impossível amar algo tão gigantesco como a Terra se somos incapazes de amar aquilo que temos ao alcance das mãos, a começar por nós mesmos.

Somos capazes de atos de justiça em nosso cotidiano, reparando males feitos ou ao menos diminuindo sua intensidade. Males feitos a nós e aos
outros. Convém analisar as ações e remedia-las em curto prazo.
Em longo prazo, evita-las.
Saúde, amizade, liberdade.


Conheça mais sobre o sistema de apoio as mulheres vítimas deste tipo de abuso no site da Fundação Depilex.

E principalmente não interiorize a violência! Não permita que as cicatrizes cheguem a sua alma! Que as lágrimas de Deméter e Perséfone a lavem para que se renove a cada ciclo!



sábado, 25 de outubro de 2008

DIONÍSIO







É necessário estar sempre bêbado.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo,
que vos abate e vos faz pender para a terra,
é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio,
na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida,

perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,
a tudo o que canta, a tudo o que fala,
perguntai-lhes que horas são;
e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio,

hão de vos responder:
É hora de se embriagar!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas!

De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

Charles Baudelaire


Dionísio, filho de Sêmele e Zeus, é um dos Deuses preferidos dos pastores e agricultores. Os relatos gregos afirmam que, quando Hera descobriu de quem Ele descendia, enciumou-se e resolveu fazê-lo louco e vagar pelo mundo.

Curioso como são as coisas, não? O que deveria ser um castigo tornou-se sua marca.




Deus Libertador

Os Deuses olímpicos exigiam de seus cultuadores alguma forma de sacrifício, e com Dionísio não é diferente. Mas nossa devoção para com ele se dá através do maior sacro ofício de todos, que é a busca de nossa própria libertação.

O seu valor como divindade agrícola nasce quando ele ensina o cultivo das parreiras e o processamento do vinho, após ser curado pela Deusa Cibele. O vinho não é o fim em si mesmo, mas o caminho do êxtase que nos leva a uma Verdade maior. Algo que vá além da rotina, do trabalho, maternidade, estudo.

Um Deus que liber
ta as mulheres dos sutiãs, activias, OB's... Que permite que o sangue volte ao solo novamente e que o fertilize. Do vinho que reduz a razão, e que permitem ideias loucas e inspiradas brotando da aridez que é nosso dia-a-dia. Uma Verdade que nos retira daquilo que fazemos cotidianamente e nos leva àquilo que somos.

Para os campesinos, que sempre viveram submetidos ao domínio das cidades e seus Deuses de ordens e de linhas retas,
ter um Deus que morre e renasce, que é vítima de injustiças e abusos mas ainda sim mantém-se íntegro, é uma promessa.

Uma promessa de renovação, de esperança, de criatividade, de Vida. Uma promessa de Retorno sem chantagens ou ameaças. O Deus que é o marido secreto de Perséfone, também Esta que conheceu a dor e violência, o rapto e
morte, mas que retorna todo ano para os braços Deméter (Salve Grande Mãe!) para novamente reinarem sobre os grãos e frutos, grãos e frutos que somos nós.

 Não há um sacerdote entre seus cultuadores de Dionísio. Ou melhor, somos todos sacerdotes do Deus, todos responsáveis. Todos carregamos o cetro do Deus da terra. 

Hino Órfico a Dionísio:
 

"Eu clamo ao estrondoso e festivo Dionísio,
primordial, de duas naturezas, duas vezes nascido, senhor Báquico,
selvagem, inefável, secretivo, de chifre duplo, de duas formas.
 
Coberto de hera, com rosto de touro, bélico, uivante, puro,
tu tomas a carne crua, tu tens festivais trienais,
envolto em folhagem, protegido por cachos de uvas.

Eubouleus de muitos recursos, deus imortal gerado por Zeus
quando este se uniu a Perséfone em união inenarrável.

Escuta atentamente à minha voz, ó abençoado,
e com tuas amas vestidas de beleza
sopra em mim um espírito de perfeita gentileza."


Falando em vinho, para aumentar a cultura de meus leitores os brindo com a sabedoria de um enólogo das terras lusitanas!





Outras Leituras


Convido-os a conhecerem a Sociedade Dionísica, cuja a proposta é...


"...alcançar o estado de liberdade que nos coloca em contato com o divino. Nos inspiramos nas principais atribuições que nosso deus tinha na Grécia Antiga (vinho, orgia e teatro) para classificá-las em três grandes gêneros: a liberdade da mente (representada aqui pelo Álcool), a liberdade do corpo (simbolizada pelo Sexo) e a liberdade da alma (figurada pela Arte)."
Clique AQUI e descubra

Leia também um belo Hino Órfico para Bacchus no Mundo Pagão, clicando AQUI.


quarta-feira, 25 de julho de 2007

DO NOME MÁGICO




A significação do nome tem várias faces. O nome serve para retirar do comum um determinado objeto, atribuir qualidades positivas ou negativas a outros e a nós, e também para exercer domínio sobre o dominado.


No princípio, era o Caos. Então nossa consciência emerge do irracional, e seu primeiro ato de afirmação é submeter o não-eu aos seus critérios. Isto se inicia no nome. Na tradição judaico-cristã, Adão (nomeado assim por YHWH), tem como função primária denominar os seres do mar, do ar e da terra. Desde modo ele se destacaria da natureza, em um divórcio simbólico que perdura até hoje. Para o bem e para o mal.

O nome também possui função adjetiva em muitos casos. Quando nomeamos alguém de Careca, Negro ou Viado, ou Amor, Mano ou Pai. Estes nomes carregam em si uma carga simbólica que ultrapassa o seu significado básico, passando a destacar qualidades ou defeitos que observamos nestas pessoas. E isto é um dado cultural, pois quem é pai para mim pode não ser para outro.

O nome ganha status de poder quando, através do convencimento ou coação, submeto não só o objeto a minha nomeação, mas digo aos outros que, daqui em diante, aquele ser deve chamar-se tal coisa. Muitos escravos negros eram simplesmente coibidos de usarem seus nomes originais, adotando forçosamente o nome de seus senhores. Aqui, temos também um ato político.

O Caos referido anteriormente pode, em um primeiro momento, aludir a bagunça. Mas se olharmos mais profundamente, só é caótico aquilo que não entendemos ou não aceitamos. Para muitos, nossa forma religiosa é caótica por exemplo, apesar dela possuir uma rotina que todos conhecemos. Tudo o que vemos, pelo menos intelectualmente, só existe porque lhe atribuímos um nome.

Então a (re)nomeação busca a retirada intelectual de um objeto da antiga ordem em que ele se encontra. Ele "morre" para seu uso anterior, "ganhando" novas possibilidades de interação. Eis aqui o resultado natural do nascimento, onde deixamos uma existência e passamos a outra. Deixamos também uma determinada forma de agir por outra. E marcamos isso com o novo nome. No nosso caso, o nome mágico.

Perséfone

No mito grego de Kore/Perséfone, a virginal Deusa é raptada por Hades e leva ao submundo. Identificada como o broto, desaparece no seio da terra Gaia. Sua mãe, Demeter a procura pelo mundo e não a encontra. Sabe por Hécate que sua filha foi raptada. Após rogar a Zeus por justiça e não ser atendida resolve deixar o mundo natural, para a desgraça deste. Em jogo estava a frágil ecologia que sustenta homens e Deuses. Rapidamente Zeus pede que a jovem seja devolvida a sua Divina Mãe. Mas esta não é mais o Broto sem nome, mas Perséfone, Rainha dos Mortos.

Atualmente quando ouvimos ou lemos o mito somos levados a pensar que Ela fora enganada e obrigada a passar parte do ano agrícola no submundo. Mas quando contamos algo sobre alguém, falamos mais de nós do que do outro. Talvez seja isso que os gregos gostariam de passar, segundo sua cultura. Mas e segundo a nossa?

É interessante pensar que a Deusa, ao ser levada ao Submundo, não se submeteu, mas aceitou sua posição como Rainha dos Mortos. E mais: ela o fez para oferecer aos outros cuja morte também rapta, uma esperança: a da vida eterna. No submundo, Kore não só encontra seu nome, mas seu destino de levar aos-que-se-foram-antes, a Luz da Esperança. É o que nos faz pensar a estudiosa e sacerdotisa Rachel Pollack, em seu livro "O Corpo da Deusa". Leitura essencial.

Acreditamos que todo o nome seja mágico, e que o poder está nas mãos e ações de seu usuário. Esta seria a função do nome: um marco, um farol, uma referência de seu portador.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

PERSÉFONE




Há no vale do Ena, um lago escondido no bosque, que o protege contra os ardentes raios do sol; o terreno úmido é coberto de flores, e a primavera reina ali perpetuamente.

Prosérpina lá se encontrava, brincando com suas companheiras, colhendo lírios e violetas, e enchendo com as flores seu cesto e seu avental, quando Plutão a viu, apaixonou-se por ela e raptou-a. Ela gritou, pedindo ajuda à mãe e as companheiras; e quando, apavorada, largou os cantos do avental e deixou cair as flores, sentiu, infantilmente, sua perda como um acréscimo ao seu sofrimento.

O raptor excitou os cavalos, chamando-os cada um por seu nome e soltando sobre suas cabeças e pescoços as rédeas cor-de-ferro. Quando chega ao Rio Cíano, e este se opôs a sua passagem, Plutão feriu a margem do rio com seu tridente, a terra abriu-se e deu-lhe passagem para o Tártaro.

Ceres procurou a filha por todo o mundo. Aurora, dos louros cabelos, ao sair pela manhã, e Hespéria, ao trazer as estrelas ao anoitecer, ainda a encontraram ocupada na procura. Tudo foi em vão, porém.

Afinal, cansada e triste, ela se sentou numa pedra e continuou sentada, durante nove dias e nove noites, ao ar livre, ao ar livre, à luz do sol e ao luar, e sob a chuva.

Da obra de Thomas Bulfinch, O Livro de Ouro da Mitologia

É fim de tarde de abril. Há dias não chove, e o cheiro de urina humana é forte. Com seus grandes ossos, Gaia brota da terra e é testemunha muda na Praça das Pedras, no Macedo. Mas é provável que você não more aqui, e não saiba que a tal praça é um lugar onde mulheres vindas da escola, professoras e alunas, eram violentadas. Não, se você não mora aqui não tem como saber. Muitos dos que moram aqui não sabem!

Não raro tiveram aqui outras Kores encontros escuros com seres violentos, e foram levadas à força. Mesmo com a reforma e iluminação da Praça das Pedras, ainda os jovens da escola próxima e mesmo adultos receiam em passar próximo das sombras das grandes pedras. Como Kore, temem o poder que se esconde anônimo no escuro, pairando negro como as asas da graúna. Tentam afastar da mente estes pensamentos, no temor que eles chamem para si aquilo que se esconde entre as fendas.

Mas, para algumas, isto não basta.

O cheiro de urina é forte, atestando que ali algo morreu da civilização. Demeter se recolhera e grande é sua dor. Sua ignorância fora roubada e não há no mundo descanso para sua cabeça. Todos os travesseiros são de pedra. Mãe e filha vagam juntas, mas cada uma em um mundo. Uma clama por justiça, outra por consolo. Não há mais como afastar da mente aquilo que já marca o corpo. As cicatrizes são como veios da rocha nua. E é na percepção disso que finalmente, embora separadas, mãe e filha se encontram. Pois há outras mães e outras filhas, e os olhos já podem ver melhor.

Mãe e filha se encontram em si mesmas. Encontram em si e se encontram na outra a força que precisavam. Encontram em si e nas outras mães e filhas os meios para que as sombras não mais cubram as bocas dos que tentam gritar.

Com tochas elas iluminam as fendas e algo foge para o interior da terra. A luz do conhecimento deve ficar acesa. Que todos saibam.

Elas lavam e secam umas as outras. É um batismo. Batismo de fogo e de água, pois foram e retornaram. Batismo de terra e ar, conquistando firmeza e conhecimentos. Não mais inocentes e ignorantes. Não mais virarão seus rostos, ou apagarão da mente os perigos. Renascidas, são guerreiras.

Se antes Ela fora levada, agora retorna só e com os próprios pés. Na escuridão, Ela viu dentro de si a luz. E ardeu, e sua chama é um farol para outros pela sombra sequestrada.
Ela move as rochas e os que assistiam se curvam diante delas. A Deusa consigo traz sob seu manto miríades de sequestrados pelo escuro, e todos são gratos. O resgate fora pago com amor e conhecimento. Na escuridão houve luz, e quem teve coragem e fé, seguiu.

É manhã, e o céu e a terra se unem num beijo molhado de chuva. Há cheiro de rosas no ar.



A música que segue agora me faz chorar sempre que ouço & canto junto. Canta comigo?


domingo, 15 de julho de 2007

DO PERDÃO




Escrever sobre o perdão se revela tarefa difícil. O conceito do perdão para mim lembra algo relacionado a dieta, pois temos que restringir em nós o consumo do rancor viciante. Afinal, é tão conveniente o papel de vítima e beber deste fel tóxico. A vítima é passiva por concepção, incapaz de prever ou reagir diante das injúrias feitas pela vida. A vítima se encolhe no canto e chora.


O papel de vítimas já não cabe mais na Humanidade, pois temos, sempre tivemos, a necessidade de tomarmos conta de nossas vidas mesmo nos piores momentos. Temos a obrigação de nos defender das violências do mundo. Vitimismo também nos leva a ações como vingança quando surge a oportunidade. Nações inteiras entram e permanecem em guerras porque não sabem perdoar em coletivo coisas que aconteceram no passado, seja recente ou não.


Conflitos nascidos de razões históricas como os da Iugoslávia e Ruanda são provas de como o ato de não perdoar pode levar populações inteiras a mortes horríveis, onde vizinhos golpeiam uns aos outros com facões ou armas leves, invocando  dores de um passado que não viveram.


O que é perdoar?




Perdoar não é oferecer a outra face. Isto é ser vítima! Ser perdoador significa afirmar que também fomos e somos sujeitos na história. Que quando acontece com o outro é uma crise, mas conosco é um desastre. É neste ponto que somos tentados a dizer por conta de nossas supostas fraquezas - oh, o que fiz para merecer isto? Ao invés disto devemos ter posição ativa. Descobrir que somos o ator e autor de nossa história. E como tal temos nossa cota de responsabilidade. Nós não somos figurantes. Não somos parte do cenário ou paisagem. Não somos máquinas. Não somos objetos. Não somos indefesos. Não somos vítimas! É preciso perguntar sempre - qual meu papel nisso tudo? 


O poder do perdão não serve só para o outro, mas para nós também. E é em nós que ele atua de modo mais benigno. O perdão lava nossa alma, consertando nossas asas. O perdão nos torna mais leves. Sem ele sempre recordamos das injúrias. Recordar injúrias nos impede de raciocinar. Recordar, do termo recordis, lembrar com o coração, a morada dos sentimentos. Como viver bem se em nosso coração estamos afogados em dor?


Perdoando tiramos a violência somente do coração, não da lembrança. Precisamos da lembrança na mente para evitar novo erro. Afinal, quem não conhece a sua história esta fadado a cometer os mesmos erros. Mas é no coração que mora a fé, e nela depositamos nossa decisão de trabalhar no presente para alterar o futuro. 


Perdoar é aquilo que nos abre ao novo de novo, pois cada experiência é única, cada vida é especial. E atenção:  o mundo não pára para que possamos lamber as feridas, já que a fila continua andando. Até porque são poucos os que gostam de cessar seu caminhar para ouvir o rancor alheio por muito tempo. As pessoas que gostam de nós nos apoiam, mas rancor é um fardo por demais pesado para carregarmos, mesmo que estejamos em grupo. Logo somos convidados a deixar o peso inútil para trás... ou sair da fila.


É perceptível também o poder deste sentimento no corpo e na mente: nossa pele envelhece, os olhos afundam, órgãos internos sofrem. Surgem as doenças psicossomáticas, aquelas de origem emocional. É um suicídio lento.


Um veneno auto-induzido, sadicamente ministrado. Uma agulha que injetamos diariamente com substâncias que trazem de tudo para a nossa vida, menos bem-estar. 


Seu corpo é um templo, você já deve ter ouvido falar muitas vezes. Pois é... está na hora de limpar este prédio. Tire o lixo. Perdoar é faxinar o coração.


Saúde, amizade, liberdade.




Sergio Thot.